Coincidências, apenas coincidências.

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (aqui, na íntegra),

Um pouco mais da metade, 51,5%, dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar até o final de 2007 não conseguiram completar o primeiro grau ou apenas lê e escreve. O quadro é ainda mais dramático quando somados os 6,46% de eleitores analfabetos em todo o país.
O Nordeste, sozinho, tem 4,2 milhões de eleitores analfabetos, número maior que a soma de 4 milhões de todas as demais regiões do país.  Enquanto o percentual de eleitores analfabetos é de 3,51% e 3,84% nas regiões Sul e Sudeste, os estados da região Norte e Nordeste registram 8,74% e 12,22% de analfabetos em seu eleitorado. Na região Centro-Oeste, os iletrados somavam 4,76% no final do ano passado.
Apenas 3,43% dos eleitorado têm nível superior completo. Esse índice é de 3,8% e 4,4% nas regiões Sul e Sudeste, mas de apenas 1,73% e 1,79% no Norte e Nordeste. O Centro-Oeste registra 3,64% de eleitores com nível superior.
O nível de escolaridade também confirma a grande disparidade educacional entre as regiões brasileiras e mostra um quadro parecido com o do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores utilizado pela ONU.
No Norte e Nordeste, a baixa escolaridade atinge quase 58% dos votantes. Quando somados com os analfabetos, 70% dos 34,3 milhões de eleitores nordestinos não conseguiram sequer completar o primeiro grau. Ao se alistarem, 26,7% dos nordestinos declararam que lêem e escrevem, enquanto 31,19% disseram que tinham primeiro grau incompleto. No Norte, esse percentual era de 20,47% e 37,05%. No Centro-Oeste, a baixa escolaridade está entre 52% do eleitorado.

Agora, números e estatísticas curiosas:

Em 2006,  58,2 milhões de votos recebidos pelo candidato à reeleição Lulla, ou 60,83% dos votos válidos;

No Nordeste, Lulla teve 77,13% dos votos válidos; no Sul, foram 46,49%; no Sudeste, foram 56,87%; no Norte, 65,59%, e 52,38% no Centro-Oeste (números do TSE, disponíveis aqui).

Coincidentemente, Lulla teve percentual maior nas regiões com menor alfabetização e menor IDH.

Alguns farão a leitura de que os “pobres” votaram em peso num candidato que tinha maior apelo junto ao segmento; outros, mencionarão “a zelite”, e dirão que esta “zelite” tenta dar um golpe para abalar a ilibada reputação do governo “popular”. Outros, associarão o menor grau de alfabetização (e conseqüente menor capacidade de acesso e compreensão de informações que poderiam influir na decisão do voto) destas regiões à vitória de um incomPTente.

Particularmente, creio que há um peso a ser atribuído à “massa de manobra”, ou seja, uma volumosa parcela da sociedade de não busca maiores informações para formar sua opinião – e acaba sendo ludibriada por mentiras travestidas de notícias. Para o bem e para o mal.

Mas não é possível dizer que “analfabeto votou no Lulla porque é burro”.

Não acredito nisso. Até porque tem muita gente com diploma que ignora os fatos e cria ilusionismos de baixíssima honestidade intelectual para defender suas posições sectárias – como Marilena Chauí, por exemplo.

Outras pessoas, por mais bem intencionadas que sejam, têm uma lacuna involuntária entre a percepção da realidade, a leitura dos fatos, e as ações práticas. Analfabetismo funcional, talvez ?

Há, claro, as de má-fé, que votam no sujeito visando apenas algum benefício próprio – como um cartão corporativo gratuito, mordomias, cargos com salários estratosféricos, verbas etc……

E sempre haverá quem acredite apenas em coincidências……

AÇÃO SOCIAL E MARKETING

Retomo a discussão sobre o tal “marketing social” (ou derivações estúpidas) a partir de uma matéria da Folha de São Paulo (de 25/12/2007), graças a uma contribuição do amigo e chefe Nilson.

Primeiro, vamos ao texto da Folha – eu comento logo depois.

A preocupação socioambiental das empresas é um reflexo fiel da realidade ou elas estão somente aproveitando o momento de maior preocupação com o planeta para valorizar suas marcas? Essa é uma pergunta que sempre gerou debates acalorados entre especialistas, mas que agora ganhou um novo tempero: a multiplicação das campanhas publicitárias relacionadas ao tema. Aos olhos do consumidor, de repente todo mundo parece se preocupar com a sustentabilidade. E agir em nome dela.
“Realmente estamos vendo uma onda de campanhas ligadas ao tema. E não há uma resposta simples: as áreas de marketing das empresas respondem, sim, a um ambiente de maior preocupação social e ambiental, mas ao mesmo tempo seria irresponsabilidade de um profissional da área bancar uma campanha com esse apelo sem encontrar nenhuma coerência com o discurso e as práticas da própria empresa. O risco é muito grande”, aponta o secretário-executivo do Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), Fernando Rossetti.
É fato que o tema ganhou relevância no mundo corporativo nestes últimos anos. O universo de empresas brasileiras que podem ser chamadas de “responsáveis” aumentou consideravelmente, assim como a cobrança nesse sentido, e a percepção de que se preocupar com aspectos sociais e ambientais faz bem para o negócio passou a incorporar as modernas práticas de gestão empresarial.
Não por acaso, a própria definição de sustentabilidade no meio é ancorada em como aliar a geração de lucros (econômico) com o respeito ao indivíduo (social) e a preservação do planeta (ambiente). Em inglês, o “triple botton line”.
As campanhas publicitárias ligadas à sustentabilidade, no entanto, ainda são vistas com desconfiança pelos consumidores. Segundo pesquisas de opinião, há uma percepção generalizada de que as empresas só adotam ações de responsabilidade socioambiental com objetivos de marketing. Ou seja, fazem mais para fora do que para dentro. Ao mesmo tempo, as empresas consideram legítimo divulgar suas práticas e ações socioambientais, até como forma de valorizar a marca.
Para o economista José Eli da Veiga, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP), o resultado dessas campanhas acaba sendo positivo.
“Ainda que a maioria das empresas use o tema da sustentabilidade de maneira oportunista, isso acaba a levando a pensar mais seriamente essas questões, até porque seus próprios clientes, funcionários e fornecedores vão bem ou mal receber essa mensagem”, afirma.
“A empresa que faz isso por oportunismo corre o risco de o feitiço virar contra o feiticeiro. Afinal, ela está ensinando os públicos com quem se relaciona a dar mais importância ao tema da sustentabilidade.”

Há quem considere, de qualquer forma, que algumas empresas estão exagerando na dose, utilizando a sustentabilidade como foco de suas campanhas publicitárias sem terem esse conceito minimamente incorporado às suas práticas internas e externas.
“O longo caminho na busca pela almejada sustentabilidade parece estar aumentando a ansiedade de muitas empresas em comunicar suas “iniciativas de responsabilidade corporativa” sem o devido cuidado”, escreveu a especialista em comunicação voltada à sustentabilidade Juliana Raposo, em artigo publicado no site do Gife. “A sustentabilidade não é uma nova commodity, porque exige um processo de mudança interdisciplinar relacionado com a gestão corporativa e com impactos gerados pela empresa.”
Um dos maiores problemas nesse sentido, apontam os especialistas, está no risco de as empresas passarem a orientar suas ações de responsabilidade socioambiental com as lentes do marketing. Ou seja, deixarem de apoiar projetos e práticas sem apelo nos consumidores para priorizar as que tragam maior retorno de imagem.
“Esse é um risco grande e está de fato se manifestando. A questão-chave é que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se “cola” a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade”, diz Rossetti, do Gife.

