Competitividade: Brasil registra sua pior colocação da história

Quero começar por um aspecto agradável: pequenos trechos de uma ótima entrevista com Michael Porter:

Infelizmente, é preciso tratar agora do aspecto desagradável… Primeiro, a notícia que li no Valor Econômico:

O Brasil atingiu a sua pior marca em ranking de competitividade divulgado pelo instituto suíço IMD. Dentre 61 países analisados sob diferentes critérios, o Brasil ficou com a 56ª posição, à frente somente de Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. A piora não é recente: o país perdeu 16 posições no ranking desde 2010. A diferença dessa vez é que a queda foi comandada pelo desempenho da economia. Em seis anos, o índice de competitividade brasileiro caiu 20%, afastando o país das nações mais competitivas do mundo.

“O Brasil tem bons fundamentos, mas está perdendo oportunidades”, diz o porta-voz global da pesquisa, Arturo Bris. “O fato é que o país vai ter que pagar um certo preço para se tornar competitivo”, diz ele em referência a reformas que considera importantes, como a trabalhista. O ‘World Competitiveness Yearbook 2015’, publicado pelo IMD desde 1989, analisa como 61 países criam e mantêm um ambiente que sustente a competitividade de suas empresas, gerando condições para um crescimento econômico sustentável. Aqui no Brasil, a Fundação Dom Cabral (FDC) foi a responsável pela coleta e análise dos dados. No topo da lista de 2015 estão os EUA, Hong Kong, Cingapura e Suíça. Entre os latino-americanos, o Chile se mantém na melhor posição (35º lugar), seguido do México (39º). Entre os asiáticos, o destaque continua sendo a Malásia na 14ª posição, seguida da China, na 22ª posição. Como fatores críticos à competitividade, a pesquisa analisa desempenho da economia, eficiência do governo e dos negócios e a infraestrutura. As maiores perdas do Brasil vieram do desempenho da economia. O crescimento de apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, ao lado da previsão de contração de 1% em 2015, dificuldades em controlar o déficit fiscal e a inflação, cuja previsão é chegar a 8,2% em 2015, contribuíram para a má avaliação.

A inserção do país no comércio internacional é vista como obstáculo, com um indicador de exportação de produtos em proporção do PIB de 9,59%, ante média mundial de 41,44%. A queda das commodities prejudicou o país.
Conhecido gargalo à competitividade, a infraestrutura tem colocado o Brasil há vários anos entre os piores do ranking.
Segundo a pesquisa, a crise hídrica, que vem afetando o abastecimento de energia e de água no último ano, contribui para a queda do país nessa categoria, e o risco de racionamento ainda é um dos principais desafios competitivos ao país.

No quesito infraestrutura tecnológica e educacional, mesmo com os aumentos dos investimentos públicos em educação no último ano, de 5% para 5,8% do PIB, o país ainda ocupa as últimas posições em quase todos os indicadores de percepção da qualidade da mão de obra e da educação técnica e fundamental.

Pois é, o Brasil está indo ladeira abaixo.

Desde 1994 o Brasil está sob a direção de partidos de esquerda – primeiro com a esquerda metida a intelectual chique de perfume francês do PSDB, e depois (a maior desgraça) a esquerda sindicalista que se orgulha da própria ignorância mas tem a mesma prepotência vazia da primeira, com o PT. Ainda que o Fernando Henrique tenha feito algumas coisas boas para a economia do país (Plano Real, Lei da Responsabilidade Fiscal, algumas privatizações etc), foi insuficiente. Contudo, algumas destas ações do FHC criaram inegáveis benefícios, haja vista que a situação do Brasil ANTES do Plano Real era absolutamente medonha – tipo a Venezuela hoje.

Mas o pior foi que logo depois começou um tenebroso período que já dura 13 anos em que o Brasil simplesmente deixou de ter rumos. Com Lulla e, agora, Dilma, o Brasil está completamente perdido. E a crise econômica (e política, e moral, e ética etc) que está crescendo a cada dia só tende a piorar tudo. A ideologia burra da dupla Lulla+Dilma afastou o Brasil do comércio internacional, porque os boçais do PT preferem usar dinheiro do BNDES para financiar ditadores em Cuba, Venezuela e na África, ao invés de financiar empreendedores brasileiros e buscar parcerias com países decentes e de primeiro mundo, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra etc.

