Agências (des)reguladoras

Destaco um texto que trata das agências reguladoras no Brasil, aqui.

Além de todos os problemas inerentes às atividades das agências, a corja de boçais do PT ainda piorou tudo, com o maldito aparelhamento: on “sindicalistas”, pelegos e demais “amigos” do Rei Mulla locupletaram-se no Estado……

Mais Gamecorp

O texto abaixo foi publicado pela Folha de 19/02/2008.

Irritando José Dirceu

EDUARDO GRAEFF

NA FAMOSA reportagem sobre a nova carreira de consultor de empresas de José Dirceu, a revista “Piauí” conta que ele “não guarda ressentimentos de Lula” depois que saiu do governo e perdeu o mandato de deputado. Mas “também se lembrou de situações em que sentiu “pouca interlocução” com o presidente. Uma delas foi quando chegou à imprensa a notícia de que a Telemar injetara R$ 5,2 milhões na Gamecorp -empresa de joguinhos de computador cujo dono é Fábio Luiz da Silva, filho de Lula. Ele recordou uma reportagem na qual Lulinha inventara frases suas e contava que estivera em reuniões das quais nunca participou…

“Para o Lulinha, não importa a verdade”, prosseguiu […] “Ele quer melhorar a história, ele fabula” […] Na ocasião, Dirceu disse ter procurado o presidente, que respondeu: “Você vai ficar enchendo meu saco por causa do Lulinha, Zé Dirceu?'”.
Resumi esse trecho da reportagem num artigo que publiquei aqui em 24 de janeiro (“Vão-se os sonhos, ficam os anéis”). Se Lula perdeu as estribeiras com Dirceu, conjeturei, mais irritado ficará ao ser questionado por beneficiar a empresa que beneficiou seu filho, se, como anunciam, mudar a lei para chancelar a compra da Brasil Telecom pela Telemar.

Passado mesmo ficou Dirceu com meu artigo. Numa réplica publicada aqui em 13 de fevereiro (“Os sonhos estão mais vivos do que nunca”), chamou-me de mentiroso, por me valer de um relato desmentido por ele, e de hipócrita, por criticar seu envolvimento e o de Lula em negócios privados, esquecendo os crimes supostamente praticados pelo governo FHC.
Ante o rebuliço causado por suas declarações à “Piauí”, Dirceu fez desmentido curioso. Não deu o dito pelo não-dito, mas alegou erro de pessoa.

O Lulinha a que se referiu não seria o filho do presidente, mas o jornalista Luís Costa Pinto, que teria “publicado reportagem com declarações minhas, fabricadas, sem ter me ouvido”.

Não levei isso em conta por uma razão: a revista desmentiu o desmentido e reafirmou o teor da reportagem. “Os fatos publicados pela revista correspondem ao que foi relatado pelo ex-ministro à reportagem. No contexto em que foram mencionados, não poderia haver espaço para ambigüidades.” De fato, não dá para entender a súbita aparição de Costa Pinto no meio de um depoimento sobre a relação de Dirceu com Lula.

No artigo na Folha, Dirceu repetiu o desmentido numa versão ligeiramente alterada -e mais capenga. “Erroneamente é associada ao filho do presidente da República […] crítica minha a um jornalista por conta do acompanhamento estapafúrdio que fazia sobre o governo em seu trabalho jornalístico.”

Acontece que Luís Costa Pinto não trabalha em jornais e revistas desde 2002. Abriu uma empresa de consultoria de comunicação, por meio da qual, aliás, prestou serviços ao então presidente da Câmara, João Paulo Cunha, do PT, em 2003 e 2004. O que e onde ele teria escrito sobre o governo Lula para merecer a paulada que Dirceu diz que quis lhe dar nas páginas de “Piauí”? Estapafúrdia parece a história da troca de Lulinhas.

A bronca de Lula, a desconversa de Dirceu têm graça, mas pouco importam. Ruim para o Brasil é o retrocesso que eles estão trazendo às relações governo-empresas, com sua versão requentada dos “anéis burocráticos” da ditadura. A política e a economia do lulo-petismo andam parelhas nessa marcha a ré. As duas desencavam do baú da história, para apresentá-las como grandes novidades, velhas práticas do Estado patrimonial luso-brasileiro e de seu capitalismo politicamente orientado. Primeiro escolhem-se a dedo os parceiros e compõem-se os interesses privados.

Depois o poder público (?) aplica sobre o negócio feito o selo da legalidade. Costumes puídos, sim. Mas cheios das lantejoulas ideológicas da “moral socialista”, da “soberania nacional”, da “libertação popular”. Ah, e tudo para desmontar a suposta herança maldita de FHC. Não pode haver cinismo maior do que invocar essa desculpa no setor de telecomunicações.

