Faturamento do varejo em SP cresceu 4% em 2013. A inflação superou 6%.

Leio na Época Negócios (íntegra AQUI) o seguinte:

O faturamento do comércio varejista no estado de São Paulo cresceu 4,2% no ano passado em relação a 2012, aponta pesquisa divulgada hoje (7/3) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em 2013, a receita com vendas do setor atingiu R$ 513,2 bilhões, o que representa um incremento de R$ 20,7 bilhões. Somente em dezembro, o varejo paulista faturou R$ 52,1 bilhões, um aumento de 3,8% na comparação com igual período do ano anterior. O destaque em 2013 foi a expansão no varejo supermercadista, com aumento real de R$ 5,8 bilhões.

De acordo com a FecomercioSP, o resultado foi superior à estimativa de elevação de 4% no faturamento feita pela entidade. Na avaliação dos economistas da federação, o desempenho do comércio paulista é resultado da adoção de estímulos ao consumo pelo governo federal; redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e eletrodomésticos; linhas de financiamento mais acessíveis no Programa Minha Casa Melhor; e redução de juros às pessoas físicas pelos bancos públicos.

Muita gente vai comemorar esse crescimento.

Muita gente desinformada ou mal intencionada.

Vamos lembrar:

A inflação fechou o ano de 2013 em 5,91%, acima do centro da meta (4,5%) pelo quarto ano seguido. Superou a de 2012, quando o IPCA havia ficado em 5,84%. O Banco Central queria um número mais baixo, tinha como meta informal o resultado de 2012, mas o dado acabou surpreendendo, vindo acima do que os economistas esperavam. A inflação de dezembro, de 0,92%, também veio mais forte, superior ao IPCA de novembro (0,54%).
Os alimentos foram os que mais pressionaram a inflação no ano passado, subindo 8,48%, mais do que a taxa média. Durante o ano, chegaram a registrar alta de 14% em 12 meses, como já falamos aqui no blog.
– Os preços dos alimentos vêm aumentando de forma expressiva nos últimos anos e, embora o resultado de 8,48% de 2013 tenha mostrado certo recuo em relação aos 9,86% de 2012, foi Alimentação e Bebidas que apresentou a maior alta de grupo e exerceu o mais forte impacto no IPCA do ano. Detendo 2,03 ponto percentual, os alimentos foram responsáveis por 34% do índice – explicou o IBGE, em nota divulgada hoje.
São quatro anos seguidos com inflação acima do centro da meta: em 2009, ficou em 4,31%; em 2010, em 5,91%; em 2011, em 6,50%; em 2012, em 5,84%; e em 2013, em 5,91%. (Íntegra AQUI)

A inflação dos alimentos em 2013 superou 10%. Os dados da FecomercioSP indicam que o varejo cresceu, na média, MENOS DO QUE A INFLAÇÃO. Quando um setor cresce MENOS DO QUE A INFLAÇÃO de um determinado ano, não houve crescimento, mas encolhimento/queda.

supermercado

E, como o texto apontou, 2013 foi um ano em que o governo deu pulinhos para tentar injetar dinheiro em diversos setores, com os programas assistencialistas do PT.

Não adiantou.

