O que significa o “currículo nacional” do MEC aparelhado e recheado de boçais?

Começo com a notícia, publicada pela Época Negócios (íntegra AQUI):

O Ministério da Educação (MEC) dá nesta quinta-feira (3/07) o pontapé inicial para a construção da chamada Base Nacional Comum da Educação Básica, que prevê o que os estudantes brasileiros devem aprender a cada etapa escolar. Previsto na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), esse dispositivo nunca foi elaborado.

A Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC recebe nesta quinta um documento que será o “desencadeador” do debate nacional sobre o tema. O texto foi coordenado pela ex-diretora de currículos e educação integral da pasta, Jacqueline Moll. “Estamos propondo uma discussão em regime de colaboração onde estejam presentes o MEC na condução, secretarias e uma participação mais ampla possível”, disse ao Estado a titular da SEB, secretária Maria Beatriz Luce. “O MEC está aberto a construir conjuntamente se a Base Nacional será menos ou mais detalhada.”

Depois do longo processo de discussão do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no mês passado pela presidente Dilma Rousseff (PT), esse deve ser o debate que vai mobilizar o setor talvez nos próximos anos. A criação de uma base nacional sempre esteve acompanhada de resistência de setores de pesquisadores, que temem um engessamento da autonomia do professor. O respeito a diferenças regionais também é temido.

Além de definir com mais clareza o que se espera que os alunos aprendam nas determinadas fases escolares, a Base Nacional ainda guiará o processo de avaliação e da própria formação de professores. Hoje, as diretrizes da Prova Brasil (avaliação federal da educação básica) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) servem de indutores dos currículos municipais e estaduais, mas são considerados genéricos.

A articulação em torno do tema conta com a participação da União de Dirigentes Municipais e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e também do Conselho Nacional de Educação (CNE). “O compromisso com o CNE é que o MEC coloque o documento para a apreciação online, e todo o País envie sugestões. Isso deve acontecer até o final de agosto”, disse Rosa Neide Soares, representante do Consed.

(PEÇO AO DILETO LEITOR QUE VEJA O QUE A JAQUELINE MOLL ESCREVE EM SEU BLOG. Ela é quem está coordenando essa estrovenga do MEC. Lá está toda a ladainha de Paulo Freire e outras bugigangas que a esquerda ama, mas que produzem, na prática, o descalabro que temos hoje na educação brasileira)

Numa prmeira avaliação, a notícia parece ser boa, certo?!

Em tese, ao menos, seria uma boa notícia. Afinal, um professor sabe que um dos maiores problemas em sala de aula é a variação/diversidade do nível de educação dos alunos. Quando há, numa mesma sala, alunos muito avançados e outros muito atrasados, o rendimento médio da turma fica comprometido; por outro lado, se uma turma/sala reune alunos com nível semelhante, ainda que seja um nível baixo, é mais fácil ter um rendimento bom.

Na prática, porém, essa notícia me deixa bastante aflito. Isso porque a turma do MEC que está aí é aquela turminha de gente burra, ignorante, despreparada e que faz parte da linha dos boçais que acham que não há problemas em ensinar para os alunos que é perfeitamente “aceitável” falar e/ou escrever “nós pega o peixe”, sob a tacanha justificativa de que ensinar a língua portuguesa correta seria “preconceito linguístico“.

FERNANDO+HADAD+ORELHUDO

Não apenas isso: o MEC, em tempos de PT e asseclas, é pródigo em enfiar um conteúdo não apenas ideológico mas errado (e ignorante) em provas nacionais como ENEM e ENADE. Aqui está um caso, apontado pelo Mansueto Almeida:

Nos últimos anos, já nos acostumamos com os problemas do ENEM. Primeiro, como sempre lembra o jornalista Elio Gaspari, o Ministério da Educação nunca conseguiu fazer duas provas do ENEM por ano como havia prometido há algum tempo. Segundo, tivemos alguns casos de fraudes com o ENEM, que parecem que foram solucionados. Terceiro, ano passado tivemos o escândalo da correção das redações, quando se descobriu que algumas redações receberam notas máximas apesar de erros de ortografia e concordância.

Agora, o presidente do INSPER, Claudio Haddad, nos brinda com uma entrevista nas páginas amarelas da Veja no qual mostra que ele, um PhD em economia por Chicago, errou metade das questões do ENADE que, segundo ele, é uma prova com forte conteúdo ideológico. O ENADE é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) que tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. O exame faz parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e objetivo é avaliar a qualidade dos cursos de formação superior.

Um governo sério deveria convida-lo para se reunir com a cúpula do Ministério da Educação e com um painel de acadêmicos para discutir suas críticas. Quem fez essas críticas não foi alguém sem conhecimento de causa. Mas um profissional que montou uma das melhores faculdades de economia e administração do Brasil e vai montar um novo curso de engenharia.

Isso é um assunto muito sério. O que impressiona é que essa avaliação critica do ENADE não tenha sido feita pelo próprio Ministério da Educação. Para acabar com eventuais mal entendidos, Congresso Nacional deveria fazer audiência pública sobre o assunto e chamar Claudio Haddad.

