Comparativo entre a Petrobras de 2002 e a de 2013

Devido ao período eleitoral, já andei lendo algumas afirmações estapafúrdias sobre o perfil da Petrobras ao final do mandato do PSDB (dezembro de 2002) e agora, sob o mandato do PT. Se o intuito é fazer comparações entre os legados, vamos lá!

Antes de começar: exceto quando indicado expressamente, estou usando dados de Dezembro de 2002 e Dezembro de 2013 (haja vista que o ano de 2014 ainda não acabou).

Ao iniciar a pesquisa para escrever este texto, localizei um artigo publicado originalmente no site “Brasil 247“, um daqueles sites da esgotosfera governista (bancado com dinheiro de estatais para elogiar o PT). Nada publicado naquela pocilga presta, mas serei mais específico (os trechos grifados eu irei comentar na sequência):

Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações porque, agora, distante daqueles acontecimentos, falam como se aqueles tempos fossem modelares, e estes, os tempos do naufrágio. De naufrágio na Petrobras, como vimos, é o tucanato que entende. São números gritantes que revelam, de um lado, o desastre do passado; de outro, o quanto a Petrobras cresceu sob a gestão Dilma/Lula. Peguemos o valor da empresa, sobre o qual volta e meia o tucanato deita falação.

Em 2002, a Petrobras valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012, seu valor subiu para 126 bilhões de dólaresEsses números revelam o que foi o trabalho da gestão tucana, medíocre, e o que foi a administração Lula/Dilma.Como o tucanato tem feito cavalo de batalha sobre o lucro da empresa em 2012 – nada mais, nada menos que R$ 21,2 bilhões –, vamos recordar, que recordar é viver, que em 2002, o lucro da Petrobras foi de R$ 8,1 bilhões.

E agora, José? Quanto a investimentos, que é sempre bom comparar, em 2002, a empresa investiu R$ 18,9 bilhões. Em 2012, chegou a investir R$ 84,1 bilhões. É sempre um escândalo de superioridade. Querem mais? Que nos lembremos do número de empregados, que saltou de 46,6 mil trabalhadores em 2002 para 84,7 mil em 2012. Claro, sabemos, o tucanato critica os concursos, nunca quer aumentar o número de assalariados, lança sobre a empresa o seu olhar de Estado mínimo que quase levou o Brasil à falência (…)

Andaram criticando a produção de óleo, não foi? O tucanato é assim: lê pouco, estuda pouco, investiga pouco para deitar falação. Que seja, comparemos. Em 2002, o Brasil produzia 1 milhão e 500 mil barris por dia. Em 2012, saltou para 1 milhão e 980 mil barris por dia. Vamos então à comparação quanto às reservas provadas: de 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BOE) em 2002 para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente de petróleo em 2012. Nada, nada que se compare, por óbvio, favorece a gestão temerária e irresponsável do tucanato à frente da Petrobras.

Receita, o tucanato gosta muito de falar em receita. Aí é um escândalo: lá, em 2002, era de R$ 69,2 bilhões; em 2012, saltou para R$ 281,3 bilhõesSob quaisquer aspectos, os anos dos governos Lula/Dilma foram superiores em relação à Petrobras. O que impressiona é ouvir o senador Aécio Neves falar em reestatizar a Petrobras. Será que ele se esqueceu de que a pretensão óbvia, escancarada do tucanato era privatizar a empresa? Por alguma razão, a memória deve estar falhando. Não se lembra da proposta de Petrobrax.

Vou deixar de lado as bobagens partidárias e me concentrar nos dados e afirmações referentes à comparação da situação financeira da Petrobras nos dois momentos supracitados.

O autor considerou o valor nominal (tanto da receita quanto do lucro ou do valor de mercado) de 2002 e comparou com o valor nominal de 2012. O sujeito não sabe que o valor do dinheiro muda no tempo? Sugiro ao Sr. Emiliano José tirar uma licença não remunerada do seu cargo de suplente de deputado pelo PT/BA e estudar a diferença do dinheiro no tempo.

A variação da moeda, assim como a inflação, foi desprezada; a variação do preço do petróleo foi ignorada etc. Em dezembro de 2002, o preço do barril de petróleo bruto era US$ 27,89; em dezembro de 2013 era US$ 105,49. O crescimento nominal é de 278,24%. O autor do “texto” mencionou isso? Não.

Pior: ele simplesmente ignorou todos os elementos BÁSICOS e ELEMENTARES que um aluno de Administração Financeira aprende nas primeiras aulas. Um exemplo bastante elementar: imagine que a empresa A vende um litro de um certo produto por 27 reais, enquanto a empresa B vende o mesmo litro do mesmo produto por 105 reais. Qual das duas terá receita de vendas maior, supondo que ambas vendam a mesma quantidade de litros do produto?

Se o preço (de revenda) do meu produto aumenta e minhas vendas também aumentam, meus lucros aumentarão, certo? Impossível ter prejuízo neste cenário, não é? Depende. A Petrobras prova que não necessariamente: em 2012 a Petrobras conseguiu ter prejuízo no 2.o trimestre (R$ 1,3 bi), mesmo com o consumo, vendas e preços aumentando. Mas como deu prejuízo, então? Eis aqui:

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A Petrobras teve prejuízo porque ela teve que importar gasolina. Muita. Detalhe: ela pagava mais caro do que o preço de revenda no Brasil. Sim, você leu direito: sob a batuta de Lula e Dilma Rousseff, a Petrobras transformou-se numa empresa que compra um produto por R$20,00 e vende a R$14,00, conseguindo a proeza de ter prejuízo a cada venda realizada.

Genial, não?!

Outro exemplo bastante básico: em dezembro de 2002 o João investiu R$ 100,00 na caderneta de poupança. Se em dezembro de 2013 ele tivesse os mesmos R$ 100,00 de saldo, sendo que ele não fez nenhum saque e nenhum depósito ao longo do período, ele iria ficar feliz? Não, porque R$ 100,00 em 2002 compravam mais coisas do que R$ 100,00 em 2013.

Quando nós depositamos R$ 100,00 na caderneta de poupança (ou qualquer outro investimento, no geral), temos a expectativa de que quando formos sacar o dinheiro haja um valor MAIOR do que o valor que nós depositamos, certo? Mas e se o valor for exatamente o mesmo? Perda do poder de compra devido à famigerada INFLAÇÃO, entre outros fatores. O Sr. Emiliano ignorou esse “detalhe” também. Fazendo alguns cálculos grosseiros, bem básicos mesmo, é possível provar que o Sr. Emiliano está completamente errado. EM TUDO.

A oferta monetária brasileira expandiu-se fortemente desde 2002, fazendo com que a moeda brasileira perdesse um pouco mais de 90% do poder de compra durante o período. Traduzindo: R$ 10,00 hoje representam algo como R$ 1,10 em 2002. Considerando-se, portanto, a perda da moeda e seu reflexo nos indicadores da Petrobras, a empresa deveria apresentar um lucro de PELO MENOS R$ 73,71 bilhões (anuais) e não apenas os R$ 21,2 bilhões apresentados em 2012 ou os R$ 23,4 apresentados em 2013.

