Marco Civil da internet: o começo do fim

Nesta semana a Câmara dos deputados aprovou o Projeto de Lei nº 2.126 de 2011, conhecido como MARCO CIVIL DA INTERNET.

O projeto de lei, da forma como foi aprovado, é o começo do fim da liberdade na internet.

Dois textos explicaram detalhadamente o porquê.

Começo com o texto do jornalista Fernando Rodrigues, que está na íntegra AQUI. Recomendo aos interessados a leitura do artigo na íntegra. Ainda assim, vou tentar pegar alguns dos trechos mais relevantes:

O artigo 19 e seus parágrafos 3º e 4º permitem que juízes de juizados especiais, motivados em “interesse da coletividade” (um conceito vago e impreciso), determinem liminarmente a retirada de conteúdo de um site.

O que chama a atenção nesse dispositivo é a regra estar presente dentro de uma legislação específica sobre a internet. A rigor, a legislação vigente no país hoje já trata desse procedimento. Ao detalhá-lo no Marco Civil da Internet, o Congresso faz uma promoção ativa das ações que visem a censurar conteúdo.

O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) argumenta que esse artigo e seus parágrafos referem-se apenas a conteúdo de terceiros que são publicados em determinado site, portal ou blog. Por essa interpretação, esse artigo e esses parágrafos estariam se referindo apenas a comentários que as pessoas possam postar a respeito de algum conteúdo ou notícia. Esse argumento, entretanto, não fica explícito no texto da lei que já passou pela Câmara e abre uma brecha para que a regra se estenda a qualquer tipo de conteúdo, inclusive jornalístico, que poderá ser censurado e retirado do ar.

Hoje já é possível retirar um determinado conteúdo da internet. Para conseguir isso, é necessário entrar com uma ação contra o site e/ou o responsável pela publicação. Ao explicar que esse tipo de medida pode ser feito por meio de ações em juizados especiais, que dispensam a contratação de advogados, o Marco Civil funciona praticamente como uma cartilha convidando os cidadãos a buscarem tal tipo de censura. Fica pavimentado o caminho, então, para uma enxurrada de ações.

Eis aqui o texto do projeto de lei aprovado ao qual o jornalista se refere:

Safari 5

Mais adiante, o jornalista aponta:

Aqui existe um grande risco de invasão de privacidade. O texto do Marco Civil fala em guarda de conteúdo de comunicação privada por parte dos provedores, algo que não pode ocorrer por princípio constitucional.

Nesse caso específico há um problema adicional pelo fato de o Brasil não dispor de uma legislação que trate da coleta e armazenamento de dados pessoais dos cidadãos. Nesse vácuo, o projeto de Marco Civil da Internet acaba entrando de maneira incompleta e deixando vários buracos para que as pessoas possam ter seus dados violados.

Não acabou:

Outra inovação é a regra pela qual qualquer site ou aplicativo na internet com finalidade de lucro ter de registrar os dados de seus usuários por, no mínimo, 6 meses. Isso passa a ser obrigatório. Por exemplo, quem usa Skype, WhatsApp ou Twitter saiba que agora tudo o que fizer dentro desses aplicativos ficará guardado por 6 meses.

Nesse caso, estipula o Marco Civil, não são os dados de acesso ao provedor de internet (cuja retenção é prevista em artigo diverso), mas a sites ou aplicativos no celular ou outros dispositivos móveis –as chamadas “aplicações de internet”.

Ao consultar especialistas, o Blog concluiu que não há nada semelhante em qualquer outra legislação no planeta.

Eis um comentário de uma pessoa que é estudiosa do assunto: “O armazenamento obrigatório destes dados aumenta, por si só, o risco de mau uso e vazamento dessas informações, terá um custo e, ainda, impedirá que um site legitimamente apague uma informação que um cidadão, seu usuário, solicitou que apagasse, por mais inocente que seja. Igualmente, veda a própria existência de determinados serviços privacy-friendly”.

Perguntas a serem feitas: por que um provedor de serviços via um aplicativo de celular ou tablet precisa guardar dados privados de um consumidor por 6 meses? E o consumidor que desejar deletar imediatamente seus dados de uso? Não será autorizado? E os aplicativos cujas mensagens desaparecem depois de lidas (como Snapchat e Wickr)? Terão de mudar seu sistema de funcionamento no Brasil? Muitas coisas que terão de ser consideradas pelos senadores na próxima fase de tramitação do Marco Civil da Internet.

O Fernando Rodrigues fez um bom trabalho, observando estes pontos – e disponibilizou a íntegra do projeto no seu blog também. Recomendo a leitura por lá.

O segundo artigo que li é (mais) um primor do Flávio Morgenstern que está AQUI na íntegra. É (muito) longo e detalhado. Mas vale a pena.

