IPEA, Petrobras e Embrapa aparelhadas pelo PT: eu avisei

Há muito tempo eu venho alertando sobre o aparelhamento do Estado promovido pelo PT.

Nas últimas semanas, esse assunto veio à tona de forma ainda mais clara, e o que vimos foi o IPEA divulgando uma pesquisa COMPLETAMENTE EQUIVOCADA, com erros crassos de metodologia e análise; fatos sobre a Petrobras que ajudam a entender a estagnação da empresa; e, para finalizar o estrago, novos fatos sobre a Embrapa.

O arquivo do blog não me deixa mentir: EU AVISEI.

Venho escrevendo sobre isso há tempos.

Especificamente sobre a Petrobras, eu escrevi AQUI, AQUI, AQUI (neste post, aliás, há diversos dados para quem deseja entender um pouco melhor o setor), e mais AQUI e AQUI, para citar apenas alguns posts (há muitos outros, basta fazer a busca na ferramenta do blog, na coluna lateral).

Eis aqui alguns trechos de artigo publicado na revista Forbes sobre a Petrobras (a íntegra está aqui):

Petrobras’ problems are becoming Dilma’s problems.

Brazil’s oil and gas major, Petrobras, can do no right. And now President Dilma Rousseff is being blamed for the problems. Of course, she is being blamed by politicians who don’t want to see her re-elected in October. They probably won’t succeed at dethroning her, but one thing is certain: the deterioration of the shining star of Brazil’s state owned enterprises happened on her watch. This election season, Dilma isn’t the only one in the cross hairs. Petrobras is now her problem, too.

Not long ago, as in 2007, Petrobras was heralded as the Latin America Aramco, finding oil deep under the ocean floor far off the coast of Rio and São Paulo states. Goldman Sachs once put a $60 price target on the stock in early summer 2008. Today, Petrobras shares trade under $12, and its market cap is smaller than Colombia’s EcoPetrol EcoPetrol.

Over the last several weeks, Petrobras has been inundated with allegations of corruption. Chalk it up to the election cycle, but bad news has sprung a leak in the state energy giant. It’s going to get worse before it gets better.

The Federal Police have around five investigations out on Petrobras, not to mention one at the Congressional Budget Office in Brasilia. The crises goes beyond politics, though, and hits where investors feel it most. The company has lost 51% of its market cap in the last three years and is now valued at $75.5 billion.

Last year, Petrobras’ debt load hit $22 billion, a 30% increase from 2012 levels. Petrobras’ high debt caused the company’s fiscal counsel to warn executives of a possible credit rating downgrade. Petrobras is investment grade. Ratings downgrades mean higher risk premiums, which makes it more expensive for a company to borrow.

It’s one thing if the debt was soundly acquired. Most of it was, of course. But some of the debt was seen as possibly being siphoned off by unscrupulous technocrats at Petrobras through acquisition deals gone wrong.

One of the biggest problems at Petrobras today is the nearly $1 billion it paid for the Pasadena refinery in Houston in 2006, a deal that the government admits was improperly handled by the company. Two years prior, the same refinery was sold to Belgium firm Astra Oil for less than $50 million, Estado de São Paulo newspaper reported on Sunday. Even Dilma said this week that Petrobras failed on its due diligence to acquire the refinery, which they are currently trying to sell, undoubtedly at a loss. Unfortunately for her, she was a member of Petrobras’ Board of Directors at the time of the purchase.

On Friday, one of Petrobras’ former executive directors, Paulo Roberto da Costa, was arrested by Federal Police on allegations of money laundering while at the company. Costa was in charge of the Pasadena deal. Government entities overpaying for goods and services is a classic way politicians and well-connected executives can steal from the state.

Dilma was the hand-picked successor of Brazil’s most popular president since the dictatorship years, Luiz Inacio Lula da Silva. He put her in charge of the Ministry of Mines and Energy, before moving her to his Chief of Staff and setting her up to take over where he left off in 2009. The ex-leftist guerrilla leader was more activist than oil woman, but Petrobras was never viewed as a traditional corporation, not in Brasilia and not by the market. Petrobras is more of a policy tool of the government. And now, it appears that it has been used as a cash account for some people inside the firm if investigations turn out negative for Petrobras.

[…] Petrobras is one of the worst performing large caps on the Brazilian stock exchange, down 15.89% year-to-date. The MSCI MSCI Brazil is down 6.75%. Ecopetrol is down just 2.96%.

Mas não é necessário recorrer àquilo que a imprensa internacional vem escrevendo: tanto a Veja quanto a Época desta semana têm um assunto de capa em comum – a Petrobras.

