Uma propaganda ruim que criou um desastre: o caso Amazon Brasil

Qualquer aluno de graduação nas áreas de Administração, Marketing ou Publicidade aprende, no início do curso, que o objetivo primordial da COMUNICAÇÃO (que engloba propaganda, publicidade, relaçõs públicas, ações nos pontos de vendas etc) é estabelecer um vínculo entre a empresa e um determinado público-alvo (“target”). Isso é básico, elementar.

Porém, o pessoal do marketing da Amazon esqueceu das lições mais básicas de marketing!

Nesta terça-feira, 28/03, colocaram no ar, nas redes sociais, uma propaganda ruim, burra, sem nenhuma relação com o produto que supostamente estariam tentando promover (o Kindle, leitor de livros eletrônicos), e, pior, sem NENHUM apelo para o público-alvo que DEVERIAM tentar atingir.

Eis aqui a propaganda burra:

Como pode ser visto nesta peça, não é possível identificar nenhum elemento capaz de promover um produto específico (o Kindle), nem tampouco a empresa (Amazon). A peça é ruim porque é incapaz de fazer uma comunicação efetiva de uma marca, produto ou empresa. A agência que criou a peça deveria enfiar um saco de papel na cabeça, disfarçar que deu vontade de cagar e sair de fininho.

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Pior: o mote central da campanha é um chavão que há poucas semanas estava nos jornais/sites diariamente: a determinação do Prefeito João Dória em combater diuturnamente as pichações que infestam a cidade.

Vamos nos aprofundar no mote central da campanha, então.

Desde que assumiu o mandato, há pouco mais de 3 meses, João Dória tem sido uma fonte permanente de recalque, inveja e ódio das viúvas do Haddad. Isso se deve, basicamente, ao fato de que em apenas 1 dia (qualquer dia destes 3 meses, pode escolher) João Dória faz mais pela cidade do que Fernando Haddad fez em longos e intermináveis 4 anos (que pareciam 200 anos de martírio para o paulistano que teve que aturar seu ciclofascismo incompetente coberto pelo verniz da pseudo-intelectualidade de um chucro autoritário cheio de vácuo).

A imprensa, absolutamente tomada pelas viúvas do Haddad, vem tentando, em vão, achar pelo em ovo para criticar o Dória. Um exemplo recente: o Estadão achou relevante publicar uma notícia que jamais seria considerada notícia quando Haddad era prefeito. Num lapso, Doria disse que a Lapa ficava na Zona Norte, e não na Zona Oeste – mas Fernando Haddad era o mais perdido prefeito de SP: jamais sabia a localização de NENHUM bairro, exceto Jardins, e não sabia NADA sobre a cidade. Passou 4 anos sem conhecer a cidade, e a imprensa sempre “passou pano” – porque, afinal, era o “prefeitão do amor”, o queridinho dos militontos.

O problema é que, como a campanha eleitoral de 2016 provou, a imprensa perdeu a credibilidade de uma forma avassaladora. Vamos lembrar o que apontavam as pesquisas de intenção de voto poucos meses antes da eleição?

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Desde que assumiu, João Doria está dando um baile na imprensa. Jornais, revistas e sites perderam o monopólio da comunicação, pois o prefeito usa as redes sociais de forma eficaz e eficiente: ele mesmo se comunica, DIRETAMENTE, com o eleitor/cidadão. Através de vídeos (alguns gravados, outros tantos ao vivo), Doria mostra visitas surpresas a escolas, postos de saúde e outras instalações municipais, o que deixa o cidadão com a sensação de que o prefeito está trabalhando, fiscalizando, cobrando, enfim, fazendo.

Além disso, João Doria conseguiu, em pouco tempo, mostrar que é possível realizar ações concretas e necessárias – por exemplo, o programa que está conseguindo reduzir drasticamente a fila de espera por exames, o “Corujão da Saúde”. O programa é um sucesso estrondoso, contrariando os “especialistas” que os jornalistas  consultavam para pedir opiniões. Esse tipo de ação, capaz de gerar resultados reais e necessários, atinge em cheio as pessoas reais, a população/eleitores/cidadãos de verdade, não os militontos de facebook do complexo PUCUSP. Como Fernando Haddad passou 4 anos fazendo ciclofaixas inúteis (caras, ruins, mal planejadas e pessimamente mal executadas) e deixou a cidade abandonada, ver os resultados produzidos pela gestão Doria em tão pouco tempo foi um choque para o cidadão normal (isso exclui os militontos de facebook, meros pirralhos mimados bancados pelos pais).

E esta situação levou ao contexto da propaganda da Amazon.

Graças ao projeto “Cidade Linda“, a gestão Doria está promovendo ações permanentes de limpeza e manutenção na cidade. Uma das ações que compôem este programa é o combate à pichação e à sujeira. Como não havia muito a ser criticado nesta iniciativa (segundo o DataFolha, 97% dos paulistanos são CONTRA pichações), a imprensa resolveu produzir uma pseudo-polêmica: Doria estaria deixando a cidade “cinza”. A partir daí, a “cidade cinza” virou mote para os militontos de facebook. E a Amazon resolveu usá-lo como essência da sua campanha:

As viúvas do Haddad (meia dúzia de gatos pingados que fazem um barulhão nas redes sociais mas não consegue encher uma kombi) dominam as redações dos jornais, revistas, rádios, TVs e sites, mas não têm NENHUM contato com a realidade da população. Para fingir ter alguma relevância, inventaram que haveria uma “polêmica” envolvendo a disposição de João Doria para combater os pichadores. Ora, se 97% da população é CONTRA as pichações, não há “polêmica” nenhuma. Um assunto pode ser chamado de “polêmico” quando há 50% ou menos de aprovação, mas quando 97% da população é favorável a uma determinada posição/política, não há polêmica. 97% é quase unanimidade!

