Estratégias de definição de preços na teoria e na prática

O artigo não é saído do forno (pelo contrário, é de 2013), mas estava na fila das leituras. Com o feriado, pude fazer a fila andar um pouquinho. O assunto é interessante demais. Merece ser estudado.

Uma das coisas que sempre me fascina é estudar as diferenças (gaps) existentes entre teorias e práticas no campo da Administração. Sempre achei que precificação é um dos assuntos mais complexos no marketing, pois envolve inúmeras variáveis ex-ante e ex-post, e tem uma relação de interdependência com outras áreas alheias ao marketing propriamente dito – por exemplo: a adoção da estratégia X ou Y na precificação depende da capacidade produtiva da empresa, da eficiência operacional, da relação com fornecedores, da capacidade de distribuição etc.

price-tag

Segue a introdução:

Because it is the element of the marketing mix that is directly associated with revenues, marketing scholars frequently call for attention for pricing (Diamantopoulos, 1991; Myers et al., 2002; Monroe, 2003). Pricing may have severe consequences when mistakes are made. Anecdotal evidence provided by Simon (1992) points at consequences of pricing that go beyond short‐term financial implications of firms, such as long‐run loss of market share or even a decrease of long‐run profitability of an entire industry. Management surveys on the importance of marketing instruments thus consistently report high ratings for pricing (e.g. Hooley et al., 1984; Myers, 1997). According to Dolan and Simon (1996) managers also seem to find pricing the most difficult marketing decision.

Although marketing theory and practice thus have a common interest in pricing, the practices through which companies make price decisions and literature on pricing theory have been residing in different worlds. Ever since Oxenfeldt (1973, p. 48) first spoke of a “gap between pricing theory and application,” comparable observations about the theory – practice dialogue in pricing have been made by others (e.g. Diamantopoulos, 1991; Monroe and Mazumdar, 1988). Bonoma et al. (1988, p. 337) state that “The gap between managers’ concerns and academics’ research is often recognised, bemoaned and blamed on one party by the other,” and Monroe (1995, p. 3) observes, “Regrettably there is much that needs to be done to improve our knowledge about how prices are determined, as well as how to communicate this knowledge to managers.” In response to these calls, Noble and Gruca (1999a) summarise price strategies proposed in marketing literature and test the feasibility of their proposed framework for pricing practice. They find that combinations of price strategies and their determinants, as derived from normative theory, reasonably apply to business practice. Yet their results also have prompted a discussion on the precise meaning of price strategies and pricing practices (Cressman, 1999; Noble and Gruca, 1999b). This discussion led Noble and Gruca (1999b, p. 459) to state that research should focus on “how companies go about setting prices” and that “the definitions […] should be clear enough to avoid the potential for confusion between academic and practitioner users of the results.”

The objective of this study is to bring further clarification to the theory‐practice dialogue in pricing by highlighting the role of price‐setting practices. Specifically, the contribution is threefold. First, this work clarifies the conceptual difference between price strategies and pricing practices. Second, it outlines the relationships between price strategies and price‐setting practices, emphasizing that choices of particular price strategies, such as price skimming, price bundling, or premium pricing, lead to relatively more emphasis on particular price‐setting practices (e.g. the use of information on customer value, competitors, and costs, respectively). Third, this study empirically tests these relationships with a sample of 95 small‐ and medium‐sized firms. These firms in particular use simplifying pricing practices (Carson et al., 1998; Hankinson, 1995). According to Monroe (1995, p. 3), they “seemingly follow pricing practices that have been shown to lead to less than optimal financial results.”

The subsequent sections clarify the conceptual difference between price strategies and pricing practices, then present hypotheses pertaining to the relationships between the two concepts. The next section discusses the method and results of our empirical study, followed by a discussion and implications for pricing practice and further research.

A íntegra (para ler no navegador ou baixar em PDF) está AQUI.

Uma reportagem do jornal O Globo de poucos meses atrás tratava da questão de precificação, e do quanto ela tem sido importante para negócios “digitais”:

Duas gigantes da internet anunciaram recursos para tentar ganhar espaço no concorrido mercado da web. O Facebook está testando uma ferramenta para permitir que seus usuários façam compras diretamente na rede social. Já a Amazon estaria testando um serviço de assinatura do Kindle que oferecerá um número ilimitado de livros digitais por mês a US$ 9,99 – similar ao sistema utilizado pelo Netflix para séries de TV e filmes –, segundo o site Gigaom.

[…] Já a Amazon, segundo informou o site Gigaom na quarta-feira, está testando um serviço de assinatura de livros e audiolivros digitais chamado Kindle Unlimited. Por US$ 9,99, o assinante terá acesso a mais de 600 mil títulos. A maior parte das páginas de teste sobre o serviço foram retiradas da internet na quarta-feira, depois de que alguns usuários do fórum de discussão Kindle Boards começarem a falar sobre elas. O Gigaom lembra que há dois meses havia rumores sobre o serviço, que competiria com os serviços similares e já existentes Scribd e Oyster.

Uma das páginas disponíveis na internet ontem sobre o novo serviço informava que 638.416 títulos — sendo 7.351 em áudio — estariam disponíveis para os assinantes. Entre eles, as séries “Jogos vorazes” e “Harry Potter”. De acordo com o Gigaom, participam do serviço editoras como Algonquin, Bloomsbury, Harvard University Press, Houghton Mifflin Harcourt, Open Road Media, W.W. Norton e Workman.

A colunista da Bloomberg Virginia Postrel destaca que esse novo modelo de asinatura da Amazon faz sentido, mas é difícil de decolar. “As editoras detestam e os contratos sobre royalties tendem a não se adequar muito bem a isso.” Mas, lembra a colunista, com o acordo da Apple para pagar até US$ 450 milhões para dar fim a casos federais e estaduais contra fixação de preços de e-books, a precificação de livros está em mudança.

Desde setembro de 2012, três grandes editoras — Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster — mantêm um acorde antitruste que as proíbe de restringir os preços de venda no varejo de e-books. Este acordo, afirma Virginia, expira em setembro e por isso Amazon e Hachette estão em negociação há alguns meses. A Simon & Schuster também mantém conversações com a Amazon, informou na terça-feira Les Moonves, diretor executivo da empresa-mãe CBS Corp.

“As notícias do modelo de assinatura do Kindle sugerem exatamente o que pode estar em jogo. Editoras lideradas pela Hachette, cujo contrato com a Amazon está em primeiro lugar, querem de volta o controle sobre os preços de varejo. Já a Amazon quer manter sua capacidade não só para reduzir os preços, mas para experimentar modelos inteiramente novos. Agregar e-books em uma assinatura, da mesma maneira que o Amazon Prime ou Netflix com pacotes de vídeo, é um modelo promissor”, afirma a colunista da Bloomberg.

Segundo matéria recente do jornal espanhol “El País”, a guerra comercial entre Amazon e editoras se divide em várias frentes de batalha. Nos EUA, há um conflito com a filial do grupo Hachette sobre a divisão das porcentagens entre o vendedor e o editor dos livros. Com a falta de um acordo, a Amazon tomou uma série de medidas — atrasar o envio, subir o preço ou retirar o botão de pré-venda — contra os títulos da editora, afetando autores tão conhecidos como J.K. Rowling. Na Alemanha, há um enfrentamento similar com as filiais do grupo sueco Bonnier. A Amazon já controla cerca de 60% do mercado de livros nos EUA. No caso dos livros eletrônicos, o domínio é ainda maior: 65%.