Tirar as sacolas dos supermercados foi um ERRO ABSURDO

Li, agorinha, esta matéria, que reproduzo na íntegra (publicada originalmente AQUI) e, como de costume, faço grifos:
O vice-presidente de Relações Corporativas do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, classificou como “um erro absurdo” a decisão dos supermercados paulistas de parar de fornecer sacolas plásticas nos caixas. Na avaliação do executivo, a ideia de chamar a atenção do consumidor para o descarte adequado das sacolinhas é importante, entretanto, deveria ter sido melhor estruturada para promover uma mudança de hábito da população. “Quando você quer mudar hábitos de consumo todos os agentes da sociedade precisam sentar e discutir metas de longo prazo”, disse nesta terça-feira (21), durante o Encontro de Sustentabilidade promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.
Hugo Bethlem acredita que a forma como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) conduziu o tema foi errada, pois acabou gerando uma agenda negativa para o setor. “Queremos sair dessa agenda negativa, colocando o consumidor a favor do meio ambiente”, afirmou.
No mesmo sentido, o presidente do Lide, o empresário João Dória Jr, lamentou a execução da proposta do fim das sacolas plásticas. “Às vezes uma boa intenção que não é completa representa um passo atrás”, avaliou.
A distribuição de sacolas plásticas gratuitamente voltou a ocorrer no Estado de São Paulo no fim de junho, quando a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou a medida, válida a partir do dia 28 de junho e em vigor desde então.
Segundo o executivo do Pão de Açúcar, o grupo está fazendo sacolas sem o nome das redes de supermercados e com mensagens de conscientização do consumo, chamando atenção para o descarte adequado. “As pessoas precisam entender a importância do fim da sacolinha. Vamos oferecer alternativas para isso.”

(Por Último Segundo) varejo, núcleo de estudos do varejo, núcleo de estudos e negócios do varejo

Eu cansei de escrever, neste blog, sobre o caso (basta ver a tag APAS).

Em todas as oportunidades, eu escrevi exatamente isso: a proposta de NÃO oferecer sacolinhas para os clientes é BURRA, HIPÓCRITA e CONTRAPRODUCENTE, sob todos os aspectos possíveis e imaginários.
A medida foi reprovada claramente pelos clientes – e a APAS, com sua visão monopolista, ainda assim segue achando que tem que banir as sacolas, sim. A APAS é tão burra que não percebeu que, se continuar insistindo nessa campanha idiota, vai queimar a imagem de muitos de seus membros (os supermercados).

Por que a APAS é tão burra?

Acompanhando, nesta semana, o desenrolar da questão das sacolinhas plásticas nos supermercados de SP (já trato disso), hoje minha grande dúvida é a seguinte: POR QUE A ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS É TÃO BURRA?
Burra mesmo. Não há outra palavra possível.
Primeiro, conforme já mostrei AQUI, fica bastante claro que a população não aprovou a (ridícula e hipócrita) idéia de banir as sacolinhas dos supermercados.
Agora, o Ministério Público concluiu que a ação é ilegal também, na medida em que ela impõe “só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis“.
Trocando em miúdos, a APAS quer que os supermercados façam propaganda enganosa dizendo-se defensores do meio ambiente enquanto o consumidor é quem paga a conta – por algo que ele NÃO aprova.
Finalmente (e agora sim o leitor vai entender porque não existe outra palavra para qualificar a APAS senão “burra”), surge esta idéia brilhante de “vales” para as sacolas retornáveis….
Por que complicar tanto a vida do cliente, APAS?
Por que não voltar ao modelo anterior, com as sacolinhas gratuitas ?
Por que a APAS odeia tanto o cliente?
Transcrevo, a seguir, os trechos mais relevantes das recentes notícias (a íntegra está AQUI).

Os supermercados vão propor que clientes que tiverem que comprar sacolas recebam um vale no mesmo valor da embalagem, que poderá ser descontado numa próxima compra. A medida procura compensar o consumidor pelo fim das sacolinhas plásticas gratuitas. As sacolas vão custar de R$ 0,10 a R$ 0,20, valor que será reembolsado.

As medidas vêm em resposta ao Conselho Superior do Ministério Público, que na quarta-feira concluiu que os lojistas deveriam criar condições para compensar os clientes pela perda do benefício de receber sacolinhas gratuitas.

Na quarta-feira, o Conselho Superior do Ministério Público não aceitou o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado em fevereiro entre supemercados, Procon-SP e Ministério Público que previa o banimento das sacolas plásticas dos estabelecimentos.

Para o conselho, o TAC não garantia o “equilíbrio entre fornecedor e consumidor, no mercado de consumo, impondo só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis”.

