Síndrome de Peggy Sue: Lula, Dilma e os militontos engolidos pela verdade

Certas coisas são tão irônicas que dispensam grandes comentários e/ou análises.

Este vídeo, de 1998, é o exemplo perfeito disso:

Veja todas as acusações e reclamações contra o governo FHC e verifique se não poderiam estar TODAS sendo feitas hoje, 2015, contra Dilma. Aliás, TODAS e mais algumas, novas…

Irônico, não?!

Hoje temos um parque industrial DESTRUÍDO, inflação fora de controle, recessão (a pior da história do Brasil, ao que tudo indica até agora), política cambial arrasada, e até mesmo o Plano Real (aquele plano econômico que Lula dizia, em 1994, que jamais daria certo, e, depois de lançado,  fez o possível para sabotar) foi absolutamente devastado pela incompetência da dupla Lula+Dilma…

Enfim, o Brasil está um caco. Terra arrasada mesmo.

Mas os boçais de sempre continuam firmes e fortes, com os dois pés no chão (e as duas mãos também), comendo seu capim e incapazes de perceber a realidade…

Vamos nos divertir com a burrice alheia?! Lá vai:

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Competitividade: Brasil registra sua pior colocação da história

Quero começar por um aspecto agradável: pequenos trechos de uma ótima entrevista com Michael Porter:

Infelizmente, é preciso tratar agora do aspecto desagradável… Primeiro, a notícia que li no Valor Econômico:

O Brasil atingiu a sua pior marca em ranking de competitividade divulgado pelo instituto suíço IMD. Dentre 61 países analisados sob diferentes critérios, o Brasil ficou com a 56ª posição, à frente somente de Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. A piora não é recente: o país perdeu 16 posições no ranking desde 2010. A diferença dessa vez é que a queda foi comandada pelo desempenho da economia. Em seis anos, o índice de competitividade brasileiro caiu 20%, afastando o país das nações mais competitivas do mundo.

“O Brasil tem bons fundamentos, mas está perdendo oportunidades”, diz o porta-voz global da pesquisa, Arturo Bris. “O fato é que o país vai ter que pagar um certo preço para se tornar competitivo”, diz ele em referência a reformas que considera importantes, como a trabalhista. O ‘World Competitiveness Yearbook 2015’, publicado pelo IMD desde 1989, analisa como 61 países criam e mantêm um ambiente que sustente a competitividade de suas empresas, gerando condições para um crescimento econômico sustentável. Aqui no Brasil, a Fundação Dom Cabral (FDC) foi a responsável pela coleta e análise dos dados. No topo da lista de 2015 estão os EUA, Hong Kong, Cingapura e Suíça. Entre os latino-americanos, o Chile se mantém na melhor posição (35º lugar), seguido do México (39º). Entre os asiáticos, o destaque continua sendo a Malásia na 14ª posição, seguida da China, na 22ª posição. Como fatores críticos à competitividade, a pesquisa analisa desempenho da economia, eficiência do governo e dos negócios e a infraestrutura. As maiores perdas do Brasil vieram do desempenho da economia. O crescimento de apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, ao lado da previsão de contração de 1% em 2015, dificuldades em controlar o déficit fiscal e a inflação, cuja previsão é chegar a 8,2% em 2015, contribuíram para a má avaliação.

A inserção do país no comércio internacional é vista como obstáculo, com um indicador de exportação de produtos em proporção do PIB de 9,59%, ante média mundial de 41,44%. A queda das commodities prejudicou o país.
Conhecido gargalo à competitividade, a infraestrutura tem colocado o Brasil há vários anos entre os piores do ranking.
Segundo a pesquisa, a crise hídrica, que vem afetando o abastecimento de energia e de água no último ano, contribui para a queda do país nessa categoria, e o risco de racionamento ainda é um dos principais desafios competitivos ao país.

No quesito infraestrutura tecnológica e educacional, mesmo com os aumentos dos investimentos públicos em educação no último ano, de 5% para 5,8% do PIB, o país ainda ocupa as últimas posições em quase todos os indicadores de percepção da qualidade da mão de obra e da educação técnica e fundamental.