Graças ao bando de “especialistas de meia tigela do PT” que foram colocados no MEC graças à mais rasteira politicagem, o analfabetismo no país está piorando a olhos vistos. Aqui uma notícia de 2013 (na íntegra AQUI):

Mais da metade (55,4%) dos alunos do 3º ano do ensino fundamental no país não leem e não interpretam um texto de forma correta, segundo informações da 2ª Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, divulgada hoje (25) pelo movimento Todos pela Educação. Os dados mostram que 44,5% dos estudantes atingiram pontuação acima do nível 175, que indica proficiência adequada em leitura. O 3º ano é a série considerada limite para a alfabetização, segundo o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

Está aumentando o número de professores que distorcem fatos (especialmente históricos) para enfiar a ideologia das esquerdas analfabetas em crianças e adolescentes – e o MEC não apenas deixa, mas muitas vezes ajuda, incentiva isso! Concomitantemente, existem por aí alguns “professores” que, sinceramente, me fazem corar de vergonha (alheia)…

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Essa turma que está no MEC, e que está coordenando o desenvolvimento do currículo nacional, é aquela turminha que adora falar em PRECONCEITO LINGUÍSTICO:

Neste momento já é consabido que o MEC aprovou o livro “Por uma Vida Melhor”, da professora Heloísa Ramos, que defende a idéia revolucionária de ser fisicamente possível falar “nós pega o peixe”, sem punição divina imediata com um raio nos fundilhos. O argumento é que o maior dos problemas em usar tal sentença nas CNTP é sofrer “preconceito lingüístico”. Em outras palavras, o maior problema está em quem ouve, não em quem profere.

Pela primeira vez o Brasil secular descobriu o que se estuda porta adentro das ignotas faculdades de Letras (visto que nenhum letrando parece dominar muito bem a gramática normativa) – por lá o que se faz são discussões bizantinas como o “preconceito lingüístico”, além de outras patranhas a respeito da “sociedade de classes”. Muitos “especialistas” em algo indefinido (especialistas em preconceito?) vieram a público explicar seu ponto de vista. Sendo uma área do saber humano em que há teorias rivais terçando armas entre si pela propriedade da verdade, é hora de um especialista no assunto mostrar o lado inverso dessa patacoada.

O preconceito lingüístico é um conceito marxista criada pelo sociólogo Nildo Viana como demonstração de outra forma de opressão e luta de classes. Seu maior defensor, calcado em escritos de Pierre Bordieu, é o professor da UnB Marcos Bagno. Seu opúsculo “Preconceito Lingüístico – O que é, como se faz” vendeu feito pão quente e colonizou mentes pós-púberes em todo o Brasil. Outro monumento à sabedoria simiesca de sua autoria é “A Norma Oculta – Língua & Poder na Sociedade Brasileira”. É um interessante exercício de antropologia escatológica descer às minudências malcheirosas destes livros.

(…) Após a publicação na imprensa do livro aprovado pelo MEC ensinando o molusquês (que angariou a bagatela de R$700 mil para a autora operária e R$5 milhões para a editora, num país famoso por sua incultura), que muitos afirmaram ser mais uma obra do petismo barbarizando o país. Não foi outro senão o próprio Marcos Bagno que veio a público defender a autora. Segundo o esbulho, quem está comentando o caso são jornalistas que não têm conhecimento sobre lingüística, que apenas confirmam mais preconceito. Lingüisticamente falando, não há certo e errado. E nada tinha a ver com o PT.

Eu copiei aqui apenas um trechinho curto de um excepcional artigo sobre o caso do MEC que pode (e deve!) ser lido na íntegra AQUI. Vale a pena.

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Em suma: a turminha do MEC que está trabalhando (sic) no tal currículo nacional não passa de um grupo de tietes de Paulo Freire – o que significa que a educação no Brasil vai ficar muito, muito pior.

A arte de comentar sem ler

Cada vez mais, torna-se padrão o comportamento na internet (em especial nas redes sociais): vejo um título curto, vou comentar.

Ler o texto na íntegra é desnecessário. O importante é comentar.

No fim de semana, meu post sobre o fechamento de lojas do Magazine Luiza foi compartilhado e comentado com uma frequência que me surpreendeu. Mas o mais triste é que não sei quantas pessoas EFETIVAMENTE LERAM o que está escrito lá antes de compartilhar e (claro!) comentar.

A seguir, uma pequena amostra do que eu vi (nem vou colocar mais, pois seriam repetições sobre o mesmo tema):

Safari 7

Safari 6

Safari 3

Safari 5

Safari 4

Safari 2

Safari

Infelizmente, isso é cada vez mais o padrão. Não li, não sei o conteúdo, mas não me abstenho de comentar – nem que seja para falar besteira. E alguns sequer tentam disfarçar: assumem explicitamente que não leram, mas fizeram questão de comentar mesmo assim. Resta evidente que falar-se-á um amontoado de bobagens, como prova o Marco Gomes, quando diz que não faz sentido comparar o 2 trimestres seguidos de um indicador econômico.

É triste ver isso.

Ecochatos: malucos ou burros?

O blog andou prejudicado por problemas técnicos (meu HD fritou, e tive que me equilibrar até comprar um novo, recuperar backup, reconfigurar tudo etc), mas isso não me impediu de dar uma checada nas coisas, apenas não tive tempo de escrever posts novos.

E durante esta interrupção do meu fluxo normal de trabalho recebi um e-mail através do formulário de contato, que reproduzo (e comento) a seguir.

Meu nome é XXXXX e faço parte da equipe Gesto Verde, uma campanha sem fins lucrativos promovida pelo XXXXX, uma startup que visa promover a sustentabilidade através do meio digital.
Conhecendo um pouco do site Blog do Munhoz percebi que temos muito em comum, afinal de contas, ambos buscamos o melhor, seja para o nosso leitor ou para o mundo.

Cara, não minta. Você não conheceu nada do meu blog.
Se tivesse lido o que eu penso (e escrevo) sobre sustentabilidade e outros modismos toscos, irritantes, burros e sem sentido jamais teria me enviado essa mensagem.

E por conta disso gostaria de lhe contar uma coisa: Você sabia que um blog produz quase 3,6 kg de dióxido de carbono por ano?

O meu blog deve produzir mais, pois como muita carne – adoro um churrasco, picanha, cupim, filé mignon etc…
A propósito: “por conta” virou o novo “vou estar encaminhando” – quem não tem conteúdo relevante recorre ao jargão apenas porque todo mundo está usando.

É por isso que a Gesto Verde lançou o desafio inicial de plantar 500 árvores em prol da diminuição do impactado ambiental gerado pela sociedade e após conquistar a parceria de 500 sites/blogs a Gesto Verde lança um desafio ainda maior: plantar 1.000 árvores nativas no Brasil, e para isso precisamos da participação de 1.000 sites/blogs, sendo que cada post sobre a campanha é revertido em uma árvore plantada pelo IBF.
Além disso a divulgação do gesto promove mais plantios, por isso o post informativo é o método ideal para instruir os seus leitores sobre esse gesto tão simples e promotor do meio ambiente que o Guiato está proposta a realizar pela sociedade.
Para participar são apenas 2 passos simples:
Escrever um pequeno post no seu blog sobre o tema “Meu blog é neutro em carbono” e inserir uma chamada no final para outras pessoas participarem. A nossa sugestão de chamada é: “Meu Blog é neutro em CO2, neutralize o seu também. Saiba como.”

Esse truque de finalizar o slogan com “SAIBA COMO” ficou bem desgastado graças à Herbalife. Vocês não tem originalidade, não ?!

Enviar um email para XXXXX@XXXXX.com.br
E nós da campanha Gesto Verde promovida pelo Guiato plantamos uma árvore para o seu blog na Floresta Gesto Verde! Após a publicação, por favor, entre em contato conosco enviando o link do post, para que possamos contabilizar a sua participação.
Para se mantar atualizado sobre a campanha não deixe de nos seguir no twitter. Venha conferir todos os novos parceiros e receber todos as novidades sobre nós. @XXXXX
Contamos com a sua colaboração e estamos abertos a sugestões.

A redação me deixou confuso em diversos trechos, mas não importa: obviamente eu jamais aderiria a uma campanha babaca calcada na maldita “sustentabilidade” que ninguém sabe exatamente o que é, mas quer defender/promover.

Quer uma sugestão? Plante suas árvores se você quiser, não me importa. Só não venha encher o meu saco.

Obrigado.

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Os ignorantes voltam a atacar: o “politicamente correto” e seus xiitas-chaatos

Em condições normais de temperatura e pressão, eu jamais teria lido o texto abaixo. Foi publicado em uma daquelas revistas do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), o grupo das publicações (revistas, jornais, sites etc) que recebem dinheiro do governo para defender qualquer cagada do PT e seus aliados, amigos, cumpanheiros, quadrilheiros, mensaleiros, ladrões e assassinos de estimação etc.

Contudo, recebi o link e fui verificar.

Primeiro, o texto, com grifos meus. Comento na sequência.

Diversas organizações civis, que representam as mais diversas causas, protocolaram na sexta-feira (4) carta em que manifestam indignação por campanha veiculada pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e pedem a retirada dos comerciais do ar. Conforme entendimento das entidades, a campanha não trata com seriedade as demandas de alguns grupos sociais. Os vídeos “palhaço” e “feijoada” são abusivos por disseminar informações incorretas, ridicularizar e desqualificar as reclamações dos consumidores.

Os signatários esperam que o órgão reconheça seu equívoco e sinalize uma possibilidade de diálogo com a sociedade. As entidades encaminharam o documento ao Conselho de Ética do Conar para que ele “cumpra com o seu papel de atuar de maneira atenta às demandas do cidadão, com eficiência e respeito”.

Em trecho da carta, as organizações enfatizam que o Conar intitula-se, nessas propagandas, como o responsável por coibir abusos na publicidade, quando, na verdade, esse poder é bastante restrito. A associação civil, formada por empresários e representantes de agências de publicidade, pode apenas recomendar alterações ou suspensões de campanhas que ainda estiverem no ar.

Segundo as entidades, cabe ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor impor sanções mais efetivas quando há o desrespeito ao consumidor, com a aplicação de multas ou a determinação de uma contrapropaganda, por exemplo. Os vídeos omitem ainda que a publicidade é regulada por lei, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), junto com a Constituição Federal.

Conforme o artigo 37, § 2° do CDC, “é abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”.

Primeiro, eu adoro quando leio “diversas organizações civis, que representam as mais diversas causas”. Isso já indica uma probabilidade de 99% de que se trata dos “ongueiros” e outros seres semi-humanos com QI equivalente ao de ostras em coma, congeladas em nitrogênio mas sem possibilidade de gerar qualquer benefício à humanidade.

Segundo, com relação às “demandas” dos ongueiros indignadinhos: eles querem que o CONAR reconheça que errou e “sinalize uma possibilidade de diálogo com a sociedade“. Na verdade, esses grupelhos de inúteis adoradores do “politicamente correto” estão se lixando para a sociedade. Eles querem é que o CONAR obedeça a eles, xiitas-chaatos do politicamente correto.
Eles se acham os donos da verdade, e adoram falar em nome da sociedade – ainda que a sociedade discorde deles ou sequer saiba de sua inútil, fétida e frustrada existência.
O CONAR já cometeu diversos erros em sua história, e eu mesmo, aqui no blog, já critiquei diversas vezes o órgão. Porém, os 2 vídeos que geraram as críticas desses ongueiros desocupados xiitas-chaatos estão corretíssimos! Ei-los:

Ambos os vídeos são bem bolados, com humor, e expõem de forma clara o quão patéticas são as reclamações feitas por esses xiitas do politicamente correto.