A íntegra desta reportagem está AQUI.

Teoria dos Jogos: simetria, cooperação e diversão

Há algumas semanas estou enrolando, mas neste fim de semana PRECISO tirar essas leituras da lista de “stand by”, sob o risco de permitir a criação de teias de aranha no cérebro (não dá para ler só TCC, senão atrofia tudo!). As 3 me parecem bem interessantes:

1) Cooperation under incomplete information on the discount factors

Abstract: In repeated games, cooperation is possible in equilibrium only if players are sufficiently patient, and long-term gains from cooperation outweigh short-term gains from deviation. What happens if the players have incomplete information regarding each other’s discount factors? In this paper we look at repeated games in which each player has incomplete information regarding the other player’s discount factor, and ask when full cooperation can arise in equilibrium. We provide necessary and sufficient conditions that allow full cooperation in equilibrium that is composed of grim trigger strategies, and characterize the states of the world in which full cooperation occurs. We then ask whether these “cooperation events” are close to those in the complete information case, when the information on the other player’s discount factor is “almost” complete.

2) The single crossing conditions for incomplete preferences

Abstract: We study the implications of the single crossing conditions for preferences described by binary relations. All restrictions imposed on the preferences are satisfied in the case of approximate optimization of a bounded-above utility function. In the context of the choice of a single agent, the transitivity of strict preferences ensures that the best response correspondence is increasing in the sense of a natural preorder; if the preferences are represented by an interval order, there is an increasing selection from the best response correspondence. In a strategic game, a Nash equilibrium exists and can be reached from any strategy profile after a finite number of best response improvements if all strategy sets are chains, the single crossing conditions hold w.r.t. pairs (one player’s strategy, a profile of other players’ strategies), and the strict preference relations are transitive. If, additionally, there are just two players, every best response improvement path reaches a Nash equilibrium after a finite number of steps. If each player is only affected by a linear combination of the strategies of others, the single crossing conditions hold w.r.t. pairs (one player’s strategy, an aggregate of the strategies of others), and the preference relations are interval orders, then a Nash equilibrium exists and can be reached from any strategy profile with a finite best response path.

3) Strategy-proofness versus symmetry in economies with an indivisible good and money

Abstract: We consider the problem of allocating a single indivisible good among $n$ agents when monetary transfers are allowed. We study the possibility of constructing strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanisms. We show that there is no strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanism (under the weak domain condition that the set of agent’s possible valuations includes at least $n+1$ common valuations). Moreover, this result implies that there is no strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanism (i) in the model where agents may have non-quasilinear preferences, and/or (ii) in the unit-demand model with $n$ heterogeneous indivisible goods.

E, ainda no assunto Teoria dos Jogos, li isso aqui há algum tempo no blog Economista X e havia esquecido de divulgar. Vale a pena:

Um programa de TV (Japonês) colocou três campeões olímpicos de esgrima para lutar contra 50 esgrimistas amadores. O objetivo era, com a espada, “matar” o oponente — o que significava furar um pequeno balão no peito do mosqueteiro. Antes de olhar o vídeo (no fim do post), vale a pena perguntar: qual é o resultado previsto pela teoria dos jogos? Será que a teoria acerta?
Que jogo é esse e qual é sua solução?
Antes de saber qual conceito de solução aplicar (Nash, subjogo perfeito, sequencial etc), é preciso descobrir que “classe de jogo” esse quadro da TV seria.
Não é exatamente trivial caracterizar essa situação dentro de um “game-theoretic” framework. Mas vejamos. Existe um conjunto de jogadores. O jogo é claramente sequencial, com se fosse dividido em vários estágios em cada um dos quais um grupo de amadores vai se revezar no ataque dos mosqueteiros olímpicos. Quando cada amador decide o que fazer em cada estágio do jogo, ele não sabe exatamente o que os demais jogadores fizeram nos estágios anteriores. Em cada conjunto de informação, há várias histórias de jogo e cada jogador não sabe exatamente qual foi exatamente a história de jogo de cada um dos demais jogadores.
Cada jogador tem um conjunto de estratégias em cada conjunto de informação do jogo. E cada uma dessas estratégias tem um ganho associado à ela. Há claramente heterogeneidade entre os jogadores: cada um parece ser de um dos dois seguintes tipos: o tipo “brigão”, que vai “engage” um dos esgrimistas olímpicos, e o tipo “malandro”, que vai pegar carona na multidão pra prolongar sua sobrevivência no jogo. Há uma distribuição (subjetiva) de provabilidades sobre quem é de que tipo aqui, supõe-se. O payoff desses tipos é provavelmente diferente porque os primeiros derivariam uma utilidade em exercer esforço.
Dito isto, estamos diante de um jogo dinâmico com informação incompleta. A questão então é: qual é o Equilíbrio Perfeito Bayesiano de Nash nesse jogo?
Solução
Esse tipo de equilíbrio envolve não apenas uma sequência de estratégias para todos os estágios do jogo (perfil de estratégias) mas também um conjunto de crenças que seja consistente com as estratégias em cada estágio e onde a crença sobre em qual trajetória ele se encontra em cada conjunto de informação no qual ele é chamado a jogar é definido de acordo com a regra de Bayes.
Com a informação que está disponível ao se assistir o vídeo, é obviamente impossível computar o equilíbrio desse jogo sem fazer um monte de suposição adicional que restrinja o espaço de estratégias e diminua a multiplicidade de trajetórias que 50 jogadores em um jogo com tantos estágios pode gerar. O que torna esse jogo mais complicado de analisar mas também mais fascinante é que o número de jogadores vai diminuindo ao longo do jogo.
Schelling point
Mesmo assim, considerando que o payoff do jogo para os mosqueteiros amadores era uma função direta tanto do ato de derrotar os esgrimistas olímpicos quanto de permanecer no jogo por mais tempo possível, é possível argumentar que o equilíbrio do jogo seria “misturada” no sentido de que envolveria uma estratégia na primeira parte do jogo (se esconder e evitar uma disputa direta com os esgrimistas olímpicos) e outra na segunda parte do jogo (atacar o esgrimista olímpico — ponto focal — usando o tamanho menor de esgrimistas para uma ação coordenada, o que em certo sentido poderia ser uma “misrepresentation” de tipo). Tudo indicaria, ao menos teoricamente, que um dos esgrimistas amadores seria o vencedor.  Será que é isso que acontece? Vejam o vídeo por vocês mesmos.

Há obviamente, dezenas de outras explicações possíveis — inclusive mais simples.

Finalmente, eis aqui o vídeo mencionado:

 

 

Luiza Trajano comemora o sucesso da economia fechando lojas do Magazine Luiza

No começo do ano, Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, causou comoção nas redes sociais ao participar do programa Manhattan Connection. Eu comentei o caso, em detalhes, AQUI.

