Mais um surto de ignorância do politicamente correto causando polêmica numa propaganda

Está virando rotina: propagandas que pretendem oferecer um toque de humor (não importa se conseguem ou não atingir seu objetivo) acabam virando alvo de militontos do politicamente correto (MPC) – e, com efeito, acabam por desnudar a ignorância atroz destes militontos robóticos, programados para gritar “machista!” (ou “misógino!”, “homofóbico!”, “transfóbico!”, “heterofóbico!”, “racista!”) para qualquer coisa.

Para entender este caso mais recente (a reportagem, da Exame, pode ser lida AQUI na íntegra, e abaixo faço um resumo, com grifos meus):

Uma campanha da Aspirina, da Bayer, está sob intensas críticas nas redes sociais. A peça, inclusive, ganhou um leão de bronze na categoria Outdoor, no Festival de Publicidade de Cannes, que acontece essa semana na França.

Na campanha criada pela agência AlmapBBDO para a Aspirina e para a sua versão com cafeína (CafiAspirina), uma situação é apresentada em duas cores. A cor verde traz uma frase e remete à Aspirina. A cor vermelha, que de certa forma “contraria” a primeira frase, representa a CafiAspirina.

Três frases compõem as peças da campanha:
– “Relaxa, até parece que estou gravando isso” .MP3
– “Calma amor, não estou filmando isso” .MOV
– “Tá tudo bem, não estou anotando nada” .DOC

As siglas finais remetem aos arquivos de áudio, texto e vídeo.

Na internet, as pesadas críticas giram em torno do conteúdo da frase sobre o vídeo, considerada machista. A frase parece descrever uma situação em que um homem grava cenas de sexo com a parceira sem ela saber, mesmo ele negando o fato. Essas “sex tapes” não consentidas (e até as consentidas), muitas vezes, trazem sérios problemas. A pessoa, por “vingança” após o fim do relacionamento, pode divulgar fotos e vídeos íntimos do ex-parceiro na internet.

As outras duas frases da campanha parecem envolver um ambiente político ou investigativo, onde se capta informações confidenciais. Mesmo assim, é difícil entender o significado dos anúncios e o que a marca quis dizer com as cores e as frases. O “CafiAspirina” seria uma versão “mais ousada” da aspirina? Ou uma versão mentirosa? Ou uma versão “mais apimentada”? Um tanto confuso…

Nas redes sociais, Ana Paula Passarelli, coordenadora do curso “Gênero na Publicidade” da ESPM São Paulo, divulgou um post onde critica a campanha, que acabou viralizando.

Na página da AlmapBBDO no Facebook, várias pessoas fizeram críticas:

“Nossa, publicitário tem mesmo que ser estudado. Os caras pagam de entendedores das tendências da sociedade, mas sequer conseguem enxergar o problema que é ter uma peça que normaliza a invasão de privacidade e o revenge porn. Nunca antes houve tanta luta das mulheres e você fazem uma campanha LIXO e MACHISTA dessa, só provando que quem criou isso (e quem julgou também né) não manja nada de sociedade!!!!!!”, escreveu Helen Macedo.

“Que bosta de propaganda. Se orgulham de oprimir mulheres? Que tipo de profissionais são vocês?”, escreveu Zink Mariana.

“Além de misógino, sem graça, não merece nem um leão da Parmalat”, postou Julia Faria.

Outros comentários:

– “Parabéns por fazer gracinha com uma situação onde via de regra uma mulher é exposta, massacrada e execrada. Parabéns por reforçar a Cultura do Estupro e o machismo que a alimenta. Parabéns, parabéns, parabéns, parabéns…”

– “Revenge Porn é crime”.

A agência AlmapBBDO, responsável pela campanha, enviou o seu posicionamento oficial à EXAME.com:

“Com relação à discussão envolvendo o anúncio de Aspirina, a AlmapBBDO esclarece que não houve a intenção de tratar com indiferença abusos de qualquer natureza. Mas entendemos que pode ter havido interpretações diferentes da mensagem que a peça queria passar. A AlmapBBDO repudia a prática de filmagem não consensual e qualquer espécie de violência ou invasão de privacidade. Ficaremos atentos para evitar o problema no futuro”.

