Hyundai investindo bilhões em 2012

Recentemente, tenho lido muita coisa sobre a Hyndai e, inobstante, mesmo sem LER, tenho visto muita coisa sobre ela graças ao pesadíssimo investimento que a empresa vem fazendo em mídia no Brasil. Nos últimos 3 anos, a Hyndai acabou se tornando um dos maiores anunciantes do país.

Há algum tempo, numa aula, um aluno perguntou se a Hyndai não seria um exemplo de empresa que inovou, que inverteu um mercado e surpreendeu a concorrência. Seguiu-se uma discussão sobre as demais fabricantes de automóveis, especialmente as orientais – japonesas, chinesas e coreanas.

Ok, a Hyndai tem investido MUITO, e em nível global – investimentos em propaganda (aliás, o volume de investimentos em mídia, no Brasil, acarreta um rateio bastante duvidoso considerando o total de vendas da Hyundai no país), em logística, em produção, e também P&D. Isso é inegável.

Em diversos países, ademais, ela conseguiu transformar estes investimentos em resultado: gahou participação de mercado.

Porém, quais as perspectivas para a empresa, em médio e longo prazos?
Ela vai conseguir trilhar caminho semelhante àquele trilhado pela Toyota ou pela Honda?
Quando as vendas da Hyndai no Brasil começaram a crescer, essencialmente graças ao Tucson, um SUV relativamente barato, escancarou-se um problema que pode ser fatal para uma montadora: pós-venda.

O pós-venda da Hyndai no Brasil é vergonhosamente ruim e caro. Ok, o pós-venda da GM, da Fiat, da Volks e da Ford também são ruins e caros. Mas a Hyndai conseguiu levar a acepção do termo “ruim” a patamares até então inexistentes. Falta de peças, preços exorbitantes, discrepância nos planos de manutenção e funcionários sem nenhum preparo eram as coisas mais comuns na rede (pequena) da empresa – que, no Brasil, é representada pela Caoa.

Por seu turno, antes de colherem resultados expressivos em termos de market-share, Toyota e Honda ganharam reconhecimento por dois fatores: (1) confiabilidade mecânica e (2) assistência no pós-venda de qualidade.
A Hyundai, por outro ldo, optou por ganhar mercado com base em PREÇO – seus carros, via de regra, têm preços alinhados a modelos de categoria inferior. Trocando em miúdos, a Hyndai oferecia um carro com motorização e equipamentos capazes de posicioná-lo a enfrentar Mercedes, BMW ou Audi, mas com preços próximos de Civic, Corolla e Vectra (já falecido).

Esta foi a razão do sucesso da Hyndai no Brasil (e, via de regra, em diversos outros mercados, inclusive Estados Unidos). Contudo, o gargalo não demorou a surgir: o consumidor comprava um carro relativamente barato, mas tomava um susto na revisão, ou ficava a ver navios quando precisava de uma peça (importada, caríssima, e cujo prazo de recebimento/entrega poderia obrigar o cliente a ficar MESES sem seu carro).

Como se não bastasse, o crescimento da empresa também trouxe problemas com sindicatos e empregados insatisfeitos. Isso é comum na fase de crescimento de QUALQUER montadora – basta ver o caso da GM nas décadas de 1980 e 1990.

Resumidamente, creio que a Hyundai precisa mudar seu foco. Se ela quer, de fato, gahar mercado de forma sustentável, e não apenas temporária, passageira, ela precisa acertas suas escolhas estratégicas (trade offs). Preço não fideliza. Que tal investir em qualidade, especialmente no atendimento?

Tenho a impressão de que os produtos em si são até bons, na média (exceção feita, claro, ao Tucson, que é feio, tecnicamente está na década de 1990, e já está na fase de declínio no CVP), mas o pós-venda devastadoramente ruim (inclusive em preços) e a falta de visão de longo prazo podem atrapalhar.

O produto que muda o cliente

Muito se fala sobre a Apple, e sua capacidade de mudar os hábitos das pessoas. No caso do iPad, lançado no ano passado, a empresa conseguiu criar um segmento de mercado que, até então, era inexpressivo – o dos tablets.
Na esteira do sucesso da Apple, todas as empresas de tecnologia e eletrônicos estão correndo para lançar seus produtos, para disputar mercado com o iPad.
Mas a Apple não ficou parada: pouco mais de 1 ano depois, lançou o sucessor do iPad, o iPad 2.