Como diferenciar quem é de fato responsável e quem é oportunista? Uma boa pista para saber se uma empresa está mais interessada no marketing do que na causa que ela apóia é o orçamento de suas campanhas ligadas ao tema. Se esse orçamento é maior do que o próprio investimento da ação socioambiental, há espaço para desconfiança. Como o investimento social de cada empresa não é necessariamente um dado transparente -há levantamentos estatísticos sobre esses números, mas os dados não são abertos por empresas-, resta ao consumidor pesquisar.
“Em um momento em que todos falam de sustentabilidade, fica mais difícil identificar quem de fato acredita nessa idéia. Uma das maneiras é procurar as informações sobre as empresas, que ações desenvolvem e se suas próprias práticas de gestão são responsáveis”, afirma o presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, um dos pioneiros da responsabilidade corporativa no Brasil.

O primeiro ponto que eu gostaria de destacar é justamente o trecho que refere-se à diferenciação entre a empresa “de fato responsável” e a “oportunista” (para usar os termos da matéria, assinada por André Palhano). Tratei deste ponto antes – para ser mais preciso, aqui, quando anotei que o banco HSBC gastou mais com a comunicação e promoção de seu produto “sustentável” do que com o produto em si. Seguindo a linha de raciocínio do jornalista André Palhano, pode-se concluir que o HSBC foi oportunista e não tem, na verdade, grande interesse pelo assunto – apenas tenta aproveitar um modismo.
Complementarmente, outros posts anteriores também tratam de temas correlatos: aqui e aqui.

Na seqüência, é importante apontar um erro gravíssimo na declaração do secretário executivo do GIFE. Ele diz que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se “cola” a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade.
Nada mais errado !!!!!
Parece que o Sr. Rossetti entende que “marketing” é igual a “propaganda” – um erro conceitual grave, conquanto freqüente.
O horizonte da ação de marketing pode ser de longo prazo, como muitas empresas vêm demonstrando. Por outro lado, também é possível vislumbrar um horizonte de curto ou médio prazos – tudo depende do tipo de produto, da empresa, das características do mercado-alvo etc.
Basta uma rápida consulta às teorias que tratam do “marketing de relacionamento” para derrubar este deslize do Sr. Rossetti.
Um deslize grave, pois o GIFE é uma entidade bastante respeitada dentro deste tema….
Há empresas que buscam estabelecer um relacionamento de longo prazo com seus clientes, e conseguem, assim, gerar benefícios mútuos. Para ficar apenas num exemplo rápido, cito a Arezzo, cujo relacionamento com os melhores clientes é discutido numa newsletter da Peppers & Rogers, aqui. Recomendo a leitura !!!

Contudo, acho que o texto tangencia o ponto-chave que deve pautar esta discussão: o cliente.
Até que ponto o cliente percebe como VALOR estas ações (sociais, ambientais etc) das empresas ?
Será que o cliente valoriza as tais “ações de responsabilidade social” ?

E aqui eu estou falando de VALOR PERCEBIDO, ok ?!
Não tenho muitas dúvidas de que o consumidor brasileiro, inclusive pelas questões culturais do país, simpatiza com eventual “ajuda” a terceiros – a cordialidade é traço cultural do país muito ligada à solidariedade nos últimos tempos, quando o governo assumiu sua falência ao gerir ações que acabam sendo repassadas a ONGs e outros grupos.
Neste sentido, sugiro uma reflexão mais profunda a partir das “Raízes do Brasil” (veja aqui, aqui e aqui).

Mas esta cordialidade, esta solidariedade são DIFERENTES do valor percebido.
Até que ponto o consumidor está disposto a pagar mais por um produto de uma empresa que tem processos produtivos que não agridem o meio-ambiente ? Até que ponto o fato de uma empresa manter um centro que ajuda crianças carentes vai pesar na decisão do consumidor ?

A Fundação Bradesco é um exemplo de instituição sem fins lucrativos, ligadas a um banco. Pelo (pouco) que conheço, a fundação realiza um trabalho muito bom, elogiável etc.
Lindo !!!
Mas nunca ouvi falar que uma pessoa tenha aberto conta no Bradesco, ao invés de fazê-lo no Itaú ou qualquer outro banco, apenas e tão somente porque o Bradesco mantém a fundação homônima que alfabetiza e educa milhares de crianças……
Ou seja: o “trabalho social” do Bradesco não se configura como valor percebido pelo consumidor.

Assim sendo, não é possível falar em “marketing social”, uma vez que assuma-se que o marketing deve orientar-se pelo cliente (conceito por trás da expressão customer driven orientation, ou seja, orientação voltada ao cliente) e, neste caso, o cliente não percebe valor na ação social.

Ação social e marketing – muitas bobagens soltas

Retomo a discussão sobre o tal “marketing social” (ou derivações estúpidas) a partir de uma matéria da Folha de São Paulo (de 25/12/2007), graças a uma contribuição do amigo e chefe Nilson.

Primeiro, vamos ao texto da Folha – eu comento logo depois.

A preocupação socioambiental das empresas é um reflexo fiel da realidade ou elas estão somente aproveitando o momento de maior preocupação com o planeta para valorizar suas marcas? Essa é uma pergunta que sempre gerou debates acalorados entre especialistas, mas que agora ganhou um novo tempero: a multiplicação das campanhas publicitárias relacionadas ao tema.

Aos olhos do consumidor, de repente todo mundo parece se preocupar com a sustentabilidade. E agir em nome dela.

“Realmente estamos vendo uma onda de campanhas ligadas ao tema. E não há uma resposta simples: as áreas de marketing das empresas respondem, sim, a um ambiente de maior preocupação social e ambiental, mas ao mesmo tempo seria irresponsabilidade de um profissional da área bancar uma campanha com esse apelo sem encontrar nenhuma coerência com o discurso e as práticas da própria empresa. O risco é muito grande”, aponta o secretário-executivo do Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), Fernando Rossetti.

É fato que o tema ganhou relevância no mundo corporativo nestes últimos anos. O universo de empresas brasileiras que podem ser chamadas de “responsáveis” aumentou consideravelmente, assim como a cobrança nesse sentido, e a percepção de que se preocupar com aspectos sociais e ambientais faz bem para o negócio passou a incorporar as modernas práticas de gestão empresarial.

Não por acaso, a própria definição de sustentabilidade no meio é ancorada em como aliar a geração de lucros (econômico) com o respeito ao indivíduo (social) e a preservação do planeta (ambiente). Em inglês, o “triple botton line”.

As campanhas publicitárias ligadas à sustentabilidade, no entanto, ainda são vistas com desconfiança pelos consumidores. Segundo pesquisas de opinião, há uma percepção generalizada de que as empresas só adotam ações de responsabilidade socioambiental com objetivos de marketing. Ou seja, fazem mais para fora do que para dentro. Ao mesmo tempo, as empresas consideram legítimo divulgar suas práticas e ações socioambientais, até como forma de valorizar a marca.

Para o economista José Eli da Veiga, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP), o resultado dessas campanhas acaba sendo positivo.

“Ainda que a maioria das empresas use o tema da sustentabilidade de maneira oportunista, isso acaba a levando a pensar mais seriamente essas questões, até porque seus próprios clientes, funcionários e fornecedores vão bem ou mal receber essa mensagem”, afirma.
“A empresa que faz isso por oportunismo corre o risco de o feitiço virar contra o feiticeiro. Afinal, ela está ensinando os públicos com quem se relaciona a dar mais importância ao tema da sustentabilidade.”

