Idiotas do bem manipulados por fascistas milionários querem controlar a propaganda

Excelente (como de costume) a coluna do Pondé da última segunda-feira:

E os idiotas do bem atacam de novo. Você não sabe o que é um idiota do bem? Explico: é alguém que tem certeza de participar do grupo que salva o mundo. Mas essa categoria contemporânea tem subespecificações. Hoje, vamos analisar uma delas.

Você sabia que tem gente por aí apoiando a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas nos meios de comunicação?

Um dos traços desse subtipo de idiotas do bem é gozar com leis que incidem sobre hábitos e costumes. No caso do álcool, se eles pudessem, votariam a favor do retorno da “prohibition” –lei seca americana que deu impulso ao crime organizado.

O que está por detrás dessa ideia de proibir a propaganda de álcool é uma mentalidade totalitária. Uma coisa que rapidamente esquecemos é que toda forma de repressão vê a si mesma como uma forma do bem instituído na norma.

Daqui a pouco se proibirá a publicidade de carros (causam acidentes), aviões (caem), batom (dá vontade de beijar a boca das mulheres e isso pode ser anti-higiênico), churrascaria (colesterol), café (causa ansiedade), xampus (os cabelos reais nunca são tão lindos quantos os das propagandas), bolas de futebol (os meninos podem cair e quebrar a perna), livros (existem livros que propõem coisas absurdas), telefonia celular (já se fala em pessoas viciadas em celulares), televisão (crianças podem ver coisas erradas na televisão), computadores (a internet é incontrolável), turismo (pessoas podem pegar infecção intestinal viajando), água (pode estar contaminada), metrô (pode descarrilar), ônibus (capotam)… A lista é cansativa, como tudo que brota da alma dos idiotas do bem quando resolvem salvar o mundo de nós mesmos.

O ódio à espécie humana é comum em quem é intolerante à contingência. Às vezes, a intolerância vem disfarçada de amor ao próximo e à sociedade.

A “sujeira” humana é insuportável para os idiotas do bem que sonham com um mundo em que apenas eles possam viver e tudo seja limpinho.

O objetivo é estabelecer um controle absoluto de tudo na vida, matá-la em nome desse controle. A contingência, inimiga mortal das almas pequenas, é o foco de leis como essa: proibindo a publicidade de bebidas alcoólicas, os idiotas do bem entendem que controlarão o uso de álcool.

Recomendo, fortemente, para essas almas pequenas, a leitura do maravilhoso “Antifrágil”, de Nassim Nicholas Taleb, publicado no Brasil pelo selo Best Business, da editora Record.

O conceito de “antifrágil” não é sinônimo de forte ou robusto, ou inquebrável. A ideia de Taleb é que, quando se acua excessivamente a contingência, ela “se vinga”.

Sistemas muito puros ou controlados estariam condenados a essa vingança da contingência. A “saída” é ser meio “sujo”, meio “incerto”, “educado pela contingência”, aprendendo a conviver com ela.

Taleb identifica, como seria de se esperar, a modernidade como sofrendo desse mal: nas palavras do próprio autor, “o intervencionismo ingênuo moderno”.

Como, aliás, já ficava claro nas propostas utópicas de filósofos como Francis Bacon (1561-1626) para sua “Nova Atlântida”, o foco da ciência seria “atar a natureza” para que ela nos entregasse nossas melhores condições de vida.

Sem cairmos numa defesa ingênua da vida natural “livre”, trata-se de entender que o controle excessivo da vida a torna insuportável. Quem muito se lava padece de bactérias superpoderosas.

O mundo contemporâneo, na mesma medida em que se masturba com a autoimagem de “livre”, sofre de uma profunda compulsão de controle da contingência em todos os níveis.

Ser antifrágil é aprender que “pequenos” e contínuos efeitos da contingência são assimiláveis e formadores da sobrevivência, enquanto que a negação pura e simples desses efeitos prepara a vingança da contingência.

O mundo, cada vez mais, é habitado por jovens assustados, ansiosos, inseguros nos afetos, com medo de ter filhos (mente-se muito sobre isso tudo), que temem uma vida que, ao contrário do que lhes foi prometida, está sempre além de nossa capacidade de previsão e controle.

Jovens inseguros e ansiosos: eis a vingança da contingência.

Sempre houve idiotas que acham que devem salvar o mundo de propagadas disso ou daquilo – vejam o caso do Instituto Alana, uma ONG asquerosa que pratica há muito tempo esse “fascismo do bem”: um grupo de playboys ricos e mimadinhos que acham que podem (e devem!) dizer a cada pai e mãe como devem educar seus filhos.

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O leitor nunca ouviu falar no Instituto Alana? Alexandre Borges tem alguns detalhes pouco conhecidos:

Se você não sabe quem trocou a TV Colosso pela Fatima Bernardes, aqui vai uma dica.
Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, R$ 5 bilhões de patrimônio segundo a Forbes, fundou em 1994 o Instituto Alana, ONG que trava uma jihad contra a publicidade infantil. Seu marido é o CEO da organização.
A fortuna de Ana Lucia é fruto da herança recebida por ser bisneta do fundador do Itaú. Ela tem 42 anos e é a mais jovem bilionária do país. Desconheço se ela tem problemas com propaganda de bancos, como do seu Itaú, mas o Kinder Ovo e o Danoninho são alguns dos alvos da atuação da sua ONG.
Depois de muito tempo, energia e dinheiro investidos, a publicidade infantil foi praticamente banida do país. São tantas restrições e regulações que o mercado de propaganda de produtos para crianças é uma mera sombra do que já foi. E com ela a programação matinal para crianças em TV aberta, com raras exceções como os desenhos do SBT.
Em 2014, a Maurício de Sousa Produções (MSP), da Turma da Mônica, divulgou um levantamento feito pela GO Associados. O estudo dizia que o mercado de produtos infantis gerava R$ 51,4 bilhões no Brasil por ano, mais de R$ 10 bilhões em salários e quase R$ 3 bilhões em impostos. Com as proibições e constrangimentos criados para a propaganda infantil, o Brasil perderia R$ 33,3 bilhões em produção, R$ 6,4 bilhões em salários e R$ 2,2 bilhões em impostos.

No mundo real, longe das boas intenções dos discursos preparados pelas mais caras empresas de relações públicas e advocacy, a perseguição ao Kinder Ovo e ao McLanche Feliz representaram um desastre econômico e também cultural. Sem propaganda infantil, não há programação infantil.
O ataque à publicidade infantil é também a porta de entrada para que o conteúdo destinado a crianças fosse substituído pelo lixo ideológico de Fatima Bernardes e afins. Enquanto as gerações anteriores de crianças viam desenhos animados na TV aberta, hoje assistem doutrinação sobre mudança de sexo para menores de cinco anos.

O problema não afeta diretamente os clientes de TV por assinatura que podem trocar Fatima Bernardes pelo Cartoon Network ou Discovery Kids, mas quem só tem TV aberta vai ter que se contentar com seus filhos tendo aula de funk ou aprendendo a trocar de sexo.

Melhorar o mundo passa por esquecer os discursos encomendados, as palavras fáceis, os apelos emocionais, e buscar compreender o que acontece na prática quando se ataca um setor produtivo da economia por motivos meramente ideológicos.

Os bilionários continuarão educando seus filhos em escolas estrangeiras e oferecendo tudo que o dinheiro pode comprar. Já os filhos do resto da população vão sendo educados pela Fatima Bernardes mesmo.

– Ana Lucia de Mattos Barretto Villela (Forbes) http://bit.ly/2o4zJAE
– Proibir propaganda para crianças seria “burrice”, diz Mauricio de Sousa http://bit.ly/2o4G4ft
– “Disforia de gênero é um problema psicológico, mas programa de Fátima Bernardes quer tratar como escolha de crianças de 3 anos” http://bit.ly/2o4G3Z4

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Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, patrimônio de mais de R$ 5 bilhões, fundadora do Instituto Alana, uma ONG milionária que acha que pode controlar como os pais educam seus filhos. Fotos de uma extensa entrevista concedida à Revista Trip em maio de 2016

A Nestlé (e algumas crianças) já foram vítimas do fascismo do bem do Instituto Alana (íntegra AQUI):

O Instituto Alana resolveu notificar a Nestle por ter promovido a “Copa Nescau”, uma competição de basquete, futsal, handebol e vôlei voltada para crianças carentes entre 10 e 12 anos.
De acordo com a ONG, a Nestle teria vestido “coletes com a estampa do raio amarelo, símbolo da Nescau, por cima dos uniformes escolares” das crianças e entregue “medalhas e troféus com os dizeres ‘Copa Nescau’ e os logos e símbolos da marca” como premiação da Copa, o que deveria ser banido por “direcionar sua mensagem ao público infantil para convencê-los a consumir os produtos da marca Nescau”.
Criado por uma das herdeiras bilionárias acionistas do Itaú, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, o Instituto Alana atua para eliminar ao máximo a propaganda infantil, permitindo assim que as mídias fiquem ainda mais dependentes das propagandas do governo e de bancos como o Itaú do qual ela é acionista. O instituto vive dos rendimentos de um fundo patrimonial de 300 milhões de reais formado por Ana Lucia.