Eu só tenho visto propaganda (via e-mail marketing) de UM concorrente, o Galaxy, da Samsung. Cadê os tablets da HP, Dell, Motorola etc?
No mercado brasileiro, ainda são promessas.

Mas precisamos enxergar os produtos da Apple como uma VISÃO, uma perspectiva (geralmente atribuída à genialidade do Steve Jobs) que os consumidores potenciais ainda não têm.

E nisso a Apple é mestra!

Ao receber este e-mail da Porto Seguro, me dei conta das implicações que um produto pode ter na vida das pessoas, no seu cotidiano:

Percebam que um novo produto (iPhone) conseguiu modificar um processo TRADICIONALÍSSIMO no ramo de seguros: o cliente não precisa mais receber uma visita de um técnico/analista da empresa para avaliar um sinistro residencial. Em poucos segundos, o cliente tira foto, e envia o comunicado junto com as imagens para a empresa.

Ótimo exemplo de uma solução (da Porto) que facilita a vida do cliente. Mas esta solução só é possível graças a um produto (o iPhone) revolucionário.

A sucessão de cagadas da eleição 2010

Na semana passada, por pura coincidência, eu estava falando sobre POSICIONAMENTO DE MERCADO numa aula, na graduação.

No dia anterior, eu havia visto a HORRENDA propaganda política do Tiririca (AQUI), e acabei usando o “slogan” dele como exemplo de posicionamento de mercado – conceito que pode ser aplicado a empresas, mas também a campanhas políticas.

Agora, ao dar uma geral nas notícias, leio a seguinte:

De passagem por Ribeirão Preto (a 313 km de SP) neste sábado, o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, afirmou que os tucanos deixam a desejar quando se trata de divulgar as próprias ações.

Ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato ao governo de São Paulo, Serra discursava na inauguração de um comitê eleitoral e fazia comparações entre PSDB e o PT quando afirmou: “O nosso partido faz, mas não é muito bom de marketing. Para o [ex-governador Mário] Covas eu dei nota 2,5 em marketing. O Geraldo Alckmin foi 4 e, no meu governo, 5.” 

O texto da Folha está AQUI na íntegra. O título da matéria é sugestivo: Para Serra, PSDB ‘não é bom de marketing’.
Bom, excluindo-se o erro conceitual da repórter, que parece achar que “marketing” é sinônimo de “propaganda” (erro que, me parece, foi cometido pelo Serra também, e aliás é muito comum), achei coincidência porque, no rastro do exemplo do posicionamento da campanha do Tiririca que usei em sala, eu acabei mencionando outras campanhas políticas também. A do Serra foi uma delas.

Em linhas gerais, o que eu disse na aula foi o seguinte: o Serra (e o PSDB no geral) está absurdamente fora de rumo, devido à inexistência de um posicionamento claro.
Ele quer se colocar como oposição do (des)governo Lulla ou como continuidade? Na entrevista concedida ao Jornal Nacional, esta pergunta foi feita de maneira clara, objetiva e direta. A resposta dele, por outro lado, deixou a desejar.
Aliás, “deixou a desejar” é eufemismo.
A resposta dele deixou claro que ele (e seu partido) não têm NENHUMA idéia sobre o seu posicionamento nesta campanha. Eis o vídeo:

Quem, como eu, desejava uma forte oposição à desgraça do PT, está sem opção.

Se tem uma coisa que o PSDB precisa aprender é que usar argumentos claros, lógicos e racionais para desmontar a farsa do PT não resolve.

Primeiro, porque o PSDB viu o Lulla e seu séquito de asseclas ignóbeis roubar o crédito de grande parte das iniciativas de FHC – além do Bolsa Família (que se chamava Bolsa Escola). No debate Folha-UOL, a Dilma chegou ao cúmulo de afirmar taxativamente que o PT acabou defendendo e apoiando o Plano Real – uma mentira deslavada. Mas que ninguém contestou!

Como é que o PSDB deixa passar em brancas nuvens uma mentira dessa magnitude?
Por que eles deixam a Dilma mentir tão descaradamente?

Falta de posicionamento.

Falta de clareza sobre qual posição o PSDB deveria (ao menos em tese) ocupar no espectro político.