Mostrei na época que, a despeito de muitos ignorantes terem feito barulho porque ela SUPOSTAMENTE humilhou o Diogo Mainardi, não houve nada disso – pelo contrário, o Mainardi estava certo.

Pois bem, ontem duas notícias foram amplamente divulgadas e ajudam a PROVAR que a Luiza Trajano falou besteira.

A primeira notícia diz respeito ao pífio desempenho da economia brasileira. Eis aqui um trecho de uma reportagem publicada no Globo (íntegra AQUI):

O fraco desempenho da economia no primeiro trimestre fez com que o Brasil ficasse na 23ª posição entre as economias que mais cresceram no mundo neste início de ano, de acordo com ranking elaborado pela Austin Rating. Entre os países latino-americanos, o Brasil superou o México (1,8% de alta do PIB na comparação com o primeiro trimestre de 2013), mas está atrás do Peru, o sexto colocado, com expansão de 4,8%, e do Chile, cuja economia avançou 2,6% no período.

O IBGE divulgou nesta sexta-feira que o PIB (soma de bens e serviços produzidos) do país teve crescimento de 0,2% de janeiro a março deste ano, na comparação com o quarto trimestre de 2013, e de 1,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

A segunda notícia é que, inclusive por causa desse desempenho pífio da economia, o Magazine Luiza decidiu fechar 9 lojas (por enquanto). A informação oficial está AQUI (trata-se do comunicado ao mercado que os acionistas, como eu, recebemos).

Enfim, o que resta mais do que comprovado é que a Luiza Trajano falou bobagem no programa. Ela estava elogiando a economia do Brasil, dizendo que o Diogo Mainardi era pessimista etc. Na verdade, ela é que tenta tapar o Sol com uma peneira furada: a economia do Brasil está numa situação clássica de ESTAGFLAÇÃO – ou seja, atividade econômica estagnada mas com índices de inflação elevados.

Mais uma vez: uma coisa é ela, Luiza Trajano, gostar da Dilma e/ou do PT (o que, na verdade, é uma burrice, já que a Dilma e o PT odeiam empreendedores, odeiam economia de mercado; eles querem um Estado totalitário, que não tem espaço para livre mercado, concorrência, nada disso. Então, é o caso do judeu que ama Hitler, ou do gay que idolatra Che Guevara: burrice mesmo). Outra coisa, bastante diferente, é ela falar essas bobagens que ela falou (e sustentou posteriormente) em nome da empresa da qual ela é presidente. A empresa tem centenas, milhares de acionistas (eu, inclusive). Como presidente da empresa ela precisa ser mais inteligente e menos baba-ovo.

A presidente da empresa tem a obrigação de ter uma visão clara do mercado, para tomar as decisões mais adequadas para os objetivos da empresa – seja aumento de market-share, seja aumento da lucratividade.

Conclusão: novamente, o tempo tratou de expôr a Luiza e seus equívocos.

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O caso da CEAGESP e a “militância política” burra

Na última sexta-feira, a CEAGESP foi palco de mais um caso de violência, depredação, ignorância e bandidagem.

O caso ajudou a desnudar, ainda, duas questões subjacentes, quais sejam:

1) A estatal CEAGESP é alvo da sanha do PT em alojar seus aliados e cúmplices, pouco importando a gestão da autarquia em si – o importante mesmo é alocar o maior número possível de PTistas na máquina, para gerar dinheiro para o partido e, claro, aumentar o escopo da influência do PT.

2) A estratégia de comunicação oficial do PT, chamada de “MAV” (ou Militância em Ambientes Virtuais”), é uma tragicomédia de péssimo gosto.

Em reportagem do Estadão, a primeira questão foi devidamente esmiuçada AQUI. Segue apenas um trecho:

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) é reduto de apadrinhados dos petistas João Paulo Cunha (SP), deputado condenado no esquema do mensalão, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem seu sobrinho, filho do irmão Vavá, trabalhando na empresa. Edison Ignácio da Silva ocupa cargo de confiança de gerente, com salário de R$ 15 mil.

O presidente, Mário Maurici, é próximo a Carvalho, com quem trabalhou na Prefeitura de Santo André na gestão de Celso Daniel, assassinado em 2002. Companheira do prefeito na época do assassinato, Ivone Santana também assumiu cargo comissionado na Ceagesp.

A segunda questão foi desnudada AQUI. Um pequeno trecho (por favor, leitor, leia o texto original, na íntegra, porque é hilário – e triste):

Críticas à Companhia simplesmente DESAPARECEM quando a militância petista descobre que a empresa é do governo federal. A situação é tão patética que chega a ser cômica – porém, como sabemos, é na verdade bem trágica.

[…] Ocorre que a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) é uma empresa gerida pelo GOVERNO FEDERAL (sim, do PT). Já pertenceu ao governo de SP, é verdade, mas foi federalizada em 1997. A tal incompetência, portanto (e como sói), cabe a Dilma e seus asseclas.

Agora, apenas imagine a cara do pessoal que se apressou em xingar a péssima gestão da Companhia… Claro que pararam na hora! Passou a ficar TUDO BEM com a CEAGESP! Oloco! Tá uma maravilha, pô!

Pois é…

O pessoal que fica no Twitter e no Facebook (especialmente, mas infestam outras redes sociais também) com a função exclusiva de espalhar mentiras para defender o PT e atacar (não é criticar, é ATACAR mesmo) qualquer um que critique o PT é patético. Vamos a alguns exemplos:

MAV NÚMERO 1: Já de cara o sujeito ataca o Alckmin. Quando é perguntado se a CEAGESP é do governo federal ou estadual, o sujeito diz que é estadual. Mentira. Ou ele é mal-informado, ou sabe que é federal e, ainda assim, mente. Na primeira vez que alguém questiona a informação de que a CEAGESP é responsabilidade federal, ele duvida, e ainda solta um “sabe o que significa esse SP no final?“. Na cabecinha oca do MAV, qualquer palavra que tenha SP é responsabilidade do PSDB, do Alckmin, do FHC, do Serra, do Mário Covas etc… Super inteligente!!!

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Aí, parece que alguém informa que é uma autarquia FEDERAL, e, portanto, “administrada” (muitas aspas, por favor) pelo PT. O que o sujeito faz? Diz que agora não há mais nenhum problema com a CEAGESP. Ou seja, os problemas da empresa “desaparecem” apenas e tão somente porque o MAV descobre que ela é do PT.

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A melhor parte: até o ator-militante-mal-informado-mal-intencionado-ignorante-puxa-saco José de Abreu havia usado seu Twitter para espalhar críticas ao PSDB e ao Alckmin em decorrência do caso da CEAGESP. Ele e o MAV trocaram mensagens:

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De novo: mal-informado ou mentiroso?

Ambos.

MAV NÚMERO 2: Esse é típico: PRIMEIRO acusa seus “inimigos” (os tucanos) de serem ignorantes porque estariam criticando o Haddad (nos comentários da reportagem da Folha), e DEPOIS revela a própria ignorância ao afirmar que a CEAGESP, ao voltar atrás na decisão de cobrar o estacionamento, gerou uma perda política para o Alckmin – e, na sequência, o MAV ignorante (desculpem pelo pleonasmo) exalta o candidato Alexandre Quadrilha – ops, Padilha.

