2007: aproximação com o inimigo

Ainda na série de retrospectivas de 2007, uma das mais chamativas foi a aproximação entre inimigos.

O que quero dizer com isso ?!

Simples: o PT aproximou-se, ainda mais, de seus inimigos históricos.

O PT era aquele partido que notabilizou-se e sempre pautou-se pela OPOSIÇÃO. Eles sempre opunham-se a tudo.

Plano Real ? Oposição.
Lei de Responsabilidade Fiscal ?
Oposição.
Privatizações ?
Oposição.
Pagamento de juros ou da dívida externa ?
Oposição.
Abertura de mercados brasileiros para o comércio internacional ?
Oposição.
Imperialismo americano ?
Oposição.
Transgênicos ?
Oposição.
Superávit ?
Oposição.
Compra de votos ?
Oposição.

Não obstante, o que se tem visto, desde 2003, é o oposto disso. As diretrizes básicas da política fiscal e econômica (superávit, valorização da moeda, pagamento de juros, responsabilidade fiscal) foram mantidas EXATAMENTE como desenhadas por FHC, Malan, Fraga e outros “tucanos”.

As privatizações que o PT atacava anteriormente não foram apenas realizadas (aqui), mas exaltadas por pessoas que antes opunham-se ao liberalismo – inclusive Rei Mulla, que daqui a pouco vai dizer que foi ele quem privatizou o sistema de telefonia e a Vale, devido ao sucesso destas realizações de FHC. Rei Mulla, aliás, já andou enaltecendo a Embraer (relembrando: privatizada por FHC)….Falta pouco para dizer que foi ele quem transformou a Embraer numa empresa mundialmente competitiva….

Em vista disso, não me resta outra opção senão relembrar os spots criados para a campanha institucional do PSDB em 2007 – que, de resto, tem alguns exageros (como qualquer propaganda política, aliás), mas conseguiu finalmente ter a coragem de começar a mostrar a tônica do mandato Lulla:

O mesmo se repete em relação aos transgênicos (o PT sempre apoiou e defendeu o MST quando este invadia plantações de transgênicos ou empresas que pesquisavam novas combinações genéticas), à compra de votos (quando FHC foi acusado de comprar votos para sua reeleição, o PT exigiu impeachment !!!!) ou mensalão etc etc etc…..

Politicamente, tivemos o emblemático caso do Renan Calheiros – que sempre apoiou o governo, QUALQUER QUE FOSSE O GOVERNO, desde Collor a Lulla, passando por Itamar e FHC. Vimos, em 2007, Lulla e o PT mobilizando-se copiosamente para salvar o ex-presidente do Senado.

Não podemos esquecer, ainda, da palhaçada da TV pública e da TV Digital (ver aqui)….

Vimos, finalmente, o PT defendendo a CPMF – tratei desse ponto diversas vezes, como é possível ver aqui. Destaco, em particular, este post, que mostra de maneira clara e cristalina a total mudança de “convicção” do PT.

Em suma, 2007 foi MAIS um ano em que o PT e o governo (?!) do PT adotaram as mesmas práticas que passaram 20 anos criticando. Uma a uma, acabaram não apenas adotando, mas por vezes exagerando….

Cada vez mais, tenho a certeza de que defender o PT, hoje, é sinal de ignorância extrema ou má-fé descarada. Senão de ambos.

Sectarismo, proselitismo e outros ismos

Não é apenas no campo da política que vemos excesso de proselitismo, exageros, demagogia, populismo……. A despeito de a política ser, sem dúvida, área vasta a ser semeada com tudo isso.

Um dos pontos que mais tem me chamado a atenção diz respeito às questões envolvendo a “sustentabilidade” – para usar o termo do momento, da moda.

Empresas estão investindo em comunicação para vender uma imagem associada à tal “sustentabilidade”, e esta discussão acaba resvalando, impreterivelmente, em questões políticas. Empresas, governos e cidadãos (ou “sociedade civil”) têm, claro, seus respectivos papéis na questão da preservação do meio-ambiente – isso é inegável. Porém, o que eu tenho percebido é um certo exagero.

Tenho visto muito sectarismo dos debates que cercam tal assunto. Entidades que “nasceram” com a missão de defender o meio-ambiente (como o Greenpeace, por exemplo – que abandonou, há muito tempo, a parte “peace”, promovendo ações agressivas, ilegais e quase terroristas), de alguns anos para cá, vêm deixando de lado o meio-ambiente em si para fazer muito mais politicagem.