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PORTANTO, CARO LEITOR, MUITO CUIDADO COM OS “IDIOTAS DO BEM”: eles não são apenas idiotas. Geralmente, são massa de manobra de gente rica (muito rica!) que tem intenções nada nobres: são apenas fascistas. Tentam se disfarçar sob um manto de “discurso social”, mas não passam de fascistas – querem controlar o que você vê, o que você diz, o que você pensa.

O pior é que vejo muita gente que não sabe a verdade sobre essas iniciativas, e cai na conversa fácil – obviamente com uma “providencial ajuda” de sites escrotos como Catraca Livre e demais lixos da esgotosfera da extrema-esquerda (veja por você mesmo: digite “Instituto Alana” no Google, e observe as “matérias” publicadas por lixos como “Rede Brasil Atual”, “CartaCapital”/”Carta Educação”, “Catraca Livre”, “Jornal GGN/Luiz Nassifra”, Revista Trip etc).

Não raro, vejo pessoas bem intencionadas compartilhando conteúdo do Catraca Livre no Facebook, exaltando as iniciativas fascistóides do Instituto Alana. Não se deixe virar massa de manobra.

Como o socialismo transformou a Venezuela num país pobre

O ótimo site ZeroHedge publicou um artigo EXCELENTE, que mostra um amplo histórico da Venezuela – e o desastre produzido naquele país graças ao socialismo.

Como invariavelmente acontece (basta olhar a História), o socialismo (ou seus irmãos-gêmeos comunismo, marxismo, nazismo, fascismo e demais variantes) só consegue produzir fome, miséria e mortos. Na Venezuela não foi diferente – apenas o nome do lixo, criado pelo ditadorzinho Chávez é que foi mudado um pouco: “Socialismo bolivariano do Século XXI”, mesmo que os resultados deploráveis tenham sido idênticos aos dos Séculos anteriores)

Vale a leitura – a despeito de longo, o artigo é completíssimo. Pode ser lido AQUI.

Fonte: From Richer To Poorer: Venezuela’s Economic Tragedy Visualized

Menos Estado e mais mercado

Em 08/09/1996, Roberto Campos publicou o seguinte artigo:

Os sobreviventes do naufrágio das esquerdas mundiais procuram hoje, por toda a parte, alguma saída para seu universo ideológico desarvorado. Ao contrário do fascismo, derrotado pelas armas e privado de respeitabilidade intelectual, ao fim da Segunda Guerra o regime soviético não foi liquidado nos campos de batalha. Saiu da barbárie stalinista para o estilo simplório de Khruschov, e depois da crise dos mísseis em Cuba e do fracasso da colonização das terras virgens do Cazaquistão, caiu no progressivo esclerosamento da era Brejnev, até entalar-se no Afeganistão. Começou, nos anos 80, a procurar inúteis fórmulas para preservar a mitologia socialista com alguma eficiência de mercado, até ruir de vez, pelo esgotamento do pouco de funcionalidade que ainda lhe restava.

No Primeiro Mundo, onde nunca tivera muito a oferecer, o socialismo já estava exaurido, depois de superado o sobressalto da depressão dos anos 30, quando os velhos fantasmas do tempo de Marx fizeram uma revoada de despedida. No Terceiro Mundo, porém, durante as três primeiras décadas do pós-guerra, os povos se viram confrontados com cabulosas perguntas, para as quais o socialismo apresentava soluções categóricas, simples (e incorretas). É preciso, aliás, distinguir duas grandes famílias de socialismo. Uma delas seria representada pela grande variedade de posições distributivistas, desde os partidos “social-democratas” europeus ocidentais até as formulações ideologicamente mais atenuadas do “Estado do Bem-Estar Social”.

Os socialismos mais robustos, porém, seriam os de orientação marxista, com vários graus de “ortodoxia” e radicalidade revolucionária, ligados por uma comum visão transformadora do mundo. Eram uma chama quase-religiosa, que fascinou muitos espíritos sedentos de algum sentido mais profundo no vazio das sociedades modernas. Nos países menos desenvolvidos, o ressentimento da presença estrangeira e a angustiosa sensação de inferioridade econômica e técnica diante das grandes potências “capitalistas” provocariam radicalismo político e nacionalismo às vezes extremos.

Depois das crises que se estenderam do fim dos anos 60 ao princípio dos 80, no entanto, o cenário alterou-se em todo o mundo. Os povos começaram a perder suas ilusões sobre o papel do Estado como instrumento do progresso econômico e da melhor distribuição dos bens sociais. Ao mesmo tempo, foi ficando cada vez mais visível que o mercado era um regulador melhor e mais barato do que as burocracias estatais. Cada vez mais caro e ridiculamente incompetente, o “Estado Social” transformou-se de esperança de solução em problema intratável.

Hoje se estima, por exemplo, nos Estados Unidos, que só o custo da regulamentação e da burocracia fiscal representa mais de 10% do PIB. Ao invés dos resultados que se propunham, os programas sociais tenderam a criar “subclasses” de pessoas dependentes, algumas vivendo há três gerações da assistência pública, na indignidade de uma mendicância oficial burocratizada. E as classes médias, chamadas a pagar a conta das benesses governamentais, passaram a pisar no freio, cansadas dos resultados pífios de uma burocracia que consideram opressiva e inepta. Na atual campanha presidencial nos Estados Unidos, os republicanos se queixam de que Clinton está ganhando nas pesquisas não à base das tradicionais teses “progressistas” do Partido Democrático, mas pelo roubo de bandeiras conservadoras: reforma da seguridade social (para corrigir a “cultura da dependência”) e eliminação do déficit fiscal até 2002 (pela redução do tamanho do Estado).

Mas esses fatos não nos dão respostas completas a todas as perguntas sobre a pobreza, as desigualdades extremas, as carências e a falta de oportunidades. É um engano – ou má fé – dizer que os liberais (ou “neoliberais”) acham que o mercado é critério supremo de distribuição dos bens deste mundo e o caminho da perfeição. A essência do projeto liberal sempre foi, e continua a ser, a maximização da liberdade individual, sem confundir a economia de mercado com o paraíso terrestre. Herdeiro do humanismo e da tradição religiosa ocidental, ele aceita os deveres fundamentais de humanidade e solidariedade em relação àqueles que não têm como defender-se, ou que foram tocados pela desgraça.

A diferença em relação ao socialismo está nos critérios de eficácia. O socialismo acha que a autoridade do Estado, exercida pela burocracia, pode decidir o melhor para todos e cada um. Confunde intenções com resultados, achando que identificar certos males é o mesmo que ser capaz de curá-los. Todos nós gostaríamos de que assim fosse. De querer a poder, entretanto, vai uma distância muitas vezes intransponível. Além do que, cada pessoa tem as suas próprias idéias de quais são os males deste mundo. O burocrata com emprego estável numa estatal monopolística, por exemplo, acha um mal absoluto que capitais estrangeiros venham a criar empregos em indústrias concorrentes…

A grande causa da reação liberalizante que se espalhou pelo mundo, a partir dos países altamente industrializados, nos anos 80, foi que o público percebeu que os governos eram, como regra, maus ou, quando muito, medíocres gestores econômicos. E que os custos do “Estado do Bem-Estar Social” estavam excedendo de muito seus eventuais benefícios. Não foi sempre assim. Durante a depressão dos anos 30, o Estado redistributivo parecia ser a única salvação. Mas era uma situação especial, e a receita do momento (aplicada radicalmente, em 1933, por Hitler) não serviria para outros tempos e outras circunstâncias.

Nos países industrializados, as classes médias, obrigadas a qualificações técnicas e esforço produtivo cada vez maiores, começam a rebarbar o que, certa ou erradamente, lhes parece ser uma abusiva demanda em benefício de pessoas às quais não reconhecem mérito social – como é o caso de drogados, vagabundos, pessoas promíscuas, delinquentes e semelhantes. Nos países em desenvolvimento, no entanto, existe, de fato, muita pobreza e falta de oportunidades, sem nenhuma culpa das vítimas. Esse é, de fato, um dos complicadores da questão. A solução populista de distribuir subsídios a esmo é uma solução superficial, que pode facilmente conflitar com o crescimento e a eficiência do sistema. Tributar pesadamente, tirando do mais capaz e do mais motivado para dar ao menos capaz ou menos disposto, em geral redunda em punir aqueles, sem corrigir estes.

Distinguir os que devem ser ajudados, e qual a maneira de fazê-lo, exige a difícil coragem da racionalidade. No caso brasileiro, o maior inimigo da equidade é o Estado corporativista e clientelístico, refém de malandros e aproveitadores. A maior das nossas injustiças é a ineficiência. O “Estado Social” é aquele que não rouba dos pobres pela inflação. Que não subvenciona a universidade dos ricos porque precisa dar bolsas aos estudantes pobres. Que não cria desemprego, por regulamentações trabalhistas, que tornam muitos inempregáveis. Que permite ao cidadão optar entre a previdência pública e a privada para administrar sua poupança. Que privatiza as empresas públicas para torná-las do público e não dos burocratas. O que temos no Brasil não é o Estado Social. É o Estado interventor e predador…

O título do artigo do genial Roberto Campos é exatamente o mesmo que usei como título deste post: “Menos Estado e mais mercado“. Impressionante como o artigo de 1996 continua RIGOROSAMENTE ATUAL em 2016.

2016-05-04 20.09.17

O Brasil é assim: 20 anos se passam, e a realidade continua igual. Ou, em alguns aspectos, pior.

Muito pior:

2016-05-01 15.18.57

 

2016-05-01 03.39.11

Socialismo e Liberalismo, por José Guilherme Merquior

José Guilherme Merquior é, na minha opinião, o mais brilhante intelectual brasileiro – ao lado de Rui Barbosa e Roberto Campos.

Hoje, revisando alguns links e arquivos “abandonados” no laptop dei de cara com este texto curto (de 1987), mas capaz de resumir de forma brilhante algumas das mais relevantes diferenças entre o socialismo e o liberalismo.

José Guilherme Merquior

Ao invés de comentar, deixo o brilhante Merquior falar por si mesmo:

– SOCIALISMO E DEMOCRACIA –

O socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica. Mais precisamente, uma teoria que procurava reorganizar a sociedade industrial. Os primeiros ideólogos socialistas — os que Engels chamou de “socialistas utópicos” — simplesmente não cogitavam de instituições políticas.

O socialismo só se politizou com Marx, que fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição revolucionária e igualitária do comunismo.

Marx nunca valorizou os direitos civis (de expressão, profissão, associação, etc.). Ao contrário, chegou mesmo a condená-los, vendo neles mero instrumento de exploração de classe. O socialismo marxista, e muito especialmente o praticado pelos regimes comunistas, sempre refletiu esse menosprezo pelos direitos civis.

Em Lenin, a indiferença de Marx para com a liberdade civil torna-se verdadeira hostilidade aos direitos civis e políticos. Hoje, ninguém mais duvida de que nos regimes comunistas, ninguém consegue, ou tenta, tornar compatíveis socialismo e democracia.

Para tornar compatíveis socialismo e democracia, o socialismo precisa renunciar ao dirigismo econômico, à dominação de toda economia pelo Estado. Isso foi o que fez a social-democracia, desde suas primeiras experiências na Escandinávia. Compreenderam que o dirigismo político provoca ineficiência e despotismo, já que concentra todas as grandes decisões econômicas nas mãos dos que já tem o comando político. Essa autonomia na esfera socialista nunca foi admitida pelos marxistas, embora Trotsky tenha observado que, após o crescimento industrial, a qualidade da produção está fora do alcance do controle burocrático da economia.

– SOCIAL-DEMOCRACIA –

Kolakowski baseia sua concepção da social-democracia em alguns valores e regras gerais que se podem resumir assim:

1) Adesão aos princípios democráticos e constitucionais da sociedade aberta;

2) Busca da igualdade, por meio do “Estado protetor”, que atenda às necessidades elementares da população, cuide da velhice e da doença e promova, em clima de liberdade, a igualdade de oportunidades;

3) Orientação oficial da economia;

4) Reconhecimento da impossibilidade de tornar inteiramente compatíveis o necessário planejamento e a desejável autonomia.

A social-democracia foi perdendo terreno para o moderno liberalismo, entre outras razões, em conseqüência da revolta no mundo atual contra o estatismo econômico. Por outro lado, a recessão econômica e o desemprego em vários países europeus fizeram com que os social-democratas se afastassem de suas bases sindicalistas.

Na Inglaterra, por exemplo, a vitória de Margareth Thatcher foi em grande parte conseqüência da rebelião do operariado contra a política austera e estatizante dos social-democratas. Na prática, os social-democratas eram forçados à negociação entre empresários e trabalhadores, o que representava o reconhecimento dos interesses do capital, traindo suas origens social-marxistas.

– RENASCIMENTO DOS LIBERALISMOS –

“Um conservador”, disse Irving Kristol, “não passa de um liberal assaltado pela realidade”. Na realidade, não é bem assim. A palavra liberal serve hoje para cobrir diferentes comportamentos e pensamentos políticos.

Em outros tempos, o liberalismo estava na defensiva porque os injustos regimes liberais eram comparados com o ideal socialista de liberdade e de justiça. Mas, depois da Segunda Guerra Mundial, quando o socialismo de Stalin foi implantado autoritariamente, as mazelas da realidade socialista foram ficando mais visíveis. O liberalismo passou à ofensiva na produção teórica das universidades e dos pensadores porque o socialismo está longe de ter as mãos limpas e o coração leve.

Lembra Dahrendorf que o liberal raramente precisa envergonhar-se das realidades criadas em seu nome. Ou, quando precisa, resta-lhe o consolo de verificar que seus adversários de esquerda possuem mais esqueletos dentro do armário.

A sociedade moderna, tecnificada e consumista, não requer apenas justiça: exige também eficiência; e a eficiência, por sua vez, implica liberdade econômica.

O neoliberalismo de Hayek tem marcado muitos pontos na denúncia do estatismo econômico, por exemplo, quando se refere à grande expansão de empresas estatais.

É irrealista, no entanto, quando pensa que o Estado pode deixar de dirigir as finanças ou planejar a economia. Importante é que ele não a controle. No seu famoso livro O Caminho da Servidão, Hayek levantou a tese de que o envolvimento do Estado na sociedade e na economia, mesmo por intervenções isoladas, redundaria, a longo prazo, em totalitarismo. No entanto, depois de quase cinqüenta anos, desde a guerra mundial, vemos que Hayek se enganou. No Ocidente e no Japão, a ação do Estado ajudou a evitar o totalitarismo. O Estado, às vezes assistencial, contribuiu de modo decisivo para neutralizar movimentos políticos socialistas autoritários.

No Brasil, temos, ao mesmo tempo, Estado demais e Estado de menos. Demais na economia, onde o Estado emperra, desperdiça, onera e atravanca. De menos, no plano social, onde são gritantes e inadmissíveis tantas carências em matéria de saúde, educação e moradia. Por isso há muitas vezes um diálogo de surdos: de um lado liberais se esquecem, ao condenar a ação do Estado, de ressalvar nossas tremendas necessidades no campo assistencial; de outro, os que se dizem defensores “do social” condenam todas as posições liberais.

– O MODERNO LIBERALISMO SOCIAL –

O moderno liberalismo social, doutrina do PL, não deve querer dizer apenas menos Estado; quer dizer sobretudo mais liberdade. E o Estado contido pode ser um poderoso instrumento para promover liberdade para todos.

Keynes, que tanto transformou o liberalismo econômico, recusou-se a aceitar tanto a opção leninista (sacrificar a democracia para acabar com o capitalismo) quanto a fascista (sacrificar a democracia para salvar o capitalismo). Mas alguns liberais são frios em matéria de fervor democrático. Hayek, por exemplo, chegou a imaginar alternativas que atuassem na base de princípios liberais. Para o neoliberalismo de direita, a liberdade econômica, além de necessária, é suficiente.

Nosso melhor liberalismo não deve ter um permanente pavor do Estado; deve sim — e com crescente vigor — buscar a limitação da ação do Estado a seus objetivos reais. Este é o liberalismo social que o PL defende.

