Na última Quarta-feira, finalmente, a Petrobras divulgou o balanço de 2014. O assunto dominou a imprensa nas últimas 24 horas. Foram produzidas inúmeras análises superficiais (e erradas), muita fumaça, muita espuma, pouco fogo e nenhum sabão.
Vou acabar escrevendo sobre os números da Petrobras, mas quero avaliar com mais calma as informações e dados do balanço. Ainda não tive tempo/oportunidade, mas chegarei lá.
Por ora, entretanto, o Antagonista produziu o melhor material sobre o assunto. Disparadamente.
Então, vou reproduzir abaixo alguns trechos. Caso o leitor queira ter um parâmetro, eu escrevi AQUI uma comparação entre a situação da Petrobras em 2002 (último ano do mandato de Fernando Henrique) e 2013 (último ano da gestão temerária do PT em que os dados contábeis estavam disponíveis). Adianto: provo naquele texto que o PT arruinou a Petrobras, sob TODA E QUALQUER ótica que se pretenda utilizar para a análise. José Eduardo Dutra, Sérgio Gabrielli, Lulla e Dilma foram o epicentro da devastação sofrida pela Petrobras. Estes 4 deveriam ser processados e punidos por crime lesa-pátrica.
Sobre o Lulla, especificamente, já começo com o vídeo que O Antagonista publicou:
– Paulo Roberto Costa, sentado ao lado de Graça Foster, representa o desfalque de 6,1 bilhões de reais por corrupção.
– O Comperj, assim como as outras refinarias mencionadas por Lula, de Abreu e Lima a Premium I e II, no Ceará e no Maranhão, simbolizam a desvalorização dos ativos de 44,3 bilhões de reais.
– Dilma Rousseff, presidente do Conselho da Petrobras, encarna aqueles 21,6 bilhões de reais de prejuízo da estatal em 2014.
– O nacionalismo politiqueiro de Lula camufla os 300 milhões de dólares roubados pelo PT para eleger sua sucessora.
O clipe de Lula no Comperj, reproduzido no post anterior, resume em 1’46” a rapina cometida na Petrobras.
A versão integral do discurso é ainda mais reveladora. É quase uma delação premiada de Lula.
Inicialmente, ele citou as autoridades presentes ao evento. Cinco deles estão sendo investigados pela Lava Jato:
1 – “Quero começar cumprimentando o companheiro Sérgio Cabral”.
2 – “Nosso companheiro Pezão”.
3 – “O ministro Edison Lobão”.
4 – “O nosso querido Paulo Roberto Costa, presidente em exercício da Petrobras”.
5 – “Nosso companheiro Jorge Sergio Machado, presidente da Transpetro”.
Em seguida, ele explicou os motivos daquele evento:
“Eu sei que tem algumas pessoas que estão perguntando ‘por que o Lula já visitou pela terceira vez o Comperj, se ainda a obra não está sendo construída, está na fase da terraplanagem?’ A primeira coisa que tem que compreender é que eu adotei como filosofia de vida aquela de que ‘é o olho do dono que engorda os porcos’. Então, eu tenho que estar presente sempre, para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando”.
Cinco anos mais tarde, as obras no Comperj continuam paradas, mas a filosofia de vida de Lula funcionou: os porcos engordaram um bocado.
Depois de falar sobre seus porcos, Lula disse que sabia da roubalheira em Abreu e Lima. Ele disse também que a roubalheira tinha de prosseguir:
“Se a gente não fica esperto, a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada. Porque se levantou suspeita de sobrepreço em algumas obras. E foi para a comissão do Congresso, a comissão do Congresso colocou no anexo VI, e eu vetei, porque senão teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores”.
Lula esclareceu igualmente que, para engordar seus porcos, a ração teria de ser fornecida pela própria Petrobras:
“O companheiro Paulo Roberto Costa sabe, a Dilma Rousseff, como presidenta do conselho administrativo da Petrobras, sabe, o ministro Lobão, como ministro de Minas e Energia, sabe que, há cinco anos atrás, se dependesse da vontade da Petrobras, não teria nenhuma refinaria no Brasil”.
Outro porco do chiqueiro de Lula, Hugo Chávez, entrou na história:
“Numa visita de trabalho do presidente Chávez, conseguiu a parceria para a PDVSA se associar à Petrobras. Levamos três anos para construir essa parceria, porque a Petrobras e a PDVSA são duas grandes empresas, e duas moças bonitas no mesmo baile, elas sofrem uma concorrência natural entre elas, e nós demoramos muito para construir a engenharia do acordo que, graças a Deus, está pronto e está andando”.
Lula, a essa altura, introduziu o único assunto que realmente interessava:
“São bilhões de dólares, de investimentos. Se a gente for medir só o que a gente está fazendo, a gente vai ultrapassar os US$ 60 bilhões em refinaria neste país”.
E apresentou seus cúmplices:
“Aqui tem muitos empresários do setor da construção civil”.
O juiz Sergio Moro poderia usar o discurso de Lula como prova da Lava Jato. Ele mostra claramente quem era o chefe do esquema.
É isso mesmo: até o momento, o que se sabe é que graças aos delírios nacionalistas burros do Rei Lulla, que segue se achando uma divindade genial mas que não passa de um sub-produto da ignorância e falta de bom senso tupiniquim, um sindicalista de araque que se aproveita de gente mal informada e meia dúzia de deslumbrados sem noção do ridículo, o Brasil retrocedeu e a Petrobras foi desmantelada em prol da corrupção assombrosa que corroeu instituições, processos e pessoas – tudo em prol de um projeto de poder rastaquera, arquitetado por personagens ordinários como José Dirceu, José Genoíno e outros bandidos.
Provavelmente estou meio atrasado ao mostrar este vídeo, que recebi pelo WhatsApp – como meus amigos e alguns alunos sabem, demoro a ver todas as mensagens que recebo pelo aplicativo.
De qualquer forma, não poderia deixar de registrar:
Não faço idéia de quem é o autor desta paródia, mas quero parabenizá-lo. Excelente trabalho! OBS: Como o arquivo que recebi pelo WhatsApp estava com uma qualidade ruim, busquei o mesmo vídeo no YouTube, e já tinha mais de 100 mil visualizações.
Há alguns anos, a imprensa no geral – e alguns “especialistas”, entre muitas aspas – vem enaltecendo a tal “nova classe média”. Segundo os iluminados, durante os anos do mandato do Lulla surgiu no Brasil esta “nova classe média”, em decorrência principalmente das chamadas “políticas sociais” defendidas pelo PT – sendo que a mais famosa e comentada delas, o Bolsa Família, foi criada por Fernando Henrique Cardoso e foi duramente criticada por ninguém menos que Lulla:
Eu já havia escrito AQUI no blog sobre esta falácia de “nova classe média”, mas, para resumir, o ponto principal é o seguinte: o governo mudou os parâmetros que definem o que é classe média, o que distorceu as estatísticas posteriores. Vai aqui um trecho do que eu escrevi:
Para quem não se lembra, a SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos (que tem status de Ministério, como se no Brasil do PT houvesse necessidade de 39 ou 40 ministérios!) foi criada apenas para alojar mais algumas centenas de cumpanheiros, reforçando a estratégia de locupletar-se no poder que o PT sempre teve.
O tempo foi passando, e a tal SAE foi juntando teias de aranha.
Para dizer que a Secretaria tinha alguma função, algum burrocrata resolveu inventar uma mudança nos critérios de classificação das classes sociais. Com isso, instaurou-se uma situação verdadeiramente SURREAL. Aplicando-se os novos critérios, pessoas com renda familiar per capita entre R$ 290 e R$ 1.019 são as que formam a classe média brasileira.
O sujeito que ganha, mensalmente, R$ 290,00 é classe média???? Como assim?
Ontem eu estava vendo na TV (na GloboNews, se não me engano) uma reportagem que citava um estudo da FGV que indicava que a inflação no primeiro trimestre deste ano estava afetando com muito mais intensidade os mais pobres. Ok, isso não é novidade. Mas em dado momento, a reportagem citou, en passant, que o estudo da FGV considerava que os mais pobres são aqueles que ganham menos de R$ 2 mil mensais. Infelizmente, a reportagem não detalhou se 2 mil por família ou per capita.
Mas o importante é o seguinte: hoje em dia ninguém sabe mais o que significa CLASSE MÉDIA. Muito menos o que seria a NOVA CLASSE MÉDIA. Foram tantas classificações diferentes (e conflitantes) que o país simplesmente perdeu toda e qualquer noção. As pessoas não sabem mais se são classe média. Os órgãos de governo não sabem mais quem é classe média. Os institutos de pesquisa (de opinião ou de mercado) não sabem mais quem é classe média. Este “novo conceito” de “nova classe média” é tão ridículo e tão grotesco que até mesmo uma Marilena Chauí é capaz de criticá-la – de forma burra, deturpada, claro, afinal trata-se de uma Marilena Chauí, que não passa de uma picareta rastaquera elevada à condição de “intelequitual” por falta de outro nome para o “cargo”. A questão foi abordada numa reportagem do Estadão de sábado:
Um dos méritos dos tempos de crescimento econômico e das políticas sociais do governo foi garantir que a chamada nova classe média pudesse olhar no longo prazo e planejar o futuro. Segundo especialistas em baixa renda, os 35 milhões de brasileiros que saíram da pobreza tiveram acesso não apenas ao iogurte e ao televisor de 42 polegadas. Finalmente puderam almejar o ensino superior, a casa própria em área com infraestrutura básica e assumir gastos fixos com serviços mais sofisticados – como a internet, que amplia a rede de amigos e as oportunidades de trabalho. Mas a recessão que ronda o País pode comprometer a escalada na pirâmide social.
Dois indicadores divulgados na semana passada sinalizaram uma tendência nefasta para essa parcela. De um lado, o IPCA, que mede a inflação oficial do País, passou de 8% no acumulado em 12 meses. A taxa de desemprego da Pnad Contínua, que detalha o mercado de trabalho em 3,5 mil municípios, subiu para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Há um milhão a mais de desempregados. Ou seja, os números atestam a deterioração simultânea do emprego formal e do poder de compra.
A primeira frase, que eu grifei, é ótima: os tais 35 milhões de brasileiros que saíram da pobreza são fruto de um apurado Cálculo Hipotético Universal Teórico Estimado – C.H.U.T.E na sigla para os íntimos.
