Abaixo à hipocrisia e à burrice da APAS (3)

Mais um post tratando da campanha de banimento das sacolinhas plásticas em São Paulo – e a APAS resolve usar justamente a data do aniversário da cidade para dar este “presente”…. Irônico, não?!
Alguém aí já ouviu falar em “cavalo de Tróia”????
Bom, tenho trocado algumas mensagens com pessoas favoráveis e outras, contrárias ao banimento das sacolinhas dos supermercados.
Acho cabível esclarecer uma coisa: eu, pessoalmente, não serei MUITO afetado pela mudança, pois tenho o hábito de comprar pela internet – sim, recorro ao Sonda e ao Pão de Açúcar para poder comprar via internet e receber os produtos em casa. Carnes, queijos, enlatados, itens de limpeza, congelados, leite, Coca, cerveja…. Tudo, enfim.
Porém, vez ou outra, passo no supermercado voltando para casa – e, neste momento, o supermercado que não oferecer as sacolinhas para que eu, cliente, tenha a conveniência de carregar minhas compras sem ter que colocar carnes e queijos numa caixa de papelão cheirando a Omo, vai perder o cliente potencial.
Largo tudo no caixa – sem pagar, obviamente – e vou embora.
Não tenho dúvida de que outro supermercado vai me oferecer uma forma (menos burra e menos hipócrita) de transportar minhas compras.
Todavia, esta campanha tosca (que conta com o apoio da Prefeitura de SP e do Estado) tem um toque de tutela na vida do cidadão que me deixa indignado.
Como se não bastasse, ela parte de premissas completamente equivocadas, e pretende sensibilizar pessoas menos informadas alardeando um viés de “defensora do meio-ambiente” que, na prática, não tem.
Não tenho nada contra preservar o meio-ambiente – pelo contrário.
Contudo, não aceito ser tratado como um otário, ou como um burro desinformado que acredita em todas as mentiras (algumas, decerto inocentes; outras, certamente, cheias de má-fé) que a APAS está contando para tentar justificar o injustificável.
Isto posto, acho importante destacar os motivos que sustentam afirmar que esta campanha da APAS é BURRA. Vamos lá:
1) Substituir as atuais sacolinhas pelas sacolinhas feitas de amido (ou qualquer outra matéria-prima) supostamente “sustentável” não vai melhorar a situação dos bueiros entupidos e afins por uma razão simples: QUEM NÃO TEM EDUCAÇÃO SUFICIENTE PARA JOGAR LIXO NO LIXO VAI CONTINUAR JOGANDO SACOLINHAS “SUSTENTÁVEIS” NA RUA. 
A menos que elas decomponham-se em alguns minutos (o que não é o caso – parece que, na melhor das hipóteses, precisam de 2 anos para isso), os bueiros seguirão entupidos. Convenhamos: São Pedro não vai ficar dois anos esperando a decomposição das sacolinhas de amido antes de mandar a próximo chuva que vai sobrecarregar os bueiros entupidos de sacolinhas “eco-friendly”. Ou vai????
A burrice da campanha não reside APENAS no problema da educação, mas isso é crucial.
Se a informação da Folha não estiver incorreta, uma latinha de alumínio demora mais de 1.000 anos para se decompor (íntegra da reportagem AQUI).
Confesso: morando há 36 anos em SP, eu já cansei de ver gente jogando latinhas de cerveja, refrigerante ou qualquer outra bebida em locais impróprios (ruas, praças etc).
Isso é motivo para proibir a venda das latas???????
Me poupe dessa burrice, né, APAS?!

Vamos banir dos supermercados os shampoos e desodorantes vendidos em embalagens de plástico, pneus, sachês de molho do tomate, sacos de açúcar, arroz, feijão, farinha etc ?! Tudo que é embalado em vidro será banido também?

Se a APAS e os supermercados que estão bancando esta campanha hipócrita estivessem preocupados com o meio ambiente, do jeito que estão afirmando, eles fechariam as portas, pois 90% do que vendem causa mais danos ao meio-ambiente do que as sacolinhas – especialmente se a população não tiver a educação e a civilidade de jogar lixo no lixo.

