Socialismo e Liberalismo, por José Guilherme Merquior

José Guilherme Merquior é, na minha opinião, o mais brilhante intelectual brasileiro – ao lado de Rui Barbosa e Roberto Campos.

Hoje, revisando alguns links e arquivos “abandonados” no laptop dei de cara com este texto curto (de 1987), mas capaz de resumir de forma brilhante algumas das mais relevantes diferenças entre o socialismo e o liberalismo.

José Guilherme Merquior

Ao invés de comentar, deixo o brilhante Merquior falar por si mesmo:

– SOCIALISMO E DEMOCRACIA –

O socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica. Mais precisamente, uma teoria que procurava reorganizar a sociedade industrial. Os primeiros ideólogos socialistas — os que Engels chamou de “socialistas utópicos” — simplesmente não cogitavam de instituições políticas.

O socialismo só se politizou com Marx, que fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição revolucionária e igualitária do comunismo.

Marx nunca valorizou os direitos civis (de expressão, profissão, associação, etc.). Ao contrário, chegou mesmo a condená-los, vendo neles mero instrumento de exploração de classe. O socialismo marxista, e muito especialmente o praticado pelos regimes comunistas, sempre refletiu esse menosprezo pelos direitos civis.

Em Lenin, a indiferença de Marx para com a liberdade civil torna-se verdadeira hostilidade aos direitos civis e políticos. Hoje, ninguém mais duvida de que nos regimes comunistas, ninguém consegue, ou tenta, tornar compatíveis socialismo e democracia.

Para tornar compatíveis socialismo e democracia, o socialismo precisa renunciar ao dirigismo econômico, à dominação de toda economia pelo Estado. Isso foi o que fez a social-democracia, desde suas primeiras experiências na Escandinávia. Compreenderam que o dirigismo político provoca ineficiência e despotismo, já que concentra todas as grandes decisões econômicas nas mãos dos que já tem o comando político. Essa autonomia na esfera socialista nunca foi admitida pelos marxistas, embora Trotsky tenha observado que, após o crescimento industrial, a qualidade da produção está fora do alcance do controle burocrático da economia.

– SOCIAL-DEMOCRACIA –

Kolakowski baseia sua concepção da social-democracia em alguns valores e regras gerais que se podem resumir assim:

1) Adesão aos princípios democráticos e constitucionais da sociedade aberta;

2) Busca da igualdade, por meio do “Estado protetor”, que atenda às necessidades elementares da população, cuide da velhice e da doença e promova, em clima de liberdade, a igualdade de oportunidades;

3) Orientação oficial da economia;

4) Reconhecimento da impossibilidade de tornar inteiramente compatíveis o necessário planejamento e a desejável autonomia.

A social-democracia foi perdendo terreno para o moderno liberalismo, entre outras razões, em conseqüência da revolta no mundo atual contra o estatismo econômico. Por outro lado, a recessão econômica e o desemprego em vários países europeus fizeram com que os social-democratas se afastassem de suas bases sindicalistas.

Na Inglaterra, por exemplo, a vitória de Margareth Thatcher foi em grande parte conseqüência da rebelião do operariado contra a política austera e estatizante dos social-democratas. Na prática, os social-democratas eram forçados à negociação entre empresários e trabalhadores, o que representava o reconhecimento dos interesses do capital, traindo suas origens social-marxistas.

– RENASCIMENTO DOS LIBERALISMOS –

“Um conservador”, disse Irving Kristol, “não passa de um liberal assaltado pela realidade”. Na realidade, não é bem assim. A palavra liberal serve hoje para cobrir diferentes comportamentos e pensamentos políticos.

Em outros tempos, o liberalismo estava na defensiva porque os injustos regimes liberais eram comparados com o ideal socialista de liberdade e de justiça. Mas, depois da Segunda Guerra Mundial, quando o socialismo de Stalin foi implantado autoritariamente, as mazelas da realidade socialista foram ficando mais visíveis. O liberalismo passou à ofensiva na produção teórica das universidades e dos pensadores porque o socialismo está longe de ter as mãos limpas e o coração leve.

Lembra Dahrendorf que o liberal raramente precisa envergonhar-se das realidades criadas em seu nome. Ou, quando precisa, resta-lhe o consolo de verificar que seus adversários de esquerda possuem mais esqueletos dentro do armário.