A incapacidade atual da empresa em não obter esse número gera um óbvio reflexo sobre a rentabilidade do patrimônio, que caiu de 23,59% em 2002 para a 5,89% em 2014 – o que representa aproximadamente metade do retorno da Selic (atualmente 11%). Este baixo retorno aumenta os riscos para o investimento. Em português: não quero investir meu dinheiro na Petrobras porque, na comparação com outros investimentos, ela está com um retorno decrescente. O resultado dessa escolha equivocada da Petrobras é bastante claro (reportagem publicada no Globo aqui):

Das grandes empresas de capital aberto na América Latina e nos Estados Unidos, a Petrobras é a que apresenta o pior retorno em suas ações, segundo dados da consultoria Economática, que levou em conta as companhias com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões. A estatal também viu seu valor de mercado cair pela metade em menos de quatro anos, período que serviu de base para o levantamento.

Foi considerado o período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014 e, com base no critério de valor de mercado de no mínimo US$ 100 bilhões, as ações de 38 empresas foram analisadas. Foram considerados os preços em dólares para o cálculo do retorno das ações. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras apresentam queda de 50,59% e os preferenciais (sem direito a voto) acumulam desvalorização de 38,18%.

Já o valor de mercado da estatal caiu a menos da metade. Em dezembro de 2010, a Petrobras valia US$ 228,2 bilhões e na última sexta-feira, US$ 108,9 bilhões, um recuo de 52,3%. Entre as ações com melhor desempenho, aparecem a Exxon Mobil, que apresentou uma valorização de 43,7% no período, seguida da Coca-Cola, que subiu 42,84%.

Outra coisa: a perda da eficiência operacional fez com que sua margem líquida se reduzisse praticamente pela metade ao longo do governo petista, decaindo de 11,71% em 2002 para 6,68% em 2014. Se não bastasse, os fundamentos da empresa estão ameaçados devido ao estrangulamento do único fundamento que acompanhou a desvalorização monetária: as dívidas. O endividamento bruto da Petrobrás subiu de R$ 30,80 bilhões em 2002 para R$ 308,15 bilhões em 2013, enquanto seu endividamento líquido subiu de R$ 18,92 bilhões em 2002 para R$ 229,6 bilhões em 2013. Mais adiante apresentarei um gráfico ilustrando essa questão.

Agora quanto ao valor de mercado da Petrobras e o índice Bovespa: de 1995 até o final de 2002 (período do PSDB), a ação da Petrobras se multiplicou por 6, enquanto o Ibovespa apenas triplicou. Ou seja, o desempenho da estatal foi o dobro do índice de ações brasileiras no período.

O Gráfico 1 ilustra este período (clique nos gráficos para ampliar):

Gráfico 1 Na era do PT (Gráfico 2, abaixo), a ação da Petrobras se multiplicou por quase 5, ou seja: o mesmo patamar do Ibovespa. O período do PT é mais longo, pois tem, além dos 2 mandatos de Lula, mais os 3 anos de Dilma. Ainda assim, a Petrobras se valorizou menos em termos nominais, e bem menos em relação às demais empresas brasileiras. Como o Gráfico abaixo demonstra, em 2008 houve um descolamento dos índices da Petrobras em relação ao Ibovespa, que se deveu ao “frisson” causado pelo pré-sal. Contudo, ao final do período, houve empate.

Gráfico 2 Mais uma coisa: como a Petrobras vende uma commodity, seu preço é fundamental para determinar sua receita e, por conseguinte, sua rentabilidade. Logo, comparar com uma cesta de empresas do mesmo setor se faz necessário para uma melhor análise. Eis o resultado:

Gráfico 3 Não foi possível pegar dados desde 1995 pois não estão disponíveis para o XLE; assim, o Gráfico 3 acima retrata o período do final de 1998, que engloba o segundo mandato de FHC, até o fim de 2002. Neste intervalo, a Petrobras subiu mais de 20%, enquanto o XLE ficou estável. Em compensação, nos últimos quatro anos a Petrobras perdeu 80% de valor em relação ao XLE. A grande destruição de valor da estatal tem se dado na gestão Dilma, em parte pela “herança maldita” de Sérgio Gabrielli no comando da empresa, em parte pelo uso político da estatal, incluindo o congelamento de preço do combustível.

Mas não acabou ainda. O Sr. Emiliano José jogou alguns números de funcionários da Petrobras em seu apanhado de falácias.

Segundo a própria Petrobras informou em Junho de 2014 (aqui), o efetivo atual do Sistema Petrobras é de 86.108 empregados, que inclui a Petrobras controladora e todas as suas empresas no Brasil e no exterior. Em 2002, esse número era de 40.395 empregados. Em 2002, o número de empregados de empresas prestadoras de serviços no Sistema Petrobras era de 121.225. Hoje são 360.180 prestadores de serviço.

Traduzindo: houve aumento de 197% no total de funcionários terceirizados, enquanto o quadro de funcionários contratados/concursados sofreu expansão de 113% (estou ignorando as casas decimais).

Não localizei os dados de produtividade do período para a comparação, o que seria crucial. Mas é possível fazer a seguinte conta:

  • Antes havia 40.395 empregados e gerou-se um lucro de R$ 8,1 bilhões. Assim, o lucro por funcionário era R$ 200.519,87.
  • Agora há 86.108 funcionários e um lucro de R$ 21,2 bilhões (este é o valor apresentado pelo suplente de deputado do PT em seu artigo mentiroso, referindo-se a 2012). Assim, o lucro por funcionário é R$ 246.202,44.

Foram mais de 10 anos, e o lucro por funcionário aumentou apenas 22%?

A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas o lucro por funcionário aumentou APENAS 22%. Isso indica claramente perda de produtividade.

Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário da Petrobras CAIU de 37 para 22, ou seja, CAIU 40%.

Vou repetir, pois isso é muito importante: A PRODUÇÃO (BARRIS/DIA) POR FUNCIONÁRIO DA PETROBRAS CAIU 40% SOB LULA/DILMA.

Estou resumindo no Quadro abaixo:

Tabela Petrobras 2002-2013 OBS: No Quadro, o Lucro utilizado é o de 2012, não de 2013, pois foi o valor utilizado no texto do suplente de deputado do PT e “jornalista”.

Quero destacar que utilizei os mesmo números apresentados pelo Sr. Emiliano para basear esta comparação. Como o “jornalista” é suplente de um deputado do PT, jamais se pode descartar a hipótese de ele ter deturpado os números e/ou mentido. Mas não importa: mesmo se ele tiver inflado os números, ainda é evidente que a Petrobras piorou sob a gestão do PT.

Abaixo, um gráfico comparando 4 números: receita, dívida bruta, dívida líquida e lucro. Percebam a variação destes indicadores entre 2002 (barras azuis) e 2013 (barras vermelhas).

Comparativo Petrobras 2002-2013
Clique para ampliar

O que mais salta aos olhos: o lucro cresceu muito pouco quando comparamos com o crescimento da dívida.

Além disso, percebam que em 2002 havia uma lógica (proporção) na correlação entre os 4 indicadores: a receita era a maior, a dívida bruta menor, a dúvida líquida menor ainda e o lucro era o menor dos 4 números. Havia, pois, uma lógica, uma PROPORCIONALIDADE entre estes 4 indicadores.

Com o PT, acabou a lógica, acabou a proporção. Em 2013, a dívida bruta supera a receita. E, atenção, SUPERA MUITO. A Petrobras estava financeiramente equilibrada em 2002, e está desequilibrada em 2013 (hoje, 8 de outubro de 2014, está pior, mas se recuperando nos últimos 2 dias em termos de valor de mercado e interesse nas ações graças às chances de que o Aécio venha a se eleger).

Outra coisa que fica muito evidente neste gráfico: O AUMENTO BRUTAL DO ENDIVIDAMENTO. Um absurdo.