2014-02-18 12.05.41

O resultado das desastrosas decisões da dupla Lulla+Dilma está aí: entre 61 países, o Brasil ocupa a 56a. posição, “ganhando” apenas de Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. Aliás, repare, dileto leitor, que os 3 países da América do Sul (Argentina, Brasil e Venezuela) têm mais coisas em comum:

msantoro1978_2015-May-26

Não é coincidência, não: Argentina, Brasil e Venezuela são os únicos países das Américas que terão crescimento NEGATIVO em 2015. Há, nisto, uma combinação de ideologia burra (“bolivarianismo” ou qualquer porcaria equivalene) e incompetência (Chávez/Maduro, Lulla/Dilma e Cristina Kirchner).

Mas por que o Brasil não consegue ser competitivo? O que precisaria mudar?
Há diversas razões, evidentemente. O primeiro passo é tirar essa gente do PT do poder, porque a ideologia tosca impede a tomada de decisões inteligentes (e necessárias). E depois disso?

Um bom começo para entender o que fazer está aqui:

O crescimento no longo-prazo de uma economia pode se dar de duas formas, não excludentes. Em primeiro lugar, através de um aumento na quantidade de insumos utilizados na produção;  um aumento da força de trabalho e maior acúmulo de capital físico (máquinas, estradas, ferrovias, etc) e humano (trabalhadores mais educados e qualificados, que possam fazer uso melhor dos ativos físicos disponíveis) são exemplos  de formas pelas quais isso pode se dar. Em segundo lugar, para uma dada quantidade de insumos, melhores formas de combiná-los induzirão maior produção.

Essa melhor forma de se combinar insumo pode se dar dentro de uma dada empresa – através de inovações em gestão, por exemplo – ou na economia como um todo – o processo de se realocar recursos de atividades menos produtivas para atividades mais produtivas é um exemplo. Ao componente associado à forma pela qual insumos são combinados, numa economia, os economistas dão o nome de Produtividade Total dos Fatores (TFP, na tradução para o inglês).

Qual a importância relativa dessas duas formas de se induzir  crescimento? Embora haja problemas óbvios de mensuração, é possível tentar medir a quantidade de insumos numa economia. Medir a TFP de uma economia, no entanto, é bastante difícil. Entretanto, a taxa de crescimento de uma economia é observável; como também observamos (ainda que de maneira imperfeita) as taxas de crescimento dos insumos utilizados, podemos inferir, portanto, a TFP por resíduo.  O prêmio Nobel de Economia Robert Sollow foi o primeiro economista a tentar decompor o crescimento do produto em crescimento no uso de insumos e variações na TFP. Seu trabalho, publicado em 1957 (“Technical Change and the Aggregate Production Function”, Review of Economics and Statistics) encontrou que uma espantosa fração de 87.5% no crescimento do produto per capita dos EUA deveu-se a aumentos de TFP e somente 12.5% era devido a acúmulo de capital físico. Muitos estudos se seguiram ao de Solow e confirmaram a brutal importância da TFP para o crescimento americano. A importância da Produtividade Total dos Fatores para crescimento não parece ser uma particularidade americana. De fato, Jones e Romer (2010, “The New Kaldor Facts: Ideas, Institutions, Population and Human Capital”) documentam forte correlação entre PIB per capita de diferentes países e TFP; o que sugere que diferenças em TFP são importantes para explicar a variação de PIB per capita entre países. É importante enfatizar que, mesmo incorporando-se medidas de acúmulo de capital humano e levando-se em consideração medidas que captem inovação e investimentos em P&D, o resíduo atribuível a TFP mantém-se alto. Consideremos o caso brasileiro. A Figura mostra, desde o ano da estabilização (1994), a evolução de nossa renda per capita em Paridade de Poder de Compra (PPC) em relação à norte-americana, assim como os quatro fatores que compõe o crescimento, conforme sugerem os modelos econômicos: estoque de capital (máquinas), estoque de trabalho (número de trabalhadores), estoque de capital humano (medido pela escolaridade média dos trabalhadores) e pela TFP. Todas as variáveis estão em relação ao EUA (considerado comumente considerado a fronteira) e foram normalizadas para 100 em 1994.

Em 1994, a renda por trabalhador brasileiro era quase 20% da renda por trabalhador norte-americano. Nos 17 anos até 2011, tiramos um pouco a diferença: em 2011 o trabalhador brasileiro produzia 24%  do que produzia o trabalhador norte-americano. Vemos no gráfico que a diferenças relativa entre os trabalhadores brasileiro e norte-americano diminuiu pouco mais de 20%. De onde veio essa diminuição? Veio, principalmente, da acumulação de capital físico. Em 1994, tínhamos 11% das ‘maquinas’ que os norte-americanos tinham. Em 2011, quase 28%. Em termos relativos, um crescimento de 180% em relação aos EUA. A acumulação da capital humano – medido por uma função nos anos de escolaridade – não fez feio. Em 1994, o brasileiro tinha 54% do capital humano do norte-americano. Em 2011, 67%, ou seja, um crescimento relativo de quase 25%.

Por que o produto por trabalhador cresceu só 21% em relação aos EUA, se o capital humano cresceu 25% e o capital físico astronômicos 180%? Simples: porque a produtividade dos fatores, ou seja, como combinamos  nossos recursos, teve um desempenho pífio. Regredimos. A TFP brasileira, que já era baixa em relação à norte-americana em 1994 (59%), despencou ainda mais, atingindo 48% da produtividade norte-americana em 2011.

Em suma, tudo o que avançamos foi por conta de acúmulo de fatores, seja capital ou capital humano. Na produtividade, fomos muito mal. Ou seja, naquilo que a literatura sabe que é o fator que mais explica a diferença entre países, a TFP, não fomos bem. Por isso avançamos pouco em relação à fronteira, que é os EUA.

Recomendo fortemente a leitura do artigo do Vinícius Carrasco na íntegra, AQUI.

Por um Facebook com menos gatinhos e mais conteúdo

Eu tinha guardado essa matéria da Folha de São Paulo de novembro de 2011, e “achei” numa limpeza de final de semana.

Aproveito para colocar aqui no blog, pois acho uma idéia muito boa – especialmente porque ando farto do Facebook, com todos aqueles gatos, mensagens de auto-ajuda idiotas etc…

Segue a matéria na íntegra, com grifos meus:

Engenheiros fazem ‘tira-dúvidas’ avançado

Criação coletiva de respostas é diferencial desenvolvido pelos fundadores do site Ledface, de ex-alunos da Unicamp

MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

Sites de perguntas e respostas, como o do Yahoo!, são tão antigos quanto a própria internet. Mas eles estão ficando mais sofisticados, com cara de rede social e softwares inteligentes que ajudam a melhorar as respostas.

Na esteira do sucesso do Quora, site de perguntas e respostas de ex-executivos do Facebook avaliado em US$ 300 milhões pelo Goldman Sachs, acaba de entrar no ar o brasileiro Ledface.

Desenvolvido por um grupo de engenheiros formados na Unicamp a partir de doutrinas liberais da websfera como software livre, cocriação e anonimato consciente, o site está em fase beta (pré-lançamento em linguagem web).

Em apenas um mês, e sem divulgação, contabiliza 2.900 usuários cadastrados, sendo 52% do Brasil. O site pode ser acessado em português, inglês ou nas duas línguas ao mesmo tempo. Já são 3.100 perguntas, das quais 71% foram respondidas.

Tem de tudo: de alguém querendo saber se vale a pena comprar um apartamento com varanda “Gourmet” a um fumante buscando ajuda para largar o cigarro. “Não existe pergunta idiota. Se é algo que te aflige, a pergunta é válida”, diz Horácio Poblete, um dos fundadores.

Diferentemente do Yahoo! Respostas ou do Quora, no Ledface a resposta não vem de apenas uma pessoa, mas é construída coletivamente, em um processo de cocriação. As perguntas são enviadas para 50 pessoas que o Ledface acredita serem as mais indicadas. Cada um que entra para responder tem autonomia para corrigir ou aprimorar respostas anteriores.

O Ledface é uma robô mulher. É inspirada na Eva, robô da animação “Wall-E”, da Disney Pixar, que salva a humanidade da destruição.