Vou copiar apenas alguns poucos trechos, com grifos meus:

Este é o Marco Civil. Estas são as definições mais concretas de termos abstratos e parnasianos com que a lei é edulcorada, como “buscar reduzir as desigualdades, sobretudo entre as diferentes regiões do País” ou “fomentar a produção e circulação de conteúdo nacional”, nos incisos do Artigo 22 sobre “promoção da Internet como ferramenta social”, o que não é possível conceber em termos factuais, a não ser pelo policiamento da internet em nome de ideais abstratos.

[…] Qual o critério de “liberdade” que será usado para “fomentar políticas públicas”? Isto não pode mudar do dia para a noite com um novo governante e um novo partido ganhando maiorias temporárias? É mesmo vantajoso tirar o “poder de lobby das gigantes das telecomunicações” para dar tais poderes para políticos?

O que, afinal, a classe política tem de mais confiável do que empresas de telecomunicações que, bem ou mal, até hoje não atacaram nossa liberdade – sob qualquer perspectiva? Não foi contra as empresas de telecomunicações que o gigante acordou em julho de 2013, dizendo que nenhuma delas lhes representa. Pelo contrário: foram elas que garantiram que a revolução fosse televisionada, tuitada, transmitida ao vivo em alta velocidade de wifi tanto para grandes portais quanto para blogs mequetrefes com a mesma eficiência.

Gostando-se ou não (e é difícil crer que alguém goste dos serviços de comunicação no Brasil), não parece de todo uma idéia muito “libertadora” trocar os registros de atividade e o controle do fluxo de informações de empresas, que concorrem entre si e não são uma autoridade central (pode-se sempre trocar de provedor ou operadora caso não se goste do serviço) por uma autoridade central e obrigatória.

Entre as novidades que aparecem, está a idéia da “função social da rede”, além do conceito de que a web deve atender aos “direitos humanos”, seja lá o que o manda-chuva da vez definir como “direitos humanos” – é de se crer que essa expressão tenha significado bem distinto nas bocas de Jean Wyllys e do PSOL (aquele partido que considera que qualquer opinião desabonadora à esquerda “fere os direitos humanos”, como já fizeram com Rachel Sheherazade e Jair Bolsonaro, só para ficar nos exemplos mais conhecidos), ou da turma da Marcha da Família 2.0. Qual o problema com as buscas no Google e o tráfego livre sem “atender” a essas demandas?

Devemos mesmo “regular” a internet para que algum governante tenha o poder de censurá-la a partir dessa premissa? Será que vale a pena deixar que o governo decida o que são coisas abstratas como “neutralidade”, “função social” ou “direitos humanos” e passe a ter um poder que não tem hoje – de censura – com base nestes princípios?

[…] Lembrando que toda Revolução começa trocando as leis para atender a fins futuros, e não mais verificar culpabilidade ou inocência através de uma régua escorreita que separe um do outro – prefere trocar este conceito por uma valoração de quem é a favor da revolução e quem é um “traidor” ou “anti-revolucionário”. E, por mais que o livro mais importante do século XX, Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn, demonstre o resultado desse princípio no âmbito penal, também urge lembrar que muitas das burocracias com concentração de poder exagerado começam, justamente, na esfera civil – caso da cleptocracia que virou a Argentina.

É um passo perigosíssimo para transformar todos os brasileiros em potenciais Francenildos.

Faço aqui o meu alerta: esse projeto de lei é um retrocesso. O texto contém portas para censura e manipulação de dados.

Eu já comecei a entrar em contato com alguns senadores, pedindo que NÃO aprovem este marco civil ditatorial, burro, equivocado. Para quem quiser fazer o mesmo, o site do Senado fornece diversas formas de contatar os senadores: AQUI a lista dos que têm twitter e/ou facebook, e AQUI a lista com e-mails, telefones e fax.

Pelo bem da liberdade que AINDA temos no Brasil, entre em contato com pelo menos 4 senadores pedindo que rejeitem este projeto de lei.

Protestinho de rua, com muita burrice e muita destruição, não resolve. Há Senadores que têm a obrigação de ouvir os eleitores, prestarem contas. Veja quais senadores apóiam a censura que o PT quer fazer, e quais combatem esta tentativa de AI-5 digital.

 

Marco Civil

 

Finalmente, veja quem apóia o Marco Civil:

2014-03-12 11.20.36

A cereja do bolo é a repórter da CacaCaPTal que sempre (SEMPRE!) fala bobagem, e que, claro!, também apóia o Marco Civil:

Cynara ataca_030

 


ATUALIZAÇÃO: Depois que eu já havia escrito este post, recebi alguns outros links que ampliam a “cobertura” sobre o Marco Civil da internet. Peço aos interessados que leiam os textos abaixo e – MAIS IMPORTANTE! – enviem estas informações para amigos e familiares.

Se os senadores não ouvirem pressão dos eleitores (ESTAMOS EM ANO ELEITORAL, LEMBREM-SE!), vão acabar aprovando este projeto do jeito que receberam da Câmara

A manutenção deste projeto do Marco Civil, do jeito que está hoje, significa o começo do fim da liberdade na internet.

Leia os seguintes artigos:

1) Como o marco civil da internet afeta sua empresa

2) Marco civil: se você está comemorando, é porque não leu o texto aprovado

3) Contra o Marco Civil e a neutralidade de rede

4) Organizações criticam novo texto do Marco Civil

5) Marco civil: Há pontos de retrocesso

6) Pedalando e cantando

7) Lei da internet cria via rápida para retirada de conteúdo

 

Em 2008, a Standard & Poor’s era legal. Hoje ela é mentirosa.

O mundo gira… Pessoas ignorantes e mentirosas sempre acabam pagando pelas bobagens e mentiras que falam.

Nesta semana, a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil (os detalhes podem ser lidos AQUI).

Houve uma reação generalizada do governo, do PT e dos babacas-oficiais do PT (os militantes virtuais, MAVs) tentando desqualificar a agência, e suas avaliações. O pessoal tentou achincalhar a S&P porque ela fez uma coisa que contraria os interesses do governo – e, quando isso acontece, o pessoal sai atacando loucamente.

Pena que a galera se esqueceu que em 2008, quando a mesma agência S&P aumentou a nota do Brasil, houve uma enxurrada de elogios – vou destacar a seguir a declaração do então Presidente da República, o mentiroso contumaz (e notório ignorante) Lulla da Silva:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (30) que o Brasil foi considerado um “país sério” por investidores estrangeiros. “Nós acabamos de ter a notícia de que o Brasil passou a ser ‘investment grade’. Não sei nem falar direito a palavra, mas se formos traduzir para uma linguagem que todos os brasileiros entendam poderia dizer que o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e que por isso passamos a ser merecedores de uma confiança internacional que há muito tempo necessitava”, disse o presidente.

Nesta quarta, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s concedeu ao Brasil o patamar de grau de investimento. A decisão representa uma melhora na recomendação do Brasil, que passa a ser considerado investimento seguro para investidores estrangeiros.

[…] Na opinião do presidente, o Brasil já deveria ter recebido o grau de investimento “há muito tempo”. “Recebemos aval de que passamos a ser os donos do nosso próprio nariz em determinarmos a política que achamos conveniente para o Brasil. É uma conquista do povo brasileiro que durante tantos e tantos anos esperou por esse momento. Quis Deus que isso acontecesse quando um presidente de sorte assumiu a Presidência. E Deus queira que nunca mais o Brasil eleja governantes que não tenham sorte.”

A íntegra da reportagem, incluindo um vídeo, está AQUI.

Os trechos que eu destaquei são, digamos, contraditórios quando se observam as reações à notícia, do último dia 24/03, do rebaixamento da nota:

Nota do Brasil S&P_01

 

Nota do Brasil S&P_02

 

Nota do Brasil S&P_03

 

Que coisa…

Quando, em 2008, a Standard & Poor’s concedeu o investment grade, Lulla exaltou a conquista de todos os brasileiros, a “sorte” etc…

Agora em 2014, quando a mesma S&P reduz a nota do Brasil por causa do desastre que dona Dilma Ruinsseff está causando, o pessoal sai atacando a credibilidade da agência. Não que as agências de risco (não apenas a S&P) tenham uma credibilidade altíssima – mas elas já não tinham esta credibilidade altíssima lá em 2008, época em que aumentaram a nota do Brasil. Porém, naquele momento, como o aumento da nota poderia ser usado nos discursos mentirosos e distorcidos do PT, o próprio Lulla ficou exaltando as agências de risco.

O PT é assim mesmo: quando você concorda com ele ou ataca os “inimigos” dele, você é ótimo, tem credibilidade etc. Basta ver que os asseclas do PT não hesitam em usar notícias publicadas na Veja, na Folha, na Estadão ou na Globo quando estas notícias são negativas para o PSDB ou qualquer outro grupo que discorde ou critique o PT.

Mas quando você discorda, passa a ser do “PIG”, fascista (essa palavra hoje é usada para qualquer coisa, mas 99,98% de quem usa não faz idéia do significado) e outros impropérios…

O caso da CEAGESP e a “militância política” burra

Na última sexta-feira, a CEAGESP foi palco de mais um caso de violência, depredação, ignorância e bandidagem.

O caso ajudou a desnudar, ainda, duas questões subjacentes, quais sejam:

1) A estatal CEAGESP é alvo da sanha do PT em alojar seus aliados e cúmplices, pouco importando a gestão da autarquia em si – o importante mesmo é alocar o maior número possível de PTistas na máquina, para gerar dinheiro para o partido e, claro, aumentar o escopo da influência do PT.

2) A estratégia de comunicação oficial do PT, chamada de “MAV” (ou Militância em Ambientes Virtuais”), é uma tragicomédia de péssimo gosto.

Em reportagem do Estadão, a primeira questão foi devidamente esmiuçada AQUI. Segue apenas um trecho:

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) é reduto de apadrinhados dos petistas João Paulo Cunha (SP), deputado condenado no esquema do mensalão, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem seu sobrinho, filho do irmão Vavá, trabalhando na empresa. Edison Ignácio da Silva ocupa cargo de confiança de gerente, com salário de R$ 15 mil.