O caso CEAGESP__10 O caso CEAGESP__09

A propósito, o PT investe aproximadamente R$ 12 milhões para sustentar esses MAVs (fora os blogs sujos que recebem verbas diretamente do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras etc) para fazer a mesma coisa: espalhar mentira pela internet. Há mentiras mais evidentes (porque os sujeitos que fazem os perfis falsos são muito mais burros, como os acima), e há também aqueles que tentam se fazer passar por perfis sérios, reais – mas cujo objetivo é exatamente o mesmo: mentir.

Eis aqui mais alguns exemplos diversificados (atenção para o sujeitando que citou a cocaína apreendida num helicóptero de um deputado: ele diz que é um senador do PSDB para tentar ligá-lo ao Aécio Neves, mas na verdade trata-se de um deputado de um dos partidos da base aliada do PT):

O caso CEAGESP__17 O caso CEAGESP__16 O caso CEAGESP__15 O caso CEAGESP__13 O caso CEAGESP__12 O caso CEAGESP__11 O caso CEAGESP__08

Oscar 2014 e o marketing

Ontem foi realizada a cerimônia do Oscar 2014. Não assisti. Mas hoje pude ler (muito) sobre resultados de ações de marketing durante a transmissão da cerimônia.

Algumas observações minhas:

1) A transmissão via TV foi um sucesso: desde o último episódio de Friends, nenhum outro programa de entretenimento teve maior audiência (isso exclui, obviamente, eventos esportivos, como o SuperBowl). Foram 43 milhões de telespectadores. Isso significa que toda e qualquer ação de merchandising, propaganda ou promoção já teria um campo fértil para ser bem sucedida.

2) Impossível deixar de falar da foto (“selfie“) que causou o maior buzz:

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Esta foto realmente colocou a Samsung “bem na foto” (perdão pelo trocadilho):

When Oscars host Ellen DeGeneres snapped that epic selfie with the Samsung Galaxy Note during last night’s ceremony, it effectively snagged “Best Picture”—among marketers, that is.

According to Kontera, which analyzed millions of digital views, Samsung was mentioned 40,000 times across Twitter, Facebook and other social media outlets during ABC’s three-and-a-half-hour broadcast. Even though DeGeneres did not actually mention the brand in her tweet (which was swiftly retweeted 1.3 million times), the San Francisco tech firm found that Samsung scored a peak rate of 900 online mentions per minute because of the stunt. (Fonte: AdWeek)

Vale a pena ler este artigo AQUI, apontando algumas outras marcas que se deram bem com o Oscar 2014.

A AdWeek aponta, aliás, que o Twitter foi outro ganhador da noite (AQUI). Eu concordo. O evento conseguiu mesclar o entretenimento para quem viu pela TV, pelo que li, com recursos e ferramentas apropriadas para a internet, em especial o Twitter – e não foi apenas o “selfie”, mas houve outros fatores.

3) Outro ganhador, sem dúvida, foi Edgar Martirosyan.

Quem????

Edgar Martirosyan é o dono da pizzaria que entregou algumas pizzas DURANTE A CERIMÔNIA, que foram comidas por algumas celebridades, ao vivo e a cores. O USA Today conta a história AQUI. Eis um trecho:

Host Ellen DeGeneres ushered Edgar Martirosyan, the owner of Los Angeles chain Big Mama’s and Papa’s Pizzeria, through a sea of celebrities at the 86th annual Academy Awards while he handed out pizza to the likes of Meryl Streep, Julia Roberts, Jared Leto and Jennifer Lawrence.

Martirosyan has owned Big Mama’s and Papa’s for eight years and told USA TODAY he does everything, from deliveries and baking to managing 20 stores. At the Oscars, where celebrities were decked out in designer looks, Martirosyan wore an apron, a red baseball cap and a hoodie while he handed out slices and plates.

Que tal você ser o dono de uma pizzaria que produz uma imagem destas, transmitida ao vivo para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e 43 milhões no seu país?

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4) A Apple, por incrível que pareça, também saiu-se bem. Como é mostrado (e explicado) AQUI, a apresentadora Ellen DeGeneres usa um iPhone, e ela tirou várias fotos com o iPhone pessoal dela durante o evento. Ao serem postadas as fotos e os “tuítes”, é possível ver que eles foram publicados usando aplicativos para iPhone. Isso, aliás, é comum: a Samsung patrocina esportistas, eventos e diversas outras coisas, mas os patrocinados usam… iPhones!

Alguns vão dizer que isso não importa, que a Samsung é que teve destaque etc. Ok, é verdade.

Mas passado o burburinho inicial, a conclusão que fica é sempre a mesma: todo mundo que faz propaganda/promoção/merchandising para a Samsung usa, na verdade, iPhone. Então a Samsung deve ser muito ruim, né?!

Eu não estou afirmando isso (embora eu jamais me arriscaria num tablet ou smartphone da Samsung, com aqueles plásticos vagabundos e preços de iPhone), mas é aquela velha história: por que o dono da Pepsi bebe Coca-Cola? Porque ele não é trouxa de beber aquela coisa horrorosa da Pepsi, mesmo trabalhando lá…

A propósito, recomendo esta leitura AQUI, que trata do outro lado – ou seja, algumas “bizarrices” envolvendo o merchandising durante o Oscar.

Qual é o “interesse estratégico” do Brasil em Cuba?

Nos últimos dias, emergiu uma discussão interessante sobre “interesses estratégicos” do Brasil em Cuba. Isso deve-se, basicamente, ao fato de que Dilma Rousseff está em Cuba para a inauguração da maior obra realizada em sua gestão: o Porto de Mariel.

Sim, a maior obra realizada pela Dilma é em Cuba, não no Brasil. Ridículo, não?! Mas sigamos…

A discussão que emergiu diz respeito aos investimentos e gastos do dinheiro público do Brasil na construção do Porto de Mariel. No Estadão publicou-se o seguinte (na íntegra aqui):

Criticada pela oposição por financiar a obra do Porto de Mariel, em Cuba, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 28, que a parceria com a ilha de regime comunista é fundamental para o País e definiu a aliança como um jogo de “ganha-ganha”. “É uma visão pequena não perceber a natureza estratégica desse investimento”, afirmou a presidente.

Na segunda-feira, 27, Dilma anunciou um novo empréstimo, desta vez de R$ 290 milhões, para a Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel, localizado a 45 quilômetros de Havana. O crédito vai se somar aos R$ 802 milhões já investidos na construção do porto, que teve a primeira etapa inaugurada agora.

Pré-candidato à sucessão de Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ironizou a injeção de recursos do governo na ilha dos irmãos Castro. “Dilma anunciou sua primeira obra de infraestrutura. Em Cuba”, comentou Aécio. “Não vamos comparar a quantidade de portos que tem no Brasil e em Cuba, que tem um porto”, afirmou a presidente. “Nós continuamos fazendo investimentos no Brasil na área de portos. O Brasil financiou o porto de Mariel, mas quem forneceu bens e serviços foram empresas brasileiras. Isso leva ao fortalecimento dos países. É um processo de ganha-ganha. Cuba ganha e o Brasil também ganha.”