Apenas para constar, destaco um documentário produzido pelo Canal 4 britânico, que traz uma discussão decerto polêmica – mas não por isso desmerecedora de alguma atenção. Eis alguns trechos:

Pesquisando sobre o tal documentário rapidamente, vi algumas contestações, questionamentos etc.

Ao reproduzi-los aqui, não estou endossando nada. Apenas trazendo à tona. Creio que, desta forma, é possíveltratar desta questão – decerto relevante – mas sem ignorar por completo um possível “outro lado”.

Afinal, esta questão do meio-ambiente tem parecido um discurso único: TODO MUNDO tem a mesma certeza ?! Isso é, conceitualmente, estranho……

Na prática, vejo muita gente defendendo esta questão muito mais com um sectarismo perigoso do que com racionalidade……. Por exemplo, o IPCC….. As declarações vistas no documentário supracitado são, no mínimo, merecedoras de alguma reflexão.

Será que não tem gente extrapolando nesta questão ?! Creio que ela merece uma discussão mais embasada, e menos baseada em “modismos”, em proselitismo, em populismo…. Caso contrário, babacas como os do MST continuarão usando o assunto (e sua abordagem enviesada) como palco de seus desmandos, de suas invasões ilegais, de seus crimes.

Retrospectivas e Perspectivas

Todo início de ano, a mesma coisa: retrospectivas do ano anterior, e promessas e avaliações para o vindouro. Nenhum problema até aí. Dependendo dos resultados da retrospectiva e das perspectivas, claro !Por coincidência, uma das últimas newsletter que recebi em 2007 (para ser mais preciso, no dia 27 de Dezembro), tratava justamente das perspectivas do Brasil diante da Economia mundial. A newsletter da Wharton Knowledge (da Wharton School, nos EUA), disponível AQUI e AQUI, trata do Brasil sob duas óticas distintas, conquanto complementares. Ambas são interessantíssimas e merecem uma leitura.

A primeira matéria, trata da Economia como um todo, e analisa os países do bloco “BRIC” – Brasil, Rússia, Índia e China. O texto é elogioso (como, de resto, costumam ser as análises publicadas nas newsletters da Wharton), superficial, mas ainda assim ajuda a mostrar o tipo de visão que acaba sendo formada do Brasil no exterior. Vale como curiosidade.

Um trecho, que comento na seqüência:

For more than 20 years, Brazilian capital markets were characterized by protectionism and underdevelopment. Following the improvement in the economy, capital markets began to modernize. Lately, Brazil has been benefiting from a favorable external environment. On a global level, it has significant liquidity. In a broad range of financial markets, prices have risen at a brisk pace and the country has growing economic ties with developed economies. Internally, its monetary policies have enabled it to control inflation, now between 3% and 4%. As a result, interest rates are trending downward. Economists anticipate that rates will drop to 9.5% by 2009 from their current level of 12%. “Brazil is a country where you have to be,” says Pampillon. For his part, Martinez-Lazaro notes that Brazil “has gone from being a country of the future to becoming a country of the present.”

Macroeconomic stability as well as widespread expectations that Brazil will play a growing role in the new global economy are turning the country into a very attractive destination for foreign investors. “There is a surplus in the trade balance, in exports,” notes Pampillón. The same thing is happening in the stock market where there has been a “spectacular jump,” he adds.

Barely four years ago, the largest Latin American stock markets were on the black list of investors in emerging markets. The economic crisis in Argentina, along with the arrival of Lula as president of Brazil, frightened away capital investment. The profits offered by Brazil,Argentinaand Mexico could not compete with those in Asian markets. But the situation has changed. Analysts say that the rise of Latin American markets can be explained by the favorable international environment. “The exchange rate is variable. If global economic conditions change and Brazil doesn’t attract enough foreign capital, the exchange rate will adjust, which will lead to adjustments in the country. Now that it is a country on the rise, the exchange rate has gone up and continues to be strong,” Pampillon says.

Interessante a leitura….. Mais interessante ainda quando a leitura é feita à luz das informações que temos aqui no Brasil – e, geralmente, analistas estrangeiros raramente conhecem. As análises (politicamente corretas) partem de um tom elogioso às decisões econômicas adotadas pelo Rei Mulla, e acabam elogiando também a democracia das instituições brasileiras.