O presidente, Mário Maurici, é próximo a Carvalho, com quem trabalhou na Prefeitura de Santo André na gestão de Celso Daniel, assassinado em 2002. Companheira do prefeito na época do assassinato, Ivone Santana também assumiu cargo comissionado na Ceagesp.

A segunda questão foi desnudada AQUI. Um pequeno trecho (por favor, leitor, leia o texto original, na íntegra, porque é hilário – e triste):

Críticas à Companhia simplesmente DESAPARECEM quando a militância petista descobre que a empresa é do governo federal. A situação é tão patética que chega a ser cômica – porém, como sabemos, é na verdade bem trágica.

[…] Ocorre que a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) é uma empresa gerida pelo GOVERNO FEDERAL (sim, do PT). Já pertenceu ao governo de SP, é verdade, mas foi federalizada em 1997. A tal incompetência, portanto (e como sói), cabe a Dilma e seus asseclas.

Agora, apenas imagine a cara do pessoal que se apressou em xingar a péssima gestão da Companhia… Claro que pararam na hora! Passou a ficar TUDO BEM com a CEAGESP! Oloco! Tá uma maravilha, pô!

Pois é…

O pessoal que fica no Twitter e no Facebook (especialmente, mas infestam outras redes sociais também) com a função exclusiva de espalhar mentiras para defender o PT e atacar (não é criticar, é ATACAR mesmo) qualquer um que critique o PT é patético. Vamos a alguns exemplos:

MAV NÚMERO 1: Já de cara o sujeito ataca o Alckmin. Quando é perguntado se a CEAGESP é do governo federal ou estadual, o sujeito diz que é estadual. Mentira. Ou ele é mal-informado, ou sabe que é federal e, ainda assim, mente. Na primeira vez que alguém questiona a informação de que a CEAGESP é responsabilidade federal, ele duvida, e ainda solta um “sabe o que significa esse SP no final?“. Na cabecinha oca do MAV, qualquer palavra que tenha SP é responsabilidade do PSDB, do Alckmin, do FHC, do Serra, do Mário Covas etc… Super inteligente!!!

O caso CEAGESP__01 O caso CEAGESP__03
O caso CEAGESP__04

Aí, parece que alguém informa que é uma autarquia FEDERAL, e, portanto, “administrada” (muitas aspas, por favor) pelo PT. O que o sujeito faz? Diz que agora não há mais nenhum problema com a CEAGESP. Ou seja, os problemas da empresa “desaparecem” apenas e tão somente porque o MAV descobre que ela é do PT.

O caso CEAGESP__06

A melhor parte: até o ator-militante-mal-informado-mal-intencionado-ignorante-puxa-saco José de Abreu havia usado seu Twitter para espalhar críticas ao PSDB e ao Alckmin em decorrência do caso da CEAGESP. Ele e o MAV trocaram mensagens:

O caso CEAGESP__05 O caso CEAGESP__02

De novo: mal-informado ou mentiroso?

Ambos.

MAV NÚMERO 2: Esse é típico: PRIMEIRO acusa seus “inimigos” (os tucanos) de serem ignorantes porque estariam criticando o Haddad (nos comentários da reportagem da Folha), e DEPOIS revela a própria ignorância ao afirmar que a CEAGESP, ao voltar atrás na decisão de cobrar o estacionamento, gerou uma perda política para o Alckmin – e, na sequência, o MAV ignorante (desculpem pelo pleonasmo) exalta o candidato Alexandre Quadrilha – ops, Padilha.

O caso CEAGESP__10 O caso CEAGESP__09

A propósito, o PT investe aproximadamente R$ 12 milhões para sustentar esses MAVs (fora os blogs sujos que recebem verbas diretamente do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras etc) para fazer a mesma coisa: espalhar mentira pela internet. Há mentiras mais evidentes (porque os sujeitos que fazem os perfis falsos são muito mais burros, como os acima), e há também aqueles que tentam se fazer passar por perfis sérios, reais – mas cujo objetivo é exatamente o mesmo: mentir.

Eis aqui mais alguns exemplos diversificados (atenção para o sujeitando que citou a cocaína apreendida num helicóptero de um deputado: ele diz que é um senador do PSDB para tentar ligá-lo ao Aécio Neves, mas na verdade trata-se de um deputado de um dos partidos da base aliada do PT):

O caso CEAGESP__17 O caso CEAGESP__16 O caso CEAGESP__15 O caso CEAGESP__13 O caso CEAGESP__12 O caso CEAGESP__11 O caso CEAGESP__08

Petrobras: mais US$ 8 bilhões em dívidas e menos R$ 8 bilhões em multas

Há alguns anos a Petrobras está metida em problemas decorrentes da gestão temerária imposta na estatal pelo PT. Indicações de políticos e companheiros do partido, mas sem NENHUMA capacidade gerencial, colocaram a empresa em rota descendente.

Ações da Petrobras

Porém, agora a Petrobras parece ter chegado ao fundo do poço:

A Petrobras recebeu cinco autos de infração da Receita Federal desde outubro, no valor de R$ 8,768 bilhões. O volume equivalente a 37,2% de seu lucro em 2013, de R$ 23,6 bilhões.

A empresa recorre de todos e, por isso, decidiu não provisionar (lançar no balanço como perda provável) nenhum dos pagamentos.

As informações constam em prospecto preliminar entregue pela empresa à SEC (Security and Exchange Comission, instituição que regula o mercado de capitais nos EUA) ontem, por ocasião da emissão de títulos para captação de US$ 8,5 bilhões. A divulgação dos casos é realizada como forma de alertar os investidores que compram os títulos sobre riscos de impactos potenciais no resultado da empresa.

Segundo o documento, em outubro a empresa foi autuada em R$ 2,348 bilhões por supostamente não ter pago IOF por empréstimos entre suas controladas estrangeiras PifCo, Braspetro e Braspetro Oil Company, em 2009.

Em dezembro, foram duas autuações relacionadas ao não pagamento de IR na fonte, no valor de R$ 2,347 bilhões, e de Cide (Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico), em R$ 1,539 bilhão, no afretamento de plataformas.

No início de janeiro, o auto de infração apresentado foi de R$ 1,093 bilhão, sobre não pagamento de IR e CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) relacionado a lucros de subsidiárias no exterior.

Os questionamentos da Receita sobre os dois primeiros episódios são anteriores à emissão dos autos de infração e constam nas demonstrações financeiras da empresa em 2012 e 2013. O episódio de janeiro é indicado como questionamento nas demonstrações de 2013.

O mais recente episódio registrado ocorreu em janeiro. Trata-se de auto de infração no valor de R$ 1,442 bilhão devido ao não pagamento de contribuições previdenciárias sobre benefícios dados a um grupo de empregados e sobre remuneração de serviços médicos de terceiros, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011.

Com a captação ontem de US$ 8,5 bilhões por meio de Global Bonds oferecidos a investidores no exterior, a Petrobras, supera, em tese, o volume de recursos que precisaria buscar no mercado neste ano, segundo seu plano de investimentos, de US$ 12 bilhões.

Os novos recursos pioram o grau de endividamento da companhia, que chegaria ao equivalente a 4,2 vezes sua geração de caixa anual, calcula Flávio Conde, analista-chefe da Gradual Investimentos. A empresa encerrara 2013 com esse indicador em 3,5.

A matéria na íntegra está AQUI.

Os trechos que destaquei acima indicam a penúria da estatal.

Este é o fundo do poço mesmo para a Petrobras?

Não. Enquanto Dilma Rousseff continuar usando a BR de forma irresponsável e com sua incompetência típica, a tendência é que a Petrobras continue afundando.

É necessário privatizar a Petrobras o quanto antes.

2013-09-24 00.17.51

O que o PT vem fazendo com a Petrobras (com Lulla ou com Dilma, tanto faz) se chama GESTÃO TEMERÁRIA. Eis aqui outro exemplo:

2013-12-08 08.58.07

Mas o Brasil é esse país único, estranho mesmo. Aqui, um batalhão de gente que não entende nada de nada, gente incapaz de entender que 2+2=4, prefere o estatismo que gera elefantes mal-administrados que apenas sugam os cidadãos…

2013-11-14 09.48.51

Eleitor burro

Graças a esses ignorantes, verdadeiros quadrúpedes, dizia-se que o Eike Batista era alvo de denúncias falsas e inveja. A realidade mostrou-se quando ele foi à falência, financiado em grande parte com dinheiro público (BNDES):

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Universidade do governo vai dar aulas de marxismo

Honestamente, essa notícia é de fazer cair o cu da bunda:

O governo federal vai fundar, no primeiro trimestre de 2014, a Universidade do Trabalhador, plataforma de ensino à distância que oferecerá cursos de qualificação profissional tendo como principal meta a “politização” dos trabalhadores. As aulas incluem “marxismo, socialismo e capitalismo”, antecipou o ministro do Trabalho, Manoel Dias, em entrevista ao ‘Estado’.

Para o representante do PDT no Ministério de Dilma Rousseff, os trabalhadores de hoje precisam de uma maior compreensão política. “Estamos vivendo um período de despolitização geral no Brasil, em todas as áreas. Os trabalhadores são peça fundamental na discussão política. Eles são os agentes que constroem com seu esforço, com seu trabalho…”, explica.

A Universidade do Trabalhador vai usar a expertise do Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento, projeto sob a tutela, desde 2004, da Casa Civil, com cerca de 100 mil matrículas. A ideia, porém, é aumentar exponencialmente o atendimento na nova plataforma online de ensino, que terá capacidade técnica de atender simultaneamente até 250 mil pessoas e cerca de 1 milhão de trabalhadores por dia. “Vai ser um negócio grandioso”, garante o ministro. Discute-se, até mesmo, uma internacionalização do programa, que poderia ser acessado em países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Venezuela.

O primeiro convênio foi firmado com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde o catarinense Manoel Dias concluiu o curso de Direito. Segundo o professor João Arthur de Souza, do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, a universidade vai receber R$ 2,5 milhões pelo contrato de dois anos, dinheiro que será usado para pagar bolsas a estudantes e contratar técnicos para o projeto. A equipe responsável pela definição dos novos cursos tem 30 a 40 alunos bolsistas e profissionais de várias áreas, como Psicologia, Pedagogia, Estatística, Computação, Letras, Economia, Sociologia e Administração.

A reportagem é do Estadão, e está na íntegra AQUI.

ISSO É DE LASCAR!

Uma quantidade imensa de brasileiros não sabem ler nem escrever (considerando-se os analfabetos funcionais), não sabe fazer contas, chega numa universidade sem nenhum conhecimento básico, mas agora vai aprender sobre marxismo e socialismo?

Já dá pra imaginar como serão estas aulas, né?! O perfil dos professores, né?! Aqueles seres fedidos da FFLCH, filiados ao PSOL ou ao PSTU…

Vão ensinar que Che Guevara, Stálin, Mao-Tse Tung, Hitler, Pol-Pot e outros genocidas foram responsáveis por tentar melhorar a humanidade implantando aquele regime fantástico chamado socialismo/comunismo, mas foram impedidos por causa dos malvados burgueses capitalistas que queriam oprimir o proletariado.

2014-02-14 17.14.09

 

Como disse Sir Churchill certa vez:

“O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja.”

Um exemplo básico que comprova o que Churchill disse é oferecido pela sempre ignóbil repórter da CacaCaPTal:

Ruralista e socialista

Conivência brasileira com a ditadura venezuelana

E mais uma vez o Brasil passa vergonha mundial pela conivência de dona Dilma e seus asseclas.

Desta vez, a Economist não economiza palavras:

IN DECREEING that the Carnival holiday would last an extra two days this year, Venezuela’s president, Nicolás Maduro, seemed to have hit on a clever way to damp down opposition protests that began four weeks ago. But the gambit failed. The protests have claimed 18 lives; scores have been injured and hundreds arrested. And still they rage.

As in 2002-04, when a similar protest wave threatened Hugo Chávez’s populist regime, Venezuela is split into two irreconcilable camps. Back then, an unpopular Chávez withstood vast demonstrations, a short-lived coup and prolonged strikes-cum-lockouts. Mr Maduro seems to think he can likewise ride out the storm. His security forces continue to beat up demonstrators and his officials denounce the opposition as “fascists”. His offers of dialogue smack of bad faith and the government shows no sign of entertaining the opposition’s demands.

Contrary to the regime’s claim, these do not include the overthrow of the government (though that would surely delight many). Instead the opposition is calling for the restoration of democratic norms—the release of its jailed leaders, the disarming of chavista paramilitaries, an investigation into the deaths and torture of demonstrators, media freedom and the replacement by bipartisan consensus of Supreme Court justices and members of the electoral tribunal whose terms expired last year.

Mr Maduro, narrowly elected after Chávez died a year ago this week, still has the support of many poorer Venezuelans. But the opposition senses that time is no longer on the government’s side. Mr Maduro lacks both his mentor’s political skills and also his good fortune. Chávez survived in 2002-04 largely because the oil price shot up, giving him a windfall that he spent on Cuban-designed social programmes. In contrast, Mr Maduro must grapple with a rotten legacy: soaring inflation, widespread shortages and crime. The economy needs a devaluation and also for the private sector to function. But that is anathema to his base.

By taking to the streets, the opposition is laying bare the contradiction at the heart of chavismo. Though Chávez claimed to lead a revolution, his legitimacy came from the ballot box. If Mr Maduro steps up repression, the regime will become an outright dictatorship for the first time. But the opposition has a problem, too. The next election (for the legislature) is not due until 2015 and a recall referendum cannot be held before 2016. It fears that by then Venezuela will be a totalitarian state and its chance will have gone—so it will not give up today.

With the two sides locked in mutual mistrust, more Venezuelans are likely to pay the price with their lives. Breaking the deadlock needs the help of outsiders. But whom? The government refuses any role for the Organisation of American States (because it includes the United States); after Panama called for a debate there, Venezuela broke off ties with the Central American country on March 5th.

Neither the Union of South American Nations, whose secretary-general is a chavista, nor CELAC, a broader regional group currently chaired by Cuba, which provides Mr Maduro with political and security advice, is credible as a referee. By giving subsidised oil to a dozen Caribbean and Central American countries, Venezuela has bought their loyalty.

Back in 2003 Brazil organised a “Group of Friends” to mediate in Venezuela. Could it do so again? Brazil’s left-wing presidents have sided with Venezuela’s government out of a mixture of ideology and business opportunity.

Latin American leaders clothe their silence over chavismo’s gutting of democracy with the mantra of non-intervention, as Brazil’s Dilma Rousseff did last month. But that policy is applied only when it suits them. Brazil intervened to punish both Honduras and Paraguay when left-wing presidents were ousted (constitutionally in Paraguay’s case). Argentina’s foreign minister complains that Venezuela’s demonstrations risk overthrowing an elected government—yet that was how his own party came to power in 2001.