Vamos por partes.

1) O primeiro trecho da reportagem que eu destaquei é este aqui:

Na internet, as pesadas críticas giram em torno do conteúdo da frase sobre o vídeo, considerada machista. A frase parece descrever (…)

Repare, dileto leitor, que os dois verbos que eu negritei (CONSIDERADA e PARECE) indicam a total subjetividade da interpretação da frase sobre o vídeo. Parecer é diferente de SER.

Os militontos do politicamente correto (MPC) são treinados para achar preconceito em tudo, até mesmo num “Bom dia”. Eles fazem isso mais uma vez.
A frase foi CONSIDERADA machista, pois PARECE descrever “uma situação em que um homem grava cenas de sexo com a parceira sem ela saber, mesmo ele negando o fato“. Parece descrever é diferente de DESCREVE.

Pois eu, quando vi as peças, especialmente essa da frase em questão, não pensei numa gravação de sexo, não. Eu imediatamente imaginei um casal, e para ser mais específico, imaginei a mulher gravando o marido fazendo alguma coisa trivial, mas sofrendo um “acidente” típico de uma pegadinha – por exemplo, o sujeito vai consertar alguma coisa, trocar uma lâmpada, pendurar um quadro, sei lá, cai da escada e se estatela no chão. A mulher, filmando tudo, garante que não filmou – mas depois o casal vê aquele vídeo constrangedor (para ele, claro!) exibido na TV ou no YouTube (e a mulher ri da cara do marido). Algo leve, bem humorado, sem traumas…

Mas os militontos, por limitantes e limitados, jamais conseguem pensar, são treinados “pavlovicamente” a reagir sempe com seu discurso histérico – e foi exatamente o que fizeram, ao sair gritando que a propaganda estaria fazendo “gracinha com uma situação onde via de regra uma mulher é exposta, massacrada e execrada“.

Mas não para aí: a pessoa é tão limitada, instruída a repetir o discurso batido (e burro) de sempre, que já associa a frase àquela coisa inexistente na realidade mas super relevante para os militontos, a tal “cultura do estupro”: “Parabéns por reforçar a Cultura do Estupro e o machismo que a alimenta“. Essa pessoa, aliás, ainda escreve a falácia “cultura do estupro” em letras maiúsculas – será que é um país, uma cidade ou um nome próprio?

As demais reações mostradas pela reportagem da Exame vão TODAS na mesma linha: são variações sobre o mesmo tema, repetidas de forma bovina. Pavlov ficaria orgulhoso!

Esses limitantes MPC não são apenas chatos e ignorantes, mas revelam-se incrivelmente infelizes: ao invés de imaginar uma situação bem humorada, de cara se jogam na conclusão de que se trata de “revenge porn” ou qualquer coisa que o valha. Essa gente precisa de terapia, não de facebook!

Aliás, por falar na ignorância mastodôntica das feminazi…

2016-06-14 20.42.13

2) O jornalista que escreveu a matéria (Guilherme Dearo) confessou, em diversos trechos, que não entendeu a propaganda. Grifei alguns destes trechos:

As outras duas frases da campanha parecem envolver um ambiente político ou investigativo, onde se capta informações confidenciais.

Mesmo assim, é difícil entender o significado dos anúncios e o que a marca quis dizer com as cores e as frases. O “CafiAspirina” seria uma versão “mais ousada” da aspirina? Ou uma versão mentirosa? Ou uma versão “mais apimentada”? Um tanto confuso…

E a “dor de cabeça” causada pelo “vazamento de informação” seria resolvida com uma simples aspirina?

Se o sujeito não entendeu a propaganda, por que ele não pediu ajuda a alguém capaz de entendê-la antes de redigir a matéria?

O verbo “parecer” na primeira frase destacada mostra que o Guilherme fez uma aposta: pode ser que a frase diga respeito a X, mas também pode ser sobre Y, ou Z, ou W – ou nenhuma das alternativas. Em suma, pode ser isso, pode não ser – não sei!