Pois é, o Brasil está indo ladeira abaixo.

Desde 1994 o Brasil está sob a direção de partidos de esquerda – primeiro com a esquerda metida a intelectual chique de perfume francês do PSDB, e depois (a maior desgraça) a esquerda sindicalista que se orgulha da própria ignorância mas tem a mesma prepotência vazia da primeira, com o PT. Ainda que o Fernando Henrique tenha feito algumas coisas boas para a economia do país (Plano Real, Lei da Responsabilidade Fiscal, algumas privatizações etc), foi insuficiente. Contudo, algumas destas ações do FHC criaram inegáveis benefícios, haja vista que a situação do Brasil ANTES do Plano Real era absolutamente medonha – tipo a Venezuela hoje.

Mas o pior foi que logo depois começou um tenebroso período que já dura 13 anos em que o Brasil simplesmente deixou de ter rumos. Com Lulla e, agora, Dilma, o Brasil está completamente perdido. E a crise econômica (e política, e moral, e ética etc) que está crescendo a cada dia só tende a piorar tudo. A ideologia burra da dupla Lulla+Dilma afastou o Brasil do comércio internacional, porque os boçais do PT preferem usar dinheiro do BNDES para financiar ditadores em Cuba, Venezuela e na África, ao invés de financiar empreendedores brasileiros e buscar parcerias com países decentes e de primeiro mundo, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra etc.

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O resultado das desastrosas decisões da dupla Lulla+Dilma está aí: entre 61 países, o Brasil ocupa a 56a. posição, “ganhando” apenas de Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. Aliás, repare, dileto leitor, que os 3 países da América do Sul (Argentina, Brasil e Venezuela) têm mais coisas em comum:

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Não é coincidência, não: Argentina, Brasil e Venezuela são os únicos países das Américas que terão crescimento NEGATIVO em 2015. Há, nisto, uma combinação de ideologia burra (“bolivarianismo” ou qualquer porcaria equivalene) e incompetência (Chávez/Maduro, Lulla/Dilma e Cristina Kirchner).

Mas por que o Brasil não consegue ser competitivo? O que precisaria mudar?
Há diversas razões, evidentemente. O primeiro passo é tirar essa gente do PT do poder, porque a ideologia tosca impede a tomada de decisões inteligentes (e necessárias). E depois disso?

Um bom começo para entender o que fazer está aqui:

O crescimento no longo-prazo de uma economia pode se dar de duas formas, não excludentes. Em primeiro lugar, através de um aumento na quantidade de insumos utilizados na produção;  um aumento da força de trabalho e maior acúmulo de capital físico (máquinas, estradas, ferrovias, etc) e humano (trabalhadores mais educados e qualificados, que possam fazer uso melhor dos ativos físicos disponíveis) são exemplos  de formas pelas quais isso pode se dar. Em segundo lugar, para uma dada quantidade de insumos, melhores formas de combiná-los induzirão maior produção.

Essa melhor forma de se combinar insumo pode se dar dentro de uma dada empresa – através de inovações em gestão, por exemplo – ou na economia como um todo – o processo de se realocar recursos de atividades menos produtivas para atividades mais produtivas é um exemplo. Ao componente associado à forma pela qual insumos são combinados, numa economia, os economistas dão o nome de Produtividade Total dos Fatores (TFP, na tradução para o inglês).