Brazilian officials say that they are working behind the scenes to persuade Mr Maduro to be more moderate. If so, they are not having much success. Fernando Henrique Cardoso, a former president and political opponent of Ms Rousseff, notes that Brazil would not be taken seriously as a world power if “we stayed paralysed in our area of direct influence”.

On March 11th Mr Maduro will join other regional leaders for the inauguration of Chile’s new president. It is a timely moment to launch a mediation effort to bring peace and restore democratic norms to Latin America’s most troubled country. Venezuela’s turmoil poses a test of the region’s political maturity. Looking the other way is no answer.

É simplesmente VERGONHOSO o que o PT vem fazendo com o Itamaraty. A chancelaria brasileira era respeitada internacionalmente, mas agora está virando uma piada de péssimo gosto.

Vamos comemorar os números do PIB de 2013?

Eu já havia escrito AQUI sobre a situação econômica do país (spoiler: NÃO é boa, muito pelo contrário).

Nesta quinta-feira o IBGE divulgou alguns números referentes ao PIB de 2013. Todos os jornais, revistas e portais divulgaram. O Estadão, coitado, pagou um mico horroroso: escreveu “Brasil tem o 3.o maior crescimento econômico do mundo“. Uma reportagem que deve ter sido redigida por um estagiário (AQUI, na íntegra) no blog, que ganhou destaque no Facebook do jornal:

Safari

Qual é o problema com a matéria do Estadão – e, em especial, com o título?

Simples: o jornal considerou APENAS UM UNIVERSO DE 13 PAÍSES, SELECIONADOS PELO IBGE. (Aliás, por que 13? Por que não 10? Ou 20? Ou 50?)

Portanto, o Brasil teve o 3.o maior crescimento SE VOCÊ OLHAR APENAS E TÃO SOMENTE PARA 13 PAÍSES selecionados pelo IBGE. Destes 13 países, apenas 2 (Brasil e China) são membros do grupo BRIC, e apenas 4 (os 2 citados anteriormente, e mais o México e a África do Sul) são países sub-desenvolvidos – hoje chamados pela turminha do politicamente correto de “em desenvolvimento”. Os demais são países desenvolvidos, como EUA, Reino Unido, Alemanha e França.

Ora, um aluno do primeiro ano de um curso meia-boca de Economia aprende que países desenvolvidos têm crescimento menor do PIB do que países sub-desenvolvidos como regra, não como exceção.

E o pior: a manchete afirma que foi o 3.o maior do mundo – portanto, o sujeito que, preguiçosamente, lê apenas a manchete (coisa mais do que corriqueira com uma população repleta de analfabetos funcionais e ainda mais na era de textos curtos no facebook, twitter e outras redes sociais) vai sair achando que o crescimento foi ótimo (“puxa, terceiro maior DO MUNDO? Nossa economia está ótima, então!”).

Não foi.

Adolfo Sachsida escreveu sobre o assunto (na íntegra AQUI, abaixo apenas alguns trechos com grifos meus):

Alguns números me chamaram a atenção. O mais óbvio deles: a agricultura que cresceu 7%. Não fosse o agronegócio e o Brasil estaria amargando um resultado bem pior. Então vem minha primeira dúvida: por que o agronegócio é tão demonizado pelos movimentos sociais ligados ao PT?

Minha segunda dúvida refere-se ao crescimento da indústria de apenas 1,3%. Passou-se mais um ano, o BNDES torrou bilhões de reais e novamente o setor que mais recebeu subsídios foi o que menos cresceu. Até quando o governo vai acreditar que o problema da indústria é falta de crédito e problema cambial? O real desvalorizou e o governo deu subsídios creditícios para as indústrias e, mais uma vez, o resultado foi pífio. O problema da indústria não está na falta de crédito ou no câmbio. O problema da indústria está na baixíssima produtividade brasileira. Precisamos urgentemente avançar nas reformas tributárias e trabalhistas, de quebra faz-se necessário uma vigorosa diminuição na estupidamente pesada burocracia brasileira. São estas três palavras: impostos, legislação, e burocracia, os verdadeiros vilões da competitividade da indústria brasileira.

Minha terceira dúvida é sobre o crescimento da formação bruta de capital fixo. O IBGE indica que a formação bruta de capital fixo cresceu 6,3%. Estou muito curioso para saber o que anda entrando nessa conta. Gastos do governo entram como nessa conta? Quando o ministério da fazenda compra ar condicionado para seus escritórios isso está entrando como formação bruta de capital fixo? Os estádios para a Copa do Mundo com certeza entram nessa conta, e é evidente que os mesmos são elefantes brancos. Difícil acreditar que os R$ 1,5 bilhões de reais gastos no estádio de Brasília sejam um investimento que vá gerar algo além de mais despesas no futuro.