Segundo, porque o PSDB deixou, durante OITO ANOS, que o Lulla e o PT fizessem o que bem entenderam, abrindo mão das ações inerentes àquilo que deveria ser uma OPOSIÇÃO.
E o PT aproveitou!
Aparelhou sem pudores o Estado, usou dinheiro público para mensalões, Aero-Lulla, e outras coisas mais; colocou sindicalistas, amigos e defensores em cargos públicos, o que, como consequência, elevou as receitas auferidas pela doação de parte dos salários aos filiados do PT; fez turismo, desfilou ao lado de presidentes, chanceleres, reis e rainhas (tudo às custas dos contribuintes, que só viram a carga tributária aumentar, vorazmente).
Enquanto tudo isso acontecia, o PSDB calou. Em alguns momentos, aliás, fez pior: preferiu promover brigas internas, na sanha de massagear egos.
Neste sentido, aliás, o texto da Barbara Gancia publicado na Folha da última sexta está irretocável: AQUI, na íntegra para assinantes.

Terceiro, porque graças à herança do FHC, o Lulla transformou os resultados das ações do PSDB em frutos do SEU (des)governo! A PTralhada repetiu à exaustão o termo “herança maldita“, mas era tudo mentira. Lorota.
Porém, o PSDB deixou isso acontecer! Em 2006, na eleição, quando o PT colou no Alckmin o “fantasma da privatização”, ninguém no PSDB se deu ao trabalho de defender a privatização de diversos setores realizada nos anos FHC. Ninguém se deu ao trabalho de explicar que foi graças à privatização do setor de telefonia, por exemplo, que o Brasil vem conseguindo bater recorde sobre recorde na expansão dos celulares, no barateamento dos telefones fixos, na universalização de serviços básicos de comunicação….
Tão simples, mas nem isso conseguiram!

Quarto e último, porque nunca vi, nos meus parcos 35 anos de vida, uma eleição tão sonsa e vazia como esta.
As pessoas não têm interesse em discutir os rumos do país, e os candidatos (NENHUM) não têm interesse e/ou competência para discutir políticas públicas sérias, factíveis. Tenho visto discussões inócuas sobre factóides débeis (PAC, Minha Casa Minha Vida, PNDH etc), mas nenhuma palavra sobre questões reais, factíveis, verídicas, tangíveis.
Esta imobilidade da população como um todo gera riscos.
O caso da violação do sigilo fiscal de membros da campanha tucana (as notícias são fartas e frescas, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI), noutros tempos, seria um verdadeiro escândalo. Hoje, não.
Parece que todos estão vendo ações escabrosas do PT, mas ninguém mais se importa.

Fernando Collor de Mello sofreu impedimento legal da Presidência da República por muito menos.

Aonde estão os “caras-pintadas”?
Aonde está a indignação dos artistas, outrora tão engajados?
Aonde estão aqueles que lutaram contra a ditadura militar?
Aonde estão os brios daqueles que não desejam que o governo (qualquer um) tenha a prerrogativa de vasculhar sua privacidade por conveniência político-eleitoral?
Aonde estão os defensores da liberdade e dos direitos humanos? Ou será que o sigilo fiscal deixou de ser um direito constitucional?

Há, obviamente, aqueles que enxergam exagero ao fazer ligação entre as ações do PT e uma eventual ditadura.

Eu discordo.

O vídeo abaixo, exceção feita ao final (uma montagem com textos mal escritos e uma música brega, cafona demais), serve de material bastante claro para mostrar que há razões de sobra para preocuparmo-nos com as ações sistemáticas do PT (e/ou de suas facções, internas ou externas) contra a liberdade de expressão:

Além disso, recomendo a leitura (atenta) dos seguintes textos: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, e AQUI.

Complementarmente, para contextualizar o medo que o PT tem da democracia (de verdade), mais alguns: AQUI (chamo a atenção para o comentário feito pela “Silvia”, um show de democracia!), AQUI e AQUI.

Finalmente, uma leitura IMPERDÍVEL é este artigo AQUI.

Se juntarmos os pedaços, as partes, teremos uma imagem clara.
A imagem não é bonita.

Por tudo isso, e muito mais, concordo com esta carta AQUI.

Uma outra perspectiva, diferente da minha ótica, mas que mostra ótimas razões para se fazer o possível para expurgar o PT das instituições democráticas brasileiras.

Antes que ele, PT, expurgue a democracia das instituições brasileiras.

AVISO AO LEITORES

Aviso aos queridos leitores do BLOG, especialmente quem assina o feed (RSS ou e-mail) que este blog já teve seus serviços desativados.