Segundo o documento de recusa, nenhum ônus foi atribuido ao fornecedor, “a quem, muito pelo contrário, tem se utilizado da propaganda de protetor do ambiente diante da população”.
OPÇÃO ÀS SACOLINHAS
Em maio de 2011, supermercados e governo assinaram acordo para reduzir a distribuição de sacolas. Desde abril, 1,1 milhão deixou de ser distribuído.

“Caso a proposta não seja considerada adequada, os supermercados deverão oferecer uma alternativa não onerosa ao consumidor para o acondicionamento das compras”, disse, em nota, o Procon-SP.

Procon-SP e Ministério Público devem analisar nesta sexta-feira as medidas apresentadas pela Apas.

Os supermercados que tiverem o mínimo de visão de mercado vão deixar a APAS falando sozinha.
Rapidinho.

[ATUALIZAÇÃO de 25/06/2012]

O supermercados devem voltar a distribuir de graça sacolas plásticas aos consumidores no Estado de São Paulo.
Decisão da Justiça desta segunda-feira (25) determina que sejam tomadas as providências necessárias para o retorno do fornecimento de embalagens adequadas e em quantidades suficientes em 48 horas. Cabe recurso.
A juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital, decidiu que está “proibida a cobrança por embalagens para acondicionamento de compras” e que as empresas têm 30 dias para fornecer, também gratuitamente e em quantidade suficiente, embalagens de material biodegradável ou de papel adequadas, sem cobrar nada.
Em sua decisão, Cristófaro disse que a interrupção da distribuição grátis das sacolinhas “nitidamente onera desproporcionalmente o consumidor”.
Ela ponderou que “é notório que a prática comercial costumeira é do fornecimento do lojista de embalagem para que o consumidor leve consigo as mercadorias que adquire”.
Ela disse que o fim do fornecimento de sacolas pelos supermercados para os consumidores “causou tamanha estranheza”.
Ela deferiu ação civil pública movida pela Associação Civil SOS Consumidor contra a Apas (Associação Paulista de Supermercados) e os supermercados Sonda, Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour.
GRUPO SONDA
O Grupo Sonda de supermercados confirmou nesta segunda a distribuição gratuita de sacolas plásticas biodegradaveis em duas lojas da rede em São Paulo, Pompeia (zona oeste) e a Maria Cândida, no Carandiru (zona norte).
Segundo a empresa, o fornecimento gratuito começou no sábado por conta do alto índice de reclamação dos consumidores. Os gerentes das demais 22 lojas estão autorizados a analisar cada caso e fornecer sacolas.

Segundo o DataFolha, 70% dos paulistanos entenderam a intenção da APAS

A notícia é da Folha de São Paulo (a íntegra é restrita a assinantes, e está AQUI):

Os supermercados deveriam voltar a distribuir gratuitamente as sacolas plásticas para o transporte de mercadorias, na avaliação de 69% dos consumidores.
É o que mostra pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 2 e 3 com 612 entrevistados na capital paulista.
[…] Em janeiro deste ano, 57% dos paulistanos informaram ser a favor do fim da distribuição das sacolas. Na ocasião, foram 1.090 entrevistados nos dias 26 e 27 de janeiro.
[…] Quatro em cada dez entrevistados já desistiram de fazer compras por não dispor de sacolas plásticas para o transporte. Dos que desistiram, 23% disseram que a decisão ocorreu no caixa, na hora de pagar as compras.
“As pessoas só sentiram ‘na pele’ o que é ficar sem a sacolinha agora. Na primeira pesquisa, o tema estava mais recente”
, diz Marlene Treuk, gerente de pesquisas de mercado do Datafolha.
[…] No levantamento, 43% dos entrevistados apontam o interesse econômico como principal motivo para o fim da distribuição gratuita das sacolinhas. Outros 35% acreditam ser por imposição das autoridades. Na opinião de 22%, a decisão está relacionada ao ambiente.
Nove em cada dez entrevistados informaram também desconhecer projetos ambientais desenvolvidos pelos supermercados.
[…] A maioria dos consumidores (75%) afirma não ter percebido diferença de preços nos supermercados após a retirada das sacolinhas. Entre os que notaram alguma mudança, 23% afirmam que houve aumento, e 2%, redução. Em relação às sacolas retornáveis e “ecobags”, 73% dos consumidores informaram ser contra a cobrança.