Não li a matéria da Época, mas a da Veja é um verdadeiro escândalo. E uma coisa me chamou a atenção: a reportagem da Veja traz um quadro comparativo de alguns indicadores da Petrobras e da EcoPetrol colombiana, também mencionada pela matéria da Forbes. A comparação entre as duas é outro escândalo:

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Peço ao leitor que repare nos dados do quadro comparativo acima. Vou destacar alguns números ESCANDALOSOS:

1) Veja bem, caro leitor, a diferença na produção diária de cada uma das empresas: enquanto a EcoPetrol produz “apenas” 612 mil barris, a Petrobras produz 1,93 milhão. Mas o valor de mercado das 2 empresas é MUITO próximo. Porém, o maior escândalo está na antepenúltima linha: RENTABILIDADE. A rentabilidade da Petrobras é RIDICULAMENTE BAIXA (6,7%) diante da rentabilidade da EcoPetrol (19%).

2) EFICIÊNCIA: a diferença neste índice é um verdadeiro escândalo. A EcoPetrol produz, por funcionário, mais do que o dobro da Petrobras (2,3 vezes para ser exato).

É preciso lembrar que este setor é intensivo em capital, e ganhos de escala são essenciais. Ainda assim, a Petrobras é muito maior do que a EcoPetrol, operacionalmente falando, mas produz menos (índice de eficiência, ou seja, barris produzidos por dia, por funcionário) e tem uma rentabilidade 2,8 vezes MENOR do que a petroleira colombiana.

3) Na última linha do quadro, vemos um problema criado pela burrice (aliada ao populismo demagógico) do Lulla: a exigência de materiais nacionais. Ao adotar esta burrice como política interna da Petrobras, o demagogo apedeuta criou um problema para a empresa, um fator que reduz sobremaneira a competitividade de uma empresa que poderia (e deveria) tornar-se a cada dia mais competitiva para concorrer no mercado mundial.

Sobre a Embrapa, surgiram novas discussões depois de reportagem do jornal O Globo que está AQUI. Segue apenas um trecho:

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica, tanto na condução de pesquisas decisivas para o setor quanto na escolha dos profissionais de carreira que ocupam os cargos de chefia da estatal. O atual momento do órgão vem redesenhando essa impressão. A empresa vive uma fase de aparelhamento e apadrinhamento partidário num de seus setores mais estratégicos, afrouxamento das regras para a escolha dos diretores executivos — com a predominância do critério de indicação política — desmantelamento da capacitação internacional, e forte disputa interna. Além disso, uma investigação em curso apura supostas irregularidades cometidas por sete servidores na criação da Embrapa Internacional, com sede nos EUA.

Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que já está definida a extinção da Embrapa Estudos e Capacitação, também chamada de Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat), um projeto pessoal do então presidente Lula, inaugurado em maio de 2010. Lula pediu a criação da unidade para capacitar profissionais de outros países que atuam no campo da agropecuária, principalmente nações da África e da América Latina. Um bloco de quatro andares foi construído ao lado da sede da Embrapa em Brasília — os dois prédios estão conectados por um corredor — e os gastos somaram R$ 9,4 milhões.

A inauguração contou com a presença de Lula. Menos de quatro anos depois, a unidade sumirá do organograma da Embrapa. Uma nova secretaria será criada para abrigar a área de estudos estratégicos. A capacitação será assimilada pela área de transferência de tecnologia, cujo diretor-executivo foi indicado ao cargo por deputados federais do PT. Também o Departamento de Transferência de Tecnologia, subordinado à Presidência e a essa diretoria-executiva, é chefiado por um militante do PT, avalizado por uma das correntes — o Movimento PT.
O Cecat é uma unidade descentralizada, com maior autonomia de gestão. Com a transferência da capacitação para um departamento, os gestores com indicação política terão mais controle das atividades desenvolvidas.

E, finalmente, sobre o IPEA… Bom, o que sobrou?

O IPEA fez uma pesquisa com erros crassos, números invertidos, amostragem equivocada, perguntas toscas e dúbias, péssima seleção de palavras, gerou burburinho quando divulgou os resultados e depois teve que soltar uma correção.

A pesquisa do IPEA ganhou destaque na imprensa, e acabou gerando uma campanha pelas redes sociais (twitter, facebook, instagram). O caso serviu para provar que:

1) A grande imprensa acredita em qualquer pesquisa, por mais evidentes que sejam os erros e deturpações, o que expôs os “jornalistas” como verdadeiros analfabetos; e

2) Qualquer informação divulgada pela imprensa é imediatamente assimilada como verdade por uma imensa quantidade de ignorantes, que não perdem tempo em se lançar numa campanha burra, ignorante, tosca e ridícula.

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Pior: a correção (“errata”) ignorou todos os erros graves na metodologia e na amostragem.
A verdade é que aquela pesquisa sobre estupro do IPEA deve ser jogada, integralmente, no lixo. Ela está errada em tudo.

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Governo prepara regulação de MBAs e especializações

Leio na Folha de hoje (íntegra AQUI):

O CNE (Conselho Nacional de Educação) prepara um marco regulatório para especializações e MBAs ofertados no país. O objetivo é aumentar o controle sobre a oferta e a qualidade da pós-graduação “lato senso”. Hoje, não há uma estimativa oficial sobre a quantidade de cursos disponíveis, assim como informações consolidadas sobre corpo docente e projeto pedagógico.