Aos que desejarem continuar acompanhando as atualizações, por favor use o link http://feeds.feedburner.com/ProfessorMunhoz para assinar o RSS/feed.

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Novidades boas

Estou num processo de otimização – especialmente do meu tempo, que anda escasso.
MUITO escasso.

Por isso, andei “enxugando” algumas atividades.
Uma delas foi o problema que meus blogs acabaram me criando: estava com 4 blogs para administrar, mas o tempo era (ainda é) insuficiente.

Assim, tomei uma decisão: vou gradativamente começar a concentrar TUDO num único blog –  http://blog.cmunhoz.com/

Já importei os posts aqui do Marketing-Room para lá (e, claro, os comentários também).
A seguir, vou transferir algumas funcionalidades também (feeds, widgets e afins).

Espero, desta maneira, conseguir manter uma atualização constante – coisa essencial num blog.
Os marcadores (“assuntos”) ficaram volumosos lá no http://blog.cmunhoz.com/, mas tenho certeza de que valerá a pena. Este período de transição será complicado, mas daqui a pouco a coisa melhora.

Quero aproveitar para agradecer aos fiéis leitores (via web, e-mail, feed etc), além de, claro, convidá-los para o novo espaço. Já estão disponíveis os mesmos serviços: assinatura das atualizações por e-mail, por leitores de RSS etc….. Inclusive estou testando integração com o Twitter (que, conforme vou escrever brevemente, acabou me conquistando).

Em tempo: estou em busca de um webdesigner para reformular o meu site (que abriga o blog)… Se alguém quiser indicar alguém, agradeço. Eu ia fazer o redesenho eu mesmo, mas….. pois é, o tempo está mais do que insuficiente para isso !

ENADE 2009 (4)

Continuo, aqui, tratando não apenas do ENADE mas também – e principalmente – dos problemas que o exame (com o nome que tiver, seja “provão”, seja “enade”, seja “rebimboca-da-parafuseta”) deve considerar.

E vou aproveitar o post para ser mais intimista.

Explico: as fotos a seguir são uma pequena amostra daquele momento em que eu, como professor, SOFRO em demasia. Momento de corrigir provas e trabalhos.

Vamos às imagens, e eu volto logo depois.

 
Por enquanto, apenas a bagunça na minha mesa…… Para descontrair….
Mas vamos ao principal agora: quando eu escrevi que os alunos UNIVERSITÁRIOS sofrem de analfabetismo funcional, eu NÃO estava brincando.
Eis algumas preciosidades que estive lendo nos últimos 2 dias:

Sim, caro leitor. Numa prova de marketing, tive que ler que “o preço pode ser um CHAFARIZ“.
Imaginei a cena de um chafariz que, ao invés de jorrar água, jorra cifrões !!!!!
Vamos seguindo:



SUAS CURIOSIDADE é um termo bonito, não ?!

Vemos aqui em cima um erro ABSURDAMENTE comum: verbo conjugado no singular, mas com sujeito no plural…. “OS PANFLETOS É“.
Um estudante do terceiro grau, que pretende ingressar no mercado de trabalho e ascender profissionalmente deveria saber conjugar algo tão simples, não ?!

Na mesma linha de raciocínio, tive que ler, agora, “OS CONSUMIDORES VAI TER ACESSO…..” a alguma coisa.

Não se pode esquecer, também, daquelas palavras que as pessoas acham que devem “misturar” línguas diferentes – geralmente inglês e português. Aqui, aparecem os “QUIOSKES“, que mistura português com…… sei lá, esperanto ?!

Temos outra categoria: o uso de sujeitos regendo verbos ABSURDOS:

Vejam lá: “O PRODUTO ABORDARÁ principalmente mulheres……”. Alguém imagina um PRODUTO abordando uma pessoa ?!
Eu posso ser abordado por um sabonete na rua ?
Você poderá ser abordado por um frasco de desodorante na próxima vez em que parar num semáforo !!!!! Cuidado !

Temos agora outro problema “clássico”: as pessoas, no geral, não sabem usar CUJO/A(S), e afins:

Nem vou entrar no mérito de erros “menores” (serão mesmo?), como ADOLECENTES, MENSIONADO, e outras coisas assim.
Agora……. dois absurdos me fizeram rir por algum tempo.
O primeiro foi o do “chafariz” lá do começo.