Qual a importância relativa dessas duas formas de se induzir  crescimento? Embora haja problemas óbvios de mensuração, é possível tentar medir a quantidade de insumos numa economia. Medir a TFP de uma economia, no entanto, é bastante difícil. Entretanto, a taxa de crescimento de uma economia é observável; como também observamos (ainda que de maneira imperfeita) as taxas de crescimento dos insumos utilizados, podemos inferir, portanto, a TFP por resíduo.  O prêmio Nobel de Economia Robert Sollow foi o primeiro economista a tentar decompor o crescimento do produto em crescimento no uso de insumos e variações na TFP. Seu trabalho, publicado em 1957 (“Technical Change and the Aggregate Production Function”, Review of Economics and Statistics) encontrou que uma espantosa fração de 87.5% no crescimento do produto per capita dos EUA deveu-se a aumentos de TFP e somente 12.5% era devido a acúmulo de capital físico. Muitos estudos se seguiram ao de Solow e confirmaram a brutal importância da TFP para o crescimento americano. A importância da Produtividade Total dos Fatores para crescimento não parece ser uma particularidade americana. De fato, Jones e Romer (2010, “The New Kaldor Facts: Ideas, Institutions, Population and Human Capital”) documentam forte correlação entre PIB per capita de diferentes países e TFP; o que sugere que diferenças em TFP são importantes para explicar a variação de PIB per capita entre países. É importante enfatizar que, mesmo incorporando-se medidas de acúmulo de capital humano e levando-se em consideração medidas que captem inovação e investimentos em P&D, o resíduo atribuível a TFP mantém-se alto. Consideremos o caso brasileiro. A Figura mostra, desde o ano da estabilização (1994), a evolução de nossa renda per capita em Paridade de Poder de Compra (PPC) em relação à norte-americana, assim como os quatro fatores que compõe o crescimento, conforme sugerem os modelos econômicos: estoque de capital (máquinas), estoque de trabalho (número de trabalhadores), estoque de capital humano (medido pela escolaridade média dos trabalhadores) e pela TFP. Todas as variáveis estão em relação ao EUA (considerado comumente considerado a fronteira) e foram normalizadas para 100 em 1994.

Em 1994, a renda por trabalhador brasileiro era quase 20% da renda por trabalhador norte-americano. Nos 17 anos até 2011, tiramos um pouco a diferença: em 2011 o trabalhador brasileiro produzia 24%  do que produzia o trabalhador norte-americano. Vemos no gráfico que a diferenças relativa entre os trabalhadores brasileiro e norte-americano diminuiu pouco mais de 20%. De onde veio essa diminuição? Veio, principalmente, da acumulação de capital físico. Em 1994, tínhamos 11% das ‘maquinas’ que os norte-americanos tinham. Em 2011, quase 28%. Em termos relativos, um crescimento de 180% em relação aos EUA. A acumulação da capital humano – medido por uma função nos anos de escolaridade – não fez feio. Em 1994, o brasileiro tinha 54% do capital humano do norte-americano. Em 2011, 67%, ou seja, um crescimento relativo de quase 25%.

Por que o produto por trabalhador cresceu só 21% em relação aos EUA, se o capital humano cresceu 25% e o capital físico astronômicos 180%? Simples: porque a produtividade dos fatores, ou seja, como combinamos  nossos recursos, teve um desempenho pífio. Regredimos. A TFP brasileira, que já era baixa em relação à norte-americana em 1994 (59%), despencou ainda mais, atingindo 48% da produtividade norte-americana em 2011.

Em suma, tudo o que avançamos foi por conta de acúmulo de fatores, seja capital ou capital humano. Na produtividade, fomos muito mal. Ou seja, naquilo que a literatura sabe que é o fator que mais explica a diferença entre países, a TFP, não fomos bem. Por isso avançamos pouco em relação à fronteira, que é os EUA.

Recomendo fortemente a leitura do artigo do Vinícius Carrasco na íntegra, AQUI.

Petrobras: corrupção, gestão temerária e prejuízo histórico

Na última Quarta-feira, finalmente, a Petrobras divulgou o balanço de 2014. O assunto dominou a imprensa nas últimas 24 horas. Foram produzidas inúmeras análises superficiais (e erradas), muita fumaça, muita espuma, pouco fogo e nenhum sabão.

Até mesmo o Valor Econômico publicou umas coisas bem ruins. Folha de São Paulo, coitada, está virando uma Caca CaPTal, então nem considero mais. O Estadão teve uma boa cobertura (clique na imagem para ampliar):

Balanço Petrobras 23 Abril 2015

Vou acabar escrevendo sobre os números da Petrobras, mas quero avaliar com mais calma as informações e dados do balanço. Ainda não tive tempo/oportunidade, mas chegarei lá.