Ótimo !!! Pena que o texto esqueça-se de mencionar (bom, na realidade ele nem se pretende prestar a fazer uma análise histórica, é apenas um texto superficial publicado numa newsletter pouco aprofundada) que todas as “vantagens” citadas (incluindo a PRIVATIZAÇÃO) sempre foram, ao longo de 20 anos, criticadas duramente pela corja PTista. Alguns setores mais sectários, aliás, continuam criticando-as veementemente – vide a ridícula campanha sobre a re-estatização da Vale (aqui, aqui e aqui), ou mesmo questões como concessão de rodovias e serviços de telecomunicações, além das tradicionais bravatas dos CRIMINOSOS E BANDIDOS do MST (aqui, aqui, aqui e aqui).

Obviamente, isso não impede que Rei Mulla, hoje, colha os frutos. Afinal, o grande mérito dele (sim, eu acho que existe ao menos um!) foi e continua sendo o fato de não ter feito rigorosamente NADA.

Manteve a política econômica do FHC (aquela mesmo que tanto criticou), manteve o fisiologismo descarado no trato com o Legislativo, manteve tudo o que fora iniciado pelo FHC…. Ameaçou, pontualmente, descumprir uma coisa ou outra, mas, no geral, manteve tudo. Mérito maior, registre-se, do médico-ministro Palocci e do medo que os incomPTentes sempre tiveram do poder.

Brigaram, por 20 anos, para chegar ao poder. Chegaram. E cagaram.

Deixaram que isso lhes subisse à cabeça, e tomaram de assalto o Estado brasileiro.

Neste sentido, foram as maiores mudanças em relação aos mandatos de FHC: abandonaram o enxugamento da máquina pública para lotaer cargos (criados na base da canetada) para os sindicalistas, pelegos e companheiros incomPTentes – o que acarretou, ao final, maior ineficiência da máquina, além de receitas crescentes (e milionárias) para o PT, via dízimo.

Pode concluir, pois, que nos únicos pontos nos quais houve sensíveis mudanças (que, aliás, era o mote da comunicação da campanha de 2002, a MUDANÇA), elas foram para pior. Sorte que alguns pontos, cruciais para a melhoria da Economia, foram simplesmente abandonados – como, aliás, também foram abandonadas as estradas, a malha aérea brasileira, a reforma política etc.

Sorte nossa que a Economia mundial criou uma maré de boas notícias.E que o Brasil estava, afinal, pronto para crescer. Isso poderia ser a “herança bendita” que Rei Mulla, obviamente, não agradece. Rei Mulla deve muito a FHC………!!!!

O problema são as perspectivas para 2008……….. O petróleo em alta, no mercado mundial, e esta “febre” de etanol no Brasil………. A conferir se o Brasil vai conseguir se tornar uma potência mundial com base no fornecimento de etanol para os mercados desenvolvidos ou se acabará tornando-se refém de um único produto agrícola, de baixíssimo valor agregado, de baixa tecnologia…….

Especialmente sem pessoas minimamente comPTentes para elaborar políticas públicas de médio e longo prazos….. (e com muitos incomPTentes loteados na Petrobrás).

 

 

 

 

 

Margaridas, mentiras e bobagens

Na retrospectiva de 2007 que comecei a fazer anteontem, achei algumas coisas interessantes. Tentarei tratar de todas, ou pelo menos das mais pitorescas e interessantes.

Começo pelo mês de Agosto de 2007. Mais especificamente, pelo dia 22/08/2007.

Trabalhadoras rurais tomaram conta da Esplanada dos Ministérios, em Basília, nesta quarta-feira (22). A Marcha das Margaridas começou cedo. A organização estima que 35 mil pessoas participam da marcha, mas segundo a polícia militar, seriam 14 mil. As principais avenidas do centro da capital foram fechadas – causando engarrafamentos de vários quilômetros nas ruas da cidade. Esta é a terceira vez que as trabalhadoras rurais marcham em Brasília. A manifestação faz parte do dia de luta pelo direito das trabalhadoras rurais. Ainda nesta quarta-feira (22) às 12h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá um encontro no Parque da Cidade com representantes da marcha.

A notícia na íntegra está AQUI. O discurso proferido pelo magnânimo Rei Mulla está AQUI. Mas o meu interesse não é na notícia em si, nem no discurso (de resto, vazio e demagógico, como de regra) do onipotente Rei Mulla.