O outro, para finalizar, foi este aqui:

Sim, a despeito da qualidade ruim da imagem (usei a câmera do celular, devido ao excesso de papéis em cima do scanner), está escrito ali: “A NÍVEL DE INTRETERIMENTO E NOTICIÁRIOS“.

Eu quase caio da cadeira.

Mas quero retomar o seguinte: um teste ruim como o ENADE consegue lidar com estudantes do segundo ano de Administração que escrevem esses absurdos ?!

Antes que alguém afirme que estes problemas são a exceção, aviso: NÃO SÃO.
Os erros que apontei aqui são a pontinha do iceberg. Tenho muitos outros – mas tomaria um tempo absurdo reuni-los todos.

Mas garanto: são piores.
No seguinte aspecto: mais grave do que erros de concordância, regência, ortografia e afins (não que estes não sejam graves, SÃO!) são os erros e despautérios de lógica – que só podem ser detectados em frases mais longas.

Mas acreditem: eles existem, e são IMENSA MAIORIA.

Infelizmente.

ENADE 2009 (2)

Coincidentemente, a Veja desta semana (edição 2139), traz uma matéria sobre o ENADE 2009.
A matéria, basicamente, aponta na mesma direção de comentários meus, no post de 11/11 (AQUI).
Ei-la (COM GRIFOS MEUS):

É consenso que uma boa prova é aquela capaz de aferir – com isenção e objetividade – o nível de conhecimento do aluno. Por isso mesmo, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), aplicado na semana passada a 1 milhão de universitários no país, é um exemplo de prova ruim. Das dez questões de conhecimentos gerais, comuns a todos os alunos das 23 áreas testadas pelo Ministério da Educação (MEC), quatro são propaganda escancarada do governo federal. A primeira, em seu enunciado, fala sobre o suposto sucesso de uma campanha do Ministério do Meio Ambiente para reduzir o uso de sacolas plásticas. A resposta considerada certa pressupõe que o aluno acredite que o programa está funcionando a pleno vapor. A segunda pergunta o que seria fatal à formação de novos leitores no país. Acertou, de novo, quem marcou a opção favorável ao governo: “A desaceleração da distribuição de livros didáticos pelo MEC”.

Para completar o absurdo, nas demais questões impertinentes, a propaganda e a ideologia se aliaram para atacar a imprensa, uma constante no governo Lula. Numa, o aluno é induzido a pensar que o presidente foi alvo de preconceito e críticas injustas ao dizer que a crise internacional não passava de uma “marolinha”. Na outra, com base num texto estapafúrdio que desqualifica o trabalho dos jornalistas que cobrem a Fórmula 1, o estudante é levado a assinalar que a imprensa é negligente e omissa em relação às “artimanhas” que caracterizariam o esporte. Resume o historiador Marco Antonio Villa: “Trata-se de uma prova obtusa e autoritária. A resposta certa é determinada à revelia da ciência e do bom senso”.

Criado pelo atual governo em 2004, para substituir o antigo Provão, o Enade tem o propósito de medir a qualidade dos cursos superiores no país. Como no ano passado, a prova foi concebida numa parceria entre comissões formadas por professores de cada área testada – a quem o MEC delega a elaboração das diretrizes gerais – e a empresa mineira Consulplan, especializada em concursos públicos, que se encarregou da confecção do exame propriamente dito. A VEJA, um funcionário da Consulplan, que acompanhou de perto o processo, disse, sem meias palavras: “Decidimos incluir questões sobre as ações do governo porque recebemos instruções claras dos profissionais que trabalharam para o MEC”. Não é o que afirmam tais profissionais. “Nas diretrizes que traçamos, não há nenhuma menção à inclusão de perguntas com viés ideológico”, afirma o professor Luis Carlos Bittencourt, do grupo dedicado à área de comunicação social.

Os valentes que usaram o exame para fazer propaganda e disseminar sua ideologia nefasta de ódio à liberdade de informação e opinião agora se escondem no anonimato. Nada mais típico. “Talvez seja preciso repensar o sistema de concepção da prova para o ano que vem”, limita-se a dizer Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão vinculado ao MEC. Uma sugestão para o Enade de 2010 é incluir a seguinte questão:

Defina o exame de 2009:

a) Peça de propaganda do governo federal;
b) Panfleto anti-imprensa;
c) Teste de péssima qualidade acadêmica;
d) Todas as respostas anteriores.
Alguém tem dúvida sobre a alternativa correta?