Em tempo: aqui eu mostrei uma comparação mais detalhada entre a Petrobras e a Ecopetrol da Colômbia. Quero relembrar o seguinte: a EcoPetrol tem uma produção MUITO menor do que a Petrobras (cerca de 612 mil barris/dia, contra 1,98 milhão da Petrobras), mas tem uma rentabilidade de 19%, enquanto a Petrobras patina na casa dos 6%.

E já que mencionei outra empresa, vou expandir um pouquinho o escopo. Para quem quiser falar em “privataria tucana”, ou dizer que o PSDB algum dia quis privatizar a Petrobras (infelizmente jamais pretendeu, o que é uma pena), os gráficos abaixo podem magoar: uma sucinta comparação entre as ações da Vale, privatizada, e da Petrobras, estatal; há, ainda, um resumo do que houve com a telefonia celular graças à privatização (clique para ampliar):

8097e-privatariaResta provado, assim, que a Petrobras piorou em termos de gestão. Mas há um outro aspecto relevante, no qual não vou enveredar pois fugiria ao escopo; vou apenas citar. CORRUPÇÃO.

Nos últimos meses há denúncias das mais diversas mostrando que a Petrobras foi amplamente usada como balcão de negociatas das mais sujas. O dileto leitor pode encontrar diversas nas excelentes reportagens da Revista Época sobre o tema – foram diversas. Sobre isso, relembro apenas uma coisinha:

2014-10-02 17.38.56

E, para finalizar, quero citar um caso que aconteceu comigo, em sala de aula.

Em 2007 eu estava dando uma aula de marketing, tratando de análise de cenários, concorrência, posicionamento estratégico de marketing etc. Em dado momento, usei como exemplo a Petrobras, e passei a discutir concorrentes (atuais e futuros). Uma aluna levantou a questão dos combustíveis renováveis, especialmente etanol. Ela disse que o Brasil iria se tornar uma potência em termos de produção de etanol, inclusive ecoando propaganda do governo Lulla que afirmava isso (lembrando: em 2006, no esforço para se re-eleger, Lulla fez a Petrobras gastar R$ 35 milhões em propagandas afirmando que o Brasil atingiria, naquele ano, a auto-suficiência; o problema é que a auto-suficiência não aconteceu até hoje).

Eu disse a ela para ter calma, porque o Lulla e o PT sempre, sempre, sempre acabam estragando qualquer coisa que funcione minimamente.

Agora, em 2014, mais de TRINTA usinas de álcool foram à falência em SP. Fecharam. Isso ocorreu porque o etanol perdeu eficiência (está mais barato abastecer com gasolina) e as demais alternativas de combustíveis que foram tão comentadas pelo Lulla sumiram (biodiesel? Mamona?). Para piorar, a Petrobras tornou-se a empresa mais endividada DO MUNDO, não importa qual setor você avalie.

A aluna achou que eu estava exagerando há 7 anos. Será que ela ainda acha isso hoje?

Nota: Para produzir este texto, usei dados de diversas fontes; links aqui, aqui, aqui.

Leituras complementares sobre a Petrobras (posts meus aqui no blog):


ATUALIZAÇÃO DE 02/02/2016: Graças a um leitor do blog (obrigado, Celso), fui informado que o site Diário do Poder publicou, na semana passada, algumas notas sobre a Petrobras. Achei relevante para complementar as informações do post, por isso reproduzo abaixo:

Petrobras Shell Exxon BP_01

Petrobras Shell Exxon BP_02

IPEA, Petrobras e Embrapa aparelhadas pelo PT: eu avisei

Há muito tempo eu venho alertando sobre o aparelhamento do Estado promovido pelo PT.

Nas últimas semanas, esse assunto veio à tona de forma ainda mais clara, e o que vimos foi o IPEA divulgando uma pesquisa COMPLETAMENTE EQUIVOCADA, com erros crassos de metodologia e análise; fatos sobre a Petrobras que ajudam a entender a estagnação da empresa; e, para finalizar o estrago, novos fatos sobre a Embrapa.

O arquivo do blog não me deixa mentir: EU AVISEI.

Venho escrevendo sobre isso há tempos.

Especificamente sobre a Petrobras, eu escrevi AQUI, AQUI, AQUI (neste post, aliás, há diversos dados para quem deseja entender um pouco melhor o setor), e mais AQUI e AQUI, para citar apenas alguns posts (há muitos outros, basta fazer a busca na ferramenta do blog, na coluna lateral).

Eis aqui alguns trechos de artigo publicado na revista Forbes sobre a Petrobras (a íntegra está aqui):

Petrobras’ problems are becoming Dilma’s problems.

Brazil’s oil and gas major, Petrobras, can do no right. And now President Dilma Rousseff is being blamed for the problems. Of course, she is being blamed by politicians who don’t want to see her re-elected in October. They probably won’t succeed at dethroning her, but one thing is certain: the deterioration of the shining star of Brazil’s state owned enterprises happened on her watch. This election season, Dilma isn’t the only one in the cross hairs. Petrobras is now her problem, too.

Not long ago, as in 2007, Petrobras was heralded as the Latin America Aramco, finding oil deep under the ocean floor far off the coast of Rio and São Paulo states. Goldman Sachs once put a $60 price target on the stock in early summer 2008. Today, Petrobras shares trade under $12, and its market cap is smaller than Colombia’s EcoPetrol EcoPetrol.

Over the last several weeks, Petrobras has been inundated with allegations of corruption. Chalk it up to the election cycle, but bad news has sprung a leak in the state energy giant. It’s going to get worse before it gets better.

The Federal Police have around five investigations out on Petrobras, not to mention one at the Congressional Budget Office in Brasilia. The crises goes beyond politics, though, and hits where investors feel it most. The company has lost 51% of its market cap in the last three years and is now valued at $75.5 billion.

Last year, Petrobras’ debt load hit $22 billion, a 30% increase from 2012 levels. Petrobras’ high debt caused the company’s fiscal counsel to warn executives of a possible credit rating downgrade. Petrobras is investment grade. Ratings downgrades mean higher risk premiums, which makes it more expensive for a company to borrow.

It’s one thing if the debt was soundly acquired. Most of it was, of course. But some of the debt was seen as possibly being siphoned off by unscrupulous technocrats at Petrobras through acquisition deals gone wrong.

One of the biggest problems at Petrobras today is the nearly $1 billion it paid for the Pasadena refinery in Houston in 2006, a deal that the government admits was improperly handled by the company. Two years prior, the same refinery was sold to Belgium firm Astra Oil for less than $50 million, Estado de São Paulo newspaper reported on Sunday. Even Dilma said this week that Petrobras failed on its due diligence to acquire the refinery, which they are currently trying to sell, undoubtedly at a loss. Unfortunately for her, she was a member of Petrobras’ Board of Directors at the time of the purchase.

On Friday, one of Petrobras’ former executive directors, Paulo Roberto da Costa, was arrested by Federal Police on allegations of money laundering while at the company. Costa was in charge of the Pasadena deal. Government entities overpaying for goods and services is a classic way politicians and well-connected executives can steal from the state.

Dilma was the hand-picked successor of Brazil’s most popular president since the dictatorship years, Luiz Inacio Lula da Silva. He put her in charge of the Ministry of Mines and Energy, before moving her to his Chief of Staff and setting her up to take over where he left off in 2009. The ex-leftist guerrilla leader was more activist than oil woman, but Petrobras was never viewed as a traditional corporation, not in Brasilia and not by the market. Petrobras is more of a policy tool of the government. And now, it appears that it has been used as a cash account for some people inside the firm if investigations turn out negative for Petrobras.

