Idiotas do bem manipulados por fascistas milionários querem controlar a propaganda

Excelente (como de costume) a coluna do Pondé da última segunda-feira:

E os idiotas do bem atacam de novo. Você não sabe o que é um idiota do bem? Explico: é alguém que tem certeza de participar do grupo que salva o mundo. Mas essa categoria contemporânea tem subespecificações. Hoje, vamos analisar uma delas.

Você sabia que tem gente por aí apoiando a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas nos meios de comunicação?

Um dos traços desse subtipo de idiotas do bem é gozar com leis que incidem sobre hábitos e costumes. No caso do álcool, se eles pudessem, votariam a favor do retorno da “prohibition” –lei seca americana que deu impulso ao crime organizado.

O que está por detrás dessa ideia de proibir a propaganda de álcool é uma mentalidade totalitária. Uma coisa que rapidamente esquecemos é que toda forma de repressão vê a si mesma como uma forma do bem instituído na norma.

Daqui a pouco se proibirá a publicidade de carros (causam acidentes), aviões (caem), batom (dá vontade de beijar a boca das mulheres e isso pode ser anti-higiênico), churrascaria (colesterol), café (causa ansiedade), xampus (os cabelos reais nunca são tão lindos quantos os das propagandas), bolas de futebol (os meninos podem cair e quebrar a perna), livros (existem livros que propõem coisas absurdas), telefonia celular (já se fala em pessoas viciadas em celulares), televisão (crianças podem ver coisas erradas na televisão), computadores (a internet é incontrolável), turismo (pessoas podem pegar infecção intestinal viajando), água (pode estar contaminada), metrô (pode descarrilar), ônibus (capotam)… A lista é cansativa, como tudo que brota da alma dos idiotas do bem quando resolvem salvar o mundo de nós mesmos.

O ódio à espécie humana é comum em quem é intolerante à contingência. Às vezes, a intolerância vem disfarçada de amor ao próximo e à sociedade.

A “sujeira” humana é insuportável para os idiotas do bem que sonham com um mundo em que apenas eles possam viver e tudo seja limpinho.

O objetivo é estabelecer um controle absoluto de tudo na vida, matá-la em nome desse controle. A contingência, inimiga mortal das almas pequenas, é o foco de leis como essa: proibindo a publicidade de bebidas alcoólicas, os idiotas do bem entendem que controlarão o uso de álcool.

Recomendo, fortemente, para essas almas pequenas, a leitura do maravilhoso “Antifrágil”, de Nassim Nicholas Taleb, publicado no Brasil pelo selo Best Business, da editora Record.

O conceito de “antifrágil” não é sinônimo de forte ou robusto, ou inquebrável. A ideia de Taleb é que, quando se acua excessivamente a contingência, ela “se vinga”.

Sistemas muito puros ou controlados estariam condenados a essa vingança da contingência. A “saída” é ser meio “sujo”, meio “incerto”, “educado pela contingência”, aprendendo a conviver com ela.

Taleb identifica, como seria de se esperar, a modernidade como sofrendo desse mal: nas palavras do próprio autor, “o intervencionismo ingênuo moderno”.

Como, aliás, já ficava claro nas propostas utópicas de filósofos como Francis Bacon (1561-1626) para sua “Nova Atlântida”, o foco da ciência seria “atar a natureza” para que ela nos entregasse nossas melhores condições de vida.

Sem cairmos numa defesa ingênua da vida natural “livre”, trata-se de entender que o controle excessivo da vida a torna insuportável. Quem muito se lava padece de bactérias superpoderosas.

O mundo contemporâneo, na mesma medida em que se masturba com a autoimagem de “livre”, sofre de uma profunda compulsão de controle da contingência em todos os níveis.

Ser antifrágil é aprender que “pequenos” e contínuos efeitos da contingência são assimiláveis e formadores da sobrevivência, enquanto que a negação pura e simples desses efeitos prepara a vingança da contingência.

O mundo, cada vez mais, é habitado por jovens assustados, ansiosos, inseguros nos afetos, com medo de ter filhos (mente-se muito sobre isso tudo), que temem uma vida que, ao contrário do que lhes foi prometida, está sempre além de nossa capacidade de previsão e controle.

Jovens inseguros e ansiosos: eis a vingança da contingência.

Sempre houve idiotas que acham que devem salvar o mundo de propagadas disso ou daquilo – vejam o caso do Instituto Alana, uma ONG asquerosa que pratica há muito tempo esse “fascismo do bem”: um grupo de playboys ricos e mimadinhos que acham que podem (e devem!) dizer a cada pai e mãe como devem educar seus filhos.