Mas eu não esperava que um jornalista da Exame fosse capaz de interpretar um texto tão complexo e longo – afinal, há mais de 4 palavras envolvidas.

3) Finalmente, chegamos no trecho que está diretamente ligado ao item 1, e fecha um ciclo:

Nas redes sociais, Ana Paula Passarelli, coordenadora do curso “Gênero na Publicidade” da ESPM São Paulo, divulgou um post onde critica a campanha, que acabou viralizando.

O post da Ana Paula Passareli apenas corrobora o sucesso de Pavlov: AQUI. Ela, professora de uma disciplina chamada “Gênero na Publicidade”, analisa toda e qualquer frase (ou situação) buscando por discriminação, preconceito e afins – mesmo que não haja nada disso. É o equivalente politicamente correto a “procurar pelo em ovo”.

Ela procurou pelo em ovo, a busca reverberou, viralizou no Facebook (bobagens viralizam com uma facilidade impressionante) a empresa e a agência de propaganda, desnorteadas e amedrontadas, recuaram. E assim nasceu mais uma narrativa ignóbil destes tempos sombrios em que as pessoas se deixam levar por narrativas toscas e expressões falsas como “cultura do estupro”.

As pessoas que não conseguem raciocinar e, algumas até com boa intenção mas pouco neurônio, se deixam levar por essas asneiras; depois, saem repetindo a expressão bovinamente. Mais uma vez, Pavlov sorri em seu túmulo.

É triste, ademais, ver uma professora que não sabe usar nem o adjunto adverbial “onde”, tampouco a conjunção “que”:

E pra quem está comentando: “não fala que é video íntimo ou que é um homem filmando uma mulher”.
SÉRIO? SÉRIO MESMO?
Na cultura machista que vivemos, no contexto cultural atual, você ainda vai continuar fazendo análise de mídia sem entender o contexto onde ela está inserida?
SÉRIO?

Insatisfeita em desfilar seus clichês feminazis, a professora ainda faz um jabá para o seu curso na ESPM:

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Aí, fui conferir os detalhes sobre o tal curso, no link que ela indicou. Depois de rolar a página e ver aqueles clichês e chavões de sempre das feminazi (aquilo é um curso ou uma comunidade do orkut?), eis que surge o currículo das professoras, e uma delas (ou um deles, pois não sei se Djamila é homem ou mulher – ou se está em algum dos outros 87 novos gêneros criados no politicamente correto) me chamou a atenção:

Djamila Ribeiro é Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de SP; Membro fundadora do Mapô – Núcleo de Estudos Interdisciplinar em Raça, Gênero e Sexualidade da UNIFESP; Colunista do Blog da Boitempo e do site da Carta Capital.

Colunista do blog da Boitempo?

Colunista da Caca CaPTal?

Desculpa, mas precisava escancarar a natureza do “curso” desta forma?
Essas são as “professoras” que a ESPM anda contratando? Colunista da Caca CaPTal? Blog da Boitempo?
Ok, eu sei que estamos em crise, mas precisa baixar o nível desta forma?

R.I.P educação superior.

2016-06-22 23.36.06

E sobre a propaganda em si?

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Fraca.
Insossa.
Sem graça.
Nas palavras do Tio Sam, “no big deal”.
Não merece, na minha opinião, nenhum prêmio, assim como não merece causar tanto mimimi.

Mas como eu já afirmei diversas vezes, inclusive neste blog (AQUI, AQUI e AQUI, por exemplo), as empresas precisam saber que, hoje, são alvo fácil destes militontos limitantes. Ou elas enfrentam esses grupelhos (extremamente pequenos, restritos, irrisórios, mas organizados e barulhentos, o que causa a falsa impressão de que a propaganda ofendeu milhões de pessoas quando, na verdade, trata-se apenas umas poucas dezenas que muitas vezes nem se ofenderam, apenas precisam repetir o discurso decoradinho), ou elas seguirão presas fáceis para a ignorância do politicamente correto.

As empresas precisam fazer suas escolhas. E devem estar prontas para lidar com as consequências.