Ora, se ninguém sabe quem é classe média, pobre, rico, então fica impossível calcular (ou estimar) quantas pessoas saíram da pobreza e quantas entraram nela. Parece bastante óbvio, e é, mas ignora-se o óbvio no afã de tentar achar uma explicação simples (e errada) sobre as mudanças no mercado consumidor do país.
Que “nova classe média” é esta que não recebe um salário capaz de cobrir despesas essenciais como plano de saúde? Ou ainda: uma classe média que vive de bicos pode ser considerada classe média? Mas o pior é que tem gente (ahn, os iluminados!) que vai além: esta “nova classe média” ainda por cima é burra e ingrata:
O presidente do PT, Rui Falcão, avisou: quem votar em Dilma Rousseff estará votando, na verdade, em Lula – aquele que, segundo suas próprias palavras, não consegue “desencarnar” da Presidência.
A “promoção casada” foi explicitada em entrevista de Falcão ao jornal Valor. Respondendo a uma questão sobre se Lula terá “maior participação” em um eventual segundo mandato da presidente, o petista disse que “sim” e explicou, praticamente sem rodeios, que a passagem de Dilma pelo Planalto serviu apenas para guardar lugar para seu chefe.
“Precisamos eleger a Dilma, para o Lula voltar em 2018”, disse Falcão. “Isso significa que, ela reeleita, começa o ciclo de debate, de planejamento, para que o nosso projeto tenha continuidade, com o retorno do Lula, em 2018, que é a maior segurança eleitoral de que o projeto pode continuar.”
A preocupação de Falcão e da militância petista é compreensível. Embora a propaganda oficial martele que o PT está fazendo um governo revolucionário, que tirou milhões de pessoas da miséria e as levou ao paraíso do consumo, os eleitores em geral parecem cada vez mais descontentes. Com crescimento econômico pífio, inflação alta e perspectivas sombrias para o emprego, é natural que o tal “projeto” petista esteja sendo questionado, conforme mostram todas as pesquisas de opinião e de intenção de voto. Para Falcão, porém, a chamada “nova classe média” tem reclamado do governo porque não foi devidamente instruída sobre os benefícios que a administração petista lhe deu. Faltou que Dilma lembrasse a essa gente que sua ascensão social se realizou não graças a seus méritos pessoais, mas pelas magnânimas políticas do governo. É a tese da ingratidão, levantada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e corroborada por Lula. “Essa ideia do mérito próprio estimula a fragmentação, o individualismo, afasta as pessoas de coisas mais sociais, coletivas”, disse Falcão. Para ele, Dilma errou ao não “dialogar” com essa classe média “individualista”.
Não é uma belezinha essa declaração iluminada do Rui Falcão?! O texto acima é um trecho de um editorial do Estadão, que pode ser lido na íntegra AQUI.
Pergunta: como essa “nova classe média” sobrevive com impostos tão altos no Brasil?
O problema é o seguinte: quem paga imposto (em qualquer país em que a lógica não seja atropelada) é a classe média. Os mais pobres não pagam impostos porque não têm sobre o que pagar (patrimônio e ganhos de capital) e consomem menos – portanto, “escapam” dos impostos sobre consumo, como IPI, ICMS etc. Por outro lado, os ricos (ricos mesmo) têm diversas ferramentas legais e alguns subterfúgios não tão legais para escapar de muitos impostos. Então, sobra à classe média o fardo de sustentar um Estado inchado, com 39 Ministérios (sendo uns 20 completamente inúteis), e milhares de funcionários em cargos de confiança que não fazem nada – mas ganham muito.
Porém, no Brasil, a lógica é atropelada.
O sujeito recolhe impostos altíssimos, mas não pode usar o SUS porque o serviço é uma porcaria – aí, precisa pagar plano de saúde. Para os filhos dos casais de classe média estudarem, os pais precisam pagar as mensalidades de escolas/colégios particulares, pois os do Estado são péssimos. Quem desejar um pouco mais de segurança precisa fazer seguro de automóvel, casa, tablets, celulares e qualquer outra coisa, pois o Estado não oferece a segurança pela qual pagamos. Isso sem falar em sistemas de sgurança para as casas e apartamentos, portarias e guaritas blindadas, empresas de segurança particulares… E assim sucessivamente…
Desta forma, a classe média paga impostos para ter serviços que o Estado falha miseravelmente em oferecer (saúde, educação, infra-estrutura, saneamento, segurança etc), é obrigada a pagar novamente pelos mesmos serviços, desta vez recorrendo à iniciativa privada, e aí fica sem dinheiro para poupar, investir, viajar etc.
Por algum tempo, dá para disfarçar, aumentando a oferta de crédito aparentemente barato. Mas cedo ou tarde, alguém sempre paga a conta.
O mito de “nova classe média” está se esfacelando, pois as mentiras que o PT vem contando há anos não são mais capazes de esconder a “contabilidade criativa” (mentiras deslavadas sobre os gastos do governo, que crescem graças ao populismo e à incompetência gerencial, e, ao mesmo tempo, configuram CRIME), e a piora da economia (que gera aumento dos juros, perda do poder de compra graças à inflação, desemprego, inadimplência etc).
Cedo ou tarde, a verdade viria à tona. A farsa cairia.
Na semana passada, o governo fez um evento para lançar uma proposta chamada #HumanizaRedes – sim, com a hashtag. Desde então, a conta desse “serviço” no twitter tem sido a efígie do (des)governo Dilma: só enfiou os pés pelas mãos, só fez (e escreveu) besteira. Mas a melhor parte: desde sexta-feira (há 4 dias, portanto), a conta vem sendo bombardeada no twitter (não acompanho no Facebook, mas imagino que também esteja) graças a uma iniciativa ABSOLUTAMENTE GENIAL do Danilo Gentili:
Ao iG, Danilo falou nesta segunda-feira (13) sobre o perfil Desumaniza Redes e contou que comprou pessoalmente um prêmio para os participantes. “Comprei um Playstation do meu bolso e vou sortear pra quem mais xingar as redes sociais que o governo criou para combater ‘o ódio’ na internet”, conta. Até o fechamento desta matéria, o perfil do governo contabilizava 7,5 mil seguidores enquanto o criado por Gentili marcava 23,5 mil. Procurada pelo iG, a assessoria de comunicação da Presidência da República não retornou o contato.
“Essa conversa de dividir pra conquistar já deu no saco e está muto manjada. Eles sempre criam algum termo bonitinho em novalíngua mas que no mundo real significa ‘censura’ pura e simples. Essa bobagem autoritária está toda sendo paga com o meu e o seu dinheiro. Usam nosso dinheiro para dizer pra gente o que podemos ou não falar”, argumenta o apresentador. “Dessa vez criaram ‘humanizar’. Claro, eles são os ‘humanizadores’ e, se você der qualquer opinião contrária à agenda política deles, torna-se o oposto disso, ou seja, ‘desumano’. E, dessa forma, vão marginalizando e criminalizando opiniões contrárias à ideologia e à agenda política deles. Então, se esses canalhas são os humanos, temos que ter orgulho em ser desumanos – e manter a liberdade para isso, sempre”, defende Danilo.
Para finalizar, Danilo propõe fazer o contrário do que pede a campanha oficial. “Até desenho criminalizando opinião eles já fizeram para explicar para retardados a censura. Com esses autoritários não tem que dialogar, só ‘desumanizar’ mesmo”.
O Danilo Gentili está coberto de razão: não existe forma “respeitosa” e/ou “racional” para lidar com (mais) esta iniciativa burra, tosca e petética do PT; só resta recorrer ao humor para expor mais uma tentativa forçada de impôr uma agenda que, sob o disfarce inócuo do “politicamente correto” embute um objetivo do PT e de suas linhas auxiliares: a supressão do direito de opinião, da liberdade de pensamento. Vejam o vídeo:
O documento escancarou que o PT vem usando, há bastante tempo, dinheiro e estrutura do Estado (portanto sustentado com o dinheiro dos impostos, taxas e tarifas de todo o cidadão brasileiro) para sustentar uma rede de blogs e sites sujos (que eu costumo chamar de esgotosfera) cuja única finalidade é defender o PT e, para tanto, acusar quem quer que seja dos mais hediondos crimes, ofensas etc. São blogs/sites do mais baixo nível, com textos pavorosos, imagens feitas para ofender mesmo e, se preciso, espalhar mentiras das mais descabidas sobre adversários políticos quando interessa ao PT. Um deles publicou, na época do julgamento do mensalão, uma imagem comparando o Ministro Joaquim Barbosa a um macaco; o mesmo blog, em 2010, havia chamado todos os paulistas de “bestas” – na época, salvei a página, porque acabaria, claro, saindo do ar; essa gente não assume as responsabilidades pelas mentiras, calúnias e impropérios que publicam:
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Além desses blogs e sites que são lidos e produzidos por uma escumalha desqualificada, o documento da SECOM menciona a Dilma Bolada, aquela aberração que começou como um perfil de humor e acabou transformando-se numa pantomima ridícula e ofensiva. E paga – a peso de ouro. Repetindo: tudo com dinheiro público!
Não custa lembrar, ainda, os subterfúgios aos quais o PT recorre, sem nenhum pudor, em época eleitoral, conforme eu detalhei AQUI no blog. São ações das mais baixas, torpes, para espalhar mentiras e evitar qualquer processo judicial.
Dentro deste contexto, portanto, não adianta imaginar que acionar o governo pelas vias legais seja suficiente para barrar uma iniciativa como esta #HumanizaRedes. Não é.
O melhor, mais rápido, mais efetivo jeito é exatamente este que o Danilo Gentili escolheu: usar uma das características das redes sociais para promover a esculhambação – pela via do humor. Deixar claro que a iniciativa é tosca, ridícula, e tem uma finalidade nada republicana. Basta acompanhar o perfil @desumanizaredes no Twitter para ver que o objetivo tem sido alcançado. Com folga. Ao final do texto mostrarei alguns exemplos. Por ora, fiquemos com o #HumanizaRedes propriamente dito.
O primeiro ponto a ser observado: verifique quais pessoas/perfis o @HumanizaRedes segue no twitter. Apenas e tão somente perfis que defendem Dilma, o PT ou suas linhas auxiliares. Muitas dessas pessoas/perfis, aliás, produzem ofensas e violações de direitos humanos na internet – mas isso não importa, pois defendem a Dilma, o PT, os corruPTos de estimação deles etc…
Muitos dos que agora querem "humanizar" as redes chamaram Joaquim Barbosa de "capitão do mato". Têm memória curta, mas está tudo registrado.