Basicamente, a APAS quebrou a cara.
Eu posso dizer que alguns supermercados já me perderam como cliente. Coisa simples: se chego ao caixa e não tenho como carregar minhas compras, deixo tudo lá, chego em casa e compro via internet.
Engraçado que quando recebo a entrega da minha compra no Pão-de-Açúcar delivery, recebo vários sacos plásticos BEM MAIS GROSSOS do que as sacolinhas de plástico tradicionais.
O que o Pão-de-Açúcar está dizendo com isso?
Que quando o consumidor tem que carregar as compras, aí a “sustentabilidade” é relevante; por outro lado, quando o Pão-de-Açúcar tem que carregar as mesmas compras, aí foda-se o meio ambiente – afinal, as sacolas plásticas são mais práticas, baratas e higiênicas do que as demais alternativas.
A síntese da pesquisa do DataFolha segue na figura abaixo (clique para ampliar):

Após protocolar uma reclamação junto ao SAC do Zaffari, recebi uma ligação de um funcionário extremamente educado, prestativo etc. Expus a ele o quão burra e hipócrita é esta campanha descabida da APAS, e reclamei porque o Zaffari havia decidido, a princípio, NÃO aderir à babaquice.
Mudou de idéia.
E eu mudei de supermercado.
Mas, na ligação, afirmei que o supermercado que tiver a CORAGEM de priorizar a preocupação com o cliente e voltar a oferecer sacolinhas para seus clientes vai ter uma excelente oportunidade de diferenciar-se.
A pesquisa do DataFolha apenas reforça o que eu sempre disse aqui no blog (ver os posts com o marcador APAS).

Abaixo à hipocrisia e à burrice da APAS (4)

Antes de mais nada, peço ao leitor que veja este vídeo (é curtinho!):

Agora, vou transcrever um trecho de uma matéria (por sinal, muito superficial) que a Folha publicou (cuja íntegra está AQUI):

Por que a Apas vai banir as sacolas plásticas descartáveis dos supermercados?
João Galassi – É demanda da sociedade. Queremos substituir sacolas descartáveis por reutilizáveis. A questão é de mudança de hábito e adequação ao uso de alternativas, como caixas de papelão, carrinhos de feira etc.

A sacola biodegradável custa R$ 0,19. Por que o supermercado não banca a despesa?
Galassi – O ponto é a descartável por uma reutilizável. A de R$ 0,19 é um paliativo em um momento transitório.

Folha – Quanto os supermercados economizarão?
Galassi – Toda a cadeia tem economia. Em São Paulo, será de R$ 200 milhões ao ano, pois 6,6 bilhões de sacolas deixarão de ser produzidas. A sacola de R$ 0,19 será revendida sem nenhuma rentabilidade, com margem zero.

Percebe-se que o Sr. João Galassi, além de expressar-se com uma clareza ímpar, também tem o hábito de mentir.

Primeira coisa: DEMANDA DA SOCIEDADE?????
AONDE????
Como foi que ele chegou a esta conclusão?
Se tem alguém que NÃO foi consultado sobre esta iniciativa hipócrita da APAS foi justamente o consumidor!
Segunda coisa: ele esquivou-se de responder por que os supermercados não arcarão com o custo da tal “sacola biodegradável”. Por quê?
Simples: porque esta campanha hipócrita nada é senão um subterfúgio estúpido para aumentar a margem dos supermercados, ao excluir um custo – as atuais sacolinhas plásticas.
Terceira: ele não soube responder por que o consumidor não perceberá redução nos preços dos itens adquiridos nos supermercados, apenas e tão somente porque esta redução jamais virá.
Dizer que vão investir em “programas de sustentabilidade” significa, em português claro, o seguinte: investirão uns R$ 5 milhões no primeiro ano, apenas em propaganda e comunicação para tentar enganar alguns tolos, fazendo-os acreditar que a APAS e os supermercados estão preocupados com o meio ambiente. O resto, vai servir para aumentar a rentabilidade dos supermercados (nada contra), em detrimento da comodidade e preocupação com o cliente (TUDO CONTRA!).
Trocando em miúdos, o que a APAS está propondo como “solução” para tirar o planeta do sufoco e garantir a “sustentabilidade” é uma ação na qual os supermercados entram com o pé, e os consumidores, com a bunda.