Há quem considere, de qualquer forma, que algumas empresas estão exagerando na dose, utilizando a sustentabilidade como foco de suas campanhas publicitárias sem terem esse conceito minimamente incorporado às suas práticas internas e externas.
“O longo caminho na busca pela almejada sustentabilidade parece estar aumentando a ansiedade de muitas empresas em comunicar suas “iniciativas de responsabilidade corporativa” sem o devido cuidado”, escreveu a especialista em comunicação voltada à sustentabilidade Juliana Raposo, em artigo publicado no site do Gife. “A sustentabilidade não é uma nova commodity, porque exige um processo de mudança interdisciplinar relacionado com a gestão corporativa e com impactos gerados pela empresa.”
Um dos maiores problemas nesse sentido, apontam os especialistas, está no risco de as empresas passarem a orientar suas ações de responsabilidade socioambiental com as lentes do marketing. Ou seja, deixarem de apoiar projetos e práticas sem apelo nos consumidores para priorizar as que tragam maior retorno de imagem.

“Esse é um risco grande e está de fato se manifestando. A questão-chave é que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se “cola” a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade”, diz Rossetti, do Gife.

Como diferenciar quem é de fato responsável e quem é oportunista? Uma boa pista para saber se uma empresa está mais interessada no marketing do que na causa que ela apóia é o orçamento de suas campanhas ligadas ao tema. Se esse orçamento é maior do que o próprio investimento da ação socioambiental, há espaço para desconfiança. Como o investimento social de cada empresa não é necessariamente um dado transparente -há levantamentos estatísticos sobre esses números, mas os dados não são abertos por empresas-, resta ao consumidor pesquisar.

“Em um momento em que todos falam de sustentabilidade, fica mais difícil identificar quem de fato acredita nessa idéia. Uma das maneiras é procurar as informações sobre as empresas, que ações desenvolvem e se suas próprias práticas de gestão são responsáveis”, afirma o presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, um dos pioneiros da responsabilidade corporativa no Brasil.

O primeiro ponto que eu gostaria de destacar é justamente o trecho que refere-se à diferenciação entre a empresa “de fato responsável” e a “oportunista” (para usar os termos da matéria, assinada por André Palhano). Tratei deste ponto antes – para ser mais preciso, aqui, quando anotei que o banco HSBC gastou mais com a comunicação e promoção de seu produto “sustentável” do que com o produto em si. Seguindo a linha de raciocínio do jornalista André Palhano, pode-se concluir que o HSBC foi oportunista e não tem, na verdade, grande interesse pelo assunto – apenas tenta aproveitar um modismo.
Complementarmente, outros posts anteriores também tratam de temas correlatos: aqui e aqui.

Na seqüência, é importante apontar um erro gravíssimo na declaração do secretário executivo do GIFE. Ele diz que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se “cola” a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade.

Nada mais errado !!

Parece que o Sr. Rossetti entende que “marketing” é igual a “propaganda” – um erro conceitual grave, conquanto freqüente.
Mais um auto-intitulado “especialista” que ganha cargo elevado sem preparação para tanto – resultado: está falando bobagem.

E bobagem das grandes!!

O horizonte da ação de marketing pode ser de longo prazo, como muitas empresas vêm demonstrando. Por outro lado, também é possível vislumbrar um horizonte de curto ou médio prazos – tudo depende do tipo de produto, da empresa, das características do mercado-alvo etc.
Basta uma rápida consulta às teorias que tratam do “marketing de relacionamento” para derrubar este deslize do Sr. Rossetti.
Um deslize grave, pois o GIFE é uma entidade bastante respeitada dentro deste tema….
Há empresas que buscam estabelecer um relacionamento de longo prazo com seus clientes, e conseguem, assim, gerar benefícios mútuos. Para ficar apenas num exemplo rápido, cito a Arezzo, cujo relacionamento com os melhores clientes é discutido numa newsletter da Peppers & Rogers, aqui. Recomendo a leitura !!!

Contudo, acho que o texto tangencia o ponto-chave que deve pautar esta discussão: o cliente.
Até que ponto o cliente percebe como VALOR estas ações (sociais, ambientais etc) das empresas ?
Será que o cliente valoriza as tais “ações de responsabilidade social” ?

E aqui eu estou falando de VALOR PERCEBIDO, ok ?!
Não tenho muitas dúvidas de que o consumidor brasileiro, inclusive pelas questões culturais do país, simpatiza com eventual “ajuda” a terceiros – a cordialidade é traço cultural do país muito ligada à solidariedade nos últimos tempos, quando o governo assumiu sua falência ao gerir ações que acabam sendo repassadas a ONGs e outros grupos.
Neste sentido, sugiro uma reflexão mais profunda a partir das “Raízes do Brasil” (veja aqui, aqui e aqui).

Mas esta cordialidade, esta solidariedade são DIFERENTES do valor percebido.
Até que ponto o consumidor está disposto a pagar mais por um produto de uma empresa que tem processos produtivos que não agridem o meio-ambiente ? Até que ponto o fato de uma empresa manter um centro que ajuda crianças carentes vai pesar na decisão do consumidor ?

A Fundação Bradesco é um exemplo de instituição sem fins lucrativos, ligadas a um banco. Pelo (pouco) que conheço, a fundação realiza um trabalho muito bom, elogiável etc.
Lindo !!!
Mas nunca ouvi falar que uma pessoa tenha aberto conta no Bradesco, ao invés de fazê-lo no Itaú ou qualquer outro banco, apenas e tão somente porque o Bradesco mantém a fundação homônima que alfabetiza e educa milhares de crianças.
Ou seja: o “trabalho social” do Bradesco não se configura como valor percebido pelo consumidor.

Assim sendo, não é possível falar em “marketing social”, uma vez que assuma-se que o marketing deve orientar-se pelo cliente (conceito por trás da expressão customer driven orientation, ou seja, orientação voltada ao cliente) e, neste caso, o cliente não percebe valor na ação social.

 

No vermelho das mentiras

Descobri, graças ao Orkut (aqui), um blog (aqui), que, pelo que é indicado no Orkut, parece ser uma fonte de mentiras para PTistas irritados e ansioso por espalhar boatos e distorções de fatos. O autor do blog, Eduardo Guimarães, posta alguns textos que posteriormente são disseminados por pessoas com má-fé ou pouca informação.

O título do blog não me parece adequado à quantidade de mentiras e invenções que ele traz – pois construir uma democracia com base em falsas afirmações é um erro. Vou pegar, como exemplo, um texto que foi usado na comunidade do Orkut supracitada: uma usuária do Orkut postou o texto “picadinho”, como se fosse seu. Eu inseri alguns questionamentos, e ela não respondeu até o momento (quem sabe se, algum dia, comprar um cérebro, consiga).

O texto em questão trata das diferenças entre os governos FHC e Lulla. Estou transcrevendo a íntegra do texto abaixo (o original está em itálico e vermelho), e aproveito para tecer meus comentários ponto a ponto, confrontando alguns dados e fatos vis-a-vis, tentando esclarecer as mentiras e deturpações tão corriqueiras aos mentecaPTos.

No branco dos olhos
por Eduardo Guimarães

Já desmontamos aqui a falácia de que quem apóia o governo Lula são os “desinformados” e “incultos”. Debruçamo-nos sobre uma das últimas pesquisas de opinião consideradas “confiáveis” (Datafolha) e descobrimos que até nas classes A e B (alta e média-alta) o apoio ao presidente da República é fortemente majoritário. Agora, que tal verificarmos se é verdade que o governo de Lula é mera continuação do de FHC?
Vamos chegar a um acordo: o Datafolha pertence à Folha da Manhã — empresa que edita a Folha de São Paulo. Freqüentemente, a Folha é acusada de defender os tucanos, e é classificada como sendo “mídia golpista” (ou qualquer termo equivalente). Minha dúvida: o Datafolha é ou não é confiável ?
É preciso estabelecer um peso e uma medida: recorrer à Folha de São Paulo e/ou ao Datafolha é recorrer à mídia golpista ou trata-se de “fonte confiável” ? Caso contrário, ficamos assim: quando a Folha de São Paulo, o Datafolha, a Veja ou qualquer outro meio de comunicação revela notícias que direta ou indiretamente beneficiam o PT, aí trata-se de “imprensa séria”; quando, por outro lado, os mesmos jornais, revistas e afins publicam qualquer coisa que possa, direta ou indiretamente, prejudicar o PT, subitamente tornam-se “mídia golpista”, ou “imprensa da direita” ou coisa que o valha. É isso mesmo ou precisa desenhar ????