O mais interessante é que o (des)governo PTista negou que tivesse financiado a tal “Marcha das Margaridas”. Interessante, antes de mais nada, um pouco de didatismo: a “Marcha das Margaridas” é um evento (se é que o termo pode ser usado) promovido pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). A Contag é, vejam que coincidência, entidade-irmã do MST……. Por pura coincidência, há um nome que relaciona a Contag, a CUT e o PT, diretamente: Carmen Helena Foro. Ela é a coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag e vice-presidente da CUT – o braço sindical do PT. No discurso do onipotente Rei Mulla, inclusive, ela é citada com bastante freqüência….
O (des)governo do PT, portanto, teve o maior interesse em liberar a bagatela de R$ 114.008,16 para ajudar a financiar o evento. Dinheiro público aplicado numa ação de cunho privado da CUT – que DEVERIA ser completamente independente. Para verificar o apoio financeiro (nada desprezível, registre-se), recorro à Controladoria Geral da União, AQUI.

Este é o PT que diz defender a ética, a moralidade ?

Ou é o PT formado por bandidos, mentirosos, seqüestradores, mal-intencionados, mau-caráteres, hipócritos e incomPTentes ?

Ou isso tudo é a mesma coisa ?????

MST – mais mentiras e mais crimes….

Notícia da Folha de 18/10/2007: Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) interditaram ontem a Estrada de Ferro Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce, no interior do Pará. Um trem da companhia foi apedrejado por manifestantes, segundo a mineradora. A invasão à ferrovia ocorreu em Parauapebas (836 km de Belém), no sudeste do Estado. Segundo a Polícia Militar, 200 manifestantes estavam no local. Para o MST, eram 4.000. A Vale, por meio de assessoria, disse que vai pedir à Justiça para que mobilize a polícia para a retirada dos manifestantes. O MST disse que a invasão é um protesto pela reestatização da companhia. Em setembro, o movimento apoiou um plebiscito informal sobre a privatização da mineradora, em 1997. A iniciativa contou com 3,7 milhões de votos -em 2002, 10,1 milhões de pessoas participaram da consulta sobre a entrada do Brasil na Alca, a área de livre comércio das Américas.
A coordenação estadual do MST disse ainda que a exploração mineral provoca danos ambientais e “impactos sociais” aos trabalhadores rurais. Segundo a Vale, a estrada é utilizada por 1.300 passageiros por dia e abastece o sudeste do Pará com combustíveis.
Integrantes do MST vinham ameaçando interditar a estrada de ferro nas últimas semanas. Atendendo a pedido da empresa, a Justiça Federal no Estado expediu liminar que proibiu manifestações na estrada de ferro e estabeleceu uma multa no valor de R$ 100 por pessoa em caso de descumprimento. A coordenação do MST no Pará disse que os manifestantes só vão sair do local se representantes da Vale, do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e do governo estadual se comprometerem a se reunir com eles para discutir as reivindicações. A Vale afirmou que a ação pode causar a interrupção de exportações e comprometer a imagem das empresas do país no exterior. Segundo a empresa, são transportadas pela ferrovia 250 mil toneladas de minério de ferro por dia. A Polícia Federal informou que ainda estuda como procederá em relação à invasão. Como a estrada é uma concessão do governo federal, cabe à PF interceder na situação. PMs do Pará monitoram a interdição.

O Brasil é um país engraçado mesmo…… Um cidadão reclama publicamente porque foi vítima de um assalto a mão armada, e passa a ser execrado publicamente; neste ínterim, uma organização criminosa, publicamente conhecida, viola claramente as leis (que, não significam muito, mesmo), e ainda se acha no direito de EXIGIR que governo e representantes de uma empresa privada (que gera milhares de empregos, e riquezas importantíssimas para o país) “se comprometam a se reunir com eles para discutir as reivindicações”.

As “reinvindicações” do cidadão assaltado não importam; o fato de ele ser uma pessoa, ao que se sabe, que cumpre as leis, o torna menos importante, tanto que merece ser criticado….. O MST, por outro lado, não pode ser criticado, nem tampouco pode-se criticar os assaltantes que subtraíram seu pertence. É claro que me refiro, novamente, ao caso do “apresentador” Luciano Huck.

Em breve, como sempre, surgirão pseudo-esquerdistas-de-merda para defender as “reivindicações” do MST, com o falso argumento de que ele “representa” trabalhadores oprimidos, vítimas do capitalismo, da injustiça do sistema imperialista americano – tal qual foi dito dos assaltantes que levaram o Rolex do “apresentador” Luciano Huck. Mentira.