ALANA_02

O leitor nunca ouviu falar no Instituto Alana? Alexandre Borges tem alguns detalhes pouco conhecidos:

Se você não sabe quem trocou a TV Colosso pela Fatima Bernardes, aqui vai uma dica.
Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, R$ 5 bilhões de patrimônio segundo a Forbes, fundou em 1994 o Instituto Alana, ONG que trava uma jihad contra a publicidade infantil. Seu marido é o CEO da organização.
A fortuna de Ana Lucia é fruto da herança recebida por ser bisneta do fundador do Itaú. Ela tem 42 anos e é a mais jovem bilionária do país. Desconheço se ela tem problemas com propaganda de bancos, como do seu Itaú, mas o Kinder Ovo e o Danoninho são alguns dos alvos da atuação da sua ONG.
Depois de muito tempo, energia e dinheiro investidos, a publicidade infantil foi praticamente banida do país. São tantas restrições e regulações que o mercado de propaganda de produtos para crianças é uma mera sombra do que já foi. E com ela a programação matinal para crianças em TV aberta, com raras exceções como os desenhos do SBT.
Em 2014, a Maurício de Sousa Produções (MSP), da Turma da Mônica, divulgou um levantamento feito pela GO Associados. O estudo dizia que o mercado de produtos infantis gerava R$ 51,4 bilhões no Brasil por ano, mais de R$ 10 bilhões em salários e quase R$ 3 bilhões em impostos. Com as proibições e constrangimentos criados para a propaganda infantil, o Brasil perderia R$ 33,3 bilhões em produção, R$ 6,4 bilhões em salários e R$ 2,2 bilhões em impostos.

No mundo real, longe das boas intenções dos discursos preparados pelas mais caras empresas de relações públicas e advocacy, a perseguição ao Kinder Ovo e ao McLanche Feliz representaram um desastre econômico e também cultural. Sem propaganda infantil, não há programação infantil.
O ataque à publicidade infantil é também a porta de entrada para que o conteúdo destinado a crianças fosse substituído pelo lixo ideológico de Fatima Bernardes e afins. Enquanto as gerações anteriores de crianças viam desenhos animados na TV aberta, hoje assistem doutrinação sobre mudança de sexo para menores de cinco anos.

O problema não afeta diretamente os clientes de TV por assinatura que podem trocar Fatima Bernardes pelo Cartoon Network ou Discovery Kids, mas quem só tem TV aberta vai ter que se contentar com seus filhos tendo aula de funk ou aprendendo a trocar de sexo.

Melhorar o mundo passa por esquecer os discursos encomendados, as palavras fáceis, os apelos emocionais, e buscar compreender o que acontece na prática quando se ataca um setor produtivo da economia por motivos meramente ideológicos.

Os bilionários continuarão educando seus filhos em escolas estrangeiras e oferecendo tudo que o dinheiro pode comprar. Já os filhos do resto da população vão sendo educados pela Fatima Bernardes mesmo.

– Ana Lucia de Mattos Barretto Villela (Forbes) http://bit.ly/2o4zJAE
– Proibir propaganda para crianças seria “burrice”, diz Mauricio de Sousa http://bit.ly/2o4G4ft
– “Disforia de gênero é um problema psicológico, mas programa de Fátima Bernardes quer tratar como escolha de crianças de 3 anos” http://bit.ly/2o4G3Z4

ALANA_Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela.jpg
Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, patrimônio de mais de R$ 5 bilhões, fundadora do Instituto Alana, uma ONG milionária que acha que pode controlar como os pais educam seus filhos. Fotos de uma extensa entrevista concedida à Revista Trip em maio de 2016

A Nestlé (e algumas crianças) já foram vítimas do fascismo do bem do Instituto Alana (íntegra AQUI):

O Instituto Alana resolveu notificar a Nestle por ter promovido a “Copa Nescau”, uma competição de basquete, futsal, handebol e vôlei voltada para crianças carentes entre 10 e 12 anos.
De acordo com a ONG, a Nestle teria vestido “coletes com a estampa do raio amarelo, símbolo da Nescau, por cima dos uniformes escolares” das crianças e entregue “medalhas e troféus com os dizeres ‘Copa Nescau’ e os logos e símbolos da marca” como premiação da Copa, o que deveria ser banido por “direcionar sua mensagem ao público infantil para convencê-los a consumir os produtos da marca Nescau”.
Criado por uma das herdeiras bilionárias acionistas do Itaú, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, o Instituto Alana atua para eliminar ao máximo a propaganda infantil, permitindo assim que as mídias fiquem ainda mais dependentes das propagandas do governo e de bancos como o Itaú do qual ela é acionista. O instituto vive dos rendimentos de um fundo patrimonial de 300 milhões de reais formado por Ana Lucia.

