JOSÉ DIRCEU: mentir e deturpar fatos é um hobby !

José Dirceu é, sem dúvida, em escroque da pior espécie.

Estava, há pouco, vasculhando alguns blogs e sites, para verificar a repercussão da entrevista do ex-Primeiro Ministro lullista. Acabei, é claro, chegando ao blog do próprio ex-Primeiro Ministro. Li alguns posts, e acabei chegando a alguns que por pouco não me fazem vomitar – mas decerto ajudam a reforçar a ojeriza que nutro por aquele bandido.

No dia 19/12/2007, ao final de um post, o ex-Primeiro Ministro cassado conclui, ao mencionar a cobertura feita pela Folha de São Paulo para dados econômicos mundiais (que merecem um post exclusivo), que Se os fatos não coincidem com a opinião e a vontade dos editores, pior para os fatos. Entende-se, pois, que o ilustríssimo ex-Primeiro Ministro classifica a Folha de São Paulo como um jornal que distorce os fatos para conseguir, afinal, fazer valer a opinião dos editores.

Exatamente o mesmo procedimento adotado pelo bandido José Dirceu !!!!!

No mesmo dia 19/12/2007, o ilustríssimo ex-Primeiro Ministro cassado respalda-se em matérias da mesma Folha de São Paulo para criticar a postura do governador tucano José Serra em relação a um caso de tortura policial ocorrida em Bauru.

Ora, se a Folha de São Paulo é um jornal que, segundo José Dirceu, distorce fatos para fazer prevalecer a opinião dos editores, por que cargas d´água ele usa a mesmíssima Folha de São Paulo para criticar o tucano ????

Será que não haveria uma fonte mais confiável (e menos “golpista”) para que o digníssimo ex-Primeiro Ministro utilizasse ?

Em tempo: a própria Folha de São Paulo corrigiu as matérias que afirmavam que o governador não fizera comentários sobre o caso de tortura. Isso, obviamente, o ex-Primeiro Ministro não registrou…….

Claro !!!!!!!!

Todo PTista, naturalmente, critica os jornais e revistas quando eles falam mal do PT. Mas quando o “alvo” das críticas é um dos inimigos do PT, aí é plausível recorrer ao mesmo jornal ou revista para criticar também……

O que me remete à (Revista) Veja e o caso Fernando Collor de Mello: lá no blog do PTralha Dirceu, em diversos posts a revista é chamada de golpista. Mas anos atrás, quando a Veja engrossou o coro que ajudou a derrubar Collor, o PT (José Dirceu incluso) cansou de citar as matérias da Revista para embasar acusações e gritarias……

CONVENIÊNCIA E HIPOCRISIA. SÓ.

Em tempo: é divertido ler as bobagens escritas AQUI. Decerto de autoria de um socialista-ameba de terceira categoria, demonstra a imbecilidade de sempre atribuir tudo de ruim “à zelite”….. Mas é engraçado ler a deferência do autor ao Rei Mulla…… Quem lê aquilo pode acabar achando que Rei Mulla é de um brilhantismo intelectual ímpar – o que, convenhamos, é uma boa inspiração para alguma pegadinha de primeiro de abril……

Para compensar, vale a leitura AQUI.

E, para rir da incoerência que marca a cambada PTista, um artigo assinado pelo ex-Primeiro Ministro que consegue usar benéfices do capitalismo para, pretensamente, exaltar um comunista histórico, AQUI. Diversão pura !!!!!

Margaridas, mentiras e bobagens

Na retrospectiva de 2007 que comecei a fazer anteontem, achei algumas coisas interessantes. Tentarei tratar de todas, ou pelo menos das mais pitorescas e interessantes.

Começo pelo mês de Agosto de 2007. Mais especificamente, pelo dia 22/08/2007.

Trabalhadoras rurais tomaram conta da Esplanada dos Ministérios, em Basília, nesta quarta-feira (22). A Marcha das Margaridas começou cedo. A organização estima que 35 mil pessoas participam da marcha, mas segundo a polícia militar, seriam 14 mil. As principais avenidas do centro da capital foram fechadas – causando engarrafamentos de vários quilômetros nas ruas da cidade. Esta é a terceira vez que as trabalhadoras rurais marcham em Brasília. A manifestação faz parte do dia de luta pelo direito das trabalhadoras rurais. Ainda nesta quarta-feira (22) às 12h30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá um encontro no Parque da Cidade com representantes da marcha.