A sociedade moderna, tecnificada e consumista, não requer apenas justiça: exige também eficiência; e a eficiência, por sua vez, implica liberdade econômica.

O neoliberalismo de Hayek tem marcado muitos pontos na denúncia do estatismo econômico, por exemplo, quando se refere à grande expansão de empresas estatais.

É irrealista, no entanto, quando pensa que o Estado pode deixar de dirigir as finanças ou planejar a economia. Importante é que ele não a controle. No seu famoso livro O Caminho da Servidão, Hayek levantou a tese de que o envolvimento do Estado na sociedade e na economia, mesmo por intervenções isoladas, redundaria, a longo prazo, em totalitarismo. No entanto, depois de quase cinqüenta anos, desde a guerra mundial, vemos que Hayek se enganou. No Ocidente e no Japão, a ação do Estado ajudou a evitar o totalitarismo. O Estado, às vezes assistencial, contribuiu de modo decisivo para neutralizar movimentos políticos socialistas autoritários.

No Brasil, temos, ao mesmo tempo, Estado demais e Estado de menos. Demais na economia, onde o Estado emperra, desperdiça, onera e atravanca. De menos, no plano social, onde são gritantes e inadmissíveis tantas carências em matéria de saúde, educação e moradia. Por isso há muitas vezes um diálogo de surdos: de um lado liberais se esquecem, ao condenar a ação do Estado, de ressalvar nossas tremendas necessidades no campo assistencial; de outro, os que se dizem defensores “do social” condenam todas as posições liberais.

– O MODERNO LIBERALISMO SOCIAL –

O moderno liberalismo social, doutrina do PL, não deve querer dizer apenas menos Estado; quer dizer sobretudo mais liberdade. E o Estado contido pode ser um poderoso instrumento para promover liberdade para todos.

Keynes, que tanto transformou o liberalismo econômico, recusou-se a aceitar tanto a opção leninista (sacrificar a democracia para acabar com o capitalismo) quanto a fascista (sacrificar a democracia para salvar o capitalismo). Mas alguns liberais são frios em matéria de fervor democrático. Hayek, por exemplo, chegou a imaginar alternativas que atuassem na base de princípios liberais. Para o neoliberalismo de direita, a liberdade econômica, além de necessária, é suficiente.

Nosso melhor liberalismo não deve ter um permanente pavor do Estado; deve sim — e com crescente vigor — buscar a limitação da ação do Estado a seus objetivos reais. Este é o liberalismo social que o PL defende.

Liberalismo com preocupações sociais é a única doutrina política atual que leva profundamente a sério o ideal democrático no sentido rigoroso da palavra, de governo do povo. Os socialismos de Estado dizem ser democráticos, mas ninguém se atreveria a dizer que praticaram a democracia como forma de governo. A democracia liberal social é realmente democracia, variando apenas no grau do seu teor democrático. O argumento liberal não precisa fugir à realidade; mas o antiliberalismo socialista só consegue basear-se no idealismo e em promessas sempre refeitas e adiadas de um paraíso de liberdade.

– LIBERDADE E IGUALDADE –

A verdadeira democracia liberal tem duas paixões — as paixões de Rousseau: liberdade e igualdade.

Por volta de 1850 ou 60, entendia-se a igualdade de acordo com os méritos de cada um. Já definira Rui Barbosa que a verdadeira igualdade consistia em aquinhoar-se desigualmente a cada um, na proporção em que se desigualam. De lá pra cá, tende a prevalecer uma visão “igualitária” de igualdade. Todos são iguais.

Ao mesmo tempo, a liberdade ganha uma versão libertária que tem a anarquia no seu horizonte natural.

Esse é o maior desafio que o liberalismo tem e terá de enfrentar. Do socialismo, o liberalismo só precisa temer a força, não o poder de convencer, pois ele está muito desgastado. Todavia, em nossas sociedades cada vez mais permissivas e reivindicatórias, o liberalismo não está completamente a salvo da perversão interna de seu próprio ânimo: o velho nobre espírito de igualdade.

Coitada da Chauí……

Marilena de Souza Chaui, Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1A,
possui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1965) , especialização em Licenciatura pela Universidade de São Paulo (1965) , mestrado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1967) e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1971) . Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo.

