Marx e o Capitalismo

Leitura interessante: texto publicado na Folha do último dia 09/02 (aqui).

Marx e o capitalismo

Mesmo que cada um pense e aja de maneira diferente dos outros, o capitalismo prospera

MARX CONTA, em nota de pé de página de “O Capital”, que, certa vez, uma gazeta teuto-americana criticou o materialismo da sua famosa tese, segundo a qual a estrutura econômica da sociedade é a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política, à qual correspondem determinadas formas de consciência social. Para os editores da gazeta, tudo isso certamente estava correto para o mundo contemporâneo, onde dominava o interesse material, mas não para a Idade Média, em que dominava o catolicismo, nem para Atenas ou Roma, onde dominava a política. A resposta de Marx foi que “a Idade Média não podia viver do catolicismo, nem o mundo antigo, da política. Ao contrário, a forma e o modo pelos quais ganhavam a vida é que explica por que ali a política e aqui o catolicismo desempenhavam o papel principal”.

Ninguém ignora a importância do catolicismo para o feudalismo, que era o modo de produção dominante na Idade Média. Como diz o historiador Jacques Le Goff, em “O Deus da Idade Média” (ed. Civilização Brasileira), publicado no Brasil no ano passado, “no mundo feudal, nada de importante se passa sem que seja relacionado a Deus. Deus é ao mesmo tempo o ponto mais alto e o fiador desse sistema. É o senhor dos senhores. […] O regime feudal e a Igreja eram de tal forma ligados que não era possível destruir um sem pelo menos abalar o outro”.

Como se sabe, o regime feudal era o modo de produção dominante na Europa, antes do capitalismo. Curiosamente, se pensarmos agora no modo de produção que pretendia superar o capitalismo, que era o socialismo (que, segundo os marxistas-leninistas, era a primeira etapa, de transição, para o comunismo), veremos que, onde ele tentou existir realmente, como na União Soviética, nos países do Leste Europeu etc., o papel da ideologia marxista-leninista não era menor do que o da religião católica havia sido durante a era do feudalismo.
É verdade que, no socialismo, a política também teve um papel importantíssimo, não menor do que o que tivera no mundo antigo; mas, de qualquer modo, a história mostrou que aquilo que Le Goff diz da articulação entre o feudalismo e a Igreja -que eram de tal forma ligados que não seria possível destruir um sem pelo menos abalar o outro- pode ser dito da articulação entre o socialismo real e o partido marxista-leninista. Assim, por exemplo, dado que, no socialismo, as atividades econômicas não seriam mais realizadas tendo em vista a subsistência ou o lucro, era necessário que o partido -como diz uma enciclopédia publicada pelo Instituto Bibliográfico da extinta República Democrática Alemã- orientasse a criação da “unidade moral e política do povo”, de modo que o trabalho se transformasse, “de mero meio de subsistência a um assunto de honra”.

Em semelhante regime, a intolerância em relação a heresias -ideologias alternativas, “desvios”, “revisionismos” etc.- não é meramente acidental. A repressão a elas não se reduz -como se poderia supor- a um mero estratagema político, usado por determinado partido ou comitê central, ou líder (como não pensar em Stalin?) para racionalizar a prática de perseguir e eliminar os dissidentes. Ela provém da necessidade estrutural de manter a unidade ideológica indispensável para o funcionamento da própria base econômica.

Já o capitalismo funciona independentemente das idéias, concepções, religiões, atitudes, isto é, das ideologias, dos operários, capitalistas, técnicos, administradores ou consumidores que o fazem funcionar. Ainda que cada indivíduo pense e aja de uma maneira diferente de todos os outros, o capitalismo é capaz de prosperar, desde que seja observado de modo geral um mínimo de leis e regras formais de convivência. É exatamente por isso que ele é compatível com a maximização da liberdade individual, a sociedade aberta e o reformismo.

Os editores da gazeta teuto-americana perceberam de modo invertido a situação real. É o feudalismo (e, como vimos, também o socialismo) que necessita, para o seu funcionamento, de uma ideologia particular, correspondente à sua base econômica, e que, por isso, não é capaz de tolerar ideologias alternativas. O capitalismo, porém, exatamente porque a sua base econômica opera a partir do puro interesse material, independentemente de qualquer ideologia particular, não necessita de nenhuma ideologia específica, de modo que é capaz de tolerar todas, inclusive as que lhe foram ou são hostis, como o catolicismo ou o marxismo-leninismo.