Neste mês, o Ministério da Educação lança um cadastro nacional para reunir informações de especializações presenciais e a distância ofertadas por instituições federais e privadas. A iniciativa é decorrente de resolução do CNE publicada em fevereiro.

“Esse é um processo. É por reconhecermos a importância e o peso da oferta desses cursos que estamos aperfeiçoando [o monitoramento]”, disse à Folha Jorge Messias, secretário de Regulação e Supervisão da pasta. Ele diz que essa é uma primeira etapa da regulação das especializações.

O CNE elabora ainda um outro documento com regras específicas para esse tipo de pós-graduação. Para Erasto Mendonça, conselheiro responsável pelo tema, há certos “vazios que precisam ser preenchidos”. Uma das mudanças previstas é no perfil dos ofertantes: a intenção é estender essa possibilidade a institutos de pesquisa de reconhecida excelência, escolas de governo e instituições que oferecem mestrado e doutorado.

Segundo as regras atuais, apenas instituições de ensino superior podem ter especializações. Esse grupo, no entanto, também pode ser afetado: o conselho estuda exigir um desempenho mínimo da graduação ligada à área de especialização.

Para oferecer a pós, o curso correlato precisaria de nota 4 no CPC (Conceito Preliminar de Curso), indicador de qualidade que varia de 1 a 5. A previsão é que o novo modelo esteja em prática a partir do próximo ano –as regras não valem para instituições estaduais de ensino. “As exigências do MEC são muito poucas e não dão garantia para o aluno da qualidade [do curso]”, avalia Armando Dal Colletto, diretor-executivo da Anamba (Associação Nacional de MBA). A entidade possui dois selos próprios para indicar o bom desempenho de MBAs. Para ele, diante da ausência de um cadastro nacional ou de notas concedidas pelo MEC, questões como prestígio da instituição e indicação de colegas são considerados na análise da especialização.

Vejo um aspecto positivo na notícia, e um negativo. O negativo, infelizmente, se sobressai. E muito.

O aspecto positivo: de fato, os cursos de MBA são uma bagunça. Qualquer instituição pé-de-chinelo pode oferecer um curso igualmente pé-de-chinelo com o nome de MBA (e com um conteúdo horrível, fraco mesmo).

Aliás, o próprio conceito de MBA foi distorcido no Brasil: a sigla significa Master of Business Administration, ou seja, Mestrado. Porém, no Brasil, MBA virou uma especialização lato senso, e o Mestrado é um outro tipo de curso, muitas vezes chamado de “acadêmico” (e muita gente usa o termo acadêmico com um viés negativo, pejorativo).

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Eu leciono em cursos de MBA, e posso dizer que muito frequentemente encontro alunos que cursaram CST (Curso Superior Tecnológico, aqueles cursos de 2 anos) que tiveram pouco contato com uma formação minimamente boa. Não raro, uso material da graduação nas aulas do MBA, porque os alunos não têm preparo algum para materiais e discussões mais aprofundadas e/ou avançadas. Lamentavelmente, há MBAs com conteúdo de graduação (bacharelado).

Neste sentido, é indiscutível que a oferta excessiva e desenfreada de MBAs é ruim.

Porém, sempre que vejo o governo se metendo num mercado qualquer com o intuito de querer regulá-lo ou controlá-lo, fico receoso. Em especial um governo do PT, essa matilha de boçais refratários ao conhecimento e que vêm prejudicando a educação no Brasil de um jeito que nunca antes havia sido feito.

O mercado deveria fazer esta seleção natural, separar o joio do trigo.

MBA

O problema é que este mesmo mercado é um dos grandes responsáveis pela exigência burra de ter um MBA a qualquer custo. Canso de ver alunos meus da graduação se preocupando com o MBA que farão no minuto em que forem aprovados no TCC. Não faz sentido o sujeito sair da graduação e, imediatamente, se enfiar num MBA meia-boca – mas o “mercado” exige.

Muitas empresas querem garotos (e garotas) de 22, 23 anos de idade com graduação, MBA, fluência em 3 línguas (que jamais usarão) e 10 anos de experiência – e umas exigências ridículas que o RH sempre inventa mas não servem pra nada.

Por causa disso, inclusive, cansei de ver alunos meus do MBA dizendo abertamente que só queriam o diploma porque a empresa exigia.

Esse problema do MBA faz parte de um conjunto de problemas muito maiores, muito mais graves. A educação no Brasil está um caos, um cacareco – e um dos grandes responsáveis por isso é justamente o governo. Por isso mesmo, deixar que o governo regule mais um setor/área não me parece solução mais adequada.

Leituras do fim de semana: marketing

Deixei algumas leituras se acumularem, e o fim de semana apresenta uma chance de tentar diminuir o déficit.

A primeira é esta. Uma dissertação de mestrado (intitulada “Comportamento do consumidor: um estudo de decisão de compra de artigos esportivos“) que comecei a ler ontem e não me parece nem interessante e nem bem escrita – muito pelo contrário.