Cada usuário tem o seu perfil construído a partir de informações subjetivas, como preferência de cores. O perfil evolui de acordo com a interação do usuário.

A tecnologia levou um ano para ser desenvolvida e mimetiza a formação de enxames de abelha.

Com um investimento inicial de R$ 200 mil, bancado pelos sócios e amigos, o site foi um dos três vencedores do Prei (Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação), anunciado na sexta-feira.

A equipe do Ledface não gosta de comparações com o Quora e tem como referência o Vark, site de perguntas e respostas comprado pelo Google por US$ 50 milhões.

A partir do perfil dos usuários, o Vark buscava pessoas mais adequadas para responder a cada pergunta. Chegou a 100 mil usuários. Apesar do sucesso, foi fechado pelo Google no mês passado.

O Ledface deve entrar em operação para valer em 1º de janeiro. “Agora estamos mais preocupados em aprimorar o site e aumentar o grau de retenção [usuários frequentes]. Hoje a retenção é de 18%, a meta é chegar a 20% até o fim do ano”, diz Poblete.

Ele acredita que será preciso 100 mil usuários para a inteligência coletiva do Ledface se tornar abrangente e relevante. O objetivo é chegar a esse número em seis meses.

 

Inteligência coletiva é produzida por anônimos em site brasileiro

Apesar de se enquadrar na mesma categoria de perguntas e respostas do Quora, o Ledface é quase que a antítese do site do americano.

Enquanto o primeiro faz sucesso por atrair celebridades do Vale do Silício, no Ledface a inteligência coletiva (constituída pelo acervo de perguntas e respostas) é produzida por anônimos.

Sócio fundador do Ledface, Horácio Poblete acredita que, sob anonimato, as pessoas ficam mais dispostas a compartilhar conhecimento de forma espontânea.

“O Facebook e o Quora viraram plataformas para fazer marketing pessoal. Ninguém fala o que pensa de verdade, é uma exposição de egos.”

Em um ambiente anônimo, acredita Poblete, uma pessoa que entende muito de determinado assunto, mas não quer se expor, pode contribuir anonimamente com seu conhecimento.

“No Ledface não interessa quem é você, mas o seu conhecimento. Quando as pessoas têm de se identificar, elas não vão revelar suas dúvidas. E elas só vão dar respostas que possam contribuir positivamente para as suas imagens públicas.”

Para evitar a chamada trollagem -gíria para pessoas mal-intencionadas que se escondem no anonimato da web para fazer comentários abusivos-, o programa faz uma avaliação da performance de cada usuário. Quem contribui de forma construtiva, com respostas que satisfazem ou surpreendem positivamente quem perguntou, ganha créditos.

Por conta da rede de contatos de seus fundadores, ex-Facebook, o Quora atraiu gente de peso em seu início.

Se a pergunta era sobre Palo Alto, a resposta viria de ninguém menos do que o prefeito da cidade americana. Até Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, apareceu para responder a perguntas.

Mas o Quora é ainda uma rede fechada. É preciso ser convidado para entrar. “Quando a rede se abrir para qualquer um, a tendência será de queda de qualidade. O enorme conhecimento adquirido pelo Quora até aqui vai acabar se diluindo”, afirma Poblete.

Ele acredita que o anonimato consciente deve atrair mais mulheres para o Ledface. “Elas não entram nessa guerra de egos”, diz ao observar que no maior site de inteligência coletiva, a enciclopédia Wikipédia, 87% dos que contribuem são homens. E eles precisam se identificar e passar pelo crivo de editores.

RECEITA

Para gerar receita, o Ledface pretende atrair publicidade e oferecer versões fechadas para empresas. A ideia é usar a ferramenta para estimular a troca de conhecimento nas empresas, permitindo a interação anônima entre funcionários, passando ao largo de cargos e hierarquias. 

Acabei de me cadastrar no site, e vou fuçar melhor antes de emitir qualquer opinião.

A idéia, porém, já tem meu total apoio!

