Eric Hobsbawm e Luciano Huck

O artigo é do Nelson Ascher, e foi publicado na Folha em 08/10/2007:

Entre Hobsbawm e Huck

A NENHUM ideário se aplica tão bem a analogia com o tempo verbal chamado futuro do pretérito como ao comunismo, que, sempre dependendo do porvir, pagava os desastres presentes com os cheques pré-datados (e frios) da utopia. Daí que não exista situação mais embaraçosa para um comunista do que a longevidade. Este é o caso do historiador comunista (desculpem o oxímoro) Eric Hobsbawm, cuja entrevista a Sylvia Colombo foi publicada recentemente na Folha.

Filiado ao Partido Comunista britânico desde a juventude, o “historiador” já colocara sua pena servil ao serviço deste em 1940, escrevendo com Raymond Williams um infame panfleto pró-imperialista defendendo a invasão da Finlândia pela URSS. Ele justificava sua escolha como a única possível diante da ameaça nazista. Só que, se era tão antinazista, por que continuou a apoiar os soviéticos entre 39-41, quando estes eram os mais importantes aliados da Alemanha? Por que não abandonou o partido para apoiar o país que estava combatendo o Terceiro Reich, isto é, o seu?

Hobsbawm gosta de repetir que foram antes os intelectuais do bloco soviético, não o povo, que se desencantaram com o comunismo. Se o diz, contudo, é porque, como bom intelectual, passou a vida falando de preferência com outros intelectuais. Caso contrário, saberia que, desde seu estabelecimento, não houve no mundo sistema mais desprezado e odiado por suas vítimas, as pessoas comuns. Mesmo o nazismo foi mais popular, pelo menos entre os alemães e enquanto a guerra lhes parecia favorável.

É fácil entender as razões pelas quais nosso ideólogo abandonou os ares de historiador e preferiu dedicar-se à futurologia, prevendo a queda iminente de um tal de império americano. Está certo ele: nada no passado saiu como imaginara (ou desejara) e, assim, aos 90 anos de idade, é mais seguro discorrer sobre o que não irá testemunhar. Seu problema, contudo, é o seguinte: se não conseguiu antever nem aceitar o desmoronamento, em menos de três gerações, de um império territorial, o soviético, e se tampouco é capaz de compreender que o verdadeiro imperialismo de nossos tempos é o islâmico, por que alguém perderia tempo com ele em seu papel de Cassandra?

Seja como for, um mérito seu deve ser reconhecido. Como velho marxista, ele não manifesta simpatia pelo desvario teocrático-político. Já seus discípulos têm menos escrúpulos e, especialmente no Reino Unido, acreditam que em sua aliança com as lideranças e massas islamizadas está a chave para a revolução antiimperialista.

Se o comunismo foi um dia a aspiração prometéica de transformar o mundo sobre os ossos de cadáveres, hoje em dia ele não passa de um reacionarismo desorientado e rancoroso, cioso de cada detrito de sua mitologia kitsch (como Che Guevara) e sempre acreditando que “quanto pior, melhor”. Isso é o que transparece em reações a um artigo que, a respeito do assalto que sofrera nos Jardins, o apresentador de TV Luciano Huck publicou, na semana passada, na seção “Tendências/Debates”.

O tom das respostas negativas era o de que um brasileiro que não seja “excluído” não tem direito nem aos benefícios da cidadania, nem à proteção das leis nem sequer à solidariedade. Está proibido até de reclamar. Segundo aquelas, caso alguém pertença à “elite”, mesmo que pague impostos e não cometa crimes, tem é que morrer, salvo, talvez, se ingressar no PT. Também quem mandou Huck violar o tabu e afirmar o óbvio, que lugar de bandido é na cadeia? Não cai bem dizer que é graças ao aumento da população carcerária que, nos últimos anos, a criminalidade caiu dois terços em São Paulo.