ANTONIO CICERO

Não é o costume do blog simplesmente reproduzir um texto na íntegra, sem mais nem menos. Porém, este vale a pena. Ótima leitura !

Novidades

Já constam da página de downloads (aqui) algumas novidades:

1. Crônica de um partido não anunciado: programa e governos do PT entre 1979-2000, uma Tese de Doutorado da UNICAMP, cuja leitura, a despeito do viés imposto pelo autor, ajuda a relembrar as bases do surgimento do PT, suas “bandeiras históricas”, sua proximidade com o Marxismo e variantes (o tal “Socialismo Petista”), as razões do crescimento desde a fundação etc…… Assim como o item 07 supra apresenta um viés claramente tucano, este aqui tem justamente o oposto. De qualquer maneira, se deixado de lado tal viés, ainda assim é leitura interessante para quem busca conhecer verdadeiramente a corja de trogloditas que tomou de assalto o Brasil.

2. Dossiê, com matérias publicadas em alguns meios de comunicação ao longo de 2002. Traz uma auspiciosa entrevista com Heloísa Helena (ainda membro do PT, na época da entrevista), uma boa radiografia das diversas “correntes” que formam o PT, interesses de grupos próximos (como CUT e MST), e notícias gerais que ajudam a demonstrar a metamorfose pela qual o PT passou para conquistar o “poder”. Destaco os trechos que se referem ao FMI (página 26), à maneira de lidar com impostos (página 52) e a renegociação de dívidas dos Estados (página 32), pois são 3 pontos que mostram uma posição claramente antagônica àquela adotada após Rei Mulla assumir seu troninho.

3. A experiência brasileira com programas de transferência direta de renda, uma Dissertação de Mestrado da UNICAMP que trata dos programas como Bolsa Escola, Bolsa Família e afins. Serve principalmente para mostrar o histórico de programas desta natureza, característica que pode ser útil para PTistas desmiolados que dizem por aí que o Bolsa Família do Lulla é uma inovação – não é. Outro texto com forte viés, mas que não invalida, ainda assim, os dados apresentados.

Pena que os PTralhas dificilmente conseguem ler mais de 3 páginas de textos sem ilustrações (coloridas)…Estes arquivos poderão ajudar aqueles boçais que defendem o PT apenas e tão somente baseados no Manual citado abaixo….

Claro, não devem ajudar muito, pois essa corja de psicoPTs esquizofrênicos não tem o hábito de ler nada que não siga à risca as regras de insultos a “tucanos” em geral……

MANUAL

Como eu já afirmei antes, o Orkut costuma agregar muito lixo, sem dúvida. Porém, há coisas que acabam compensando isso.

Este tópico aqui, por exemplo.

Trata-se de um conjunto de regras seguidas à risca pelos PTistas, não apenas no Orkut, mas em qualquer outro âmbito de discussão.

Eu posso comprovar isso, facilmente. Basta ver o tipo de “resposta” que uma PTralha chamada “Lilith” (com o perdão do pleonasmo vicioso, muito mal-educada e extremamente mal-informada) deixou nos comentários de um tópico anterior, aqui. Dona “Lilith” segue à risca o manual, que ensina a tergiversar, a fugir da discussão quando não há como responder sem demonstrar a falta de argumentos, a enfiar piadinhas e qualquer outra bobagem (como os “kkkkkkkkkk”) quando o interlocutor simplesmente não tem mais como rebater o que foi dito…. Demonstração prática das “técnicas” da Lilith e demais PTralhas que seguem o manual estão aqui (aliás, neste tópico ela segue à risca as diretrizes do manual, especialmente os “kkkkkkkkk”), aqui e aqui.

Destaque especial para os nomes chamativos (geralmente mentirosos) dos tópicos: aqui, aqui, aqui, e aqui.

Enfim, este manual é uma diversão garantida ! Inclusive, estou tomando a liberdade de compilar os tópicos num arquivo, aqui. Fica mais fácil para visualizar…..e contém algumas humildes contribuições minhas. Mas a idéia, genial, foi do Fábio (ver no tópico do Orkut).