Por ora, entretanto, o Antagonista produziu o melhor material sobre o assunto. Disparadamente.

Então, vou reproduzir abaixo alguns trechos. Caso o leitor queira ter um parâmetro, eu escrevi AQUI uma comparação entre a situação da Petrobras em 2002 (último ano do mandato de Fernando Henrique) e 2013 (último ano da gestão temerária do PT em que os dados contábeis estavam disponíveis). Adianto: provo naquele texto que o PT arruinou a Petrobras, sob TODA E QUALQUER ótica que se pretenda utilizar para a análise. José Eduardo Dutra, Sérgio Gabrielli, Lulla e Dilma foram o epicentro da devastação sofrida pela Petrobras. Estes 4 deveriam ser processados e punidos por crime lesa-pátrica.

Sobre o Lulla, especificamente, já começo com o vídeo que O Antagonista publicou:

– Paulo Roberto Costa, sentado ao lado de Graça Foster, representa o desfalque de 6,1 bilhões de reais por corrupção.

– O Comperj, assim como as outras refinarias mencionadas por Lula, de Abreu e Lima a Premium I e II, no Ceará e no Maranhão, simbolizam a desvalorização dos ativos de 44,3 bilhões de reais.

– Dilma Rousseff, presidente do Conselho da Petrobras, encarna aqueles 21,6 bilhões de reais de prejuízo da estatal em 2014.

– O nacionalismo politiqueiro de Lula camufla os 300 milhões de dólares roubados pelo PT para eleger sua sucessora.

Logo depois, O Antagonista explica detalhe por detalhe o caso:

O clipe de Lula no Comperj, reproduzido no post anterior, resume em 1’46” a rapina cometida na Petrobras.

A versão integral do discurso é ainda mais reveladora. É quase uma delação premiada de Lula.

Inicialmente, ele citou as autoridades presentes ao evento. Cinco deles estão sendo investigados pela Lava Jato:

1 – “Quero começar cumprimentando o companheiro Sérgio Cabral”.

2 – “Nosso companheiro Pezão”.

3 – “O ministro Edison Lobão”.

4 – “O nosso querido Paulo Roberto Costa, presidente em exercício da Petrobras”.

5 – “Nosso companheiro Jorge Sergio Machado, presidente da Transpetro”.

Em seguida, ele explicou os motivos daquele evento:

“Eu sei que tem algumas pessoas que estão perguntando ‘por que o Lula já visitou pela terceira vez o Comperj, se ainda a obra não está sendo construída, está na fase da terraplanagem?’ A primeira coisa que tem que compreender é que eu adotei como filosofia de vida aquela de que ‘é o olho do dono que engorda os porcos’. Então, eu tenho que estar presente sempre, para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando”.

Cinco anos mais tarde, as obras no Comperj continuam paradas, mas a filosofia de vida de Lula funcionou: os porcos engordaram um bocado.

Depois de falar sobre seus porcos, Lula disse que sabia da roubalheira em Abreu e Lima. Ele disse também que a roubalheira tinha de prosseguir:

“Se a gente não fica esperto, a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada. Porque se levantou suspeita de sobrepreço em algumas obras. E foi para a comissão do Congresso, a comissão do Congresso colocou no anexo VI, e eu vetei, porque senão teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores”.

Lula esclareceu igualmente que, para engordar seus porcos, a ração teria de ser fornecida pela própria Petrobras:

“O companheiro Paulo Roberto Costa sabe, a Dilma Rousseff, como presidenta do conselho administrativo da Petrobras, sabe, o ministro Lobão, como ministro de Minas e Energia, sabe que, há cinco anos atrás, se dependesse da vontade da Petrobras, não teria nenhuma refinaria no Brasil”.

Outro porco do chiqueiro de Lula, Hugo Chávez, entrou na história:

“Numa visita de trabalho do presidente Chávez, conseguiu a parceria para a PDVSA se associar à Petrobras. Levamos três anos para construir essa parceria, porque a Petrobras e a PDVSA são duas grandes empresas, e duas moças bonitas no mesmo baile, elas sofrem uma concorrência natural entre elas, e nós demoramos muito para construir a engenharia do acordo que, graças a Deus, está pronto e está andando”.