Aí, algum “JÊNIO” na Amazon acha inteligente usar como mote de uma propaganda a defesa de uma posição que é rechaçada por NOVENTA E SETE PORCENTO DA POPULAÇÃO – não precisa um QI acima de 10 para perceber que isso é uma burrice monstruosa!

João Doria não é um político. Ele já mostrou que sabe se comunicar. E foi isso o que ele fez. Na manhã do dia 28, ele publicou um vídeo curto, mas que em menos de 1 hora já tinha sido visto mais de 40 mil vezes (no mesmo horário, a propaganda da Amazon tinha sido vista aproximadamente 3 mil vezes):

A Amazon colheu os frutos da sua burrice em pouquíssimo tempo:

De maneira bem objetiva, João Doria deu uma rasteira na Amazon – e bastou ser inteligente, haja vista que a propaganda da empresa é de uma burrice quase haddadiana.

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João Doria não deu tempo para que os jornalistas recalcados repercutissem a provocação da Amazon: às 08:44 da manhã ele lançou o desafio para que a Amazon contribuísse com as bibliotecas e escolas de São Paulo, e deixou a bola no campo da empresa. Agora, cabia a ela responder.

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Claramente a Amazon não estava preparada para isso. Ela só conseguiu produzir uma resposta ruim às 20:13 – ou seja, aproximadamente DOZE HORAS DEPOIS. Ao longo destas 12 horas, 3 empresas ofereceram apoio à Prefeitura: Kabum, MultiLaser e Saraiva.

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Enquanto era massacrada pela burrice, e outras empresas aproveitavam a oportunidade, a Amazon só conseguiu produzir uma resposta ruim, fraquíssima, vaga:

Os principais problemas com a “resposta” dada pela Amazon 12 horas depois:

  1. Demorou muito. A campanha, ancorada nas redes sociais, deve saber usar os prós e contras da mídia escolhida – e nas redes sociais a velocidade é essencial. Entre 8 da manhã e 8 da noite, a Amazon permaneceu em silêncio, sem saber o que fazer. Passou vergonha.
  2. Foi fraca. Havia, na resposta da Amazon, um vídeo oferecendo UM (repito: APENAS UM) download gratuito de UM livro eletrônico (entre uma relação de mais ou menos 15 títulos, escolhidos pela Amazon), e um texto fraco, com uma vaga menção à doação de “centenas de dispositivos Kindle para instituições que promovem cultura e educação (fiquem ligados)“. Centenas? QUANTOS, EXATAMENTE? 100, 200, 500? Quando? Quais instituições? Uma resposta vaga, superficial. Insuficiente.

Em suma, a Amazon aprovou (e colocou no ar) uma propaganda incapaz de se comunicar com pessoas interessadas em seu produto (kindle), ou seja, falhou em atingir o público-alvo. Será que a agência VML e a Amazon acreditaram que os 3% que são favoráveis às pichações compram Kindle? Os caras nem sabem ler!!!

Para piorar, a propaganda partiu do pressuposto errado (a “polêmica” da “cidade cinza” criada pelos militontos de facebook jamais foi real; não havia “polêmica” coisa nenhuma) e, por óbvio, seguiu um conceito furado. E quanto ao roteiro da propaganda? Horroroso. Misturou trechos de livros bons com lixos do tipo “50 tons de cinza”, projetados nas paredes da cidade… Sério, QUE PORRA É ESSA, AMAZON?

Uma propaganda ruim, que teria sido ignorada por completo, não fosse a rápida e sagaz resposta do João Doria – que colocou a Amazon contra a parede em apenas alguns segundos. A partir daí, a Amazon não soube responder da forma correta, nem no tempo adequado – o que abriu caminho para que a empresa fosse massacrada nas redes sociais, enquanto outras empresas tiravam proveito da situação.

No fim do dia, a Amazon, a agência que criou a propaganda horrenda e os responsáveis pela aprovação da peça estavam mais ou menos assim:

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Os concorrentes da Amazon, por outro lado, deveriam estar com vontade de pedir à empresa que renove a conta na atual agência, a tal VML, pois ela prestou um favor imenso a todo mundo – menos à Amazon!

A propósito: a sede da Amazon no Brasil fica neste conjunto empresarial aqui (todo CINZA!):

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TAG Heuer versus Apple: relógios inteligentes opõem 2 empresas bem diferentes

Em maio deste ano escrevi (aqui) sobre a futura competição a ser travada entre a TAG Heuer, tradicional fabricante de relógios top de linha, com a Apple. Na época, a TAG Heuer havia anunciado uma parceria com o Google e com a Intel.

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Ontem, finalmente, o novo produto fruto desta união foi oficialmente lançado. Os detalhes podem ser lidos AQUI.

