Por que a receita dos iPads vem caindo? Ciclo de vida do produto.

Artigo interessante que li na Business Insider (íntegra AQUI):

To the surprise of few Apple watchers, the company delivered its third straight quarter of declining iPad sales.

The reason why sales are shrinking appears to be pretty obvious. There isn’t a good reason to own three Apple gadgets — a Mac, iPhone, and iPad — when a combination of just two of them will do. And now that iPhones come with larger screens, there’s even less of a reason to buy an iPad along with it.

This is not to say the iPad is a bad tablet. It’s a wonderful tablet, the best you can buy. And it’s likely the primary computer for a lot of people who don’t need to do much beyond checking Facebook and some light emailing. But keep in mind the modern tablet space is only four and a half years old. We’re still learning how people use them and how often they upgrade.

Apple CEO Tim Cook admitted as much on today’s earnings call.

“People hold onto iPads longer than they do a phone,” he said. “We’ve only been in this business four years. We don’t know what the upgrade cycle will be.”

If you have a third-generation iPad with Retina Display (which launched in early 2012) or later, there’s no reason to upgrade to one of the new iPads Apple introduced last week. Yes, the new models are faster, thinner, and have better cameras, but even iPads that are two and a half years old are more than capable and plenty thin and light.

iPads either need to learn how to do more in order to entice people to upgrade, or we should retool expectations for how often people should upgrade them. The iPhone may last about two years for the typical user, but the iPad might be a four- or five-year upgrade.

Resumindo: tablet é uma categoria de produtos relativamente nova – o primeiro iPad foi lançado há apenas 4 anos. Todas as empresas estão ainda aprendendo como é o ciclo de vida do produto.

Um tablet não precisa ser trocado todo ano, exceto para um nicho de consumidores (categoria conhecida nas teorias de marketing como heavy users, ou aqueles que fazem questão de possuir a tecnologia mais recente, atual). Para a maioria dos consumidores, porém, um tablet tem um ciclo de vida relativamente longo. Eu, por exemplo, tinha um iPad (o original, de 2010) até o começo deste ano. Comprei um iPad Air, que deve me servir plenamente por pelo menos mais 3 ou 4 anos (no mínimo!).

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Creio que há um OUTRO fator que pesa bastante nesta questão: o iPhone é usado diariamente, o dia todo – carregamos no bolso, em bolsas etc. Ele está mais sujeito a cair, ser batido em alguma superfície dura etc. Os tablets, por outro lado, são utilizados com uma frequência menor, e sob diferentes (e melhores) condições de uso, o que ajuda sobremaneira a aumentar sua durabilidade.

Comparativo entre a Petrobras de 2002 e a de 2013

Devido ao período eleitoral, já andei lendo algumas afirmações estapafúrdias sobre o perfil da Petrobras ao final do mandato do PSDB (dezembro de 2002) e agora, sob o mandato do PT. Se o intuito é fazer comparações entre os legados, vamos lá!

Antes de começar: exceto quando indicado expressamente, estou usando dados de Dezembro de 2002 e Dezembro de 2013 (haja vista que o ano de 2014 ainda não acabou).

Ao iniciar a pesquisa para escrever este texto, localizei um artigo publicado originalmente no site “Brasil 247“, um daqueles sites da esgotosfera governista (bancado com dinheiro de estatais para elogiar o PT). Nada publicado naquela pocilga presta, mas serei mais específico (os trechos grifados eu irei comentar na sequência):

Como a memória do senador Aécio Neves e sua trupe não anda boa, ou anda tomada de uma súbita e conveniente amnésia, não custa fazer algumas comparações porque, agora, distante daqueles acontecimentos, falam como se aqueles tempos fossem modelares, e estes, os tempos do naufrágio. De naufrágio na Petrobras, como vimos, é o tucanato que entende. São números gritantes que revelam, de um lado, o desastre do passado; de outro, o quanto a Petrobras cresceu sob a gestão Dilma/Lula. Peguemos o valor da empresa, sobre o qual volta e meia o tucanato deita falação.

Em 2002, a Petrobras valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012, seu valor subiu para 126 bilhões de dólaresEsses números revelam o que foi o trabalho da gestão tucana, medíocre, e o que foi a administração Lula/Dilma.Como o tucanato tem feito cavalo de batalha sobre o lucro da empresa em 2012 – nada mais, nada menos que R$ 21,2 bilhões –, vamos recordar, que recordar é viver, que em 2002, o lucro da Petrobras foi de R$ 8,1 bilhões.

E agora, José? Quanto a investimentos, que é sempre bom comparar, em 2002, a empresa investiu R$ 18,9 bilhões. Em 2012, chegou a investir R$ 84,1 bilhões. É sempre um escândalo de superioridade. Querem mais? Que nos lembremos do número de empregados, que saltou de 46,6 mil trabalhadores em 2002 para 84,7 mil em 2012. Claro, sabemos, o tucanato critica os concursos, nunca quer aumentar o número de assalariados, lança sobre a empresa o seu olhar de Estado mínimo que quase levou o Brasil à falência (…)

Andaram criticando a produção de óleo, não foi? O tucanato é assim: lê pouco, estuda pouco, investiga pouco para deitar falação. Que seja, comparemos. Em 2002, o Brasil produzia 1 milhão e 500 mil barris por dia. Em 2012, saltou para 1 milhão e 980 mil barris por dia. Vamos então à comparação quanto às reservas provadas: de 11 bilhões de barris equivalentes de petróleo (BOE) em 2002 para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente de petróleo em 2012. Nada, nada que se compare, por óbvio, favorece a gestão temerária e irresponsável do tucanato à frente da Petrobras.

Receita, o tucanato gosta muito de falar em receita. Aí é um escândalo: lá, em 2002, era de R$ 69,2 bilhões; em 2012, saltou para R$ 281,3 bilhõesSob quaisquer aspectos, os anos dos governos Lula/Dilma foram superiores em relação à Petrobras. O que impressiona é ouvir o senador Aécio Neves falar em reestatizar a Petrobras. Será que ele se esqueceu de que a pretensão óbvia, escancarada do tucanato era privatizar a empresa? Por alguma razão, a memória deve estar falhando. Não se lembra da proposta de Petrobrax.

Vou deixar de lado as bobagens partidárias e me concentrar nos dados e afirmações referentes à comparação da situação financeira da Petrobras nos dois momentos supracitados.

O autor considerou o valor nominal (tanto da receita quanto do lucro ou do valor de mercado) de 2002 e comparou com o valor nominal de 2012. O sujeito não sabe que o valor do dinheiro muda no tempo? Sugiro ao Sr. Emiliano José tirar uma licença não remunerada do seu cargo de suplente de deputado pelo PT/BA e estudar a diferença do dinheiro no tempo.

A variação da moeda, assim como a inflação, foi desprezada; a variação do preço do petróleo foi ignorada etc. Em dezembro de 2002, o preço do barril de petróleo bruto era US$ 27,89; em dezembro de 2013 era US$ 105,49. O crescimento nominal é de 278,24%. O autor do “texto” mencionou isso? Não.

Pior: ele simplesmente ignorou todos os elementos BÁSICOS e ELEMENTARES que um aluno de Administração Financeira aprende nas primeiras aulas. Um exemplo bastante elementar: imagine que a empresa A vende um litro de um certo produto por 27 reais, enquanto a empresa B vende o mesmo litro do mesmo produto por 105 reais. Qual das duas terá receita de vendas maior, supondo que ambas vendam a mesma quantidade de litros do produto?

Se o preço (de revenda) do meu produto aumenta e minhas vendas também aumentam, meus lucros aumentarão, certo? Impossível ter prejuízo neste cenário, não é? Depende. A Petrobras prova que não necessariamente: em 2012 a Petrobras conseguiu ter prejuízo no 2.o trimestre (R$ 1,3 bi), mesmo com o consumo, vendas e preços aumentando. Mas como deu prejuízo, então? Eis aqui:

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A Petrobras teve prejuízo porque ela teve que importar gasolina. Muita. Detalhe: ela pagava mais caro do que o preço de revenda no Brasil. Sim, você leu direito: sob a batuta de Lula e Dilma Rousseff, a Petrobras transformou-se numa empresa que compra um produto por R$20,00 e vende a R$14,00, conseguindo a proeza de ter prejuízo a cada venda realizada.

Genial, não?!

Outro exemplo bastante básico: em dezembro de 2002 o João investiu R$ 100,00 na caderneta de poupança. Se em dezembro de 2013 ele tivesse os mesmos R$ 100,00 de saldo, sendo que ele não fez nenhum saque e nenhum depósito ao longo do período, ele iria ficar feliz? Não, porque R$ 100,00 em 2002 compravam mais coisas do que R$ 100,00 em 2013.

Quando nós depositamos R$ 100,00 na caderneta de poupança (ou qualquer outro investimento, no geral), temos a expectativa de que quando formos sacar o dinheiro haja um valor MAIOR do que o valor que nós depositamos, certo? Mas e se o valor for exatamente o mesmo? Perda do poder de compra devido à famigerada INFLAÇÃO, entre outros fatores. O Sr. Emiliano ignorou esse “detalhe” também. Fazendo alguns cálculos grosseiros, bem básicos mesmo, é possível provar que o Sr. Emiliano está completamente errado. EM TUDO.

A oferta monetária brasileira expandiu-se fortemente desde 2002, fazendo com que a moeda brasileira perdesse um pouco mais de 90% do poder de compra durante o período. Traduzindo: R$ 10,00 hoje representam algo como R$ 1,10 em 2002. Considerando-se, portanto, a perda da moeda e seu reflexo nos indicadores da Petrobras, a empresa deveria apresentar um lucro de PELO MENOS R$ 73,71 bilhões (anuais) e não apenas os R$ 21,2 bilhões apresentados em 2012 ou os R$ 23,4 apresentados em 2013.

A incapacidade atual da empresa em não obter esse número gera um óbvio reflexo sobre a rentabilidade do patrimônio, que caiu de 23,59% em 2002 para a 5,89% em 2014 – o que representa aproximadamente metade do retorno da Selic (atualmente 11%). Este baixo retorno aumenta os riscos para o investimento. Em português: não quero investir meu dinheiro na Petrobras porque, na comparação com outros investimentos, ela está com um retorno decrescente. O resultado dessa escolha equivocada da Petrobras é bastante claro (reportagem publicada no Globo aqui):

Das grandes empresas de capital aberto na América Latina e nos Estados Unidos, a Petrobras é a que apresenta o pior retorno em suas ações, segundo dados da consultoria Economática, que levou em conta as companhias com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões. A estatal também viu seu valor de mercado cair pela metade em menos de quatro anos, período que serviu de base para o levantamento.

Foi considerado o período entre 31 de dezembro de 2010 e 26 de setembro de 2014 e, com base no critério de valor de mercado de no mínimo US$ 100 bilhões, as ações de 38 empresas foram analisadas. Foram considerados os preços em dólares para o cálculo do retorno das ações. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras apresentam queda de 50,59% e os preferenciais (sem direito a voto) acumulam desvalorização de 38,18%.

Já o valor de mercado da estatal caiu a menos da metade. Em dezembro de 2010, a Petrobras valia US$ 228,2 bilhões e na última sexta-feira, US$ 108,9 bilhões, um recuo de 52,3%. Entre as ações com melhor desempenho, aparecem a Exxon Mobil, que apresentou uma valorização de 43,7% no período, seguida da Coca-Cola, que subiu 42,84%.

Outra coisa: a perda da eficiência operacional fez com que sua margem líquida se reduzisse praticamente pela metade ao longo do governo petista, decaindo de 11,71% em 2002 para 6,68% em 2014. Se não bastasse, os fundamentos da empresa estão ameaçados devido ao estrangulamento do único fundamento que acompanhou a desvalorização monetária: as dívidas. O endividamento bruto da Petrobrás subiu de R$ 30,80 bilhões em 2002 para R$ 308,15 bilhões em 2013, enquanto seu endividamento líquido subiu de R$ 18,92 bilhões em 2002 para R$ 229,6 bilhões em 2013. Mais adiante apresentarei um gráfico ilustrando essa questão.

Agora quanto ao valor de mercado da Petrobras e o índice Bovespa: de 1995 até o final de 2002 (período do PSDB), a ação da Petrobras se multiplicou por 6, enquanto o Ibovespa apenas triplicou. Ou seja, o desempenho da estatal foi o dobro do índice de ações brasileiras no período.

O Gráfico 1 ilustra este período (clique nos gráficos para ampliar):

Gráfico 1 Na era do PT (Gráfico 2, abaixo), a ação da Petrobras se multiplicou por quase 5, ou seja: o mesmo patamar do Ibovespa. O período do PT é mais longo, pois tem, além dos 2 mandatos de Lula, mais os 3 anos de Dilma. Ainda assim, a Petrobras se valorizou menos em termos nominais, e bem menos em relação às demais empresas brasileiras. Como o Gráfico abaixo demonstra, em 2008 houve um descolamento dos índices da Petrobras em relação ao Ibovespa, que se deveu ao “frisson” causado pelo pré-sal. Contudo, ao final do período, houve empate.

Gráfico 2 Mais uma coisa: como a Petrobras vende uma commodity, seu preço é fundamental para determinar sua receita e, por conseguinte, sua rentabilidade. Logo, comparar com uma cesta de empresas do mesmo setor se faz necessário para uma melhor análise. Eis o resultado:

Gráfico 3 Não foi possível pegar dados desde 1995 pois não estão disponíveis para o XLE; assim, o Gráfico 3 acima retrata o período do final de 1998, que engloba o segundo mandato de FHC, até o fim de 2002. Neste intervalo, a Petrobras subiu mais de 20%, enquanto o XLE ficou estável. Em compensação, nos últimos quatro anos a Petrobras perdeu 80% de valor em relação ao XLE. A grande destruição de valor da estatal tem se dado na gestão Dilma, em parte pela “herança maldita” de Sérgio Gabrielli no comando da empresa, em parte pelo uso político da estatal, incluindo o congelamento de preço do combustível.

Mas não acabou ainda. O Sr. Emiliano José jogou alguns números de funcionários da Petrobras em seu apanhado de falácias.

Segundo a própria Petrobras informou em Junho de 2014 (aqui), o efetivo atual do Sistema Petrobras é de 86.108 empregados, que inclui a Petrobras controladora e todas as suas empresas no Brasil e no exterior. Em 2002, esse número era de 40.395 empregados. Em 2002, o número de empregados de empresas prestadoras de serviços no Sistema Petrobras era de 121.225. Hoje são 360.180 prestadores de serviço.

Traduzindo: houve aumento de 197% no total de funcionários terceirizados, enquanto o quadro de funcionários contratados/concursados sofreu expansão de 113% (estou ignorando as casas decimais).

Não localizei os dados de produtividade do período para a comparação, o que seria crucial. Mas é possível fazer a seguinte conta:

  • Antes havia 40.395 empregados e gerou-se um lucro de R$ 8,1 bilhões. Assim, o lucro por funcionário era R$ 200.519,87.
  • Agora há 86.108 funcionários e um lucro de R$ 21,2 bilhões (este é o valor apresentado pelo suplente de deputado do PT em seu artigo mentiroso, referindo-se a 2012). Assim, o lucro por funcionário é R$ 246.202,44.

Foram mais de 10 anos, e o lucro por funcionário aumentou apenas 22%?

A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas o lucro por funcionário aumentou APENAS 22%. Isso indica claramente perda de produtividade.

Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário da Petrobras CAIU de 37 para 22, ou seja, CAIU 40%.

Vou repetir, pois isso é muito importante: A PRODUÇÃO (BARRIS/DIA) POR FUNCIONÁRIO DA PETROBRAS CAIU 40% SOB LULA/DILMA.

Estou resumindo no Quadro abaixo:

Tabela Petrobras 2002-2013 OBS: No Quadro, o Lucro utilizado é o de 2012, não de 2013, pois foi o valor utilizado no texto do suplente de deputado do PT e “jornalista”.

Quero destacar que utilizei os mesmo números apresentados pelo Sr. Emiliano para basear esta comparação. Como o “jornalista” é suplente de um deputado do PT, jamais se pode descartar a hipótese de ele ter deturpado os números e/ou mentido. Mas não importa: mesmo se ele tiver inflado os números, ainda é evidente que a Petrobras piorou sob a gestão do PT.

Abaixo, um gráfico comparando 4 números: receita, dívida bruta, dívida líquida e lucro. Percebam a variação destes indicadores entre 2002 (barras azuis) e 2013 (barras vermelhas).

Comparativo Petrobras 2002-2013
Clique para ampliar

O que mais salta aos olhos: o lucro cresceu muito pouco quando comparamos com o crescimento da dívida.

Além disso, percebam que em 2002 havia uma lógica (proporção) na correlação entre os 4 indicadores: a receita era a maior, a dívida bruta menor, a dúvida líquida menor ainda e o lucro era o menor dos 4 números. Havia, pois, uma lógica, uma PROPORCIONALIDADE entre estes 4 indicadores.

Com o PT, acabou a lógica, acabou a proporção. Em 2013, a dívida bruta supera a receita. E, atenção, SUPERA MUITO. A Petrobras estava financeiramente equilibrada em 2002, e está desequilibrada em 2013 (hoje, 8 de outubro de 2014, está pior, mas se recuperando nos últimos 2 dias em termos de valor de mercado e interesse nas ações graças às chances de que o Aécio venha a se eleger).

Outra coisa que fica muito evidente neste gráfico: O AUMENTO BRUTAL DO ENDIVIDAMENTO. Um absurdo.

Em tempo: aqui eu mostrei uma comparação mais detalhada entre a Petrobras e a Ecopetrol da Colômbia. Quero relembrar o seguinte: a EcoPetrol tem uma produção MUITO menor do que a Petrobras (cerca de 612 mil barris/dia, contra 1,98 milhão da Petrobras), mas tem uma rentabilidade de 19%, enquanto a Petrobras patina na casa dos 6%.

E já que mencionei outra empresa, vou expandir um pouquinho o escopo. Para quem quiser falar em “privataria tucana”, ou dizer que o PSDB algum dia quis privatizar a Petrobras (infelizmente jamais pretendeu, o que é uma pena), os gráficos abaixo podem magoar: uma sucinta comparação entre as ações da Vale, privatizada, e da Petrobras, estatal; há, ainda, um resumo do que houve com a telefonia celular graças à privatização (clique para ampliar):

8097e-privatariaResta provado, assim, que a Petrobras piorou em termos de gestão. Mas há um outro aspecto relevante, no qual não vou enveredar pois fugiria ao escopo; vou apenas citar. CORRUPÇÃO.

Nos últimos meses há denúncias das mais diversas mostrando que a Petrobras foi amplamente usada como balcão de negociatas das mais sujas. O dileto leitor pode encontrar diversas nas excelentes reportagens da Revista Época sobre o tema – foram diversas. Sobre isso, relembro apenas uma coisinha:

2014-10-02 17.38.56

E, para finalizar, quero citar um caso que aconteceu comigo, em sala de aula.

Em 2007 eu estava dando uma aula de marketing, tratando de análise de cenários, concorrência, posicionamento estratégico de marketing etc. Em dado momento, usei como exemplo a Petrobras, e passei a discutir concorrentes (atuais e futuros). Uma aluna levantou a questão dos combustíveis renováveis, especialmente etanol. Ela disse que o Brasil iria se tornar uma potência em termos de produção de etanol, inclusive ecoando propaganda do governo Lulla que afirmava isso (lembrando: em 2006, no esforço para se re-eleger, Lulla fez a Petrobras gastar R$ 35 milhões em propagandas afirmando que o Brasil atingiria, naquele ano, a auto-suficiência; o problema é que a auto-suficiência não aconteceu até hoje).

Eu disse a ela para ter calma, porque o Lulla e o PT sempre, sempre, sempre acabam estragando qualquer coisa que funcione minimamente.

Agora, em 2014, mais de TRINTA usinas de álcool foram à falência em SP. Fecharam. Isso ocorreu porque o etanol perdeu eficiência (está mais barato abastecer com gasolina) e as demais alternativas de combustíveis que foram tão comentadas pelo Lulla sumiram (biodiesel? Mamona?). Para piorar, a Petrobras tornou-se a empresa mais endividada DO MUNDO, não importa qual setor você avalie.

A aluna achou que eu estava exagerando há 7 anos. Será que ela ainda acha isso hoje?

Nota: Para produzir este texto, usei dados de diversas fontes; links aqui, aqui, aqui.

Leituras complementares sobre a Petrobras (posts meus aqui no blog):


ATUALIZAÇÃO DE 02/02/2016: Graças a um leitor do blog (obrigado, Celso), fui informado que o site Diário do Poder publicou, na semana passada, algumas notas sobre a Petrobras. Achei relevante para complementar as informações do post, por isso reproduzo abaixo:

Petrobras Shell Exxon BP_01

Petrobras Shell Exxon BP_02

Steve Jobs fez o melhor discurso de graduação da História; veja e leia na íntegra

Isso não é novidade alguma, mas certas coisas não perdem a relevância.

Em 2005, Steve Jobs, então CEO da Apple, foi convidado a fazer o discurso de formatura na Universidade Stanford. Uma fala relativamente curta, mas que tornou-se histórica.

Pelo seu conteúdo, e pela história de Jobs, vale a pena ver:

http://www.youtube.com/watch?v=s9E6XfJPAMM

Aqui o texto, na íntegra:

Here’s to the crazy ones. The misfits, the rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the ones who are crazy enough to think that they can change the world, are the ones who do.
I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I’ve ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That’s it. No big deal. Just three stories.

The first story is about connecting the dots.

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife. Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: “We have an unexpected baby boy; do you want him?” They said: “Of course.” My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents’ savings were being spent on my college tuition. After six months, I couldn’t see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn’t interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn’t all romantic. I didn’t have a dorm room, so I slept on the floor in friends’ rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed. Because I had dropped out and didn’t have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can’t capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it’s likely that no personal computer would have them. If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can’t connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My second story is about love and loss.

I was lucky — I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation — the Macintosh — a year earlier, and I had just turned 30. And then I got fired. How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.

I really didn’t know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down – that I had dropped the baton as it was being passed to me. I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me — I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.

I didn’t see it then, but it turned out that getting fired from Apple was the best thing that could have ever happened to me. The heaviness of being successful was replaced by the lightness of being a beginner again, less sure about everything. It freed me to enter one of the most creative periods of my life.

During the next five years, I started a company named NeXT, another company named Pixar, and fell in love with an amazing woman who would become my wife. Pixar went on to create the worlds first computer animated feature film, Toy Story, and is now the most successful animation studio in the world. In a remarkable turn of events, Apple bought NeXT, I returned to Apple, and the technology we developed at NeXT is at the heart of Apple’s current renaissance. And Laurene and I have a wonderful family together.

I’m pretty sure none of this would have happened if I hadn’t been fired from Apple. It was awful tasting medicine, but I guess the patient needed it. Sometimes life hits you in the head with a brick. Don’t lose faith. I’m convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You’ve got to find what you love. And that is as true for your work as it is for your lovers. Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven’t found it yet, keep looking. Don’t settle. As with all matters of the heart, you’ll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don’t settle.

My third story is about death.

When I was 17, I read a quote that went something like: “If you live each day as if it was your last, someday you’ll most certainly be right.” It made an impression on me, and since then, for the past 33 years, I have looked in the mirror every morning and asked myself: “If today were the last day of my life, would I want to do what I am about to do today?” And whenever the answer has been “No” for too many days in a row, I know I need to change something.

Remembering that I’ll be dead soon is the most important tool I’ve ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything — all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure – these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart.

About a year ago I was diagnosed with cancer. I had a scan at 7:30 in the morning, and it clearly showed a tumor on my pancreas. I didn’t even know what a pancreas was. The doctors told me this was almost certainly a type of cancer that is incurable, and that I should expect to live no longer than three to six months. My doctor advised me to go home and get my affairs in order, which is doctor’s code for prepare to die. It means to try to tell your kids everything you thought you’d have the next 10 years to tell them in just a few months. It means to make sure everything is buttoned up so that it will be as easy as possible for your family. It means to say your goodbyes.

I lived with that diagnosis all day. Later that evening I had a biopsy, where they stuck an endoscope down my throat, through my stomach and into my intestines, put a needle into my pancreas and got a few cells from the tumor. I was sedated, but my wife, who was there, told me that when they viewed the cells under a microscope the doctors started crying because it turned out to be a very rare form of pancreatic cancer that is curable with surgery. I had the surgery and I’m fine now.

This was the closest I’ve been to facing death, and I hope it’s the closest I get for a few more decades. Having lived through it, I can now say this to you with a bit more certainty than when death was a useful but purely intellectual concept:

No one wants to die. Even people who want to go to heaven don’t want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it. And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life’s change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma — which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.

When I was young, there was an amazing publication called The Whole Earth Catalog, which was one of the bibles of my generation. It was created by a fellow named Stewart Brand not far from here in Menlo Park, and he brought it to life with his poetic touch. This was in the late 1960’s, before personal computers and desktop publishing, so it was all made with typewriters, scissors, and polaroid cameras. It was sort of like Google in paperback form, 35 years before Google came along: it was idealistic, and overflowing with neat tools and great notions.

Stewart and his team put out several issues of The Whole Earth Catalog, and then when it had run its course, they put out a final issue. It was the mid-1970s, and I was your age. On the back cover of their final issue was a photograph of an early morning country road, the kind you might find yourself hitchhiking on if you were so adventurous. Beneath it were the words: “Stay Hungry. Stay Foolish.” It was their farewell message as they signed off. Stay Hungry. Stay Foolish. And I have always wished that for myself. And now, as you graduate to begin anew, I wish that for you.

Stay Hungry. Stay Foolish.

Thank you all very much.

Aplaudindo de pé.

Sempre.

O banco dos BRICS prova que nenhuma idéia é tão ruim que não possa ser piorada

E agora foi fundado, oficialmente, o banco dos BRICS.

Reproduzo algumas coisas a seguir que dão alguma perspectiva sobre o caso – e começo com um vídeo que não trata diretamente da questão, pois foi gravado em 2012. Porém, motra-se ali uma discussão muito interessante sobre problemas econômicos do Brasil e da Índia, dois países envolvidos diretamente nessa roubada do banco dos BRICS:

E agora, tratando ESPECIFICAMENTE do caso do banco dos BRICS:

O artigo do Roberto Ellery citado no vídeo:

O assunto da semana é a criação do Banco dos BRICS. Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul decidiram criar um banco que será sediado em Xangai e que será uma mistura de FMI com Banco Mundial. Para começo de conversa é preciso deixar claro que FMI e Banco Mundial exercem funções diferentes e, não raro, conflituosas. Enquanto o Banco Mundial é um banco de desenvolvimento com a tarefa de financiar o crescimento econômico no mundo e reduzir a pobreza (ver aqui) o FMI é um fundo desenhado para socorrer países em crise de balanço de pagamentos (ver aqui). O Banco Mundial é aquele banco que você recorrer quando tem uma ideia que acredita ser boa e quer transformar a ideia em um negócio ou quer um financiamento para que sua ideia reduza a pobreza, o FMI é aquele banco que você procura quando está quebrado. O Banco Mundial é o “policial bonzinho” e o FMI é o “policial malvado”.
Pensar as duas funções em um único banco é um desafio que não vou enfrentar nesse post, apenas registro que as possibilidades de risco moral são inúmeras. Aqui vou separar cada função e questionar a relevância de cada uma delas para o Brasil. Começo pelo banco de desenvolvimento, um dos meus vilões favoritos. A verdade é que já temos um banco de desenvolvimento de dimensões consideráveis. Em 2012 o Banco Mundial emprestou U$ 32 bilhões (ver aqui e aqui), no mesmo ano o BNDES desembolsou R$ 156 bilhões, o que equivale a aproximadamente U$ 70 bilhões pelo cambio atual. É isto mesmo, em 2012 o BNDES desembolsou duas vezes mais que o total de empréstimos realizados pelo Banco Mundial. Se o Brasil tem um banco maior que o Banco Mundial que é só dele por qual razão vai criar outro banco concorrente do Banco Mundial?
Uma possível resposta é que o novo banco terá uma atuação internacional e nós queremos ajudar os países mais pobres. O problema é que o BNDES já financia projetos em outros países (ver aqui) e sem dar satisfação a chineses ou a russos. Outra resposta é que o BNDES está fazendo um excelente serviço e um novo banco seria uma forma de ampliar esses serviços. Já escrevi um bocado sobre os efeitos do BNDES aqui no blog, é só fazer uma busca. Os exemplos do fracasso das políticas do banco se amontoam, o caso mais emblemático é o do grupo X de Eike Batista o que eu tomei conhecimento mais recentemente é o da Eldorado (ver aqui). O próprio Luciano Coutinho, presidente do BNDES e um dos mentores da política de campeões nacionais, já percebeu que a política de campeões nacionais que norteou a atuação do BNDES deve ser abandonada (ver aqui).
Entretanto, na condição de liberal chato e sendo mais chato do que liberal, coloco mais uma vez o retrato do fracasso do BNDES em elevar a taxa de investimento brasileira. A figura abaixo mostra os desembolsos do BNDES, a taxa de investimento no Brasil e a taxa de investimento na América Latina e Caribe. Notem que a taxa de investimento no Brasil é menor que a da América Latina e Caribe (não retirei o Brasil do grupo América Latina e Caribe, portanto o Brasil está puxando o grupo para baixo), mas ainda, o gigantesco aumento dos desembolsos do BNDES não foi capaz de dar a taxa de investimento do Brasil uma dinâmica diferente da taxa de investimento da América Latina e do Caribe. O único momento em que isto aconteceu foi na sequencia da crise de 2008, minha conclusão é que os efeitos da atuação do BNDES parecem mais com a de uma política de curto prazo do que com o que se esperaria de um banco de desenvolvimento. Os dados para desembolso são do próprio BNDES, as taxas de investimento são do FMI.
O motivo para isto é simples: o Brasil não precisa de um banco de investimento. As grandes restrições para o investimento no Brasil estão no ambiente de negócios, investir em um país que muda regras o tempo todo é uma decisão de alto risco. Investimentos de longo prazo exigem estabilidade, exatamente o que não oferecemos. Peço que o leitor imagine a apreensão de quem acabou de investir no Brasil em um setor que concorre com produtos chineses. Com o novo banco os chineses serão favorecidos? Quem arrisca uma resposta? A verdade é que mesmo no Banco Mundial a estratégia de combater pobreza e estimular desenvolvimento com crédito barato vem sendo questionada. O crédito barato costuma acabar nas mãos dos amigos do governante de plantão que não necessariamente são os que têm os melhores projetos, mais grave, o crédito barato acaba sendo usado para manter governos no poder e atenta contra a democracia.
A atuação do banco dos BRICS como banco de desenvolvimento me parece trazer mais problemas do que soluções. Mas como fica a atuação como emprestador de última instância para países em crises de balanço de pagamentos? Aqui é mais delicado. Alguém sempre pode argumentar, com alguma razão, que a existência desse tipo de banco acaba por estimular um comportamento irresponsável que leva às crises que o banco vai resolver. Simpatizo com essa linha de raciocínio, mas tenho de reconhecer que crises existiam antes do FMI e que, portanto, o FMI não pode ser a causa única para crises. Parece razoável argumentar que já que crises existem é aceitável existir um banco que socorra países em crises. Mas como entra o Brasil nesta história?
A taxa de poupança do Brasil está entre as mais baixas do mundo (ver aqui). Exatamente por qual razão um país que não tem capital para financiar o próprio investimento e que importa capital vai se oferecer para financiar países sem crédito para honrar seus compromissos externos? Pior, se não ajustar o preços dos combustíveis o Brasil caminha ele mesmo para uma crise do balanço de pagamentos (ver aqui). Mas aí está a vantagem, podem argumentar os espertos de plantão, ao criar o banco dos BRICS o Brasil está se antecipando e conseguindo quem financie uma eventual crise no balanço de pagamentos, afinal a China é um dos maiores credores do planeta. É uma jogada interessante, mas não esqueçamos que malandro demais vira bicho. China, Rússia e mesmo Índia não são os bobos do jogo de poder internacional, pelo contrário, são atentos e não raro brutais neste jogo. Acreditar que a China está disposta a financiar uma crise brasileira para mostrar algo aos EUA é acreditar em fadas. Impressiona que os que falam pelos cotovelos a respeito da questão geopolítica não estejam nos explicando exatamente o que ganhamos e o que perdemos no jogo de poder com a criação do banco.
O post já está longo, termino com uma frase que gosto muito de um filme sobre pôquer que não estou lembrando o nome agora. O jogador do filme dizia que se em tantos minutos você não souber quem o otário da mesa então saia da mesa que o otário é você. Gostaria muito que os especialistas que defendem a criação do banco dissessem quem é o otário da mesa, por razões óbvias as autoridades não podem dizer, se não souberem é melhor recomendar que saiamos da mesa…
E o incomparável Guido Mantega já falou suas corriqueiras estultices sobre o caso (a reportagem é do Valor Econômico, na íntegra AQUI, e os grifos são meus):
A criação de um banco de desenvolvimento do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é uma resposta à falta de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao jornal Folha de S.Paulo. O capital inicial do banco, de US$ 10 bilhões, pode chegar a US$ 50 bilhões e alcançar US$ 100 bilhões por meio de captações. “As reformas do FMI não foram implementadas e isso tornou necessário o desenvolvimento de instrumentos alternativos”, disse Mantega.

De acordo com o ministro, uma das estratégias para sair da crise mundial é aumentar investimentos em infraestrutura, mas falta crédito. “Os organismos multilaterais que existem hoje, como BID e CAF, não têm recursos suficientes”, disse, referindo-se ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e à Corporação Andina de Fomento.

Segundo o ministro, o banco financiará não apenas o Brics e terá uma classificação de risco (rating) muito elevada para captar recursos. O grupo, contudo, terá o controle da instituição, 55% em igualdade de condições. Para fomentar a captação de recursos, serão criados fundos especiais. “Já na criação constituiremos fundos especiais de investimento. Vários fundos poderão surgir e se somarão ao capital”.

Os acertos finais – presidência e sede – para a criação do banco dos Brics, chamado de Novo Banco de Desenvolvimento – serão definidos nesta semana em reunião de cúpula do bloco, em Fortaleza. A China quer a sede, o Brasil, a presidência, que será rotativa, com troca de comando a cada cinco anos.

Falando sobre atividade econômica, Mantega considerou na entrevista que os Brics vão continuar liderando o crescimento da economia mundial, embora tenham desacelerado. “A China não cresce mais a 11%, mas a 7,5%. O Brasil e a Rússia tiveram alguns problemas a mais, mas também vão se recuperar”. Ainda a respeito do Brasil, Mantega disse que o país pode crescer a 3%, 4%, mas não estipulou um prazo para que isso aconteça.

Para 2014, as estimativas de expansão da economia têm ficado em torno de 1%, com algumas já abaixo disso. Para 2015, rondam perto de 1,5%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

Como eu sempre digo: Guido Mantega é um Ministro à altura da estatura intelectual da presidanta Dilma.
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(clique na imagem para ampliar numa nova janela, para facilitar a leitura)
Liechoscki_2014-Jul-15

Startups Brasil

Em novembro de 2013, recebi esta mensagem abaixo pelo site:

Olá Munhoz, nós somos o Startups Brasil, o maior mapa de empresas Startups e universidade do Brasil.

Gostaria de apresentar nosso portal (http://www.guiato.com.br/startups/), que tem o objetivo de linkar os estudantes universitários, técnicos e profissionais, com as Startups, que estão em busca de funcionarios qualificados, mostrando ainda quais empresas ficam mais próximas de sua casa ou instituição de ensino.

Além disso, o site oferece o serviço de localizar a universidade mais próxima do futuro estudante. Possuímos em nosso banco de dados mais de 700 Startups geolocalizadas e mais de 1000 universidades mapeadas e cadastradas em nosso site.
A preocupação de criar um projeto sem fins lucrativos focando em Startups é de que muitas pessoas não tem conhecimento de como funciona uma Startup. Para isso o site oferece diversas dicas de como trabalhar em uma e as vantagens de trabalhar em uma empresa Startup.

Como o Startups Brasil é um projeto novo, queremos seu apoio nos auxiliando a divulga-lo para que os estudantes e profissionais tenham a oportunidade de trabalhar em uma Startup. Você pode ajudar colocando um link do nosso site em alguma seção de seu portal ou fazer um artigo sobre nosso projeto e colocar o link. Caso você possua uma empresa Startup e quer ser cadastrada em nosso banco de dados, nos envie o nome, o endereço (se possivel latitude e longitude), telefone e o link de seu site.

Se tiver dúvidas, sugestões ou comentários, por favor, não hesite em nos contatar!

Atenciosamente,
Vitor Moya – Startups Brasil
Av. Brig. Faria Lima 1571, 7º andar | São Paulo-SP, 01452-918 | Brazil

Primeiro, preciso pedir desculpas pela demora em mencionar este assunto. A mensagem ficou “soterrada” pelas mensagens recebidas posteriormente, e eu, claro, acabei esquecendo (a idade é um problema sério!).

Segundo, agora que achei a mensagem, resolvi divulgar porque é uma iniciativa interessante.

Desejo muito boa sorte ao pessoal, e me coloco à disposição por aqui.

Chega de papel: digitalizar é a solução

Há alguns anos, participei de uma banca de plano de negócios cujo mote era criar um empresa para digitalizar documentos importantes, que não poderiam ser destruídos. Infelizmente, não me lembro o nome do aluno que fez este plano, mas lembro que não apenas o plano em si estava muito bem feito, mas que a idéia que sustentava a empresa era muito boa. Aliás, era e ainda é.

Hoje leio na Folha o seguinte (íntegra da matéria AQUI, disponível apenas para assinantes):

O espaço limitado dos escritórios de advocacia, bancos, seguradoras e até hospitais em São Paulo e no Rio virou um negócio de alta tecnologia para guardar documentos, contratos e notas fiscais para gestores de documentos e arquivos, como a P3Image.

Da simples digitalização de notas e contratos, a empresa passou a fazer o serviço completo de gestão de arquivos e até prontuários médicos para clientes que não têm espaço nem funcionários suficientes para lidar com herança passada dos negócios.

A empresa faz a coleta periódica dos documentos na sede de clientes como a seguradora SulAmérica, as Lojas Marisa e o hospital São Luís. Depois etiqueta folha com código de barra, confere os dados, digitaliza as páginas e disponibiliza a imagem, pela internet, para todos os funcionários da empresa que tiverem o acesso autorizado.

Os documentos originais são arquivados no galpão da própria P3, sendo que alguns mais sensíveis -microfilmes, negativos de fotos, CDs, DVDs etc- vão para cofres projetados contra a ação da umidade, insetos e incêndio.

Um desses cofres, cujas imagens são gravadas e monitoradas 24 horas, está programado para retirar todo o ar em caso de incêndio, evitando a proliferação do fogo.

No Brasil, a Receita Federal pede que recibos e notas fiscais fiquem guardados por cinco anos. Prontuários médicos devem ser mantidos para sempre pelos hospitais, mesmo após a morte do paciente. Até a gravação de conversas de consumidores no call center podem ser requisitadas a qualquer momento pelas ouvidorias e órgãos de defesa do consumidor.

Além de se livrar da papelada, a empresa que digitaliza os documentos ganha agilidade para lidar só com a imagem on-line dos originais.

“Um documento parado um dia na mesa de um funcionário pode significar vários negócios perdidos. Só ele tem acesso. Digitalizado, fica disponível ao mesmo tempo para todos na empresa. É a chance de vender um produto complementar, oferecer um serviço importante, evitar uma possível reclamação e entender as necessidades do consumidor”, disse Paulo Carneiro, 43, dono da P3.

A sede fica em um antigo galpão da Lapa (zona oeste de SP), que parece uma grande biblioteca, com quilômetros de estantes e milhares de caixas de arquivos.

Se alguém precisar dos originais (por exemplo, para cumprir o pedido de um fiscal ou uma decisão judicial), o cliente faz a solicitação on-line e recebe o documento original em até três horas.

Em suma, o negócio é extremamente interessante!

Posso dar como exemplo eu mesmo: há alguns anos venho tentando eliminar papéis, de todas as formas possíveis – digitalizando documentos, notas fiscais, recibos etc. Recentemente, aliás, cancelei minha assinatura do ValorEconômico para fazer a assinatura exclusivamente da edição digital, que não ocupa espaço nenhum em casa e/ou na minha mesa.

Além disso, procurar uma reportagem na versão digital é muito mais rápido e eficaz do que folhear “trocentos” jornais impressos!

Dizer que o cliente é importante é fácil; demonstrar isso, na prática, é que é o problema!

Quase diariamente eu leio notícias e “análises” semelhantes a esta aqui:

No mundo digital, quem manda é o cliente. Uma estratégia de sucesso para ser efetiva precisa ser traçada com o ajuda do consumidor, que hoje só perde em influência dentro das empresas para o C-level. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Global CEO 2014, realizada pela IBM com 884 presidentes de empresa em 67 países. “Vivemos a época do Chief Client Officer”, brinca Roberto Ciccone, executivo de Global Business Services da IBM Brasil.

O estudo da multinacional mostra que 57% dos CEOs consideram que os clientes têm uma influência relevante em suas empresas. Nos próximos três a cinco anos, 60% deles pretendem incluir os consumidores no desenvolvimento das estratégias de negócios.

Além da crescente influência do consumidor no ambiente corporativo, a pesquisa mostra também a intenção das companhias em aumentar sua participação em projetos de inovação aberta. Sete em cada dez CEOs das organizações de melhor desempenho estão expandindo seus negócios com parceiros. Um quarto dos CEOs já antecipa, inclusive, um período em que alguns desses parceiros serão seus competidores tradicionais.

A íntegra do texto acima está AQUI. Traz, inclusive, uma entrevista que merece ser lida (da qual eu discordo, mas, ainda assim, é interessante ler).

Contudo, por mais que as empresas afirmem que o cliente/consumidor é cada dia mais importante, na prática, infelizmente, não vejo isso.
Alguns exemplos recentes, que eu vivenciei:

CASO 1) Brastemp: Tenho um purificador de água da Brastemp, cuja mensalidade (cerca de R$ 80,00) inclui manutenção periódica. No dia 06 de Junho recebi a mensagem abaixo, via SMS:

2014-06-18 23.25.52
Respondi a mensagem com um SIM, conforme as instruções.
O que aconteceu, então?
NADA.
Não apenas o técnico da Brastemp NÃO apareceu no dia que eles mesmos sugeriram para a prestação do serviço, como ninguém se importou em avisar que teria havido algum problema e a visita teria de ser reagendada. Nenhum SMS, nenhuma ligação, nenhum e-mail. Nenhum contato. Nada!
O cliente fica com cara de otário, e a Brastemp não liga, não manda SMS, nada.
Legal, né?!

No dia 13/06 (portanto, UM DIA DEPOIS DA DATA EM QUE O SERVIÇO ESTAVA AGENDADO) recebi outro SMS, com o mesmo texto, mas desta vez marcando a visita para o dia 20/06. Via SMS, pedi que fosse CONFIRMADA a visita no dia 20/06. Recebi a confirmação:

2014-06-20 15.23.25

Não satisfeito, em 18/06 liguei no SAC e perguntei se estava confirmada a manutenção no dia 20. A menina garantiu que sim.

Hoje é dia 20, são 15:20, e não apenas não apareceu ninguém da Brastemp como também não houve nenhum contato, explicação, pedido de desculpas etc.

CASO 2) Mais uma vez a SKY…
Depois de perceber um aumento excessivo e súbito na minha fatura, tentei ligar para a SKY no 10611. Vinte minutos entre digitar as opções, digitar CPF, ouvir menus e mais menus e, finalmente, recebi o número do protocolo e fui direcionado a um rapaz. Expliquei o porque da minha ligação. Depois de verificar meu cadastro, ele me disse que eu teria que falar com o setor de vendas para cancelar o tal pacote de futebol que teria sofrido reajuste e causado o aumento do valor final da minha fatura (detalhe: eu jamais comprei um pacote de futebol, até porque eu odeio futebol).

Fui transferido, então, para o 2.o atendente. Expliquei a situação, ele pediu que eu aguardasse e… A LIGAÇÃO CAIU!
Resolvi, então, recorrer ao chat – imaginei que passaria menos nervoso.
Ledo engano.

Eis aqui a íntegra do chat (clique nas imagens para ampliar):

Sky

Não é muito inteligente por parte da SKY colocar uma analfabeta funcional para digitar frases sem sentido para os clientes. O pior, porém, é que perdi uns 40 minutos (o chat em si durou das 7:31 até 7:49, mas fiquei uns 15/20 minutos aguardando para iniciar o chat) e não resolveram nada!

Logo depois desse chat mal sucedido, reclamei via twitter, e no dia 10/06 a SKY começa a se comunicar comigo via twitter, dizendo que iriam resolver o problema.

Twitter - carlos_munhoz- Cada vez que tenho que usar ...

Recebi uma ligação da Fátima, das “mídias sociais” da SKY no dia 16/06 pela manhã. Cabe notar que comecei a tentar falar com a SKY no dia 10/06, ou seja: só consegui falar com a empresa depois de SEIS DIAS. A ligação deve ter durado quase 1 hora e meia. De qualquer forma, ela agendou duas datas comigo: (1a) 26/06 para verificar um aparelho que está queimado (e, portanto, sem uso) desde Julho do ano passado; (2a) 04/07 para a instalação de 2 equipamentos, decorrência da mudança do meu plano.

[Por que eu estou com um aparelho HDTV queimado desde Julho de 2013, ou seja, há quase um ano? Simples: tenho medo de ligar na SKY e passar nervoso – exatamente como aconteceu de novo! – então evito ao máximo. Pois é: o SAC da SKY é tão ruim que eu, cliente, TENHO MEDO!]

No momento em que ela fez estes 2 agendamentos, achei estranho marcar datas diferentes, porque trata-se de trocar 3 aparelhos (um que está queimado e 2 novos, que irão substituir 2 aparelhos “antigos”, que não são HDTV), e questionei se não seria mais fácil fazer tudo no mesmo dia. Ela disse que seria impossível.

Como eu já estava em cima da hora para sair, nem questionei mais, porque a menina era bem lentinha (um eufemismo evidente para burrinha).

Mais tarde, naquele mesmo dia, peguei minha conta da SKY, e vi que consta a cobrança por um certo serviço “SKY Prime”. Acessei o site da SKY e, de fato, existe o tal serviço, cuja descrição é esta:

SKY Assistência Premium | Compra Online | SKY

Ora, se eu pago por um serviço que cobre assistência técnica em até 24 horas da minha solicitação/problema, por que a Fátima agendou a visita técnica para 26/06? Eu pago por um serviço cujo prazo é 24 horas e ela quer que eu espere 10 dias?

No dia seguinte fui fuçar um pouco mais no site da SKY – afinal, como já resta provado e evidenciado, os atendentes não sabem informar nada!

Descobri que pelo próprio site eu poderia agendar as visitas técnicas. Verifiquei, inclusive, que a Ordem de Serviço que a Fátima havia informado na segunda-feira (dia 16) estava lá, e havia um botão com a opção de reagendar. Não custava tentar! Cliquei no botão e depois de uma demora absurda, abre-se uma janela (que demorou uma eternidade para carregar) que me permitia escolher até mesmo o dia seguinte! Sim, no dia 17 eu poderia escolher o dia 18 para a visita! Ora, então por que a Fátima não me deu a opção desta data? Por que ela me “empurrou” para o dia 26?

Safari 8

Resolvi arriscar.

Reagendei a visita técnica para o dia 19/06 (não foi fácil, porque a janela era de uma lentidão digna da internet discada de 15 anos atrás). Porém, não localizei a ordem de serviço referente à instalação dos 2 equipamentos novos, apenas aquela referente à troca do receptor queimado.

Me aventurei pelo chat mais uma vez. E mais algumas surpresas desagradáveis me aguardavam. Quem quiser, pode ler o chat no PDF disponível AQUI (ficou longo demais para colocar em PNG ou JPG aqui).

Para resumir o que houve depois: no dia 19/06, ontem, ninguém apareceu. Eu liguei no SAC ao meio-dia, perguntando se o técnico viria mesmo (o prometido era período da manhã, que, para a SKY, é das 8 às 13 horas). A atendente garantiu que sim, que eu deveria aguardar e o técnico compareceria ATÉ AS 13 HORAS.
Às 14:20, como não apareceu ninguém, liguei novamente no 10611, e aí recebi a informação de que os técnicos não trabalham aos domingos e feriados – e, portanto, nenhum técnico iria comparecer à minha casa naquele dia (a rigor, a menina disse que os técnicos não trabalham “de dias de feriados e dias de domingos”, demonstrando, assim, pleno conhecimento do idioma).