Liberalismo com preocupações sociais é a única doutrina política atual que leva profundamente a sério o ideal democrático no sentido rigoroso da palavra, de governo do povo. Os socialismos de Estado dizem ser democráticos, mas ninguém se atreveria a dizer que praticaram a democracia como forma de governo. A democracia liberal social é realmente democracia, variando apenas no grau do seu teor democrático. O argumento liberal não precisa fugir à realidade; mas o antiliberalismo socialista só consegue basear-se no idealismo e em promessas sempre refeitas e adiadas de um paraíso de liberdade.

– LIBERDADE E IGUALDADE –

A verdadeira democracia liberal tem duas paixões — as paixões de Rousseau: liberdade e igualdade.

Por volta de 1850 ou 60, entendia-se a igualdade de acordo com os méritos de cada um. Já definira Rui Barbosa que a verdadeira igualdade consistia em aquinhoar-se desigualmente a cada um, na proporção em que se desigualam. De lá pra cá, tende a prevalecer uma visão “igualitária” de igualdade. Todos são iguais.

Ao mesmo tempo, a liberdade ganha uma versão libertária que tem a anarquia no seu horizonte natural.

Esse é o maior desafio que o liberalismo tem e terá de enfrentar. Do socialismo, o liberalismo só precisa temer a força, não o poder de convencer, pois ele está muito desgastado. Todavia, em nossas sociedades cada vez mais permissivas e reivindicatórias, o liberalismo não está completamente a salvo da perversão interna de seu próprio ânimo: o velho nobre espírito de igualdade.

Os números, as estatísticas e as mentiras do PT

Cada vez que ouço/leio/vejo alguém dizendo que graças ao PT (ou ao Lula) 48 milhões de brasileiros saíram da pobreza e tornaram-se ricos, além de sentir pena da pessoa em questão devido à sua evidente limitação intelectual, lembro disto aqui:

Sim, existe muita gente que acredita nas estatísticas e números vomitados pelo PT no afã de defender a corrupção que o partido sistematizou no Brasil:

Mas creio que temos, a seguir, um vencedor:

Acho engraçado que os números não batem! Falam 8 milhões, 10, 20, 25, 30, 38, 40, 48, até 50!!! Se houvesse 50 milhões de brasileiros na pobreza, haveria um colapso social inimaginável – mas os débeis mentais, no desespero de repetir uma mentira até que ela se torne verdade, nem se dão ao trabalho de verificar se o número faz sentido. A função desses militontos é ajudar a espalhar as mentiras criadas pelo PT (e seus linhas auxiliares, como PSOL, PCdoB, MST, MTST, CUT etc).

Não faz sentido. Nenhum destes números faz sentido.

Todos, sem exceção, são fruto da imaginação fértil de uns, e do mau-caratismo de outros. Inventam-se números aleatórios, sem nenhum embasamento, desde que eles fiquem “bonitos” na propaganda, ou que sejam, de alguma forma, favoráveis ao PT, com o intuito de se criar uma narrativa para defender o partido mais corruPTo da História do Brasil.

Não são apenas números que essa gente inventa: eles extrapolam todo e qualquer limite do bom senso, e produzem bobagens numéricas e conceituais.

O exemplo mais recente: Paul Krugman. Sim, não são apenas os militontos, ignorantes e abestados anônimos que engrossam a narrativa falsa do PT. Em 2014, esta imagem circulou nas redes sociais do PT e dos sites criados para espalhar as mentiras do estelionato eleitoral da Dilma:

Paul Krugman na campanha Dilma 2014

Agora em 2015, estamos vendo o resultado: a pior crise econômica em mais de 80 anos.

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Mas como um ganhador de um Prêmio Nobel pode ser tão burro? Como ele faz uma afirmação desparatada e sem noção como essa? Em 2014 ele afirma que não há razão para preocupação com a economia do Brasil, mas desde 2014 já havia recessão – que vem se aprofundando SEM PARAR desde lá. Agora em 2015, a bomba explodiu de vez. Mas o “jenial” Paul Krugman não sabia!

Calma, dileto leitor. A coisa fica pior – com o PT, sempre fica. Eis aqui o que li ontem:

O economista americano Paul Krugman, prêmio Nobel de 2008, traçou um cenário benigno para a economia brasileira que, segundo ele, passa por percalços devido ao fim do ciclo de alta nos preços das commodities e pelo abalo na credibilidade do governo.
Segundo o economista, o país tem tudo para sair da atual crise assim que a inflação cair e o Banco Central puder reduzir as taxas de juros. “Não vai ser neste ano e talvez não seja no próximo. Com a inflação menor, os juros vão voltar a cair e isso vai aliviar as contas do governo”, afirmou.
O maior risco, segundo o economista, é a economia mundial mergulhar em uma nova crise derivada da desaceleração do crescimento na China. Nesse caso, Krugman vê uma depreciação adicional no preço de commodities, deflação espalhada pelo mundo e baixo crescimento tanto nos países desenvolvidos quando nos emergentes.
“Não acredito muito nessa possibilidade, mas gostaria de estar mais certo sobre isso. Mas será uma crise menor do que a de 2008 porque não há contaminação nos ativos financeiros”, afirmou.

Krugman disse que a economia brasileira está mais sólida do que no passado, especialmente nas contas externas. Afirmou ainda que a inflação atual é alimentada pela alta do câmbio e não por fatores estruturais, como nos anos 90. No entanto, reconheceu que a história brasileira não permite descuidar da alta dos preços.

O economista americano afirmou que o “Brasil saiu de moda” entre os investidores internacionais, que passaram a dar mais atenção aos problemas fiscais e às dificuldades políticas do governo. “Daqui algum tempo verão que houve um excesso de pessimismo”, afirmou.
Segundo Krugman, a economia mundial está “persistentemente deprimida”, o que deveria inviabilizar um aumento de juros nos EUA. No entanto, Krugmam afirmou que o Fed [Federal Reserve, BC dos EUA] vai subir os juros americanos em dezembro. “Será um grande equívoco”.

Como consequência da alta de juros americanos, Krugman acredita em uma pressão adicional pela valorização do dólar em relação às moedas emergentes e aos preços das commodities, o que deve dificultar o combate à inflação brasileira.

A íntegra desta sequência inacreditável de boçalidades está AQUI. Há poucos dias, aliás, o Paul Krugman falou mais um ajuntamento de bobagens, como pode ser lido AQUI.

Há muito tempo Krugman especializou-se em falar bobagem, mas a cada dia ele está ficando mais afiado! De qualquer forma, ele mostra-se um excelente ativo para a narrativa mentirosa, distorcida e burra do PT. Tem que ser muito ignorante para acreditar nessa narrativa do PT…

2015-10-27 11.02.51

2015-10-26 06.29.48

2015-09-23 19.20.50

2015-10-02 14.36.27

2015-09-23 20.00.20

O lápis e a liberdade

O vídeo é curto, direto, objetivo e genialmente simples:

O conceito que o genial Milton Friedman explica é tão simples que até uma criança entende – mas não se pode esperar que uma comunista que não entende nem mesmo o livro mais simples e simplório do seu ídolo Marx entenda; isso é exigir demais de quem não tem QI nem mesmo para respirar sem instruções e/ou ajuda externa.

Sim, uma criança um pouco mais espertinha compreende, mas tem gente que não entende nem lé nem cré, e sai falando/escrevendo bobagem… E acaba sendo exposta graças ao Leo Monastério.

O twitter també, é cultura – e diversão, muita diversão! Tendo o twitter como palco, a protagonista Lilli Nakombi inventou um monte de coisas e atribuiu as bobagens ao Adam Smith, que jamais escreveu as tontices que ela lhe atribuiu; o Leo Monastério fez uma aposta, pedindo que a Nakombi revelasse/indicasse a citação exata do Adam Smith, o que, obviamente, não aconteceu, porque ela inventou tudo. Como ficou sem resposta, sem argumentos, ela simplesmente fez cara de paisagem e saiu de fininho.

Não foi a primeira, nem será a última vez que a Nakombi faz/fez isso…

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Dilma é tão Ruinsseff que o PIB perdeu de 7 a 1

Os resultados da atroz incompetência de Dilma Ruinsseff continuam pipocando:

O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria caiu 0,3% no primeiro trimestre, ante os últimos três meses do ano passado, feito o ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB industrial caiu 3%. A média das estimativas apuradas pelo Valor Data para o setor apontava para queda de 1,6% do PIB industrial do primeiro trimestre sobre o quarto.
No quarto trimestre de 2014, o setor teve queda de 0,4% na comparação com o período anterior, feito o ajuste sazonal, dado revisado de queda de 0,1%. No PIB, a indústria engloba, além do setor manufatureiro e extrativo, a construção civil e a produção e distribuição de energia e gás. Economistas já previam que a indústria continuaria patinando, e que nem mesmo a desvalorização da taxa de câmbio daria algum alento à atividade, apesar da melhora esperada para o setor externo.