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Ainda é cedo para mensurar resultados, obviamente, mas o site Business Insider já emitiu uma opinião: o novo relógio inteligente da TAG Heuer é o primeiro concorrente de peso para o Apple Watch, o primeiro produto que poderá, na opinião deles, não apenas fazer frente ao relógio da Apple, mas tem chances de vencê-lo a médio e longo prazos. Eis aqui as razões que eles apresentam (os grifos, como de costume, são meus):

The Apple Watch was supposed to be a big threat to established Swiss watchmking brands like TAG Heuer, whose sporty timepieces often serve as entry level luxury choices for people buying their first “real” watch.
You can pick up a simple TAG Formula 1 watch, in stainless steel, quartz-powered, for less than $1,000.

A comparable Apple Watch, once you add the $450 stainless-steel bracelet, comes in around $1,000. But of course you can spend a lot less. And the Apple Watch does a whole lot more than tell the time, which is about all the TAG F1 does.

When you move up to Omegas and Rolexes, with automatic movements and much more status appeal, you’re talking $4-8,000. Properly cared for, the Tag will last pretty much forever. So will the Omegas and the Rolexes. The Apple Watch, pointedly, probably won’t.

But the thinking before the Apple Watch launch was that Omega and Rolex were safe, whereas TAG wasn’t. If your timepiece has to say something about your taste, better to do it later with a Rolex and wear a smartwatch on a daily basis. See ya later, TAG.

TAG Heuer CEO Jean-Claude Biver clearly took this dire prediction to heart and set TAG on a course to this week introduce what to my eye looks like the first real competitor to the Apple Watch to emerge from watchmaking’s traditional Swiss stronghold: the Tag Heuer Connected.

Ironic, isn’t it, that the company the Apple Watch was supposed to do in (TAG is part of the luxury conglomerate LVMH) could be its first meaningful foe in the smartwatch wars?

Why is it so good?
When you get right down to it, smartwatches aren’t quite ready for prime time. On CNBC, Biver noted with astonished enthusiasm that since the Apple Watch was introduced, it’s sold million of units. This from a company that had never had anything to do with watches before.

Still, even the Apple Watch is basically just a watch without an iPhone to add to its functionality. And, from my perspective, not a very good watch. I’m actually not sure that Apple even knows what do with the thing, long-term.

I haven’t yet handled the TAG Heuer Connected, but it looks like the nicest smartwatch on the market (the $15,000 Apple Watch Edition, in gold, notwithstanding).

Critically, it isn’t trying to avoid being a watch. Powered by the Android Wear operating system and Intel processors, the TAG is built like a watch, with a lightweight titanium case and a rubber strap that comes in various different colors. As with most high-end watches, there are Tag logos on the crown and the clasp on the band — small details that matter to true watch fans.

It can’t say “Swiss Made” on the dial (it’s built in Asia), but it can say “Swiss Engineered” on the case. The clincher, however, is the dial, where Swiss heritage finally gets an opportunity to push back against Apple.

The Connected’s face is designed to refer very explicitly to TAG’s most famous watch, the Carrera chronograph, created by Jack Heuer as a tool for motorsport (“Carerra” recalls the Carerra Panamericana, a road race run in Mexico in the 1950s; the chronograph function allowed for relatively precise timing). Several additional face designs can also be activated. To be sure, the Apple Watch can show different faces and complications, but only TAG can really display, with crediblity, what many watch lovers consider to be among the greatest timepiece designs in history.

The Connected also comes with an interesting piece of upselling marketing, which at base is kind of passive-aggressive. At $1,500, it isn’t cheap. It will also, like all smartwatches, probably lose some functionality as it ages (it has to be recharged daily, just like the Apple Watch). But TAG has created an intriguing trade-up option. After two years, for an additional $1,500, you can unload the connected for a similar Carerra design that has a mechanical movement.

So you wind up having spent $3,000, a bargain in the luxury watch world, for a groundbreaking smartwatch that you may not like that much plus, potentially, a well-regarded modern version of TAG’s best-known watch. Sure, maybe you’ll want to upgrade to the next version of the Connected, and maybe you won’t. But if you don’t, TAG will send you home with a fine timepiece that could last decades. Yes, a bit passive-aggressive. But also savvy.
TAG’s goal here is to stay in the game as smartphones become more popular while simultaneously tapping the ambivalence that luxury watch enthusiasts have for wearable tech. If you’re going to wear something, make it a great Swiss watch. And if you do that, you don’t have the wrist real estate for a smartwatch.

The TAG Connected is the best of both worlds, although to be sure if you’re buying a smartwatch you may decide that the Apple Watch OS is simply too compelling to avoid. That said, a product has finally hit the market that could give the Apple Watch a run for its, and your, money.

A íntegra da análise pode ser lida AQUI.

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Achei que a análise do Business Insider foi inteligente, assim com a estratégia da TAG Heuer. Julgando pelos argumentos que foram apresentados neste texto, sou obrigado a concordar que a Apple vai ter mais dificuldade para enfrentar este produto do que os “smartwatches” que já estavam no mercado, especialmente os da Samsung e da Motorola.

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Afinal, a TAG Heuer tem uma reputação de qualidade e design que pode não apenas concorrer de frente com a da Apple, mas até mesmo subjugá-la.

O futuro da internet das coisas

Um vídeo curto, e interessante, sobre o futuro da “internet das coisas” (“IoT” na sigla em inglês):

Este assunto tende a crescer daqui para frente, então é importante manter o radar ligado.

A revista Wired publicou AQUI um artigo interessante sobre o tema – que, a despeito do viés “estou tentando vender uma idéia para vocês porque tenho livros publicados sobre o assunto e, portanto, preciso fazer o meu comercial”, vale a leitura:

When people talk about “the next big thing,” they’re never thinking big enough. It’s not a lack of imagination; it’s a lack of observation. I’ve maintained that the future is always within sight, and you don’t need to imagine what’s already there.
Case in point: The buzz surrounding the Internet of Things.
What’s the buzz? The Internet of Things revolves around increased machine-to-machine communication; it’s built on cloud computing and networks of data-gathering sensors; it’s mobile, virtual, and instantaneous connection; and they say it’s going to make everything in our lives from streetlights to seaports “smart.”
But here’s what I mean when I say people don’t think big enough. So much of the chatter has been focused on machine-to-machine communication (M2M): devices talking to like devices. But a machine is an instrument, it’s a tool, it’s something that’s physically doing something. When we talk about making machines “smart,” we’re not referring strictly to M2M. We’re talking about sensors.
A sensor is not a machine. It doesn’t do anything in the same sense that a machine does. It measures, it evaluates; in short, it gathers data. The Internet of Things really comes together with the connection of sensors and machines. That is to say, the real value that the Internet of Things creates is at the intersection of gathering data and leveraging it. All the information gathered by all the sensors in the world isn’t worth very much if there isn’t an infrastructure in place to analyze it in real time.
Cloud-based applications are the key to using leveraged data. The Internet of Things doesn’t function without cloud-based applications to interpret and transmit the data coming from all these sensors. The cloud is what enables the apps to go to work for you anytime, anywhere.
Let’s look at one example. In 2007, a bridge collapsed in Minnesota, killing many people, because of steel plates that were inadequate to handle the bridge’s load. When we rebuild bridges, we can use smart cement: cement equipped with sensors to monitor stresses, cracks, and warpages. This is cement that alerts us to fix problems before they cause a catastrophe. And these technologies aren’t limited to the bridge’s structure.
If there’s ice on the bridge, the same sensors in the concrete will detect it and communicate the information via the wireless internet to your car. Once your car knows there’s a hazard ahead, it will instruct the driver to slow down, and if the driver doesn’t, then the car will slow down for him. This is just one of the ways that sensor-to-machine and machine-to-machine communication can take place. Sensors on the bridge connect to machines in the car: we turn information into action.
You might start to see the implications here. What can you achieve when a smart car and a smart city grid start talking to each other? We’re going to have traffic flow optimization, because instead of just having stoplights on fixed timers, we’ll have smart stoplights that can respond to changes in traffic flow. Traffic and street conditions will be communicated to drivers, rerouting them around areas that are congested, snowed-in, or tied up in construction.
So now we have sensors monitoring and tracking all sorts of data; we have cloud-based apps translating that data into useful intelligence and transmitting it to machines on the ground, enabling mobile, real-time responses. And thus bridges become smart bridges, and cars smart cars. And soon, we have smart cities, and….
Okay. What are the advantages here? What are the savings? What industries can this be applied to?
Here’s what I mean when I say people never think big enough. This isn’t just about money savings. It’s not about bridges, and it’s not about cities. This is a huge and fundamental shift. When we start making things intelligent, it’s going to be a major engine for creating new products and new services.
Of all the technology trends that are taking place right now, perhaps the biggest one is the Internet of Things; it’s the one that’s going to give us the most disruption as well as the most opportunity over the next five years. In my next post in this two-part series, we’ll explore just how big this is going to be.

Daniel Burrus is considered one of the world’s leading technology forecasters and innovation experts, and is the founder and CEO of Burrus Research. He is the author of six books including the New York Times best seller “Flash Foresight.”

Creio que vale ficar atento para os novos desdobramentos do assunto.

Pelo que existe em estudo e/ou desenvolvimento hoje, nos próximos anos a internet das coisas pode facilitar nossas vidas em pequenas coisas do dia-a-dia.

Por que a TAG Heuer vai vender um relógio que mais parece um computador?

Lendo o jornal, me deparo com a seguinte notícia (íntegra AQUI):

Segundo a Bloomberg, a TAG Heuer irá lançar um modelo de relógio inteligente entre outubro e novembro. O preço, segundo algumas fontes da publicação, deverá ser de US$ 1400 (aproximadamente R$ 4200).
O aparelho, que utilizará o sistema Android Wear, terá uma bateria com autonomia de 40 horas, segundo o dirigente de atividades relojoeiras da Louis Vuitton SE, Jean-Claude Biver. Tal duração é muito superior às 16h de bateria do Apple Watch, concorrente direto do relógio da empresa suíça.
Na apresentação do relógio, Biver disse que espera vender “milhões e milhões e milhões deles”. Além disso, ressaltou que “quanto mais eles venderem, mais pessoas irão desejar algo diferente e ir para a TAG Heuer.”
O dispositivo é o primeiro a ser anunciado após a oficialização da parceria entre TAG Heuer, Google e Intel.

Logo que a TAG Heuer divulgou sua parceria com o Google, há algum tempo, eu comentei em sala de aula a situação. Naquela época, a parceria ainda era muito vaga, mas agora, pelo visto, a coisa está mais sólida, e o relógio inteligente da TAG deve chegar em breve ao mercado – portanto, vale retomar.

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Por que uma fabricante tão tradicional de relógios caríssimos, de alta qualidade, vai se “aventurar” a fabricar e vender relógios que mais se parecem com computadores de pulso do que com relógios propriamente ditos? Qual seria o interesse – tanto da TAG Heuer quanto do Google? Quais os benefícios/ganhos para cada um?

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A TAG Heuer é uma empresa centenária (foi fundada em 1860), um dos tradicionais fabricantes de relógios suíços, reconhecidos mundialmente pela precisão, pela qualidade – e, claro, pelo preço elevado.

Sua comunicação busca associar a marca à precisão e qualidade através da parceria com o esporte – a TAG Heuer firmou-se há muito tempo como cronometrista oficial da Fórmula 1 e outras modalidades esportivas. Estou colocando algumas imagens que ilustram esta linha de comunicação ao longo do texto, mas creio que uma das mais significativas é esta aqui:

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Há muitos anos, a TAG Heuer foi patrocinadora do Ayrton Senna, e ele, inclusive, foi um dos responsáveis pela entrada da TAG no mercado brasileiro, de forma oficial, no final dos anos 1980, início dos 1990. Neste ano, a TAG fez esta homenagem ao Senna. Mais do que um parceiro comercial ele foi (e, de certa forma, ainda é) uma das caras da TAG Heuer no mercado brasileiro.

A história da TAG Heuer, mundialmente, é repleta de eventos marcantes, e sua linha de produtos jamais abriu mão da altíssima qualidade – dos materiais e matérias-primas empregados, até a embalagem, transporte, apresentação etc. Isso, evidentemente, tem o reflexo direto na estratégia de precificação: a despeito de ser menos conhecida, no Brasil, do que marcas como Rolex e Omega, a TAG Heuer compete diretamente com estes fabricantes. Faz algum tempo que não pesquiso os preços, aqui no Brasil, de um TAG, mas imagino que o modelo mais simples, mais barato, não deva custar menos do que R$ 5 mil, especialmente com o recente aumento do dólar.

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Em 1962, a TAG Heuer conseguiu um feito memorável: o astronauta John Glenn orbitou a Terra 3 vezes com um cronômetro da marca, e o fato, obviamente, foi muito usado na comunicação da marca:

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A TAG Heuer sempre associou sua marca a eventos esportivos – a princípio, automobilismo, desde a Fórmula 1, com maior visibilidade internacional, às diversas modalidades européias que no Brasil são pouco divulgadas/conhecidas.
Nas últimas décadas, a TAG Heuer vem expandindo seus patrocínios a outros esportes também, notadamente (mas não apenas) tênis e golfe, sempre buscando atletas de alto rendimento para firmar contratos de patrocínio.

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Não por coincidência a marca prefere esportes considerados de elite, que atraem o interesse de um público rico – o que, registre-se, faz todo o sentido, dadas as características dos produtos TAG Heuer.

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A lista de atletas patrocinados pela TAG Heuer é seleta, e inclui nomes como Tiger Woods e Maria Sharapova, além de corredores em diversas categorias do automobilismo europeu e norte-americano (desde 2004, a TAG Heuer é a cronometrista oficial da Fórmula Indy). A TAG Heuer também tem patrocinado eventos como regatas e a Maratona de New York (não tão “elitista” quanto uma regata, mas devido à tradição do evento, alinha-se à estratégia de comunicação & promoção).

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Portanto, retomo as perguntas lá do começo: POR QUÊ?

Por que a TAG Heuer iria se aventurar com os relógios inteligentes (que são mais parecidos com computadores do que com relógios propriamente ditos) quando ela tem esta história toda na área de expertise dela? Afinal, a TAG Heuer não tem tecnologia nem conhecimento (know-how) com computadores ou derivados, ela sabe fazer relógios – precisos, duráveis, bonitos, caros etc. Então, o que ela vai agregar ao negócio?

Há apenas uma resposta para tudo isso: MARCA.
Secundariamente, canais de distribuição – mas o fator mais importante, de longe, é a imagem da marca. A palavra-chave neste acordo TAG Heuer + Google + Intel, sob a ótica da TAG Heuer, é branding. Ela expande a marca para um novo segmento de mercado, uma mercado ainda em gestação, mas trata-se de relógios — ainda que, repito, se pareçam mais com computadores do que com os tradicionais relógios que a TAG fabrica.

O Google é reconhecido como o gigante da internet, mas ele não tem “nome” como fabricante de relógios. A TAG Heuer, por outro lado, tem uma longa e brilhante história com relógios de qualidade — portanto, as pessoas conhecem e confiam na marca quando se trata de um relógio. O público alvo da TAG Heuer, pessoas de alto poder aquisitivo, conhecem a marca, e sabem da qualidade dos seus produtos — portanto, compram com mais facilidade. O preço, já se sabe antecipadamente, vai ser alto — mas esse público alvo não se importa de pagar caro pela qualidade oferecida.

A Apple, por diversas razões, conseguiu firmar sua marca atrelada à qualidade – e, assim como a TAG Heuer, cobra caro por esta qualidade. Para concorrer com os relógios inteligentes da Apple, o Google precisa agregar valor ao seu produto; a marca TAG Heuer significa muito valor agregado. Esta parceria, portanto, faz muito mais sentido para o Google: é ele quem mais se beneficia, porque poderá, com a marca TAG Heuer, cobrar um preço premium por um produto que se estampasse apenas a marca Google teria que ser vendido a preços significativamente  menores – e com uma margem de lucro evidentemente menor.

O Google tem o software (Android) para o relógio inteligente, a Intel tem o hardware (processadores), e a TAG Heuer tem a marca e os canais de distribuição seletiva já consolidados no mundo inteiro, especialmente Europa, América e Ásia — mercados com maior poder de compra, nos quais um relógio de alto valor agregado tem maior potencial de vendas.

Além disso, o Google tem um público alvo gigantesco: todos com acesso à internet. O problema é o seguinte: quem acessa a internet não necessariamente vai comprar um relógio de R$ 5 mil ou mais. Aliás, uma ínfima parcela de quem tem acesso à internet paga esse valor num relógio. Neste sentido, portanto, o gigante público que já é cliente do Google quando está diante de um computador (ou tablet) NÃO será cliente do Google quando sair da frente do computador e for comprar um relógio inteligente.

Esta parceria Google + Intel + TAG Heuer, contudo, não impede que o Google ofereça o seu relógio, com a marca Google, para um público alvo diferente: mais numeroso, mas com poder de compra menor, o que significa ganhar em escala, com margens mais magras e preços menores, e com distribuição mais ampla (intensiva).
O maior beneficiado, portanto, é o Google. Mas trata-se de uma boa parceria para as 3 empresas. Quem poderia ficar incomodado com esta parceria (e com o produto resultante dela) seria a Apple, mas não creio que ela esteja muito preocupada — pelo menos não neste momento.

A TAG Heuer saiu de um recente fracasso: ela inventou de fazer um celular com sua marca. Foi um retumbante fiasco.

As causas deste fiasco são variadas. Mas passam por questões que eu já citei aqui: a TAG Heuer não tem o conhecimento de produtos fora do setor relojoeiro. No caso do celular, ela teve boas intenções, e investiu inclusive numa tentativa de carregar a bateria do aparelho com luz solar. O celular era lindo, caro, e reunia diversos predicados. Mas comercialmente foi um fiasco.

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Um aparelho até mais caro do que um iPhone? Precisa oferecer mais do que o iPhone, então. E o celular da TAG Heuer, chamado Meridiist, tinha uma aparência linda (imagem acima), mas em termos de recursos perdia para o iPhone – especialmente graças ao ecossistema Apple.

Talvez o fracasso com o celular tenha ensinado à TAG Heuer uma lição valiosa — e isto pode ter sido a chave para a parceria com a Intel e o Google: buscar quem tem know-how quando sua empresa resolve entrar num mercado desconhecido para ela. Aquele conceito básico do Porter, as 5 forças competitivas, pode ter mostrado à TAG Heuer que ela tem muito a ensinar na produção de excelentes relógios, mas também muito a aprender em termos de gestão.

Por que a receita dos iPads vem caindo? Ciclo de vida do produto.

Artigo interessante que li na Business Insider (íntegra AQUI):

To the surprise of few Apple watchers, the company delivered its third straight quarter of declining iPad sales.

The reason why sales are shrinking appears to be pretty obvious. There isn’t a good reason to own three Apple gadgets — a Mac, iPhone, and iPad — when a combination of just two of them will do. And now that iPhones come with larger screens, there’s even less of a reason to buy an iPad along with it.

This is not to say the iPad is a bad tablet. It’s a wonderful tablet, the best you can buy. And it’s likely the primary computer for a lot of people who don’t need to do much beyond checking Facebook and some light emailing. But keep in mind the modern tablet space is only four and a half years old. We’re still learning how people use them and how often they upgrade.

Apple CEO Tim Cook admitted as much on today’s earnings call.

“People hold onto iPads longer than they do a phone,” he said. “We’ve only been in this business four years. We don’t know what the upgrade cycle will be.”

If you have a third-generation iPad with Retina Display (which launched in early 2012) or later, there’s no reason to upgrade to one of the new iPads Apple introduced last week. Yes, the new models are faster, thinner, and have better cameras, but even iPads that are two and a half years old are more than capable and plenty thin and light.

iPads either need to learn how to do more in order to entice people to upgrade, or we should retool expectations for how often people should upgrade them. The iPhone may last about two years for the typical user, but the iPad might be a four- or five-year upgrade.

Resumindo: tablet é uma categoria de produtos relativamente nova – o primeiro iPad foi lançado há apenas 4 anos. Todas as empresas estão ainda aprendendo como é o ciclo de vida do produto.

Um tablet não precisa ser trocado todo ano, exceto para um nicho de consumidores (categoria conhecida nas teorias de marketing como heavy users, ou aqueles que fazem questão de possuir a tecnologia mais recente, atual). Para a maioria dos consumidores, porém, um tablet tem um ciclo de vida relativamente longo. Eu, por exemplo, tinha um iPad (o original, de 2010) até o começo deste ano. Comprei um iPad Air, que deve me servir plenamente por pelo menos mais 3 ou 4 anos (no mínimo!).

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Creio que há um OUTRO fator que pesa bastante nesta questão: o iPhone é usado diariamente, o dia todo – carregamos no bolso, em bolsas etc. Ele está mais sujeito a cair, ser batido em alguma superfície dura etc. Os tablets, por outro lado, são utilizados com uma frequência menor, e sob diferentes (e melhores) condições de uso, o que ajuda sobremaneira a aumentar sua durabilidade.

Oscar 2014 e o marketing

Ontem foi realizada a cerimônia do Oscar 2014. Não assisti. Mas hoje pude ler (muito) sobre resultados de ações de marketing durante a transmissão da cerimônia.

Algumas observações minhas:

1) A transmissão via TV foi um sucesso: desde o último episódio de Friends, nenhum outro programa de entretenimento teve maior audiência (isso exclui, obviamente, eventos esportivos, como o SuperBowl). Foram 43 milhões de telespectadores. Isso significa que toda e qualquer ação de merchandising, propaganda ou promoção já teria um campo fértil para ser bem sucedida.

2) Impossível deixar de falar da foto (“selfie“) que causou o maior buzz:

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Esta foto realmente colocou a Samsung “bem na foto” (perdão pelo trocadilho):

When Oscars host Ellen DeGeneres snapped that epic selfie with the Samsung Galaxy Note during last night’s ceremony, it effectively snagged “Best Picture”—among marketers, that is.

According to Kontera, which analyzed millions of digital views, Samsung was mentioned 40,000 times across Twitter, Facebook and other social media outlets during ABC’s three-and-a-half-hour broadcast. Even though DeGeneres did not actually mention the brand in her tweet (which was swiftly retweeted 1.3 million times), the San Francisco tech firm found that Samsung scored a peak rate of 900 online mentions per minute because of the stunt. (Fonte: AdWeek)

Vale a pena ler este artigo AQUI, apontando algumas outras marcas que se deram bem com o Oscar 2014.

A AdWeek aponta, aliás, que o Twitter foi outro ganhador da noite (AQUI). Eu concordo. O evento conseguiu mesclar o entretenimento para quem viu pela TV, pelo que li, com recursos e ferramentas apropriadas para a internet, em especial o Twitter – e não foi apenas o “selfie”, mas houve outros fatores.

3) Outro ganhador, sem dúvida, foi Edgar Martirosyan.

Quem????

Edgar Martirosyan é o dono da pizzaria que entregou algumas pizzas DURANTE A CERIMÔNIA, que foram comidas por algumas celebridades, ao vivo e a cores. O USA Today conta a história AQUI. Eis um trecho:

Host Ellen DeGeneres ushered Edgar Martirosyan, the owner of Los Angeles chain Big Mama’s and Papa’s Pizzeria, through a sea of celebrities at the 86th annual Academy Awards while he handed out pizza to the likes of Meryl Streep, Julia Roberts, Jared Leto and Jennifer Lawrence.

Martirosyan has owned Big Mama’s and Papa’s for eight years and told USA TODAY he does everything, from deliveries and baking to managing 20 stores. At the Oscars, where celebrities were decked out in designer looks, Martirosyan wore an apron, a red baseball cap and a hoodie while he handed out slices and plates.

Que tal você ser o dono de uma pizzaria que produz uma imagem destas, transmitida ao vivo para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e 43 milhões no seu país?

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4) A Apple, por incrível que pareça, também saiu-se bem. Como é mostrado (e explicado) AQUI, a apresentadora Ellen DeGeneres usa um iPhone, e ela tirou várias fotos com o iPhone pessoal dela durante o evento. Ao serem postadas as fotos e os “tuítes”, é possível ver que eles foram publicados usando aplicativos para iPhone. Isso, aliás, é comum: a Samsung patrocina esportistas, eventos e diversas outras coisas, mas os patrocinados usam… iPhones!

Alguns vão dizer que isso não importa, que a Samsung é que teve destaque etc. Ok, é verdade.

Mas passado o burburinho inicial, a conclusão que fica é sempre a mesma: todo mundo que faz propaganda/promoção/merchandising para a Samsung usa, na verdade, iPhone. Então a Samsung deve ser muito ruim, né?!

Eu não estou afirmando isso (embora eu jamais me arriscaria num tablet ou smartphone da Samsung, com aqueles plásticos vagabundos e preços de iPhone), mas é aquela velha história: por que o dono da Pepsi bebe Coca-Cola? Porque ele não é trouxa de beber aquela coisa horrorosa da Pepsi, mesmo trabalhando lá…

A propósito, recomendo esta leitura AQUI, que trata do outro lado – ou seja, algumas “bizarrices” envolvendo o merchandising durante o Oscar.

Steve Jobs fazia História em 2007 – mas o que aconteceu nos “bastidores”?

Em 9 de Janeiro de 2007, Steve Jobs fazia História. Sim, com letra maiúscula mesmo.

Foi neste dia em que ele apresentava o primeiro iPhone. A íntegra da apresentação dele é esta aqui:

Na edição da última sexta-feira, dia 04/10, o New York Times trouxe uma reportagem longa, interessantíssima, sobre algumas coisas que aconteceram antes dessa apresentação – e algumas que estavam acontecendo DURANTE.

A reportagem (AQUI) é restrita a assinantes, mas destaco alguns trechos abaixo:

Grignon had been part of the iPhone rehearsal team at Apple and later at the presentation site in San Francisco’s Moscone Center. He had rarely seen Jobs make it all the way through his 90-minute show without a glitch. Jobs had been practicing for five days, yet even on the last day of rehearsals the iPhone was still randomly dropping calls, losing its Internet connection, freezing or simply shutting down.