Esta é a breve descrição do Currículo Lattes da filósofa mais tapada, burra e patética da qual tive notícia em minha (ainda) curta mas prolífica vidinha mundana. Uma desmiolada dessas deveria ser internada e tratada à base de anfetaminas, porque não tem mais conserto. Para iniciar a cronologia apenas pelos fatos mais recentes, foi esta tresloucada quem afirmou que o mensalão não passava de um “golpe branco”, perpetrado pela “mídia”, ao representar os interesses “da direita” (texto completo aqui).

Pois esta patética criatura mama nas tetas (polpudas) de órgãos públicos desde sempre, como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além de ganhar seu salário numa Universidade pública (bancada, pois, com impostos, taxas e receitas auferidas pelo Governo do Estado de São Paulo).

Para quê ?
Para afirmar esta sandice de que o mensalão não passou de invenção da mídia ?
Foi a mídia quem obrigou Duda Mendonça a confessar, no Senado, que recebeu o pagamento de cerca de R$ 10 milhões via conta no exterior, quando das campanhas eleitorais do PT ?
Por lei, só isto já seria suficiente para cassar o registro partidário dessa corja de boçais pseudo-esquerdistas. Mas nem a mídia “pressionou” pela cassação do registro, nem tampouco as autoridades competentes (?) fizeram cumprir a lei.
Afinal, estamos na Casa da Mãe Joana mesmo, né ?!

A “oposição” (coitada!), perdida, com tucanos e demos tentando entender o que stava acontecendo, posando do alto de sua perfeita empáfia-deslumbrada, e chando que o escândalo seria suficiente para “grudar” suficientemente na imagem
da Mulla e fazê-lo perder as eleições…… E ninguém fez nada ! Isso sem ontar, é claro, com o rabo preso (vide Senador Eduardo Azeredo, “fundador” da etodologia ampliada pelo mensalão petista posteriormente)….. Mesmo com tantas confissões, provas e “laranjas” aparecendo, a brilhante filósofa preferiu atacar “mídia golpista” para tentar desviar a atenção da verdade.

Mas os fatos, mais cedo ou ais tarde, acabam falando por si……
As coisas mudam, e, conforme o tempo passa, a história acaba mostrando quem é quem.

Não obstante, a filósofa tão brilhantemente patética e ingóbil, com suas teorias pífias e tão verdadeiras como nota de dois dólares e vinte cents, acaba reconhecendo sua sandice….. em entrevista à revista argentina “Debate”, a filósofa Marilena Chaui admitiu pela primeira vez a possibilidade de que tenha existido o mensalão, que ela antes qualificava de uma “construção fantasmagórica” da mídia. A matéria completa, na Folha On-Line, pode ser lida gratuitamente aqui.

Mas não apenas ela é uma deslocada intelectual, é também cínica – como, de regra, todo PTista que confesse sê-lo:
“Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, sem que os meios se manifestassem sobre o assunto”.

O que isso significa ?
Simples: os PTistas “legítimos” não conseguem viver sem comparações à “herança maldita”.
Como os “meios” não se manifestaram sobre as negociações e corrupções dos predecessores, o fato de a mídia se manifestar agora indica que o erro é da mídia.
Só.

Nada disso !
Discutir se houve ou não corrupção antes é chover no molhado: todos sabemos que houve.
A questão é outra: o PT não era o “arauto da ética, da moral, da competência, da honestidade” ?
Dane-se o que a mídia publicou, denunciou ou deixou de fazê-lo anteriormente: por que a tresloucada não consegue reconhecer que a PTzada é tão desonesta quanto seus predecessores ?

Não apenas tão desonesta quanto, mas pior: como mais incomPTente, apenas repete aquilo que já estava feito (Bolsa-Família, política econômica, corrupção sistematizada), apenas tentando maximizar os lucros – para comprar a nova sede do partido, bancar os Romanée-Conti, os charutos cubanos e lençóis de seda egípcio aonde o ex-sindicalista faz questão de repousar, quando não está desfilando internacionalmente em seu jatinho típico da “elite”…..

Realmente, não dá para discordar desta (recentemente atualizada) definição:

O PT é um partido orientado por intelectuais que estudam e não trabalham,
formado por militantes que trabalham e não estudam,
comandado por sindicalistas que não estudam e nem trabalham
e suportado por eleitores idiotas que trabalham prá burro mas não têm dinheiro para estudar…