O efeito da mudança da política fiscal e do chamado ‘realismo tarifário’ afeta a indústria principalmente via custos, uma vez que é difícil repassá-los ao consumidor em um ambiente de demanda fraca.

Os segmentos de bens de capital e de bens de consumo duráveis foram os responsáveis pelo cenário desfavorável no PIB da indústria, no primeiro trimestre de 2015. Segundo a Coordenadora do departamento de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, esses segmentos foram os principais fatores que conduziram ao resultado negativo na atividade de transformação – que representa 47% do PIB da indústria.

O ramo da transformação recuou 1,6% na comparação com o quarto trimestre de 2014. O setor foi afetado pelo menor consumo de bens duráveis (como carros e eletrodomésticos) pela população. A especialista notou que, no primeiro trimestre deste ano, não mais existiam incentivos fiscais para consumo de bens duráveis, como no passado – o que afetou o consumo desse tipo de produto, bem como sua produção.

Ao mesmo tempo, pelo lado de bens de capital, Rebeca lembrou as recentes mudanças no perfil de concessão de financiamento no BNDES Procaminhoneiro – sendo que caminhões são os bens de capital de maior peso dentro desse ramo. A queda da indústria não foi maior porque cresceram as atividades extrativa mineral (3,3%) e a construção civil (1,1%). O maior destaque negativo foi eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-4,3%).

Entre o quarto e o primeiro trimestre, o setor de serviços, que engloba comércio, intermediação financeira e serviços públicos, entre outros, teve retração de 0,7%, feito o ajuste sazonal.  A média das estimativas apurada pelo Valor Data era de queda de 0,5% para esse ramo de atividade, em média. No quarto trimestre, o setor teve expansão de 0,2% sobre o primeiro, dado revisado de uma alta de 0,3%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB do setor de serviços caiu 1,2%.

O setor agropecuário, por sua vez, cresceu 4,7% no primeiro trimestre de 2015, sobre o quarto trimestre de 2014, quando teve alta de 1,8%. A alta veio bem acima da média esperada pelos analistas, que era de crescimento de 1,1%. Ante o mesmo período do ano passado, o PIB agro cresceu 4%.

A reportagem acima é do Valor Econômico, e ajuda a mostrar que os danos causados pela absurda e infinita incompetência de Dilma continuam a prejudicar o Brasil.

Quero dar os parabéns a quem votou em Dilma. Graças a essas pessoas, o Brasil continua não correndo nenhum risco de dar certo.

2015-04-30 02.11.29

É preciso acrescentar o seguinte: as medidas do “ajuste fiscal” estão no Congresso – 3 medidas provisórias já foram aprovadas, mas ainda há medidas que o Joaquim Levy está tentando implementar como parte do tal “ajuste fiscal”. Estas medidas todas (as já aprovadas e as por vir) causarão mais recessão ainda – ou seja, os resultados ruins ficarão piores.

E vamos esclarecer algo: tenho visto aqui e acolá uns desinformados chamando o Joaquim Levy de “neoliberal”, “Chicago Boy” e afins. Só mesmo sendo muito burro ou mal intencionado para dizer uma besteira dessas. Se a afirmação parte daquele pessoal notoriamente tapado, que faz questão de passar recibo da própria ignorância, tudo bem – afinal, é uma galera que, ao que consta, sequer tem carteirinha de gente.

Essa é a turma formada pelos comunistas que não leram o Manifesto Comunista, aquele tipo auspicioso que só defende o socialismo porque não tem nenhuma noção do que seja o socialismo.

Mas a verdade é o exato oposto disso: em primeiríssimo lugar, só usa o termo “neoliberalismo” quem não entende nada de economia e jamais se deu ao trabalho de ler um único livro sobre o assunto. Isso simplesmente não existe.
Muito resumidamente, esse termo “neoliberalismo” foi inventado pela esquerda (aquela que mudou o nome de “comunista” para “socialista” e depois para “progressista” – e só mudou de nome porque a verdade sobre suas práticas ficou evidente: “comunista” passou a traduzir a imagem do regime que matou mais de 100 milhões de pessoas e deixou União Soviética, Vietnam e diversos países completamente destruídos) porque a tentativa de dizer que o liberalismo falhou não foi bem sucedida: países que adotaram o liberalismo tinham e ainda têm uma economia muito superior àqueles países que viraram à esquerda e adotaram o socialismo – ou alguém já ouvi falar de alguém que tentou fugir dos Estados Unidos em direção a Cuba?

Só os idiotas.

Assim como ficou impossível dizer que ser comunista era algo bom (igualzinho a se dizer nazista), os comunistas (que depois se auto-intitularam “socialistas” e, mais tarde, “progressistas”) acharam que precisavam de um novo termo para tentar colar uma imagem ruin naqueles que eles criticavam. Surgiu assim o termo “neoliberal”, algo absolutamente vazio. Os ignorantes que usam esse termo apenas fazem o “copiar e colar”, estão apenas e tão somente repetindo um discurso pronto que receberam. Peça a um destes “jênios” que explique o que é o tal “neoliberalismo” e, para matar de vez o ignorantão, peça que ele explique a diferença entre “liberalismo” e “neoliberalismo”.
O máximo que o sujeito vai conseguir será dizer que na Wikipedia dizem que há diferenças.

Você já consegue ter uma prévia do QI do seu interlocutor se ele usar o termo “neoliberal”.

HumansofPT_2015-Apr-10

Em segundo lugar, aumento de impostos e corte nos investimentos não tem nada, rigorosamente NADA a ver com liberalismo. O “ajuste” que a Dilma Ruinsseff está tentando fazer é oposto do liberalismo. Não tem nada a ver com “direita”:

Tenho lido vários textos afirmando que a política econômica do segundo mandato Dilma representa uma guinada do governo que teria abandonado as teses da esquerda. No dia 21/04 dois textos deixaram claro a existência dessa tese, um do Estadão a respeito do discurso de Stédile em Ouro Preto (link aqui) o outro foi uma entrevista de Guilherme Boulos ao El País Brasil (link aqui). Escolhi os dois por serem recentes e retratarem a opinião de importantes líderes dos ditos movimentos sociais.

A verdade é que Dilma está aplicando políticas tipicamente de esquerda em seu segundo mandato. Não que Dilma não tenha enganado os eleitores, ao insistir que a economia estava bem Dilma ludibriou parte dos eleitores o que nos dá o direito de acusar a presidente de ter mentido e de ter praticado um estelionato eleitoral. Também não estou dizendo que não ocorreu uma guinada na política econômica, é fato que ocorreu, mas menos que uma guinada da esquerda para direita foi uma guinada de uma política sem nenhum sentido para uma política que, embora eu considere errada, é uma política que tem algum sentido. A atual política econômica é uma política típica de partidos de esquerda que são obrigados a fazer um ajuste fiscal.

Ajustar as contas de um governo não é política de esquerda ou de direita, é uma imposição dos fatos (tratei do tema aqui). Cedo ou tarde todo governo é obrigado a ajustar as próprias contas, nem que seja o estritamente necessário para seguir adiante com novos gastos. O que vai diferenciar as políticas de partidos de esquerda e de direita é a forma como se faz o ajuste. Partidos de esquerda tipicamente tentam ajustar a economia por meio de elevações de impostos, particularmente sobre os mais ricos, partidos de direita tradicionalmente, pelo menos no discurso, tentam ajustar por meio de cortes de gastos. O que o governo está fazendo? Segundo Mansueto Almeida, um dos maiores especialistas em conta públicas no Brasil, cerca de 85% do ajuste fiscal será feito com aumento de impostos (link aqui). Como uma política assim pode ser classificada como de direita, ou pior, de liberal? Mas uma política realmente de esquerda seria taxar grandes fortunas, alguém poderia dizer. Sim, responderia eu, taxar grandes fortunas seria uma política mais à esquerda do que a implementada por Dilma, mas isso não muda o fato que a política que Dilma está implementando é de esquerda.

A verdade é que há muito tempo os governos brasileiros fazem ajustes por meio de elevação de impostos, a carga tributária saiu de aproximadamente 24% para aproximadamente 36% do PIB (a maior da América Latina, ver aqui) entre 1991 e 2013, ou seja, em pouco mais de 20 anos a carga tributária aumentou 50%. Não foi por acaso, durante praticamente todo o período o Brasil foi governado por partidos de esquerda que naturalmente implementaram políticas de esquerda. O aumento da carga tributária veio acompanhado de outra característica típica de políticas de esquerda, qual seja: o aumento do gasto público, que, por sinal, já passa de 40% do PIB.