ALANA_03.png

PORTANTO, CARO LEITOR, MUITO CUIDADO COM OS “IDIOTAS DO BEM”: eles não são apenas idiotas. Geralmente, são massa de manobra de gente rica (muito rica!) que tem intenções nada nobres: são apenas fascistas. Tentam se disfarçar sob um manto de “discurso social”, mas não passam de fascistas – querem controlar o que você vê, o que você diz, o que você pensa.

O pior é que vejo muita gente que não sabe a verdade sobre essas iniciativas, e cai na conversa fácil – obviamente com uma “providencial ajuda” de sites escrotos como Catraca Livre e demais lixos da esgotosfera da extrema-esquerda (veja por você mesmo: digite “Instituto Alana” no Google, e observe as “matérias” publicadas por lixos como “Rede Brasil Atual”, “CartaCapital”/”Carta Educação”, “Catraca Livre”, “Jornal GGN/Luiz Nassifra”, Revista Trip etc).

Não raro, vejo pessoas bem intencionadas compartilhando conteúdo do Catraca Livre no Facebook, exaltando as iniciativas fascistóides do Instituto Alana. Não se deixe virar massa de manobra.

Como o socialismo transformou a Venezuela num país pobre

O ótimo site ZeroHedge publicou um artigo EXCELENTE, que mostra um amplo histórico da Venezuela – e o desastre produzido naquele país graças ao socialismo.

Como invariavelmente acontece (basta olhar a História), o socialismo (ou seus irmãos-gêmeos comunismo, marxismo, nazismo, fascismo e demais variantes) só consegue produzir fome, miséria e mortos. Na Venezuela não foi diferente – apenas o nome do lixo, criado pelo ditadorzinho Chávez é que foi mudado um pouco: “Socialismo bolivariano do Século XXI”, mesmo que os resultados deploráveis tenham sido idênticos aos dos Séculos anteriores)

Vale a leitura – a despeito de longo, o artigo é completíssimo. Pode ser lido AQUI.

Fonte: From Richer To Poorer: Venezuela’s Economic Tragedy Visualized

ESCOLA SEM PARTIDO: Uma iniciativa necessária

Há muito tempo acompanho a iniciativa ESCOLA SEM PARTIDO (AQUI no blog, inclusive), e nos últimos meses, felizmente, este assunto ganhou corpo.

Pretendo escrever mais sobre o tema, mas por ora vou mostrar apenas algumas imagens que ajudam a entender a importância dessa iniciativa:

Ricardo Klinkerfus Filho__001 Ricardo Klinkerfus Filho__002

Destaco: o sujeito se diz PROFESSOR.

Alguém tem qualquer dificuldade para imaginar como são as aulas de um sujeito com este nível intelectual, e com esse entendimento sobre o papel de um professor?

Ricardo Klinkerfus Filho__029 Ricardo Klinkerfus Filho__004 Ricardo Klinkerfus Filho__005 Ricardo Klinkerfus Filho__006 Ricardo Klinkerfus Filho__007 Ricardo Klinkerfus Filho__008 Ricardo Klinkerfus Filho__009 Ricardo Klinkerfus Filho__010 Ricardo Klinkerfus Filho__011 Ricardo Klinkerfus Filho__012 Ricardo Klinkerfus Filho__013 Ricardo Klinkerfus Filho__014 Ricardo Klinkerfus Filho__015 Ricardo Klinkerfus Filho__016 Ricardo Klinkerfus Filho__017 Ricardo Klinkerfus Filho__018 Ricardo Klinkerfus Filho__019 Ricardo Klinkerfus Filho__020 Ricardo Klinkerfus Filho__021 Ricardo Klinkerfus Filho__022 Ricardo Klinkerfus Filho__023 Ricardo Klinkerfus Filho__024 Ricardo Klinkerfus Filho__025 Ricardo Klinkerfus Filho__026 Ricardo Klinkerfus Filho__027 Ricardo Klinkerfus Filho__028

Você leu tudo isso e ainda tem dúvidas se o problema da doutrinação nas escolas é algo “apenas” pontual, limitado a professores que militam ao invés de ensinar, ou se é algo generalizado, amplo?

Compreensível.

Para dirimir esta dúvida, leia isso AQUI.

Infelizmente há um contingente gigantesco de profesores que usam sua posição de autoridade para ensinar bobagens e fazer uma verdadeira lavagem cerebral em crianças e adolescentes.