Obviamente eu questionei a atendente (que, claro!, mal e porcamente sabia o próprio nome) por que recebi DUAS confirmações de que a visita seria realizada no dia 19 se os técnicos não trabalham aos feriados (a primeira confirmação via chat e a segunda via telefone, sendo que esta segunda confirmação me foi dada no próprio dia 19, o feriado!).

A SKY não apenas desrespeita o cliente de forma vexatória; ela demonstra que tem sérios e profundos problemas em termos de processos internos. Pelo site, marquei a visita técnica para o dia 19 – porém, se os técnicos não fazem visitas aos feriados, o site deveria impedir o agendamento de visitas nestes dias! Isso é tão óbvio, tão evidente, e tão básico, elementar mesmo – mas não para a SKY.

E o que dizer da menina que atendeu minha ligação ao meio dia? Ela também não sabia que aos domingos e feriados não há visitas técnicas?

Diante de tudo isso, confesso que fica muito difícil dizer, em sala de aula, que o cliente é fundamental para o sucesso de uma empresa… Como vou dizer isso, COM PLENA CONVICÇÃO, aos meus alunos?

Luiza Trajano comemora o sucesso da economia fechando lojas do Magazine Luiza

No começo do ano, Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, causou comoção nas redes sociais ao participar do programa Manhattan Connection. Eu comentei o caso, em detalhes, AQUI.

Mostrei na época que, a despeito de muitos ignorantes terem feito barulho porque ela SUPOSTAMENTE humilhou o Diogo Mainardi, não houve nada disso – pelo contrário, o Mainardi estava certo.

http://www.youtube.com/watch?v=WCTkwB2BcwY

Pois bem, ontem duas notícias foram amplamente divulgadas e ajudam a PROVAR que a Luiza Trajano falou besteira.

A primeira notícia diz respeito ao pífio desempenho da economia brasileira. Eis aqui um trecho de uma reportagem publicada no Globo (íntegra AQUI):

O fraco desempenho da economia no primeiro trimestre fez com que o Brasil ficasse na 23ª posição entre as economias que mais cresceram no mundo neste início de ano, de acordo com ranking elaborado pela Austin Rating. Entre os países latino-americanos, o Brasil superou o México (1,8% de alta do PIB na comparação com o primeiro trimestre de 2013), mas está atrás do Peru, o sexto colocado, com expansão de 4,8%, e do Chile, cuja economia avançou 2,6% no período.

O IBGE divulgou nesta sexta-feira que o PIB (soma de bens e serviços produzidos) do país teve crescimento de 0,2% de janeiro a março deste ano, na comparação com o quarto trimestre de 2013, e de 1,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

A segunda notícia é que, inclusive por causa desse desempenho pífio da economia, o Magazine Luiza decidiu fechar 9 lojas (por enquanto). A informação oficial está AQUI (trata-se do comunicado ao mercado que os acionistas, como eu, recebemos).

Enfim, o que resta mais do que comprovado é que a Luiza Trajano falou bobagem no programa. Ela estava elogiando a economia do Brasil, dizendo que o Diogo Mainardi era pessimista etc. Na verdade, ela é que tenta tapar o Sol com uma peneira furada: a economia do Brasil está numa situação clássica de ESTAGFLAÇÃO – ou seja, atividade econômica estagnada mas com índices de inflação elevados.

Mais uma vez: uma coisa é ela, Luiza Trajano, gostar da Dilma e/ou do PT (o que, na verdade, é uma burrice, já que a Dilma e o PT odeiam empreendedores, odeiam economia de mercado; eles querem um Estado totalitário, que não tem espaço para livre mercado, concorrência, nada disso. Então, é o caso do judeu que ama Hitler, ou do gay que idolatra Che Guevara: burrice mesmo). Outra coisa, bastante diferente, é ela falar essas bobagens que ela falou (e sustentou posteriormente) em nome da empresa da qual ela é presidente. A empresa tem centenas, milhares de acionistas (eu, inclusive). Como presidente da empresa ela precisa ser mais inteligente e menos baba-ovo.

A presidente da empresa tem a obrigação de ter uma visão clara do mercado, para tomar as decisões mais adequadas para os objetivos da empresa – seja aumento de market-share, seja aumento da lucratividade.

Conclusão: novamente, o tempo tratou de expôr a Luiza e seus equívocos.

Firefox 5

Como uma mulher, sozinha, destruiu todo um setor da economia brasileira

Eu escrevi neste blog diversas vezes, e agora os fatos se materializam – como, aliás, era facilmente previsível. Refiro-me à seguinte matéria do Valor Econômico de ontem (na íntegra, para assinantes, AQUI):

O Brasil deve passar do 11º para o 4º lugar no incômodo ranking de países com as tarifas de energia elétrica mais altas para o setor industrial. Caso se confirmem os reajustes esperados, as contas de luz para as fábricas ficarão 43% acima do patamar verificado antes da polêmica Medida Provisória 579 que a presidente Dilma Rousseff editou, em setembro de 2012, para derrubar os custos da eletricidade e melhorar a competitividade das empresas.

Atualmente, paga-se em média R$ 310,70 por megawatt-hora no país, segundo dados compilados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em estudo que será divulgado nos próximos dias. Esse valor deve aumentar para R$ 342,70 até dezembro de 2014, caso se mantenha a tendência de reajuste médio de 17,1% para as tarifas industriais no mercado regulado, que já alcançou 22 das 63 distribuidoras de energia neste ano. Empresas como Eletropaulo (SP), Light (RJ), Celesc (SC) e Copel (PR) ainda não tiveram os reajustes aplicados.

A Firjan prevê que todo o desconto propiciado pela MP 579 terá sido eliminado no segundo semestre.

Sem querer ser chato, e ficar escrevendo “eu disse, eu disse”, mas… eu disse, eu disse!

O arquivo do blog está aí para provar.

Logo que foi anunciada a tal medida provisória, eu apontei aqui no blog que aquilo iria ser um tiro no pé. Um governo cheio de gente absurda e medonhamente incompetente, querendo intervir de forma desastrosa num setor econômico que vinha apresentando bons resultados – tudo em nome de uma demagogia burra e um populismo efêmero. Pois aí está o resultado! Os (milhões de) acionistas das empresas do setor elétrico foram prejudicados, as empresas foram jogadas num limbo jamais visto, e os benefícios anunciados não se concretizaram.

Mais uma vez, Dilma Ruinsseff mostrou por que faliu uma lojinha de R$ 1,99 antes de ser colocada num cargo burrocrático no Rio Grande do Sul e, mais tarde, ser alçada a Ministra apenas e tão somente porque impressionou um Presidente analfabeto e burro de dar dó com um PowerPoint cheio de números – que, de resto, provavelmente estavam errados e não faziam nenhum sentido, como costumam ser os discursos e declarações da Presidanta Geranta IncomPTanta.

Isso é Brasil!

2014-05-13 15.46.42