A notícia na íntegra está AQUI. O discurso proferido pelo magnânimo Rei Mulla está AQUI. Mas o meu interesse não é na notícia em si, nem no discurso (de resto, vazio e demagógico, como de regra) do onipotente Rei Mulla.

O mais interessante é que o (des)governo PTista negou que tivesse financiado a tal “Marcha das Margaridas”. Interessante, antes de mais nada, um pouco de didatismo: a “Marcha das Margaridas” é um evento (se é que o termo pode ser usado) promovido pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). A Contag é, vejam que coincidência, entidade-irmã do MST……. Por pura coincidência, há um nome que relaciona a Contag, a CUT e o PT, diretamente: Carmen Helena Foro. Ela é a coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag e vice-presidente da CUT – o braço sindical do PT. No discurso do onipotente Rei Mulla, inclusive, ela é citada com bastante freqüência….
O (des)governo do PT, portanto, teve o maior interesse em liberar a bagatela de R$ 114.008,16 para ajudar a financiar o evento. Dinheiro público aplicado numa ação de cunho privado da CUT – que DEVERIA ser completamente independente. Para verificar o apoio financeiro (nada desprezível, registre-se), recorro à Controladoria Geral da União, AQUI.

Este é o PT que diz defender a ética, a moralidade ?

Ou é o PT formado por bandidos, mentirosos, seqüestradores, mal-intencionados, mau-caráteres, hipócritos e incomPTentes ?

Ou isso tudo é a mesma coisa ?????

Retrospectiva

Não é preciso dizer nada………Rei Mulla fala por si só.

“Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante.”
Citando música de Raul Seixas, para explicar por que queria tanto a CPMF, tributo que combateu quando estava na oposição (dezembro)

“Eu fico imaginando que, se aceitar a diminuição da idade para 16 anos, amanhã vão pedir para 15, depois para 9, depois para 10, quem sabe algum dia queiram punir até um feto.”
Sobre a redução da maioridade penal (fevereiro)

“Certamente o embaixador russo recebeu a notícia e certamente mandou para o presidente Putin, e certamente o Putin ficou meio putin com o Brasil.”
Sobre denúncias de que frigoríficos brasileiros pagariam suborno a autoridades russas visando a exportar carne para aquele país (março)

“É necessário caminhar mais para que Brasil e Estados Unidos cheguem ‘ao ponto G’ das negociações.”
Recebendo o colega George W. Bush (março)

“Você não governa com principismo. Principismo você faz no partido quando pensa que não vai ganhar as eleições nunca.”
Explicando, mais uma vez, por que mudou de opinião sobre a CPMF (setembro)

“É preciso melhorar a massa encefálica dentro do cérebro para as pessoas compreenderem que as mulheres devem ser respeitadas.”
No Dia Internacional da Mulher (março)

“Para fazer saneamento básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco.”
Dando aula de engenharia (agosto)

“Eu tenho medo de andar de avião. Ando porque sou obrigado. Se a pessoa já tem medo, chega no aeroporto, a tensão é elevada à quinta potência, por ter atraso dos vôos, por não ter as informações corretas, a pessoa fica à beira do infarto.”
Em pleno apagão aéreo (abril)

“Daqui a alguns dias vou encontrar o meu amigo Bush e vou dizer a ele: Bush, resolve o problema da crise, porque não vamos deixá-la atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil.”
Em visita à Espanha (setembro)

“Eu sou contra greve de fome, mas já fiz greve em 80, quando estava preso. Fiquei seis dias de greve, tomava água com sal. Dá uma fome…”
Comentando a greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio contra as obras de transposição das águas do rio São Francisco (dezembro)

Marketing DE QUALQUER COISA

Como leitor assíduo da coluna do José Simão na Folha de São Paulo, vou me permitir iniciar, em 2008, uma campanha “anti-modismo” no Marketing.
O “Macaco Simão” tem a “mesopotâmica campanha anti-tucanês”.
Eu estou criando a “campanha anti-modismo imbecilizante no marketing“.