Para não dizer que não falei das flores….

Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação “de negócios” a cultuar Jim Collins – a Management faz a mesma coisa.

Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras “tralhas” perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas – assim como a Exame – a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.

Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame – mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.

Que feio……!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!

Bom, para encerrar qualquer menção a este picareta do Collins, ficam as recomendações de mais algumas leituras, desta vez acessíveis via web: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI eAQUI. Desta forma, vou parar de perder meu tempo com esta fraude, e aproveitar minhas férias lendo BONS livros…..

 

Porque jogar a Você S/A no lixo

Entre aproximadamente 34.745 razões, vou apontar uma que recebi por e-mail.
Como cliente da Elsevier, recebo uma newsletter da editora que se chama “Saiba o que os VIP leêm” ( acento circunflexo no segundo E não é erro meu: o título da newsletter é este mesmo).

Na edição de 28/04, vejo a imagem da capa do livro do Jim Collins (“Good to great”, traduzido como “Empresas feitas para vencer”). Este é aquele livro que apontava a Fannie Mae como uma dessas “good to great”. Fannie Mae é aquela mesma, do escândalo financeiro, que já sugou mais de 200 BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro norte-americano.

Graças à newsletter da Elsevier, descobri o que a Você S/A escreveu sobre o livro do Collins:

“(…) Os cinco CEOs foram unânimes: indicam o livro de Jim Collins porque sugere descobrir o que é necessário para transformar o bom em ótimo e mostra como transformar uma boa organização numa empresa que gera excelentes resultados sustentáveis.Tudo o que precisam saber para ficar no topo.”

Pois é……
O livro é ruim que dói.
Mas pior do que o livro, é esta “crítica” sem noção.
Coisa típica da Você S/A, e lixos adjacentes…..

REVISTA EXAME: vendida ao modismo burro

A Revista Exame está pior a cada edição.
Lembro que antigamente (uns 8/10 anos atrás) a leitura da revista era prazerosa, útil.
Gradativamente, porém, tem se tornado uma publicação fútil, praticamente uma Capricho.

Ao longo do mês de Agosto, andei trocando alguns e-mails com a editora da Exame.
Vou reproduzir, abaixo, as conversas.

Mas, antes, a contextualização.
Ao ler um texto da Cristiane Correa, em seu blog (aqui), fiz um comentário (aqui).
A partir deste comentário, ela me respondeu, via e-mail.

Aí começaram as trocas de mensagens, como segue:

24 de agosto de 2008 09:08
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos,

Tudo bem?

Obrigada pela visita ao blog.

Essa autocrítica que vocÊ sugeriu que os jornalistas da Exame façam é algo que tentamos fazer o tempo todo. É possível que às vezes um jargão ou outro passe pelas matérias, mas você não verá funcionário sendo chamado de colaborador pela revista, por exemplo. do mesmo modo que não chamamos “demissões” de “reengenharia”, para citar outro exemplo

Enfim, só queria que você soubesse que tentamos arduamente não sucumbir a esses modismos!

abraço

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Respeite o Meio Ambiente. Imprima somente o necessário.
Planeta Sustentável – O futuro a gente faz AGORA.
http://www.planetasustentavel.com.br
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29 de agosto de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Olá, Cristiane, tudo bem ?!
Agradeço pelo retorno com relação ao comentário no blog.

Aliás, fico feliz em saber disso, porque na minha opinião, a Exame vem perdendo excelentes oportunidades de melhorar.
Sou assinante da revista há anos, e leitor há mais tempo ainda (uns 15 anos, aproximadamente).
E confesso que ultimamente venho perdendo o interesse em ler a revista, inclusive por conta de alguns modismos que a Exame encampa como se fossem verdades absolutas.

Para ficar num único exemplo, destaco uma matéria publicada na Edição de 26/06, que eu comentei no meu blog:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/06/mais-uma-desinformada-desinformando.html

Posteriormente, retomei o tema, aqui:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/07/vale-quer-ser-verde-repercusso.html

Como professor universitário, eu tento mais arduamente ainda mostrar aos meus alunos (dos cursos de Administração, Logística e Marketing) que certos modismos levam facilmente a decisões equivocadas, ou análises estapafúrdias (como esta que a Exame publicou, sobre a Vale).
Mas é difícil, quando uma publicação com a repercussão da Exame abre espaço para modismos e tolices no geral.