Lula, a essa altura, introduziu o único assunto que realmente interessava:

“São bilhões de dólares, de investimentos. Se a gente for medir só o que a gente está fazendo, a gente vai ultrapassar os US$ 60 bilhões em refinaria neste país”.

E apresentou seus cúmplices:

“Aqui tem muitos empresários do setor da construção civil”.

O juiz Sergio Moro poderia usar o discurso de Lula como prova da Lava Jato. Ele mostra claramente quem era o chefe do esquema.

É isso mesmo: até o momento, o que se sabe é que graças aos delírios nacionalistas burros do Rei Lulla, que segue se achando uma divindade genial mas que não passa de um sub-produto da ignorância e falta de bom senso tupiniquim, um sindicalista de araque que se aproveita de gente mal informada e meia dúzia de deslumbrados sem noção do ridículo, o Brasil retrocedeu e a Petrobras foi desmantelada em prol da corrupção assombrosa que corroeu instituições, processos e pessoas – tudo em prol de um projeto de poder rastaquera, arquitetado por personagens ordinários como José Dirceu, José Genoíno e outros bandidos.

Os 20 anos do Real

Comemorou-se nesta semana o aniversário de 20 anos do Plano Real.

Na tribuna do Senado, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves fizeram bons discursos (que milagre!).

Apontaram, com toda a razão, que o PT sempre foi contra o Plano Real – e, mais do que isso, trabalhou para boicotá-lo.

Provas disso não faltam. Apresento, abaixo, apenas duas.

A primeira: em vídeo, Lulla destila sua costumeira ignorância, e aquela truculência boçal que miseráveis intelectuais confundem com iluminação divina proletária.

A segunda: em texto (publicado na Folha de São Paulo em 12 de Julho de 1994), Guido Mantega mostra que é um economista coerente consigo mesmo, comprometido com sua necessidade de estar sempre, sempre, errado – ele erra de forma constante, inexorável. Guido Mantega está sempre do lado errado, e jamais corre o menor risco de acertar em suas análises e previsões. Por isso, inclusive, segue como Ministro da Fazenda de Dilma. Abaixo, a íntegra do artigo de Guido Margarina, com grifos meus:

Diga-se o que quiser do Plano Real, pelo menos num aspecto ele foi bem sucedido. Conseguiu excitar a imaginação popular e passar a impressão de algo novo e diferente dos planos anteriores.

Os arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas, como o Comitê da Moeda, Banco Central independente, ou a dolarização com conversibilidade, mesmo que nada disso tenha sido utilizado.

Chegaram ao ponto de reinventar os reis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana.

E todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte aperto monetário com taxas de juros estratosféricas.

A parte mais imaginativa do plano, que foi a superindexação da economia pela URV, revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem na conversão para a URV em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia.

De primeiro de julho em diante os salários serão pagos em real, que tem a aparência de ser uma moeda indexada, como se tivesse herdado as virtudes da URV, porém é uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária do real.

A regra de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços.

Com esses artifícios, os preços têm chance de apresentar alguma estabilidade por algum tempo, porque desfrutarão de um conjunto de custos estáveis, como salários, tarifas, matérias-primas importadas, aluguéis e tudo o mais que foi congelado por até 12 meses, sem a aparência de estar congelado.

E aqui também a ilusão funcionou, porque vendeu-se a idéia de que o plano não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, aluguéis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real.

Portanto, mais do que um plano eficiente e bem concebido, o real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar.

Mas não se deve subestimar a eficiência das aparências e dos jogos de prestigiação nas artimanhas eleitorais. As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto, numa repetição da trajetória dos preços por ocasião da implantação da URV, que subiram muito em fevereiro, na véspera da fase dois, elevando os índices de inflação de março, e depois caíram em abril e só voltaram a subir em maio e junho.

A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria quanto uma inflação de 30% a 40% com indexação.