Vou retomar este assunto, pois me interessa muito.

Menos Estado e mais mercado

Em 08/09/1996, Roberto Campos publicou o seguinte artigo:

Os sobreviventes do naufrágio das esquerdas mundiais procuram hoje, por toda a parte, alguma saída para seu universo ideológico desarvorado. Ao contrário do fascismo, derrotado pelas armas e privado de respeitabilidade intelectual, ao fim da Segunda Guerra o regime soviético não foi liquidado nos campos de batalha. Saiu da barbárie stalinista para o estilo simplório de Khruschov, e depois da crise dos mísseis em Cuba e do fracasso da colonização das terras virgens do Cazaquistão, caiu no progressivo esclerosamento da era Brejnev, até entalar-se no Afeganistão. Começou, nos anos 80, a procurar inúteis fórmulas para preservar a mitologia socialista com alguma eficiência de mercado, até ruir de vez, pelo esgotamento do pouco de funcionalidade que ainda lhe restava.

No Primeiro Mundo, onde nunca tivera muito a oferecer, o socialismo já estava exaurido, depois de superado o sobressalto da depressão dos anos 30, quando os velhos fantasmas do tempo de Marx fizeram uma revoada de despedida. No Terceiro Mundo, porém, durante as três primeiras décadas do pós-guerra, os povos se viram confrontados com cabulosas perguntas, para as quais o socialismo apresentava soluções categóricas, simples (e incorretas). É preciso, aliás, distinguir duas grandes famílias de socialismo. Uma delas seria representada pela grande variedade de posições distributivistas, desde os partidos “social-democratas” europeus ocidentais até as formulações ideologicamente mais atenuadas do “Estado do Bem-Estar Social”.

Os socialismos mais robustos, porém, seriam os de orientação marxista, com vários graus de “ortodoxia” e radicalidade revolucionária, ligados por uma comum visão transformadora do mundo. Eram uma chama quase-religiosa, que fascinou muitos espíritos sedentos de algum sentido mais profundo no vazio das sociedades modernas. Nos países menos desenvolvidos, o ressentimento da presença estrangeira e a angustiosa sensação de inferioridade econômica e técnica diante das grandes potências “capitalistas” provocariam radicalismo político e nacionalismo às vezes extremos.

Depois das crises que se estenderam do fim dos anos 60 ao princípio dos 80, no entanto, o cenário alterou-se em todo o mundo. Os povos começaram a perder suas ilusões sobre o papel do Estado como instrumento do progresso econômico e da melhor distribuição dos bens sociais. Ao mesmo tempo, foi ficando cada vez mais visível que o mercado era um regulador melhor e mais barato do que as burocracias estatais. Cada vez mais caro e ridiculamente incompetente, o “Estado Social” transformou-se de esperança de solução em problema intratável.

Hoje se estima, por exemplo, nos Estados Unidos, que só o custo da regulamentação e da burocracia fiscal representa mais de 10% do PIB. Ao invés dos resultados que se propunham, os programas sociais tenderam a criar “subclasses” de pessoas dependentes, algumas vivendo há três gerações da assistência pública, na indignidade de uma mendicância oficial burocratizada. E as classes médias, chamadas a pagar a conta das benesses governamentais, passaram a pisar no freio, cansadas dos resultados pífios de uma burocracia que consideram opressiva e inepta. Na atual campanha presidencial nos Estados Unidos, os republicanos se queixam de que Clinton está ganhando nas pesquisas não à base das tradicionais teses “progressistas” do Partido Democrático, mas pelo roubo de bandeiras conservadoras: reforma da seguridade social (para corrigir a “cultura da dependência”) e eliminação do déficit fiscal até 2002 (pela redução do tamanho do Estado).

Mas esses fatos não nos dão respostas completas a todas as perguntas sobre a pobreza, as desigualdades extremas, as carências e a falta de oportunidades. É um engano – ou má fé – dizer que os liberais (ou “neoliberais”) acham que o mercado é critério supremo de distribuição dos bens deste mundo e o caminho da perfeição. A essência do projeto liberal sempre foi, e continua a ser, a maximização da liberdade individual, sem confundir a economia de mercado com o paraíso terrestre. Herdeiro do humanismo e da tradição religiosa ocidental, ele aceita os deveres fundamentais de humanidade e solidariedade em relação àqueles que não têm como defender-se, ou que foram tocados pela desgraça.