Aliás, a quantidade de perfis falsos (“fakes”) que os PTistas usam, para tergiversar e fazer bagunça nas comunidades do Orkut, deve ser alvo de um estudo detalhado, pois decerto há algum traço de esquizofrenia ou alguma outra patologia……IMPRESSIONANTE !

Coincidências, apenas coincidências.

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (aqui, na íntegra),

Um pouco mais da metade, 51,5%, dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar até o final de 2007 não conseguiram completar o primeiro grau ou apenas lê e escreve. O quadro é ainda mais dramático quando somados os 6,46% de eleitores analfabetos em todo o país.
O Nordeste, sozinho, tem 4,2 milhões de eleitores analfabetos, número maior que a soma de 4 milhões de todas as demais regiões do país.  Enquanto o percentual de eleitores analfabetos é de 3,51% e 3,84% nas regiões Sul e Sudeste, os estados da região Norte e Nordeste registram 8,74% e 12,22% de analfabetos em seu eleitorado. Na região Centro-Oeste, os iletrados somavam 4,76% no final do ano passado.
Apenas 3,43% dos eleitorado têm nível superior completo. Esse índice é de 3,8% e 4,4% nas regiões Sul e Sudeste, mas de apenas 1,73% e 1,79% no Norte e Nordeste. O Centro-Oeste registra 3,64% de eleitores com nível superior.
O nível de escolaridade também confirma a grande disparidade educacional entre as regiões brasileiras e mostra um quadro parecido com o do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores utilizado pela ONU.
No Norte e Nordeste, a baixa escolaridade atinge quase 58% dos votantes. Quando somados com os analfabetos, 70% dos 34,3 milhões de eleitores nordestinos não conseguiram sequer completar o primeiro grau. Ao se alistarem, 26,7% dos nordestinos declararam que lêem e escrevem, enquanto 31,19% disseram que tinham primeiro grau incompleto. No Norte, esse percentual era de 20,47% e 37,05%. No Centro-Oeste, a baixa escolaridade está entre 52% do eleitorado.

Agora, números e estatísticas curiosas:

Em 2006,  58,2 milhões de votos recebidos pelo candidato à reeleição Lulla, ou 60,83% dos votos válidos;

No Nordeste, Lulla teve 77,13% dos votos válidos; no Sul, foram 46,49%; no Sudeste, foram 56,87%; no Norte, 65,59%, e 52,38% no Centro-Oeste (números do TSE, disponíveis aqui).

Coincidentemente, Lulla teve percentual maior nas regiões com menor alfabetização e menor IDH.

Alguns farão a leitura de que os “pobres” votaram em peso num candidato que tinha maior apelo junto ao segmento; outros, mencionarão “a zelite”, e dirão que esta “zelite” tenta dar um golpe para abalar a ilibada reputação do governo “popular”. Outros, associarão o menor grau de alfabetização (e conseqüente menor capacidade de acesso e compreensão de informações que poderiam influir na decisão do voto) destas regiões à vitória de um incomPTente.

Particularmente, creio que há um peso a ser atribuído à “massa de manobra”, ou seja, uma volumosa parcela da sociedade de não busca maiores informações para formar sua opinião – e acaba sendo ludibriada por mentiras travestidas de notícias. Para o bem e para o mal.

Mas não é possível dizer que “analfabeto votou no Lulla porque é burro”.

Não acredito nisso. Até porque tem muita gente com diploma que ignora os fatos e cria ilusionismos de baixíssima honestidade intelectual para defender suas posições sectárias – como Marilena Chauí, por exemplo.

Outras pessoas, por mais bem intencionadas que sejam, têm uma lacuna involuntária entre a percepção da realidade, a leitura dos fatos, e as ações práticas. Analfabetismo funcional, talvez ?

Há, claro, as de má-fé, que votam no sujeito visando apenas algum benefício próprio – como um cartão corporativo gratuito, mordomias, cargos com salários estratosféricos, verbas etc……

E sempre haverá quem acredite apenas em coincidências……

FIM

Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.

Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.
Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.

Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.

Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.
Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.

Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.
Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.

Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.

Este artigo, de autoria de Roberto Mangabeira Unger, foi publicado na Folha de São Paulo de 15/11/2006 (aqui, para assinantes).

Atualmente, Roberto Mangabeira Unger é Ministro (ver aqui) do “governo mais corrupto de nossa história nacional”.

Isso é o Brasil. 

Cartões corporativos – uma farra

E segue o burburinho a respeito dos cartões corporativos da Presidência, que já derrubaram a Ministra Matilde (ver aqui e aqui).

O que me chamou a atenção foi um “detalhe”, após ler afirmações em blogs (do Josias de Souza, aqui, e do José Dirceu, aqui), além de comunicados oficiais da Controladoria Geral da República (aqui e aqui). Este “detalhe” é uma soma de informações, coisa simples. Mas que indica haver alguma distorção das informações “oficiais”.

Vejamos:

1) Diz o comunicado da Controladoria Geral da União que “o secretário executivo da Controladoria-Geral da União, Luiz Navarro, informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de 2001“;

2) Um documento produzido pela Controladoria Geral da União (aqui), indicado para download na página da própria CGU (e apontado nos blogs do Josias de Souza e do José Dirceu como “revelador”) NÃO aponta os valores de R$ 213,6 milhões em 2001 e R$ 233,2 milhões em 2002.

Aliás, se o cartão foi criado NO FINAL DE 2001, como é que já foi responsável por R$ 213 milhões de gastos, logo de saída ?????? Tem coisa estranha nestas afirmações, não ?!

Alô, Josias de Souza: jornalista da Folha de São Paulo não tem mais o hábito de checar dados e informações, não ?! A própria Folha de São Paulo tratou deste assunto, em Janeiro de 2005, e apresentou números completamente diferentes !!!!! Estão aqui, aqui e aqui. Como se não bastasse, a matéria da Folha On-Line que trata da saída da Ministra (que só apareceu depois da declaração racista que fez, no final do ano passado – porque, antes, era uma ilustre desconhecida, que nunca mostrou a que veio) fala de outros montantes envolvidos (aqui):  Os gastos com o cartão corporativo somaram R$ 75,6 milhões em 2007 –mais que o dobro que no ano anterior (R$ 33 milhões). O texto no site da CGU, por outro lado, apresenta o seguinte: Em 2003 as despesas com suprimento de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões: em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões. No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002.

Não há muitas discrepâncias nestes números ??????????

Mas não acabou………. O arquivo produzido pela CGU (indicada no site) parece ter sido produzido às pressas: não informa qual a unidade de medida dos valores apresentados (milhões de reais, mil reais, dólares, euros ou o quê ?!), e traz números que não sustentam as informações apresentadas no texto do site da CGU…..

Será que haveria algum tipo de fraude nisso ? Ou, talvez, algum errinho ?!

Perguntar não ofende…………… Afinal, que isso tudo está bem estranho, está !

Privatização: novo recorde

Notícia da Revista Consumidor Moderno (na íntegra, aqui):

Em 2007, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil ultrapassou a marca de 120 milhões de habilitações na telefonia móvel. Os 120.980.103 celulares registrados no País, em dezembro, representam um crescimento de 21,08% em relação a 2006. Os 21.061.482 novos acessos fazem de 2007 o ano de maior sucesso da telefonia móvel no Brasil, desde a instalação do serviço em 1990. O mês de dezembro também foi o melhor da história, com 4.666.276 habilitações (crescimento de 4,01%), e contribuiu fortemente para o resultado, superando dezembro de 2004, quando se registraram 4.416.843 novos celulares. Os celulares aumentaram de 4,6 milhões, em 1997, para quase 121 milhões de acessos no ano passado.

Será que o PT ainda vai defender o modelo arcaico no qual o Estado interfere na Economia ?

Só para lembrar: o sistema Telebrás foi privatizado por FHC.

O PT foi contra. Até 2002, Lulla atacava as privatizações (inclusive do sistema Telebrás).

Pergunta: quem errou ????

Superávit, déficit e exportações

Ao abrir a página inicial do portal UOL, duas notícias me chamaram a atenção. Ambas podem ajudar a complementar um post anterior, que tratava de alguns aspectos auspiciosos da atual situação do Brasil (aqui).