O segundo ponto: na última segunda-feira (13/04) começou uma polêmica levantada justamente graças ao @DesumanizaRedes: o logotipo do governista #HumanizaRedes é um plágio. Depois, descobriu-se que era uma imagem de uso gratuito, mas não poderia, por contrato, ser usada como logotipo de uma empresa/organização. Mais tarde (tudo no mesmo dia!), descobriu-se que a Leo Burnet foi a agência que desenvolveu a “campanha” do #HumanizaRedes (por enquanto não há “campanha” nenhuma, apenas um site bem ruinzinho e um perfil do Facebook e no Twitter). A seguir (ainda no mesmo dia!) o burburinho foi acerca do valor gasto pela Presidência da República com esta iniciativa tosca.
Desde a criação do perfil @DesumanizRedes, tudo o que o site governista fez foi tentar se explicar. E só conseguiu enrolar-se mais. Tiveram que emitir uma nota, para tentar esclarecer o plágio do logo. A nota emitida afirmava:
“A logomarca do Humaniza Redes – Compartilhando Respeito foi desenvolvida pela agência Leo Burnett Tailor Made, responsável pela conta da Secom, conforme apontado no Portal Transparência. O Humaniza Redes esclarece que não há plágio, visto que a imagem é encontrada com royalties free, no banco público Getty Images”
Qual o problema com essa nota? Simples: ou a logomarca foi desenvolvida pela Leo Burnett ou não foi. Se ela está no banco público Getty Images, ela não foi desenvolvida pela Leo Burnett para o site. Ou uma coisa, ou outra.
Não foi esclarecido o valor gasto – com a logomarca especificamente, nem tampouco com o site como um todo. Até porque o site não oferece nada de novo, em termos de serviço ao cidadão. Leia os detalhes AQUI.
OUTRA COISA: Na segunda-feira à tarde, depois que houve o questionamento sobre o plágio, mudaram a imagem do perfil @HumanizaRedes no Twitter. Apareceu este aqui:
Depois disso, não sei exatamente em qual momento (não fiquei acompanhando o caso 24 horas ininterruptamente), o logo originalmente usado acabou retornando:
Resumindo: o PT usa o governo (e suas estruturas, como Ministérios, Secretarias, autarquias, bancos, estatais etc) para financiar uma rede de blogs, sites e perfis ofensivos, burros e/ou criminosos (isso quando não reunem todas essas características de uma só vez), cujo objetivo é tentar silenciar qualquer um que se oponha ao governo. E o que foi feito para impedir isso? Para punir?
Nada.
Há algumas iniciativas, de alguns deputados e/ou senadores, que tentam revelar detalhes escusos do vínculo entre o PT, o governo e os sites sujos, mas elas são poucas, esparsas e insuficientes. A boa notícia, todavia, é que aqueles que se opõem ao governo e/ou ao PT, não têm mais medo dessa patrulha ideológica rastaquera. Assim como o PT e seus asseclas perderam o controle das ruas, estão perdendo também a hegemonia na internet. E fora dela.
É importante deixar claro: trata-se de uma questão de COMUNICAÇÃO. Durante décadas a esquerda reinou absoluta: as redações de jornais e revistas (imprensa no geral) sempre foram um reduto da esquerda. Isso tem mudado. A mesma coisa acontece na Universidade, igrejas, sindicatos, ONGs etc. A esquerda sempre teve total e completo domínio. Sobre essa questão da comunicação e da censura, aliás, vale a leitura DESTE texto, cujo início eu copio aqui:
No vocabulário orwelliano crimideia significa qualquer pensamento ou ideia que contrarie a ideologia dominante. A criminalização das ideias foi uma das táticas totalitárias previstas pelo profeta secular George Orwell (1903-1950) no início do século passado.
O clássico “1984” é sobre uma sociedade altamente controlada na qual a crimideia é combatida pela Polícia do Pensamento. O governo totalitário, contudo, sempre troca os significados das palavras para que suas ações não sejam referidas como realmente são.O ministério do governo do Grande Irmão responsável pela tortura dos cidadãos dissidentes, por exemplo, é conhecido como Ministério do Amor. Eis uma das lições de Orwell: o controle de uma sociedade só é possível por meio do controle da linguagem e do pensamento.
A censura é aceita quando vem com outro nome. Assim como a corrupção, o assassinato em massa, o sequestro das instituições, a destruição da cultura e da moral.
O governo Dilma lançou na semana passada uma iniciativa voltada ao controle da linguagem e do pensamento na internet e também com objetivo de promover uma cultura de denuncismo entre os seus usuários – tudo isso supostamente para “humanizar” as redes sociais. Os humanizadores são, na verdade, policiais do pensamento pagos com o nosso dinheiro para patrulhar nossas ideias. Como o Ministério do Amor em “1984”, que na verdade torturava os cidadãos que desfiavam o Grande Irmão, o Humaniza Redes traz no seu nome a negação do verdadeiro significado de sua existência: a censura.
Este é um problema antigo do Brasil: depois de anos de ditadura militar que foi pintada como sendo “de direita” (não cabe entrar neste particular aqui, mas durante a ditadura militar “de direita” no Brasil o número de estatais cresceu de forma absurda: eram 48 em 1960; 87 em 1969; e finalmente 185 em 1979, conforme o Leo Monastério; vamos lembrar que no espectro político-ideológico, quem adora criar estatais é a esquerda, enquanto a direita, especialmente os liberais, são a favor da privatização, com Estado mínimo), passou a ser ofensivo ser chamado de “direita” no Brasil.
Há razões compreensíveis: no mundo inteiro, não apenas no Brasil, quem é “de direita” está ocupado trabalhando, estudando, criando sua família – e, portanto, tem pouco tempo para passeatas, manifestações, reuniões do DA da faculdade, assembléias etc. Assim, a direita (liberais, conservadores e demais “grupos”) ficava calada, criando a impressão de que não existia ou que seria minoria. Não é.
Ultimamente, tem havido reação. A terceira Lei de Newton está começando a funcionar de verdade no Brasil, depois de um longo e obsequioso silêncio. E a esquerda no geral (e o PT em particular) não sabe lidar com esta reação. Acostumaram-se ao papel de protagonistas, e agora estão sendo forçados a serem coadjuvantes. Inclusive na comunicação.
Vou reproduzir abaixo algumas das respostas que o perfil #HumanizaRedes vem recebendo. Mas recomendo ao leitor que vá até a página diretamente, para ver e acompanhar – está muito engraçado. Como eu mesmo escrevi na madrugada de sexta para sábado:
Em poucas horas o novíssimo perfil @DesumanizaRedes humilhou de forma avassaladora a última invenção cretina do PT. Sensacional.
Venho escrevendo aqui neste blog há muito tempo sobre a Petrobras, e sempre afirmei que o PT instalou na estatal aquilo que deve ser chamado pelo seu real nome: GESTÃO TEMERÁRIA.
Está impossível não saber, agora em Dezembro, dos descalabros que a Petrobras sofreu nas mãos da quadrilha imensa que o PT instalou naquela que já foi a mais valiosa empresa brasileira. Hoje a Petrobras está aos cacos.
Uma síntese do que eu escrevi sobre a empresa pode ser lida nos seguintes posts:
1) Em Junho de 2013, eu escrevi AQUI sobre o endividamento monstruoso da Petrobras. A situação, de lá pra cá, só piorou. Alguns tolos afirmam que o endividamento foi resultado do investimento necessário para a exploração do pré-sal; isso é bobagem. O aumento MONSTRUOSO do endividamento decorre de incapacidade de gestão.
2) Dois dias depois, escrevi AQUI sobre novos fatos que pioravam a situação da estatal. Revelam-se mais exemplos de incompetência gerencial.
3) Em Outubro de 2014, escrevi AQUI uma comparação entre a situação da Petrobras em 2002 (último ano sob FHC) e 2013/2014 (atual). Este comparativo, aliás, é bastante claro: tem-se ali a comprovação factual de que o PT destruiu a Petrobras. Os dados usados são públicos, auditáveis, e ainda não incluem os prejuízos causados pela quadrilha que vem dilapidando a estatal paquidérmica (petrossauro, termo do saudoso Roberto Campos, que há muitos anos já dizia que era preciso privatizar essa estrovenga). Por enquanto, existem algumas estimativas sobre as perdas que a corrupção generalizada causou, mas estes números ainda podem (e devem) aumentar, conforme avancem as investigações. É preciso lembrar, ainda, que as investigações, por mais aprofundadas e detalhadas que sejam, jamais conseguirão identificar 100% do esquema de corrupção que o PT instaurou na estatal – só lembrando: no caso do mensalão, o montante que ficou comprovado foi de R$ 170 milhões, mas todos sabem que o valor foi muito maior. A investigação precisa comprovar os desvios, e esquemas de corrupção são planejados para não deixar rastros, o que dificulta sobremaneira a identificação clara de tudo para que conste dos autos de um processo judicial.
Desde que surgiu a operação Lava-Jato, que vem dissecando a corrupção na Petrobras, eu não tenho escrito muito sobre o caso porque há uma quantidade absurda de fatos novos a cada dia. Não há tempo de acompanhar tudo e também seria chato apenas reproduzir matérias dos jornais sobre o caso – além de não acrescentar nada.
Mas hoje quero abrir uma exceção, para acrescentar algo. Começo com este vídeo:
A pessoa que publicou o vídeo sugere, no título, que Dilma estaria “dando uma aula” sobre a Petrobras.
Infelizmente para esta pessoa, os fatos são chatos, teimosos, e insistem em mostrar que Dilma Rousseff é, além de burra, mentirosa.
A então Ministra da Casa Civil, que presidia o Conselho de Administração da Petrobras (e, portanto, tinha o poder de decidir sobre a compra da usina de Pasadena), falou bobagem.
Ela enaltece a contabilidade da Petrobras. Os fatos, contudo, são outros:
Sem saber quanto tempo vai levar para que se tenha conhecimento do real impacto da corrupção no balanço da companhia, a Petrobras vai pisar no freio em 2015. A estatal admitiu ontem que os investimentos serão menores em relação aos deste ano por uma série de motivos: os escândalos envolvendo a Operação Lava-Jato; a queda do preço do barril de petróleo, de US$ 110 para cerca de US$ 60; e a valorização do dólar frente ao real, que atingiu o maior patamar desde 2005.