Entendo que é difícil controlar todos os detalhes, em virtude de prazos, quantidade de informações e afins, mas fico bastante “aliviado” por ler a sua resposta. Graças a ela, creio que ainda há esperanças !

Confesso que talvez minhas decepções com a Exame tenham aumentado após o lançamento da Época Negócios, que traz análises mais aprofundadas – que eu gosto – do que a Exame, que tenta cobrir maior diversidade de temas, embora muitas vezes isto implique superficialidade no trato das matérias.

Não sei.

Mas tenho visto – em especial ao longo dos últimos 8 meses – uma crescente enxurrada de afirmações ligadas à “sustentabilidade”, por exemplo, que indicam claramente um modismo. Edição após edição, isso se repete. Inúmeras vezes foi afirmado, por exemplo, que os consumidores estão pressionando empresas a lançarem produtos “sustentáveis”, ou adotarem “práticas sustentáveis”, o que simplesmente não é verdade.

Basta analisar com maior atenção as pesquisas que tratam do tema, e quaisquer conclusões sobre o valor percebido pelos consumidores (brasileiros inclusive, mas não só) na sustentabilidade vai por água abaixo.

Isso não deixa de ser um modismo – e a revista não tem mostrado nenhuma indicação no sentido de suplantá-lo; muito pelo contrário.

Desculpe o tom de “desabafo”, mas o seu e-mail me fez acreditar que nem tudo está perdido.

Abraço,

Carlos Eduardo Machado Munhoz
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1 de setembro de 2008 10:08
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos Eduardo,

Tudo bem?

Lamento saber que você vem perdendo interesse na revista…

Tratamos aqui de assuntos que tenham interesse para as empresas. Alguns temas que você considera “modismo” (como a tão falada “sustentabilidade”) para nós são assuntos que estão na pauta das empresas – e, portanto, não devem ser ignorados. Nossa maior preocupação nesses casos é abordar o tema de forma crítica. Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).

Note que não EXAME está longe de ser a única revista a cobrir o tema. Na imprensa mundial, o assunto é abordado frequentemente por publicações respeitadas como Business Week e New York Times. Aqui no Brasil, a maioria das revistas também tem se debruçado sobre o assunto (inclusive nossas concorrentes).

Como disse anteriormente não estamos imunes a erros (ninguém está). Mas perseguimos obsessivamente a qualidade e a exatidão nas informações. Acho que é graças a essa preocupação que temos conseguido aumentar significativamente a circulação da revista – algo raro na imprensa mundial, como você deve saber.

Bom, o canal está aberto. Quando tiver outras observações a fazer, fique à vontade.

abraço

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 – Pinheiros – São Paulo – SP
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9 de setembro de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Prezada Cristiane,

Novamente, ainda que correndo o risco de me repetir, devo dizer que considero a sua iniciativa de dialogar louvável.

Sobre a questão que levantei, envolvendo a “sustentabilidade”, o problema não é o assunto em si, mas o tipo de cobertura que a mídia, no geral, vem dando à questão.

E, neste sentido, a Exame erra tanto quanto outras publicações (http://marketing-room.blogspot.com/2008/09/verdade-ou-apenas-marketing.html).

Em alguns casos, até mais – haja vista que a Exame é uma das mais tradicionais publicações brasileiras sobre negócios. Assim, a revista não deveria cometer “deslizes” que em mídias não especializadas no assunto poderiam passar despercebidas.

Como você afirmou, todavia, o volume de informações a serem “peneiradas” para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam “deslizes” – o que, aliás, é absolutamente compreensível.

A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível.

No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever “desculpem o erro cometido na reportagem da última edição”, e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão.

A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria – e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.

Ademais, o tratamento que a Exame (não só, obviamente) vem dando ao tema é errôneo.

E não tem nada de crítico.

Tomo como exemplo uma outra matéria, da edição mais recente: a reportagem que trata do perfil da executiva Patricia Woertz não tem NADA a ver com sustentabilidade – e, ainda assim, é apresentada sob o título “sustentabilidade”.

A matéria trata (muito bem, aliás) do interesse de uma empresa de grande parte por novas fontes de energia – uma questão, indiscutivelmente, relevante no momento. Contudo, a leitura da matéria não tem relação alguma com “sustentabilidade” – e, aliás, o termo propriamente dito aparece uma única vez, citado de forma breve e superficial. O que, por sinal, faz todo o sentido, pois a matéria é sobre a pessoa que comanda uma empresa gigantesca do agronegócio.

Por que, então, apresentar tal matéria (repito: interessantíssima) sob a rubrica “sustentabilidade” ?

Não seria mais adequado “agronegócio” ou algo do gênero ?

Já li inúmeras outras matérias, na Exame, que “forçam a barra” para tratar do assunto.

E é justamente este o problema dos modismos: eles são, via de regra, cercados por afirmações que extrapolam o limite do aceitável, do razoável….

Freqüentemente vejo afirmações e indicações que indicariam uma suposta “pressão” por parte dos consumidores para que as empresas sejam “sustentáveis” – isso simplesmente é mentiroso.

Em alguns países europeus há, sim, uma pequena parcela de consumidores EFETIVAMENTE preocupados com isso, capazes de deixar de comprar um produto/serviço de uma empresa que polui o ambiente ou desrespeita certos preceitos “sustentáveis”; contudo, mesmo em países como Alemanha ou França, são apenas um nicho.

No Brasil, por outro lado, o número é tão pequeno, tão ínfimo, que sequer caracteriza um nicho…

Reitero: não estou sugerindo, nem remotamente, que as empresas devem destruir o meio-ambiente.

De forma alguma.

Agora, o tratamento da questão merece maior cuidado, justamente para não banalizar um tema tão relevante !

Peço sua licença para me alongar um pouco sobre isto.
Além de trabalhar prestando consultoria de marketing, sou professor universitário.
Em ambas as carreiras, sinto a importância e a credibilidade da Revista Exame.

Talvez seja até surpreendente (para mim, foi), mas já tive incontáveis exemplos de alunos que comentam as matérias e notícias publicadas na Exame, e, portanto, tenho a chance de, vez ou outra, discutir algumas matérias da revista em sala (nas aulas de marketing).

Nestas discussões, vejo que alguns alunos acreditam piamente nas afirmações da Exame, e sempre acabam “decepcionados” quando alguns mitos são derrubados.

Graças a um questionamento de um aluno meu, escrevi este post no blog: http://blogs.abril.com.br/munhoz/2008/09/marketing-ambiental-uma-bobagem.html

Ele questionou a terminologia “marketing verde”, e me enviou alguns textos que localizou na web. Escrevi uma resposta mais detalhada para ele, mas usei trechos para redigir este post no blog.

No ano passado, uma aluna leu uma matéria sobre um chinelo da Alpargatas ou Grendene (não me recordo ao certo), que levava a “assinatura” da Gisele Bündchen. Ela estava com a edição da Exame em mãos, havia lido a matéria, e levantou a discussão em sala, justamente quando tratávamos de gerenciamento de marcas.

A matéria apontava que o grande diferencial da tal sandália era a “responsabilidade social”, pois o modelo acabaria gerando alguns benefícios para uma tribo indígena da Amazônia.

A matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a “responsabilidade social” das empresas.

Para testar o que a matéria afirmava, peguei a revista da mão da minha aluna, e perguntei qual era o nome da tribo indígena que seria beneficiada com o novo produto, chamado pela Exame de “socialmente responsável”.

Minha aluna não lembrava.

A única coisa que ela lembrava era da “marca” Gisele Bündchen.
Com isso, questionei a sala (inclusive esta aluna, obviamente), se o que diferenciava o produto, no recall dos consumidores, era o nome (e imagem) da super-model ou se era a ação “social” junto aos índios. A conclusão foi óbvia.