Você lê isso todo santo dia nos jornais, mas nunca lhe explicam por que é que dizem isso. Você, que é antipetista e pró-tucanos, que acha que o Brasil está indo bem por mérito de FHC e não de Lula, sabe dizer por que é que o governo petista seria igual ao tucano?
Eu, pessoalmente, não diria “igual”, mas “muito pior”. Há uma série de razões, sim — mas vamos ver quais são, afinal, as diferenças apontadas pelo ilustre Eduardo Guimarães…..

Ficou em dúvida, não é? Sabe por que? Porque você não pede explicações à mídia quando ela implanta essas teses prontas em seu cérebro. Então, vamos analisar a questão mais profundamente. Eu sei que você, viciado em grande mídia, não está muito acostumado a pensar sozinho, mas fazê-lo lhe fará bem. Você vai ver.
Não, eu não tenho dúvida nenhuma…. Mas novamente vem o ataque à “grande mídia”. Mas péraí: dois parágrafos acima, o Eduardo recorreu a uma pesquisa do Datafolha como sendo confiável, e agora já tasca a mania persecutória da “mídia golpista” ?! Decida-se, senhor Eduardo, por favor !!!!
Mas vamos ver quais são, afinal, os argumentos do Eduardo.

O que é igual nas políticas econômicas do PT e do PSDB? Os juros, por exemplo? Não é verdade. A taxa Selic, depois do crítico primeiro ano do governo Lula (2003), veio caindo mês a mês. Só parou de cair nas três últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) por causa da crise americana. Na época de FHC, quando havia uma crise de liquidez de algum paiseco de qualquer parte, os juros explodiam. Agora, apenas param de cair.
O ilustre Eduardo Guimarães parece desconhecer o que significa “taxa de juro real” e “taxa de juro nominal”. Há uma diferença relevante entre os termos, que merece ser mais estudada. Sugiro começar aqui, e depois aqui. Depois que compreender o básico, há algumas idéias mais “avançadas” disponíveis aqui e aqui.
A taxa de juros básica do Brasil (a Selic) mantém-se entre as mais altas do mundo, desde FHC — e continua assim desde 2003 (Lulla), sem NENHUMA alteração. Veja uma notícia de Janeiro de 2008, da “Agência Brasil” (fonte OFICIAL do governo brasileiro) aqui. Como se não bastasse, uma explicação bastante didática está aqui:
O Brasil tem hoje a terceira maior taxa nominal de juros do mundo. A Selic de 11,25% é superada pelo juro básico da Venezuela, de 21,7%, e da Turquia, de 16%. Mas em termos reais a taxa brasileira é a segunda, e pode voltar este ano a liderar de novo o ranking dos maiores pagadores mundiais. O juro real brasileiro, de 6,6%, só perde para o da Turquia, de 7%, segundo o ranking elaborada pela consultoria UP Trend. Como a diferença é pequena e os juros turcos vêm caindo, a expectativa do economista-chefe da consultoria, Jason Vieira, é de que em algum momento de 2008 o Brasil possa retomar a liderança. Os 40 países pesquisados pela UP Trend pagam, em média, juros nominais de 5,98%, e, em termos reais, de 1,2%.
(FONTE: Valor Econômico, disponível na íntegra aqui)

Ah, o Brasil continua produzindo superávit primário? Sim, continua, porque essa não é uma decisão de Estado que pode ser revertida. A menos que se coloque um tarado na Presidência – como a Heloísa Helena, por exemplo, que disse que resolveria todos os problemas do país por decreto se chegasse ao poder.Mentira. Lulla e o PT sempre disseram que o superávit primário era uma distorção da Política Econômica do Brasil, e deixavam claro que tratava-se de “falta de vontade política”. Porém, depois que assumiram, não fizeram outra coisa senão AUMENTAR o percentual do superávit primário. Neste sentido, não é “igual” ao FHC, mas “pior”.

Se a adoção do superávit, como diz o Eduardo, “não é uma decisão de Estado”, é uma decisão a ser tomada por quem ? Pelo Papa ?

 

 

 

 

 

Quando FHC governou, havia espaço para políticas mais autônomas. Ele pegou um país com as dívidas interna e externa baixas. A primeira, porque Collor deu o calote com o confisco da poupança e, assim, fez a dívida interna chegar ao nível mais baixo em décadas, e a segunda, porque o endividamento externo ficou paralisado desde a crise do México, no início dos anos 1980. Mas como o presidente tucano, além de ter vendido mais de cem bilhões de dólares de patrimônio público, para manter o câmbio fixo que o elegera em 1994 – e que pretendia que o reelegesse em 1998 – ainda contraiu vultosos empréstimos internacionais (só em 1999, pediu 40 bilhões de dólares aos EUA, ao FMI e ao Clube de Paris), a dívida externa quase que dobrou durante seus oito anos de governo, e a dívida interna cresceu uns mil por cento.
Infelizmente, mais uma vez o Eduardo pauta seu texto por achismos – ou mentiras, não sei. Ele poderia ter consultado o site da Secretaria do Tesouro Nacional (aqui) e localizado os números antes de escrever bobagens.
O fato é que a dívida pública do Brasil, em Dezembro de 2002, era de R$ 929.323.000.000 (em números arredondados). Foi, portanto, com este montante de dívidas (interna + externa) que começou o mandato Lulla. Em Novembro de 2007 (último mês com totalização disponível), o mesmo montante (soma da dívida interna + dívida interna) era de R$ 1.340.925.000.000. Os números, numa leitura inicial, parecem astronômicos. Estão disponíveis numa planilha em Excel, aqui. Há diversos critérios disponíveis no site (do Tesouro Nacional) para a contabilização das dívidas, mas basta manter alguma coerência para fazer comparações – quaisquer que sejam os critérios.
Outra coisa: seria interessante se o Eduardo Guimarães explicasse, de forma bastante didática, porque ele entende que “Collor deu o calote com o confisco da poupança e, assim, fez a dívida interna chegar ao nível mais baixo em décadas“. Ou seja: qual a relação, exatamente, entre o confisco da poupança promovido pelo Collor e o valor da dívida interna ?

Como é que o governo Lula é igual ao de FHC, então? O tucano aumentava os juros (durante o governo FHC, a Selic subiu a mais de 40%) e o petista diminui. Um endividava o país e o outro paga as dívidas do antecessor, além de não pedir um centavo emprestado. Um fez o país recorrer duas vezes ao FMI, o outro tirou o país do FMI.
Ninguém “tirou” o Brasil do FMI. Uma consulta ao site do próprio FMI mostra a situação do Brasil, atualmente e desde 1946 (ano em que o Brasil ingressou no FMI), aqui. Aliás, o site do FMI tem uma série (grande) de dados e análises sobre o Brasil, que merecem uma leitura ocasional….
Além disso, retomemos o objetivo inicial do Sr. Eduardo Guimarães: se o intuito era mostrar as “diferenças” entre FHC e Lulla,o argumento é um tiro no pé, pois apenas demonstra que Lulla continuou a ter medo do FMI e submeter-se às regras do Fundo. Coisa que o PT passou 20 anos criticando……….(neste sentido, algumas leituras interessantes estão aqui, aqui e aqui). Complementarmente, aqui.