Isso me lembra de um excelente artigo do Guilherme Fiúza, publicado há algum tempo na Época:

Os brasileiros, esses crédulos, achavam que o governo popular parasitário do PT jamais alcançaria os padrões de cara de pau do chavismo. Quando o governo venezuelano explicou que estava faltando papel higiênico no país porque o povo estava comendo mais, os brasileiros pensaram: não, a esse nível de ofensa à inteligência nacional os petistas não vão chegar. Mas o Brasil subestimou a capacidade de empulhação do consórcio Lula-Dilma. E o fenômeno dos rolezinhos veio mostrar que o céu é o limite para a demagogia dos oprimidos profissionais.

A parte não anestesiada do Brasil está brincando de achar que o populismo vampiresco do PT não faz tão mal assim. E dessa forma permite que a presidente da República passe o ano inteiro convocando cadeia obrigatória de rádio e TV. Como no mais tosco chavismo, Dilma governa lendo teleprompter. Fala diretamente ao povo, recitando os contos de fadas que o Estado-Maior do marketing petista redige para ela. Propaganda populista na veia, e gratuita, sem precisar incomodar Marcos Valério nenhum para pagar a conta.

Só mesmo numa república de bananas inteiramente subjugada é possível um escárnio desses. O recurso dos pronunciamentos oficiais do chefe da nação existe para situações especiais, nas quais haja uma comunicação de Estado de alta relevância (ou urgência) a fazer. Dilma aparece na televisão até para se despedir do ano velho e saudar o ano novo – ou melhor, usa esse pretexto para desovar as verdades de laboratório de seus tutores. Mas agora, com a epidemia dos rolezinhos, o canal oficial da demagogia está ligado 24 horas.

Eles não se importam de proclamar na telinha que a economia está indo de vento em popa, com os números da inflação de 2013 estourando a previsão e gargalhando por trás da TV. Mas a carona nos rolezinhos é muito mais simples. Basta escalar meia dúzia de plantonistas da bondade para dizer que as minorias têm direito à inclusão no mundo capitalista – e correr para o abraço. Não se pode esquecer que o esquema petista vive das fábulas dos coitados. Delúbio Soares, hoje condenado e preso por corrupção, disse que o mensalão era “uma conspiração da direita contra o governo popular”.

O rolezinho é um ato de justiça social, assim como o papel higiênico acabou porque os venezuelanos comeram muito. E a desenvoltura dos hipócritas do governo popular no caso das invasões de shoppings está blindada, porque a burguesia covarde e culpada é presa fácil para o sofisma politicamente correto. Os comerciantes dos shoppings, lesados pela queda do consumo e até por furtos dos jovens justiceiros sociais, estão falando fininho. Estão sendo aviltados por uma brutalidade em pele de cordeiro, por uma arruaça fantasiada de expressão democrática, e têm medo de fazer cumprir a lei.

A ministra dos Direitos Humanos, como sempre, apareceu como destaque no desfile da demagogia petista. Maria do Rosário defendeu os rolezinhos nos shoppings e “o direito de ir e vir dessa juventude”.

A ministra está convidada a passear num shopping onde esteja acontecendo o ir e vir de 3 mil integrantes dessa juventude. Para provar que suas convicções não são oportunismo ideológico, Maria do Rosário deverá marcar sua próxima sessão de cinema ou seu próximo lanche com a família num shopping center invadido por milhares de revolucionários do Facebook, protegidos seus. Se precisar trocar as lentes de seus óculos, Maria do Rosário está convidada a se dirigir à ótica num shopping que esteja socialmente ocupado por um rolezinho.

Se a multidão não permitir que a ministra chegue até a ótica, ou se a ótica estiver fechada por causa do risco de assalto, depredação ou pela falta de clientes, a ministra deverá voltar para casa com as lentes velhas mesmo. E feliz da vida, por não ter de enxergar seu próprio cinismo socialista.

Shoppings fechados em São Paulo e no Rio por causa dos rolezinhos são a apoteose da igualdade (na versão dos companheiros): todos igualmente privados do lazer, todos juntos impedidos de consumir cultura, bens e serviços num espaço destinado a isso. É a maravilhosa utopia do nivelamento por baixo. O jeito será importar shoppings cubanos – que vêm sem nada dentro, portanto são perfeitos para rolezinhos.

Essa modinha chata, burrísima e impertigada do politicamente correto é uma praga. E o Brasil está mergulhado nela. Recomendo fortemente a leitura deste artigo AQUI.

Neste caso específico, parabéns ao CONAR e parabéns à AlmapBBDO pelas 2 peças.

IPEA, Petrobras e Embrapa aparelhadas pelo PT: eu avisei

Há muito tempo eu venho alertando sobre o aparelhamento do Estado promovido pelo PT.

Nas últimas semanas, esse assunto veio à tona de forma ainda mais clara, e o que vimos foi o IPEA divulgando uma pesquisa COMPLETAMENTE EQUIVOCADA, com erros crassos de metodologia e análise; fatos sobre a Petrobras que ajudam a entender a estagnação da empresa; e, para finalizar o estrago, novos fatos sobre a Embrapa.

O arquivo do blog não me deixa mentir: EU AVISEI.

Venho escrevendo sobre isso há tempos.

Especificamente sobre a Petrobras, eu escrevi AQUI, AQUI, AQUI (neste post, aliás, há diversos dados para quem deseja entender um pouco melhor o setor), e mais AQUI e AQUI, para citar apenas alguns posts (há muitos outros, basta fazer a busca na ferramenta do blog, na coluna lateral).

Eis aqui alguns trechos de artigo publicado na revista Forbes sobre a Petrobras (a íntegra está aqui):

Petrobras’ problems are becoming Dilma’s problems.