Se tudo isso não fosse suficiente (é!), eis aqui algumas declarações de gente altamente capacitada, verdadeiros intelectuais:

Lula: “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

Marco Aurélio GarciaO Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994). [uma analogia digna da capacidade intelectual deste pilar moral do PT]

Gilberto Carvalho: “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Aloizio Mercadante: “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados: “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

Maria da Conceição Tavares: “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

Paul Singer: “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994). [adoro quando um mendigo intelectual usa e abusa de termos e construções aparentemente complexas e sofisticadas para expressar uma sequência de imbecilidades que não fazem nenhum sentido, nem tampouco têm qualquer fundamento na lógica e na realidade factual]
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).

Gilberto Dimenstein: “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).

Dilma Rousseff: mitômana ou apenas incompetente mesmo?

Não consegui chegar a uma conclusão definitiva ainda: será que Dilma Rousseff, a anta, é uma mitômana ou apenas incompetente mesmo?

Se for mitômana, precisa de tratamento médico, haja vista que é um distúrbio reconhecido. Mas eu desconfio que ela é apenas uma incompetente, uma pobre ignorante, que acabaou no lugar errado.

Senão vejamos estas duas notícias publicadas hoje no Globo:

PRIMEIRA:  Em reunião com a presidente Dilma Rousseff, os líderes e presidentes dos partidos aliados do governo assinaram nesta terça-feira um pacto pela responsabilidade fiscal, no qual se comprometem a não votar projetos que representam aumento de gastos públicos. No documento, os aliados dizem que ações para o equilíbrio fiscal “são imprescindíveis para dar continuidade aos programas governamentais de desenvolvimento sustentável, com distribuição de renda, geração de emprego e inclusão social”, além de garantirem investimentos em infraestrutura urbana, logística e de energia. Os governistas dizem, no documento, que tomaram “a decisão de não apoiar matérias que impliquem, neste momento, aumento de gastos ou redução de receita orçamentárias”. (Leia a íntegra AQUI)

SEGUNDA: No momento em que a presidente Dilma Rousseff se reunia com o Conselho Político no Planalto, para pedir que o Congresso não aprove matérias que impliquem em novos gastos, senadores da base aliada aprovaram a toque de caixa, com urgência pedida por ela, um pacotaço de medidas que inclui a criação de mais uma estatal, a Agência de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) com 130 cargos, além de mais 518 funções comissionadas para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Com o pedido de urgência constitucional, os dois projetos trancaram a pauta e foram aprovados por voto simbólico na frente de outras matérias como o segundo turno da PEC que institui o voto aberto em todas as votações do Legislativo, adiada para amanhã. (…) O impacto da Anater no orçamento de 2014 será de R$1,3 bilhão. O novo órgão, segundo a exposição de motivos da Presidência, terá função similar às empresas estaduais de assistência rural (Emater) e atenderá principalmente os pequenos produtores rurais. (Leia a íntegra AQUI)

O que vemos acima é o exemplo perfeito do desastre chamado Dilma Rousseff.

Ela tomou diversas decisões que, nos últimos anos, aumentaram os gastos do governo (leia detalhes AQUI). Agora ela resolve pedir “responsabilidade fiscal”. Fernando Henrique Cardoso aprovou a Lei da Responsabilidade Fiscal há anos, mas parece que Dilma, a anta, só descobriu essa Lei agora. Mas isso, como se vê, não foi suficiente para impedi-la de criar MAIS UMA ESTATAL, que vai servir de cabide de empregos, vai consumir recursos públicos, e não vai trazer resultado NENHUM.

Isso é a cara do PT!

Honestamente: não sei se esta senhora sofre de uma doença que a faz mentir de forma compulsiva, involuntária, ou se ela é apenas uma pessoa incrivelmente burra, hipócrita, cínica e incompetente.

A desastrosa privatização da gerentona incomPTente

Está cada vez mais difícil ler algo que preste na Folha, mas neste domingo (15) havia uma entrevista com o Affonso Celso Pastore que valia a pena.