 

A imprensa diz que tudo que Lula tem conseguido na economia é mérito de FHC. Lula só teria o mérito de ter “continuado” o que fez o tucano. Só que nunca lhe dizem o que é que Lula continuou do que FHC fazia. O país está indo bem. A inflação está controlada (apesar de a mídia divulgar só os preços que sobem e nunca os que caem) e, apesar disso, o PIB cresce com um vigor que não apresentava desde os anos 1970. E o mérito é de FHC…. Por que? A vítima da lavanderia de cérebros midiática não pergunta nada. Só acata. A mídia não diz o que foi que FHC fez que agora está permitindo a Lula governar tão bem. Dizem apenas que Lula “continua” o que FHC fez.
Nenhum argumento, apenas retórica. Vamos para o próximo.

 

Lula não continua nada. O câmbio flutuante e o superávit primário são políticas públicas da era FHC, só que o câmbio flutuante era uma reivindicação do PT quando era oposição ao governo FHC e este o adotou na marra quando o mercado o obrigou a desvalorizar o real no início de 1999. Até a eleição presidencial de 1998, quando FHC se reelegeu, ele dizia que não era necessário deixar o câmbio flutuar ou sequer desvalorizar o real. Já no caso do superávit primário, um país endividado que não aceitar essa poupança compulsória que garante o pagamento das dívidas do país, será boicotado pelos investidores estrangeiros e terá dificuldades até para financiar seu comércio exterior. O Brasil já tentou enfrentar o sistema financeiro internacional nos anos 1980, com a moratória decretada pelo ex-ministro Dilson Funaro, e o resultado foi um desastre pelo qual estamos pagando até hoje.
Engraçado: durante 20 anos, o PT defendeu o calote aos organismos internacionais – especialmente o FMI. Depois, quando assumiu, não apenas continuou pagando os juros das dívidas (inclusive com o FMI), como fez questão de amortizar o montante total de SDR com o FMI (detalhes, aqui).
Temos, assim, mais uma “não diferença” entre FHC e Lulla: o primeiro mandou esquecer o que escrevera, e o segundo fez o possível para que esquecessem tudo o que ele passou 20 anos dizendo !

Mas como resumir todo um governo apenas por conta de dois vértices de sua política econômica? Ah, temos os programas sociais também, não é? Não dizem que o Bolsa Família é criação de FHC? Essa é a maior das mentiras. Aproveitam-se do fato de que FHC copiou um programa de transferência de renda, baseado em experiências de outros países. Só que fez para inglês ver. Investia nele uma miséria. Porém, tentam fazer você crer que o Bolsa Escola ou o Vale-gás têm alguma coisa que ver com o maior programa de transferência de renda do mundo. Não tem. O que importa não é a natureza do programa e sim como ele é implementado. O atual governo gasta uma quantidade de recursos com a transferência de renda que nunca governo nenhum cogitou gastar. E isso incomoda, porque setores mais bem aquinhoados da sociedade perderam recursos para os setores beneficiados pelo Bolsa Família.
Muita retórica, muita bobagem, e nenhum argumento.
Qual a diferença entre os programas de transferência de renda do FHC e o do Lulla ?
Só o valor ?
Ou existe mais alguma diferença ??????

Para quem pretendia explicar detalhadamente as tais diferenças (que eu ainda não vi), o texto carece de fatos…….

 

Outro cavalo de batalha da mídia é o lucro dos bancos. Freqüentemente você vê nos jornais que este ou aquele banco teve lucro recorde. No dia em que escrevo isto, os três maiores jornais do país tocam bumbo sobre o lucro do Bradesco, como se quisessem dizer que o governo diz que é pelo social mas está beneficiando mesmo os ricos. É uma tese malandra que faz acreditar que é ruim a solidez do sistema bancário. Na época de FHC, eles não eram sólidos e eu, você, todos nós tivemos que doar dinheiro aos bancos (via PROER), porque nenhuma economia é sólida se seu sistema bancário não for também. E hoje os bancos estão lucrando com o dinheiro de suas operações, sem precisarem ser socorridos com dinheiro público.
Uma concatenação de mentiras e meias-verdades – e, pior: as afirmações aqui contradizem a conclusão, lá no último parágrafo do (paupérrimo) texto do ilustre Eduardo.
A solidez do sistema bancário é necessária em qualquer país que pretenda desenvolver-se – porém, os lucros do sistema bancário estão cada vez mais calcados no aumento desenfreado das tarifas bancárias. Este “fenômeno” começou ainda no mandato FHC, e continua, até hoje. Aliás, está é piorando ! Mais uma prova de que a suposta “diferença” que o senhor Eduardo tenta criar fajutamente inexiste.
Atualmente, as tarifas bancárias cobradas dos consumidores dos serviços bancários são suficientes para pagar 102% das despesas com pessoal dos maiores bancos do Brasil – um índice nunca antes atingido na história desse país. Maiores detalhes estão aqui. Dizer que “hoje os bancos estão lucrando com o dinheiro de suas operações, sem precisarem ser socorridos com dinheiro público” é uma meia-verdade perigosa: eles estão, isto sim, ancorados no abuso das tarifas, que nenhum governo (nem FHC, nem Lulla) coibiu.
Nenhum dos dois, Lulla ou FHC, teve coragem de “enfrentar” os grupos econômicos que mandam e desmandam….(e que, em campanhas eleitorais, quando todos os candidatos precisam dos votos de milhões de incautos, são criticados duramente)
Olha aí mais uma “não diferença” !!!

 

 

Temos outras diferenças fundamentais entre o governo do PSDB e o do PT. Vocês sabem por que a crise americana – que é muito pior do que as crises de paisecos da era tucana – não está nos afetando e, de acordo com todos os economistas de todas as tendências, não deverá nos afetar significativamente ? É porque hoje o Brasil depende muito menos do comércio exterior com os americanos e europeus do que na época de FHC. Eu mesmo viajarei à África em pouco mais de duas semanas para fazer negócios com um dos muitos países daquele continente que passaram a importar fortemente do Brasil. A diversificação dos mercados-alvos das nossas exportações tornou o Brasil menos dependente dos países ricos. Hoje comerciamos com as três Américas, com a Europa, com a Ásia, com a África… Não dependemos mais unicamente de americanos e europeus.
Aqui, infelizmente, o senhor Eduardo escorrega no tomate e cai sentado na banana.
O ilustre Eduardo tenta enganar o leitor ao mencionar uma suposta “diversificação dos mercados-alvo das nossas exportações”, o que é uma mentira deslavada. Notícia publicada HOJE (na íntegra, aqui): Os países da União Européia foram o destino das exportações brasileiras que registraram o maior crescimento no ano passado, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Foram embarcados US$ 40,4 bilhões, ou 29,7% a mais (pelo critério de média diária). Mas considerando-se um único país e em volume de negócios, a liderança continua a ser dos Estados Unidos, para onde o Brasil exportou US$ 25,3 bilhões em 2007 – nesse caso, um aumento percentual de apenas 1,8% ante o total remetido em 2006. Os números do comércio exterior com a União Européia, que tem 27 países membros e cerca de 500 milhões de habitantes, mostram que o Brasil está ganhando mercado no bloco, já que o aumento das vendas para a região superou o incremento total das exportações brasileiras no ano passado, que foi de 16,6%.
O senhor Eduardo precisa se informar melhor, com urgência !!! Recomendo que ele consulte as tabelas disponíveis diretamente no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, aqui. Neste link, é possível comparar as exportações e importações brasileiras por blocos econômicos ou países, de 2001 a 2007. Se conseguir entender os números das tabelas, ele verá que seu texto cometeu erros grosseiros. Assim como suas análises, equivocadas.