Mais um besta-seller

Primeiro, um trecho de matéria da Veja desta semana:

Em 1985, o americano Spencer Johnson se sentia no fundo de um vale de lágrimas. “Eu me perguntava: pode haver algum significado para um período ruim?”, diz Johnson (que prefere não revelar os problemas que o afligiam). A provação ajudou-o a amadurecer um projeto que, treze anos mais tarde, o transformaria num dos mais bem-sucedidos gurus empresariais do mundo: o livro Quem Mexeu no Meu Queijo?. Com essa parábola sobre dois ratos e dois homenzinhos que disputam um naco de queijo num labirinto, lançada em 1998, Johnson encontrou uma forma acessível de falar sobre os desafios de se adequar às mudanças.

Dos Estados Unidos à China, o livro vendeu mais de 24 milhões de exemplares (no Brasil, 1,2 milhão). Johnson também credita às dificuldades do passado a ideia que agora, enfim, inspira a sua primeira empreitada original desde a história do Queijo. Picos e Vales (tradução de Alexandre Rosas; Best Seller; 126 páginas; 24,90 reais) pretende ensinar o leitor a tirar o melhor dos momentos ruins. Ele diz que levou 25 anos destilando os conceitos do livro – e calhou de lançá-lo justamente num momento em que o mundo mal começa a sair do “vale” da crise financeira internacional. O autor (e médico) americano é um dos expoentes de uma categoria que desconhece a palavra crise – a autoajuda voltada ao mundo corporativo cresceu e se diversificou nos últimos dez anos. E segue lucrando com a atual turbulência econômica.

“Passar por provações é o que impulsiona o ser humano a crescer”, disse Johnson a VEJA (veja entrevista abaixo). Os cataclismos econômicos fazem com que muita gente busque subsídios para lidar com a nova realidade. Significativamente, um dos maiores sucessos da autoajuda de todos os tempos, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do americano Dale Carnegie, tornou-se popular nos tempos da Grande Depressão, nos anos 30. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, a livraria virtual Amazon registrou aumento na procura por títulos dessa área nos últimos meses. No Japão, um dos países mais seriamente afetados pela crise, Picos e Vales chegou ao topo do ranking de mais vendidos do site nessa área menos de 24 horas depois de seu lançamento.

Em breve, o brasileiro Roberto Shinyashiki também pretende tirar sua casquinha da crise. O tema de seu novo trabalho, A Coragem de Confiar, é o medo – inclusive das tempestades na economia. Só se detecta uma certa ressaca numa vertente desse mercado. No fim de 2007, livros sobre como investir e ganhar dinheiro na bolsa estavam em alta. A crise afugentou os leitores. O brasileiro Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (há 163 semanas na lista de mais vendidos de VEJA), parece ser a proverbial exceção que confirma a regra. “Minhas vendagens caíram, mas nem tanto. É que, ao contrário de muitos autores que pregam o enriquecimento a qualquer custo, sempre defendi a cautela nos investimentos”, diz ele.

A autoajuda, empresarial ou de qualquer natureza, é um campo em que se encontra muita conversa mole. Mas seria um erro descartar esses livros em bloco. Um bom livro do gênero traduz conceitos complexos para uma linguagem acessível, ainda que às vezes simplória. Picos e Vales, por exemplo, recicla um conceito lançado nos anos 40 pelo economista austríaco Joseph Schumpeter: a “destruição criativa”, tese segundo a qual o capitalismo evolui por meio de uma sucessão de crises. “Esses livros cumprem um papel importante, ao despertar as pessoas para os problemas e lhes mostrar caminhos para superá-los”, diz o professor Claudio Felisoni de Angelo, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

A autoajuda empresarial se vale de vários formatos para tanto. Há os autores que investem numa linguagem mais técnica, com recurso ao jargão empresarial. É o caso de Cerbasi e dos americanos Stephen Covey e Robert Kiyosaki. Outros ficam na fronteira entre a autoajuda empresarial e um discurso motivacional genérico – muitas vezes com um pé no esotérico. Aí se incluem Roberto Shinyashiki e o indiano Deepak Chopra (que já viveram dias melhores nas listas de mais vendidos).

A matéria, na íntegra, está AQUI (apenas para assinantes). Vale a leitura.
Mas eu quero comentar um trecho em particular, que assinalei em negrito (vermelho) lá em cima.

Uma vez, numa aula, passei por uma discussão semelhante com um aluno, e outro professor que por lá estava.
Ponto central: o “mérito” dos livros de autoajuda (especialmente aqueles classificados como “autoajuda empresarial” ou “autoajuda corporativa”) seria o fato de permitir que pessoas com menor grau de educação (formal) tivessem acesso a informações “elitistas”. A matéria da Veja aponta na mesma direção, ao citar o exemplo das teorias de Schumpeter.