[…] Petrobras is one of the worst performing large caps on the Brazilian stock exchange, down 15.89% year-to-date. The MSCI MSCI Brazil is down 6.75%. Ecopetrol is down just 2.96%.

Mas não é necessário recorrer àquilo que a imprensa internacional vem escrevendo: tanto a Veja quanto a Época desta semana têm um assunto de capa em comum – a Petrobras.

Não li a matéria da Época, mas a da Veja é um verdadeiro escândalo. E uma coisa me chamou a atenção: a reportagem da Veja traz um quadro comparativo de alguns indicadores da Petrobras e da EcoPetrol colombiana, também mencionada pela matéria da Forbes. A comparação entre as duas é outro escândalo:

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Peço ao leitor que repare nos dados do quadro comparativo acima. Vou destacar alguns números ESCANDALOSOS:

1) Veja bem, caro leitor, a diferença na produção diária de cada uma das empresas: enquanto a EcoPetrol produz “apenas” 612 mil barris, a Petrobras produz 1,93 milhão. Mas o valor de mercado das 2 empresas é MUITO próximo. Porém, o maior escândalo está na antepenúltima linha: RENTABILIDADE. A rentabilidade da Petrobras é RIDICULAMENTE BAIXA (6,7%) diante da rentabilidade da EcoPetrol (19%).

2) EFICIÊNCIA: a diferença neste índice é um verdadeiro escândalo. A EcoPetrol produz, por funcionário, mais do que o dobro da Petrobras (2,3 vezes para ser exato).

É preciso lembrar que este setor é intensivo em capital, e ganhos de escala são essenciais. Ainda assim, a Petrobras é muito maior do que a EcoPetrol, operacionalmente falando, mas produz menos (índice de eficiência, ou seja, barris produzidos por dia, por funcionário) e tem uma rentabilidade 2,8 vezes MENOR do que a petroleira colombiana.

3) Na última linha do quadro, vemos um problema criado pela burrice (aliada ao populismo demagógico) do Lulla: a exigência de materiais nacionais. Ao adotar esta burrice como política interna da Petrobras, o demagogo apedeuta criou um problema para a empresa, um fator que reduz sobremaneira a competitividade de uma empresa que poderia (e deveria) tornar-se a cada dia mais competitiva para concorrer no mercado mundial.

Sobre a Embrapa, surgiram novas discussões depois de reportagem do jornal O Globo que está AQUI. Segue apenas um trecho:

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica, tanto na condução de pesquisas decisivas para o setor quanto na escolha dos profissionais de carreira que ocupam os cargos de chefia da estatal. O atual momento do órgão vem redesenhando essa impressão. A empresa vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional, com sede nos EUA.

Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que já está definida a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação, também chamada de Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), um projeto pessoal do então presidente Lula, inaugurado em maio de 2010. Lula pediu a criação da unidade para capacitar profissionais de outros países que atuam no campo da agropecuária, principalmente nações da África e da América Latina. Um bloco de quatro andares foi construído ao lado da sede da Embrapa em Brasília — os dois prédios estão conectados por um corredor — e os gastos somaram R$ 9,4 milhões.

A inauguração contou com a presença de Lula. Menos de quatro anos depois, a unidade sumirá do organograma da Embrapa. Uma nova secretaria será criada para abrigar a área de estudos estratégicos. A capacitação será assimilada pela área de transferência de tecnologia, cujo diretor-executivo foi indicado ao cargo por deputados federais do PT. Também o Departamento de Transferência de Tecnologia, subordinado à Presidência e a essa diretoria-executiva, é chefiado por um militante do PT, avalizado por uma das correntes — o Movimento PT.
O Cecat é uma unidade descentralizada, com maior autonomia de gestão. Com a transferência da capacitação para um departamento, os gestores com indicação política terão mais controle das atividades desenvolvidas.

E, finalmente, sobre o IPEA… Bom, o que sobrou?

O IPEA fez uma pesquisa com erros crassos, números invertidos, amostragem equivocada, perguntas toscas e dúbias, péssima seleção de palavras, gerou burburinho quando divulgou os resultados e depois teve que soltar uma correção.

A pesquisa do IPEA ganhou destaque na imprensa, e acabou gerando uma campanha pelas redes sociais (twitter, facebook, instagram). O caso serviu para provar que:

1) A grande imprensa acredita em qualquer pesquisa, por mais evidentes que sejam os erros e deturpações, o que expôs os “jornalistas” como verdadeiros analfabetos; e

2) Qualquer informação divulgada pela imprensa é imediatamente assimilada como verdade por uma imensa quantidade de ignorantes, que não perdem tempo em se lançar numa campanha burra, ignorante, tosca e ridícula.

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Pior: a correção (“errata”) ignorou todos os erros graves na metodologia e na amostragem.
A verdade é que aquela pesquisa sobre estupro do IPEA deve ser jogada, integralmente, no lixo. Ela está errada em tudo.

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Petrobras: mais US$ 8 bilhões em dívidas e menos R$ 8 bilhões em multas

Há alguns anos a Petrobras está metida em problemas decorrentes da gestão temerária imposta na estatal pelo PT. Indicações de políticos e companheiros do partido, mas sem NENHUMA capacidade gerencial, colocaram a empresa em rota descendente.

Ações da Petrobras

Porém, agora a Petrobras parece ter chegado ao fundo do poço:

A Petrobras recebeu cinco autos de infração da Receita Federal desde outubro, no valor de R$ 8,768 bilhões. O volume equivalente a 37,2% de seu lucro em 2013, de R$ 23,6 bilhões.

A empresa recorre de todos e, por isso, decidiu não provisionar (lançar no balanço como perda provável) nenhum dos pagamentos.

As informações constam em prospecto preliminar entregue pela empresa à SEC (Security and Exchange Comission, instituição que regula o mercado de capitais nos EUA) ontem, por ocasião da emissão de títulos para captação de US$ 8,5 bilhões. A divulgação dos casos é realizada como forma de alertar os investidores que compram os títulos sobre riscos de impactos potenciais no resultado da empresa.

Segundo o documento, em outubro a empresa foi autuada em R$ 2,348 bilhões por supostamente não ter pago IOF por empréstimos entre suas controladas estrangeiras PifCo, Braspetro e Braspetro Oil Company, em 2009.

Em dezembro, foram duas autuações relacionadas ao não pagamento de IR na fonte, no valor de R$ 2,347 bilhões, e de Cide (Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico), em R$ 1,539 bilhão, no afretamento de plataformas.

No início de janeiro, o auto de infração apresentado foi de R$ 1,093 bilhão, sobre não pagamento de IR e CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) relacionado a lucros de subsidiárias no exterior.

Os questionamentos da Receita sobre os dois primeiros episódios são anteriores à emissão dos autos de infração e constam nas demonstrações financeiras da empresa em 2012 e 2013. O episódio de janeiro é indicado como questionamento nas demonstrações de 2013.

O mais recente episódio registrado ocorreu em janeiro. Trata-se de auto de infração no valor de R$ 1,442 bilhão devido ao não pagamento de contribuições previdenciárias sobre benefícios dados a um grupo de empregados e sobre remuneração de serviços médicos de terceiros, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011.

Com a captação ontem de US$ 8,5 bilhões por meio de Global Bonds oferecidos a investidores no exterior, a Petrobras, supera, em tese, o volume de recursos que precisaria buscar no mercado neste ano, segundo seu plano de investimentos, de US$ 12 bilhões.