A herança tucana foi realmente maldita. Entregaram o Brasil estagnado economicamente, com o desemprego nas alturas, com um dólar valendo quatro reais, com a inflação próxima dos dois dígitos e dizem que tudo isso se deveu ao “risco Lula”. Mentira. O Brasil começou a decair em janeiro de 1999, com a maxidesvalorização forçada do real, que dois meses antes FHC garantira que não ocorreria. Lula teve que tirar o pais do buraco e fez isso simplesmente fomentando o mercado de consumo de massas que hoje vemos crescendo a todo vapor e que sempre foi a pregação do PT.
Neste trecho, o Sr Eduardo perdeu a chance de provar o que disse. Depois da desvalorização da moeda, em 1999, o que aconteceu com o valor do dólar ? Quando o dólar começou a disparar, quase batendo nos R$ 4,00 ? Se ele pesquisar as datas, verá que foi, sim, quando as pesquisas de intenção de voto convergiam na (então) provável eleição do Lulla. Foi-se a chance de provar o que disse……

 

 

O Brasil está bem porque muita gente foi incluída como consumidora. Também há o decidido combate à sonegação fiscal, que hoje se vale inclusive de Polícia Federal, o que permitiu ao Estado ter mais recursos para implementar projetos de desenvolvimento como o PAC, do qual a mídia e a oposição desdenham, mas que, aqui e ali, confessam que será o grande ativo eleitoral petista em 2010, porque fará o país crescer, nos próximos três anos, como jamais cresceu.
O crescimento da arrecadação de impostos e tributos começou no mandato FHC, e foi criticado pelo PT. Depois, continuou. Basta verificar os montantes junto à Receita Federal e demais órgãos.

As afirmações do Sr Eduardo, assim, não trazem fatos, apenas achismos – e mentiras.

 

 

A similaridade que há entre os governos Lula e FHC é a mesma que há entre eu e qualquer um de vocês, ou seja, a do branco de nossos olhos, que todos temos. O que há de igual neste governo e no governo anterior é o que não teria como ser diferente em nenhum governo. E as diferenças são enormes, decisivas e benéficas para a maioria, mas ruins para a minoria que reclama, que sempre foi preferencialmente beneficiada pelo Estado brasileiro e agora deixou de ser.
Não, não há grandes diferenças, não.

Os banqueiros, que o PT sempre elegeu como alvo-preferencial de suas críticas e ódio por 20 anos, continuam ganhando MUITO dinheiro (“nunca antes na história desse país os lucros dos bancos foi tão grande“).

A corrupção que sempre existiu, continua. Mas depois do Mensalão, ganhou status, pois organizou-se, tornou-se sistemática – ainda mais do que antes. Nunca antes na história desse país……….pois é.

Não há diferenças, como o Eduardo gostaria que houvesse. Houve, no mandato Lulla, aprofundamento da “política neo-liberal” que ele, Lulla, e o seu PT sempre criticaram – incluindo uma relação de beijinhos e muito amor com bancos, banqueiros, FMI, imperialistas etc.

Tudo o que o PT passou 20 anos criticando, está fazendo: privatização, corrupção, pagamento de dívidas e juros etc.

Uma pena. Mas a única coisa que mudou foi a cor das mentiras: eram azul e amarelo, e agora são vermelhas.

 

 

 

 

Desmatando mentiras

Desde a divulgação dos dados sobre desmatamento na Amazônia (maiores detalhes aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o que se tem visto é um rasteiro e vagabundo joguinho de empurra-empurra entre membros do (des)governo PTralha. Basta uma rápida consulta no Google Notícias, e serão listadas centenas de matérias publicadas recentemente, tratando deste tema – sem falar da repercussão internacional.

Divertido, quando se relembra que o PT, enquanto aproveitava as vicissitudes oposicionistas, sempre criticou duramente a suposta “entrega” da Amazônia para estrangeiros, a falta de controle do governo brasileiro sobre o desmatamento e afins.

Mas um dos melhores textos que li sobre o assunto é do colunista da Veja, André Petry (na íntegra, aqui). O texto pode ser resumido, mais ou menos, assim:

Quando cai a taxa de desmatamento da Amazônia, a ministra Marina diz que é obra do governo eficiente.
Quando aumenta o desmatamento, aí é culpa do preço do boi e da soja.
Não é uma delícia?

O texto vai além, e acerta em cheio: como a distorção da verdade, por parte do (des)governo PTista, em geral, acarreta problemas:

O brutal aumento do desmatamento da Amazônia ceifou 7 000 quilômetros quadrados de floresta no segundo semestre do ano passado e arrancou a raiz das bravatas da ministra Marina Silva. Em 2004-2005, quando o desmatamento caiu 31%, a ministra garantiu que o saldo era resultado do trabalho do governo, e não uma decorrência dos preços baixos do boi e da soja – atividades que costumam avançar sobre a floresta. Em 2005-2006, com nova queda, desta vez de 25%, a ministra comemorou o sucesso e voltou à carga. “Seria simplismo e reducionismo achar que o que aconteceu foi por causa do preço das commodities.”

A platéia sempre foi informada pela ministra de que a floresta estava ficando de pé porque o Ministério do Meio Ambiente era eficiente e implementava políticas públicas na direção certa, e não porque o boi e a soja estavam baratos, o que certamente desestimulava sojicultores e pecuaristas de comer um pedaço da floresta. Agora, com o anúncio do recorde no desmatamento, adivinha de quem é a culpa? Do boi e da soja. Eis o que disse a ministra na semana passada diante do desastre: “Esperamos conseguir conter o desmatamento mesmo com o aumento do preço das commodities”. Não é uma delícia? Quando o desmatamento cai, é obra do governo eficiente. Quando aumenta, é culpa do preço do boi e da soja.

Marina já fez pior. Em entrevista em setembro de 2005, a ministra deu pormenores do sucesso do seu trabalho. Disse que havia uma previsão naquele ano de que o desmatamento cairia entre 50% e 60% no Pará. E para ressaltar a importância do trabalho ministerial explicou que, no Pará, boi e soja eram desimportantes. “Lá a influência das commodities não é tão relevante como é em Mato Grosso.” Agora, o Imazon, respeitada ONG que trabalha na Amazônia, informa que o desmatamento disparou justamente no Pará. Só de outubro para novembro, a ação da motosserra aumentou 300% no Pará. Quer dizer: no peculiar raciocínio da ministra, o desmatamento aumentou onde o preço das commodities não é tão relevante e, no entanto, esse aumento se explica justamente pelo preço das commodities.

É óbvio que boi e soja não esclarecem tudo. Não são os únicos responsáveis por derrubar árvores ou mantê-las em pé. Há outras causas que confluem para um resultado positivo ou negativo. O discurso da ministra esconde isso e distorce a realidade, desviando-a para o que lhe convém.

Isto é uma tradição do (des)governo PTista: se há algum problema, qualquer coisa ruim, a culpa é da mídia golpista, da “herança maldita” deixada pelos governos anteriores, dos especuladores, dos imperialistas norte-americanos etc…… Nesta hora, não faltam culpados. Porém, quando há uma boa notícia, ainda que minúscula, repentinamente ela representa nada além da indubitável e inexorável competência das ações, medidas e planejamento do PT……. Tem que ser muito burro – ou muito desinformado – para cair nesse conto do vigário……!

Necessário registrar uma obviedade: TODOS os partidos políticos brasileiros adotam este “princípio”. Uns, entretanto, de forma menos enfática do que o PT – que, de resto, sempre se colocou no lugar de paladino da verdade, da ética etc.

Neste caso específico da Amazônia, todavia, alguns aspectos particulares me chamam a atenção.