Até agora, só o que vi foram clichês e mais clichês, muito embromation e pouco conteúdo relevante. E me assusta que o nível da redação dos trabalhos acadêmicos está cada dia mais baixo – quase rasteiro mesmo. Aliás, sempre que leio algum trabalho/texto que trata do (inexistente) “marketing esportivo”, é isso que encontro: embromation, fontes duvidosas e redação ruim. Será coincidência? Acho que não.

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O segundo item da lista é este, uma tese de doutoramento (então, esperemos que esteja melhor mesmo) intitulada “Internacionalização e marketing: fatores de influência na decisão sobre customização de produtos“. Ainda não comecei a leitura mesmo, mas bati o olho na estrutura, referências e objetivos/resumo. Me parece bem mais interessante do que o item anterior. As empresas escolhidas para os estudos de casos deste trabalho me parecem apropriadas. Então, se o trabalho como um todo estiver ruim (me parece que não está), só pelos estudos de casos já vale a leitura!

Bem provável que eu largue o primeiro texto inacabado e pule direto para o segundo…

 

Finalmente, para sair do escopo de textos “acadêmicos”, recomendo a leitura desta entrevista com o grande designer da Apple, Jonathan Ive. Excelente leitura!

Por que socialismo e democracia não combinam?

A História nos ensina que um país democrático não é socialista, e um país socialista não é democrático.

A Venezuela é um bom exemplo disso. Eis os resultados do “Socialismo Bolivariano” do pária Hugo Chávez (e de seu poste, Maduro):

No Brasil, PT, PSOL, PSTU e outros partidos que odeiam democracia seguem apoiando as ditaduras de Cuba e da Venezuela. Parabéns para eles.

Um excelente artigo do Luiz Felipe Pondé trata disso:

Se eu pregar que todos que discordam de mim devem morrer ou ficarem trancados em casa com medo, eu sou um genocida que usa o nome da política como desculpa para genocídio. No século 20, a maioria dos assassinos em massa fez isso.

O Brasil, sim, precisa de política. Não se resolve o drama que estamos vivendo com polícia apenas. Mas me desespera ver que estamos na pré-história discutindo ideias do “século passado”. Tem gente que ainda relaciona “socialismo e liberdade”, como se a experiência histórica não provasse o contrário. Parece papo das assembleias da PUC do passado, manipuladoras e autoritárias, como sempre.

O ditador socialista Maduro está espancando gente contra o socialismo nas ruas da Venezuela. Ele pode? Alguns setores do pensamento político brasileiro são mesmo atrasados, e querem que pensemos que a esquerda representa a liberdade. Mentira.
A maioria de nós, pelo menos quem é responsável pelo seu sustento e da sua família, não concorda com o socialismo autoritário que a “nova” esquerda atual quer impor ao país. A esquerda é totalitária. Quer nos convencer que não, mas mente. Basta ver como reage ao encontrar gente inteligente que não tem medo dela.

Ninguém precisa da esquerda para fazer uma sociedade ser menos terrível, basta que os políticos sejam menos corruptos (os da esquerda quase todos foram e são), que técnicos competentes cuidem da gestão pública e que a economia seja deixada em paz, porque nós somos a economia, cada vez que saímos de casa para gerar nosso sustento.

Ela, a esquerda, constrói para si a imagem de “humanista”, de superioridade moral, e de que quem discorda dela o faz porque é mau. Ela está em pânico porque estava acostumada a dominar o debate público tido como “inteligente” e agora está sendo obrigada a conviver com gente tão preparada quanto ela (ou mais), que leu tanto quanto ela, que escreve tanto quanto ela, que conhece seus cacoetes intelectuais, e sua história assassina e autoritária.

Professores pautados por esta mentira filosófica chamada socialismo mentem para os alunos sobre história e perseguem colegas, fechando o mercado de trabalho, se definindo como os arautos da justiça, do bem e do belo.

A esquerda nunca entendeu de gente real, mas facilmente ganha os mais fragilizados com seu discurso mentiroso e sedutor, afirmando que, sim, a vida pode ser garantida e que, sim, a sobrevivência virá facilmente se você crer em seus ideólogos defensores da “violência criadora”.

Ela sempre foi especialista em tornar as pessoas dependentes, ressentidas, iludidas e incapazes de cuidar da sua própria vida. Ela ama a preguiça, a inveja e a censura.

Recomendo a leitura do best-seller mundial, recém publicado no Brasil pela editora Agir, “O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo”, escrito pelo professor Kevin D. Williamson, do King’s College, de Nova York. Esta pérola que desmente todas as “virtudes” que muita gente atrasada ou mal-intencionada no Brasil está tentando nos fazer acreditar mostra detalhes de como o socialismo impregnou sociedades como a americana, degradou o meio ambiente, é militarista (Fidel, Chávez, Maduro), e não deu certo nem na Suécia. O socialismo é um “truque” de gente mau-caráter.

As pessoas, sim, estão insatisfeitas com o modo como a vida pública no Brasil tem sido maltratada. Mas isso não faz delas seguidores de intelectuais e artistas chiques da zona oeste de São Paulo ou da zona sul do Rio de Janeiro.

A tragédia política no Brasil está inclusive no fato de que inexistem opções partidárias que não sejam fisiológicas ou autoritárias do espectro socialista. Nas próximas eleições teremos poucas esperanças contra a desilusão geral do país.

E grande parte da intelligentsia que deveria dar essas opções está cooptada pela falácia socialista, levando o país à beira de uma virada para a pré-história política, fingindo que são vanguarda política. O socialismo é tão pré-histórico quanto a escravatura.

Mas a esquerda não detém mais o monopólio do pensamento público no Brasil. Não temos mais medo dela.

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Marco Civil da internet: o começo do fim

Nesta semana a Câmara dos deputados aprovou o Projeto de Lei nº 2.126 de 2011, conhecido como MARCO CIVIL DA INTERNET.

O projeto de lei, da forma como foi aprovado, é o começo do fim da liberdade na internet.

Dois textos explicaram detalhadamente o porquê.

Começo com o texto do jornalista Fernando Rodrigues, que está na íntegra AQUI. Recomendo aos interessados a leitura do artigo na íntegra. Ainda assim, vou tentar pegar alguns dos trechos mais relevantes:

O artigo 19 e seus parágrafos 3º e 4º permitem que juízes de juizados especiais, motivados em “interesse da coletividade” (um conceito vago e impreciso), determinem liminarmente a retirada de conteúdo de um site.

O que chama a atenção nesse dispositivo é a regra estar presente dentro de uma legislação específica sobre a internet. A rigor, a legislação vigente no país hoje já trata desse procedimento. Ao detalhá-lo no Marco Civil da Internet, o Congresso faz uma promoção ativa das ações que visem a censurar conteúdo.

O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) argumenta que esse artigo e seus parágrafos referem-se apenas a conteúdo de terceiros que são publicados em determinado site, portal ou blog. Por essa interpretação, esse artigo e esses parágrafos estariam se referindo apenas a comentários que as pessoas possam postar a respeito de algum conteúdo ou notícia. Esse argumento, entretanto, não fica explícito no texto da lei que já passou pela Câmara e abre uma brecha para que a regra se estenda a qualquer tipo de conteúdo, inclusive jornalístico, que poderá ser censurado e retirado do ar.

Hoje já é possível retirar um determinado conteúdo da internet. Para conseguir isso, é necessário entrar com uma ação contra o site e/ou o responsável pela publicação. Ao explicar que esse tipo de medida pode ser feito por meio de ações em juizados especiais, que dispensam a contratação de advogados, o Marco Civil funciona praticamente como uma cartilha convidando os cidadãos a buscarem tal tipo de censura. Fica pavimentado o caminho, então, para uma enxurrada de ações.

Eis aqui o texto do projeto de lei aprovado ao qual o jornalista se refere:

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Mais adiante, o jornalista aponta:

Aqui existe um grande risco de invasão de privacidade. O texto do Marco Civil fala em guarda de conteúdo de comunicação privada por parte dos provedores, algo que não pode ocorrer por princípio constitucional.

Nesse caso específico há um problema adicional pelo fato de o Brasil não dispor de uma legislação que trate da coleta e armazenamento de dados pessoais dos cidadãos. Nesse vácuo, o projeto de Marco Civil da Internet acaba entrando de maneira incompleta e deixando vários buracos para que as pessoas possam ter seus dados violados.

Não acabou:

Outra inovação é a regra pela qual qualquer site ou aplicativo na internet com finalidade de lucro ter de registrar os dados de seus usuários por, no mínimo, 6 meses. Isso passa a ser obrigatório. Por exemplo, quem usa Skype, WhatsApp ou Twitter saiba que agora tudo o que fizer dentro desses aplicativos ficará guardado por 6 meses.

Nesse caso, estipula o Marco Civil, não são os dados de acesso ao provedor de internet (cuja retenção é prevista em artigo diverso), mas a sites ou aplicativos no celular ou outros dispositivos móveis –as chamadas “aplicações de internet”.

Ao consultar especialistas, o Blog concluiu que não há nada semelhante em qualquer outra legislação no planeta.

Eis um comentário de uma pessoa que é estudiosa do assunto: “O armazenamento obrigatório destes dados aumenta, por si só, o risco de mau uso e vazamento dessas informações, terá um custo e, ainda, impedirá que um site legitimamente apague uma informação que um cidadão, seu usuário, solicitou que apagasse, por mais inocente que seja. Igualmente, veda a própria existência de determinados serviços privacy-friendly”.

Perguntas a serem feitas: por que um provedor de serviços via um aplicativo de celular ou tablet precisa guardar dados privados de um consumidor por 6 meses? E o consumidor que desejar deletar imediatamente seus dados de uso? Não será autorizado? E os aplicativos cujas mensagens desaparecem depois de lidas (como Snapchat e Wickr)? Terão de mudar seu sistema de funcionamento no Brasil? Muitas coisas que terão de ser consideradas pelos senadores na próxima fase de tramitação do Marco Civil da Internet.