E as afirmações na matéria da revista, na seqüência, viraram descrédito.

Dito isso, faço SINCEROS votos de que a Exame continue com esta visão de melhoria contínua.

Lembro que 10 anos atrás eu “devorava” a revista assim que a recebia, tamanho era meu interesse pelo conteúdo. Atualmente, às vezes a revista fica dentro da embalagem original por até um mês, isso quando não acumulam-se 3 edições “encapadas”.

Fruto do meu receio de abrir a revista e ler afirmações descabidas, apresentadas como “verdades inquestionáveis” quando, na realidade, poderiam ser qualificadas no máximo como um “desejo inconsciente” (de que o consumidor brasileiro realmente deixe de comprar um produto “poluente”, e pressionando as empresas de forma constante pela melhoria – o que nos permitiria falar em “desenvolvimento sustentável”, na acepção mais ampla e abrangente possível).

Nada contra este desejo.
Desde que, no afã de torná-lo realidade, não sejam feitas ilações e deturpações da realidade.

Atenciosamente,

Carlos Eduardo Machado Munhoz
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10 de setembro de 2008 09:34
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos,

Em nenhum momento afirmei que “o volume de informações a serem “peneiradas” para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam “deslizes”, como vc escreveu abaixo. Disse apenas que não somos infalíveis (aliás, me procupa a distorção que vc fez das minhas palavras).

Quanto à matéria da ADM, imagino que vc saiba que investimentos em energias alternativas, que tendem a substituir o uso das poluentes energias fósseis estão relacionados à questão de sustentabilidade. É por essa razão, absolutamente pragmática, que a ADM está fazendo esse investimento.

No caso da matéria envolvendo a Gisele Bündchen, talvez vc não a tenha lido por inteiro. A reportagem justamente questionava a busca exagerada das empresas por uma imagem ecologicamente correta. Um dos casos abordados era o da Grendene. Vc diz que a “matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a “responsabilidade social” das empresas”.

Lamento, mas isso não está escrito lá. Ao contrário, está escrito que a ação não se tratava de “bom-mocismo” e que a Grendene lucraria com ela. Óbvio que a imagem de Gisele teve apelo. Mas note que por causa da ação, a empresa lançou até uma linha de sandálias com desenhos indígenas. A matéria aponta que foi isso que fez as vendas decolarem.

Atenciosamente,

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 – Pinheiros – São Paulo – SP
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10 de setembro de 2008 16:13
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Cristiane,

Você está confundindo a matéria sobre a Grendene.
Você se refere a esta aqui: http://portalexame.abril.com.br/static/aberto/gbcc/edicoes_2007/m0144123.html
Eu me refiro a uma que saiu no primeiro semestre de 2007 (não tenho a edição em mãos, mas guardei a cópia que minha aluna me deu).

Quanto às energias “alternativas”, me perdoe, mas nenhuma empresa está buscando estas alternativas graças à poluição dos combustíveis fósseis. Trata-se apenas e tão somente do custo monetário, aliado ao esgotamento iminente das reservas de petróleo. Isto sim é pragmático.

Se distorci suas palavras, peço desculpas. Não foi minha intenção.

Bom, depois disso ainda não tive tempo de procurar a matéria que a minha aluna apontou, numa aula, e que eu mencionei.
Mas irei procurar. Eu lembro claramente que guardei esta edição, que continha a reportagem, para citar novamente, em outras aulas. Mas terei que fazer uma busca na pasta de 2007.

Contudo, o ponto crucial é outro.
A matéria da Exame sobre a Vale do Rio Doce estava errada.
No e-mail, a editora da revista assumiu isso: Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).

Ao que eu respondi: A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível. No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever “desculpem o erro cometido na reportagem da última edição”, e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão. A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria – e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.

Este, sim, é o ponto !
A revista errou (feio demais), e não corrigiu.
Quem acessar o site da Exame e buscar a matéria, continuará acessando um texto equivocado.

E, desta forma, propaga-se o desconhecimento.

Estimula-se o modismo burro.