De forma bastante clara, didática até, ele demonstra os principais (não únicos) erros que a gerentona incomPTente vem cometendo na economia, citando desde o intervencionismo totalitário e burro (no caso do sistema elétrico, com quebra de contratos e ações mentirosas e populistas, ao pior estilo Hugo Chávez), passando pelo aparelhamento descarado do BNDES e outros bancos públicos, que vem sendo usado para beneficiar apenas e tão somente quem se alinha (por ideologia ou, mais frequentemente, por conveniência) ao projeto de poder do PT, e chegando à perda da competitividade no país.

Reproduzo na íntegra, porque merece:

Folha – O governo baixou o custo do capital, o dólar subiu, fizeram intervenções, tiraram impostos. Ainda assim o crescimento não foi o esperado. As premissas estavam erradas?

Affonso Celso Pastore – Foi a ideia de que o estímulo fiscal produz crescimento. Ou a de que baixar juros liberta o espírito animal. Ou a de que a depreciação cambial melhora a competitividade. Ou a de que, se intervir mais, produz resultados melhores. Esse grau de intervencionismo feito em um setor ou outro, em vez de gerar um setor privado que está atrás do lucro e da eficiência, deixa muito mais eficiente ir a Brasília batalhar pela sua isenção tributária, desde que você tenha o poder político de convencer o ministro, de convencer o presidente. Há algo de profundamente errado nessa política. Chega a absurdos. Por exemplo, para baixar o preço da energia, quebrou-se um contrato. Criou-se uma incerteza para quem investe em infraestrutura. Intervencionismo excessivo leva a desajustes.

O sr. vê uma reavaliação dessa política atualmente?

Quando as coisas dão errado, ou você recua, ou dobra a aposta. A outra opção são ajustes pequenos, sem mudar o curso. Na medida que vai empurrando com a barriga, não tira o desajuste, mas também não obtém resultado. É condenado a ter uma inflação em 6% e pouco, um deficit em conta-corrente em 3%, 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) e um crescimento de 2%, 2,5%. Tem um resultado medíocre e vai levando para ver até onde chega.

Estamos condenados, pela política econômica, a voltar a um crescimento de 3%, com uma inflação em 6%?

Affonso Celso Pastore – Não. O Brasil não está “condenado”, porque cometeu algum pecado, a ter que crescer sempre a 2%, 2,5%. Também não pode crescer 6%, não há mão de obra suficiente. Há uma vedação demográfica. De 2002 para cá, a taxa de ocupação subiu, o desemprego caiu. Agora há um estoque muito menor de gente voluntariamente fora do mercado de trabalho. Caiu na margem a contribuição do crescimento populacional para a expansão da economia. O segundo ponto é que a contribuição da produtividade total dos fatores no Brasil vem diminuindo.

É ela o que mais contribui para o crescimento, não?

Sim, embora você precise também de acumulação de capital. O Brasil, durante o início do governo militar, teve um conjunto de reformas que gerou um período de alta elevação de produtividade nos anos subsequentes, o chamado “milagre econômico”. Depois, houve um segundo ciclo, que começou com a abertura da economia no governo Collor, passou pelo ciclo de reforma monetária do governo FHC, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pelo período de reformas do primeiro governo Lula.

Esses são exemplos de reformas que realmente aumentaram a eficiência, aumentaram a produtividade. Mas o impulso dessas reformas está morrendo, porque nós estamos virando isso de cabeça para baixo. Em vez de acentuar a ida para a eficiência, estamos acentuando a ida para ineficiência. Um dos argumentos do governo é que as licitações vão dar esse ganho de produtividade porque, ao melhorar a infraestrutura, vão baixar o custo.

Eu não tenho dúvidas de que a infraestrutura é absolutamente fundamental para gerar tudo isso. Agora deixe-me falar um pouco sobre a forma como estão sendo conduzidas: o governo não tem dinheiro, então chama o setor privado. Mas ele diz “você tem que dar um passo aqui, outro passo para cá, você não pode sair desse círculo”.

Para elevar a TIR [taxa interna de retorno, medida de rentabilidade de um investimento], o BNDES alavanca com 80%, 90% de financiamento, baixa o custo de capital. Mas isso vira aumento de dívida pública. E tem um subsídio aqui dentro, além de você estar aumentando a dívida bruta para fazer o gasto. Não precisava pôr o BNDES para financiar a infraestrutura se você aceitasse uma TIR um pouco mais alta.