Os novos recursos pioram o grau de endividamento da companhia, que chegaria ao equivalente a 4,2 vezes sua geração de caixa anual, calcula Flávio Conde, analista-chefe da Gradual Investimentos. A empresa encerrara 2013 com esse indicador em 3,5.

A matéria na íntegra está AQUI.

Os trechos que destaquei acima indicam a penúria da estatal.

Este é o fundo do poço mesmo para a Petrobras?

Não. Enquanto Dilma Rousseff continuar usando a BR de forma irresponsável e com sua incompetência típica, a tendência é que a Petrobras continue afundando.

É necessário privatizar a Petrobras o quanto antes.

2013-09-24 00.17.51

O que o PT vem fazendo com a Petrobras (com Lulla ou com Dilma, tanto faz) se chama GESTÃO TEMERÁRIA. Eis aqui outro exemplo:

2013-12-08 08.58.07

Mas o Brasil é esse país único, estranho mesmo. Aqui, um batalhão de gente que não entende nada de nada, gente incapaz de entender que 2+2=4, prefere o estatismo que gera elefantes mal-administrados que apenas sugam os cidadãos…

2013-11-14 09.48.51

Eleitor burro

Graças a esses ignorantes, verdadeiros quadrúpedes, dizia-se que o Eike Batista era alvo de denúncias falsas e inveja. A realidade mostrou-se quando ele foi à falência, financiado em grande parte com dinheiro público (BNDES):

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Custo da incompetência de Dilma Rousseff: R$ 213 bilhões – e contando

Direto à notícia (na íntegra AQUI):

Três anos após realizar a celebrada capitalização de R$ 120,2 bilhões no mercado financeiro, com apoio do governo e participação de investidores privados, a Petrobras vale atualmente R$ 240,9 milhões na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), quase 50% a menos do que em outubro de 2010 (R$ 453,8 bilhões), quando concluiu a maior oferta da história mundial. Os dados foram levantados pela consultoria Economatica, a pedido do GLOBO, com base em números deflacionados. Com a perda de R$ 213 bilhões em valores de mercado no período, a companhia, que chegou a ser a terceira maior petroleira do mundo de capital aberto, ocupa hoje a décima posição do ranking.

A Petrobras vale hoje menos do que ela valia, mesmo antes da capitalização. É como se a oferta tivesse sido jogada fora. Essa tendência de queda do valor de mercado começou em 2012, e pode ter relações com as interferências do governo na gestão da empresa — avalia Einar Rivero, economista da Economatica.

Henrique Florentino, analista da Um Investimentos, destaca que uma série de fatores explica a perda de valor de mercado (que é a multiplicação dos preços das ações da empresa pelo total de papéis em circulação) da empresa. Ele cita a defasagem do preço dos combustíveis, o aumento de participação societária do governo, a obrigatoriedade de a estatal ter participação de pelo menos 30% nos projetos do pré-sal e os custos crescentes de empreendimentos na área de refino:

— Se você pensar no que é melhor para o país, algumas das atitudes do governo podem ter sido benéficas para a população. Para os acionistas, entretanto, não foram positivas. É o caso do conteúdo nacional dos projetos. A regra exigida (de ter uma participação mínima da indústria local nos projetos de petróleo) é menos eficiente para a empresa, já que os projetos atrasam e ficam mais caros. Mas é melhor para a geração de empregos.

Além dos trechos destacados acima, mais alguns pitacos meus:

1) NUNCA ANTES NA HISTÓRIA “DESTEPAÍS” uma empresa estatal foi mais usada e mais prejudicada pela pura e simples incompetência do governo. Nunca.

2) Nunca antes na História uma empresa petroleira, com o mercado aquecido e com o preço do petróleo em alta, teve um desempenho econômico-financeiro tão ruim. Nunca.

3) Sempre existem ignorantes que acham que a privatização de um estatal mal gerida pelo governo equivale a “entregar riquezas do país a capitalistas malévolos do exterior”. Isso é burrice, ignorância mesmo. Quem usa este “argumento” não passa num teste de QI planejado por uma criança de 6 anos. Por outro lado, a gestão temerária do PT na Petrobras, além de criminosa, está fazendo com que milhares de brasileiros percam dinheiro. Quem usou o FGTS para comprar ações da Petrobras está perdendo dinheiro.
Estou me referindo a milhares de pessoas que trabalharam durante muitos anos, economizaram dinheiro, e usaram suas economias para investir numa empresa brasileira. Estas pessoas estão vendo suas economias desaparecem, pois a Petrobras está minguando.

LEIA MAIS:

Moody’s corta nota de crédito da Petrobras
Petrobras faz 60 anos e tem muito pouco a comemorar

Intervenção excessiva do governo afugenta potenciais investidores do pré-sal

A matéria é do Valor Econômico de hoje (aliás, é a manchete de alguns dos maiores jornais do país nesta sexta), que está AQUI na íntegra, e os grifos são meus:

As britânicas BP e BG e as americanas ExxonMobil e Chevron, quatro das maiores companhias de petróleo do mundo, desistiram de participar do leilão do campo de Libra, o primeiro da camada pré-sal a ser realizado sob o regime de partilha. A desistência foi comunicada ontem por representantes das empresas à diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard.

A notícia surpreendeu o governo, que esperava a inscrição de 40 companhias e a formação de oito consórcios para a disputa. Agora, a expectativa no setor é que haja um número pequeno de consórcios e pouca competição.

Apenas 11 empresas se inscreveram. Seis são estatais: as chinesas CNOOC e China National Petroleum Corporation (CNPC), a colombiana Ecopetrol, a indiana ONGC, a malaia Petronas e a brasileira Petrobras. Outra estatal chinesa, a Sinopec, também entrará no leilão por meio da portuguesa Petrogal, na qual detém 30% do capital, e da joint venture Repsol Sinopec. Participarão também a japonesa Mitsui, a anglo-holandesa Shell e a francesa Total.

O leilão chamou mais a atenção pelo potencial de recursos energéticos a serem agregados às reservas das companhias do que pela expectativa de lucro. “Eu esperava 40 empresas, mas existe um contexto mundial, razões muito específicas que levam a essa situação”, disse a diretora da ANP.

Para especialistas no setor, a baixa atratividade do leilão é explicada por um conjunto de incertezas financeiras e regulatórias. Há dificuldade, por exemplo, para o cálculo da taxa de retorno, uma vez que não se sabe ao certo a quantidade de óleo que será retirado de Libra e o volume que será obrigatoriamente entregue ao governo federal.

Outro motivo de preocupação é a forte presença do governo no consórcio que sairá vencedor do leilão. Além de a legislação estabelecer que a Petrobras deve ter participação mínima de 30% em cada campo, a estatal recém-criada Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA) terá poder de veto no comitê operacional dos consórcios, mesmo sem deter participação acionária.

A opinião em Brasília é que o valor do bônus de assinatura de Libra, fixado em R$ 15 bilhões, é alto até mesmo para grandes multinacionais do setor. Isso, segundo fontes oficiais, estaria limitando o número de candidatos.

Temos aí MAIS UM exemplo claríssimo das consequências da intervenção do Estado no mercado: grandes investidores fugindo, com receio de amanhã a Dilma acordar de mau humor e resolver intervir no mercado, quebrar contratos etc.

Ela já fez isso no setor bancário.
Ela já fez isso no setor elétrico.

O resultado em ambos foi um desastre (no setor elétrico foi ainda mais evidente, pois há menor quantidade de empresas, menos pulverizadas).