O Fernando Rodrigues fez um bom trabalho, observando estes pontos – e disponibilizou a íntegra do projeto no seu blog também. Recomendo a leitura por lá.

O segundo artigo que li é (mais) um primor do Flávio Morgenstern que está AQUI na íntegra. É (muito) longo e detalhado. Mas vale a pena.

Vou copiar apenas alguns poucos trechos, com grifos meus:

Este é o Marco Civil. Estas são as definições mais concretas de termos abstratos e parnasianos com que a lei é edulcorada, como “buscar reduzir as desigualdades, sobretudo entre as diferentes regiões do País” ou “fomentar a produção e circulação de conteúdo nacional”, nos incisos do Artigo 22 sobre “promoção da Internet como ferramenta social”, o que não é possível conceber em termos factuais, a não ser pelo policiamento da internet em nome de ideais abstratos.

[…] Qual o critério de “liberdade” que será usado para “fomentar políticas públicas”? Isto não pode mudar do dia para a noite com um novo governante e um novo partido ganhando maiorias temporárias? É mesmo vantajoso tirar o “poder de lobby das gigantes das telecomunicações” para dar tais poderes para políticos?

O que, afinal, a classe política tem de mais confiável do que empresas de telecomunicações que, bem ou mal, até hoje não atacaram nossa liberdade – sob qualquer perspectiva? Não foi contra as empresas de telecomunicações que o gigante acordou em julho de 2013, dizendo que nenhuma delas lhes representa. Pelo contrário: foram elas que garantiram que a revolução fosse televisionada, tuitada, transmitida ao vivo em alta velocidade de wifi tanto para grandes portais quanto para blogs mequetrefes com a mesma eficiência.

Gostando-se ou não (e é difícil crer que alguém goste dos serviços de comunicação no Brasil), não parece de todo uma idéia muito “libertadora” trocar os registros de atividade e o controle do fluxo de informações de empresas, que concorrem entre si e não são uma autoridade central (pode-se sempre trocar de provedor ou operadora caso não se goste do serviço) por uma autoridade central e obrigatória.

Entre as novidades que aparecem, está a idéia da “função social da rede”, além do conceito de que a web deve atender aos “direitos humanos”, seja lá o que o manda-chuva da vez definir como “direitos humanos” – é de se crer que essa expressão tenha significado bem distinto nas bocas de Jean Wyllys e do PSOL (aquele partido que considera que qualquer opinião desabonadora à esquerda “fere os direitos humanos”, como já fizeram com Rachel Sheherazade e Jair Bolsonaro, só para ficar nos exemplos mais conhecidos), ou da turma da Marcha da Família 2.0. Qual o problema com as buscas no Google e o tráfego livre sem “atender” a essas demandas?

Devemos mesmo “regular” a internet para que algum governante tenha o poder de censurá-la a partir dessa premissa? Será que vale a pena deixar que o governo decida o que são coisas abstratas como “neutralidade”, “função social” ou “direitos humanos” e passe a ter um poder que não tem hoje – de censura – com base nestes princípios?

[…] Lembrando que toda Revolução começa trocando as leis para atender a fins futuros, e não mais verificar culpabilidade ou inocência através de uma régua escorreita que separe um do outro – prefere trocar este conceito por uma valoração de quem é a favor da revolução e quem é um “traidor” ou “anti-revolucionário”. E, por mais que o livro mais importante do século XX, Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn, demonstre o resultado desse princípio no âmbito penal, também urge lembrar que muitas das burocracias com concentração de poder exagerado começam, justamente, na esfera civil – caso da cleptocracia que virou a Argentina.

É um passo perigosíssimo para transformar todos os brasileiros em potenciais Francenildos.

Faço aqui o meu alerta: esse projeto de lei é um retrocesso. O texto contém portas para censura e manipulação de dados.

Eu já comecei a entrar em contato com alguns senadores, pedindo que NÃO aprovem este marco civil ditatorial, burro, equivocado. Para quem quiser fazer o mesmo, o site do Senado fornece diversas formas de contatar os senadores: AQUI a lista dos que têm twitter e/ou facebook, e AQUI a lista com e-mails, telefones e fax.

Pelo bem da liberdade que AINDA temos no Brasil, entre em contato com pelo menos 4 senadores pedindo que rejeitem este projeto de lei.

Protestinho de rua, com muita burrice e muita destruição, não resolve. Há Senadores que têm a obrigação de ouvir os eleitores, prestarem contas. Veja quais senadores apóiam a censura que o PT quer fazer, e quais combatem esta tentativa de AI-5 digital.