Brazil’s oil and gas major, Petrobras, can do no right. And now President Dilma Rousseff is being blamed for the problems. Of course, she is being blamed by politicians who don’t want to see her re-elected in October. They probably won’t succeed at dethroning her, but one thing is certain: the deterioration of the shining star of Brazil’s state owned enterprises happened on her watch. This election season, Dilma isn’t the only one in the cross hairs. Petrobras is now her problem, too.

Not long ago, as in 2007, Petrobras was heralded as the Latin America Aramco, finding oil deep under the ocean floor far off the coast of Rio and São Paulo states. Goldman Sachs once put a $60 price target on the stock in early summer 2008. Today, Petrobras shares trade under $12, and its market cap is smaller than Colombia’s EcoPetrol EcoPetrol.

Over the last several weeks, Petrobras has been inundated with allegations of corruption. Chalk it up to the election cycle, but bad news has sprung a leak in the state energy giant. It’s going to get worse before it gets better.

The Federal Police have around five investigations out on Petrobras, not to mention one at the Congressional Budget Office in Brasilia. The crises goes beyond politics, though, and hits where investors feel it most. The company has lost 51% of its market cap in the last three years and is now valued at $75.5 billion.

Last year, Petrobras’ debt load hit $22 billion, a 30% increase from 2012 levels. Petrobras’ high debt caused the company’s fiscal counsel to warn executives of a possible credit rating downgrade. Petrobras is investment grade. Ratings downgrades mean higher risk premiums, which makes it more expensive for a company to borrow.

It’s one thing if the debt was soundly acquired. Most of it was, of course. But some of the debt was seen as possibly being siphoned off by unscrupulous technocrats at Petrobras through acquisition deals gone wrong.

One of the biggest problems at Petrobras today is the nearly $1 billion it paid for the Pasadena refinery in Houston in 2006, a deal that the government admits was improperly handled by the company. Two years prior, the same refinery was sold to Belgium firm Astra Oil for less than $50 million, Estado de São Paulo newspaper reported on Sunday. Even Dilma said this week that Petrobras failed on its due diligence to acquire the refinery, which they are currently trying to sell, undoubtedly at a loss. Unfortunately for her, she was a member of Petrobras’ Board of Directors at the time of the purchase.

On Friday, one of Petrobras’ former executive directors, Paulo Roberto da Costa, was arrested by Federal Police on allegations of money laundering while at the company. Costa was in charge of the Pasadena deal. Government entities overpaying for goods and services is a classic way politicians and well-connected executives can steal from the state.

Dilma was the hand-picked successor of Brazil’s most popular president since the dictatorship years, Luiz Inacio Lula da Silva. He put her in charge of the Ministry of Mines and Energy, before moving her to his Chief of Staff and setting her up to take over where he left off in 2009. The ex-leftist guerrilla leader was more activist than oil woman, but Petrobras was never viewed as a traditional corporation, not in Brasilia and not by the market. Petrobras is more of a policy tool of the government. And now, it appears that it has been used as a cash account for some people inside the firm if investigations turn out negative for Petrobras.

[…] Petrobras is one of the worst performing large caps on the Brazilian stock exchange, down 15.89% year-to-date. The MSCI MSCI Brazil is down 6.75%. Ecopetrol is down just 2.96%.

Mas não é necessário recorrer àquilo que a imprensa internacional vem escrevendo: tanto a Veja quanto a Época desta semana têm um assunto de capa em comum – a Petrobras.

Não li a matéria da Época, mas a da Veja é um verdadeiro escândalo. E uma coisa me chamou a atenção: a reportagem da Veja traz um quadro comparativo de alguns indicadores da Petrobras e da EcoPetrol colombiana, também mencionada pela matéria da Forbes. A comparação entre as duas é outro escândalo:

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Peço ao leitor que repare nos dados do quadro comparativo acima. Vou destacar alguns números ESCANDALOSOS:

1) Veja bem, caro leitor, a diferença na produção diária de cada uma das empresas: enquanto a EcoPetrol produz “apenas” 612 mil barris, a Petrobras produz 1,93 milhão. Mas o valor de mercado das 2 empresas é MUITO próximo. Porém, o maior escândalo está na antepenúltima linha: RENTABILIDADE. A rentabilidade da Petrobras é RIDICULAMENTE BAIXA (6,7%) diante da rentabilidade da EcoPetrol (19%).

2) EFICIÊNCIA: a diferença neste índice é um verdadeiro escândalo. A EcoPetrol produz, por funcionário, mais do que o dobro da Petrobras (2,3 vezes para ser exato).

É preciso lembrar que este setor é intensivo em capital, e ganhos de escala são essenciais. Ainda assim, a Petrobras é muito maior do que a EcoPetrol, operacionalmente falando, mas produz menos (índice de eficiência, ou seja, barris produzidos por dia, por funcionário) e tem uma rentabilidade 2,8 vezes MENOR do que a petroleira colombiana.

3) Na última linha do quadro, vemos um problema criado pela burrice (aliada ao populismo demagógico) do Lulla: a exigência de materiais nacionais. Ao adotar esta burrice como política interna da Petrobras, o demagogo apedeuta criou um problema para a empresa, um fator que reduz sobremaneira a competitividade de uma empresa que poderia (e deveria) tornar-se a cada dia mais competitiva para concorrer no mercado mundial.

Sobre a Embrapa, surgiram novas discussões depois de reportagem do jornal O Globo que está AQUI. Segue apenas um trecho:

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica, tanto na condução de pesquisas decisivas para o setor quanto na escolha dos profissionais de carreira que ocupam os cargos de chefia da estatal. O atual momento do órgão vem redesenhando essa impressão. A empresa vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional, com sede nos EUA.

Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que já está definida a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação, também chamada de Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), um projeto pessoal do então presidente Lula, inaugurado em maio de 2010. Lula pediu a criação da unidade para capacitar profissionais de outros países que atuam no campo da agropecuária, principalmente nações da África e da América Latina. Um bloco de quatro andares foi construído ao lado da sede da Embrapa em Brasília — os dois prédios estão conectados por um corredor — e os gastos somaram R$ 9,4 milhões.

A inauguração contou com a presença de Lula. Menos de quatro anos depois, a unidade sumirá do organograma da Embrapa. Uma nova secretaria será criada para abrigar a área de estudos estratégicos. A capacitação será assimilada pela área de transferência de tecnologia, cujo diretor-executivo foi indicado ao cargo por deputados federais do PT. Também o Departamento de Transferência de Tecnologia, subordinado à Presidência e a essa diretoria-executiva, é chefiado por um militante do PT, avalizado por uma das correntes — o Movimento PT.
O Cecat é uma unidade descentralizada, com maior autonomia de gestão. Com a transferência da capacitação para um departamento, os gestores com indicação política terão mais controle das atividades desenvolvidas.

E, finalmente, sobre o IPEA… Bom, o que sobrou?

O IPEA fez uma pesquisa com erros crassos, números invertidos, amostragem equivocada, perguntas toscas e dúbias, péssima seleção de palavras, gerou burburinho quando divulgou os resultados e depois teve que soltar uma correção.

A pesquisa do IPEA ganhou destaque na imprensa, e acabou gerando uma campanha pelas redes sociais (twitter, facebook, instagram). O caso serviu para provar que:

1) A grande imprensa acredita em qualquer pesquisa, por mais evidentes que sejam os erros e deturpações, o que expôs os “jornalistas” como verdadeiros analfabetos; e

2) Qualquer informação divulgada pela imprensa é imediatamente assimilada como verdade por uma imensa quantidade de ignorantes, que não perdem tempo em se lançar numa campanha burra, ignorante, tosca e ridícula.

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Pior: a correção (“errata”) ignorou todos os erros graves na metodologia e na amostragem.
A verdade é que aquela pesquisa sobre estupro do IPEA deve ser jogada, integralmente, no lixo. Ela está errada em tudo.

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Em 2008, a Standard & Poor’s era legal. Hoje ela é mentirosa.

O mundo gira… Pessoas ignorantes e mentirosas sempre acabam pagando pelas bobagens e mentiras que falam.

Nesta semana, a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil (os detalhes podem ser lidos AQUI).

Houve uma reação generalizada do governo, do PT e dos babacas-oficiais do PT (os militantes virtuais, MAVs) tentando desqualificar a agência, e suas avaliações. O pessoal tentou achincalhar a S&P porque ela fez uma coisa que contraria os interesses do governo – e, quando isso acontece, o pessoal sai atacando loucamente.

Pena que a galera se esqueceu que em 2008, quando a mesma agência S&P aumentou a nota do Brasil, houve uma enxurrada de elogios – vou destacar a seguir a declaração do então Presidente da República, o mentiroso contumaz (e notório ignorante) Lulla da Silva:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (30) que o Brasil foi considerado um “país sério” por investidores estrangeiros. “Nós acabamos de ter a notícia de que o Brasil passou a ser ‘investment grade’. Não sei nem falar direito a palavra, mas se formos traduzir para uma linguagem que todos os brasileiros entendam poderia dizer que o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e que por isso passamos a ser merecedores de uma confiança internacional que há muito tempo necessitava”, disse o presidente.

Nesta quarta, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s concedeu ao Brasil o patamar de grau de investimento. A decisão representa uma melhora na recomendação do Brasil, que passa a ser considerado investimento seguro para investidores estrangeiros.

[…] Na opinião do presidente, o Brasil já deveria ter recebido o grau de investimento “há muito tempo”. “Recebemos aval de que passamos a ser os donos do nosso próprio nariz em determinarmos a política que achamos conveniente para o Brasil. É uma conquista do povo brasileiro que durante tantos e tantos anos esperou por esse momento. Quis Deus que isso acontecesse quando um presidente de sorte assumiu a Presidência. E Deus queira que nunca mais o Brasil eleja governantes que não tenham sorte.”

A íntegra da reportagem, incluindo um vídeo, está AQUI.

Os trechos que eu destaquei são, digamos, contraditórios quando se observam as reações à notícia, do último dia 24/03, do rebaixamento da nota:

Nota do Brasil S&P_01

 

Nota do Brasil S&P_02

 

Nota do Brasil S&P_03

 

Que coisa…

Quando, em 2008, a Standard & Poor’s concedeu o investment grade, Lulla exaltou a conquista de todos os brasileiros, a “sorte” etc…

Agora em 2014, quando a mesma S&P reduz a nota do Brasil por causa do desastre que dona Dilma Ruinsseff está causando, o pessoal sai atacando a credibilidade da agência. Não que as agências de risco (não apenas a S&P) tenham uma credibilidade altíssima – mas elas já não tinham esta credibilidade altíssima lá em 2008, época em que aumentaram a nota do Brasil. Porém, naquele momento, como o aumento da nota poderia ser usado nos discursos mentirosos e distorcidos do PT, o próprio Lulla ficou exaltando as agências de risco.

O PT é assim mesmo: quando você concorda com ele ou ataca os “inimigos” dele, você é ótimo, tem credibilidade etc. Basta ver que os asseclas do PT não hesitam em usar notícias publicadas na Veja, na Folha, na Estadão ou na Globo quando estas notícias são negativas para o PSDB ou qualquer outro grupo que discorde ou critique o PT.