PS – Este vídeo, abaixo, a despeito de conter erros nos cálculos, resume bem o que REALMENTE é relevante nesta campanha que a APAS, hipocritamente, está chamando de “Vamos tirar o planeta do sufoco”:



Abaixo à hipocrisia e à burrice da APAS (3)

Mais um post tratando da campanha de banimento das sacolinhas plásticas em São Paulo – e a APAS resolve usar justamente a data do aniversário da cidade para dar este “presente”…. Irônico, não?!
Alguém aí já ouviu falar em “cavalo de Tróia”????
Bom, tenho trocado algumas mensagens com pessoas favoráveis e outras, contrárias ao banimento das sacolinhas dos supermercados.
Acho cabível esclarecer uma coisa: eu, pessoalmente, não serei MUITO afetado pela mudança, pois tenho o hábito de comprar pela internet – sim, recorro ao Sonda e ao Pão de Açúcar para poder comprar via internet e receber os produtos em casa. Carnes, queijos, enlatados, itens de limpeza, congelados, leite, Coca, cerveja…. Tudo, enfim.
Porém, vez ou outra, passo no supermercado voltando para casa – e, neste momento, o supermercado que não oferecer as sacolinhas para que eu, cliente, tenha a conveniência de carregar minhas compras sem ter que colocar carnes e queijos numa caixa de papelão cheirando a Omo, vai perder o cliente potencial.
Largo tudo no caixa – sem pagar, obviamente – e vou embora.
Não tenho dúvida de que outro supermercado vai me oferecer uma forma (menos burra e menos hipócrita) de transportar minhas compras.
Todavia, esta campanha tosca (que conta com o apoio da Prefeitura de SP e do Estado) tem um toque de tutela na vida do cidadão que me deixa indignado.
Como se não bastasse, ela parte de premissas completamente equivocadas, e pretende sensibilizar pessoas menos informadas alardeando um viés de “defensora do meio-ambiente” que, na prática, não tem.
Não tenho nada contra preservar o meio-ambiente – pelo contrário.
Contudo, não aceito ser tratado como um otário, ou como um burro desinformado que acredita em todas as mentiras (algumas, decerto inocentes; outras, certamente, cheias de má-fé) que a APAS está contando para tentar justificar o injustificável.
Isto posto, acho importante destacar os motivos que sustentam afirmar que esta campanha da APAS é BURRA. Vamos lá:
1) Substituir as atuais sacolinhas pelas sacolinhas feitas de amido (ou qualquer outra matéria-prima) supostamente “sustentável” não vai melhorar a situação dos bueiros entupidos e afins por uma razão simples: QUEM NÃO TEM EDUCAÇÃO SUFICIENTE PARA JOGAR LIXO NO LIXO VAI CONTINUAR JOGANDO SACOLINHAS “SUSTENTÁVEIS” NA RUA. 
A menos que elas decomponham-se em alguns minutos (o que não é o caso – parece que, na melhor das hipóteses, precisam de 2 anos para isso), os bueiros seguirão entupidos. Convenhamos: São Pedro não vai ficar dois anos esperando a decomposição das sacolinhas de amido antes de mandar a próximo chuva que vai sobrecarregar os bueiros entupidos de sacolinhas “eco-friendly”. Ou vai????
A burrice da campanha não reside APENAS no problema da educação, mas isso é crucial.
Se a informação da Folha não estiver incorreta, uma latinha de alumínio demora mais de 1.000 anos para se decompor (íntegra da reportagem AQUI).
Confesso: morando há 36 anos em SP, eu já cansei de ver gente jogando latinhas de cerveja, refrigerante ou qualquer outra bebida em locais impróprios (ruas, praças etc).
Isso é motivo para proibir a venda das latas???????
Me poupe dessa burrice, né, APAS?!