A presidente destacou, ainda, que o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores, muitos deles podendo ser beneficiados pelo Porto de Mariel. Dilma teve duas reuniões bilaterais nesta terça-feira: com Pena Nieto, presidente do México, e José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Sobre esta reportagem, antes de prosseguir, é preciso fazer algumas observações:
1) Sobre a natureza “estratégica” do investimento – essa questão será mais detalhadamente avaliada adiante. Trata-se, contudo, da questão mais importante e, portanto, não se pode perdê-la de vista. Retomarei.

2) Na declaração da presidanta, como não poderia deixar de acontecer, existe uma bobagem monstruosa, uma burrice mesmo (“o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores”), que não tem relevância nenhuma para discutir o investimento milionário numa obra em outro país, usando dinheiro público.
Há inúmeros erros, bobagens, falácias e dados sem nenhuma relevância embutidos nessa afirmação da Dilma. Vamos supor que existam, de fato, 600 milhões de consumidores na América Latina (segundo dados de 2013, contudo, o World FactBook da CIA indica que a América Latina tem uma POPULAÇÃO TOTAL de 590 milhões de habitantes, e não se pode olhar para todo este contingente como “consumidores”, ainda que a Dilmanta não tenha dito consumidores DE QUÊ). Lembremo-nos de que a América Latina reúne alguns dos países mais fechados ao comércio internacional do mundo – portanto, olhar para o Porto de Mariel como um meio de atingir a população da América Latina inteira é uma burrice – algo, no mais, digno da presidanta.
E daí? O que esse número (inexato, de resto) tem a ver com a discussão do Porto de Mariel? Por acaso a presidanta está tentando dizer nas entrelinhas que os 600 milhões de “consumidores” sentirão qualquer impacto (positivo ou negativo, não importa) graças à inauguração do porto de Cuba?

3) Com relação à expressão “ganha-ganha”, é preciso indicar, de forma clara, O QUE, EXATAMENTE, O BRASIL VAI GANHAR. Cuba está ganhando bastante do Brasil – além dos milhões dados para o Porto, o Brasil ainda paga mensalmente os salários dos médicos cubanos diretamente ao governo militar-ditatorial de Cuba (que retém mais de 60% do valor e repassa uma mixaria às famílias dos coitados dos médicos-escravocratas).

Assim, vamos à questão principal: por que o Porto de Mariel seria “estratégico” para o Brasil?

O que o país ganha? Quando?

Vale a pena colocar mais de 1 bilhão de reais de dinheiro público em Cuba?

Começo por uma extensa matéria publicada pela BBC Brasil (íntegra aqui), da qual vou transcrever apenas alguns trechos – os mais relevantes para tentarmos entender os tais benefícios que o Brasil poderia vir a ter.

Na entrada do vilarejo de Mariel não há como não notar a fumaça de chaminés de um primeiro – e pequeno – núcleo de indústrias cubanas. A velha fábrica de cimento, que por décadas foi a maior indústria da região, se destaca com seus grandes edifícios, galpões e um termina marítimo. Logo adiante, as quatro grandes gruas do novíssimo terminal de contêineres se destacam sobre o porto de Mariel.

É este caminho que a presidente brasileira percorre nesta segunda-feira para inaugurar a primeira fase do terminal portuário, construído em sua maior parte pela brasileira Odebrecht por meio de um financiamento de US$ 957 milhões do BNDES.

Segundo Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Unesp, desde o governo Lula, o Brasil tenta se tornar o segundo maior parceiro comercial de Havana depois da Venezuela. De acordo com ele, o interesse maior do governo cubano no Brasil está em sua capacidade de realizar grandes investimentos na área industrial. “A capacidade da Venezuela é energética, ela não tem capacidade de fazer essas obras”, disse Ayerbe. “Essa capacidade brasileira se materializa no porto de Mariel”.

O porto de Mariel já foi uma antiga base de submarinos e também a porta de entrada de ogivas nucleares do que nos tempos da Gerra Fria ficou conhecido como a crise dos mísseis em 1962. Já nos anos de 1980, voltou a atrair a atração do mundo por ser a porta de saída de mais de 120 mil cubanos, os chamados “marielitos”, que emigraram em balsas para os EUA.

De grande profundidade, ele poderá receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Ele é modernizado no momento em que ocorrem também as obras de ampliação do canal do Panamá.

Após a reforma, o canal será a rota de passagem de navios “pós-panamax”, com três vezes mais capacidade de levar contêineres que as embarcações que trafegam pelo local atualmente.
“Boa parte do comércio da Ásia para a costa leste dos Estados Unidos passa pelo canal do Panamá. Essa área (do mar do Caribe) vai ficar muito dinâmica, por isso quase todos os países da região estão reformando seus portos”, diz Ayerbe.

Porém, diferente das nações vizinhas, Cuba não pode se aproveitar das oportunidades comerciais relacionadas ao comércio com a costa leste americana devido ao embargo promovido por Washington.
Por isso, o Brasil vê o investimento no porto como uma aposta futura no fim do embargo. A ideia é instalar indústrias nacionais (brasileiras) na zona franca de Cuba para produzir aproveitando-se dos incentivos fiscais e flexibilidade para a contratação da mão de obra cubana altamente qualificada.

Aqui eu tenho que interromper a matéria para dois comentários.
1) Fica evidente que, enquanto vigorar o embargo norte-americano, o Porto de Mariel não passa de um elefante branco. Na prática, não serve para nada.
Caso os EUA suspendam o embargo, pode ser que venha a existir, futuramente, alguma oportunidade de negócios hipoteticamente interessante de ser considerada e analisada. Mas hoje não existe NADA.
Zero.
A “gerentona” Dilma despeja mais de R$ 1 bilhão num país altamente instável, comandado há mais de 50 anos por uma ditadura militar genocida, com mercado fechado e NENHUMA segurança jurídica, NENHUMA estabilidade, apostando numa decisão que depende de um outro país (EUA).
Inteligente, né?!
ESPERTONA!
Uma perguntinha: e se o embargo norte-americano continuar? Digamos que, hipoteticamente falando, o embargo dure mais uns 10 anos.  Aonde está o “ganho” do Brasil? Aonde está o papel “estratégico” desse investimento? E se o embargo durar mais 50 anos?

2) Adoraria saber de onde tiraram essa idéia absurda, ridícula mesmo, de que existe “mão de obra cubana altamente qualificada”.
ALTAMENTE QUALIFICADA EM QUÊ?
Segundo dados do Webometrics Ranking of World Universities, Cuba tem apenas 3 universidades listadas em posições absurdamente baixas: a Universidade de Havana (classificada na posição de número 1.544), Instituto Superior Politécnico José Antonio Echeverría (2.603) e a Universidad Central Marta Abreu de la Villas (2.947). A USP é a brasileira mais bem posicionada, na posição de número 43. Escolha outros rankings e boa sorte em achar alguma universidade cubana entre as mil primeiras!

