Desmatando mentiras

Desde a divulgação dos dados sobre desmatamento na Amazônia (maiores detalhes aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o que se tem visto é um rasteiro e vagabundo joguinho de empurra-empurra entre membros do (des)governo PTralha. Basta uma rápida consulta no Google Notícias, e serão listadas centenas de matérias publicadas recentemente, tratando deste tema – sem falar da repercussão internacional.

Divertido, quando se relembra que o PT, enquanto aproveitava as vicissitudes oposicionistas, sempre criticou duramente a suposta “entrega” da Amazônia para estrangeiros, a falta de controle do governo brasileiro sobre o desmatamento e afins.

Mas um dos melhores textos que li sobre o assunto é do colunista da Veja, André Petry (na íntegra, aqui). O texto pode ser resumido, mais ou menos, assim:

Quando cai a taxa de desmatamento da Amazônia, a ministra Marina diz que é obra do governo eficiente.
Quando aumenta o desmatamento, aí é culpa do preço do boi e da soja.
Não é uma delícia?

O texto vai além, e acerta em cheio: como a distorção da verdade, por parte do (des)governo PTista, em geral, acarreta problemas:

O brutal aumento do desmatamento da Amazônia ceifou 7 000 quilômetros quadrados de floresta no segundo semestre do ano passado e arrancou a raiz das bravatas da ministra Marina Silva. Em 2004-2005, quando o desmatamento caiu 31%, a ministra garantiu que o saldo era resultado do trabalho do governo, e não uma decorrência dos preços baixos do boi e da soja – atividades que costumam avançar sobre a floresta. Em 2005-2006, com nova queda, desta vez de 25%, a ministra comemorou o sucesso e voltou à carga. “Seria simplismo e reducionismo achar que o que aconteceu foi por causa do preço das commodities.”

A platéia sempre foi informada pela ministra de que a floresta estava ficando de pé porque o Ministério do Meio Ambiente era eficiente e implementava políticas públicas na direção certa, e não porque o boi e a soja estavam baratos, o que certamente desestimulava sojicultores e pecuaristas de comer um pedaço da floresta. Agora, com o anúncio do recorde no desmatamento, adivinha de quem é a culpa? Do boi e da soja. Eis o que disse a ministra na semana passada diante do desastre: “Esperamos conseguir conter o desmatamento mesmo com o aumento do preço das commodities”. Não é uma delícia? Quando o desmatamento cai, é obra do governo eficiente. Quando aumenta, é culpa do preço do boi e da soja.

Marina já fez pior. Em entrevista em setembro de 2005, a ministra deu pormenores do sucesso do seu trabalho. Disse que havia uma previsão naquele ano de que o desmatamento cairia entre 50% e 60% no Pará. E para ressaltar a importância do trabalho ministerial explicou que, no Pará, boi e soja eram desimportantes. “Lá a influência das commodities não é tão relevante como é em Mato Grosso.” Agora, o Imazon, respeitada ONG que trabalha na Amazônia, informa que o desmatamento disparou justamente no Pará. Só de outubro para novembro, a ação da motosserra aumentou 300% no Pará. Quer dizer: no peculiar raciocínio da ministra, o desmatamento aumentou onde o preço das commodities não é tão relevante e, no entanto, esse aumento se explica justamente pelo preço das commodities.

É óbvio que boi e soja não esclarecem tudo. Não são os únicos responsáveis por derrubar árvores ou mantê-las em pé. Há outras causas que confluem para um resultado positivo ou negativo. O discurso da ministra esconde isso e distorce a realidade, desviando-a para o que lhe convém.

Isto é uma tradição do (des)governo PTista: se há algum problema, qualquer coisa ruim, a culpa é da mídia golpista, da “herança maldita” deixada pelos governos anteriores, dos especuladores, dos imperialistas norte-americanos etc…… Nesta hora, não faltam culpados. Porém, quando há uma boa notícia, ainda que minúscula, repentinamente ela representa nada além da indubitável e inexorável competência das ações, medidas e planejamento do PT……. Tem que ser muito burro – ou muito desinformado – para cair nesse conto do vigário……!

Necessário registrar uma obviedade: TODOS os partidos políticos brasileiros adotam este “princípio”. Uns, entretanto, de forma menos enfática do que o PT – que, de resto, sempre se colocou no lugar de paladino da verdade, da ética etc.

Neste caso específico da Amazônia, todavia, alguns aspectos particulares me chamam a atenção.