Mas quando você discorda, passa a ser do “PIG”, fascista (essa palavra hoje é usada para qualquer coisa, mas 99,98% de quem usa não faz idéia do significado) e outros impropérios…

Analfabetismos no Brasil

Excelente (como de costume, aliás) a coluna do Professor Pasquale na Folha de hoje:

O caro leitor certamente já ouviu e/ou leu matérias a respeito do nosso analfabetismo funcional. Estudos recentes informam que apenas 24% dos brasileiros letrados entendem textos de alguma complexidade, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros letrados entende um texto que talvez possamos chamar de “simples”.

Nossa dificuldade com o texto é inegável e não escolhe classe social. Não pense o leitor que ela é “privilégio” de pobres ou de gente pouco escolarizada. A leitura de trabalhos de conclusão de curso de muitos e muitos alunos de letras (sim, de letras!) prova que a situação é dramática.

O livro “Problemas de Redação”, do professor Alcir Pécora, traz um retrato sombrio do problema. Publicada em 1999, a obra resulta da percepção do professor Pécora de que alunos da primeira turma de estudos linguísticos de uma das mais importantes universidades do país concluíram o curso sem a mínima condição de ler e/ou escrever de acordo com a escolaridade formal que detinham.

Mas o nosso analfabetismo não é apenas verbal, ou seja, não se limita ao que é expresso por meio da língua; ele é também não verbal, isto é, abrange também a dificuldade para lidar com signos que não se valem da palavra escrita ou dita, mas, por exemplo, de imagens, de cores etc.

Boa parte da barbárie brasileira pode ser demonstrada pelo que se vê no trânsito das nossas cidades. Ora por falta de vergonha, ora por analfabetismo verbal e/ou não verbal + falta de vergonha, os brasileiros provamos, um bilhão de vezes por minuto, que este país não deu certo.

Uma das situações que acabo de citar pode ser ilustrada pelos semáfaros. Decerto os brasileiros conhecemos o que significam os signos não verbais (as três cores) que há nos “faróis” ou “sinaleiras”. O desrespeito ao significado desses signos não decorre do analfabetismo (verbal ou não verbal), mas da falta de vergonha.

Agora a segunda situação. Nada melhor do que as rotatórias para ilustrá-la. Em todos os muitos cantos do mundo pelos quais já passei, a rotatória é tiro e queda: funciona. Os motoristas conhecem o significado desse signo não verbal e respeitam-no. No Brasil, nem agentes de trânsito conhecem a regra (mais de uma vez já constatei isso). O que mais se vê é gente entrando a mil na rotatória, literalmente soltando baba, bestas-feras que são.

Quando me aproximo de uma rotatória e já há um carro dentro dela, faço o que se deve fazer: paro e dou a preferência. Às vezes, sabe Deus por que razão, o motorista que tinha a preferência também para (em muitos cruzamentos há uma espécie de “convenção” tácita sobre a preferencial, embora haja ali signos que contradizem essa “convenção”). Abro o vidro, ponho uma das mãos para fora e faço movimentos circulares com os dedos para tentar mostrar ao outro motorista que aquilo é uma rotatória e que ele, por ter entrado antes, é que tem a preferência. Começa a buzinação. A ignorância é atrevida, arrogante, boçal. Mas eu aguento: enquanto o outro não passa, continuo com os movimentos manuais circulares e não saio do lugar. Quase sempre alguém fura a fila e passa exibindo outro signo não verbal (dedo indicador em riste), mais um a traduzir o nosso elevado grau de barbárie.

Não sou dos que dizem que este país é maravilhoso etc., que a nossa sociedade é maravilhosa etc. Não há solução para a barbárie brasileira que não comece pela admissão e pela exposição da nossa vergonhosa barbárie de cada dia, sob todas as suas formas de manifestação. A barbárie é filha direta da ignorância e se manifesta pelo atrevimento inerente à ignorância. Falta competência de leitura, verbal e não verbal; falta educação, formal e não formal. Falta vergonha. Falta delicadeza. Falta começar tudo de novo. É isso.

Perfeito. Os vários analfabetismos são um problema gravíssimo no Brasil, e a educação só tem piorado.

 

Twitter - dilmabr- O gesto, repetido a cada vitória ...

Universidade do governo vai dar aulas de marxismo

Honestamente, essa notícia é de fazer cair o cu da bunda:

O governo federal vai fundar, no primeiro trimestre de 2014, a Universidade do Trabalhador, plataforma de ensino à distância que oferecerá cursos de qualificação profissional tendo como principal meta a “politização” dos trabalhadores. As aulas incluem “marxismo, socialismo e capitalismo”, antecipou o ministro do Trabalho, Manoel Dias, em entrevista ao ‘Estado’.

Para o representante do PDT no Ministério de Dilma Rousseff, os trabalhadores de hoje precisam de uma maior compreensão política. “Estamos vivendo um período de despolitização geral no Brasil, em todas as áreas. Os trabalhadores são peça fundamental na discussão política. Eles são os agentes que constroem com seu esforço, com seu trabalho…”, explica.

A Universidade do Trabalhador vai usar a expertise do Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento, projeto sob a tutela, desde 2004, da Casa Civil, com cerca de 100 mil matrículas. A ideia, porém, é aumentar exponencialmente o atendimento na nova plataforma online de ensino, que terá capacidade técnica de atender simultaneamente até 250 mil pessoas e cerca de 1 milhão de trabalhadores por dia. “Vai ser um negócio grandioso”, garante o ministro. Discute-se, até mesmo, uma internacionalização do programa, que poderia ser acessado em países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Venezuela.