Graça Foster, presidente da estatal, disse ontem que não há a menor segurança para se dizer em quanto tempo será possível determinar os valores das baixas contábeis a serem lançados no balanço como reflexo das propinas pagas. A empresa ainda não conseguiu publicar o balanço não auditado do seu terceiro trimestre deste ano, por não ter tido acesso aos depoimentos de todos os executivos envolvidos no escândalo.
— Não há a menor segurança de que em 45, 90, 180, 365 ou 700 dias virão todas essas informações em sua plenitude. Nós vamos acompanhar todos os depoimentos e todas as delações premiadas. Estou ansiosa para ter acesso à colaboração (depoimento à Justiça Federal) do Barusco (Pedro Barusco, ex-gerente da área de Engenharia), mas não saberei se ela é completa. Estamos trabalhando para que se possa fazer essa avaliação do real valor do ativo — disse Graça.
Enquanto isso, Graça disse que a companhia está “trabalhando num procedimento” para permitir a publicação do balanço não auditado até o fim de janeiro. Ela disse apenas que o procedimento é aceito pelo mercado. O balanço deveria ter sido publicado em 14 de novembro.
— Economia, economia e economia. Gasta menos e faz mais. E isso é extremamente importante, porque estamos nesse trabalho de ter nosso balanço fechado para que a gente possa aproveitar no mercado as oportunidades que vierem no que se refere a captações eventuais que possam ser feitas — disse Graça.
Matéria completa do jornal O Globo está em http://oglobo.globo.com/brasil/petrobras-ainda-nao-sabe-quando-balanco-tera-dados-seguros-14863359#ixzz3MIbtyt12
O pior, contudo, é que um balanço agora seria absolutamente inútil, porque falso.
Aliás, por falar em auditoria:
A Controladoria-Geral da União (CGU) informou nesta quarta-feira (17/12), que houve prejuízo de US$ 659,4 milhões na compra de Pasadena, uma refinaria localizada no Texas (EUA) e adquirida pela Petrobras. Segundo comunicado da instituição, o relatório de auditoria foi concluído ontem e diz que operação ocorreu por um valor “superior àquele considerado justo, se levado em conta o estado em que Pasadena se encontrava à época”.
Em nota, a CGU explicou que com base no relatório, o ministro-chefe Jorge Hage determinou a instauração de processos administrativos sancionadores em desfavor de 22 pessoas. Estão listados ex-dirigentes, empregados e ex-empregados da Petrobras, incluindo os já identificados pela Comissão Interna da Apuração (CIA) da estatal. “Entre os que podem, ao final dos processo, vir a ser responsabilizados, estão o ex-presidente José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada”, informou o órgão.
A CGU explicou ainda que a compra da refinaria foi feita em duas fases: os primeiros 50%, em 2006, e os 50% remanescentes, em 2008. “Em relação à primeira metade, o relatório da Controladoria concluiu que a aquisição foi amparada em Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), feito pela estatal, que não considerou todas as premissas aplicáveis ao negócio; essas, se consideradas, resultariam na redução do valor máximo aceitável para a compra”, argumentou.
No pagamento dos 50% iniciais, a CGU identificou que a argumentação usada para a aceitação de um valor superestimado foi fundamentada na potencial rentabilidade da refinaria e não no valor dos ativos no estado em que se encontravam. “Outro ponto observado pela equipe da Controladoria foi que a Petrobras, na condição de compradora, deveria e poderia ter buscado, nas negociações, entre os diversos cenários montados pela consultoria Muse Stancil, o que mais a favorecesse e não o pior deles, como ocorreu”, disse a nota da CGU.
O Relatório da CGU registra que a avaliação feita pela Muse Stancil sequer foi informada no documento que deu suporte à decisão. O referido documento informou que a avaliação dos ativos fora feita pelo Citigroup, em sua Fairness Opinion, o que não foi confirmado pelas evidências apuradas pela equipe de auditoria.
O órgão de auditoria do governo constatou ainda que os contratos que formalizaram a operação continham cláusulas que, quando “conjugadas ao direito de venda conferido à Astra (put option), tornavam a relação negocial desvantajosa para a estatal brasileira”. “O relatório aponta a existência de cláusulas contratuais favoráveis à Astra, sem compensar de forma justa a Petrobras, e sem dividir os riscos do negócio de forma equânime”, apontou o documento da CGU. O órgão ainda afirmou que a equipe da CGU encontrou “forte indício de manobra” para forçar a aquisição.
Pois é… Aquele negócio que a Ministra Dilma achou excelente quando era Presidente do Conselho de Administração da Petrobras causou um belo prejuízo, segundo o TCU. Talvez esteja aí a explicação do porque Dilma conseguiu levar uma loja de R$ 1,99 à falência na época da paridade cambial dólar-real.
Quando a entrevista mostrada no vídeo acima foi exibida, Dilma já havia aprovado a compra da refinaria velha e ultrapassada de Pasadena.
Naquela época, o esquema de corrupção já funcionava a pleno vapor na Petrobras.
E o que dizia a Ministra?
Veja o vídeo novamente, por favor.
Vamos contextualizar mais uma coisa: Sérgio Gabrielli. Reportagem do Estadão:
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil contra a Petrobrás, a empreiteira Andrade Gutierrez, além de funcionários da estatal, por improbidade administrativa em razão de irregularidades em obras da companhia. Entre eles está o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. O prejuízo estimado é de quase R$ 32 milhões aos cofres da Petrobrás.
A ação, subscrita pela promotora de Justiça Glaucia Santana, diz respeito a quatro contratos fechado para a realização de obras da ampliação e modernização do Centro de Pesquisas (Cenpes) e implantação do Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD) da Petrobrás. Os contratos foram superfaturados entre 2005 e 2010, segundo o Ministério Público.
José Sergio Gabrielli foi Presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, quando finalmente foi substituído pela atual Presidente, Graça Foster. Gabrielli fazia na Petrobras aquilo que Lulla mandava.
Foi durante seu período na Presidência da estatal petrossauro que o esquema de desvio de dinheiro e corrupção investigados atualmente na operação Lava-Jato cresceram exponencialmente – ainda não se sabe quando começaram exatamente.
O fato concreto é que a Petrobras sofreu com PT, Lulla, José Eduardo Dutra, Sérgio Gabrielli, Dilma e Graça Foster.
Cada um deles deu a sua contribuição para dizimar a Petrobras:
As ações da Petrobras desmancharam e renovaram mínimas. O papel PN recuou 9,20%, para R$ 9,18, menor cotação desde 20 de julho de 2005, quando encerrou em R$ 9,16. O ON caiu 9,94%, para R$ 8,52, no menor nível desde 15 de setembro de 2004, quando terminou a R$ 8,47.
No fechamento do Ibovespa, o barril de petróleo WTI para entrega em janeiro recuava 2,45%, a US$ 56,66. O Brent para janeiro caía 1,25%, para US$ 61,38 o barril.
O presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, disse que a não divulgação do balanço da Petrobras na sexta-feira adiciona mais risco aos papéis e afugenta o investidor estrangeiro. Na sexta-feira, a empresa informou que adiaria mais uma vez a publicação de seu balanço não auditado. As demonstrações, que seriam divulgadas sem a anuência do auditor, a PricewaterhouseCoopers (PwC), agora são esperadas para o fim de janeiro.
“Espera-se que o balanço seja divulgado até o final de janeiro de 2015, caso contrário, dívidas em US$ 7 bilhões vencerão antecipadamente”, diz o Banco Fator em nota. Além disso, caso a empresa não divulgue seu balanço até o final de junho do próximo ano, o vencimento será de US$ 56,7 bilhões em dívidas.
“O exercício de opções sobre ações prejudicou ainda mais as cotações”, diz Magliano Neto. Segundo ele, não houve espaço para o exercício de opções de compra e muitos investidores que estavam com os papéis na mão para operações de derivativos optaram por vendê-los logo após o vencimento, às 13 horas. O vencimento de opções sobre ações na Bovespa movimentou R$ 3,58 bilhões. Do total, R$ 3,262 bilhões foram em opções de venda e R$ 352 milhões em opções de compra.
Magliano diz ainda que os estrangeiros estão vendendo os papéis da Petrobras. Para o profissional, a grande dúvida do mercado é o vencimento de opções sobre Ibovespa e Ibovespa futuro nesta quarta-feira. Os estrangeiros ainda estão comprados, mas podem reverter suas posições.
Sim, o valor de mercado da Petrobras DESPENCOU, e surgiram as piadinhas com o valor das ações da empresa…
Algumas das piadinhas, aliás, são bem sacadas!
Lamentavelmente, os incomPTentes que tomaram de assalto a Petrobras fizeram isso: dizimaram a empresa em todos os sentidos.
Assim, a questão que se apresenta é a seguinte: quais as perspectivas pra a Petrobras?
Vai falir?
Vai se recuperar e gerar lucro?
Bom, falir não vai, porque o seu maior acionista é o governo. O mais provável é que o governo use dinheiro público (meu, seu, nosso) para capitalizar a estatal paquidérmica, algo parecido com o que vem sendo feito com o setor elétrico: em 2012 a Dilma DESTRUIU o setor de energia elétrica, e desde então vem usando recursos do Tesouro para cobrir o rombo.
Existem casos semelhantes: o Banco do Brasil deveria ter falido 3 vezes durante o mandato de FHC, mas o governo injetou dinheiro para garantir que aquela outra estrovenga estatal, ineficiente, cara e pessimamente gerida, fosse à lona.
E a Petrobras, vai gerar lucro? Vai se tornar eficiente?
Bom, empresa de petróleo sempre gera lucro, mesmo que mal administrada como a Petrobras. O problema é a que custo.
Enquanto houver PTralhas arruinando o governo, a Petrobras – e todas as demais estatais, autarquias etc – continuará sendo mal administrada.
Enquanto essa estrovenga não for privatizada, a petrossauro seguirá um atraso de vida.
ATUALIZAÇÃO DE 21/12/2014: Depois que já havia publicado o post assisti o vídeo abaixo, e resolvi inclui-lo aqui. Há uma cena do debate de 2010, entre José Serra e Dilma Rousseff, tratando da Petrobras. Vale a pena ver:
Finalmente acabou a campanha eleitoral mais suja e mentirosa que eu já testemunhei (incluindo a de 1989).