Vamos banir dos supermercados os shampoos e desodorantes vendidos em embalagens de plástico, pneus, sachês de molho do tomate, sacos de açúcar, arroz, feijão, farinha etc ?! Tudo que é embalado em vidro será banido também?

Se a APAS e os supermercados que estão bancando esta campanha hipócrita estivessem preocupados com o meio ambiente, do jeito que estão afirmando, eles fechariam as portas, pois 90% do que vendem causa mais danos ao meio-ambiente do que as sacolinhas – especialmente se a população não tiver a educação e a civilidade de jogar lixo no lixo.

2) No caso dos aterros e lixões: mudar da sacolinha X para a sacolinha Y não vai mudar o fato de não haver, em SP, locais adequados para receber as sacolinhas “sustentáveis”. A mesma reportagem da Folha supracitada informa que estas sacolinhas precisam de 180 dias para virarem matéria orgânica DESDE QUE SEJAM ENCAMINHADAS PARA UMA USINA DE COMPOSTAGEM.
Será que a APAS sabe informar aos clientes dos supermercados quantas usinas de compostagem existem no Estado de São Paulo????
Certamente eles não sabem. Mas eu digo: QUATORZE.
Na cidade de São Paulo, são DUAS.
(Rápido adendo: perto da minha casa havia uma usina de compostagem, que foi fechada por pressão dos moradores da região, devido ao meu-cheiro, ratos, baratas, insetos e afins que perturbavam os moradores; os detalhes estão AQUI. Fim do parêntesis.)

Todo o lixo recolhido no Estado (e na cidade) é levado para estas usinas de compostagem? Não.
Então, se um ecochato-xiita tem sua sacolinha “sustentável” levada para um destino que não tem condições da fazer a compostagem do lixo, tanto faz se ele pagou R$ 0,20 por ela, se ele acha que está protegendo o meio-ambiente etc. Não está.
Trocando em miúdos: foda-se.
O meio-ambiente também se fodeu – mas a APAS não está preocupada com isso.
3) O site da campanha mentirosa, burra e hipócrita da APAS (já dei o link nos posts anteriores, não preciso repetir mais uma vez) afirma que o uso das sacolinhas de amido de milho NÃO irá acarretar aumento do preço dos alimentos que usam milho em sua composição.
MENTIRA.
BURRICE.
BOBAGEM.
Qualquer pessoa que tenha carro flex sabe que nos últimos 2/3 anos o preço do etanol subiu tanto que tem sido mais vantajoso abastecer com gasolina.
Por que isto ocorreu?
Lei da oferta e demanda. Economia pura, simples, elementar.
Conforme aumentou a venda de carros flex, aumentou também a demanda pelo etanol – que era barato até o momento em que houve o aumento da demanda….. Inobstante, o preço do açúcar também aumentou, então muitas usinas preferiram produzir açúcar ao invés de etanol.
Percebe, leitor?!
Estamos falando de um ciclo vicioso. Hoje, devido à baixa quantidade de sacolinhas de amido de milho, ainda não existe impacto na demanda desta matéria-prima.
Porém, caso as atuais sacolinhas plásticas sejam TOTALMENTE substituídas, a demanda pelas sacolas de amido vai explodir (mais até do que no caso do etanol, pois ali havia outras alternativas – gasolina e diesel -, coisa que praticamente não acontece no caso das sacolinhas).
Quando aumenta a demanda por um bem/serviço, o preço deste bem/serviço aumenta também. Se o aumento será diretamente proporcional ou não, vai depender da elasticidade-preço do bem/serviço em questão – mas que vai aumentar, vai.