Na coluna de ontem, o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo (íntegra aqui, para assinantes), contribui com esta discussão: Imagino que o rapper Ferréz voltará em breve às paginas desta Folha para repetir, sobre o caso da extorsão ao padre Júlio Lancelotti, o que escreveu sobre o Rolex de Luciano Huck. Ferréz terminava assim: “No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes”. O extorquido (padre Júlio) ficou com a sua vida, o “correria” ficou com o seu Mitsubishi Pajero, o mundo continua indefensável e, por extensão “o rolo foi justo para ambas as partes”, certo? (…) O único “erro”, digamos assim, dos chantagistas foi não terem escolhido Luciano Huck ou Ana Maria Braga ou Ivete Sangalo ou outro desses personagens que enriquecem obrigando o “povo” a ver seus programas ou seus shows. Pena que o “erro” derruba toda a sociologia. Padre Júlio não é rico nem da elite, mas nem por isso deixou de perder o seu Rolex. Sociologia calhorda à parte, vamos aos fatos como eles são, na frase magistral do belíssimo artigo de Alba Zaluar, publicado segunda-feira: “Defender o roubo como recurso de distribuição de renda revela um enorme desconhecimento das redes e tramas do submundo do crime, onde grassa o capitalismo mais selvagem de que se tem notícia”.

É isso aí: esta “linha de raciocínio” (se é que pode-se chamar assim, com o perdão pelo paradoxo) é burra demais, não se confirma. Não se trata de defender a desigualdade social que existe no Brasil – mas, concomitantemente, não se pode imaginar que o crime será capaz de diminui-la. Nem o crime do qual Luciano Huck foi vítima, nem os crimes que o MST pratica, REGULARMENTE.

Neste sentido, outro texto publicado na Folha, em 15/10, traz um panorama bastante amplo, e consciente: A IGUALDADE tem sido objeto de uma infindável discussão teórica. Há os que afirmam ser ela uma condição inalcançável, visto que seres humanos diferem em suas capacidades, talentos e disposição para o trabalho; há os que ressaltam a necessidade como o critério para a distribuição da riqueza produzida. Os primeiros, filósofos morais do liberalismo político, preocupam-se com as violações à liberdade que a busca incessante da igualdade vem a trazer. Os segundos, adeptos da economia marxista, acreditam que dar a cada um segundo a sua necessidade inclui o princípio de receber de cada um segundo a sua habilidade de contribuir economicamente. Nenhum pensador da igualdade defendeu a idéia de que seria possível obter o necessário por fraude, força, roubo, coerção ou dano a outras pessoas. Esse princípio moral está também em Marx, que exaltava o valor do trabalho -o pago e o não pago- e visualizava uma sociedade futura em que essa distribuição seria feita sem coerção de qualquer espécie. Aqui no Brasil, a discussão tomou rumos indefensáveis. Quem nega a um branco bem-sucedido, mesmo que vindo de meios sociais modestos, o direito de consumir (que inclui portar) os bens disponíveis socialmente, não está recusando para si mesmo, um negro oriundo de favelas e periferias, esse gozo. Rappers são conhecidos no mundo todo por seu sucesso e sua ilimitada sede de consumo. Coleções de tênis, roupas de marca, automóveis do ano, festas extravagantes são alguns itens listados nos seus currículos de consumidores. E, claro, não se imolam pelo sucesso que os destacou. Defender o roubo como recurso de distribuição de renda revela um enorme desconhecimento das redes e tramas do submundo do crime, onde grassa o capitalismo mais selvagem de que se tem notícia. Ou bem a pessoa que roubou vai portar esse objeto, que apenas muda de mãos e continua a simbolizar a desigualdade reinante, ou ela vai vendê-lo a um receptador que pagará muito pouco e fará um hiperlucro comercial, ambos sem produzir riqueza nenhuma. Para onde foi a distribuição de renda? Para alimentar a acumulação do receptador e a ilusão do ladrão que precisa voltar a roubar e, portanto, está sempre a se arriscar em benefício de outrem. Com tanto incentivo a ganhar dinheiro fácil, estimula-se exponencialmente a acumulação de riquezas em poucas mãos. Se as defesas morais contra a fraude e o roubo continuarem a ser destruídas tão hipocritamente, a produção de riquezas será reduzida e o estoque de riquezas do país encolhido a tal ponto que não teremos nem consumo nem muito menos a tão almejada igualdade.

O texto é de autoria de Alba Zaluar. Impecável.

Remessa de lucros ao exterior

Mais uma vez, o PT proporciona um “espetáculo de hipocrisia” (já que o “espetáculo do crescimento” não veio).