Vou me permitir, mais uma vez, discordar completamente desse argumento, porque paupérrimo, insólito.
Se a tal “autoajuda empresarial” indicasse que determinada “idéia” apresentada naquele livro foi inicialmente proposta por fulno ou beltrano, a coisa seria diferente.
Mas naquele “monge e executivo” horroroso, o fulaninho que ganha uma boa grana com as vendas pega descaradamente proposições e estudos de terceiros, mas jamais revela ao incauto leitor qual foi sua fonte. Ao leitor fica parecendo que aquelas idéias todas são do tal James Hunter.monge

Isso é enganação pura.
Chama-se PLÁGIO.

Ao agir desta forma, propositadamente ou não, o autor da tal “autoajuda empresarial” está ludibriando o seu incauto leitor.

Para dar um exemplo: há cerca de 1 ano, estive na banca de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de uma aluna, que fez uma monografia sobre o tal “líder servidor” (conceito, segundo ela, extraído do monge e o executivo). Ela acreditou no que o James Hunter escreveu, e tascou na sua monografia algo como “no campo da Administração, a liderança servidora só começou a ser pesquisada na década de 1990; antes disso, não se discutiam questões afins (…)”.

Nem preciso dizer que no momento da arguição, eu perguntei sobre alguns autores/pesquisadores que desde 1920 vêm tratando da liderança.
A aluna, coitada, se enroscou. Ficou claro que ela leu o monge e o executivo, acreditou que o James Hunter era um gênio por apontar tantas coisas relevantes, mas nitidamente a aluna não se deu ao trabalho de pesquisar, na Teoria da Administração (TGA), movimentos como a teoria de relações humanas, teoria comportamental e afins (todas anteriores à Segunda Guerra Mundial).

Se, por outro lado, os tais livros indicassem algo como “olha, caro leitor, nada do que você leu aqui foi idéia minha; se você quiser entender melhor este assunto, procure os livros x, y e z” ao final de cada capítulo (ou página, sei lá), poderia haver algum mérito, afinal.

Contudo, os caras da autoajuda não fazem isso !
Eles simplesmente reunem uma série de obviedades, recheiam com algumas frases motivacionais, uma ou outra vez enriquecem um capítulo com uma frase de alguém sério (como Schumpeter, por exemplo), ou então “explicam” uma teoria básica do Schumpeter (como o exemplo dado pela Veja).

Só isso.

Continua sendo um embuste.

Para não dizer que não falei das flores….

Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação “de negócios” a cultuar Jim Collins – a Management faz a mesma coisa.

Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras “tralhas” perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas – assim como a Exame – a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.

Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame – mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.

Que feio……!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!

Bom, para encerrar qualquer menção a este picareta do Collins, ficam as recomendações de mais algumas leituras, desta vez acessíveis via web: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI eAQUI. Desta forma, vou parar de perder meu tempo com esta fraude, e aproveitar minhas férias lendo BONS livros…..

 

Porque jogar a Você S/A no lixo

Entre aproximadamente 34.745 razões, vou apontar uma que recebi por e-mail.
Como cliente da Elsevier, recebo uma newsletter da editora que se chama “Saiba o que os VIP leêm” ( acento circunflexo no segundo E não é erro meu: o título da newsletter é este mesmo).

Na edição de 28/04, vejo a imagem da capa do livro do Jim Collins (“Good to great”, traduzido como “Empresas feitas para vencer”). Este é aquele livro que apontava a Fannie Mae como uma dessas “good to great”. Fannie Mae é aquela mesma, do escândalo financeiro, que já sugou mais de 200 BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro norte-americano.

Graças à newsletter da Elsevier, descobri o que a Você S/A escreveu sobre o livro do Collins:

“(…) Os cinco CEOs foram unânimes: indicam o livro de Jim Collins porque sugere descobrir o que é necessário para transformar o bom em ótimo e mostra como transformar uma boa organização numa empresa que gera excelentes resultados sustentáveis.Tudo o que precisam saber para ficar no topo.”