O primeiro convênio foi firmado com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde o catarinense Manoel Dias concluiu o curso de Direito. Segundo o professor João Arthur de Souza, do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, a universidade vai receber R$ 2,5 milhões pelo contrato de dois anos, dinheiro que será usado para pagar bolsas a estudantes e contratar técnicos para o projeto. A equipe responsável pela definição dos novos cursos tem 30 a 40 alunos bolsistas e profissionais de várias áreas, como Psicologia, Pedagogia, Estatística, Computação, Letras, Economia, Sociologia e Administração.

A reportagem é do Estadão, e está na íntegra AQUI.

ISSO É DE LASCAR!

Uma quantidade imensa de brasileiros não sabem ler nem escrever (considerando-se os analfabetos funcionais), não sabe fazer contas, chega numa universidade sem nenhum conhecimento básico, mas agora vai aprender sobre marxismo e socialismo?

Já dá pra imaginar como serão estas aulas, né?! O perfil dos professores, né?! Aqueles seres fedidos da FFLCH, filiados ao PSOL ou ao PSTU…

Vão ensinar que Che Guevara, Stálin, Mao-Tse Tung, Hitler, Pol-Pot e outros genocidas foram responsáveis por tentar melhorar a humanidade implantando aquele regime fantástico chamado socialismo/comunismo, mas foram impedidos por causa dos malvados burgueses capitalistas que queriam oprimir o proletariado.

2014-02-14 17.14.09

 

Como disse Sir Churchill certa vez:

“O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja.”

Um exemplo básico que comprova o que Churchill disse é oferecido pela sempre ignóbil repórter da CacaCaPTal:

Ruralista e socialista

USP caindo (mais) nos rankings internacionais

Essa eu li no Estadão (a íntegra está aqui; abaixo, destaco alguns trechos):

A Universidade de São Paulo (USP) caiu em mais um ranking internacional de universidades. Desta vez, foram ao menos 11 posições na lista que mede a reputação das instituições pelo mundo, publicada pelo Times Higher Education (THE), revista britânica que faz os principais rankings mundiais de ensino superior.

No ranking de reputação de 2014, a universidade ficou na posição 81-90, contra a posição 61-70 no ano passado. Na lista, as universidades são citadas por posição até o 50º lugar e, depois disso, enquadradas em grupos de dez até a 100ª posição.

Embora o desempenho da universidade tenha caído, a USP ainda é a única universidade da América Latina a ser citada. O ranking novamente apontou uma elite mundial de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido que ocupam as dez primeiras posições: Universidade Harvard; Instituto de Tecnologia de de Massachussetts (MIT); Universidade Stanford; Universidade de Cambridge; Universidade de Oxford; Universidade da Califórnia em Berkeley; Universidade Princeton; Universidade Yale; Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech); Universidade da Califórnia em Los Angeles.

O Brasil continua tendo apenas um representante, a USP. Quando se considera o desempenho dos países – apenas 20 foram citados no ranking –, o Brasil está em penúltimo lugar e perde apenas para Israel, país que também só tem um representante, o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), que está nas posições 91-100.

Segundo o editor dos rankings do Times Higher Education, Phil Baty, o Brasil, embora tenha excelência nas pesquisas acadêmicas, tem uma “disseminação de pesquisas que parece estar limitada”. “Nossos dados sugerem que a USP não é bem reconhecida por sua pesquisa de excelência em locais estratégicos e importantes do mundo – especialmente no Leste da Ásia, por exemplo. Isso pode prejudicar a reputação internacional da universidade.”

[…] A USP vem caindo em todos os principais rankings publicados em 2013 e 2014. No último levantamento da Times Higher Education (THE), que levava em conta as 100 melhores universidades do mundo, com critérios como número de pesquisas acadêmicas, proporção de professores para o total de alunos e aulas em inglês, a universidade perdeu posições em relação ao ano anterior – saiu do 158.º lugar, em 2012, para a faixa entre o 226.º e o 250.º lugares em 2013.

Nenhuma universidade brasileira aparece entre as dez melhores no ranking de países emergentes, também produzido pela THE e divulgado no fim de 2013. Novamente a mais bem colocada, a USP ficou na 11.ª colocação. Em outro ranking, o Quacquarelli Symonds University (QS) sobre universidades dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ela aparece em 8.º lugar. Na comparação entre países, o Brasil tem a 3.ª posição, com 17 instituições entre as top 100, atrás de China, com 40, e Rússia, com 19. Já no ranking geral do QS, a universidade aparece em 127º lugar e MIT, Harvard e Cambridge ocupam os três primeiros lugares, respectivamente.

 Convenhamos: isso não chega a ser uma surpresa.

A educação no Brasil está piorando a olhos vistos. Quem leciona sabe disso.

Eu vejo, no ensino superior, que os alunos estão piores a cada ano. Quando pego turmas de 1.o semestre na graduação fico assombrado com o baixíssimo nível – e isso vem desde o ensino básico. Antes de começar a lecionar o conteúdo da disciplina propriamente dito, me vejo obrigado a ensinar como fazer um resumo ou uma resenha, ensinar gramática, ortografia, lógica etc… Vejo gente semi-alfabetizada nas universidades, cujos processos de admissão estão cada vez piores.

E vejo o mesmo problema na pós-graduação – isso vale para MBA, especialização etc. Basta o sujeito entregar cópias dos documentos e está matriculado!

Por enquanto, alguns processos seletivos para mestrado e doutorado AINDA podem ser chamados de processo seletivo – ou seja, recusam alunos. O resto, virou Brasil!

educacao_piada

Infelizmente, não vejo nenhum indício de qualquer mudança nesta tendência futuramente.