2) No caso dos aterros e lixões: mudar da sacolinha X para a sacolinha Y não vai mudar o fato de não haver, em SP, locais adequados para receber as sacolinhas “sustentáveis”. A mesma reportagem da Folha supracitada informa que estas sacolinhas precisam de 180 dias para virarem matéria orgânica DESDE QUE SEJAM ENCAMINHADAS PARA UMA USINA DE COMPOSTAGEM.
Será que a APAS sabe informar aos clientes dos supermercados quantas usinas de compostagem existem no Estado de São Paulo????
Certamente eles não sabem. Mas eu digo: QUATORZE.
Na cidade de São Paulo, são DUAS.
(Rápido adendo: perto da minha casa havia uma usina de compostagem, que foi fechada por pressão dos moradores da região, devido ao meu-cheiro, ratos, baratas, insetos e afins que perturbavam os moradores; os detalhes estão AQUI. Fim do parêntesis.)

Todo o lixo recolhido no Estado (e na cidade) é levado para estas usinas de compostagem? Não.
Então, se um ecochato-xiita tem sua sacolinha “sustentável” levada para um destino que não tem condições da fazer a compostagem do lixo, tanto faz se ele pagou R$ 0,20 por ela, se ele acha que está protegendo o meio-ambiente etc. Não está.
Trocando em miúdos: foda-se.
O meio-ambiente também se fodeu – mas a APAS não está preocupada com isso.
3) O site da campanha mentirosa, burra e hipócrita da APAS (já dei o link nos posts anteriores, não preciso repetir mais uma vez) afirma que o uso das sacolinhas de amido de milho NÃO irá acarretar aumento do preço dos alimentos que usam milho em sua composição.
MENTIRA.
BURRICE.
BOBAGEM.
Qualquer pessoa que tenha carro flex sabe que nos últimos 2/3 anos o preço do etanol subiu tanto que tem sido mais vantajoso abastecer com gasolina.
Por que isto ocorreu?
Lei da oferta e demanda. Economia pura, simples, elementar.
Conforme aumentou a venda de carros flex, aumentou também a demanda pelo etanol – que era barato até o momento em que houve o aumento da demanda….. Inobstante, o preço do açúcar também aumentou, então muitas usinas preferiram produzir açúcar ao invés de etanol.
Percebe, leitor?!
Estamos falando de um ciclo vicioso. Hoje, devido à baixa quantidade de sacolinhas de amido de milho, ainda não existe impacto na demanda desta matéria-prima.
Porém, caso as atuais sacolinhas plásticas sejam TOTALMENTE substituídas, a demanda pelas sacolas de amido vai explodir (mais até do que no caso do etanol, pois ali havia outras alternativas – gasolina e diesel -, coisa que praticamente não acontece no caso das sacolinhas).
Quando aumenta a demanda por um bem/serviço, o preço deste bem/serviço aumenta também. Se o aumento será diretamente proporcional ou não, vai depender da elasticidade-preço do bem/serviço em questão – mas que vai aumentar, vai.

Vai haver maior demanda pelo amido de milho, o que vai encarecer alimentos que usam amido de milho em sua composição….. Um ciclo vicioso. Resultado: aumento de preços.
O consumidor que hoje aceitar de cabeça baixa a imposição da APAS está assinando um atestado de que está disposto a pagar mais caro pelos alimentos futuramente.
Vou seguir “destrinchando” esta campanha idiota da APAS, em breve.
Por ora, recomendo aos leitores que AJAM.

Como?

PRIMEIRO – No supermercado, EXIJA as sacolinhas (que estão embutidas no preço de todos os produtos que são comprados), sem cobrança adicional. 

SEGUNDO – Assine e divulgue este abaixo-assinado protestando contra esta campanha ridícula da APAS.

E, para finalizar, recomendo a leitura DESTE TEXTO, para refletirmos sobre demagogia, problemas reais, meio ambiente etc. Garanto que a leitura compensa!

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