Enfim, mais um ano de baixo crescimento econômico e de inflação em alta. Não custa lembrar que meus estudos sobre a curva de Phillips já sugeriam isso. Já mostravam que permitir um aumento da inflação faria muito pouco pelo crescimento econômico.

Portanto, para responder a minha pergunta do título: Vamos comemorar os números do PIB de 2013?

NÃO.

  • LEIA MAIS: Boas análises e dados complementares para entender melhor esses números do PIB podem ser apreciados AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.  
  • PS: Em 2013, o governo (especialmente o Ministro Margarina, sempre comprometido em errar todas) divulgava, ad nauseam, projeções de crescimento do PIB de 4,5%. Esse cara não desaponta NUNCA!

ATUALIZAÇÃO:

Eu havia me esquecido completamente de citar um outro fator que precisa ser considerado na questão da cagada do Estadão que citei no início: os militantes virtuais (que o PT chama de “MAV“) desprovidos de capacidade analítica e/ou boa-fé que infestam as redes sociais. Eis aqui o exemplo perfeito:

2014-02-28 08.58.00

O sujeito tem um único propósito no twitter: retuitar e espalhar dados e informações falsas, tentando fazer parecer que o governo do PT é um sucesso, quando se trata de um retumbante fracasso sob toda e qualquer ótica. Este mesmo sujeito, Naldo, tentou há algum tempo me fazer acreditar que o Pronatec da Dilma era um sucesso.

Para o azar dele, eu sei ler, e não me deixo enganar por números fantasiosos.

É black, é bloc, é o PT no caminho

Os 20 anos do Real

Comemorou-se nesta semana o aniversário de 20 anos do Plano Real.

Na tribuna do Senado, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves fizeram bons discursos (que milagre!).

Apontaram, com toda a razão, que o PT sempre foi contra o Plano Real – e, mais do que isso, trabalhou para boicotá-lo.

Provas disso não faltam. Apresento, abaixo, apenas duas.

A primeira: em vídeo, Lulla destila sua costumeira ignorância, e aquela truculência boçal que miseráveis intelectuais confundem com iluminação divina proletária.

A segunda: em texto (publicado na Folha de São Paulo em 12 de Julho de 1994), Guido Mantega mostra que é um economista coerente consigo mesmo, comprometido com sua necessidade de estar sempre, sempre, errado – ele erra de forma constante, inexorável. Guido Mantega está sempre do lado errado, e jamais corre o menor risco de acertar em suas análises e previsões. Por isso, inclusive, segue como Ministro da Fazenda de Dilma. Abaixo, a íntegra do artigo de Guido Margarina, com grifos meus:

Diga-se o que quiser do Plano Real, pelo menos num aspecto ele foi bem sucedido. Conseguiu excitar a imaginação popular e passar a impressão de algo novo e diferente dos planos anteriores.

Os arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas, como o Comitê da Moeda, Banco Central independente, ou a dolarização com conversibilidade, mesmo que nada disso tenha sido utilizado.

Chegaram ao ponto de reinventar os reis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana.

E todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte aperto monetário com taxas de juros estratosféricas.

A parte mais imaginativa do plano, que foi a superindexação da economia pela URV, revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem na conversão para a URV em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia.

De primeiro de julho em diante os salários serão pagos em real, que tem a aparência de ser uma moeda indexada, como se tivesse herdado as virtudes da URV, porém é uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária do real.

A regra de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços.

Com esses artifícios, os preços têm chance de apresentar alguma estabilidade por algum tempo, porque desfrutarão de um conjunto de custos estáveis, como salários, tarifas, matérias-primas importadas, aluguéis e tudo o mais que foi congelado por até 12 meses, sem a aparência de estar congelado.

E aqui também a ilusão funcionou, porque vendeu-se a idéia de que o plano não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, aluguéis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real.

Portanto, mais do que um plano eficiente e bem concebido, o real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar.

Mas não se deve subestimar a eficiência das aparências e dos jogos de prestigiação nas artimanhas eleitorais. As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto, numa repetição da trajetória dos preços por ocasião da implantação da URV, que subiram muito em fevereiro, na véspera da fase dois, elevando os índices de inflação de março, e depois caíram em abril e só voltaram a subir em maio e junho.

A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria quanto uma inflação de 30% a 40% com indexação.

Se tudo isso não fosse suficiente (é!), eis aqui algumas declarações de gente altamente capacitada, verdadeiros intelectuais:

Lula: “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

Marco Aurélio GarciaO Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994). [uma analogia digna da capacidade intelectual deste pilar moral do PT]

Gilberto Carvalho: “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Aloizio Mercadante: “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados: “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

Maria da Conceição Tavares: “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

Paul Singer: “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994). [adoro quando um mendigo intelectual usa e abusa de termos e construções aparentemente complexas e sofisticadas para expressar uma sequência de imbecilidades que não fazem nenhum sentido, nem tampouco têm qualquer fundamento na lógica e na realidade factual]
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).

Gilberto Dimenstein: “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).