Conforme eu apontara, em termos de conteúdo, a prova de Administração é MEDONHA. Mal-feita, cheia de erros…….
Ontem, por curiosidade, baixei a prova do curso de Tecnologia em marketing.
Fiquei surpreso, ao dar uma lida geral na prova, pois me pareceu MUITO MELHOR do que a prova de Administração.
Havia erros, sim – mas no geral é uma prova mais bem-feita, com questões pertinentes, boas.

Quem fez a prova de Administração precisa ser demitido urgentemente.

ENADE 2009

Vamos contextualizar primeiro:

O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) 2009 foi aplicado em 8 de novembro. Mais de um milhão de ingressantes e concluintes de 7.080 cursos foram convocados para o exame. Para os 1.103.173 convocados, a prova é requisito obrigatório para a obtenção do diploma.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), houve apenas registros de problemas isolados, como os de chegada atrasada em locais de prova ou esquecimento por parte dos estudantes de documento de identificação. (FONTE: UOL Educação)

Após ouvir alguns comentários de alunos meus sobre a prova, resolvi analisar a íntegra da prova de Administração. O download do arquivo pode ser feito AQUI.

Li a prova, e teci alguns comentários gerais, que enviei aos meus alunos – os quais transcrevo aqui:

  • Há um grande (demasiado, até) número de questões que NADA têm a ver com administração; são algo entre “interpretação de texto” e “lógica”, mas por vezes demonstram que o INEP e o MEC estão tomados por cumpanheiros do PT, ignóbeis que só eles. Mas não fiquem tristes: o concurso do IPEA, um órgão da maior importância, também foi tomado por questões de viés esquerdisto-petralha. É preciso, pois, cuidado para não cair nas pegadinhas.
  • Pode se dar melhor nesta provinha quem consegue ler/interpretar bem as solicitações (por vezes ridículas) das questões do que quem conhece os assuntos. Os velhos problemas de provas do tipo “teste”…. aqui, porém, mais graves, devido à incompetência de quem redigiu as questões.
  • Em termos de conteúdo, a prova é básica. Trata dos temas essenciais das disciplinas. Mas é paupérrima nas questões de TGA/RH.

Fui solicitado a tecer alguns comentários mais detalhados sobre algumas questões, então resolvi publicá-los aqui no blog também. Voltei minha atenção à leitura (e análise) das questões sobre TGA (Teoria Geral da Administração) e marketing, por razões óbvias. As questões que li com mais atenção são:
11 – TGA
12 – TGA
13 – TGA
14 – TGA
15 – TGA
16 – MKT
18 – TGA
19 – TGA
20 – MKT
21 – MKT
22 – MKT
25 – TGA / MKT
26 – MKT
31 – MKT
39 – TGA
40 – MKT

Vejamos, por exemplo, a questão 13:

Durante sua atividade profissional, os administradores precisam tomar inúmeras decisões que envolvem riscos com impacto no desempenho de suas organizações. Fazem-no num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam.
Com base no texto, é CORRETO afirmar que os administradores tomam decisões num contexto de racionalidade
A) instrumental.
B) legal.
C) limitada.
D) plena.
E) técnica.

Uma questão meramente interpretativa, já que a resposta estava no próprio enunciado (“num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam“).

A questão “mede” o conhecimento (ou a competência) de um administrador de empresas ?!
NÃO. Só serve para ocupar espaço – e o tempo do coitado que precisa se deslocar até a PQP para fazer a bosta da provinha.

Mais um exemplo – a questão 14:

Saiu o resultado da pesquisa de clima organizacional da BomTempo S.A. Entretanto, os resultados relativos ao item Responsabilidade e Motivação com o Trabalho são os que mais preocupam Jorge, o Diretor de Recursos Humanos.
(ver a tabela com os resultados no arquivo original)
Alguns funcionários relataram, no campo do questionário reservado para comentários adicionais, que as atividades não utilizavam plenamente o seu potencial. Com base nas informações e nos dados apresentados, Jorge solicitou à sua equipe preparar algumas opções de planos voltados para gerar motivação com o trabalho e reverter essa situação junto aos funcionários. Por qual das alternativas Jorge deverá optar?
A) Abertura dos canais de comunicação e feedback.
B) Aumento do trabalho em grupo.
C) Enriquecimento de cargo lateral e vertical.
D) Participação dos funcionários no processo decisório.
E) Simplificação das atividades.