Aqui entra a filosofia do processo: tenho que ficar com o pedágio baixo porque quem usa a estrada é o cara que vota em mim. Se eu cobrar dele na forma de custo da dívida, ele não vai nem perceber. Vai dizer que a culpa é dos banqueiros. Então, eu baixo a TIR, baixo o pedágio, dou dinheiro para o BNDES, aumento a dívida bruta. Isso gera uma carga sobre a sociedade inteira, mas o eleitor está defendido.

A forma como está sendo feita não é a forma correta. Desculpe, é correta para quem tem o objetivo político de se eleger e de usar esse tipo de instrumento para ficar no poder. Mas não do ponto de vista econômico.

O papel do BNDES na sua visão está desvirtuado?

O BNDES não precisava ir ao extremo que está indo. 

O sr. se lembra de algum outro momento da história em que o BNDES tivesse sido usado…

Isso aí? Mas nunca! 

Esse tipo de medida é fruto de um projeto político ou se deve à convicção de que é um modelo que pode levar ao desenvolvimento do país?

As duas coisas. O Lula tinha o mesmo objetivo que a Dilma. O PT tem um projeto de poder para muitas décadas. A Dilma continua no mesmo projeto. Mas o Lula não teve dúvidas em pegar um banqueiro reputado [Henrique Meirelles] e colocar no Banco Central, em escolher um ministro da Fazenda que não levou nenhum economista do PT para trabalhar com ele.

O Antonio Palocci tinha uma característica básica: ele ouvia as pessoas. Ouvia as críticas e não as tomava pessoalmente. Era capaz de processar aquela informação. O Lula tinha pragmatismo. Tinha um projeto de poder, mas não tinha vedação ideológica. Agora compara o atual ministro da Fazenda com isso o que descrevi sobre o Palocci… 

Mas foi o próprio Lula que escolheu o atual ministro…

É, sumiu o pragmatismo. O projeto de poder continua, mas aquele negócio de usar a economia de mercado por conveniência do projeto político mudou. Agora você quer usar o social-desenvolvimentismo. Quer dizer, tem um componente ideológico agora muito maior.

E qual o cenário para 2014?

Está para nascer o candidato que não aumenta gasto público em um ano de eleição. Acho que o superavit primário [economia do governo para pagar juros da dívida] vai para baixo. Acho que essas transferências para o BNDES e para a Caixa continuam. Acho que a inflação fica alta, vai sacrificar a Petrobras, vai sacrificar a energia elétrica para não repassar tudo para o preço.

Há uma pressão que está aumentando sobre o câmbio. Estamos intervindo um caminhão no mercado de câmbio e ainda assim ele está em R$ 2,30. O Banco Central está vendendo muito, algum sucesso ele tem. Mas isso mostra a força que tem para depreciar o real. 

E o que acontece com quem herdar esse abacaxi em 2015?

Descasca e, se não estiver podre, come. O Brasil já pegou abacaxis complicados no passado. Alguém vai ter que suar sangue, suor e lágrimas para consertar isso. Mas tudo é consertável.

Sim, tudo é consertável.

Os problemas, no caso do Brasil, são: (1) a que custo/oportunidade? e (2) quando teremos alguém com capacidade e disposição para consertar tantas (e tão amplas) cagadas que foram feitas pela dupla Lulla+Dilma?

Roberto Campos

Excelente rever esta entrevista de 1997, na qual Roberto Campos fala sobre privatizações (incluindo Petrobras, Vale etc), liberalismo e tantos assuntos que hoje se mostram MUITO piores do que em 1997.

O Brasil regrediu vergonhosamente. Ainda bem que ele não viveu para ver esta desgraça PTralha…

PS: A presença do Marco Aurélio Garcia, vomitando bobagens, não é suficiente para atrapalhar, mas os pitis, a voz esganiçada e as críticas a práticas que o PT acabou abraçando com largo sorriso depois acabam ficando engraçados – ou melhor, PATÉTICAS.