Por quê ?!
Explico……….

Tenho que me conter para não achar que o mundo está completamente perdido.
Agora, além do “marketing pessoal” que vi e discuti numa comunidade do Orkut (aqui), leio num outro tópico, da mesma (ótima) comunidade do Orkut que existe uma diferença entre MARKETING EDUCACIONAL e MARKETING NA EDUCAÇÃO. Assim como, pelo lido na comunidade, há uma diferença enooooorme entre MARKETING ESPORTIVO e MARKETING PARA O ESPORTE; e, CLARO, há diferenças fenomenais entre MARKETING POLÍTICO e MARKETING ELEITORAL.

Era só o que me faltava…….!!!!!

Vamos, então, às “diferenças” (transcritas do original, aqui):
MKT EDUCACIONAL é quando você “vende” uma instituição para seus stakeholders no intuito de fortalecer a marca da instituição para diversas ações estratégicas, por exemplo angariar recursos privados como acontece nos EUA, atração de mídia expontânea, entre outras. MKT na EDUCAÇÃO é a aplicação endo do conceito entre seus alunos, professores, diretores, serventes, vigilantes,porteiros… Podendo, inclusive, refletir benéfica ou maléficamente no MKT EDUCACIONAL citado anteriormente.

Ah, tá ! Então, seguindo esta “linha de raciocínio” (se é que pode ser chamada assim!), os alunos, professores, diretores, serventes, vigilantes, porteiros e demais funcionários de uma instituição de ensino não são “stakeholders” ????
Sim, porque a “definição” (?) de MARKETING EDUCACIONAL menciona os stakeholders, mas, aparentemente, a única diferença é que o MARKETING NA EDUCAÇÃO é voltado exclusivamente aos funcionários……. Então professores, alunos, porteiros e afins não são stakeholders.

Provavelmente em breve teremos mais “sub-divisões” escabrosas:
MARKETING EDUCACIONAL DOCENTE
MARKETING EDUCACIONAL DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS
MARKETING EDUCACIONAL DISCENTE
MARKETING EDUCACIONAL DE SECRETARIA, LANCHONETE E ESTACIONAMENTO
Todos, obviamente, são diferentes tipos de Marketing, né ?!

Quanta bobagem um ser humano consegue produzir sem estar no PT, hein ?!
Pelo visto, “o céu é o limite”…….

Volto a perguntar: qual a diferença entre o marketing que se aplica numa escola secundária, numa faculdade, numa clínica ortopédica, num hospital de ponta, num supermercado ou numa montadora de automóveis ?
NENHUMA.
E eu me refiro a diferenças, não às particularidades de cada setor !!!!! Até porque nas teorias clássicas de Marketing, há conceitos e ferramentas capazes de lidar perfeitamente com estas peculiaridades – sem precisar mudar o “nome” do marketing.

Portanto, não é razoável dizer que existam diferentes tipos de marketing conforme o marketing seja aplicado em diferentes tipos/naturezas de empresas. Assim, “marketing bancário” é um termo vazio, pois não há RIGOROSAMENTE NENHUMA diferença entre o marketing aplicado em bancos e o marketing aplicado em empresas comerciais (varejo e atacado).

Se houvesse, teríamos:
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA
MARKETING DE COMÉRCIO ATACADISTA
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA DE ROUPAS E CALÇADOS
MARKETING DE COMÉRCIO ATACADISTA DE ROUPAS E CALÇADOS
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL E BELEZA
…….e por aí vai !!!!!!!

Não há diferenças entre os conceitos, independentemente do setor econômico no qual ele seja aplicado !!!!
Mas, ao invés de aceitar isso, muita gente prefere criar estas terminologias MALUCAS, que não fazem nenhum sentido……. Já vi gente se dizendo “especialista” em marketing jurídico…. !!!!!!
Oras, o que difere um especialista em marketing de um “especialista em marketing jurídico” ?!
Não existe “marketing jurídico” – portanto, não pode haver um “especialista em marketing jurídico” !!!!!!!

Esses modismos vazios só ajudam a espalhar uma imagem falsa do trabalho REAL dos profissionais de marketing.
E os BONS profissionais de marketing acabam prejudicados, porque “marketing” vira sinônimo de “enganação” ou qualquer coisa do gênero……

Blue moon

O recesso de Ano Novo me pegou de jeito……. Estou reunindo algumas frases de 2007 que retratam perfeitamente a Casa da Mãe Joana chamada Brasil em que vivemos.

Mas, antes disso, e aproveitando este período de re-avaliar o passado para planejar o futuro, um “descanso”…….

CPMF: mais mentiras caem

Nas diversas tentativas de prorrogar a cobrança da CPMF, este (des)governo PTista-PaTético desfilou inúmeras mentiras travestidas de argumentos.

A notícia abaixo derruba mais um (e tantos já caíram antes !!!!), e foi extraída do Portal G1 (AQUI, na íntegra)

Com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo criou nesta sexta-feira (28) outro instrumento de fiscalização com base na movimentação financeira dos contribuintes. A Receita Federal baixou norma exigindo que as instituições financeiras repassem ao fisco informações semestralmente sobre as operações financeiras que ultrapassem a cada semestre R$ 5 mil realizadas por clientes pessoa física. As informações de operações feitas por empresas terão que ser encaminhadas quando ultrapassarem R$ 10 mil. A regra vale para cada modalidade de operação financeira. Os bancos terão que identificar os titulares das operações pelo número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Apesar da obrigação de envio das informações ser semestral, as movimentações terão que ser discriminadas mês a mês.

A norma foi estabelecida com base na Lei Complementar 105, que trata do sigilo das operações de instituições financeiras, para criar outro instrumento de fiscalização. A medida vale a partir de janeiro de 2008, quando a CPMF não poderá mais ser cobrada. Uma das principais armas do Fisco para pegar sonegadores, a CPMF garantiu nos últimos 5 anos que R$ 41 bilhões fossem cobrados de empresas e pessoas físicas que sonegaram ou pagaram indevidamente seus impostos. A decisão da Receita dá munição a vários críticos da CPMF, para quem sua prorrogação não era necessária nem mesmo para fiscalização. Durante as negociações para prorrogar o tributo, seu caráter fiscalizador foi sempre levantado como prioritário pelo governo.

Mais e mais mentiras da PTralhada caem, dia após dia……

Presentes de Natal

Aqui tomo a liberdade de oferecer alguns presentes de Natal……..

Cartinha pro Papai Noel

E, inspirado pelas boas gargalhadas proporcionadas pelo (sempre) excelente site KibeLoco, mais uma:

Peggy Sue: mais uma vez, o passado assombra o presente (2)

O PT não é um partido político, e sim uma agremiação de bandidos, farsantes, mentirosos, hipócritas.

O PT fez um escândalo para exigir “direitos humanos” para os bandidos que seqüestraram Abílio Diniz, no final da década de 1980. Eduardo Suplicy foi um dos mais proeminentes membros do PT que esteve na mídia, fez discursos e tentativas de interceder no processo judicial envolvendo seqüestradores (não apenas do Abílio Diniz, mas do Washington Olivetto, sem falar nas suas ridículas incursões junto ao MST).

Seqüestradores são bandidos, foras-da-lei. PTistas também. Por isso tentam se proteger, se ajudar.

O que me traz isso à tona ? A ridícula greve de fome que um padreco fez, recentemente, para tentar impedir a transposição do Rio São Francisco. Por mim, o maldito padreco poderia seguir na sua ridícula greve de fome até morrer (assim como o Anthony Garotinho, que definitivamente deveria ter levado a sua greve de fome até o fim), mas o circo midiático gerado pelo padreco (outro grupo intimamente ligado ao PT, e que ADORA defender bandidos, sempre entoando palavras de emanação dos Direitos Humanos – que, de resto, parecem existir apenas para os bandidos defendidos pela podre e escroque igreja católica) fez que eu lesse uma notícia que me levou diretamente às mentiras, hipocrisia e falsidade do PT e de seu mentor-mor, Rei Lulla:

Em 15 de dezembro de 1998, o então presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou os condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz, que completavam 30 dias de greve de fome, e fez um apelo ao presidente Fernando Henrique Cardoso para que atendesse às reivindicações dos presos.
“Acredito que poderia haver uma atitude humanitária dele”, disse Lula: “Acredito que eles não são bandidos comuns e podem se reabilitar no país deles”. Em 24 de dezembro, Lula voltou a visitar os presos e fez novo apelo: “Não é saudável para o presidente carregar o peso da morte desses presos”.
A greve dos condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz foi a mais longa que se tem notícia no Brasil: ela durou 46 dias em 1998. Condenados a penas que variavam de 26 a 28 anos, os presos (cinco chilenos, dois canadenses, dois argentinos e um brasileiro) diziam que a ação era política e se destinava a levantar recursos para a guerrilha de El Salvador.
Em 13 de abril de 1998, os dez entraram em greve de fome para exigir que fossem indultados ou expulsos. Essa greve demorou 16 dias, após promessa de revisão dos processos. Eles retomaram a greve em 16 de novembro. Dois canadenses foram repatriados, e os demais encerraram a greve em 31 de dezembro, com a expulsão dos cinco chilenos.

O texto acima foi publicado pela Folha de São Paulo, no dia 20/12/2007 (página A-6).

Engraçado relembrar esse passado…….. Aquele pessoal que acreditava (ou AINDA acredita ?????) no PT com a esfarrapada desculpa da ideologia (para não assumir a pura e simples ignorância) deve estar se revirando de ódio no túmulo……

Então antigamente o PT apoiava esse gesto ridículo de greve de fome como parte do joguinho de cena para ludibriar a opinião pública ?

Mas hoje, no poder, o PT é contra ????????

Santa conveniência, Batman !!!!!!!!

Marketing ambiental — ou propaganda enganosa ?

SEGURO CARBONO NEUTRO: este é o nome de um novo produto lançado pelo banco HSBC no Brasil, o primeiro “ambientalmente correto” do banco inglês no país. O banco investiu R$ 3,5 milhões no produto em si, mas reservou o DOBRO deste valor (R$ 7 milhões) para divulgá-lo (a matéria completa está no Guia EXAME de Sustentabilidade 2007, que circulou em Dezembro/07, disponível AQUI). O banco criou um site para associar sua imagem à preservação ambiental (AQUI), e foram criadas peças promocionais caras e inusitadas (como enviar via mala-direta com um pote de sementes, anúncios em mídia impressa, televisão e rádio) para promoção do novo produto. Se uma empresa gasta mais na divulgação de um produto do que no produto em si, via de regra, é porque o produto não presta. Se o produto fosse bom por si só, não demandaria investimentos tão vultosos em promoção.

Não tenho absolutamente nada contra investimentos em promoção e comunicação — muito pelo contrário !!! Porém, quando vejo uma empresa investindo muito mais (o dobro, para ser exato) na promoção do que no produto em si, minha primeira conclusão é que o produto é uma porcaria e a própria empresa acha isso — daí o receio e a precaução em separar uma verba maior para a propaganda do que para a melhoria do produto em si. Obviamente, este raciocínio vale para produtos e serviços, como é o caso do seguro do HSBC.

Isto me leva à segunda questão envolvida: cada vez mais os temas ligados à “responsabilidade social” ou “responsabilidade sócio-ambiental” vêm ganhando espaço em publicações diversas, e me parece que muita gente acha (e escreve) que este é o assunto do momento. Por definição, acho isso uma besteira. Mas o ponto central, aqui, é outro — qual seja: se, como muitos advogam, os consumidores estão realmente interessados em adquirir produtos e serviços que tenham este lastro de “socialmente ou ambientalmente responsáveis”, por que investir tanto em promoção e comunicação do tal seguro ligado à proteção ambiental ?
Se metade do que se fala sobre a preocupação com o meio ambiente fosse verdade, o HSBC poderia economizar os R$ 7 milhões: o seguro venderia como água gelada no deserto. Se, como dizem por aí muitos auto-intitulados “experts” em sustentabilidade e temas afins, o consumidor estivesse realmente preocupado em proteger o meio-ambiente — inclusive pagando mais caro por isso — , as outras seguradoras estariam arrancando os cabelos de preocupação.