TUDO o que é ensinado em Cuba, desde a pré-escola até a universidade, é carregado da visão comunista, anti-americana, anti-capitalista e devotada a enaltecer Che Guevara, Fidel castro, Stálin e outros genocidas.
Em Cuba não existem empresas preocupadas em concorrer, em oferecer bons produtos a preços competitivos – pois existe uma economia planificada, 100% dependente do governo. Que práticas gerenciais podem emergir num ambiente assim? Quem ensina gestão? Ainda que houvesse uma escola/faculdade/universidade destinada a ensinar Administração, serviria para quê? Não existem empresas! Não existe concorrência, mercado, competição, nada!

Mão de obra qualificada?! Isso é piada!
Você, caro leitor, conhece alguém que tenha ido a Cuba fazer um MBA, um mestrado ou um doutorado? Se conhece, por gentileza, detalhe na caixa de comentários. Obrigado!

Mas vamos seguir com a matéria:

Dessa forma, o Brasil teria um posto avançado para exportar inicialmente para a América Central e depois eventualmente para os Estados Unidos, segundo Thomaz Zanotto, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp). A opção por investir em Cuba, em vez de em outro país caribenho, se dá exatamente pelo isolamento de Havana – onde o Brasil não sofre com a concorrência americana.

Por enquanto, as duas nações ainda discutem que tipo de empresas brasileiras se instalariam na zona franca cubana. As negociações apontam para indústrias de alta tecnologia, que tirariam proveito da qualificação dos trabalhadores cubanos. Umas das primeiras opções é a indústria farmacêutica.

Quem escreveu a reportagem confunde baixo índice de analfabetismo com qualificação.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Aliás, isso merece um parêntesis: tornou-se senso comum espalhar que Cuba tem indicadores (“índices”) de educação e saúde excelentes. Na verdade, é preciso muita cautela.
Cuba é uma ditadura e, como tal, tem estreito controle sobre toda e qualquer informação relativa ao país. Acreditar nos indicadores, números e estatísticas de uma ditadura não é apenas arriscado, é burrice pura e simples.
Pode ser verdade ou não.
Especificamente no caso da educação, há este indicador de mais de 98% da população alfabetizada. Pode ser. Mas “alfabetizar” não significa “educação de alto nível”. Há uma diferença imensa entre os dois conceitos.

Agora, o mais ridículo é ler a primeira frase: exportar para a América Central e depois EVENTUALMENTE para os Estados Unidos. Fica parecendo que hoje o Brasil não exporta nem para um, nem para o outro.
O problema é que os portos BRASILEIROS (sim, localizados no Brasil, não em Cuba) estão sobrecarregados. O Brasil não exporta mais por problemas de câmbio e infra-estrutura BRASILEIRA. Um porto em Cuba, na Nicarágua, no Haiti ou na República Dominicana não muda nada disso!

As principais críticas ao investimento no porto de Mariel partem de partidos opositores – como o PSDB, que se baseia no fato de que o governo brasileiro investe mais em Mariel do que nos portos nacionais. Os opositores acusam o governo Dilma Rousseff de direcionar os investimentos a Cuba devido a um alinhamento ideológico com Havana.

Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”. Ou seja, o eventual não investimento em Cuba não necessariamente levaria o dinheiro aos portos do Brasil, onde fatores como restrições ambientais estariam dificultando a agilização de projetos. “O Brasil é gigantesco mas sofre com um apagão de projetos”, diz Zanotto.

Outra crítica parte do próprio empresariado. Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Essas críticas, ainda mais vindas de um bando de bundas-moles como são os tucanos, não chegam nem perto da questão central. Mas é divertido ver a “explicação” dada pelo “especialista” ouvido pela reportagem: Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”.
Cada projeto é um projeto?
Sério????
Cara, você me deixou abismado agora!
Estou perplexo com a força do seu argumento, com os dados inexoráveis e indiscutíveis que você apresenta para embasar esta conclusão estupefaciente!

Porém, o pior é justamente a última afirmação desse brilhante e genial “especialista” (que a jornalista, aparentemente, considerou suficiente, já que não há nenhum “contra-ponto”): Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Resumindo: caso o embargo americano permaneça, não haverá faturamento – e, como as garantias para pagamento dos empréstimos estão atreladas ao faturamento, elas desaparecem junto ao hipotético faturamento.

Não é uma coisa de JÊNIOS ???

A propósito: quem está fazendo o Porto de Mariel é a ODEBRECHT. A mesma empreiteira responsável por construir o estádio de um time PARTICULAR com dinheiro PÚBLICO; a mesma empreiteira que “empresta” jatinhos para o Lulla viajar; a mesma empreiteira que doa milhões em cada eleição…

Coincidência? Por falar em coincidências, leio no site do BNDES (íntegra aqui) o seguinte:

A BNDESPAR está realizando mais um movimento para ampliar sua atuação no setor de infraestrutura logística. A subsidiária de participações acionárias do BNDES fará aporte de R$ 1 bilhão em um aumento de capital da Odebrecht TransPort, que vai totalizar R$ 1,429 bilhão. Com a operação, a BNDESPAR passará a deter 10,61% do capital da OTP. Os R$ 429 milhões restantes serão subscritos pelo FI-FGTS, que manterá sua participação atual na empresa, de 30%.

De qualquer modo, a dúvida persiste: QUAL É O INTERESSE “ESTRATÉGICO” DO BRASIL EM CUBA?

Será que o ÚNICO possível interesse é torcer pelo fim do embargo americano para que, só então, o Porto de Mariel passe a atingir seu potencial e, com isso, gerar um faturamento que beneficiaria a Odebrecht?

Quais empresas brasileiras têm interesse em instalar-se em Cuba? Elas não iriam para Cuba se não houvesse o Porto de Mariel?

As empresas são brasileiras ou são multinacionais com operações no Brasil? Haverá geração de empregos no Brasil? Arrecadação de impostos? Difusão de novas tecnologias? Investimentos em inovação? Ganhos de escala?

O problema, porém, é que discutir estas questões acima é rigorosamente INÚTIL enquanto Cuba for uma ditadura militar comunista, e enquanto ela seguir sob o embargo comercial norte-americano.

Alguns estão vendo boas perspectivas para que Cuba evolua do modelo comunista (economia planificada) para o capitalismo. Oras, que isso vai acontecer eu não tenho nenhuma dúvida – e isso não tem nada a ver com qualquer capacidade de “prever o futuro”. Basta, ao contrário, observar o passado: a História já mostrou que o socialismo e/ou o comunismo não funcionam. URSS, Alemanha Oriental, China – todos países que saíram do comunismo e mergulharam no capitalismo.

Porém, não se pode confundir sistema POLÍTICO com sistema ECONÔMICO.

China é um país capitalista (sistema econômico) mas segue na ditadura do Partido Comunista (sistema político).

Portanto, é carta marcada que Cuba vai abandonar o comunismo e migrar para o capitalismo – ou vai desaparecer. Apenas e tão somente porque, como já foi demonstrado inúmeras vezes, nenhum país socialista/comunista se sustenta em médio e longo prazos. Por exemplo: quando a União Soviética acabou, acabaram os subsídios a Cuba. Graças a isso, a ilha do ditador Castro chegou a importar OITENTA POR CENTO dos alimentos consumidos na ilha – como disse Margareth Thatcher, “The problem with socialism is that you eventually run out of other people’s money.”.

O problema, para responder à pergunta central deste post, é: QUANDO isso vai acontecer? COMO isso vai acontecer? Quanto tempo mais vai durar o embargo norte-americano?