A diferença em relação ao socialismo está nos critérios de eficácia. O socialismo acha que a autoridade do Estado, exercida pela burocracia, pode decidir o melhor para todos e cada um. Confunde intenções com resultados, achando que identificar certos males é o mesmo que ser capaz de curá-los. Todos nós gostaríamos de que assim fosse. De querer a poder, entretanto, vai uma distância muitas vezes intransponível. Além do que, cada pessoa tem as suas próprias idéias de quais são os males deste mundo. O burocrata com emprego estável numa estatal monopolística, por exemplo, acha um mal absoluto que capitais estrangeiros venham a criar empregos em indústrias concorrentes…

A grande causa da reação liberalizante que se espalhou pelo mundo, a partir dos países altamente industrializados, nos anos 80, foi que o público percebeu que os governos eram, como regra, maus ou, quando muito, medíocres gestores econômicos. E que os custos do “Estado do Bem-Estar Social” estavam excedendo de muito seus eventuais benefícios. Não foi sempre assim. Durante a depressão dos anos 30, o Estado redistributivo parecia ser a única salvação. Mas era uma situação especial, e a receita do momento (aplicada radicalmente, em 1933, por Hitler) não serviria para outros tempos e outras circunstâncias.

Nos países industrializados, as classes médias, obrigadas a qualificações técnicas e esforço produtivo cada vez maiores, começam a rebarbar o que, certa ou erradamente, lhes parece ser uma abusiva demanda em benefício de pessoas às quais não reconhecem mérito social – como é o caso de drogados, vagabundos, pessoas promíscuas, delinquentes e semelhantes. Nos países em desenvolvimento, no entanto, existe, de fato, muita pobreza e falta de oportunidades, sem nenhuma culpa das vítimas. Esse é, de fato, um dos complicadores da questão. A solução populista de distribuir subsídios a esmo é uma solução superficial, que pode facilmente conflitar com o crescimento e a eficiência do sistema. Tributar pesadamente, tirando do mais capaz e do mais motivado para dar ao menos capaz ou menos disposto, em geral redunda em punir aqueles, sem corrigir estes.

Distinguir os que devem ser ajudados, e qual a maneira de fazê-lo, exige a difícil coragem da racionalidade. No caso brasileiro, o maior inimigo da equidade é o Estado corporativista e clientelístico, refém de malandros e aproveitadores. A maior das nossas injustiças é a ineficiência. O “Estado Social” é aquele que não rouba dos pobres pela inflação. Que não subvenciona a universidade dos ricos porque precisa dar bolsas aos estudantes pobres. Que não cria desemprego, por regulamentações trabalhistas, que tornam muitos inempregáveis. Que permite ao cidadão optar entre a previdência pública e a privada para administrar sua poupança. Que privatiza as empresas públicas para torná-las do público e não dos burocratas. O que temos no Brasil não é o Estado Social. É o Estado interventor e predador…

O título do artigo do genial Roberto Campos é exatamente o mesmo que usei como título deste post: “Menos Estado e mais mercado“. Impressionante como o artigo de 1996 continua RIGOROSAMENTE ATUAL em 2016.

2016-05-04 20.09.17

O Brasil é assim: 20 anos se passam, e a realidade continua igual. Ou, em alguns aspectos, pior.

Muito pior:

2016-05-01 15.18.57

 

2016-05-01 03.39.11

Socialismo e Liberalismo, por José Guilherme Merquior

José Guilherme Merquior é, na minha opinião, o mais brilhante intelectual brasileiro – ao lado de Rui Barbosa e Roberto Campos.

Hoje, revisando alguns links e arquivos “abandonados” no laptop dei de cara com este texto curto (de 1987), mas capaz de resumir de forma brilhante algumas das mais relevantes diferenças entre o socialismo e o liberalismo.

José Guilherme Merquior

Ao invés de comentar, deixo o brilhante Merquior falar por si mesmo:

– SOCIALISMO E DEMOCRACIA –

O socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica. Mais precisamente, uma teoria que procurava reorganizar a sociedade industrial. Os primeiros ideólogos socialistas — os que Engels chamou de “socialistas utópicos” — simplesmente não cogitavam de instituições políticas.

O socialismo só se politizou com Marx, que fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição revolucionária e igualitária do comunismo.

Marx nunca valorizou os direitos civis (de expressão, profissão, associação, etc.). Ao contrário, chegou mesmo a condená-los, vendo neles mero instrumento de exploração de classe. O socialismo marxista, e muito especialmente o praticado pelos regimes comunistas, sempre refletiu esse menosprezo pelos direitos civis.

Em Lenin, a indiferença de Marx para com a liberdade civil torna-se verdadeira hostilidade aos direitos civis e políticos. Hoje, ninguém mais duvida de que nos regimes comunistas, ninguém consegue, ou tenta, tornar compatíveis socialismo e democracia.

Para tornar compatíveis socialismo e democracia, o socialismo precisa renunciar ao dirigismo econômico, à dominação de toda economia pelo Estado. Isso foi o que fez a social-democracia, desde suas primeiras experiências na Escandinávia. Compreenderam que o dirigismo político provoca ineficiência e despotismo, já que concentra todas as grandes decisões econômicas nas mãos dos que já tem o comando político. Essa autonomia na esfera socialista nunca foi admitida pelos marxistas, embora Trotsky tenha observado que, após o crescimento industrial, a qualidade da produção está fora do alcance do controle burocrático da economia.

– SOCIAL-DEMOCRACIA –

Kolakowski baseia sua concepção da social-democracia em alguns valores e regras gerais que se podem resumir assim:

1) Adesão aos princípios democráticos e constitucionais da sociedade aberta;

2) Busca da igualdade, por meio do “Estado protetor”, que atenda às necessidades elementares da população, cuide da velhice e da doença e promova, em clima de liberdade, a igualdade de oportunidades;

3) Orientação oficial da economia;

4) Reconhecimento da impossibilidade de tornar inteiramente compatíveis o necessário planejamento e a desejável autonomia.

A social-democracia foi perdendo terreno para o moderno liberalismo, entre outras razões, em conseqüência da revolta no mundo atual contra o estatismo econômico. Por outro lado, a recessão econômica e o desemprego em vários países europeus fizeram com que os social-democratas se afastassem de suas bases sindicalistas.

Na Inglaterra, por exemplo, a vitória de Margareth Thatcher foi em grande parte conseqüência da rebelião do operariado contra a política austera e estatizante dos social-democratas. Na prática, os social-democratas eram forçados à negociação entre empresários e trabalhadores, o que representava o reconhecimento dos interesses do capital, traindo suas origens social-marxistas.

– RENASCIMENTO DOS LIBERALISMOS –

“Um conservador”, disse Irving Kristol, “não passa de um liberal assaltado pela realidade”. Na realidade, não é bem assim. A palavra liberal serve hoje para cobrir diferentes comportamentos e pensamentos políticos.

Em outros tempos, o liberalismo estava na defensiva porque os injustos regimes liberais eram comparados com o ideal socialista de liberdade e de justiça. Mas, depois da Segunda Guerra Mundial, quando o socialismo de Stalin foi implantado autoritariamente, as mazelas da realidade socialista foram ficando mais visíveis. O liberalismo passou à ofensiva na produção teórica das universidades e dos pensadores porque o socialismo está longe de ter as mãos limpas e o coração leve.

Lembra Dahrendorf que o liberal raramente precisa envergonhar-se das realidades criadas em seu nome. Ou, quando precisa, resta-lhe o consolo de verificar que seus adversários de esquerda possuem mais esqueletos dentro do armário.

A sociedade moderna, tecnificada e consumista, não requer apenas justiça: exige também eficiência; e a eficiência, por sua vez, implica liberdade econômica.

O neoliberalismo de Hayek tem marcado muitos pontos na denúncia do estatismo econômico, por exemplo, quando se refere à grande expansão de empresas estatais.

É irrealista, no entanto, quando pensa que o Estado pode deixar de dirigir as finanças ou planejar a economia. Importante é que ele não a controle. No seu famoso livro O Caminho da Servidão, Hayek levantou a tese de que o envolvimento do Estado na sociedade e na economia, mesmo por intervenções isoladas, redundaria, a longo prazo, em totalitarismo. No entanto, depois de quase cinqüenta anos, desde a guerra mundial, vemos que Hayek se enganou. No Ocidente e no Japão, a ação do Estado ajudou a evitar o totalitarismo. O Estado, às vezes assistencial, contribuiu de modo decisivo para neutralizar movimentos políticos socialistas autoritários.

No Brasil, temos, ao mesmo tempo, Estado demais e Estado de menos. Demais na economia, onde o Estado emperra, desperdiça, onera e atravanca. De menos, no plano social, onde são gritantes e inadmissíveis tantas carências em matéria de saúde, educação e moradia. Por isso há muitas vezes um diálogo de surdos: de um lado liberais se esquecem, ao condenar a ação do Estado, de ressalvar nossas tremendas necessidades no campo assistencial; de outro, os que se dizem defensores “do social” condenam todas as posições liberais.