Matéria da Folha de São Paulo traz as seguintes informações: A remessa de lucros e dividendos para as matrizes das multinacionais nos quatro primeiros anos do governo Lula foi o triplo da registrada entre 1999 e 2002, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, informam nesta terça-feira Ney Hayashi da Cruz e Fernando Nakagawa, em reportagem da Folha (exclusivo para assinantes). Segundo a reportagem, entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula, a cada US$ 10 que entraram no Brasil, outros US$ 6 foram enviados ao exterior como ganho às sedes. Nos quatro últimos anos da gestão FHC foram remetidos US$ 2 para cada US$ 10 que entraram no país. No primeiro mandato de FHC — entre 1995 e 1998– foram remetidos US$ 2,5. O ingresso de investimentos estrangeiros entre 2003 e 2006 somou US$ 62,1 bilhões, enquanto as remessas foram de US$ 37,8 bilhões, conforme os números do BC, informa a Folha.
O texto, na íntegra, está aqui.

Interessante notar que o PT sempre defendeu, entre outras coisas, a moratória da dívida externa (quando aproveitava para incendiar bandeiras dos Estados Unidos, reclamando do “imperialismo norte-americano”); sempre criticou o “capital especulativo”, diretamente ligado às críticas que fazia às privatizações (“entrega do capital nacional para os estrangeiros”, base da patética e mentirosa campanha pela reestatização da Vale do Rio Doce); sempre criticou as empresas estrangeiras, defendendo que tudo fosse do Estado brasileiro, seguindo as propostas do moderníssimo e super-bem avaliado modelo soviético (que acabou quando mesmo ?!)….

Mas decerto, agora, Rei Lulla acabará comemorando esta notícia. Ele vai dizer que é mais uma “prova” do sucesso do seu governo (sic). Então hoje é bom, mas quando ele era oposição, era ruim ?!

Mais bravatas, mais hipocrisia.

E o plebiscito, hein ?!

E, aprofundando a diversidade que comentei no post anterior, fui checar o que a “Agência Brasil de Fato” tem publicado sobre a ridícula idéia de re-estatizar a Vale do Rio Doce. Achei uma matéria aqui. Inclusive, comentei (provavelmente, os PTralhas vão deletar meu comentário, porque incomodá-los-á).

O pior de tudo não é existirem “agências de informação” como esta “Brasil de Fato”, ou a também péssima “Carta Maior” ou congêneres.

O pior é que tem gente que, por ignorância ou má-fé, acredita………

PRIVATIZAÇÕES: do passado e do presente

Quando vejo algumas ações e, especialmente, DECLARAÇÕES dos PTistas, fico me perguntando como é que uma pessoa que tenha ao menos 2 neurônios e QI maior ou igual a 0,1 pode votar na cambada.

Rei Lulla e seus asseclas (incluindo MST, CUT e congêneres) pediram o impeachment de Fernando Henrique Cardoso diversas vezes, ao longo dos 8 anos de seu mandato. Uma das ocasiões foi quando das privatizações: da Vale do Rio Doce (sobre a qual já comentei bastante, aqui, aqui, aqui e aqui, mais aqui e aqui), do sistema Telebrás (toda a telefonia, fixa e celular) e das empresas de energia, bancos etc.

Como se não bastasse, na campanha eleitoral de 2006, o PT tentou (e conseguiu) fixar a imagem de “privatista” no picolé de chuchu (coitado!). Porém, como todo PTista tem esse problema agudo de hipocrisia, falsidade e não resiste às mentiras. No dia em que o governo federal faz leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para privatizar cerca de 2.600 quilômetros de rodovias federais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a venda de ferrovias para a iniciativa privada realizada em governos anteriores (extraído do ValorEconômico, na íntegra aqui)

Como se não bastasse (de novo!), o PT usou o tema “privatizações” nas duas campanhas que elegeram esta mulla apoplética (2002 e 2006), sempre vinculando o PSDB às privatizações, e sempre com os argumento (falsos) de que FHC havia “dado” patrimônio dos brasileiros para estrangeiros. A tentativa ridícula, capiteneada por MST, CUT e outras organizações criminosas e patéticas, de reestatizar a Vale do Rio Doce segue o mesmo caminho (já comentei isso também).

Li algumas coisas interessantes sobre isso, mas o comportamento ridículo (nada além do esperado, aliás) do PT e, em particular de seu representante máximo, a mulla apoplética, me lembraram um comercial da década de 1980 – que, graças ao YouTube, reproduzo abaixo:

Obviamente, a campanha (genial, criada pelo igualmente genial Washington Olivetto) é infinitamente superior, em termos de qualidade, à corja de boçais do PT – mas seu conteúdo, a “mensagem” que ela traz………tudo isso tem um significado particular quando se fala dessa cambada de inePTos, incomPTentes.