Graças às privatizações bem-feitas e à regulação bem concebida e implantada, o Brasil de Lula herdou serviços de telefonia em expansão acelerada, com competição saudável e tecnologicamente atualizados para apoiar a entrada na era da internet.
Preparem o bolso, porque Lula, Dirceu e companhia vêm aí para nos salvar dessa maldição. Sem perguntar aos usuários da telefonia e da internet se precisam ser salvos. Mas de ouvidos e coração muito abertos ao canto de sereia monopolista dos amigos empresários.

EDUARDO GRAEFF , 58, é cientista político. Foi secretário-geral da Presidência da República no governo FHC.

Tucano ou não tucano, não importa.

Os fatos estão aí: uma empresa COMPROU o direito de modificar a Lei para seu benefício.

Para tanto, usou o Presidente da República.

Alguma dúvida de que isso é crime ???

DNA do PT

Recebi este texto por e-mail, do José Daniel. Menos pelos pontos específicos apontados, mas mais pela relexão generalista que apresenta, resolvi publicar. Vale a leitura.

O DNA do PT

Sebastião Nery

O PT tinha acabado de ser criado (10 de fevereiro de 1980). A anistia tinha acabado de ser aprovada, cinco meses antes (28 de agosto de 79). O presidente da República era o general Figueiredo e Lula, fundador e presidente do PT, estava sendo processado pela Lei de Segurança Nacional.

Para conseguir apoio internacional, Lula fez uma viagem à Europa e aos Estados Unidos, acompanhado por alguns dirigentes do partido, como o professor Francisco Weffort, doutor pela Universidade de São Paulo ex-exilado no Chile, onde trabalhou para a ONU, e na Argentina, onde assessorou a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Voltando ao Brasil, Weffort publicou “O populismo na política brasileira”, que logo se tornou um documento básico para a fundação do PT, do qual pouco depois foi eleito secretário-geral, segundo posto do partido depois de Lula.

Lula

1 – “Na Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. Sua agressividade tinha origem: o sindicato alemão que ele representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo (ao sindicato dos metalúrgicos, presidido por Lula) e cobrava do Lula a prestação de contas. Alguém em São Bernardo falhou na prestação de contas e o alemão estava furioso. Lula se defendeu como pôde e dizia que não era com ele, que não sabia de nada”.

2 – “Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO e ali repetiu-se o mesmo constrangimento. Embora não tão agressivos quanto o alemão, os americanos queriam prestação de contas sobre dinheiro enviado a São Bernardo. Mas Lula, de novo, não sabia responder sobre as contas. Ou não queria responder. Não era com ele”.

Weffort

3 – “Nunca dei muita importância a esses fatos. A corrupção, se havia, estaria do lado da ditadura. Saí da direção do PT em 1989. (Quando era primeiro vice-presidente do partido.) E me desfiliei em 1995. (Quando assumiu o Ministério da Cultura, nos dois governos de Fernando Henrique.) Até então era difícil imaginar que um partido tão afinado com o discurso da moral e da ética pudesse aninhar o ovo da serpente”.

4 – “Minha dúvida atual é a seguinte: será que a leniência do governo Lula em face da corrupção não tem raízes anteriores ao próprio governo? A propensão a tais práticas não teria origem mais antiga, no meio sindical onde nasceu o PT e a atual república sindicalista”?

O pelego

5 – “Parece-me evidente que, no momento atual, alguns auxiliares da presidência – Dilma, Jorge Hage, general Felix – foram transformados em escudos de proteção de possíveis irregularidades de Lula e seus familiares. Minha pergunta é: quando virão os dossiês contra Lula e dona Marisa Letícia? Não é este o futuro que deveríamos almejar. Mas, no que vai do andar da carruagem, dirigida por um Lula cada vez mais ególatra e irresponsável, é para lá que vamos, inelutavelmente. Quem viver, verá”.

Tudo isso, e muito mais, saiu em brilhante e desafiador artigo no “Globo”, esta semana, assinado com a autoridade e sob um título de quem conhece Lula e o PT desde o berço: “Lula, o pelego?”.

Os dossiês

Não só Weffort pensa assim. Na “Folha”, a Renata Lo Prete conta:

“A preocupação dos governistas, agora, é manter a oposição longe dos gastos pessoais de Lula e da primeira-dama Marisa Letícia”.

E, no “Globo”, o arguto Ricardo Noblat escancara os números:

1 – “É espantosa a desfaçatez com que o governo nega que tenha alguma coisa a ver (com o dossiê da Dilma). Espantosa, não. Afinal, apenas com despesas consideradas de “interesse da segurança do Estado”, o governo federal gastou R$ 98,7 milhões entre 2004 e 2007. Os gastos foram de R$ 16,9 milhões em 2004 e cerca de R$ 25 milhões em 2006″.

2 – “No ano passado, deram um salto de 42,8%, passando para R$ 35,7 milhões. De R$ 78 milhões gastos em 2007 por 11.500 portadores de cartão, R$ 58 milhões acabaram sacados na boca do caixa, dinheiro vivo!”

Os mestres

Mestre foi Jesus, o “Divino Mestre”. Mestre foi Aristoteles: “Magister dixit”, dizia-se na Idade Média. (“Foi ele quem disse”. Ele, Aristóteles.) E Guimarães Rosa ensinou mais:

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

Não se sabe se Timothy Mulholand, ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília), e Ulysses Fagundes Neto, ainda reitor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), aprenderam a lição. Mas que papelão!

Gastaram o dinheiro público, e logo da Educação!, como se bebessem cachaça no botequim. Aos tragos. Comprando luxarias e bugigangas, misturando os bolsos, confundindo dinheiro nosso e deles.

APARELHAMENTO – definição

A corja PTista é realmente dissimulada até o último fio de cabelo implantado…….

Na TV fala em “democracia”, “igualdade social” e outras pérolas que enganam direitinho os ignorantes.

Na prática, só interessa instalar os sindicalistas, amigos e incomPTentes em geral nas tetas do governo:

Responsável por evitar o desmatamento ilegal no país, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) é um dos órgãos federais com presença mais forte de indicados do PT. Além do presidente do órgão, Bazileu Margarido, o partido indicou 22 dos 28 chefes estaduais do instituto (o Amazonas tem duas superintendências).
A maioria paga “dízimo” -doa uma parcela do salário para o caixa petista. Apenas cinco superintendentes podem ser considerados independentes, enquanto um deles, o chefe em Teresina (PI), Romildo Mafra, é da cota do PMDB.
Um dos membros do comitê, o climatologista Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), afirma que os superintendentes estaduais do Ibama deveriam ser escolhidos por um comitê de buscas, como acontece há quase uma década nos institutos ligados ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia). Para Nobre, esse processo no MCT tem evitado “pára-quedistas” -ou seja, indicados políticos sem conhecimento da área. “O funcionamento dos órgãos ambientais seria melhor e mais efetivo se trouxesse pessoas de melhor preparo.”

Insatisfeitos com a quantidade de indicados do PT no Ibama, os peemedebistas constantemente bombardeiam petistas nos Estados. Em Santa Catarina, o governador Luiz Henrique tenta tirar do posto o petista Luiz Ernesto Trein, que se segura por ter uma madrinha forte, a senadora Ideli Salvatti. Em Mato Grosso do Sul, o PMDB quer tomar o cargo de Nereu Fontes (PT). O indicado seria Waldir Miranda, irmão do deputado federal Waldemir Moka, da cúpula ruralista.
Para arrebatar o Ibama, o PT se aproveita da reserva de ambientalistas em seus quadros. Assim, muitas das indicações políticas têm algum conhecimento na área. A superintendente em São Paulo, Analice Pereira, é um exemplo. Bióloga, chegou ao cargo em 2003 por influência de seu irmão, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. O irmão caiu no “mensalão”, mas ela segue no cargo.
Em 2005, o petista Hugo Werle, então chefe do Ibama em Cuiabá (MT), foi preso pela Polícia Federal na Operação Curupira, sob a suspeita de integrar um esquema com madeireiros para falsificar autorizações de transporte de madeira, facilitando extração ilegal. A suspeita era de que dinheiro de propinas financiasse o partido.
Para o petista Gilney Viana, ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável do MMA, indicações políticas podem ocorrer, mas devem ser exceção. “Parte da burocracia do Ibama tem uma inclinação liberal, e é preciso uma orientação política em alguns casos. Mas a regra deveria ser valorizar a prata da casa”. Procurado, o Ibama não se manifestou.

A matéria é da Folha de São Paulo (aqui, na íntegra para assinantes).

Depois, quando faz-se um escândalo por conta do desmatamento da Amazônia e de outras regiões do Brasil, tem gente que, inocentemente, fica se perguntando “por que será que isso acontece?”.

Ué, se ao invés de colocar pessoas que entendam do assunto nos cargos principais a PTralhada só aloca amiguinhos (sindicalistas, pelegos, sindicalistas pelegos e pelegos não necessariamente sindicalistas, mas ainda assim incomPTentes), era de se esperar o quê ??????