Desde então, tenho lido inúmeros artigos criticando o “marketing político”, que teria sido o responsável pelo baixo nível da campanha, e que explicaria o estelionato eleitoral que vem ocorrendo desde o dia 27 de Outubro. Alguns exemplos de jornalistas (ou articulistas, colunistas etc) que estão utilizando erroneamente o conceito de marketing (são muitos exemplos, então tive que restringir a escolha, sob risco de ter que produzir uma wikipedia inteira): aqui, aqui, aqui e aqui.
Com efeito, quando os jornais, revistas e portais de notícias publicam artigos que criticam o marketing político, ou que usam o conceito de marketing como se fosse equivalente a propaganda enganosa, os leitores acabam acreditando que aquilo é marketing. Pior ainda: as pessoas ficam com uma impressão pejorativa do marketing! Essa impressão acaba ganhando ares de senso comum: sempre que alguém quer dizer que um candidato mentiu, coloca a culpa no marketing:
Vejam como a realidade desmantela o marketing eleitoral de Dilma – Parte 1 – http://t.co/WM5uXqRoqM
MARKETING NÃO É NADA DISSO!!!
Eu já escrevi aqui há muito tempo, e repito: marketing político NÃO EXISTE. A única coisa que os chamados “marqueteiros” das campanhas politicas fazem é COMUNICAÇÃO. Nada contra a comunicação, evidentemente, mas comunicação NÃO é sinônimo de marketing.
Eu já contei um caso aqui no blog, há muito tempo, e vou recapitular de forma resumida. Uma aluna queria fazer um TCC sobre marketing político, e pediu que eu orientasse o trabalho. A contragosto, fiquei de analisar se toparia ou não. Fiz, então, uma pesquisa em textos e fontes acadêmicas sobre o tema. Achei uma dissertação de mestrado, e fui ler.
O que a autora da dissertação chamou de “marketing político” era, na verdade, um conjunto de ações de COMUNICAÇÃO. Preparar discursos de candidatos, fazer roteiros de programas políticos, redigir frases a serem usadas em comícios, atos de campanha e debates, produzir conteúdo para sites, mídias sociais e outros meios etc…
TUDO, enfim, que compete a uma agência de comunicação/propaganda.
O problema é que marketing é um conceito bem maior, mais abrangente, mais amplo.
Vou recorrer a uma das definições elementares do conceito de marketing, que apresento aos meus alunos no início do curso, para ajudar a esclarecer o senso comum que leva a esmagadora maioria dos leigos a confundir marketing com propaganda:
Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam através da criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor.
Esta definição acima é do Philip Kotler, extraída do livro Administração de Marketing. Eu poderia apresentar outras definições, mas vou ficar apenas com uma, para simplificar (quem quiser aprofundar-se, pode ler o excelente artigo FALÁCIAS EM MARKETING NO BRASIL, escrito em 2006 por Marcos Campomar e Ana Ikeda, texto que eu uso na primeira semana de aula, aliás, pois apresenta diversas falácias e concepções equivocadas sobre o conceito de marketing).
A partir desta definição do Kotler, fica evidente que numa campanha político-eleitoral, não são criados produtos nem serviços para um determinado público consumidor; busca-se, apenas e tão somente, ajustar os discursos de um candidato a um determinado cargo politico de forma a fazer com que a maioria dos eleitores vote naquele candidato. Isso é, em suma, COMUNICAÇÃO.
Eis aqui um exemplo da comunicação adotada pelo PT nesta campanha suja de 2014:
Este caso específico mostra duas coisas: (1) COMUNICAÇÃO é fundamental numa campanha eleitoral ; (2) o PT adota a comunicação do terrorismo eleitoral, tentando fazer com que os milhões de beneficiários do bolsa família votem na Dilma por causa do MEDO de perder o benefício.
Mas não é só a chantagem com o bolsa família, não:
Ou ainda:
Mais um exemplo (este aqui eu recebi a menos de 5 dias do 1o turno):
O chamado “marqueteiro” do PT, João Santana, não faz marketing, ele apenas escolhe as ferramentas de comunicação que julga mais apropriadas e decide a forma de usá-las, o momento etc. Ele não está preocupado com a satisfação do cliente/consumidor (basta ver os exemplos de estelionato eleitoral que serão apresentados mais abaixo), ele não se preocupa em mentir para fazer com que a pessoa vote na Dilma, nada disso. Tudo o que importa é conseguir o voto.
Eu não resisto a apresentar a definição da American Marketing Association, para encerrar a parte de conceituação:
Marketing is an organizational function and a set of processes for creating, communicating and delivering value to customers and for managing customer relationships in ways that benefit the organization and its stakeholders.
O que acontece numa campanha eleitoral é mais simples do que parece: candidatos mentem e, depois de eleitos, acabam tendo que fazer coisas um pouco diferentes das promessas. Em alguns casos, a diferença entre a promessa e a ação posterior à eleição é maior. E, num patamar mais elevado, temos o que vem ocorrendo no Brasil: ESTELIONATO ELEITORAL. Durante a campanha, Dilma e o PT mentiram de forma assombrosamente desavergonhada e, depois que (infelizmente) ganharam a eleição, começou a ficar evidente o estelionato eleitoral.
Vamos a alguns exemplos, a seguir.
O primeiro caso: a candidata usa sua conta no Twitter em 19 de Outubro para falar sobre desmatamento:
No dia 07 de Novembro, a Folha publica isso:
O segundo caso: inflação e juros. Durante toda a campanha, Dilma afirmou que o PSDB gostava de juros altos. Fizeram uma campanha extensa com mentiras e deturpações de diversos dados e até mesmo de falas do Armínio Fraga sobre salários mínimo, juros, bancos públicos etc. Aqui, dois exemplos, ambos datados de Outubro:
A eleição aconteceu no dia 26. Apenas TRÊS dias depois, aumento de juros. Eis aqui a capa do jornal O Globo do dia 30 de Outubro:
Há inúmeros outros casos: aumento de energia elétrica, aumento do preço da gasolina, aumento do número de miseráveis no Brasil etc (veja mais alguns exemplo ao final do post).
Para finalizar, uma das maiores e mais descaradas mentiras que eu ouvi durante a campanha: o Bolsa Família.
Primeiro um vídeo curtinho:
Agora, uma das afirmações mentirosas da Dilma durante a campanha:
A questão central é relativamente simples: durante a campanha o PT adotou a MENTIRA como “estratégia”. As propagandas do horário político mostravam um país que jamais existiu, sem problemas, com tudo perfeito. Em diversas oportunidades da candidata Dilma afirmou, com todas as letras, que a inflação estava sob controle; a candidata mentiu quando se referiu às idéias defendidas pelo Armínio Fraga; a candidata mentiu sobre tarifas de serviços públicos etc. etc. etc. Passada a eleição, a realidade tratou de desmontar ruidosamente a campanha falsa. Tudo o que a Dilma falou desceu pelo ralo.
Marketing não tem nada a ver com isso. O que aconteceu não foi marketing eleitoral, nem marketing (sem o adjetivo “eleitoral” depois). Alguns poderiam chamar de “propaganda enganosa“, mas jamais de marketing. O termo correto é sucessão de mentiras, que se acumularam, e depois ficou latente o estelionato eleitoral.
Alguns poderão lembrar que logo após a eleição de 1998, o Brasil sofreu um estelionato eleitoral também: FHC segurou a paridade do real frente ao dólar de forma artificial, e pouco depois de ter sido reeleito, começou o ajuste que causou uma crise. Sim, houve estelionato eleitoral ali. Da mesma forma, Fernando Collor promoveu outro estelionato eleitoral, com o confisco da poupança.
E aqui faço um pequeno parêntesis: dois economistas que têm voz ativa no PT e no governo Dilma foram FAVORÁVEIS ao Plano Collor: Maria da Conceição Tavares e Luiz Gonzaga Belluzzo. Belluzzo, aliás, não apenas foi favorável ao confisco e ao Plano Collor como um todo, mas colaborou ativamente. Tanto Tavares quanto Belluzzo seguem defendendo o PT, Lulla, Dilma e companhia limitada, apoiando a política econômica desenvolvimentista que só tem produzido o fiasco econômico dos últimos anos. Fecha parêntesis.
Desta forma, resta evidente que estelionato eleitoral não é uma novidade no Brasil. Contudo, nunca antes na história deste país houve um estelionato eleitoral tão grande, abrangente, profundo e descarado como o atual, promovido pela economista que não entende nada de economia e que teve a rara habilidade de levar à falência uma lojiha de R$ 1,99 na época da paridade do real ao dólar.
A seguir um pequeno apanhado da quantidade de mentiras contadas por Dilma Ruinsseff na campanha que foram desmascaradas pelos fatos em poucos dias, conforme eu havia prometido (clique nas imagens se quiser ampliar):
Devido ao período eleitoral, já andei lendo algumas afirmações estapafúrdias sobre o perfil da Petrobras ao final do mandato do PSDB (dezembro de 2002) e agora, sob o mandato do PT. Se o intuito é fazer comparações entre os legados, vamos lá!
Antes de começar: exceto quando indicado expressamente, estou usando dados de Dezembro de 2002 e Dezembro de 2013 (haja vista que o ano de 2014 ainda não acabou).
Ao iniciar a pesquisa para escrever este texto, localizei um artigo publicado originalmente no site “Brasil 247“, um daqueles sites da esgotosfera governista (bancado com dinheiro de estatais para elogiar o PT). Nada publicado naquela pocilga presta, mas serei mais específico (os trechos grifados eu irei comentar na sequência):
Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações porque, agora, distante daqueles acontecimentos, falam como se aqueles tempos fossem modelares, e estes, os tempos do naufrágio. De naufrágio na Petrobras, como vimos, é o tucanato que entende. São números gritantes que revelam, de um lado, o desastre do passado; de outro, o quanto a Petrobras cresceu sob a gestão Dilma/Lula. Peguemos o valor da empresa, sobre o qual volta e meia o tucanato deita falação.