– O MODERNO LIBERALISMO SOCIAL –

O moderno liberalismo social, doutrina do PL, não deve querer dizer apenas menos Estado; quer dizer sobretudo mais liberdade. E o Estado contido pode ser um poderoso instrumento para promover liberdade para todos.

Keynes, que tanto transformou o liberalismo econômico, recusou-se a aceitar tanto a opção leninista (sacrificar a democracia para acabar com o capitalismo) quanto a fascista (sacrificar a democracia para salvar o capitalismo). Mas alguns liberais são frios em matéria de fervor democrático. Hayek, por exemplo, chegou a imaginar alternativas que atuassem na base de princípios liberais. Para o neoliberalismo de direita, a liberdade econômica, além de necessária, é suficiente.

Nosso melhor liberalismo não deve ter um permanente pavor do Estado; deve sim — e com crescente vigor — buscar a limitação da ação do Estado a seus objetivos reais. Este é o liberalismo social que o PL defende.

Liberalismo com preocupações sociais é a única doutrina política atual que leva profundamente a sério o ideal democrático no sentido rigoroso da palavra, de governo do povo. Os socialismos de Estado dizem ser democráticos, mas ninguém se atreveria a dizer que praticaram a democracia como forma de governo. A democracia liberal social é realmente democracia, variando apenas no grau do seu teor democrático. O argumento liberal não precisa fugir à realidade; mas o antiliberalismo socialista só consegue basear-se no idealismo e em promessas sempre refeitas e adiadas de um paraíso de liberdade.

– LIBERDADE E IGUALDADE –

A verdadeira democracia liberal tem duas paixões — as paixões de Rousseau: liberdade e igualdade.

Por volta de 1850 ou 60, entendia-se a igualdade de acordo com os méritos de cada um. Já definira Rui Barbosa que a verdadeira igualdade consistia em aquinhoar-se desigualmente a cada um, na proporção em que se desigualam. De lá pra cá, tende a prevalecer uma visão “igualitária” de igualdade. Todos são iguais.

Ao mesmo tempo, a liberdade ganha uma versão libertária que tem a anarquia no seu horizonte natural.

Esse é o maior desafio que o liberalismo tem e terá de enfrentar. Do socialismo, o liberalismo só precisa temer a força, não o poder de convencer, pois ele está muito desgastado. Todavia, em nossas sociedades cada vez mais permissivas e reivindicatórias, o liberalismo não está completamente a salvo da perversão interna de seu próprio ânimo: o velho nobre espírito de igualdade.

Os números, as estatísticas e as mentiras do PT

Cada vez que ouço/leio/vejo alguém dizendo que graças ao PT (ou ao Lula) 48 milhões de brasileiros saíram da pobreza e tornaram-se ricos, além de sentir pena da pessoa em questão devido à sua evidente limitação intelectual, lembro disto aqui:

Sim, existe muita gente que acredita nas estatísticas e números vomitados pelo PT no afã de defender a corrupção que o partido sistematizou no Brasil:

Mas creio que temos, a seguir, um vencedor:

Acho engraçado que os números não batem! Falam 8 milhões, 10, 20, 25, 30, 38, 40, 48, até 50!!! Se houvesse 50 milhões de brasileiros na pobreza, haveria um colapso social inimaginável – mas os débeis mentais, no desespero de repetir uma mentira até que ela se torne verdade, nem se dão ao trabalho de verificar se o número faz sentido. A função desses militontos é ajudar a espalhar as mentiras criadas pelo PT (e seus linhas auxiliares, como PSOL, PCdoB, MST, MTST, CUT etc).

Não faz sentido. Nenhum destes números faz sentido.

Todos, sem exceção, são fruto da imaginação fértil de uns, e do mau-caratismo de outros. Inventam-se números aleatórios, sem nenhum embasamento, desde que eles fiquem “bonitos” na propaganda, ou que sejam, de alguma forma, favoráveis ao PT, com o intuito de se criar uma narrativa para defender o partido mais corruPTo da História do Brasil.

Não são apenas números que essa gente inventa: eles extrapolam todo e qualquer limite do bom senso, e produzem bobagens numéricas e conceituais.

O exemplo mais recente: Paul Krugman. Sim, não são apenas os militontos, ignorantes e abestados anônimos que engrossam a narrativa falsa do PT. Em 2014, esta imagem circulou nas redes sociais do PT e dos sites criados para espalhar as mentiras do estelionato eleitoral da Dilma:

Paul Krugman na campanha Dilma 2014

Agora em 2015, estamos vendo o resultado: a pior crise econômica em mais de 80 anos.

Mercado_prevê_a_pior_recessão_da_economia_em_85_anos_-_Economia_-_Estado_de_Minas_-_2015-11-12_01.09.46

Mas como um ganhador de um Prêmio Nobel pode ser tão burro? Como ele faz uma afirmação desparatada e sem noção como essa? Em 2014 ele afirma que não há razão para preocupação com a economia do Brasil, mas desde 2014 já havia recessão – que vem se aprofundando SEM PARAR desde lá. Agora em 2015, a bomba explodiu de vez. Mas o “jenial” Paul Krugman não sabia!

Calma, dileto leitor. A coisa fica pior – com o PT, sempre fica. Eis aqui o que li ontem:

O economista americano Paul Krugman, prêmio Nobel de 2008, traçou um cenário benigno para a economia brasileira que, segundo ele, passa por percalços devido ao fim do ciclo de alta nos preços das commodities e pelo abalo na credibilidade do governo.
Segundo o economista, o país tem tudo para sair da atual crise assim que a inflação cair e o Banco Central puder reduzir as taxas de juros. “Não vai ser neste ano e talvez não seja no próximo. Com a inflação menor, os juros vão voltar a cair e isso vai aliviar as contas do governo”, afirmou.
O maior risco, segundo o economista, é a economia mundial mergulhar em uma nova crise derivada da desaceleração do crescimento na China. Nesse caso, Krugman vê uma depreciação adicional no preço de commodities, deflação espalhada pelo mundo e baixo crescimento tanto nos países desenvolvidos quando nos emergentes.
“Não acredito muito nessa possibilidade, mas gostaria de estar mais certo sobre isso. Mas será uma crise menor do que a de 2008 porque não há contaminação nos ativos financeiros”, afirmou.

Krugman disse que a economia brasileira está mais sólida do que no passado, especialmente nas contas externas. Afirmou ainda que a inflação atual é alimentada pela alta do câmbio e não por fatores estruturais, como nos anos 90. No entanto, reconheceu que a história brasileira não permite descuidar da alta dos preços.

O economista americano afirmou que o “Brasil saiu de moda” entre os investidores internacionais, que passaram a dar mais atenção aos problemas fiscais e às dificuldades políticas do governo. “Daqui algum tempo verão que houve um excesso de pessimismo”, afirmou.
Segundo Krugman, a economia mundial está “persistentemente deprimida”, o que deveria inviabilizar um aumento de juros nos EUA. No entanto, Krugmam afirmou que o Fed [Federal Reserve, BC dos EUA] vai subir os juros americanos em dezembro. “Será um grande equívoco”.

Como consequência da alta de juros americanos, Krugman acredita em uma pressão adicional pela valorização do dólar em relação às moedas emergentes e aos preços das commodities, o que deve dificultar o combate à inflação brasileira.

A íntegra desta sequência inacreditável de boçalidades está AQUI. Há poucos dias, aliás, o Paul Krugman falou mais um ajuntamento de bobagens, como pode ser lido AQUI.

Há muito tempo Krugman especializou-se em falar bobagem, mas a cada dia ele está ficando mais afiado! De qualquer forma, ele mostra-se um excelente ativo para a narrativa mentirosa, distorcida e burra do PT. Tem que ser muito ignorante para acreditar nessa narrativa do PT…

2015-10-27 11.02.51

2015-10-26 06.29.48

2015-09-23 19.20.50

2015-10-02 14.36.27

2015-09-23 20.00.20

O lápis e a liberdade

O vídeo é curto, direto, objetivo e genialmente simples:

O conceito que o genial Milton Friedman explica é tão simples que até uma criança entende – mas não se pode esperar que uma comunista que não entende nem mesmo o livro mais simples e simplório do seu ídolo Marx entenda; isso é exigir demais de quem não tem QI nem mesmo para respirar sem instruções e/ou ajuda externa.

Sim, uma criança um pouco mais espertinha compreende, mas tem gente que não entende nem lé nem cré, e sai falando/escrevendo bobagem… E acaba sendo exposta graças ao Leo Monastério.

O twitter també, é cultura – e diversão, muita diversão! Tendo o twitter como palco, a protagonista Lilli Nakombi inventou um monte de coisas e atribuiu as bobagens ao Adam Smith, que jamais escreveu as tontices que ela lhe atribuiu; o Leo Monastério fez uma aposta, pedindo que a Nakombi revelasse/indicasse a citação exata do Adam Smith, o que, obviamente, não aconteceu, porque ela inventou tudo. Como ficou sem resposta, sem argumentos, ela simplesmente fez cara de paisagem e saiu de fininho.

Não foi a primeira, nem será a última vez que a Nakombi faz/fez isso…

Continuar lendo