Enquanto houver embargo, o Porto de Mariel não oferece NADA aos interesses “estratégicos” do Brasil.

Mas se o embargo cair, aí passará a haver um “interesse estratégico”?

Depende. Tudo depende de quais condições cercarão essa “queda” do embargo.

Aí, passamos a um ponto importante: como tomar uma decisão SUPOSTAMENTE “estratégica” quando não se sabe nada sobre os resultados (payoffs) e riscos envolvidos?

Ainda seguindo o que estava escrito na reportagem da BBC supracitada, algum desavisado poderia relacionar esta situação de Mariel à literatura clássica de estratégia: se o Brasil investir AGORA em Cuba e o embargo comercial for revogado, o país terá a vantagem de primazia, pois já está em Cuba – enquanto outros países/empresas ainda terão que iniciar os investimentos e atividades no país.

Nada disso.

Aí entra em cena uma questão crucial: o sistema político. Ainda que o embargo seja revogado, as empresas (e outros países) somente passarão a investir em Cuba se houver condições favoráveis para tanto. Isso implica não apenas estabilidade jurídica (será que minha empresa vai ser nacionalizada de uma hora para outra, como fazem os ditadores débeis mentais da Venezuela, Bolívia e outros países ridículos que infestam a América Latrina?), mas a percepção de benefícios. Cuba tem uma população de aproximadamente 11 milhões de pessoas. Paupérrimos!

O salário mínimo MENSAL em Cuba é DEZENOVE DÓLARES.

Repito: DEZENOVE DÓLARES AO MÊS.

Mais um instante para esta informação ficar clara: DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

US$ 19.00

Sigamos…

A China conseguiu mergulhar no capitalismo, mesmo mantendo o sistema político praticamente inalterado, por, entre outras razões, ter uma população IMENSA – tanto na quantidade quanto na qualidade. São mais de 1 BILHÃO E 300 MIL chineses, sendo que mais de 300 milhões têm renda anual situada na faixa de US$10,000 a US$60,000.

Não dá para comparar com os 11 milhões de cubanos, nem com a renda de DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

Portanto, muita calma! Quando o comunismo cubano for substituído pelo capitalismo (e isso levaria pelo menos uns 10 anos, é um processo lento e gradual, durante o qual muita coisa pode mudar), ninguém sabe quais serão as condições existentes.

Assim, concluindo, é impossível afirmar, hoje, que se trata de “investimento estratégico”. Isso não passa de mais uma bobagem dita por uma ignorante que tenta justificar uma péssima decisão recorrendo a mais uma de suas falácias ignaras.

Se a Dilma souber o que significa “estratégica”, ela mente ao dizer que Cuba oferece algo de estratégico ao Brasil; se ela não sabe o que significa “estratégico”, deveria calar-se ou ser sincera e dizer que está colocando dinheiro do contribuinte brasileiro em Cuba “porque quer e ponto”.

Dilma pode estar confundindo: o PT tem interesse estratégico em Cuba, por causa do Foro de SP. Mas o Brasil não tem interesse estratégico algum em Cuba!

2014-07-17 07.05.57

 

Leituras adicionais recomendadas:
Infrastructure in Brazil – Matéria da Economist mostrando que há uma IMENSA necessidade de investimento em infra-estrutura no Brasil, portanto dona presidenta não precisava torrar mais de R$ 1 bilhão em Cuba – poderia destinar esse dinheiro para o Brasil.
A pawn in Cuba’s power game – Editorial do Washington Post tratando do ambiente criado pela ditadura militar comunista de Cuba e o problema de ter uma opinião própria numa ditadura que não hesita em matar quem discorde do único partido ou do único jornal existente na ilha.
Think again: engaging Cuba – Artigo extenso e bastante completo, da Foreign Policy, que trata do embargo americano, apresentado prós e contras, e resgata alguns eventos que devem dificultar a possibilidade de revogação do embargo comercial em curto prazo.
The US should end the Cuban embargo – Uma articulista do Washington Post criticando duramente a postura dos EUA e do Obama no que tange ao embargo, e pedindo que ele seja revogado imediatamente (como o próprio título deixa claro desde o início, aliás).
Former Exit Port for a Wave of Cubans Hopes to Attract Global Shipping – Matéria do New York Times tratando do Porto de Mariel.
Os bilhões que o PT investe em Cuba só serão conhecidos em 2027 – Se os tais investimentos são tão bons assim, por que o medo de torná-los transparentes?
Carga tributária bate recorde e chega a 37,65% do PIB – Enquanto o governo do Brasil esfola os seus cidadãos com uma carga tributária recorde, o BNDES despeja dinheiro em Cuba.
Brasil é o único dos BRICS que perdeu investimentos – Dilma esteve no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, há alguns dias, mendigando investimentos privados no Brasil – o problema é que investidores privados já perceberam que ela e sua equipe são um bando de incompetentes, e adoram intervir no mercado. Quem vai investir num país sem estabilidade econômica, jurídica e social? O mesmo problema de Cuba, aliás, mas em diferentes graus obviamente.
Previsão de crescimento do país em 2014 piora, segundo o Banco Central – O Banco Central do Brasil apontando o óbvio (aquilo que todo mundo sabe, menos… a Luiza!)

iPhone: caso de inspiração, plágio (será?) e inovações

O vídeo abaixo, curtinho, merece ser visto.

Muitas informações ali merecem uma reflexão.
De fato, o iPhone não foi o 1o celular touch-screen (até no Brasil a Motorola já vendia um modelo touch, bem antes do Steve Jobs apresentar o iPhone). Ele não foi o 1o dispositivo “multi-touch”. Ele não foi o 1o celular “inteligente” (ou seja, capaz de fazer muitas outras tarefas além de “apenas” fazer ligações telefônicas). Motorola, Palm e Nokia já tinham, cada uma de seu jeito, oferecido isso.

Porém, o iPhone foi o 1o dispositivo que conseguiu reunir todas essas funcionalidades (e milhares de outras) e colocá-las na palma da sua mão, por um preço relativamente baixo (considerando que até então apenas equipamentos caríssimos e especializados dispunham de algumas dessas funções), e com um design elegante, bonito. Mas, talvez ainda mais importante do que tudo isso: a Apple ofereceu todas estas funcionalidades dentro de um sistema fácil de usar, simples, facilmente compreensível.

O grande mérito do iPhone (na verdade do sistema operacional do iPhone, o iOS) foi colocar o poder de processamento de tantas funções num aparelho que não demandava que o consumidor fosse um expert em informática (“nerd”). Essa foi a grande inovação do iOS/iPhone.

Steve Jobs fazia História em 2007 – mas o que aconteceu nos “bastidores”?

Em 9 de Janeiro de 2007, Steve Jobs fazia História. Sim, com letra maiúscula mesmo.

Foi neste dia em que ele apresentava o primeiro iPhone. A íntegra da apresentação dele é esta aqui:

Na edição da última sexta-feira, dia 04/10, o New York Times trouxe uma reportagem longa, interessantíssima, sobre algumas coisas que aconteceram antes dessa apresentação – e algumas que estavam acontecendo DURANTE.