Nas palavras (sábias) de Reinaldo Azevedo, sobre a críticas feita pelo apedeuta às privatizações, no mesmo dia em que o (des)governo PTista fez as suas próprias privatizações: É o fim da picada: ele ataca o antecessor por ter feito com a ferrovia o que ele, finalmente — e com atraso — está fazendo com as rodovias federais. Lula não se emenda nem tem medo do ridículo. Leiam acima: ele não consegue passar incólume por um texto objetivo de uma agência oficial de notícias. Inaugura trechos de obras que tiveram a participação do governo anterior ao seu, mas põe tudo na sua conta pessoal. Lula é o maior privatista da história brasileira. Privatiza até a biografia e os feitos alheios.

E Reinaldo Azevedo continua: O leilão de sete trechos de rodovias federais foi paralisado por um mandado de segurança. Nada a ver com um PT. Um empresa que foi desqualificada, a Constram, recorreu à Justiça. Até aquela hora, quatro trechos já tinham sido arrematados pela espanhola OHL. Você viu o PT e a CUT por aí? Como no refrão de uma antiga canção do ieieiê, “eu não, eu não, eu não”. Ou melhor: vi. Eles estavam ontem torrando o saco do governador José Serra, acusando-o de ter A INTENÇÃO de privatizar empresas do estado de São Paulo. Petistas são assim mesmo, como certos jornalistas: julgam INTENÇÕES, não fatos. Lembram-se do leilão da Telebras? Se a memória não me trai, a foto está na primeira página da Folha de então: um manifestante chuta o traseiro de um investidor à porta do prédio em que se fez o leilão. E agora? Agora nada! Eis o PT em estado puro: o que, para os outros, é criminoso, para eles, é virtuoso. Vejam a foto acima (para ver a imagem, aqui). São manifestantes do Sindicato de Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia-SP. Estão protestando justamente contra a privatização da Telebras, em 1997. Para estes videntes, a área que dizem representar estaria melhor sem o capital privado. Ah, claro: são filiados à CUT e, portanto, petistas de carteirinha.

Não vou transcrever tudo, mas há alguns posts do blog do Reinaldo Azevedo que estão realmente perfeitos, irretocáveis: este, este e este.

A falsidade da PTralhada não é novidade….. Mas quero ver o MST, a CUT e demais anexos do PT protestando por estas privatizações……. Quem será que ocupará o lugar de Lulla para pedir o impeachment do responsável pelas privatizações do PT ????????

Uma dica: a Ministra Dilma Rousseff dificilmente o fará: ela está comemorando (aqui). Para ver detalhes sobre as comemorações da antiga militante comunista, que hoje se diz socialista – mas, estranhamente, comemora quando seu próprio chefe entrega patrimônio brasileiro para estrangeiros, de mãos beijadas……aqui.

Mas para não ser totalmente injusto, o PT está, sim, criticando a privatização. E planeja, em parceria com a CUT (claro!), manifestações contrárias àquilo que eles chamam de “privatização tucana em São Paulo”. Quer detalhes ?! Veja aqui.

Traduzindo em miúdos: PT+CUT armam-se para criticar a “privatização tucana em São Paulo” – cabe ressaltar: até o momento, só está confirmado um levantamento do valor de mercado (dos ativos) do Estado, nada mais. Ainda não se falou em privatização – pode ser que ocorra, pode ser que não. Mas este nem é o ponto: o PT, em seu próprio site, dá destaque às críticas àquilo que eles já chamam de “privatização tucana em São Paulo”. Mentira.

Como se não bastasse esta mentira, o texto prossegue recheado de mentiras DESCARADAS: A CUT-SP, sindicatos cutistas e parlamentares de São Paulo realizaram na segunda-feira (8), aquela que promete ser a primeira de uma série de manifestações contra a venda de um lote de empresas públicas paulistas. [comentário meu: perceba, caro leitor, que aqui o texto já fala em “venda de um lote”, quando nada disso foi anunciado !!!!! MENTIRA PURA, DISTORÇÃO DO MAIS BAIXO NÍVEL, COISA TÍPICA DA DOBRADINHA PT+CUT]