A primeira notícia trata do superávit primário do Brasil (na íntegra, aqui). Destaco alguns trechos:

A economia do país para o pagamento de juros (o chamado superávit primário) somou R$ 101,606 bilhões em 2007. Segundo o Banco Central, é o maior valor já registrado desde 1991, quando o levantamento começou a ser feito. O montante superou a meta, que era de R$ 95,9 bilhões, e correspondeu a 3,98% do PIB (Produto Interno Bruto).
Em dezembro, os gastos públicos superaram a arrecadação, de modo que houve um déficit de R$ 11,78 bilhões, o maior já registrado pelo BC. O número é 82,6% maior que os R$ 6,453 bilhões registrados em dezembro de 2006.
O superávit primário tem um lado positivo, que é economizar dinheiro para pagar as dívidas, mas também tem um aspecto ruim: os governos tendem a investir menos e a elevar a carga tributária.
Apesar de o esforço para pagar os juros em 2007 ter sido o maior já registrado, não foi suficiente para fazer a dívida pública líquida cair. Ela aumentou de R$ 1,067 trilhão em dezembro de 2006 para R$ 1,150 trilhão no mesmo mês do ano passado. Isso ocorre porque ainda há o chamado déficit nominal, ou seja, o dinheiro economizado não foi suficiente para pagar a totalidade dos juros, que somaram R$ 159,5 bilhões. Assim, as contas públicas fecharam o ano com um resultado nominal negativo de R$ 57,926 bilhões, equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto.

Fica claro, portanto, que não há tanta diferença entre os erros cometidos no mandato FHC e os erros cometidos atualmente, no mandato de Rei Mulla. O que mais chama a atenção, aliás, é que o PT sempre criticou o tal do “superávit primário” – mas não apenas continua adotando como vem elevando o montante…..

Será que isso é “apenas” um indicativo da demagogia que o PT sempre adotou quando oposição ou indica também uma completa falta de propostas alternativas ?! Será que não existe no “quadro” do PT ninguém suficientemente competente para propôr caminhos diferentes daqueles já adotados por FHC – que, em muitos casos, seguem a receita clássica sugerida pelo FMI ?!

Além disso, em muitos aspectos a situação fica pior – como, por exemplo, para os pecuaristas brasileiros (na íntegra, aqui):

Nenhuma propriedade agrícola brasileira possui no momento autorização para fornecer bois para exportação de carne à União Européia, o que deverá fazer com que as vendas sejam interrompidas a partir de 31 de janeiro, quando entram em vigor novas regras européias.
Como houve uma discordância entre os governos brasileiro e europeu sobre o número de fazendas liberadas para exportar à UE, nenhuma propriedade conseguiu autorização sob as novas regras, válidas a partir de quinta-feira, disse um integrante da Comissão Européia nesta quarta-feira.
Apenas cerca de 300 propriedades brasileiras, ou 3% das fazendas, deveriam receber permissões para exportar aos 27 países integrantes do bloco europeu, segundo interpretação do comissário de Saúde do bloco, Markos Kyprianou, mas o Brasil enviou uma lista com um número maior de unidades consideradas habilitadas (2.600).
As restrições impostas pela UE foram anunciadas depois de uma delegação européia ter encontrado, de acordo com o bloco, irregularidades no sistema sanitário e de rastreabilidade do Brasil, no ano passado. Além disso, as limitações seguem um forte lobby feito por fazendeiros do bloco, principalmente irlandeses, que afirmam estar sendo prejudicados pelas exportações brasileiras.
Para o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, a posição da UE, “na prática, paralisa as exportações de carne in natura do Brasil para lá”, a partir de 31 de janeiro. As exportações de carne industrializadas estão fora das restrições, uma vez que o vírus da febre aftosa é eliminado no processo de industrialização.
Em 2007, o Brasil exportou 2,53 milhões de toneladas (equivalente carcaça) de carne bovina para todos os destinos, obtendo com essas vendas externas US$ 4,42 bilhões. Segundo a Abiec, entidade que representa os exportadores de carne bovina do Brasil, as exportações de carne bovina para a UE somaram 543,5 mil toneladas (21% do total), o equivalente a US$ 1,4 bilhão (32%). De acordo com o analista, os países integrantes do bloco europeu respondem pela maior parte da receita obtida com as exportações por pagarem um preço mais elevado pelo produto brasileiro.

Cabe lembrar que o Brasil já foi o maior exportador mundial de carne bovina – mas agora, com estas restrições, possivelmente perderá o posto……..

CRYING revisitado

A música já é um espetáculo. O autor, um gênio – que interpretou muito bem enquanto esteve vivo.
Mas esta “versão” conseguiu unir o útil ao agradável: boa música com uma interpretação INCRÍVEL.

Como definiu (muito bem) um amigo meu, “foda, foda, foda”.