Outra característica tipicamente presente no discurso da esquerda particularmente na América Latina é a necessidade do governo estimular o crescimento da economia, especialmente da indústria. É curioso que a esquerda defenda uma tese que implica em transferência de renda de pobres para ricos, mas não é sem explicação. Guido Mantega explicou o fenômeno no livro “A Economia Política Brasileira” (link aqui). Para tornar o projeto político revolucionário viável a esquerda entendeu que precisaria de uma massa de trabalhadores organizados em sindicatos fortes, tal tipo de organização é típica dos trabalhadores industriais. Desta forma para existir uma esquerda forte seria necessária a existência de uma indústria forte, foi assim que desde pelo menos meados do século XX a esquerda latino-americana abraçou o desenvolvimentismo e, como o tempo, veio a dominá-lo. Se consideramos que Lula e o PT vieram de sindicatos de trabalhadores industriais do ABC vemos que os esquerdistas que aderiram ao desenvolvimentismo acertaram o alvo melhor do que os que apostaram no desenvolvimentismo como forma de transformar o Brasil em uma potência industrial com dinâmica tecnológica própria e todo o pacote de maravilhas prometido pelos defensores da industrialização a qualquer preço.

É fato conhecido que no final de 2014, antes de Joaquim Levy se tornar ministro da fazenda, o governo fez uma série de transferências gigantescas para o BNDES (ver aqui e aqui). Alguns, inclusive o ingênuo que vos escreve, chegaram a comemorar o fim das transferências com a chegada de Levy, ao que parece comemoramos muito cedo, uma das notícias que considero mais importante da semana trata de uma manobra onde o governo pretende usar o FGTS para transferir R$ 10 bilhões para o BNDES (link aqui). O segundo governo Dilma aumenta impostos para não cortar gastos e ainda mantém a política de usar o BNDES para estimular o crescimento. Tem certeza que tais políticas podem ser classificadas como liberais ou de direita? Só se for de uma direita populista e estatista que costuma ser associada com fascismo… mas que curiosamente tem políticas muito semelhantes às defendidas pela esquerda, se duvidar basta tentar descobrir de onde vem o culto a Vargas.

Um último argumento para justificar a tal guinada liberal do governo vem da elevação dos juros. Mais uma vez é feita uma confusão entre escolha e necessidade. Com uma inflação prevista acima de 8% se o BC continuasse inoperante uma disparada inflacionária seria praticamente inevitável o que poderia inviabilizar de vez um governo que já enfrenta forte rejeição da população. Porém as doses homeopáticas com que o Banco Central está elevando os juros denuncia que o banco tem outras prioridades que não o combate à inflação. Mais uma vez a política necessária está sendo implementada com viés de esquerda, o que não é surpresa dado que o governo é de esquerda.

Enfim, o ajuste fiscal via impostos, a insistência em usar o BNDES para estimular o investimento e o crescimento e a timidez no combate à inflação me parecem mais do que suficiente para caracterizar o atual governo como de esquerda. Que em seu primeiro mandato Dilma tenha ignorado o ajuste fiscal combinando desonerações tributária específicas a alguns setores com elevação de gastos não torna o atual governo de direita ou (neo)liberal, apenas deixa claro a loucura econômica que foi o primeiro governo de Dilma. Que junto a irresponsabilidade fiscal tenha vindo uma aposta injustificável que o uso abusivo do BNDES, a redução dos juros e a desvalorização do câmbio salvariam nossa economia só agrava a loucura depondo ainda mais contra o primeiro governo Dilma que, não por acaso, nos levou a um desastre econômico que agora necessita ser enfrentado sob pena de se agravar ainda mais. Desta forma eu creio que Levy não é um infiltrado da direita liberal no governo petista, discutir a presença de Levy não é discutir se o governo é de esquerda ou de direita, longe disso, discutir a presença de Levy é discutir se o governo usará uma lógica que considero errada, porém inteligível, para enfrentar a crise ou não usará lógica nenhuma e retornará a insanidade do primeiro mandato.

O artigo é do excelente economista Roberto Ellery, e pode (e deve) ser lido na íntegra AQUI.

2015-03-29 20.35.54

NOVO: para além da dicotomia entre o ruim e a escória

O vídeo tem quase 2 horas de duração, mas vale a pena: Luiz Felipe Pondé conduz uma discussão num evento do Partido NOVO, que trata prioritariamente de reforma política e “de brinde” oferece algumas dicas de referências liberais como Thomas Sowell e Theodore Dalrympe.

Alguns pontos fundamentais que o Pondé aborda, na minha opinião, são educação e cultura. Como eu já escrevi diversas vezes aqui no blog, é preciso acabar com essa conversa fiada (e errada) que escolas e (muitas) universidades incutem na cabeça de jovens imaturos e sem base cultural. Eu vejo, no ensino superior, gente que chega com idéias formadas de que o capitalismo é ruim – mas, assim como aquela anta paquidérmica da Luciana Genro, uma ignorante ridícula, não consegue manter suas opiniões quando confrontada com fatos.

Vale a pena ver:

A propósito: convido o leitor a conhecer as propostas do Partido NOVO.
Para mim está cada dia mais claro: o Brasil não corre nenhum risco de dar certo enquanto houver esta dicotomia entre PT e PSDB. Trata-se de uma briga entre o ruim (PSDB) e a escória (PT).

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Dos direitos e deveres da CLT e sua excrescência intrínseca à terceirização

Nas últimas semanas, a discussão sobre o projeto de lei que regulamenta a terceirização de atividades-fim tomou de assalto as redes sociais e a imprensa.

Contudo, muita bobagem vem sendo disseminada. Infelizmente, como já virou praxe, mentiras espalham-se como se verdades fossem, propaladas especialmente por sites e blogs sujos (a esgotosfera do PT), e acabam repetidas bovinamente por militontos e alguns idiotas úteis.

A CUT, uma central sindical que não passa de linha auxiliar do PT, andou espalhando (com a ajuda da esgotosfera de sempre) algumas bobagens homéricas e risíveis. Um belo esclarecimento sobre o fato foi produzido pelo Roberto Ellery AQUI. Reproduzo abaixo alguns trechos, mas vale a pena ler o texto na íntegra, pois ele é riquíssimo em detalhes:

O número mágico que está na internet é que terceirizados ganham 25% menos do que trabalhadores que são contratados diretamente pela empresa. Tal número pode ser encontrado em várias reportagens na imprensa, em posts de blogs e no FB e em vídeos que circulam pela internet. Por exemplo, o site UOL afirma “Salário médio dos terceirizados em 2013: R$ 1.776,78 (25% menor que os R$ 2.361,15 dos contratados diretamente)” (link aqui). A Carta Capital diz: “O salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que o dos empregados formais, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).” (link aqui). O blog Viomundo afirma: “Segundo o documento, em dezembro de 2013, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos do que os contratados diretos…” (link aqui). O Estadão cita um número diferente (talvez por algum ajuste nas horas) mas aponta a CUT como fonte na chamada que anuncia: “Terceirizados ganham 27,1% a menos que contratados diretamente, diz CUT.” (link aqui).

Provocado em uma conversa no FB decidi procurar o estudo da CUT e descobrir de onde veio o número. O estudo se chama “Terceirização de Desenvolvimento: uma conta que não fecha” (link aqui). […]

[…] Reparem na fragilidade do número. De início me preocupou que o estudo não controlasse por atividade desempenhada pelo trabalhador. Como atualmente a terceirização só é permitida para atividades meio e é razoável supor que atividades meio ganhem menos que atividades fins independente da forma de contrato eu desconfiei do número. Imagine um hospital, o leitor ficará surpreso em saber que um médico (atividade fim) ganha mais que um servente (atividade meio)? O leitor ficará surpreso em saber que em uma universidade os professores (atividade fim) ganham mais que o porteiro (atividade meio)? Imagino que não. Pois dizer que terceirizados ganham menos que contratados direitos sem controlar por atividade exercida é praticamente o mesmo que dizer que médicos ganham mais que serventes ou professores ganham mais que porteiros. Mas o estudo é ainda mais frágil. Repare que a tabela fala de “Setores Tipicamente terceirizados” e “Setores Tipicamente contratantes”. O que significa isto? Significa que sequer o estudo da CUT está considerando o salário dos trabalhadores terceirizados, o estudo considera o salário dos setores que são classificados como setores tipicamente setorizados.

Grosso modo o que o estudo da CUT está dizendo é que em setores onde terceirização é comum o salário é menor. Quais são estes setores? Procurei um anexo onde estivessem listados quais são os setores tipicamente terceirizados, mas não encontrei. Porém, considerando que a lei apenas permite a terceirização de atividades meio, é bem plausível supor que tais setores são os que atividade meio tem mais peso. Desta forma o que estudo está dizendo é que setores onde atividades meio sujeitas à terceirização são preponderantes pagam salários menores. Tais setores, segundo os números da CUT e do DIEESE, equivalem a 26,8% dos setores (pg.13). Não é quase como dizer que porteiros ganham menos que médicos, é dizer que porteiros ganham menos que médicos.

Em suma, a CUT espalhou (com a ajuda da esgotosfera e dos idiotas úteis que compartilham as mentiras e bobagens de Caca CaPTal, Diário do Centro do Mundo, Carta Maior, Brasil de Fato, Brasil Atual, Sakamotos e outras porcarias do mesmo naipe) um monte de dados falsos, que alguém minimamente inteligente jamais engoliria ou levaria a sério. Repito: vale a pena ler todo o texto do Roberto Ellery. Eu transcrevi apenas alguns poucos trechos, pois é longo e detalhado.

Mas vamos adiante.

Os dados e afirmações mentirosos da CUT serviram de “argumento” para os idiotas úteis que bradavam que o projeto de lei que regulamenta a terceirização causaria “precarização” do trabalho. Houve uns abestados que chegaram ao cúmulo de falar em “escravização” ou coisas non-sense parecidas. Isso ultrapassa o limite não apenas do ridículo, mas da patologia também.

Não é apenas mentira, é uma viagem na maionese mesmo. Coisa de quem come cocô no café da manhã.

Vamos tratar de um ponto conceitual básico? DIREITOS trabalhistas.

Na verdade, a CLT é uma excrescência autoritária não apenas por ser baseada fortemente na Carta do Trabalho (“Carta del Lavoro”) de 1927, produzida pelo Partido Nacional Fascista de Mussolini; a CLT é uma excrescêcia porque ela apresenta a falsa impressão de que irá assegurar DIREITOS aos trabalhadores registrados sob suas normas, quando na verdade ela apenas impõe DEVERES, OBRIGAÇÕES. Resumidamente, a CLT reduz o ganho dos empregados (trabalhadores) e aumenta os custos dos empregadores (empresas).

Vejamos o caso do FGTS, para ficar num dos temas mais citados recentemente. O FGTS é um fundo criado pelo governo, administrado/controlado pelo governo – lembremo-nos de que a base do fascismo é aquela frase emblemática de Benito Mussolini: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado“.

Ou seja, exatamente como no comunismo, no socialismo e no nazismo, o Estado é o centro de tudo. Assim, o governo é o único responsável pelo FGTS – que todo empregado registrado é OBRIGADO a recolher mensalmente, assim como o empregador (empresa). O problema: se o trabalhador quiser usar o seu FGTS, ele NÃO pode, exceto em pouquíssimos casos nos quais o Estado (sempre ele!) permitir.

Isso é a descrição de um DIREITO ou de um DEVER?  Se eu, empregado, quiser exercer meu DIREITO sobre o FGTS, eu não posso! Então, volto a perguntar, aonde está o DIREITO? Eu vejo um DEVER, uma OBRIGAÇÃO – a de recolher mensalmente aquele percentual, o que implica receber um salário líquido menor pelo meu trabalho.

Mas não acaba aí: o dinheiro que o Estado coleta (e atualmente fica sob os cuidados da Caixa Econômica Federal, aquele banco estatal que sabe guardar sigilo de contas muito bem, exceto se você for um caseiro que revele certas indiscrições sobre certos Ministros do PT, e que também é reconhecido pela competência para gerir o Bolsa-Família) totaliza um valor mensal altíssimo, que fica parado na Caixa Econômica, inutilmente.

Bom, não necessariamente:

O Ministério da Fazenda pressiona para que o FI-FGTS – fundo criado com os recursos dos trabalhadores para investir em projetos de infraestrutura – empreste R$ 10 bilhões ao BNDES, mas não tem o apoio de representantes das centrais sindicais no comitê de investimentos do Fundo. Uma operação semelhante foi realizada em 2008, em plena crise financeira global, quando o FI injetou R$ 7 bilhões no BNDES via aquisição de debêntures do banco de fomento. Só que, mais tarde, a aplicação foi questionada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Um dos principais problemas apontados pela auditoria foi a baixa remuneração dos papéis, o que provocou impacto no rendimento do FI.

Os detalhes do novo empréstimo serão apresentados pela Caixa Econômica Federal, gestora do Fundo, aos membros do comitê gestor na quarta-feira. Segundo fontes a par das discussões, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, queria que a transação fosse aprovada no mesmo dia, mas foi informado pela Caixa que há a um rito a ser cumprido, cabendo inclusive pedido de vista. Levy, então, pediu que seja marcada uma reunião extraordinária do comitê para deliberar sobre o tema.

O empréstimo do FI é visto pela Fazenda como alternativa aos repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, diante da necessidade do ajuste fiscal. Entre 2008 e 2014, a instituição recebeu R$ 416 bilhões. Levy já deixou claro que esses aportes não vão continuar. Os R$ 10 bilhões pretendidos para o banco correspondem à quase totalidade dos recursos que o FI tem para emprestar este ano: R$ 13 bilhões. Outros R$ 28,1 bilhões já estão aplicados, de acordo com a Caixa.

A reportagem acima está no Globo de hoje (íntegra AQUI). Não é lindo isso?!

Pois é, o governo desgovernado de Dilma Ruinsseff quer usar o dinheiro do FGTS para ajudar a cobrir uma parte do rombo que ela mesma, a ex-proprietária de uma lojinha de bugigangas que foi à falência por incapacidade da dona, criou.

Mas não ligue ainda, porque o governo do Brasil sempre oferece mais – mais surpresas! O dinheiro que fica lá, paradinho na Caixa, é reajustado de forma a causar prejuízo: a correção do montante é menor do que o rendimento da caderneta de poupança – que, em períodos de inflação alta, como agora, é uma das piores aplicações financeiras. Em suma, o trabalhador que é OBRIGADO (lembra do “direito”?) a recolher o FGTS está sendo lesado também na correção do seu saldo. O caso do FGTS e seu risível retorno, como investimento, é tão óbvio que até mesmo um blog xexelento da igualmente xexelenta SuperInteressante (que há muitos anos deixou de ser interessante) expõe o problema, AQUI.

E as pessoas estão reclamando do projeto de lei da terceirização?
Sério?
Será que essa gente que está reclamando trabalha? Sabe fazer conta?
O pessoal sabe que a CLT os obriga a contribuir com FGTS, INSS e outros trambolhos que estão falidos? Essa galera que ferrenhamente critica a terceirização não sabe que tudo o que a CLT enfia goela abaixo dos trabalhadores (e também das empresas) só serve para gerar dinheiro para o governo, mas não oferece retorno real às pessoas?
Esse pessoal não entende que a CLT é um atraso nas relações trabalhistas e compromete a produtividade do Brasil? Não sabem que menor produtividade gera menores salários, pior qualidade de vida dos empregados e, em última instância, imensas perdas para o país?

Eis aqui um excelente artigo do Samuel Pessoa que saiu na Folha (íntegra AQUI):

Um agricultor médio de Mato Grosso que deseja plantar soja terá dificuldades com a colheita. A colheita é executada por imensas e moderníssimas colheitadeiras, vendidas ao preço de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões cada uma.
O agricultor pode alugar a colheitadeira. Terá que contratar o tratorista – e não saberá o que fazer com ele no resto do ano- e será responsável por reparos de possíveis danos que ocorrerem quando estiver empregando o equipamento.
Finalmente o médio agricultor pode se associar a outros agricultores e comprar a colheitadeira em condomínio. Qualquer pessoa que já participou de reunião de condomínio pode imaginar as dificuldades. O equipamento danifica-se em uma propriedade. Quem é responsável pelo reparo? Quem assinará a carteira do tratorista? A lista é grande.
A dificuldade em contratar empresa terceirizada especializada no serviço de colheita e outros aspectos rígidos de nossa legislação acabam jogando o médio agricultor para a cidade. Ele arrenda ou vende a terra para um grande agricultor, que tem economia de escala para arcar com todos esses custos, e deixa o campo.
O projeto de lei 4.330 tem por objetivo permitir que empresas especializadas em colheita e outras especializadas na aplicação de inseticidas, e assim sucessivamente, possam ser criadas. Exemplifico com a agricultura para ser didático, mas evidentemente as implicações são para o conjunto da economia.
A colheita é atividade-fim. No entanto, como a narrativa nos parágrafos anteriores sugere, o custo de transação de o fazendeiro internalizar essa atividade-fim em seu próprio negócio é muito elevado. Ele terá que adquirir um equipamento caro, cuja manutenção é muito cara, terá que ter um profissional muito especializado, que operará o equipamento poucas semanas por ano etc.
Uma empresa especializada nessa atividade poderá ofertar o serviço de colheita de forma muito mais eficiente. A empresa será proprietária de inúmeras colheitadeiras, empregará pessoal especializado que poderá ser treinado na própria empresa, terá um relacionamento estreito com o fabricante do equipamento, poderá ter um setor de mecânica e manutenção etc.
Há muito tempo sabemos que a distinção entre atividade-meio e atividade-fim, além de difícil de ser feita, não é a distinção relevante para sabermos quais atividades devem ser internalizadas em uma mesma firma e quais devem ser adquiridas no mercado. A linha deve ser traçada levando em conta o custo da geração no interior da firma e o custo de aquisição no mercado.
É esse o objetivo do projeto de lei 4.330, em votação na Câmara. Por exemplo, é possível que uma montadora de automóvel considere que é mais eficiente terceirizar a atividade de pintura dos carros. Se esse for o caso –não tenho a menor ideia se é–, o PL permitirá que seja contratada uma empresa especializada de pintura automotiva que operará nas instalações da montadora.
Note que não será possível a contratação de empresa terceirizada para ofertar somente a mão de obra –o parágrafo 3º do artigo 4º é muito claro na vedação da intermediação de mão de obra– e o funcionário da empresa terceirizada terá os mesmos direitos de higiene, segurança e salubridade dos funcionários da contratante da terceirizada, como especificado no artigo 13.
Finalmente, o artigo 15 do PL estabelece que a “responsabilidade da contratante em relação às obrigações trabalhistas e previdenciárias devidas pela contratada é subsidiária, se ela comprovar a efetiva fiscalização de seu cumprimento, nos termos desta lei, e solidária, se não comprovada a fiscalização”.
Os cuidados para evitar abusos foram tomados. O PL representa importante item na modernização das relações trabalhistas e visa aumentar a eficiência produtiva de nossa economia.

Finalmente, o Leandro Narloch escreveu um artigo objetivo (e curto) sobre isso:

Quem ataca a regulamentação da terceirização costuma acreditar que as leis trabalhistas garantem direitos, que sem elas os trabalhadores estariam em situação vulnerável e precária. Essas pessoas precisam responder uma pergunta: por que os países com “melhores” leis trabalhistas exportam pessoas?
Ora, se as leis que protegem os trabalhadores têm o efeito esperado, veríamos ingleses migrando para a Espanha e Portugal, onde é quase impossível demitir alguém. Operários dos Estados Unidos, onde não há obrigação de aviso prévio, multa por rescisão de contrato nem férias remuneradas, atravessariam desertos a pé para chegar ao México, onde o custo médio de uma demissão é de 74 semanas de trabalho.
Mas o que vemos é o contrário: os trabalhadores fogem dos países com leis que os protegem demais. Há quase 200 mil portugueses e espanhóis trabalhando na Inglaterra, onde é muito fácil contratar e demitir. Cerca de 4 milhões de indonésios (segundo o Banco Mundial, um dos países onde é mais caro demitir) trabalham na Malásia, na Austrália e também em Cingapura, onde sequer há uma lei geral de salário mínimo.
Considere estes dois grupos de países:
1. Estados Unidos, Canadá, Austrália, Cingapura, Hong Kong (China), Maldivas, Ilhas Marshall.
2. Bolívia, Venezuela, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Congo e República Centro Africana
Quem acredita na mágica das leis trabalhistas diria que elas são mais rígidas nos países do primeiro grupo. Afinal vivem ali os trabalhadores com melhor qualidade de vida no mundo. Na verdade, no grupo 1 estão os sete países que, segundo o Banco Mundial, têm as leis que menos azucrinam os patrões. Já o grupo 2 reúne os sete países que mais protegem os trabalhadores. Na Venezuela, a lei proíbe a demissão de que ganha até um salário mínimo e meio (o que faz funcionários terem medo de serem promovidos, pois os patrões costumam aumentar o salário para então demiti-los).
Por que multidões de imigrantes decidem ir trabalhar nos Estados Unidos e não na Venezuela ou na África, continente que reúne os países com leis trabalhistas mais protetoras?
Eu arrisco uma explicação: países com leis trabalhistas muito rígidas são geralmente lugares ruins para se fazer negócio. Lucro é considerado pecado; empresários são tidos como vilões. Pouca gente se aventura a investir ou abrir vagas de trabalho em lugares assim. Já os países onde as leis trabalhistas são mais leves costumam ter mais liberdade para empreender, tradição de respeito à propriedade, facilidade para investir e, por causa disso tudo, mais oportunidades para os pobres. É a facilidade de fazer negócios, e não um punhado de palavras escritas no papel, que garante direitos aos trabalhadores.

Ele resumiu brilhantemente a questão prática, que no Brasil é dificultada porque desde 1945 nós ouvimos essa falácia de “DIREITOS trabalhistas”. Na verdade, a expressão mais adequada é “OBRIGAÇÕES trabalhistas e apenas o direito de receber em troca péssimos serviços, como SUS, INSS etc”.

Vamos comemorar: temos direito a usar o sistema de previdência do governo, que está quebrado e paga uma mixaria depois que você passou 40 anos recolhendo mensalmente um percentual do seu salário. Mas se você for funcionário de certas estatais, é diferente, porque o brilhante governo desgovernado do PT arrombou o Postalis, a Previ e a Funcef. Pelo menos é o que já se sabe até agora, mas decerto em breve serão descobertos novos rombos causados pela incomPTência de corruPTos.

Este artigo indicado no twitt acima é brilhante: analisa a questão da terceirização sob a ótica da Teoria da Firma. Trata-se de artigo extenso, denso, que pode ser lido na íntegra AQUI. NÃO DEIXE DE LER. Mesmo.

Para finalizar, um “causo”: há alguns anos (foi em 2011 ou 2012, não tenho certeza) eu tinha uma empregada doméstica em casa, 4 dias por semana. Foi ANTES da aprovação da legislação que mudou radicalmente o mercado das domésticas. Eu fazia todos os recolhimentos de impostos, estritamente dentro da lei. Eu usava, na época, um software que baixei do site do Ministério do Trabalho, que já fazia os cálculos, emitia recibos e demais documentos etc.

Quando ela completou 1 ano de contrato, evidentemente, chegou o momento das férias. E ela estava empolgada porque iria receber PELO MENOS o dobro do salário – era isso que ela achava.

Quando paguei as férias dela, ela ficou decepcionada, porque imaginava que iria receber muito mais, porém o valor sofreu diversas reduções (abatimentos) em virtude dos descontos legais. A expressão de decepção no rosto dela foi triste – e cômica ao mesmo tempo. Ela mesma “reclamou” e aí eu expliquei que era a lei.

Eu, empregador, queria pagar mais. Ela, empregada, queria receber mais.

Contudo, havia entre as aspirações de cada um de nós um Estado, imenso, gordo, ineficiente, corruPTo, gastador, falido, um abocanhador voraz do dinheiro alheio. Eu jamais a contrataria “por fora”, pois a Justiça do Trabalho é implacável com um empregador levado a juízo – mas ignora os Josés Dirceus que recebem milhões de reais por uma “consultoria” prestada enquanto ele estava na cadeia.

Quem ataca o projeto de lei da terceirização quer que o trabalhador ganhe menos, desde que ele sustente um sindicato de ladrões; essa gente também não se importa que as empresas tenham seus custos majorados, pois eles já acham que empresário é o diabo disfarçado mesmo. E, para piorar, é uma gente estranha, que acha que o Estado é papai e mamãe. Lembram-se da máxima do fascismo de Mussolini? “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado“. Não é apenas mera coincidência, não.

Essa é a “linha de argumentação” dos defensores da CLT e dos sindicatos (que, aliás, recebem a contribuição sindical COMPULSÓRIA, ou seja, é mais um daqueles “direitos” que os empregados são OBRIGADOS a pagar, ainda que o sindicato não faça absoluta e rigorosamente nada por você).

Que gente estranha, né?!