A reportagem (AQUI) é restrita a assinantes, mas destaco alguns trechos abaixo:

Grignon had been part of the iPhone rehearsal team at Apple and later at the presentation site in San Francisco’s Moscone Center. He had rarely seen Jobs make it all the way through his 90-minute show without a glitch. Jobs had been practicing for five days, yet even on the last day of rehearsals the iPhone was still randomly dropping calls, losing its Internet connection, freezing or simply shutting down.

“At first it was just really cool to be at rehearsals at all — kind of like a cred badge,” Grignon says. Only a chosen few were allowed to attend. “But it quickly got really uncomfortable. Very rarely did I see him become completely unglued — it happened, but mostly he just looked at you and very directly said in a very loud and stern voice, ‘You are [expletive] up my company,’ or, ‘If we fail, it will be because of you.’ He was just very intense. And you would always feel an inch tall.” Grignon, like everyone else at rehearsals, knew that if those glitches showed up during the real presentation, Jobs would not be blaming himself for the problems. “It felt like we’d gone through the demo a hundred times, and each time something went wrong,” Grignon says. “It wasn’t a good feeling.”

[…] Grignon knew the iPhone unveiling was not an ordinary product announcement, but no one could have anticipated what a seminal moment it would become. In the span of seven years, the iPhone and its iPad progeny have become among the most important innovations in Silicon Valley’s history. They transformed the stodgy cellphone industry. They provided a platform for a new and hugely profitable software industry — mobile apps, which have generated more than $10 billion in revenue since they began selling in 2008. And they have upended the multibillion-dollar personal-computer industry. If you include iPad sales with those for desktops and laptops, Apple is now the largest P.C. maker in the world. Around 200 million iPhones and iPads were sold last year, or more than twice the number of cars sold worldwide.

[…] It’s hard to overstate the gamble Jobs took when he decided to unveil the iPhone back in January 2007. Not only was he introducing a new kind of phone — something Apple had never made before — he was doing so with a prototype that barely worked. Even though the iPhone wouldn’t go on sale for another six months, he wanted the world to want one right then. In truth, the list of things that still needed to be done was enormous. A production line had yet to be set up.Only about a hundred iPhones even existed, all of them of varying quality. Some had noticeable gaps between the screen and the plastic edge; others had scuff marks on the screen. And the software that ran the phone was full of bugs.

The iPhone could play a section of a song or a video, but it couldn’t play an entire clip reliably without crashing. It worked fine if you sent an e-mail and then surfed the Web. If you did those things in reverse, however, it might not. Hours of trial and error had helped the iPhone team develop what engineers called “the golden path,” a specific set of tasks, performed in a specific way and order, that made the phone look as if it worked.

But even when Jobs stayed on the golden path, all manner of last-minute workarounds were required to make the iPhone functional. On announcement day, the software that ran Grignon’s radios still had bugs. So, too, did the software that managed the iPhone’s memory. And no one knew whether the extra electronics Jobs demanded the demo phones include would make these problems worse.

Jobs wanted the demo phones he would use onstage to have their screens mirrored on the big screen behind him. To show a gadget on a big screen, most companies just point a video camera at it, but that was unacceptable to Jobs. The audience would see his finger on the iPhone screen, which would mar the look of his presentation. So he had Apple engineers spend weeks fitting extra circuit boards and video cables onto the backs of the iPhones he would have onstage.The video cables were then connected to the projector, so that when Jobs touched the iPhone’s calendar app icon, for example, his finger wouldn’t appear, but the image on the big screen would respond to his finger’s commands. The effect was magical. People in the audience felt as if they were holding an iPhone in their own hands. But making the setup work flawlessly, given the iPhone’s other major problems, seemed hard to justify at the time.

The software in the iPhone’s Wi-Fi radio was so unstable that Grignon and his team had to extend the phones’ antennas by connecting them to wires running offstage so the wireless signal wouldn’t have to travel as far. And audience members had to be prevented from getting on the frequency being used. “Even if the base station’s ID was hidden” — that is, not showing up when laptops scanned for Wi-Fi signals — “you had 5,000 nerds in the audience,” Grignon says.“They would have figured out how to hack into the signal.” The solution, he says, was to tweak the AirPort software so that it seemed to be operating in Japan instead of the United States. Japanese Wi-Fi uses some frequencies that are not permitted in the U.S.

There was less they could do to make sure the phone calls Jobs planned to make from the stage went through. Grignon and his team could only ensure a good signal, and then pray. They had AT&T, the iPhone’s wireless carrier, bring in a portable cell tower, so they knew reception would be strong. Then, with Jobs’s approval, they preprogrammed the phone’s display to always show five bars of signal strength regardless of its true strength. The chances of the radio’s crashing during the few minutes that Jobs would use it to make a call were small, but the chances of its crashing at some point during the 90-minute presentation were high. “If the radio crashed and restarted, as we suspected it might, we didn’t want people in the audience to see that,” Grignon says. “So we just hard-coded it to always show five bars.”

O artigo é longo, realmente longo, mas vale cada vírgula. Ele ajuda a entender um pouco da “mágica” que acabou fazendo parte da personalidade marcante de Steve Jobs – e, convenhamos, que teve um papel central no crescimento e na expansão incrível da Apple.

Porém, o texto também revela que a inovação que fez Steve Jobs e sua Apple famosos não era APENAS fruto da genialidade de um homem. Aliás, quanto mais eu estudo sobre a vida de Jobs e seus métodos na Apple, mais fica evidente que o que estava por trás da inovação da Apple, pelo menos enquanto Jobs era vivo, era o exato oposto do improviso, da liberdade: Steve Jobs era extremamente metódico.

Ele ensaiava exaustivamente as apresentações públicas e palestras que fazia – especialmente as apresentações de produtos. Não havia espaço para improviso – era MÉTODO.

O processo de desenvolvimento de produtos também seguia o método rigoroso de Jobs.

Sim, ele tinha uma personalidade única. Mas se não aliasse esta personalidade marcante a um conjunto de métodos rigorosos, não seria o inovador que foi.

Microsoft traz de volta o botão “iniciar” ao Windows

Já era público e sabido: a Microsoft, depois do fiasco do lançamento do Windows 8, decidira trazer de volta o botão “Iniciar” à base esquerda do sistema operacional. Mas a primeira propaganda da “nova” versão do Windows, a 8.1, mostra o mico:

Sim, isso é um mico da Microsoft. Como eu já escrevi antes (AQUI e AQUI, por exemplo), a Microsoft enfiou os pés pelas mãos com o Windows 8. Esta versão 8.1 não passa de um remendo, um conserto de última hora. Ou seja, um mico.

Aqui, um resumo do que foi escrito pela BusinessWeek sobre o Windows 8 e o 8.1:

Users told Microsoft not to kill the Start button. Even Microsoft co-founder Paul Allen publicly griped about its loss when he reviewed an early version of Windows 8. After a lot of soul searching, Microsoft saw the light and listened to users.

Bringing it back is a step in the right direction, but, as we said before, if you already tried Windows 8, and hated it, Windows 8.1 likely won’t change your mind, Start button or not. The bigger problem is that user interface just isn’t intuitive in a whole bunch of ways. It’s almost downright secretive.