A mídia, em geral, tem ajudado e muito na divulgação da idéia de que o etanol brasileiro é o futuro – não apenas devido à crise (permanente) do petróleo, mas também pela ótica da proteção ao meio ambiente: afinal, o etanol é anunciado pelo próprio Rei Mulla como “energia renovável” e todo aquele blábláblá. As campanhas publicitárias bancadas pelo governo federal, aliás, destacam esta “virtude” do etanol brasileiro: a campanha transmite explicitamente a idéia de que o etanol brasileiro é muito melhor para o meio ambiente não apenas pela menor poluição (em comparação aos derivados do petróleo, especialmente a gasolina), mas pelo fato de ser “sustentável” em longo prazo.

Sobre este aspecto, em particular, duas observações:

1) O secretário de Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, disse ontem que a secretaria já havia identificado um aumento no desmatamento no Estado a partir de outubro de 2007. Segundo Ortega, a utilização das terras das regiões Sudeste e Centro-Oeste para o cultivo da cana e de soja empurrou a pecuária para a região Norte. “Com base nos dados do censo agropecuário do Ministério da Agricultura, percebemos que a pressão para o uso da terra nas região centro-sul do país com o cultivo da cana, que é uma commodity valorizada, empurrou a expansão da pecuária para o Norte”, disse. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) disse por meio de sua assessoria de imprensa que o governo “está comprometido com a contenção e com a redução dos níveis de desmatamento”. Carepa anunciou que irá lançar em fevereiro um “Plano Estadual de Combate ao Desmatamento”, articulado com as políticas do governo federal.

Esta reportagem é da Folha de São Paulo (aqui), e torna-se interessante porque parte justamente de uma governadora do próprio PT (do Pará) a associação entre o plantio de álcool e o aumento da devastação da Amazônia….. Mas péraí: então o aumento do consumo de álcool contribuiu para o desmatamento da Amazônia, segundo o PT, ou o aumento do consumo do álcool é uma ação que protege o meio-ambiente, segundo o PT ?!

Nem mesmo entre eles há nenhum consenso !!!!!!!!!!

2) Um documentário do canal Bloomberg, que trata das condições de trabalho que cercam a produção do álcool brasileiro:

Os detalhes sobre este documentário estão no site da Bloomberg, aqui (em inglês), numa matéria intitulada Ethanol’s Deadly Brew

O sub-título da reportagem é contundente: Thousands of Brazilian sugar cane workers are injured and scores die each year in the rush to produce a fuel that Presidents Bush and Lula celebrate as a path to energy independence.

E assim o PT continua a distorcer a realidade apenas para fazer propaganda (enganosa) capaz de lhe manter como uma escolha razoável na mente de milhares ou milhões de pobres coitados, desinformados e incautos.

Políticos debatendo

Este vídeo é apenas um trechinho de bons momentos proporcionados pelo patéticos políticos brasileiros, que NÃO sabem se comportar quando questionados duramente pela imprensa:

O pior é que as críticas à imprensa tentam desviar o foco principal: os políticos simplesmente recusam-se a dar as explicações que devem ser dadas por postulantes (ou ocupantes) de cargos públicos !!!

A origem dos bandidos

Uma “rapidinha”, de autoria de Clóvis Rossi (coluna publicada na Folha de São Paulo de 09 de Outubro de 2006):

“O leitor Eduardo Diniz, professor da Fundação Getúlio Vargas, exumou uma preciosidade em documento oficial do PT, aprovado em 1991. Diz: “A democracia e as relações internas no partido, nas prefeituras que dirigimos e nos movimentos sociais de que participamos devem ser analisadas e criticadas abertamente por nós. É preciso reconhecer que no “petismo real” existem, em quantidade exagerada e perigosa, fenômenos como o aparelhismo, o sectarismo, as manobras espúrias, a falta de democracia. Sem superar tudo isso, o discurso acerca de nosso projeto de um socialismo renovado ficará no papel. Não seremos capazes de construir uma sociedade melhor amanhã se não formos capazes de mudar nossa prática hoje”.

Não mudaram nos 15 anos que se seguiram à aprovação dessa avaliação, que é, repito, do próprio PT, não da oposição nem minha. Deu no que deu, a saber:

1 – O presidente da República e presidente de honra do PT afirma que “quem negocia com bandido vira bandido também”. Mas esquece de dizer que quem negociou com bandidos é gente não só de seu partido mas da sua campanha e da campanha do homem pelo qual o presidente diz pôr a mão no fogo, aliás seu líder no Senado, Aloizio Mercadante.

2 – O ministro da Justiça do governo petista, Márcio Thomaz Bastos, disse, no ano passado, que “caixa dois é coisa de bandido”. Esqueceu de dizer que petistas graduadíssimos confessaram caixa dois no episódio do mensalão. Não basta, pois, demitir ou expulsar a meia dúzia apanhada agora com a mão na massa ou os 40 do escândalo anterior, a “quadrilha”, segundo o procurador-geral da República. O texto de 91 prova que não nasceu agora a cultura que deu origem aos “bandidos”, com a cumplicidade da cúpula e o silêncio da maioria dos filiados.”

Dispensa comentários. 

Sectarismo, proselitismo e outros ismos

Não é apenas no campo da política que vemos excesso de proselitismo, exageros, demagogia, populismo……. A despeito de a política ser, sem dúvida, área vasta a ser semeada com tudo isso.

Um dos pontos que mais tem me chamado a atenção diz respeito às questões envolvendo a “sustentabilidade” – para usar o termo do momento, da moda.

Empresas estão investindo em comunicação para vender uma imagem associada à tal “sustentabilidade”, e esta discussão acaba resvalando, impreterivelmente, em questões políticas. Empresas, governos e cidadãos (ou “sociedade civil”) têm, claro, seus respectivos papéis na questão da preservação do meio-ambiente – isso é inegável. Porém, o que eu tenho percebido é um certo exagero.

Tenho visto muito sectarismo dos debates que cercam tal assunto. Entidades que “nasceram” com a missão de defender o meio-ambiente (como o Greenpeace, por exemplo – que abandonou, há muito tempo, a parte “peace”, promovendo ações agressivas, ilegais e quase terroristas), de alguns anos para cá, vêm deixando de lado o meio-ambiente em si para fazer muito mais politicagem.

Apenas para constar, destaco um documentário produzido pelo Canal 4 britânico, que traz uma discussão decerto polêmica – mas não por isso desmerecedora de alguma atenção. Eis alguns trechos:

Pesquisando sobre o tal documentário rapidamente, vi algumas contestações, questionamentos etc.

Ao reproduzi-los aqui, não estou endossando nada. Apenas trazendo à tona. Creio que, desta forma, é possíveltratar desta questão – decerto relevante – mas sem ignorar por completo um possível “outro lado”.

Afinal, esta questão do meio-ambiente tem parecido um discurso único: TODO MUNDO tem a mesma certeza ?! Isso é, conceitualmente, estranho……

Na prática, vejo muita gente defendendo esta questão muito mais com um sectarismo perigoso do que com racionalidade……. Por exemplo, o IPCC….. As declarações vistas no documentário supracitado são, no mínimo, merecedoras de alguma reflexão.

Será que não tem gente extrapolando nesta questão ?! Creio que ela merece uma discussão mais embasada, e menos baseada em “modismos”, em proselitismo, em populismo…. Caso contrário, babacas como os do MST continuarão usando o assunto (e sua abordagem enviesada) como palco de seus desmandos, de suas invasões ilegais, de seus crimes.

2007: a mídia golpista e a mídia chapa-branca

Andei revendo alguns escritos (meus) de 2007, inclusive para tratar, na “Retrospectiva”, da questão da mídia.