Nesta questão, há um problema grave, e outro menos grave.
O menos grave: a pergunta é bem babaquinha, né ?!
O mais grave: há 3 alternativas corretas (B, C e D). Vejamos:

  • Se formos buscar as explicações na Teoria de Relações Humanas, na qual o homem era visto como um ser SOCIAL, o aumento do trabalho em grupo poderia aumentar a percepção de cada funcionário sobre sua importância para aquela comunidade, exatamente como descrito na fase 2 da experiência de Hawthorne (Elton Mayo). Alternativa B correta.
  • O enriquecimento do cargo é uma solução bastante óbvia – mas a pegadinha é que enfiaram os termos “lateral e vertical”. Alguns certamente podem ter descartado esta alternativa por conta desse “enriquecimento lateral E vertical”, que poderia ter o sentido de “enlargement” ao invés de “empowerment” (em tempo: o “enriquecimento” se refere ao termo “empowerment”). Se utilizarmos os princípios do modelo japonês de administração, o empowerment (tanto lateral quanto vertical) pode ser apontado, sim, como fator capaz de aumentar a motivação com o trabalho e aproveitamento do potencial individual (basta ver os princípios da Toyota para fazer o seu “just-in-time” funcionar, assim como o Kanban e o Kaizen). Alternativa C correta.
  • A alternativa D também é bastante óbvia: ao aumentar a participação dos funcionários no processo decisório, eles sentir-se-iam mais motivados a continuar contribuindo – ao menos se utilizarmos princípios das teorias de Maslow e Herzberg.

Contudo, o problema central é o seguinte: em pleno Século XXI, qual a relevância de discutir esse tema tão batido há décadas ? Nenhuma.
Muita gente, hoje, prefere jogar um livrinho como “monge e o executivo” na mão dos alunos – afinal, aquele lixo caça-níqueis não é capaz de resolver todos os problemas, recorrendo à metáfora do “líder-servidor” (argh!!!!!) ????
O INEP/MEC prefere descartar as alternativas B e D: o gabarito aponta a resposta correta como sendo a C. 
Sim, a C está correta de fato – mas B e D também estão.

Na questão 15, mais problemas:

Um dos principais desafios do líder é conseguir a dedicação e o empenho de seus liderados na realização das atividades e tarefas que lhes competem, visando a alcançar os objetivos organizacionais. A liderança efetiva pressupõe, portanto, o conhecimento das principais teorias motivacionais que podem orientar as ações do líder com o objetivo de canalizar os esforços dos liderados.
É CORRETO afirmar, tendo em conta os conceitos básicos das teorias da motivação, que
A) a expectativa dos indivíduos sobre a sua habilidade em desempenhar uma tarefa com sucesso é uma importante fonte de motivação no trabalho.
B) objetivos genéricos e abrangentes, que dão margem para diferentes interpretações e ações, são uma importante fonte de motivação no trabalho.
C) os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho, quando acreditam que esse desempenho diferenciado resultará em recompensas para o grupo.
D) todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, quando seu intuito é estimular os esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais.
E) todos os indivíduos possuem elevadas necessidades de poder, e a busca por atender a essas necessidades direciona os seus esforços individuais.

Pois bem……

Se recorrermos à teoria de Herzberg (fatores intrínsecos e extrínsecos, aumento da satisfação aliada à redução da insatisfação, fatores higiênicos e motivacionais), a alternativa A está correta.
Se, por outro lado, considerarmos a importância da cultura organizacional como fator capaz de motivar o grupo, a alternativa C também está correta – e volto a citar o modelo de administração japonês, que prezava a coletividade em detrimento da individualidade.

O gabarito oficial aponta a alternativa A como a correta.

E quanto às questões de marketing ?!
A questão 20 é uma enorme perda de tempo. A pessoa que não conhece NADA sobre o assunto, mas consegue interpretar o gráfico, acerta facilmente.
Por outro lado, se o cara estudou muito o assunto, azar o dele. Não precisava.
Mas o pior, neste caso, é o seguinte: o gabarito indica a alternativa E. 
Errado.

A alternativa E afirma que “o custo de atendimento é positivamente relacionado ao valor real do cliente”. Não é.
Basta ver o gráfico para perceber que esta afirmação somente é válida para os grupos 1 e 3, que têm valor  real MAIOR do que o custo de atendimento, enquanto o grupo 2 tem custo IGUAL ao valor, e finalmente os grupos 4 e 5 têm valor real (significativamente) MENOR do que o custo de atendimento.