Em 2002, a Petrobras valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012, seu valor subiu para 126 bilhões de dólares. Esses números revelam o que foi o trabalho da gestão tucana, medíocre, e o que foi a administração Lula/Dilma.Como o tucanato tem feito cavalo de batalha sobre o lucro da empresa em 2012 – nada mais, nada menos que R$ 21,2 bilhões –, vamos recordar, que recordar é viver, que em 2002, o lucro da Petrobras foi de R$ 8,1 bilhões.
E agora, José? Quanto a investimentos, que é sempre bom comparar, em 2002, a empresa investiu R$ 18,9 bilhões. Em 2012, chegou a investir R$ 84,1 bilhões. É sempre um escândalo de superioridade. Querem mais? Que nos lembremos do número de empregados, que saltou de 46,6 mil trabalhadores em 2002 para 84,7 mil em 2012. Claro, sabemos, o tucanato critica os concursos, nunca quer aumentar o número de assalariados, lança sobre a empresa o seu olhar de Estado mínimo que quase levou o Brasil à falência (…)
Andaram criticando a produção de óleo, não foi? O tucanato é assim: lê pouco, estuda pouco, investiga pouco para deitar falação. Que seja, comparemos. Em 2002, o Brasil produzia 1 milhão e 500 mil barris por dia. Em 2012, saltou para 1 milhão e 980 mil barris por dia. Vamos então à comparação quanto às reservas provadas: de 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BOE) em 2002 para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente de petróleo em 2012. Nada, nada que se compare, por óbvio, favorece a gestão temerária e irresponsável do tucanato à frente da Petrobras.
Receita, o tucanato gosta muito de falar em receita. Aí é um escândalo: lá, em 2002, era de R$ 69,2 bilhões; em 2012, saltou para R$ 281,3 bilhões. Sob quaisquer aspectos, os anos dos governos Lula/Dilma foram superiores em relação à Petrobras. O que impressiona é ouvir o senador Aécio Neves falar em reestatizar a Petrobras. Será que ele se esqueceu de que a pretensão óbvia, escancarada do tucanato era privatizar a empresa? Por alguma razão, a memória deve estar falhando. Não se lembra da proposta de Petrobrax.
Vou deixar de lado as bobagens partidárias e me concentrar nos dados e afirmações referentes à comparação da situação financeira da Petrobras nos dois momentos supracitados.
O autor considerou o valor nominal (tanto da receita quanto do lucro ou do valor de mercado) de 2002 e comparou com o valor nominal de 2012. O sujeito não sabe que o valor do dinheiro muda no tempo? Sugiro ao Sr. Emiliano José tirar uma licença não remunerada do seu cargo de suplente de deputado pelo PT/BA e estudar a diferença do dinheiro no tempo.
A variação da moeda, assim como a inflação, foi desprezada; a variação do preço do petróleo foi ignorada etc. Em dezembro de 2002, o preço do barril de petróleo bruto era US$ 27,89; em dezembro de 2013 era US$ 105,49. O crescimento nominal é de 278,24%. O autor do “texto” mencionou isso? Não.
Pior: ele simplesmente ignorou todos os elementos BÁSICOS e ELEMENTARES que um aluno de Administração Financeira aprende nas primeiras aulas. Um exemplo bastante elementar: imagine que a empresa A vende um litro de um certo produto por 27 reais, enquanto a empresa B vende o mesmo litro do mesmo produto por 105 reais. Qual das duas terá receita de vendas maior, supondo que ambas vendam a mesma quantidade de litros do produto?
Se o preço (de revenda) do meu produto aumenta e minhas vendas também aumentam, meus lucros aumentarão, certo? Impossível ter prejuízo neste cenário, não é? Depende. A Petrobras prova que não necessariamente: em 2012 a Petrobras conseguiu ter prejuízo no 2.o trimestre (R$ 1,3 bi), mesmo com o consumo, vendas e preços aumentando. Mas como deu prejuízo, então? Eis aqui:
A Petrobras teve prejuízo porque ela teve que importar gasolina. Muita. Detalhe: ela pagava mais caro do que o preço de revenda no Brasil. Sim, você leu direito: sob a batuta de Lula e Dilma Rousseff, a Petrobras transformou-se numa empresa que compra um produto por R$20,00 e vende a R$14,00, conseguindo a proeza de ter prejuízo a cada venda realizada.
Genial, não?!
Outro exemplo bastante básico: em dezembro de 2002 o João investiu R$ 100,00 na caderneta de poupança. Se em dezembro de 2013 ele tivesse os mesmos R$ 100,00 de saldo, sendo que ele não fez nenhum saque e nenhum depósito ao longo do período, ele iria ficar feliz? Não, porque R$ 100,00 em 2002 compravam mais coisas do que R$ 100,00 em 2013.
Quando nós depositamos R$ 100,00 na caderneta de poupança (ou qualquer outro investimento, no geral), temos a expectativa de que quando formos sacar o dinheiro haja um valor MAIOR do que o valor que nós depositamos, certo? Mas e se o valor for exatamente o mesmo? Perda do poder de compra devido à famigerada INFLAÇÃO, entre outros fatores. O Sr. Emiliano ignorou esse “detalhe” também. Fazendo alguns cálculos grosseiros, bem básicos mesmo, é possível provar que o Sr. Emiliano está completamente errado. EM TUDO.
A oferta monetária brasileira expandiu-se fortemente desde 2002, fazendo com que a moeda brasileira perdesse um pouco mais de 90% do poder de compra durante o período. Traduzindo: R$ 10,00 hoje representam algo como R$ 1,10 em 2002. Considerando-se, portanto, a perda da moeda e seu reflexo nos indicadores da Petrobras, a empresa deveria apresentar um lucro de PELO MENOS R$ 73,71 bilhões (anuais) e não apenas os R$ 21,2 bilhões apresentados em 2012 ou os R$ 23,4 apresentados em 2013.
A incapacidade atual da empresa em não obter esse número gera um óbvio reflexo sobre a rentabilidade do patrimônio, que caiu de 23,59% em 2002 para a 5,89% em 2014 – o que representa aproximadamente metade do retorno da Selic (atualmente 11%). Este baixo retorno aumenta os riscos para o investimento. Em português: não quero investir meu dinheiro na Petrobras porque, na comparação com outros investimentos, ela está com um retorno decrescente. O resultado dessa escolha equivocada da Petrobras é bastante claro (reportagem publicada no Globo aqui):
Das grandes empresas de capital aberto na América Latina e nos Estados Unidos, a Petrobras é a que apresenta o pior retorno em suas ações, segundo dados da consultoria Economática, que levou em conta as companhias com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões. A estatal também viu seu valor de mercado cair pela metade em menos de quatro anos, período que serviu de base para o levantamento.
Foi considerado o período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014 e, com base no critério de valor de mercado de no mínimo US$ 100 bilhões, as ações de 38 empresas foram analisadas. Foram considerados os preços em dólares para o cálculo do retorno das ações. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras apresentam queda de 50,59% e os preferenciais (sem direito a voto) acumulam desvalorização de 38,18%.
Já o valor de mercado da estatal caiu a menos da metade. Em dezembro de 2010, a Petrobras valia US$ 228,2 bilhões e na última sexta-feira, US$ 108,9 bilhões, um recuo de 52,3%. Entre as ações com melhor desempenho, aparecem a Exxon Mobil, que apresentou uma valorização de 43,7% no período, seguida da Coca-Cola, que subiu 42,84%.
Outra coisa: a perda da eficiência operacional fez com que sua margem líquida se reduzisse praticamente pela metade ao longo do governo petista, decaindo de 11,71% em 2002 para 6,68% em 2014. Se não bastasse, os fundamentos da empresa estão ameaçados devido ao estrangulamento do único fundamento que acompanhou a desvalorização monetária: as dívidas. O endividamento bruto da Petrobrás subiu de R$ 30,80 bilhões em 2002 para R$ 308,15 bilhões em 2013, enquanto seu endividamento líquido subiu de R$ 18,92 bilhões em 2002 para R$ 229,6 bilhões em 2013. Mais adiante apresentarei um gráfico ilustrando essa questão.
Agora quanto ao valor de mercado da Petrobras e o índice Bovespa: de 1995 até o final de 2002 (período do PSDB), a ação da Petrobras se multiplicou por 6, enquanto o Ibovespa apenas triplicou. Ou seja, o desempenho da estatal foi o dobro do índice de ações brasileiras no período.
O Gráfico 1 ilustra este período (clique nos gráficos para ampliar):
Na era do PT (Gráfico 2, abaixo), a ação da Petrobras se multiplicou por quase 5, ou seja: o mesmo patamar do Ibovespa. O período do PT é mais longo, pois tem, além dos 2 mandatos de Lula, mais os 3 anos de Dilma. Ainda assim, a Petrobras se valorizou menos em termos nominais, e bem menos em relação às demais empresas brasileiras. Como o Gráfico abaixo demonstra, em 2008 houve um descolamento dos índices da Petrobras em relação ao Ibovespa, que se deveu ao “frisson” causado pelo pré-sal. Contudo, ao final do período, houve empate.
Mais uma coisa: como a Petrobras vende uma commodity, seu preço é fundamental para determinar sua receita e, por conseguinte, sua rentabilidade. Logo, comparar com uma cesta de empresas do mesmo setor se faz necessário para uma melhor análise. Eis o resultado:
Não foi possível pegar dados desde 1995 pois não estão disponíveis para o XLE; assim, o Gráfico 3 acima retrata o período do final de 1998, que engloba o segundo mandato de FHC, até o fim de 2002. Neste intervalo, a Petrobras subiu mais de 20%, enquanto o XLE ficou estável. Em compensação, nos últimos quatro anos a Petrobras perdeu 80% de valor em relação ao XLE. A grande destruição de valor da estatal tem se dado na gestão Dilma, em parte pela “herança maldita” de Sérgio Gabrielli no comando da empresa, em parte pelo uso político da estatal, incluindo o congelamento de preço do combustível.
Mas não acabou ainda. O Sr. Emiliano José jogou alguns números de funcionários da Petrobras em seu apanhado de falácias.
Segundo a própria Petrobras informou em Junho de 2014 (aqui), o efetivo atual do Sistema Petrobras é de 86.108 empregados, que inclui a Petrobras controladora e todas as suas empresas no Brasil e no exterior. Em 2002, esse número era de 40.395 empregados. Em 2002, o número de empregados de empresas prestadoras de serviços no Sistema Petrobras era de 121.225. Hoje são 360.180 prestadores de serviço.