A mídia, em geral, tem ajudado e muito na divulgação da idéia de que o etanol brasileiro é o futuro – não apenas devido à crise (permanente) do petróleo, mas também pela ótica da proteção ao meio ambiente: afinal, o etanol é anunciado pelo próprio Rei Mulla como “energia renovável” e todo aquele blábláblá. As campanhas publicitárias bancadas pelo governo federal, aliás, destacam esta “virtude” do etanol brasileiro: a campanha transmite explicitamente a idéia de que o etanol brasileiro é muito melhor para o meio ambiente não apenas pela menor poluição (em comparação aos derivados do petróleo, especialmente a gasolina), mas pelo fato de ser “sustentável” em longo prazo.

Sobre este aspecto, em particular, duas observações:

1) O secretário de Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, disse ontem que a secretaria já havia identificado um aumento no desmatamento no Estado a partir de outubro de 2007. Segundo Ortega, a utilização das terras das regiões Sudeste e Centro-Oeste para o cultivo da cana e de soja empurrou a pecuária para a região Norte. “Com base nos dados do censo agropecuário do Ministério da Agricultura, percebemos que a pressão para o uso da terra nas região centro-sul do país com o cultivo da cana, que é uma commodity valorizada, empurrou a expansão da pecuária para o Norte”, disse. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) disse por meio de sua assessoria de imprensa que o governo “está comprometido com a contenção e com a redução dos níveis de desmatamento”. Carepa anunciou que irá lançar em fevereiro um “Plano Estadual de Combate ao Desmatamento”, articulado com as políticas do governo federal.

Esta reportagem é da Folha de São Paulo (aqui), e torna-se interessante porque parte justamente de uma governadora do próprio PT (do Pará) a associação entre o plantio de álcool e o aumento da devastação da Amazônia….. Mas péraí: então o aumento do consumo de álcool contribuiu para o desmatamento da Amazônia, segundo o PT, ou o aumento do consumo do álcool é uma ação que protege o meio-ambiente, segundo o PT ?!

Nem mesmo entre eles há nenhum consenso !!!!!!!!!!

2) Um documentário do canal Bloomberg, que trata das condições de trabalho que cercam a produção do álcool brasileiro:

Os detalhes sobre este documentário estão no site da Bloomberg, aqui (em inglês), numa matéria intitulada Ethanol’s Deadly Brew

O sub-título da reportagem é contundente: Thousands of Brazilian sugar cane workers are injured and scores die each year in the rush to produce a fuel that Presidents Bush and Lula celebrate as a path to energy independence.

E assim o PT continua a distorcer a realidade apenas para fazer propaganda (enganosa) capaz de lhe manter como uma escolha razoável na mente de milhares ou milhões de pobres coitados, desinformados e incautos.

Retrospectivas e Perspectivas

Todo início de ano, a mesma coisa: retrospectivas do ano anterior, e promessas e avaliações para o vindouro. Nenhum problema até aí. Dependendo dos resultados da retrospectiva e das perspectivas, claro !Por coincidência, uma das últimas newsletter que recebi em 2007 (para ser mais preciso, no dia 27 de Dezembro), tratava justamente das perspectivas do Brasil diante da Economia mundial. A newsletter da Wharton Knowledge (da Wharton School, nos EUA), disponível AQUI e AQUI, trata do Brasil sob duas óticas distintas, conquanto complementares. Ambas são interessantíssimas e merecem uma leitura.

A primeira matéria, trata da Economia como um todo, e analisa os países do bloco “BRIC” – Brasil, Rússia, Índia e China. O texto é elogioso (como, de resto, costumam ser as análises publicadas nas newsletters da Wharton), superficial, mas ainda assim ajuda a mostrar o tipo de visão que acaba sendo formada do Brasil no exterior. Vale como curiosidade.

Um trecho, que comento na seqüência:

For more than 20 years, Brazilian capital markets were characterized by protectionism and underdevelopment. Following the improvement in the economy, capital markets began to modernize. Lately, Brazil has been benefiting from a favorable external environment. On a global level, it has significant liquidity. In a broad range of financial markets, prices have risen at a brisk pace and the country has growing economic ties with developed economies. Internally, its monetary policies have enabled it to control inflation, now between 3% and 4%. As a result, interest rates are trending downward. Economists anticipate that rates will drop to 9.5% by 2009 from their current level of 12%. “Brazil is a country where you have to be,” says Pampillon. For his part, Martinez-Lazaro notes that Brazil “has gone from being a country of the future to becoming a country of the present.”

Macroeconomic stability as well as widespread expectations that Brazil will play a growing role in the new global economy are turning the country into a very attractive destination for foreign investors. “There is a surplus in the trade balance, in exports,” notes Pampillón. The same thing is happening in the stock market where there has been a “spectacular jump,” he adds.