A alternativa APROXIMADAMENTE correta é a D (“mais de dois terços da receita provêm de 10% dos clientes“). Aplicando-se a regra de Pareto, percebemos que os grupos 1 e 2, somados, respondem por 11% do total de clientes da empresa, e concentram nada menos do que 68% da receita. Tanto é verdade, que o valor estratégico destes grupos é BASTANTE superior ao dos demais.

Destaquei o “aproximadamente”, pois o valor exato não é 10% dos clientes, mas 11%.

O gabarito está errado.

A questão 21, relacionada à questão 20, é na verdade um exercício de adivinhação, futurologia pura.
Afirma-se o seguinte:

Com base na análise da figura, Alberto Santos pode definir a estratégia de marketing de relacionamento para a sua empresa.
Devem ser usadas estratégias de retenção para os clientes do Grupo 1.
PORQUE
O Grupo 1 é o que apresenta maior potencial de crescimento.
A respeito dessas duas afirmações, é CORRETO afirmar que

A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.
B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.
C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
E) as duas afirmações são falsas.

O gabarito indica como correta a alternativa C – porém, ela NÃO está correta. Ela está “menos errada”.

Isso se deve à ambiguidade do enunciado: Alberto Santos, diretor de marketing da 14 Bis Linhas Aéreas, dividiu a base de clientes da empresa em cinco grupos, com base no tamanho, na participação percentual na receita, no custo de atendimento e nos volumes de transações atuais (valor real) e potenciais (valor estratégico).

Como eu não estou dentro da cabeça do Alberto Santos, eu não sei que critérios foram usados para classificar o POTENCIAL dos clientes……. Foi o volume de compras ? Foi o mix de produtos/serviços adquiridos ? Foi o interesse da empresa em outros segmentos de negócios nos quais estes clientes também teriam interesse (e, assim, poderiam tornar-se clientes da empresa quando ela entrasse neste outro segmento) ?
Não sei.

Por isso mesmo, eu não posso afirmar categoricamente que o grupo 1 deve ser alvo de estratégias de retenção. Adeus, alternativa C.

A questão 25, FINALMENTE, traz um pouquinho de inteligência à prova.
Questão bem montada, com elementos capazes de se atingir uma conclusão. E o gabarito está correto!!!!!

Mas a alegria dura pouco: na página seguinte, a questão 26 volta ao problema da questão 21. Um lixo.

Tenho pena da educação brasileira.
E esta sensação aumenta a cada dia.

Novo Windows

E o lançamento do novo sistema operacional da Micro$oft, o Windows 7 ?
Sim, hoje (22/10) foi o lançamento OFICIAL do software. Andei lendo algumas matérias sobre isso, em blogs, sites e jornais. Para contextualizar o leitor, sugiro esta leitura AQUI. Maiores detalhes, AQUI e AQUI.
Algumas coisas que me chamaram a atenção:

1) Mesmo ANTES da comercialização do produto nas lojas, os camelôs da Santa Efigênia já estavam vendendo (leia AQUI). O preço oficial do produto, como aponta a matéria, é de R$ 369,00 (a versão mais simples); no camelô, consegue-se por cerca de R$ 10,00. Uma BELA diferença, não ?!
Ok, o Windows é um produto ruim pacas (cheio de defeitos), mas há custos elevados no processo de desenvolvimento. Agora, se eles cobrassem um valor mais razoável, não seria mais fácil reduzir a pirataria ????
Espero que a nova versão esteja menos ruim, mas mesmo se estiver, 370 paus é caro, hein ?!

2) A campanha de comunicação & promoção do Windows 7 tem como base transmitir a idéia de que o software pegou as idéias dadas pelos clientes/usuários – este é o mote dos comerciais (em alta definição!!!!):

O leitor que desejar ver mais, pode acessar o canal da M$ no YouTube, AQUI.

Interessante (e necessária) a idéia da M$ (Micro$oft, para os íntimos) de se aproximar do princípio das redes sociais e/ou “colaborativas”. Só espero que o software não continue travando…… Isso, com certeza, é uma idéia/demanda dos clientes da empresa (eu, inclusive).

Aliás, por falar nisso, uma matéria muito boa sobre fidelização de clientes/usuários de redes sociais/colaborativas está AQUI.