Traduzindo: houve aumento de 197% no total de funcionários terceirizados, enquanto o quadro de funcionários contratados/concursados sofreu expansão de 113% (estou ignorando as casas decimais).
Não localizei os dados de produtividade do período para a comparação, o que seria crucial. Mas é possível fazer a seguinte conta:
Antes havia 40.395 empregados e gerou-se um lucro de R$ 8,1 bilhões. Assim, o lucro por funcionário era R$ 200.519,87.
Agora há 86.108 funcionários e um lucro de R$ 21,2 bilhões (este é o valor apresentado pelo suplente de deputado do PT em seu artigo mentiroso, referindo-se a 2012). Assim, o lucro por funcionário é R$ 246.202,44.
Foram mais de 10 anos, e o lucro por funcionário aumentou apenas 22%?
A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas o lucro por funcionário aumentou APENAS 22%. Isso indica claramente perda de produtividade.
Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário da Petrobras CAIU de 37 para 22, ou seja, CAIU 40%.
Vou repetir, pois isso é muito importante: A PRODUÇÃO (BARRIS/DIA) POR FUNCIONÁRIO DA PETROBRAS CAIU 40% SOB LULA/DILMA.
Estou resumindo no Quadro abaixo:
OBS: No Quadro, o Lucro utilizado é o de 2012, não de 2013, pois foi o valor utilizado no texto do suplente de deputado do PT e “jornalista”.
Quero destacar que utilizei os mesmo números apresentados pelo Sr. Emiliano para basear esta comparação. Como o “jornalista” é suplente de um deputado do PT, jamais se pode descartar a hipótese de ele ter deturpado os números e/ou mentido. Mas não importa: mesmo se ele tiver inflado os números, ainda é evidente que a Petrobras piorou sob a gestão do PT.
Abaixo, um gráfico comparando 4 números: receita, dívida bruta, dívida líquida e lucro. Percebam a variação destes indicadores entre 2002 (barras azuis) e 2013 (barras vermelhas).
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O que mais salta aos olhos: o lucro cresceu muito pouco quando comparamos com o crescimento da dívida.
Além disso, percebam que em 2002 havia uma lógica (proporção) na correlação entre os 4 indicadores: a receita era a maior, a dívida bruta menor, a dúvida líquida menor ainda e o lucro era o menor dos 4 números. Havia, pois, uma lógica, uma PROPORCIONALIDADE entre estes 4 indicadores.
Com o PT, acabou a lógica, acabou a proporção. Em 2013, a dívida bruta supera a receita. E, atenção, SUPERA MUITO.A Petrobras estava financeiramente equilibrada em 2002, e está desequilibrada em 2013 (hoje, 8 de outubro de 2014, está pior, mas se recuperando nos últimos 2 dias em termos de valor de mercado e interesse nas ações graças às chances de que o Aécio venha a se eleger).
Outra coisa que fica muito evidente neste gráfico: O AUMENTO BRUTAL DO ENDIVIDAMENTO. Um absurdo.
Em tempo: aqui eu mostrei uma comparação mais detalhada entre a Petrobras e a Ecopetrol da Colômbia. Quero relembrar o seguinte: a EcoPetrol tem uma produção MUITO menor do que a Petrobras (cerca de 612 mil barris/dia, contra 1,98 milhão da Petrobras), mas tem uma rentabilidade de 19%, enquanto a Petrobras patina na casa dos 6%.
E já que mencionei outra empresa, vou expandir um pouquinho o escopo. Para quem quiser falar em “privataria tucana”, ou dizer que o PSDB algum dia quis privatizar a Petrobras (infelizmente jamais pretendeu, o que é uma pena), os gráficos abaixo podem magoar: uma sucinta comparação entre as ações da Vale, privatizada, e da Petrobras, estatal; há, ainda, um resumo do que houve com a telefonia celular graças à privatização (clique para ampliar):
Resta provado, assim, que a Petrobras piorou em termos de gestão. Mas há um outro aspecto relevante, no qual não vou enveredar pois fugiria ao escopo; vou apenas citar. CORRUPÇÃO.
Nos últimos meses há denúncias das mais diversas mostrando que a Petrobras foi amplamente usada como balcão de negociatas das mais sujas. O dileto leitor pode encontrar diversas nas excelentes reportagens da Revista Época sobre o tema – foram diversas. Sobre isso, relembro apenas uma coisinha:
E, para finalizar, quero citar um caso que aconteceu comigo, em sala de aula.
Em 2007 eu estava dando uma aula de marketing, tratando de análise de cenários, concorrência, posicionamento estratégico de marketing etc. Em dado momento, usei como exemplo a Petrobras, e passei a discutir concorrentes (atuais e futuros). Uma aluna levantou a questão dos combustíveis renováveis, especialmente etanol. Ela disse que o Brasil iria se tornar uma potência em termos de produção de etanol, inclusive ecoando propaganda do governo Lulla que afirmava isso (lembrando: em 2006, no esforço para se re-eleger, Lulla fez a Petrobras gastar R$ 35 milhões em propagandas afirmando que o Brasil atingiria, naquele ano, a auto-suficiência; o problema é que a auto-suficiência não aconteceu até hoje).
Eu disse a ela para ter calma, porque o Lulla e o PT sempre, sempre, sempre acabam estragando qualquer coisa que funcione minimamente.
Agora, em 2014, mais de TRINTA usinas de álcool foram à falência em SP. Fecharam. Isso ocorreu porque o etanol perdeu eficiência (está mais barato abastecer com gasolina) e as demais alternativas de combustíveis que foram tão comentadas pelo Lulla sumiram (biodiesel? Mamona?). Para piorar, a Petrobras tornou-se a empresa mais endividada DO MUNDO, não importa qual setor você avalie.
A aluna achou que eu estava exagerando há 7 anos. Será que ela ainda acha isso hoje?
Nota: Para produzir este texto, usei dados de diversas fontes; links aqui, aqui, aqui.
Leituras complementares sobre a Petrobras (posts meus aqui no blog):
ATUALIZAÇÃO DE 02/02/2016: Graças a um leitor do blog (obrigado, Celso), fui informado que o site Diário do Poder publicou, na semana passada, algumas notas sobre a Petrobras. Achei relevante para complementar as informações do post, por isso reproduzo abaixo:
Há alguns meses, o IPEA foi protagonista de uma situação constrangedora: divulgou uma pesquisa sobre estupro que causou uma repercussão imensa. A pesquisa, descobriu-se pouco tempo depois, estava completamente errada. Não se tratou de um ou dois errinhos, não; eram erros tão amplos, crassos e profundos que o melhor a fazer era jogar toda a pesquisa no lixo e fingir que aquilo jamais aconteceu.
Há poucos dias, veio à tona um estudo da FAO (órgão inútil da ONU presidido por um petista) que também estava baseado em dados falsos. Sobre isso, aliás, eis aqui um vídeo curtinho, claro, objetivo e altamente revelador:
Como sempre acontece, esse tipo de notícia vira base para que alguns ignorantes, que não entendem nada de dados e metodologia de pesquisas, soltem suas bobagens:
Brasil deixa mapa da fome, graças a programas como o Fome Zero e o Bolsa Família, diz a ONU. Foi capa dos jornais brasileiros? Claro que não
Hoje tivemos a cereja do bolo: o IBGE divulgou nota oficial e convocou coletiva de imprensa para avisar que os dados da PNAD que haviam sido divulgados ONTEM continham erros tão graves que, após revisados, alterariam sobremaneira grande quantidade das conclusões apresentadas ontem à imprensa.
Esse tipo de ocorrência é grave, séria.
Uma coisa é um(a) candidato(a) dizer coisas diferentes em momentos diferentes – vejamos, por exemplo, Dilma Rousseff, que em 2010 era favorável à autonomia do Banco Central, mas em 2014 está produzindo mentiras sobre o assunto em virtude da posição da Marina Silva:
Infelizmente, como imensa maioria da população tem memória fraca e pouco conhecimento sobre 90% dos assuntos econômicos, esse tipo de vai-e-vem de opiniões é comum entre candidatos (a qualquer cargo, registre-se).
Outra coisa, completamente diferente, é vermos órgão estatais ESPECIALIZADOS no assunto cometendo barbeiragens como esta do IBGE, do IPEA ou da FAO.
A despeito de achar que 90% das colunas do José Roberto de Toledo (do Estadão) merecem no máximo a lata do lixo, nesta ele acertou (íntegra AQUI):
Não há hora certa para fazer bobagem, mas não poderia ter sido pior o momento para o IBGE errar como errou na divulgação da PNAD 2013. Imediatamente o instituto virou matéria prima para teorias da conspiração eleitorais. “Maquiagem” foi a palavra da hora nas redes sociais. Mas foi só incompetência mesmo.
O ônus de admitir um erro dessa magnitude na reta final da sucessão presidencial é tão grande que só uma “maquiagem” completa para embelezar os indicadores poderia justificá-lo. Não foi o que aconteceu. Vários indicadores ficaram mais feios. A renda, por exemplo, cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera. O analfabetismo caiu menos ainda (0,2 ponto, e não 0,4), a média de anos de estudo da população foi de 7,5 para 7,6 e não para 7,7 como se pensava. O que não ficou mais bonito tampouco ficou menos feio: a taxa de desemprego nacional cresceu mesmo, de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Se fosse para fazer uma cirurgia plástica nos dados, esse teria sido um número a sofrer lipoaspiração.
Um dos poucos indicadores que melhorou foi o da desiguldade medida pelo índice de Gini. Quanto menor, melhor. E o Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Ou seja, não virou nenhuma Gisele Bundchen estatística.
Qual foi o erro, então? A PNAD não é uma simples amostra da população brasileira. Ela é uma série de amostras estaduais e regionais que depois são combinadas à amostra nacional. O IBGE faz isso para poder extrapolar os resultados por região metropolitana, por exemplo. É uma prática comum em pesquisas.
Em eleição os institutos fazem isso quando querem pesquisar a intenção de voto nacional para presidente e, ao mesmo tempo, saber como os paulistas vão votar para governador, por exemplo. Amplia-se o tamanho da amostra em São Paulo apenas, para aumentar a confiabilidade dos dados. Mas na hora de calcular a taxa de intenção de voto para presidente em todo o Brasil, faz-se uma regra de três para dar o peso correto à amostra paulista.
Segundo o IBGE, alguém esqueceu de fazer isso com as amostras das regiões metropolitanas de vários Estados. Assim, elas ficaram com um peso desproporcionalmente grande na amostra do Brasil – por isso os dados educacionais pareciam melhores do que eram de fato, já que a escolarização é maior nas metrópoles.
Apesar de tudo, foi importante o IBGE ter admitido o erro e publicado os resultados certos com clareza – comparando-os aos errados, para todo mundo saber onde estavam os problemas. A PNAD é o melhor termômetro do que acontece com o Brasil. Sem saber se há febre ou não, é difícil acertar o diagnóstico e o remédio.
O erro amassou a reputação do IBGE, mas reconhecê-lo de pronto era a coisa certa a fazer. Maquiagem seria tentar escondê-lo.
Claro que surgirão teorias da conspiração e questionamentos sobre a lisura do IBGE. É do jogo.
Ao mesmo tempo, em virtude da postura totalitária do governo (que exige demissão de funcionário do Santander por enviar a seus correntistas uma análise tecnicamente correta e impecável, mas que desagradou à Presidente que se acha a Rainha do Amazonas; ou querer expulsar do país um repórter do New York Times que escreveu uma matéria tecnicamente correta, ainda que fraca, sobre os hábitos de um ex-presidente bebum), é compreensível que surjam dúvidas sobre os motivos que levaram o IBGE a voltar atrás em apenas um dia.
Eis aqui um artigo curtinho do Reinaldo Azevedo sobre o caso:
O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.
Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda”. Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.
Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.
Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.
O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.
Depois disso tudo, o governo incompetente e totalitário do PT anunciou que irá criar comissões para avaliar os erros. Essa gente pitoresca adora “comissões” e “grupos”, né?! Elas jamais conseguem produzir nada, mas são criadas às pencas.
Que o IBGE errou não há dúvida.
A questão é compreender qual a extensão e a gravidade dos erros. Conforme apontou Cristiano Romero, excelente jornalista do Valor Econômico:
O BNDES corrigir o IBGE já me parece uma novidade.Mas o IBGE mencionar q foi corrigido também por cons.privada, aí sim, é uma super novidade
Pessoalmente, eu tenho um trabalhão tentando mostrar aos meus alunos o tanto de estatísticas oficiais que se pode obter GRATUITAMENTE junto aos órgãos especializados, e o quanto estas informações são úteis para se fazer um plano de negócios, o plano de marketing, análise da concorrência etc. Eu costumo, sempre que o tempo permite, mostrar a eles sites do próprio IBGE, da Fundação Seade, da FGV-Dados, do IPEA (esse eu abandonei, porque o Pochmann destruiu o coitado) etc, e como eles podem usar os dados de forma prática.
Não é trabalho fácil.
O site do IBGE, por exemplo, tem a SIDRA, um banco de dados gigantesco mas bastante difícil de ser usado por quem não tem alguma experiência com bancos de dados e estatísticas nacionais. Mas eu tento mostrar-lhes alguns “truques”.
E fatos como esse que aconteceu hoje acabam minando a credibilidade de órgãos sérios, aonde trabalham pessoas extremamente sérias e competentes. Estas pessoas, entretanto, acabam prejudicadas por chefias preenchidas com indicações políticas ou então pressões vindas de governos pouco afeitos à democracia.
Nesta semana foram divulgados resultados preocupantes sobre a educação no Brasil. Reproduzo abaixo algumas coisas (GRIFOS MEUS):
Pela primeira vez desde que foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2005, o País não atingiu nenhuma meta de qualidade nos anos finais (5.º ao 9.º ano) do ensino fundamental e no ensino médio – tanto na rede pública quanto na particular. É o que mostram os dados divulgados nesta sexta-feira, 5, pelo Ministério da Educação.
Na média, a nota do ensino médio ficou estagnada: o Brasil teve 3,7 pontos (redes pública e particular), em uma escala de zero a dez, a mesma nota de 2011. A projeção estipulada pelo governo federal para este ano, no entanto, é considerada baixa por especialistas. Nos anos finais do fundamental, a melhora não foi suficiente para superar a meta. O índice subiu de 4,1 para 4,2, mas o patamar esperado era 4,4. Já nos anos iniciais (1.º ao 5.º ano), houve avanço de 5,0 para 5,2, o que garantiu o cumprimento da meta, que era de 4,9.
Os resultados contrariam a expectativa do governo federal de que a evolução nos anos iniciais do fundamental nas últimas edições do Ideb se traduziria em melhor resultado nas etapas seguintes de ensino em 2013. Nesta edição do exame, ao avaliar o ensino público dos 27 Estados, 16 tiveram uma nota no ensino médio pior do que dois anos antes. Outros seis, apesar de terem resultados melhores, ainda ficaram abaixo das metas. Em muitos Estados, a nota só não foi pior pela diminuição dos indicadores de evasão e repetência, um dos componentes usados para calcular o Ideb. Na rede pública, a média 3,4 do País é mantida desde 2009.
Para justificar o fracasso nos dois últimos ciclos da educação básica, o governo federal defende uma reforma do currículo para tornar a escola mais atraente para os jovens. Já os especialistas criticam a falta de articulação entre União, Estados e municípios.
Sejamos um pouco mais específicos, e vejamos o que aconteceu EXCLUSIVAMENTE COM O ENSINO MÉDIO:
Dados do Ideb, principal avaliação educacional do Brasil, apontam a piora na qualidade do Ensino Médio durante o governo de Dilma Rousseff.
O índice atual, baseado nos exames “Saeb” e “Prova Brasil” de 2013, ambos do MEC, é de 3,2 pontos. O levantamento anterior apontou média de 3,4 pontos. O de 2009, 3,6 pontos.
80% das matrículas do Ensino Médio pertencem às redes estaduais de ensino. Quem coordena o repasse de verbas e as estratégias aplicadas, porém, é a União.
No início do mandato, a equipe de Dilma Rousseff prometeu alterar o currículo escolar para ampliar os esforços de alfabetização e aprendizagem da matemática. Até agora, nenhum projeto neste sentido foi lançado.
Os anos iniciais do ensino fundamental público em 779 municípios do País ficaram em “estado de alerta”, segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, divulgados anteontem pelo Ministério da Educação (MEC). Isso significa que, do 1.º ao 4.º ano, em nenhuma dessas cidades o Ideb avançou, bateu as metas ou atingiu o nível 6 – projeção feita pelo MEC para o Brasil em 2021, dentro de uma escala de zero a dez.
O fato concreto, e conhecido por qualquer professor, é que a educação no Brasil está piorando.
O Estado (me refiro à União, Estados e Municípios) vem falhado miseravelmente com a educação (ok, não apenas no âmbito da educação, mas vamos esquecer as demais incapacidades estatais por ora).
Enquanto isso, a iniciativa privada (sim, PRIVADA, aquela coisa malvadona que a esquerda demoniza) mostra o caminho das pedras.
A Época Negócios (que eu referencio bastante aqui no blog, porque é realmente muito boa) publicou uma matéria que acho fundamental:
Uma vez por semana, a aula de matemática de mais de 70 mil alunos em 278 colégios públicos do ensino fundamental espalhados pelo país é interrompida. Pela porta da sala de aula entra um carrinho retangular, pouco maior do que o usado para as sobremesas em churrascarias. Quando suas portas se abrem, saem de lá dezenas de laptops, passados de carteira em carteira até que todos os alunos tenham um. Pelas próximas horas, quem ensinará álgebra e cálculo não será o professor, mas o Khan Academy, uma plataforma online que apresenta questões conforme o aluno.
No método tradicional, a professora precisa nivelar o nível da aula para que todos a acompanhem. Com plataformas como o Khan, cada aluno trabalha num computador e vai avançando no conteúdo conforme seu entendimento. Se ele tem dificuldades, a tecnologia para e explica melhor. Se já entendeu, parte para a próxima pergunta ou mesmo para o próximo assunto. Ao fim da aula, o professor tem acesso a um relatório detalhando quais são os alunos com as melhores e piores notas e quais mudanças devem ser promovidas à estrutura das aulas.
Por trás da aula de matemática no computador está o empresário Jorge Paulo Lemann. Quem traduziu a Khan Academy para o português e passou a negociar sua inclusão no currículo escolar foi a Fundação Lemann, fundada em 2002 pelo empresário com a ousada meta de melhorar a educação pública brasileira. Não se trata de uma iniciativa isolada: pelos últimos 23 anos, Lemann tem investido tempo e dinheiro para encontrar maneiras de diminuir o gap entre os colégios particulares e públicos no Brasil. Nos últimos 3 anos, a iniciativa educacional ganhou urgência:
A introdução da Khan Academy em colégios pelo Brasil é só uma das diversas iniciativas educacionais nas quais o empresário Jorge Paulo Lemann vem investindo. Lemann distribui bolsas de estudos a jovens com potencial desde 1991, mas nos últimos três anos o empresário definiu como objetivo melhorar a qualidade da educação pública no Brasil. As metas são ousadas: nos próximos cinco anos, mais de 50 milhões de brasileiros (ou um quarto da população) deverão ser beneficiados por alguma iniciativa capitaneada por Lemann. É um projeto amplo que envolve não só laptops em sala de aula, mas também bolsas de estudo, aportes em startups educacionais, treinamento de professores, compra de colégios pelo Brasil, fellowships para pós-graduandos, encontros com ex-ministros e presidencisáveis, citações em novelas… A lista é longa.
O Brasil precisa, mais do que qualquer outra coisa, de EDUCAÇÃO.
Não a porcaria que as escolas (em sua maioria, com poucas e honrosas exceções, claro) brasileiras enfiam na cabeça dos alunos e que acabam gerando uma suposta “elite intelectual” que não sabe ler e compreender um texto relativamente mais complexo e profundo.
O sistema educacional brasileiro é tão ruim que um sujeito IGNORANTE (em sentido amplo, geral e irrestrito) como Emir Sader é chamado de “intelectual”:
O sujeito só fala/escreve besteira, não sabe conjugação de verbos, concordância, gramática, sintaxe…. mas é “intelectual”!
Essas falhas na educação geram profissionais ruins.
Um breve exemplo disso vi no meu LinkedIn, alguns dias atrás. Segue um print-screen de um comentário que um “jornalista” (é o que diz o perfil do sujeito, nem me dei ao trabalho de verificar) deixou na minha página do LinkedIn:
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