Quanto maior o Estado, pior a vida do cidadão

O Brasil vive um momento muito triste. E as perspectivas de futuro não são boas.

Digo isso não APENAS por causa da pizza que foi servida ontem no STF. Isso é apenas MAIS UM fator, mas nem de longe o único.

Lamentavelmente, o país está seguindo cada vez mais a rota à esquerda, aproximando-se de uma abordagem socialista. Começou com a social-democracia do PSDB (época em que foram criadas as OTG, ou “Organizações Totalmente Governamentais”, aquelas organizações que se dizem “NÃO-governamentais”, mas dependem de dinheiro repassado PELO GOVERNO!), e agravou-se a partir do lulismo (que combina elementos do socialismo, do comunismo, do mau-caratismo, do oportunismo e do mi-mi-mi-mismo, este último também conhecido como “coitadismo“, ou “chorume de socialista de iPhone que acha que vai mudar o mundo através da internet e idolatra Che Guevara sem saber que ele era um assassino homofóbico“).

A partir da eleição da Dilma, piorou ainda mais! Senão vejamos: politicamente correto burro e coitadista, cotas racistas e “bolsas” para tudo, paternalismo ridículo do Estado, demagogia, populismo rastaquera, criação de NOVAS estatais, uso político desenfreado das estatais já existentes, intervenção no mercado etc. Isso sem falar na incapacidade de proteção ao direito de propriedade.

Exemplos não faltam. Podemos começar pelo setor elétrico: a presidente incomPTente quis fazer demagogia populista baratinha e interviu no setor elétrico de forma burra, vexatória mesmo. Para poder mentir em rede nacional de rádio e TV, dizendo que as tarifas de energia iriam ser reduzidas, Dilma Rousseff criou um buraco nas contas do Tesouro Nacional. Quem paga a conta BILIONÁRIA desse rombo criado pelo populismo demagógico da Dilma?

Cada cidadão do Brasil. Cada cidadão LESADO pela incompetência da gerentona que não entende nada de nada, uma analfabeta.

Hugo Chávez levou a economia da Venezuela ao buraco quando resolveu manter a gasolina a um preço artificialmente baixo (cerca de R$0,03), para fazer seu populismo bolivariano patético. Dona Dilma quer seguir pelo mesmo caminho, mas em DIVERSOS setores. Começou pelo elétrico, mas há outros setores paralisados pelo receio da intervenção exagerada do governo – e depois o Mantega fica se perguntando por que o PIB segue patinando! Ora, ninguém em sã consciência vai investir em mercados que podem, a qualquer momento, ser destruídos pelo intervencionismo burro de um governo estatizante, socialista, demagógico e corruPTo.

Tanto a Dilma quanto o Lulla usaram (e seguem usando) as empresas estatais de forma escandalosa. A Petrobras está em ruínas: endividamento recorde, valor de mercado em queda livre, precisa importar gasolina, produção interna em queda, vendendo ativos para tentar fazer caixa… Em suma, foi DESTRUÍDA pela incomPTência.

O mesmo problema enfrentam outras estatais: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Correios, Embrapa – e a lista vai longe. Além de inchadas e mal administradas, as estatais são usadas para a politicagem da pior estirpe.

E, para coroar tudo isso, estamos pagando cada vez mais impostos mas sem nenhum retorno em termos de serviços públicos:

As diferentes fórmulas de cobrança de impostos e taxas incidentes sobre as micro e pequenas empresas provocam diferenças significativas entre os estados. Pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), verificou carga fiscal média de 5,2% no país. Mas existem grandes distorções do Simples Nacional entre os 26 estados e o Distrito Federal. A maior tributação, de 8,62% no Mato Grosso, está 85% acima da menor tributação, de 4,66% no Paraná.

A constatação das diferenças originou o estudo Tributação sobre Micro e Pequenas Empresas: Ranking dos Estados, lançado nesta quinta-feira, na sede da CNI, com o objetivo de identificar práticas incomuns na aplicação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas empresas optantes pelo Simples Nacional.

O ministro interino da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Nelson Hervey, defendeu o monitoramento constante do Simples Nacional, para que os pequenos empreendedores não sejam prejudicados. “Não podemos permitir que mecanismos como sublimites, substituição tributária, antecipação ou qualquer outro diminuam o benefício que o Simples oferece. Temos que melhorar o diálogo” – disse ele.

Para o presidente do Conselho Permanente da Micro e Empresa da CNI, Amaro Sales, as discrepâncias entre as cargas tributárias só serão equalizadas quando os governos estaduais se conscientizarem que a isonomia é decisiva para dar sustentação às empresas de menor porte – responsáveis por quase 60% dos empregos no país – e para favorecer a arrecadação.

Nosso grande desafio, acrescentou, é fazer com que os governadores e secretários de Fazenda entendam as distorções no Simples Nacional, e o que elas provocam no desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Segundo Amaro, os estados se preocupam somente em aumentar a arrecadação e não percebem que, no médio prazo, a arrecadação vai diminuir se as empresas não prosperarem.  (FONTE: Brasil Econômico)

É preciso lembrar o seguinte: o Estado (governos) não tem receitas, não produz nada. O Estado arrecada/cobra impostos e taxas. Todo o dinheiro do Estado pertence, na verdade, aos cidadãos. Quando o Estado gerencia mal esse dinheiro, o que está acontecendo é que um pequeno grupo de pessoas (aqueles que tomam as decides em nome do governo) está decidindo o que fazer com o dinheiro que pertence aos cidadãos.

E o que mais existe no Brasil é gente incomPTente gerenciando mal o dinheiro arrecadado. Eis aqui um exemplo:

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E o cidadão? E o sujeito que resolve abrir uma pequena empresa, ou melhor, que TENTA abrir uma pequena empresa mas acaba sendo soterrado pela burrocracia, pelos impostos ?

As pequenas e médias empresas sofrem. Um país que não cria condições para que essas empresas surjam, perde capacidade de inovar. Perde competitividade. E vai ficando cada vez mais atrasado. Basta ver a situação deplorável de Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador… Países que adotaram, em maior ou menor grau, essa abordagem socialista nefasta. Países que estão piorando – e servem de modelo à Dilma. A presidenta-incomPTenta prefere transformar o Brasil em capacho de republiquetas socialistas da América Latrina a aproximar o país de nações de primeiro mundo, que poderiam beneficiar a economia do Brasil.

A dúvida é: o Brasil vai virar um país decente, de primeiro mundo, sério, próspero ou vai tornar-se uma Cuba mais ao sul?

Roberto Campos

Excelente rever esta entrevista de 1997, na qual Roberto Campos fala sobre privatizações (incluindo Petrobras, Vale etc), liberalismo e tantos assuntos que hoje se mostram MUITO piores do que em 1997.

O Brasil regrediu vergonhosamente. Ainda bem que ele não viveu para ver esta desgraça PTralha…

PS: A presença do Marco Aurélio Garcia, vomitando bobagens, não é suficiente para atrapalhar, mas os pitis, a voz esganiçada e as críticas a práticas que o PT acabou abraçando com largo sorriso depois acabam ficando engraçados – ou melhor, PATÉTICAS.

Não param de surgir as provas da destruição causada pelo PT na Petrobras

Duas notícias que li nesta sexta-feira servem para complementar o que escrevi antes: os problemas da Petrobras estão cada dia mais expostos.

ATUALIZAÇÃO (10/08/2013): Reportagem extensa da Época desta semana revela algumas coisas ainda mais escabrosas do tipo de destruição que o PT impôs à Petrobras. Leia AQUI.