Barely four years ago, the largest Latin American stock markets were on the black list of investors in emerging markets. The economic crisis in Argentina, along with the arrival of Lula as president of Brazil, frightened away capital investment. The profits offered by Brazil,Argentinaand Mexico could not compete with those in Asian markets. But the situation has changed. Analysts say that the rise of Latin American markets can be explained by the favorable international environment. “The exchange rate is variable. If global economic conditions change and Brazil doesn’t attract enough foreign capital, the exchange rate will adjust, which will lead to adjustments in the country. Now that it is a country on the rise, the exchange rate has gone up and continues to be strong,” Pampillon says.

Interessante a leitura….. Mais interessante ainda quando a leitura é feita à luz das informações que temos aqui no Brasil – e, geralmente, analistas estrangeiros raramente conhecem. As análises (politicamente corretas) partem de um tom elogioso às decisões econômicas adotadas pelo Rei Mulla, e acabam elogiando também a democracia das instituições brasileiras.

Ótimo !!! Pena que o texto esqueça-se de mencionar (bom, na realidade ele nem se pretende prestar a fazer uma análise histórica, é apenas um texto superficial publicado numa newsletter pouco aprofundada) que todas as “vantagens” citadas (incluindo a PRIVATIZAÇÃO) sempre foram, ao longo de 20 anos, criticadas duramente pela corja PTista. Alguns setores mais sectários, aliás, continuam criticando-as veementemente – vide a ridícula campanha sobre a re-estatização da Vale (aqui, aqui e aqui), ou mesmo questões como concessão de rodovias e serviços de telecomunicações, além das tradicionais bravatas dos CRIMINOSOS E BANDIDOS do MST (aqui, aqui, aqui e aqui).

Obviamente, isso não impede que Rei Mulla, hoje, colha os frutos. Afinal, o grande mérito dele (sim, eu acho que existe ao menos um!) foi e continua sendo o fato de não ter feito rigorosamente NADA.

Manteve a política econômica do FHC (aquela mesmo que tanto criticou), manteve o fisiologismo descarado no trato com o Legislativo, manteve tudo o que fora iniciado pelo FHC…. Ameaçou, pontualmente, descumprir uma coisa ou outra, mas, no geral, manteve tudo. Mérito maior, registre-se, do médico-ministro Palocci e do medo que os incomPTentes sempre tiveram do poder.

Brigaram, por 20 anos, para chegar ao poder. Chegaram. E cagaram.

Deixaram que isso lhes subisse à cabeça, e tomaram de assalto o Estado brasileiro.

Neste sentido, foram as maiores mudanças em relação aos mandatos de FHC: abandonaram o enxugamento da máquina pública para lotaer cargos (criados na base da canetada) para os sindicalistas, pelegos e companheiros incomPTentes – o que acarretou, ao final, maior ineficiência da máquina, além de receitas crescentes (e milionárias) para o PT, via dízimo.

Pode concluir, pois, que nos únicos pontos nos quais houve sensíveis mudanças (que, aliás, era o mote da comunicação da campanha de 2002, a MUDANÇA), elas foram para pior. Sorte que alguns pontos, cruciais para a melhoria da Economia, foram simplesmente abandonados – como, aliás, também foram abandonadas as estradas, a malha aérea brasileira, a reforma política etc.

Sorte nossa que a Economia mundial criou uma maré de boas notícias.E que o Brasil estava, afinal, pronto para crescer. Isso poderia ser a “herança bendita” que Rei Mulla, obviamente, não agradece. Rei Mulla deve muito a FHC………!!!!

O problema são as perspectivas para 2008……….. O petróleo em alta, no mercado mundial, e esta “febre” de etanol no Brasil………. A conferir se o Brasil vai conseguir se tornar uma potência mundial com base no fornecimento de etanol para os mercados desenvolvidos ou se acabará tornando-se refém de um único produto agrícola, de baixíssimo valor agregado, de baixa tecnologia…….

Especialmente sem pessoas minimamente comPTentes para elaborar políticas públicas de médio e longo prazos….. (e com muitos incomPTentes loteados na Petrobrás).

 

 

 

 

 

Apedeuta e Gramsci

Nunca fui, confesso, grande fã de Carlos Vereza como ator. Contudo, ao ver estes vídeos abaixo, confesso que estou pensando em começar a buscar fã-clubes dele na internet, para me associar………

Este é o mais “novo”:

Este é mais antigo, e, eu ousaria dizer, já tornou-se um clássico: