Depois da indústria, agora o varejo é a vítima da crise da Dilma

Dilma Ruinsseff é uma lástima. Contudo, não é a ÚNICA responsável pela crise atual.

Ainda que os problemas que hoje colocam o Brasil numa crise econômica (sem mencionar a política, ou ainda a moral e ética) que ameaça muitas das conquistas do Plano Real (de 1994) tenham começado pelas decisões estapafúrdias de Lulla, Dilma Ruinssef só piorou tudo.

Hoje pela manhã o IBGE divulgou os resultados da economia para o varejo. Todos os sites noticiosos repercutiram. Eis aqui um resumo (do Valor Econômico, cuja íntegra está AQUI):

O fim dos incentivos fiscais, como a recomposição do Imposto sobre Impostos Industrializados (IPI) sobre bens duráveis, a maior restrição ao crédito e a perda do poder de compra das famílias por causa da inflação levaram o varejo ao seu pior resultado em 12 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pelo levantamento, sete das dez atividades do varejo pesquisadas pelo instituto registraram queda no volume de vendas em março, na comparação com fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda abrangeu seis de dez segmentos.
Ante fevereiro, os recuos mais significativos ocorreram justamente em itens duráveis, influenciados pelo fim dos benefícios fiscais, como móveis, eletrodomésticos e veículos. Em móveis e eletrodomésticos, a queda foi de 3%. Em relação a março do ano passado, as vendas do segmento recuaram 6,8%. “Tal comportamento pode ser atribuído à retirada gradual dos incentivos direcionados à linha branca, somado ao menor ritmo de crescimento do crédito”, diz o IBGE em seu relatório.
As vendas de veículos e motos, partes e peças recuaram 4,6% ante fevereiro e caíram 3,7% ante março do ano passado, nessa comparação, um tombo bem menor que o de fevereiro, de 23,8%. No primeiro trimestre, as vendas do segmento cederam 14,8%. “Mesmo com três dias úteis a mais em março, a redução das vendas no segmento foi decorrente, entre outros fatores, do menor ritmo da oferta de crédito e da restrição orçamentária das famílias, diante da diminuição real da massa de salários”, informou o IBGE.
Ainda segundo o IBGE, em março, também ocorreu queda nas vendas em supermercados, com perda de 2,2%. Já no confronto com o mesmo mês do ano passado, o setor perdeu 2,4% no volume de vendas – menor resultado desde março de 2014, quando a queda foi de 3%, e o segundo mês seguido de resultado negativo. O “desempenho negativo foi influenciado pelo menor poder de compra da população”, disse o IBGE.
Entre os resultados positivos, destacam-se combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,8% em março, ante fevereiro. A taxa de crescimento reflete o crescimento dos o setor acima da inflação do período. Mas houve queda de 2,1% ante o mesmo período do ano passado.
Artigos farmacêuticos (1,2%) e outros artigos para uso pessoal (1,2%) também apresentaram crescimento no volume de vendas.

De acordo com a pesquisa, as vendas do varejo recuaram 0,9% em março e as do varejo ampliado (que incluem veículos e materiais de construção) tiveram queda de 1,6% no período. Em ambos os casos, foi o pior resultado para o mês desde 2003.

Os grifos acima, como de costume, são meus.

Quem se lembra que há poucos meses tivemos uma campanha presidencial, na qual a Dilma afirmou, reiteradas vezes, que a economia do Brasil estava ótima? Lembram-se? Inflação sob controle, tudo indo muito bem, inclusive a mentira do pleno emprego?

Você conhece algum militonto que enchia a boca para dizer, bovinamente, que vota na Dilma ou no PT porque estava pensando nos interesses dos pobres? Você conhece alguém que, por livre e espontânea burrice ou por remuneração (mesmo que seja um lanche de mortadela) espalhava as mentiras e estultices da Dilma nas redes sociais?

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Isso aconteceu há poucos meses. E houve uma quantidade assombrosa de militontos espalhando as bobagens da campanha do PT.

Verba_destinada_para_o_Fies_neste_semestre_acabou,_diz_ministro_-_Educação_-_Estadão_-_2015-05-05_02.11.38 Ministro_da_Educação_diz_que_recursos_para_o_Fies_estão_esgotados_-_Jornal_O_Globo_-_2015-05-05_05.44.43 Berkciara_on_Twitter_se_vcs_estão_pensando_em_Fies_nos_próximos_anos,_caso_Aécio_ganhe._sinto_mto_por_vcs._-_2015-05-05_02.12.02 senhor_lucas_on_Twitter_ja_pensou_o_Aécio_ganhar_e_tirar_o_FIES,_o_que_vai_ter_de_gente_chorando_e_que_votou_nele_kkkk_-_2015-05-05_02.12.40 gabriel_on_Twitter_espero_q_qm_vota_no_aecio_fique_sem_seu_amado_fies_-_2015-05-05_02.13.22 Zom_on_Twitter_pagando_de_playboy_na_internet_aí_caquedo,_seloco_aécio_ganha_a_gente_fica_tudo_sem_fies_-_2015-05-05_02.16.06 Roxmo_2015-May-05 2015-04-30 02.11.29 2015-04-23 22.24.04 2015-03-25 22.48.59 2015-03-08 23.58.53 2015-03-13 20.30.59 2015-03-25 22.22.54

Infelizmente, enquanto isso acontecia, a economia do Brasil já vinha degringolando. Mas muita gente não percebeu, pois estava entretida com as bobagens espalhadas pelos boçais de sempre.

Na vida real, entretanto, a crise já vinha acontecendo. A inflação JAMAIS ficou dentro da meta do Banco Central durante o mandato de Dilma Ruinsseff – sempre ficou acima. Sempre. Isso, ao longo do tempo, vai corroendo a renda de quem trabalha – e o efeito é ainda pior para os mais pobres, que têm menos recursos para proteger seu dinheiro.

O mais engraçado é comparar as bobagens dos militontos e demais boçais retratados acima com a realidade:

Um dos maiores inimigos do PT ao longo de sua trajetória, o receituário do FMI (Fundo Monetário Internacional) talvez salve o partido duas vezes no comando da Presidência da República.
A série de ajustes conduzida neste momento por Joaquim Levy é pura prescrição do FMI, instituição onde o ministro da Fazenda trabalhou por sete anos.
Na terça (12), o Fundo fez elogios às ações de Levy. No mesmo dia, o britânico “Financial Times” o chamou de “falcão fiscal treinado na Universidade de Chicago”.
O receituário do FMI é sempre previsível e clássico, destinado a países que chegam ao fundo do poço, como o Brasil sob Dilma.
Corte de despesas e aumento de receitas quando há crises fiscais, mais a implosão de programas insustentáveis do ponto de vista atuarial. Os cortes no seguro desemprego e pensões por mortes são parte dessas medidas.
De saída, o FMI também impõe a seus endividados forte elevação dos juros para conter a inflação e tentar amenizar os efeitos de outro instrumento do receituário: um “tarifaço” a fim de corrigir preços defasados e equilibrar o caixa de empresas fornecedoras de energia, combustíveis etc. para que possam perpetuar investimentos.
A lógica do Fundo é que contas em dia geram confiança entre investidores privados e tiram a pressão do peso do governo sobre a economia. O objetivo é aproximar ao máximo o país da economia de mercado.
A primeira vez que o Fundo Monetário salvou o PT foi em 2003, quando Lula assumiu a Presidência pendurado em empréstimo de US$ 30 bilhões. O então ministro da Fazenda Antonio Palocci fazia visitas constantes ao Fundo, assim como o próprio Levy, então secretário do Tesouro, que poucos anos antes havia se desligado do FMI.
Se olharmos para todos os países que precisaram de dinheiro do Fundo para se manter à tona, veremos que a base do receituário é sempre a mesma. Há doses extremas do mesmo remédio para problemas extremos, como na Grécia agora.
O Brasil segue mais uma vez o mesmo caminho. E ele pode de fato melhorar as condições macroeconômicas. O problema é que a lógica de encaminhar um país rumo à economia de mercado requer outras mudanças estruturais para azeitar setores importantes.
No Brasil, estamos ainda na fase aguda do ajuste, que vai sendo feito com as dificuldades presentes no Congresso. Mas será necessária toda uma segunda rodada de mudanças, que passa pelo fortalecimento de agências reguladoras (hoje esvaziadas), maior eficiência de ministérios e seus gastos, combate ao desperdício e estímulo à competição privada.
Essa será uma fase bem mais difícil e lenta. Mas necessária para não voltarmos, mais à frente, a recorrer indefinidamente ao receituário emergencial do Fundo.

O artigo acima foi publicado hoje na Folha, AQUI.

Vejamos o que dizia Dilma Ruinsseff em 2012:

Para a tristeza de Dilma, os fatos acabam desmentindo as mentiras da presidanta.

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IPEA, FAO, IBGE: dados, estatísticas, erros e desinformação

Há alguns meses, o IPEA foi protagonista de uma situação constrangedora: divulgou uma pesquisa sobre estupro que causou uma repercussão imensa. A pesquisa, descobriu-se pouco tempo depois, estava completamente errada. Não se tratou de um ou dois errinhos, não; eram erros tão amplos, crassos e profundos que o melhor a fazer era jogar toda a pesquisa no lixo e fingir que aquilo jamais aconteceu.

Há poucos dias, veio à tona um estudo da FAO (órgão inútil da ONU presidido por um petista) que também estava baseado em dados falsos. Sobre isso, aliás, eis aqui um vídeo curtinho, claro, objetivo e altamente revelador:

Como sempre acontece, esse tipo de notícia vira base para que alguns ignorantes, que não entendem nada de dados e metodologia de pesquisas, soltem suas bobagens:

Hoje tivemos a cereja do bolo: o IBGE divulgou nota oficial e convocou coletiva de imprensa para avisar que os dados da PNAD que haviam sido divulgados ONTEM continham erros tão graves que, após revisados, alterariam sobremaneira grande quantidade das conclusões apresentadas ontem à imprensa.

Esse tipo de ocorrência é grave, séria.

Uma coisa é um(a) candidato(a) dizer coisas diferentes em momentos diferentes – vejamos, por exemplo, Dilma Rousseff, que em 2010 era favorável à autonomia do Banco Central, mas em 2014 está produzindo mentiras sobre o assunto em virtude da posição da Marina Silva:

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Infelizmente, como imensa maioria da população tem memória fraca e pouco conhecimento sobre 90% dos assuntos econômicos, esse tipo de vai-e-vem de opiniões é comum entre candidatos (a qualquer cargo, registre-se).

Outra coisa, completamente diferente, é vermos órgão estatais ESPECIALIZADOS no assunto cometendo barbeiragens como esta do IBGE, do IPEA ou da FAO.

A despeito de achar que 90% das colunas do José Roberto de Toledo (do Estadão) merecem no máximo a lata do lixo, nesta ele acertou (íntegra AQUI):

Não há hora certa para fazer bobagem, mas não poderia ter sido pior o momento para o IBGE errar como errou na divulgação da PNAD 2013. Imediatamente o instituto virou matéria prima para teorias da conspiração eleitorais. “Maquiagem” foi a palavra da hora nas redes sociais. Mas foi só incompetência mesmo.
O ônus de admitir um erro dessa magnitude na reta final da sucessão presidencial é tão grande que só uma “maquiagem” completa para embelezar os indicadores poderia justificá-lo. Não foi o que aconteceu. Vários indicadores ficaram mais feios.
A renda, por exemplo, cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera. O analfabetismo caiu menos ainda (0,2 ponto, e não 0,4), a média de anos de estudo da população foi de 7,5 para 7,6 e não para 7,7 como se pensava.
O que não ficou mais bonito tampouco ficou menos feio: a taxa de desemprego nacional cresceu mesmo, de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Se fosse para fazer uma cirurgia plástica nos dados, esse teria sido um número a sofrer lipoaspiração.
Um dos poucos indicadores que melhorou foi o da desiguldade medida pelo índice de Gini. Quanto menor, melhor. E o Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Ou seja, não virou nenhuma Gisele Bundchen estatística.
Qual foi o erro, então? A PNAD não é uma simples amostra da população brasileira. Ela é uma série de amostras estaduais e regionais que depois são combinadas à amostra nacional. O IBGE faz isso para poder extrapolar os resultados por região metropolitana, por exemplo. É uma prática comum em pesquisas.
Em eleição os institutos fazem isso quando querem pesquisar a intenção de voto nacional para presidente e, ao mesmo tempo, saber como os paulistas vão votar para governador, por exemplo. Amplia-se o tamanho da amostra em São Paulo apenas, para aumentar a confiabilidade dos dados. Mas na hora de calcular a taxa de intenção de voto para presidente em todo o Brasil, faz-se uma regra de três para dar o peso correto à amostra paulista.
Segundo o IBGE, alguém esqueceu de fazer isso com as amostras das regiões metropolitanas de vários Estados. Assim, elas ficaram com um peso desproporcionalmente grande na amostra do Brasil – por isso os dados educacionais pareciam melhores do que eram de fato, já que a escolarização é maior nas metrópoles.
Apesar de tudo, foi importante o IBGE ter admitido o erro e publicado os resultados certos com clareza – comparando-os aos errados, para todo mundo saber onde estavam os problemas. A PNAD é o melhor termômetro do que acontece com o Brasil. Sem saber se há febre ou não, é difícil acertar o diagnóstico e o remédio.
O erro amassou a reputação do IBGE, mas reconhecê-lo de pronto era a coisa certa a fazer. Maquiagem seria tentar escondê-lo.

Claro que surgirão teorias da conspiração e questionamentos sobre a lisura do IBGE. É do jogo.

Ao mesmo tempo, em virtude da postura totalitária do governo (que exige demissão de funcionário do Santander por enviar a seus correntistas uma análise tecnicamente correta e impecável, mas que desagradou à Presidente que se acha a Rainha do Amazonas; ou querer expulsar do país um repórter do New York Times que escreveu uma matéria tecnicamente correta, ainda que fraca, sobre os hábitos de um ex-presidente bebum), é compreensível que surjam dúvidas sobre os motivos que levaram o IBGE a voltar atrás em apenas um dia.

Eis aqui um artigo curtinho do Reinaldo Azevedo sobre o caso:

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda”. Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Depois disso tudo, o governo incompetente e totalitário do PT anunciou que irá criar comissões para avaliar os erros. Essa gente pitoresca adora “comissões” e “grupos”, né?! Elas jamais conseguem produzir nada, mas são criadas às pencas.

Que o IBGE errou não há dúvida.

A questão é compreender qual a extensão e a gravidade dos erros. Conforme apontou Cristiano Romero, excelente jornalista do Valor Econômico:

Pessoalmente, eu tenho um trabalhão tentando mostrar aos meus alunos o tanto de estatísticas oficiais que se pode obter GRATUITAMENTE junto aos órgãos especializados, e o quanto estas informações são úteis para se fazer um plano de negócios, o plano de marketing, análise da concorrência etc. Eu costumo, sempre que o tempo permite, mostrar a eles sites do próprio IBGE, da Fundação Seade, da FGV-Dados, do IPEA (esse eu abandonei, porque o Pochmann destruiu o coitado) etc, e como eles podem usar os dados de forma prática.

Não é trabalho fácil.

O site do IBGE, por exemplo, tem a SIDRA, um banco de dados gigantesco mas bastante difícil de ser usado por quem não tem alguma experiência com bancos de dados e estatísticas nacionais. Mas eu tento mostrar-lhes alguns “truques”.

E fatos como esse que aconteceu hoje acabam minando a credibilidade de órgãos sérios, aonde trabalham pessoas extremamente sérias e competentes. Estas pessoas, entretanto, acabam prejudicadas por chefias preenchidas com indicações políticas ou então pressões vindas de governos pouco afeitos à democracia.

Lastimável.