Durante muitos anos, o PT usou a empresa para corrupção e politicagem, abarrotou a estatal com gente incompetente, incapacitada e corrupta. Essa é a verdade, e fatos recentes têm trazido a verdade à tona.
Senão vejamos:

A alteração da perspectiva de avaliação de risco da Petrobras de estável para negativa, anunciada nesta quinta-feira (6/6) pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poors, refletindo ação similar no rating (avaliação sobre as condições de um país ou uma empresa saldar seus compromissos) soberano do Brasil, não mudará o plano de negócio da empresa. Em entrevista nesta sexta (7/6) à imprensa, após palestra feita a empresários do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio de Janeiro (Ibef-RJ), Graça Foster disse crer que uma empresa, “que tem o que a Petrobras tem na mão, uma partilha que vai acontecer agora, a volta das rodadas [de licitação], a gente tem muita confiança que, aconteça o que acontecer, a gente vai manter o grau de investimento”.
Graça admitiu que o nível atual do câmbio não é bom para a Petrobras, porque 78% das dívidas da empresa são em dólar. Acrescentou que a maior parte dos custos de exploração e produção e de gás e energia é também em moeda norte-americana.
No plano de negócios e gestão da empresa, Graça disse ter sido feita uma projeção de câmbio, cuja variação considerou, no curto prazo, uma cotação em torno de R$ 1,85. Ao sair hoje da estatal para o evento, disse que a cotação estava em R$ 2,13. “Então, pontualmente, isso preocupa a Petrobras”. Ela admitiu, por outro lado, que nem tudo que preocupa a empresa é ruim para outras áreas importantes da economia.
Indagada a respeito da Refinaria Abreu e Lima, ou Refinaria do Nordeste (Rnest), que está sendo construída pela empresa em Pernambuco e cujo projeto previa sociedade com a estatal venezuelana PDVSA, Graça disse: “Deixa a PDVSA. Na hora que ela quiser vir, ela virá. E virá com um cheque na mão. O único jeito de falar com PDVSA é esse”. Segundo ela, as conversas com a empresa venezuelana continuam.
Matéria do Brasil Econômico, cuja íntegra está AQUI.

A corrupção que tomou conta da Petrobras graças ao PT:

Documentos e imagens obtidos pelo Estado revelam que a Petrobrás e uma empresa do senador e tesoureiro do PMDB, Eunício Oliveira (CE), fraudaram este ano uma licitação de R$ 300 milhões na bacia de Campos, região de exploração do pré-sal no Rio de Janeiro. A Manchester Serviços Ltda., da qual Eunício é dono, soube com antecedência, de dentro da Petrobrás, da relação de seus concorrentes na disputa por um contrato na área de consultorias e gestão empresarial. De posse dessas informações, procurou empresas para fazer acordo e ganhar o contrato.
Houve reuniões entre concorrentes durante o mês de março, inclusive no dia anterior à abertura das propostas. A reportagem teve acesso ao processo de licitação e a detalhes da manobra por parte da Manchester para sagrar-se vencedora no convite n.º 0903283118. Às 18h34 de 29 de abril, a Petrobrás divulgou internamente o relatório em que classifica a oferta da Manchester em primeiro lugar na concorrência com preço R$ 64 milhões maior que a proposta de outra empresa.
O contrato, ainda não assinado, será de dois anos, prorrogáveis por mais dois. Sete empresas convidadas pela Petrobrás participaram da disputa, a maioria sem estrutura para a empreitada. Os convites e o processo de licitação são eletrônicos e as empresas não deveriam saber com quem estavam disputando.
A reportagem do Estadão está AQUI na íntegra.
A situação da Petrobras vai de mal a pior.
Mas para quem vem acompanhando os desmandos do PT na estatal, não é surpresa – agora até o Ministério Público vai investigar a PT-Bras (a íntegra da reportagem do O Globo está AQUI):

O Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (MPF-RJ) decidiu iniciar uma investigação sobre a operação de compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. A aquisição foi feita pela estatal em 2006, na gestão do então presidente José Sérgio Gabrielli.

A portaria assinada pelo procurador destaca a possibilidade de terem ocorrido peculato (roubo ou desvio de dinheiro, valor ou bem por funcionário público) e evasão de divisas, por indícios de superfaturamento.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, desistiu de tentar vender a refinaria. Em vez disso, pretende fazer uma série de melhoramentos na unidade para tentar um preço melhor no futuro e reduzir um pouco os prejuízos com a operação. A refinaria é uma das “heranças malditas” herdadas pela executiva quando assumiu o cargo, em fevereiro do ano passado.

Em janeiro de 2005, a belga Astra Oil comprou a refinaria americana de Pasadena por apenas US$ 42,5 milhões. No ano seguinte a Petrobras adquiriu 50% das ações da unidade por US$ 360 milhões. Pasadena é uma refinaria relativamente pequena, com capacidade para processar 150 mil barris diários de petróleo. O plano da Petrobras era levar o óleo produzido no Brasil para ser refinado para a venda de combustíveis.

Poucos anos mais tarde, por divergências em relação a investimentos que teria que realizar, a Astra entrou na Justiça americana contra a Petrobras. É que, para a unidade ter condições de refinar o petróleo brasileiro, que é mais pesado, seriam necessários aportes de US$ 1,5 bilhão, a serem divididos entre os dois sócios. Sem acordo, o caso ficou na Justiça dos EUA. Para encerrá-lo, a Petrobras concordou, então, em pagar US$ 839 milhões em 2011 à companhia belga por seus 50% no capital da refinaria.

Quem se lembra da campanha difamatória, mentirosa mesmo, que o Lulla e o PT espalharam antes da eleição de 2006, afirmando que se fosse eleito, o Alckmin iria privatizar a Petrobras?
O picolé de chuchu caiu na agenda podre do PT, e chegou ao ridículo de vestir uma jaqueta (ou camiseta, nem lembro ao certo) com a marca da Petrobras, e passou a afirmar sempre que não iria privatizar a estatal.
Deveria.
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Petrobras é a empresa com maior endividamento do setor – NO MUNDO

A cada dia vão surgindo mais e mais dados, análises e conclusões sobre os estragos (ainda a serem completamente dimensionados) que o uso político da Petrobras causou na maior empresa do país. O uso político de empresas estatais, especialmente as de grande porte (financeiro), visibilidade e poder, não é novidade. Mas o PT levou a prática a níveis jamais vistos.

A desgraça começou em 2 de janeiro de 2003, quando José Eduardo Dutra assumiu a presidência da Petrobrás (cargo que ocupou até 22 de julho de 2005). Quando se achava que o problema não ficaria pior, Lulla conseguiu piorar tudo, claro: em 21 de julho de 2005, Sérgio Gabrielli foi nomeado presidente da Petrobras, cargo no qual permaneceu até 23 de janeiro de 2012.