Obviamente, a realidade é muito diferente.

Quando vejo alguém enchendo a boca para falar do “marketing ambiental”, ou “marketing verde” ou qualquer outra designação estapafúrdia — conquanto grandiloqüente e pomposa — do gênero, calafrios percorrem minha espinha: vou acabar ouvindo alguma besteira. Pois é….. Ainda não existe uma única pesquisa séria que consiga correlacionar algumas variáveis capazes de comprovar que o consumidor esteja de fato disposto a pagar mais ou abrir mão de alguns confortos e mordomias em prol da sustentabilidade. Há exceções, claro — como em qualquer regra ! Porém, são nichos de mercado restritos, diminutos.
Não tenho nada contra a preservação ambiental, mas daí a ter este comportamento esquizofrênico e dizer que atualmente TUDO gira em torno do tema, já é demais !!!!

Para citar um outro exemplo, do mesmo setor bancário, vou recorrer ao Banco ABN Amro-Real. Sou cliente do Banco Real desde antes da sua compra pelo holandês ABN, e sempre gostei do banco. É uma empresa tida como “elitista”, por ter clientes com renda mádia superior aos bancos maiores (Bradesco, Itaú etc). Bom, nos últimos anos o Real também tem investido (de forma consistente, regular, registre-se) para associar sua imagem à questão da sustentabilidade. Porém, como cliente, me senti um otário por causa disso.
Explicando: há alguns anos o Real já usa papel reciclado em tudo — extratos, mala-direta, correspondências, folders, talões de cheque etc. Quando ele adotou esta norma, investiu pesadamente na promoção e comunicação da novidade. Ok, nada mais natural. Contudo, uma ressalva: o cliente jamais foi consultado sobre esta mudança, e muito menos sobre o impacto econômico que ela acarretou — as tarifas subiram de forma acentuada. Certamente para cobrir o aumento das despesas com papel reciclado (mais caro do que o “normal”, ainda mais naquela época).

Só um detalhe: os clientes não tiveram nenhuma escolha !!!!

Que tal se o banco verificasse, primeiramente, se os clientes estariam dispostos a pagar mais tarifas para cobrir as maiores despesas com as ações “ambientalmente responsáveis” do banco ? Afinal, o cliente não está no centro das preocupações das empresas ? Elas não devem, como “reza a lenda”, pesquisar e entender seus clientes ? Pena que eles sequer foram ouvidos… Foram comunicados que receberiam talões de cheque em papel reciclado (que, convenhamos, têm um aspecto bem inferior ao papel tradicional) e posteriormente foram “premiados” com tarifas mais elevadas.

Assim, sou levado a crer que o cliente perdeu a vez. Agora o que importa é parecer ambientalmente responsável, não importando quais meios se utilizem para tal. Se houver prejuízo aos clientes, que se danem ! O importante é investir na comunicação que associe sua empresa à causa ambiental — mesmo que este investimento na promoção seja o dobro do investimento em melhorias nos produtos e serviços…..
Quero ver as empresas passarem a destinar uma parcela de seus lucros líquidos para investir em causas “ambientais”….. Não vale tirar do lucro bruto, antes da incidência de impostos — quero ver estas empresas que falam em “marketing ambiental” reduzirem seus lucros e dividendos dos acionistas para sustentar a causa.
Caso contrário, não é marketing ambiental coisa nenhuma. É propaganda enganosa.

PS – Recentemente (inclusive aproveitando o descanso deste período natalino), li muitos artigos, informações e análises interessantes sobre a questão bancária, que trato com certa freqüência neste blog. Destaco duas: AQUI e AQUI. Valem a pena pela leitura….. E AQUI o presidente do HSBC trata de pontos interessantes….Pura coincidência: quando escrevi o texto acima, tratando do HSBC, esta entrevista não havia sido publicada…..