Desde o mensalão, temos visto, basicamente, o seguinte: se um jornal, revista ou qualquer outro meio de comunicação fala do “mensalão”, trata-se de mídia golpista. Se o meio de comunicação não usa o termo, ou tenta disfarçá-lo (ou seja, mente ou omite), aí sim trata-se de mídia séria, respeitável, confiável.

Esta é, em suma, a visão PTralha. Quem fala bem do PT (ou se omite de falar mal) é sério, respeitável. Quem critica, é “golpista”.

Mais simples do que isso, só mesmo o processo de sinapses do Lulla. Pela ausência.

Não é novidade nenhuma, mas vem crescendo paulatinamente a legião de “jornalistas” que não se importam em escrever qualquer bobagem, por mais falso que seja o conteúdo da “matéria”, só para ganhar a chancela do PT – e, obviamente, algum cargo público.

Tratei, AQUI, do caso do “jornalista” José Cristian Góes. O tal “jornalista” tem o péssimo hábito de escrever textos mentirosos, recheados de dados errados e estatísticas furadas (além de algumas pérolas, simples bobagens mesmo, como “A Vale possui as maiores minas de ouro de toda América Latina. Ela também tem enormes reservas de Urano, que a lei diz que o seu uso deve ser da União“: ele quer mesmo dizer que a Vale do Rio Doce tem reservas do planeta Urano, e que a lei afirma que o uso do planeta Urano é exclusivo da União ?! Ou ele se refere ao “urânio” ?! Engraçado que isso foi publicado assim, com o erro absurdo – o que pressupõe que não houve nenhuma revisão – e cômico no site do próprio “jornalista” e ecoou em sites como o do PT, como já demonstrei anteriormente….TUDO SEM QUE ALGUÉM TIVESSE O BOM SENSO DE CORRIGIR ?! Pois é…….o hábito de revisar e checar informações não consta do Manual de Redação dos pseudo-jornalistas de bosta….). Este texto patético (na íntegra, AQUI) não é o único: a página pessoal do “jornalista” traz uma série de “artigos” com o mesmo perfil: mentirosos, deturpados,repletos de dados falsos e afirmações absurdas. Alguns exemplos podem ser conferidos AQUI, AQUI, AQUI e AQUI. Cada texto…..um pior que o outro ! Todos impregnados por uma ideologia barata, falaciosa. Fatos que sustentem argumento ?! Não, o ilustre “jornalista” não é adepto disso….. Prefere escrever bobagens e mentiras, e torcer para ter leitores suficientemente crédulos, ingênuos e mal-informados, que acabem engolindo suas besteiras.

Numa rápida busca pela web, descobre-se que o tal “jornalista” foi “repórter do Cinform e do Jornal do Dia e free-lancer da IstoÉ; trabalhou como assessor de comunicação do Sindicato dos Professores (Sintese); foi Diretor de Imprensa e Secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju e assessor da Deputada Estadual Ana Júlia; ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas e assessor do Ministério Público Federal em Sergipe”, segundo consta do site do próprio “jornalista” (AQUI). E, por falar em “passeio pela web”, destaco duas leituras complementares: AQUI e AQUI.

Com esse currículo, percebe-se que o nepotismo e os assessores de confiança são um mal a ser erradicado no Brasil !

Afinal, um “jornalista” desses deveria ter a titulação (se for, de fato, formado em Jornalismo) cassada, por pura inaptidão para a profissão. Os absurdos, as mentiras e deturpações que ele escreve justificam e respaldam isso……

Este é um dos problemas (não o único, claro!) do Brasil….. Temos uma cambada de incomPTentes em postos que possibilitam a divulgação de mentiras e bobagens. Quando consideramos a ignorância e falta de visão crítica da maioria esmagadora da população brasileira (com pouquíssima educação e nenhum senso crítico), basta somar 2 mais 2: trata-se de campo fértil para a propagação de baboseiras ! A população, via de regra, acredita naquilo que acaba lendo.

Pronto: forma-se uma massa de manobras. O que, em última análise, é responsável pela eleição do Rei Mulla…

Mais um exemplo: Altamiro Borges. Apresentado como jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição). AQUI, o pseudo-jornalista adota o mesmo modus operandi do mentiroso Cristian Góes. O “jornalista” Altamiro Borges faz coro a uma tal manifesto assinado por gente do estirpe de Emir Sader, Dom Thomas Balduino (CPT), Luis Bassegio (Grito dos Excluídos) senador Marcelo Crivella (Igreja Universal), João Pedro Stedile (MST), Luana Bonone (executiva da UNE) e José Antonio Moroni (direção da Abong), que trata da CPMF.

Já discuti a questão da CPMF aqui no blog (basta procurar), então não vou entrar no mérito, no conteúdo – apenas na forma. O “jornalista” Altamiro Borges apenas copia afirmações do tal manifesto, não as analisa, não indica nenhum dado ou argumento que sustente a sua “matéria” (na verdade, aquilo não é “matéria jornalística”, é apenas publicidade comprada a preço baixo). O espaço é usado APENAS E TÃO SOMENTE para espalhar mentiras.

Se o “jornalista” fosse jornalista e quisesse, de fato, discutir a CPMF, poderia. Ele é favorável à manutenção da CPMF ? Ótimo. Apresente algum argumento, pesquise, faça contas, verifique fontes de dados…….. Enfim, seja JORNALISTA, e não papagaio de pirata !!!

Mas isso seria pedir demais !!!!!

Não sei se estes “jornalistas” são mal-informados e acabam escrevendo bobagens por falta de competência na prática da (digna e essencial) profissão de jornalista, ou se eles são mal-intencionados e sabem que estão deturpando os fatos, ludibriando os leitores. É viável, ainda, uma terceira opção: as duas coisas !!!!

Por fim, só para concluir o post, um “quase-adendo”. Um famoso Ailton Medeiros (quem ?!never heard of him“) mantém um blog (AQUI) que eu citei há alguns dias. Não sei quem é a criatura (cujo blog não informa NADA) que reclamou de um suposto “anonimato” meu, e passou a escrever comentários enfurecidos (AQUI e AQUI). Respondi ao primeiro dos comentários, mas depois de ler os demais, desisti. Não dá para argumentar com uma criatura (será jornalista ou “jornalista” ???) que acha que a capacidade intelectual de alguém pode ser medida pela quantidade e sortimento de livros que leu…. Não preciso elencar quais livros já li ou deixei de ler para concatenar um argumento lógico. Ele, por outro lado, sequer sabe o que viria a ser um “argumento”, quanto menos pode entender o termo “lógico”.

Será que esta criatura também trabalha em algum meio de comunicação ? Quem seriam os coitados dos leitores ? Seria mais um a criar factóides e mentir descaradamente em alguma página de jornal ou revista ?

Não sei. A despeito de ter sido acusado pelo socialista-ameba (que é diferente de socialista !) de me manter no anonimato, o meu humilde blog tem uma página que “me apresenta”, e traz, ainda, um e-mail para contato. No blog do tal Ailton, não é possível saber quem é ele, o que faz……nada. E ele diz, depois, que o “enrustido” sou eu…..!!!!!

Num dos comentários ele se classificou como “jornalista independente”. Aliás, as palavras exatas foram estas: “E não me escondo em anonimato, meu site é transparente, como tudo o que escrevo. Bota a cara pra fora, moleque.Saia do armário.” Ele é tão transparente que ninguém vê !!!!!! Clicando no link “Institucional” (AQUI) do site, e logo depois em “Quem sou eu” (AQUI), o que se vê é “página em construção”.

Se isso é “transparência”……….danou-se !!!!!

É esse tipo de jornalismo (?) que contribuirá para o desenvolvimento do Brasil ?!