“At first it was just really cool to be at rehearsals at all — kind of like a cred badge,” Grignon says. Only a chosen few were allowed to attend. “But it quickly got really uncomfortable. Very rarely did I see him become completely unglued — it happened, but mostly he just looked at you and very directly said in a very loud and stern voice, ‘You are [expletive] up my company,’ or, ‘If we fail, it will be because of you.’ He was just very intense. And you would always feel an inch tall.” Grignon, like everyone else at rehearsals, knew that if those glitches showed up during the real presentation, Jobs would not be blaming himself for the problems. “It felt like we’d gone through the demo a hundred times, and each time something went wrong,” Grignon says. “It wasn’t a good feeling.”

[…] Grignon knew the iPhone unveiling was not an ordinary product announcement, but no one could have anticipated what a seminal moment it would become. In the span of seven years, the iPhone and its iPad progeny have become among the most important innovations in Silicon Valley’s history. They transformed the stodgy cellphone industry. They provided a platform for a new and hugely profitable software industry — mobile apps, which have generated more than $10 billion in revenue since they began selling in 2008. And they have upended the multibillion-dollar personal-computer industry. If you include iPad sales with those for desktops and laptops, Apple is now the largest P.C. maker in the world. Around 200 million iPhones and iPads were sold last year, or more than twice the number of cars sold worldwide.

[…] It’s hard to overstate the gamble Jobs took when he decided to unveil the iPhone back in January 2007. Not only was he introducing a new kind of phone — something Apple had never made before — he was doing so with a prototype that barely worked. Even though the iPhone wouldn’t go on sale for another six months, he wanted the world to want one right then. In truth, the list of things that still needed to be done was enormous. A production line had yet to be set up.Only about a hundred iPhones even existed, all of them of varying quality. Some had noticeable gaps between the screen and the plastic edge; others had scuff marks on the screen. And the software that ran the phone was full of bugs.

The iPhone could play a section of a song or a video, but it couldn’t play an entire clip reliably without crashing. It worked fine if you sent an e-mail and then surfed the Web. If you did those things in reverse, however, it might not. Hours of trial and error had helped the iPhone team develop what engineers called “the golden path,” a specific set of tasks, performed in a specific way and order, that made the phone look as if it worked.

But even when Jobs stayed on the golden path, all manner of last-minute workarounds were required to make the iPhone functional. On announcement day, the software that ran Grignon’s radios still had bugs. So, too, did the software that managed the iPhone’s memory. And no one knew whether the extra electronics Jobs demanded the demo phones include would make these problems worse.

Jobs wanted the demo phones he would use onstage to have their screens mirrored on the big screen behind him. To show a gadget on a big screen, most companies just point a video camera at it, but that was unacceptable to Jobs. The audience would see his finger on the iPhone screen, which would mar the look of his presentation. So he had Apple engineers spend weeks fitting extra circuit boards and video cables onto the backs of the iPhones he would have onstage.The video cables were then connected to the projector, so that when Jobs touched the iPhone’s calendar app icon, for example, his finger wouldn’t appear, but the image on the big screen would respond to his finger’s commands. The effect was magical. People in the audience felt as if they were holding an iPhone in their own hands. But making the setup work flawlessly, given the iPhone’s other major problems, seemed hard to justify at the time.

The software in the iPhone’s Wi-Fi radio was so unstable that Grignon and his team had to extend the phones’ antennas by connecting them to wires running offstage so the wireless signal wouldn’t have to travel as far. And audience members had to be prevented from getting on the frequency being used. “Even if the base station’s ID was hidden” — that is, not showing up when laptops scanned for Wi-Fi signals — “you had 5,000 nerds in the audience,” Grignon says.“They would have figured out how to hack into the signal.” The solution, he says, was to tweak the AirPort software so that it seemed to be operating in Japan instead of the United States. Japanese Wi-Fi uses some frequencies that are not permitted in the U.S.

There was less they could do to make sure the phone calls Jobs planned to make from the stage went through. Grignon and his team could only ensure a good signal, and then pray. They had AT&T, the iPhone’s wireless carrier, bring in a portable cell tower, so they knew reception would be strong. Then, with Jobs’s approval, they preprogrammed the phone’s display to always show five bars of signal strength regardless of its true strength. The chances of the radio’s crashing during the few minutes that Jobs would use it to make a call were small, but the chances of its crashing at some point during the 90-minute presentation were high. “If the radio crashed and restarted, as we suspected it might, we didn’t want people in the audience to see that,” Grignon says. “So we just hard-coded it to always show five bars.”

O artigo é longo, realmente longo, mas vale cada vírgula. Ele ajuda a entender um pouco da “mágica” que acabou fazendo parte da personalidade marcante de Steve Jobs – e, convenhamos, que teve um papel central no crescimento e na expansão incrível da Apple.

Porém, o texto também revela que a inovação que fez Steve Jobs e sua Apple famosos não era APENAS fruto da genialidade de um homem. Aliás, quanto mais eu estudo sobre a vida de Jobs e seus métodos na Apple, mais fica evidente que o que estava por trás da inovação da Apple, pelo menos enquanto Jobs era vivo, era o exato oposto do improviso, da liberdade: Steve Jobs era extremamente metódico.

Ele ensaiava exaustivamente as apresentações públicas e palestras que fazia – especialmente as apresentações de produtos. Não havia espaço para improviso – era MÉTODO.

O processo de desenvolvimento de produtos também seguia o método rigoroso de Jobs.

Sim, ele tinha uma personalidade única. Mas se não aliasse esta personalidade marcante a um conjunto de métodos rigorosos, não seria o inovador que foi.