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O resultado de tantos anos sob o comando de gente incomPTente, além do uso político da Petrobras, vem aparecendo desde 2011. Em 2013 já está simplesmente impossível esconder a sujeira embaixo do tapete. Eu já escrevi sobre alguns dos problemas da Petrobras aqui no blog. Ver alguns destes posts (com dados relevantes para compreender algumas das afirmações que se seguem) AQUIAQUIAQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Petrobras do lula
Mas hoje leio ESTA matéria da Bloomberg, que joga mais petróleo na fogueira. Destaco, a seguir, alguns trechos (com grifos meus):

Investors in Petroleo Brasileiro SA (PBR), the world’s most indebted oil company, aren’t celebrating Brazil’s biggest-ever crude discovery.
Since regulators doubled estimates for the Libra field to as much as 12 billion barrels on May 23, the state-run company’s shares fell 5.3 percent in New York, the worst performance among 15 peers tracked by Bloomberg. The new estimates make the oil prospect Brazil’s largest as the country prepares to bring in partners to start production. […]
Petrobras’s capital expenditure this year will be $42.9 billion, the most after PetroChina Co. (857) among major oil producers, according to estimates tracked by Bloomberg. Petrobras plans to invest 98 billion reais this year. It is the most indebted publicly-traded oil company at $97 billion, according to data compiled by Bloomberg. […]
Brazil’s economy has posted growth below analyst forecasts for five straight quarters. The economy expanded 0.55 percent in the first quarter, less than the 0.9 percent median forecast of analysts polled by Bloomberg.
Petrobras was down 0.5 percent in Sao Paulo this year through yesterday, less than the 13 percent drop in Brazil’s benchmark stock index. The Brazilian company, whose rose 0.2 percent to 19.45 reais at 3:59 p.m. today, trades at 7.9 times estimated profit compared with a peer average of 11.78.

Vamos destacar um ponto: no ranking da Forbes, a Petrobras aparece como a 14a maior empresa de petróleo do mundo em termos de produção. Porém, quando o critério é ENDIVIDAMENTO, ela está em PRIMEIRO LUGAR no setor, com absurdos 97 bilhões de dólares.
Foi isso o que o PT fez com a empresa: ENDIVIDAMENTO MOSTRUOSO.

Muita gente vai ver alguns números da Petrobras (faturamento, lucro etc) e vai dizer que a empresa está muito bem porque fatura muito, vende muito etc. Porém, é preciso colocar em perspectiva que o setor de energia (petróleo, gás e outras fontes) é um setor intensivo em capital, em tecnologia e de longo prazo. Trocando em miúdos, não existe empresa pequena nesse mercado, pois os custos de prospectar e extrair petróleo (seja em terra firme, seja em águas profundas) são altíssimos. Porém, o gráfico abaixo dá uma idéia da posição da Petrobras no cenário mundial:
Firefox 12

Vemos ali que, quando se consideram as reservas totais não apenas de petróleo, mas de outras fontes de energia, a Petrobras não parece tão grande, não é? Abaixo, um ranking de uma empresa especializada em empresas de energia e algumas commodities coloca a Patrobras em 18o lugar, conforme a metodologia detalhada AQUI.

Firefox 14

Obviamente ela é uma grande empresa, com lucro de R$ 21,182 bilhões em 2012, porém este resultado é o menor desde 2004. Naquele ano, a Petrobrás reportou lucro de R$ 16,887 bilhões. O resultado de 2012 é também 36,42% menor do que o apurado pela estatal em 2011 (R$ 33,313 bilhões). No quarto trimestre de 2012, a estatal teve um lucro de R$ 7,7 bilhões, cifra 53,4% maior que em igual período de 2011. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 15%, para R$ 11,9 bilhões, no mesmo período.

A receita líquida de outubro a dezembro somou R$ 73,405 bilhões, alta de 12,49% em igual comparação. No acumulado anual, o Ebitda da Petrobrás atingiu R$ 53,439 bilhões, queda de 14,15% em relação a 2011. Já a receita líquida de janeiro a dezembro somou R$ 281,379 bilhões, expansão de 15,24% em igual base comparativa.

A divulgação do pior lucro anual da Petrobrás desde 2004 é uma consequência dos fatores que levaram a estatal a apresentar de abril a junho do ano passado o primeiro prejuízo trimestral desde 1999. Na oportunidade, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão principalmente em função do resultado negativo registrado pela área de abastecimento. O prejuízo da área responsável pela compra e venda de combustíveis foi de R$ 7,030 bilhões no intervalo.

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Curiosamente, a situação adversa enfrentada pela Petrobrás em 2012 teve origem no aumento da demanda doméstica por seus produtos. A expansão da frota doméstica de veículos leves e a menor competitividade dos preços do etanol resultaram em um aumento da demanda por gasolina. Como a Petrobrás já opera no limite da capacidade de suas refinarias, a oferta interna do combustível é limitada e a estatal foi obrigada a aumentar o volume de gasolina importada. O Brasil também é dependente de diesel de outros países. O problema é que a estatal paga um preço mais alto pelos combustíveis lá fora do que vende aqui dentro e perde com essa diferença.

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A incapacidade gerencial dos cumpanheiros alocados na Petrobras pelo PT é tamanha que a maior empresa do Brasil (por ora) está atrasando pagamento de fornecedores (íntegra AQUI):

A Petrobrás tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.
Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.

O conjunto de ações desastrosas que o PT impôs à Petrobras não se restringe apenas às perdas financeiras, redução da produção e outros dados facilmente identificáveis no balanço patrimonial; a marca Petrobras também sofreu uma desvalorização sem precedentes.

O New York Times publicou AQUI uma matéria bastante longa sobre os desafios à frente da Petrobras, especialmente com tantos incomPTentes fazendo o possível e o impossível para destrui-la. Recomendo a leitura. Vai aqui um pequeno trecho, que demonstra o nível de destruição do PT na Petrobras de forma claríssima:

Until recently, Petrobras was second in value only to ExxonMobil among publicly traded energy companies. But its fortunes have tumbled to the point that it is now worth less than Colombia’s national oil company. That fall has accentuated an increasingly bitter debate here over President Dilma Rousseff’s attempts to use Petrobras to shield the Brazilian population from the nation’s economic slowdown.

Além disso, se o leitor quiser ler sobre as recentes concessões de áreas para exploração de petróleo, sugiro este artigo AQUI. É muito auspicioso ver que depois de 5 anos sem fazer absolutamente nada (por pura incomPTência da dupla Lulla+Dilma), a prática foi retomada. Ainda que o discurso oficial seja mentiroso, e omita os verdadeiros fatos, as recentes concessões são boas para o Brasil.

O curioso é que em 2007, uma aluna levantou uma discussão, em sala, sobre a suposta liderança mundial do Brasil em matéria de energia, pois naquele momento estava em ampla evidência o etanol, além de outras fontes de energia que, dizia-se, prometiam uma revolução na matriz energética.
Na época, disse à minha aluna que ela deveria conter a empolgação, pois o Lulla é capaz de estragar qualquer coisa.

Dito e feito!
O Brasil hoje IMPORTA ETANOL dos Estados Unidos!

Porém, está no ar uma capanha publicitária para incentivar o uso do etanol no Brasil:

Nem vou perder tempo criticando a campanha ridícula, seja pela forma, seja pelo conteúdo.
O fato é o seguinte: o etanol deixou de ser competitivo, e o governo resolveu que seria necessário gastar dinheiro criando uma enorme campanha (com diversos anúncios de TV, spots de rádio, uso de mídias sociais etc) para tentar ressuscitar o uso. Por quê?

Porque devido à diminuição da produção, o preço aumentou de tal forma que a gasolina passou a ser a escolha da maioria dos donos de carros flex. Com isso, a demanda por gasolina disparou, obrigando a Petrobras a comprar o combustível no mercado internacional – mas o populismo da Dilma e do Lulla, combinado com a incomPTência na economia, fez com que eles usassem a Petrobras para segurar o preço da gasolina sem reajustes (defasado) para não pressionar a inflação (ja em alta).

Hoje, além de importar gasolina e etanol, há campanha publicitária tentando convencer as pessoas a escolher o etanol.

Não é o cúmulo da incomPTência ?!
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