 

Marco Civil

 

Finalmente, veja quem apóia o Marco Civil:

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A cereja do bolo é a repórter da CacaCaPTal que sempre (SEMPRE!) fala bobagem, e que, claro!, também apóia o Marco Civil:

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ATUALIZAÇÃO: Depois que eu já havia escrito este post, recebi alguns outros links que ampliam a “cobertura” sobre o Marco Civil da internet. Peço aos interessados que leiam os textos abaixo e – MAIS IMPORTANTE! – enviem estas informações para amigos e familiares.

Se os senadores não ouvirem pressão dos eleitores (ESTAMOS EM ANO ELEITORAL, LEMBREM-SE!), vão acabar aprovando este projeto do jeito que receberam da Câmara

A manutenção deste projeto do Marco Civil, do jeito que está hoje, significa o começo do fim da liberdade na internet.

Leia os seguintes artigos:

1) Como o marco civil da internet afeta sua empresa

2) Marco civil: se você está comemorando, é porque não leu o texto aprovado

3) Contra o Marco Civil e a neutralidade de rede

4) Organizações criticam novo texto do Marco Civil

5) Marco civil: Há pontos de retrocesso

6) Pedalando e cantando

7) Lei da internet cria via rápida para retirada de conteúdo

 

Vem aí a escova de dentes conectada à internet

Em 2008, a Standard & Poor’s era legal. Hoje ela é mentirosa.

O mundo gira… Pessoas ignorantes e mentirosas sempre acabam pagando pelas bobagens e mentiras que falam.

Nesta semana, a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota do Brasil (os detalhes podem ser lidos AQUI).

Houve uma reação generalizada do governo, do PT e dos babacas-oficiais do PT (os militantes virtuais, MAVs) tentando desqualificar a agência, e suas avaliações. O pessoal tentou achincalhar a S&P porque ela fez uma coisa que contraria os interesses do governo – e, quando isso acontece, o pessoal sai atacando loucamente.

Pena que a galera se esqueceu que em 2008, quando a mesma agência S&P aumentou a nota do Brasil, houve uma enxurrada de elogios – vou destacar a seguir a declaração do então Presidente da República, o mentiroso contumaz (e notório ignorante) Lulla da Silva:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (30) que o Brasil foi considerado um “país sério” por investidores estrangeiros. “Nós acabamos de ter a notícia de que o Brasil passou a ser ‘investment grade’. Não sei nem falar direito a palavra, mas se formos traduzir para uma linguagem que todos os brasileiros entendam poderia dizer que o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e que por isso passamos a ser merecedores de uma confiança internacional que há muito tempo necessitava”, disse o presidente.

Nesta quarta, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s concedeu ao Brasil o patamar de grau de investimento. A decisão representa uma melhora na recomendação do Brasil, que passa a ser considerado investimento seguro para investidores estrangeiros.

[…] Na opinião do presidente, o Brasil já deveria ter recebido o grau de investimento “há muito tempo”. “Recebemos aval de que passamos a ser os donos do nosso próprio nariz em determinarmos a política que achamos conveniente para o Brasil. É uma conquista do povo brasileiro que durante tantos e tantos anos esperou por esse momento. Quis Deus que isso acontecesse quando um presidente de sorte assumiu a Presidência. E Deus queira que nunca mais o Brasil eleja governantes que não tenham sorte.”

A íntegra da reportagem, incluindo um vídeo, está AQUI.

Os trechos que eu destaquei são, digamos, contraditórios quando se observam as reações à notícia, do último dia 24/03, do rebaixamento da nota:

Nota do Brasil S&P_01

 

Nota do Brasil S&P_02

 

Nota do Brasil S&P_03

 

Que coisa…

Quando, em 2008, a Standard & Poor’s concedeu o investment grade, Lulla exaltou a conquista de todos os brasileiros, a “sorte” etc…

Agora em 2014, quando a mesma S&P reduz a nota do Brasil por causa do desastre que dona Dilma Ruinsseff está causando, o pessoal sai atacando a credibilidade da agência. Não que as agências de risco (não apenas a S&P) tenham uma credibilidade altíssima – mas elas já não tinham esta credibilidade altíssima lá em 2008, época em que aumentaram a nota do Brasil. Porém, naquele momento, como o aumento da nota poderia ser usado nos discursos mentirosos e distorcidos do PT, o próprio Lulla ficou exaltando as agências de risco.

O PT é assim mesmo: quando você concorda com ele ou ataca os “inimigos” dele, você é ótimo, tem credibilidade etc. Basta ver que os asseclas do PT não hesitam em usar notícias publicadas na Veja, na Folha, na Estadão ou na Globo quando estas notícias são negativas para o PSDB ou qualquer outro grupo que discorde ou critique o PT.

Mas quando você discorda, passa a ser do “PIG”, fascista (essa palavra hoje é usada para qualquer coisa, mas 99,98% de quem usa não faz idéia do significado) e outros impropérios…

Quando as propagandas “brigam” com as notícias

As empresas precisam tomar cuidado quando decidem anunciar em jornais e portais noticiosos.

Abaixo, dois exemplos de propagandas que acabaram sendo publicadas em locais, digamos, pouco adequados.