Vai haver maior demanda pelo amido de milho, o que vai encarecer alimentos que usam amido de milho em sua composição….. Um ciclo vicioso. Resultado: aumento de preços.
O consumidor que hoje aceitar de cabeça baixa a imposição da APAS está assinando um atestado de que está disposto a pagar mais caro pelos alimentos futuramente.
Vou seguir “destrinchando” esta campanha idiota da APAS, em breve.
Por ora, recomendo aos leitores que AJAM.

Como?

PRIMEIRO – No supermercado, EXIJA as sacolinhas (que estão embutidas no preço de todos os produtos que são comprados), sem cobrança adicional. 

SEGUNDO – Assine e divulgue este abaixo-assinado protestando contra esta campanha ridícula da APAS.

E, para finalizar, recomendo a leitura DESTE TEXTO, para refletirmos sobre demagogia, problemas reais, meio ambiente etc. Garanto que a leitura compensa!

Abaixo à hipocrisia e à burrice da APAS (2)

Dando sequência à questão da campanha hipócrita que a APAS desencadeou para que os supermercados deixem de fornecer as sacolas plásticas aos consumidores a partir do próximo dia 25/01, quero tratar do PRINCIPAL problema desta campanha.
Este problema se chama HIPOCRISIA.

A campanha da APAS é HIPÓCRITA.
Entender o porque é bastante simples.

O site feito para defender a campanha tenta fazer com que o visitante do site tenha a impressão de que a APAS e os supermercados estão preocupados com o meio-ambiente e que, como consequência desta preocupação, bolaram a campanha. Bobagem.
Ao abolir o uso das sacolinhas plásticas, a APAS está transferindo TODO O CUSTO  da mudança de hábito para o consumidor. Se a APAS e os supermercados que (eventualmente) aderirem a esta campanha tivessem uma preocupação LEGÍTIMA, VERDADEIRA, eles assumiriam pelo menos metade dos custos (ou pressionariam os fabricantes a usar menos plástico em seus produtos, como alimentos, detergentes, shampoos etc).
O fato é o seguinte: a APAS está usando esta campanha para reduzir um custo dos supermercados – aproveitando-se do discurso de “sustentabilidade”, tão na moda atualmente.

Trocando em miúdos, a campanha consiste em fazer caridade com o dinheiro dos outros! Aí é fácil, né?!

É a mesma coisa que eu dizer para meus vizinhos que temos todos que usar o transporte coletivo para nos locomover em São Paulo – e, depois de “conscientizar” meus vizinhos, pegar meu carro, com ar-condicionado, para ir trabalhar, enquanto o custo de transação/mudança fica para eles, não para mim. Hipocrisia.

Por que a APAS e os supermercados não SUBSTITUEM as sacolas atuais pelas sacolas que eles irão vender a aproximadamente R$ 0,20? Se houvesse produção em larga escala destas sacolas, seu custo sofreria redução natural.

Mas, ao invés disso, a campanha prefere a hipocrisia como cortina de fumaça para reduzir um custo dos supermercados – que nos últimos anos têm sofrido pressões nas suas margens de lucro, inclusive em virtude do aumento na inflação.

A campanha joga todo o custo da mudança para o consumidor, que não terá redução nos preços dos itens adquiridos (o que deveria acontecer, haja vista que os supermercados deixarão de comprar as atuais sacolinhas), e ainda terá que adquirir sacolas para transportar suas compras – isso sem falar na utilização das sacolinhas para acomodar lixo e outras coisas em casa. Ou seja, mais um custo: comprar maior quantidade de sacos de lixo do que antes.

Qual o custo para os supermercados? NENHUM.
A campanha da APAS transfere os custos para o consumidor, usa o discursinho de “sustentabilidade”, aumenta as margens e ainda espera que o otário do consumidor fique feliz, agradeça….

Um recadinho meu para a APAS: eu não sou otário!