Um “pacotão” de 18 empresas, divididas em três grupos (leia abaixo) passarão por definição de valores. Na próxima semana, o governo José Serra (PSDB) deve anunciar as empresas vencedoras do processo. Entre as candidatas estão JP Morgan, Banco Fator e Ernest Young. No grupo de modelagem de vendas, disputam Morgan Stanley, Citi Bank e Ernest Young.
O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, lembrou que no início do Programa Estadual de Desestatização (PED), em 1995, assim como acontece agora, o governo Mário Covas (1995-2001) dizia que a venda das companhias iria diminuir as dívidas do Estado e melhorar os serviço. “Após 12 anos vemos que os serviços pioraram e as tarifas aumentaram. Já naquela época falávamos sobre a suspeita de usar as empresas como caixa de campanha e moeda de troca política. Por aqui, PSDB significa patrimônio sendo doado em troca de banana”, criticou.
[NOVAMENTE UM COMENTÁRIO MEU: A notícia trata o levantamento dos valores como se fosse uma decisão já tomada. Não é. Não bastasse isso, é engraçado o PT+CUT criticarem empresas públicas como moeda de troca política, logo depois de o PT ter tomado de assalto Petrobras, Banco do Brasil e demais estatais e autarquias…..ironia do destino ou o texto faz pouco da inteligência do leitor ?!]

Também na segunda-feira (8) a Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) protocolou um recurso de reconsideração à Ação Popular e o pedido de liminar na 1.ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo. Porém, a juíza Luciana Almeida Bresciani considerou que não há riscos de venda imediata das estatais. Contudo, o grupo da oposição alega que não há razão para o Estado pagar R$ 20 milhões para que as empresas sejam avaliadas, se não há intenção de vendê-las. “Somos solidários à luta contra o sucateamento público e apoiamos aqueles que desejam preservar o patrimônio público construído com muita luta e muito suor”, afirmou o deputado do PT-SP, Marcos Martins. Na próxima quarta-feira (10), uma reunião na Assembléia Legislativa, às 10h, definirá os próximos passos da Frente em Defesa das Empresas Públicas.

Leia abaixo o conteúdo do material que a CUT-SP distribuiu diante da Secretária da Fazenda de São Paulo:
Frente em Defesa das Empresas Públicas Estatais
Nessa segunda-feira (08) o governo José Serra (PSDB) promoveu o primeiro passo para vender o que resta do patrimônio da população de São Paulo. Sabesp, Nossa Caixa, Metrô, CDHU, Cetesb, EMTU, são sete das 18 empresas (leia a lista completa abaixo) que serão avaliadas e poderão passar para as mãos do poder privado. Caberia ao poder público controlar e administrar o fornecimento de água, saneamento básico e ambiental, transporte, habitação, educação, obras e serviços.
Para refrescar sua memória, lembramos que em 12 anos de governo tucano no Estado de São Paulo, Mário Covas e Geraldo Alckmin, antecessores de Serra, se livraram de grupos estratégicos como Comgás, Eletropaulo e Banespa, responsáveis por incentivar o desenvolvimento social. Um exemplo do tamanho do prejuízo para a população: quem empresta dinheiro para o pequeno agricultor ou financia a compra de casas pelo público de baixa renda são os bancos públicos, como a Nossa Caixa, com juros menores e o compromisso de aumentar o número de pessoas com moradia. Sem o controle social que as empresas públicas permitem, veremos o aumento do custo dos serviços e queda da qualidade, além de prejuízos como a tragédia da Linha 4-Amarela do Metrô, recente exemplo da falta de compromisso do poder público paulista com o cidadão. Precisamos de sua ajuda para impedir a privatização. Defenda nosso Estado, participe da mobilização. As companhias são da população e não podemos permitir que Serra e seus aliados as vendam para fazer caixa!

Vende-se
Grupo 1: Cesp (energia elétrica), Sabesp (saneamento básico –  abastecimento de água), Nossa Caixa (crédito imobiliário – crédito rural – acesso ao sistema financeiro); Grupo 2: Metrô (transporte), CDHU (habitação), CPTM (transporte – trem), Dersa (construção, fiscalização e administração de estradas), Emae (energia), Cosesp (seguros); Grupo 3: CPP (educação), Cetesb (saneamento ambiental), Prodesp (processamento de dados do Estado), Imprensa Oficial, EMTU (transporte – ônibus), CPOS (obras públicas), IPT (pesquisa tecnológica), Codasp (desenvolvimento agrário), Emplasa (planejamento urbano).

Em resumo, MAIS UMA VEZ o PT faz exatamente aquilo que ele mais criticou, desde sempre. Porém, como agora é conveniente: deixa de citar a privatização do próprio PT, mas segue atacando a privatização do PSDB.