O primeiro exemplo é do portal do New York Times de hoje:

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A manchete faz menção ao caso do avião que “perdeu-se” na Ásia: enquanto o jornal noticia um avião que afundou no oceano, a propaganda do iPad Air bem acima mostra um mergulhador no fundo do mar.

Geralmente esses erros ocorrem porque a área comercial dos jornais não tem relação direta com a redação (editorial). Isso é bom, para evitar qualquer “interferência” ou conflito de interesses – quando uma reportagem noticia um problema envolvendo um dos anunciantes do jornal (digamos, por exemplo, a notícia do recall de carros de um fabricante de automóveis que compre espaço publicitário naquele jornal).

Porém, pode gerar esse tipo de “infelicidade”.

Um outro exemplo está aqui:

Propaganda e manchete

Esse é do Portal UOL: uma notícia sobre o caso do garoto que matou os pais e, bem abaixo, uma propaganda que começa com “Assim você mata o papai”.

É preciso evitar esse tipo de “coincidência”.

Analfabetismos no Brasil

Excelente (como de costume, aliás) a coluna do Professor Pasquale na Folha de hoje:

O caro leitor certamente já ouviu e/ou leu matérias a respeito do nosso analfabetismo funcional. Estudos recentes informam que apenas 24% dos brasileiros letrados entendem textos de alguma complexidade, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros letrados entende um texto que talvez possamos chamar de “simples”.

Nossa dificuldade com o texto é inegável e não escolhe classe social. Não pense o leitor que ela é “privilégio” de pobres ou de gente pouco escolarizada. A leitura de trabalhos de conclusão de curso de muitos e muitos alunos de letras (sim, de letras!) prova que a situação é dramática.

O livro “Problemas de Redação”, do professor Alcir Pécora, traz um retrato sombrio do problema. Publicada em 1999, a obra resulta da percepção do professor Pécora de que alunos da primeira turma de estudos linguísticos de uma das mais importantes universidades do país concluíram o curso sem a mínima condição de ler e/ou escrever de acordo com a escolaridade formal que detinham.

Mas o nosso analfabetismo não é apenas verbal, ou seja, não se limita ao que é expresso por meio da língua; ele é também não verbal, isto é, abrange também a dificuldade para lidar com signos que não se valem da palavra escrita ou dita, mas, por exemplo, de imagens, de cores etc.

Boa parte da barbárie brasileira pode ser demonstrada pelo que se vê no trânsito das nossas cidades. Ora por falta de vergonha, ora por analfabetismo verbal e/ou não verbal + falta de vergonha, os brasileiros provamos, um bilhão de vezes por minuto, que este país não deu certo.

Uma das situações que acabo de citar pode ser ilustrada pelos semáfaros. Decerto os brasileiros conhecemos o que significam os signos não verbais (as três cores) que há nos “faróis” ou “sinaleiras”. O desrespeito ao significado desses signos não decorre do analfabetismo (verbal ou não verbal), mas da falta de vergonha.

Agora a segunda situação. Nada melhor do que as rotatórias para ilustrá-la. Em todos os muitos cantos do mundo pelos quais já passei, a rotatória é tiro e queda: funciona. Os motoristas conhecem o significado desse signo não verbal e respeitam-no. No Brasil, nem agentes de trânsito conhecem a regra (mais de uma vez já constatei isso). O que mais se vê é gente entrando a mil na rotatória, literalmente soltando baba, bestas-feras que são.

Quando me aproximo de uma rotatória e já há um carro dentro dela, faço o que se deve fazer: paro e dou a preferência. Às vezes, sabe Deus por que razão, o motorista que tinha a preferência também para (em muitos cruzamentos há uma espécie de “convenção” tácita sobre a preferencial, embora haja ali signos que contradizem essa “convenção”). Abro o vidro, ponho uma das mãos para fora e faço movimentos circulares com os dedos para tentar mostrar ao outro motorista que aquilo é uma rotatória e que ele, por ter entrado antes, é que tem a preferência. Começa a buzinação. A ignorância é atrevida, arrogante, boçal. Mas eu aguento: enquanto o outro não passa, continuo com os movimentos manuais circulares e não saio do lugar. Quase sempre alguém fura a fila e passa exibindo outro signo não verbal (dedo indicador em riste), mais um a traduzir o nosso elevado grau de barbárie.

Não sou dos que dizem que este país é maravilhoso etc., que a nossa sociedade é maravilhosa etc. Não há solução para a barbárie brasileira que não comece pela admissão e pela exposição da nossa vergonhosa barbárie de cada dia, sob todas as suas formas de manifestação. A barbárie é filha direta da ignorância e se manifesta pelo atrevimento inerente à ignorância. Falta competência de leitura, verbal e não verbal; falta educação, formal e não formal. Falta vergonha. Falta delicadeza. Falta começar tudo de novo. É isso.

Perfeito. Os vários analfabetismos são um problema gravíssimo no Brasil, e a educação só tem piorado.

 

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