Pois é……
O livro é ruim que dói.
Mas pior do que o livro, é esta “crítica” sem noção.
Coisa típica da Você S/A, e lixos adjacentes…..

Paradigmas

Ahn, os PARADIGMAS na Administração…….

Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
Thomas Kuhn, (1922 – 1996) físico americano célebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo (revoluções) que leva à evolução do desenvolvimento científico, designou como paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.

Este é o início da explicação da Wikipedia sobre o termo PARADIGMA.
Contudo, o que a Wikipedia não explica é o seguinte: am Administração, todas as vezes que alguém usa o termo PARADIGMA, você pode ter duas certezas:
1) A pessoa que usou o termo não saberia explicá-lo e discutir o seu significado real;
2) Logo depois de ouvir PARADIGMA, você acabará ouvindo um discursinho babaca, típico dos gurus de auto0ajuda de décima-oitava categoria, que não significa nada, não ensina nada, e não chega a lugar nenhum.

O termo PARADIGMA é uma verdadeira maldição.
Geralmente, quem usa é aquele tipinho tapado – freqüentemente ligado ao RH – que ADORA falar “quebrar paradigmas”.
Não significa absolutamente nada, mas impressiona.

Quer um exemplo ?! Ei-lo:

Havia um rapaz, com um carro muito rápido, que gostava de dirigir em estradas de terra.
Ele se achava um grande motorista e era capaz de tudo.
Um dia ele estava indo por sua estrada favorita, chegando à sua curva preferida, quando saiu da curva um carro derrapando fora de controle.
Logo quando iam se cruzar o carro entrou na contramão.
Quando o carro passou a mulher que estava no volante gritou:
– Porco!!!…

O rapaz que acredita que não deve levar desaforo para casa reagiu e respondeu imediatamente:
– Vaca!!!…

Ele pensou:
– Como esta vaca ousou me xingar? Eu estava na mão certa, ela estava contramão.
Mas se sentiu bem porque devolvera o insulto antes dela ir embora.
Assim ele pisou fundo no acelerador, fez a curva com tudo e qual não foi sua surpresa….atropelou um porco.

Esta é uma história de paradigma.
O rapaz estava reagindo com as regras antigas.
“Você me xinga, eu o xingo de volta”.

Quebrar paradigmas exige ousadia e coragem, pois, pode implicar em uma verdadeira revolução na cultura das organizações.
No ambiente competitivo em que atualmente vivemos, cada vez mais, as mudanças são necessárias, uma vez que ela serve para reordenar prioridades, redirecionar valores, buscar novos focos de interesse e, principalmente, indicar maneiras diferentes de buscar alcançar objetivos e metas.
Se analisarmos o lado paradoxal desta historinha, não podemos imaginar que seja uma rotina modificá-la, porém, simplesmente venerar esta forma arcaica de conduta e não experimentar uma mudança significa um perigo.

Construir diferenciais hoje significa quebrar barreiras, destruir sua zona de conforto, expor novas idéias, criar novas diretrizes dentro da organização, inovar.
Significa deixar as velhas táticas e técnicas e construir uma nova forma de agir e se comportar.

Se pensamos bem a mulher da historinha acima, estava tentando avisar o rapaz do perigo de atropelar o porco.
Com certeza, vamos sempre encontrar pessoas vindas de curvas, cegas, gritando coisas.
Se não tivermos flexibilidade de paradigmas, o que iremos ouvir se parecerão com ameaças.

Esta praga da auto-ajuda – que costuma estar associada à área de Administração, mas não tem nada a ver com aquilo que, de fato, significa a Administração – é pródiga em brindar-nos com histórias, “causos” e outras coisas que pretendem apresentar uma “moral da história”.
Este exemplo acima, eu recebi por e-mail.
Um lixo.

Mas esse tipo de lixo nos infecta.
Há alguns meses, na sala de aula da universidade, ouvi uma pérola calcada na “quebra de paradigmas” também.
O pior de tudo: não foi um aluno que soltou a bobagem, mas uma professora.

Se continuarmos a ter professores universitários que recorrem a estas bobagens, o país continuará sendo dominado por moluscos e inépteis corruPTos em geral.
E o Brasil continuará sendo “o país do futuro”.
Aquele futuro que NUNCA chega…….