Há, todavia, um paradoxo que torna ainda mais estranho o contexto dessa história. O que distingue os esquerdistas das pessoas normais e racionais é o fato de que aqueles são avessos à iniciativa privada, achando que tudo deve ser confiado ao grande benfeitor, o Estado. Tudo, sim, com uma exceção: a violência. Quando se trata desta, o Estado (se é de direito e democrático) nunca pode usá-la legitimamente, mas, se forem indivíduos que recorrem a ela, então é permitida e até desejável, sobretudo no caso de bandidos e terroristas. A violência boa, para essa gente, que provavelmente aprova Hobsbawm e desaprova Huck, é a do free-lancer, exceto quando o Estado é revolucionário e perpetra uma violência idem. Execução em massa de opositores políticos, tudo bem; prisão para bandidos, não.

Pois é…….

Peggy Sue: mais uma vez, o passado assombra o presente (2)

O PT não é um partido político, e sim uma agremiação de bandidos, farsantes, mentirosos, hipócritas.

O PT fez um escândalo para exigir “direitos humanos” para os bandidos que seqüestraram Abílio Diniz, no final da década de 1980. Eduardo Suplicy foi um dos mais proeminentes membros do PT que esteve na mídia, fez discursos e tentativas de interceder no processo judicial envolvendo seqüestradores (não apenas do Abílio Diniz, mas do Washington Olivetto, sem falar nas suas ridículas incursões junto ao MST).

Seqüestradores são bandidos, foras-da-lei. PTistas também. Por isso tentam se proteger, se ajudar.

O que me traz isso à tona ? A ridícula greve de fome que um padreco fez, recentemente, para tentar impedir a transposição do Rio São Francisco. Por mim, o maldito padreco poderia seguir na sua ridícula greve de fome até morrer (assim como o Anthony Garotinho, que definitivamente deveria ter levado a sua greve de fome até o fim), mas o circo midiático gerado pelo padreco (outro grupo intimamente ligado ao PT, e que ADORA defender bandidos, sempre entoando palavras de emanação dos Direitos Humanos – que, de resto, parecem existir apenas para os bandidos defendidos pela podre e escroque igreja católica) fez que eu lesse uma notícia que me levou diretamente às mentiras, hipocrisia e falsidade do PT e de seu mentor-mor, Rei Lulla:

Em 15 de dezembro de 1998, o então presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou os condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz, que completavam 30 dias de greve de fome, e fez um apelo ao presidente Fernando Henrique Cardoso para que atendesse às reivindicações dos presos.
“Acredito que poderia haver uma atitude humanitária dele”, disse Lula: “Acredito que eles não são bandidos comuns e podem se reabilitar no país deles”. Em 24 de dezembro, Lula voltou a visitar os presos e fez novo apelo: “Não é saudável para o presidente carregar o peso da morte desses presos”.
A greve dos condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz foi a mais longa que se tem notícia no Brasil: ela durou 46 dias em 1998. Condenados a penas que variavam de 26 a 28 anos, os presos (cinco chilenos, dois canadenses, dois argentinos e um brasileiro) diziam que a ação era política e se destinava a levantar recursos para a guerrilha de El Salvador.
Em 13 de abril de 1998, os dez entraram em greve de fome para exigir que fossem indultados ou expulsos. Essa greve demorou 16 dias, após promessa de revisão dos processos. Eles retomaram a greve em 16 de novembro. Dois canadenses foram repatriados, e os demais encerraram a greve em 31 de dezembro, com a expulsão dos cinco chilenos.

O texto acima foi publicado pela Folha de São Paulo, no dia 20/12/2007 (página A-6).

Engraçado relembrar esse passado…….. Aquele pessoal que acreditava (ou AINDA acredita ?????) no PT com a esfarrapada desculpa da ideologia (para não assumir a pura e simples ignorância) deve estar se revirando de ódio no túmulo……

Então antigamente o PT apoiava esse gesto ridículo de greve de fome como parte do joguinho de cena para ludibriar a opinião pública ?

Mas hoje, no poder, o PT é contra ????????

Santa conveniência, Batman !!!!!!!!