Cartões corporativos – uma farra

E segue o burburinho a respeito dos cartões corporativos da Presidência, que já derrubaram a Ministra Matilde (ver aqui e aqui).

O que me chamou a atenção foi um “detalhe”, após ler afirmações em blogs (do Josias de Souza, aqui, e do José Dirceu, aqui), além de comunicados oficiais da Controladoria Geral da República (aqui e aqui). Este “detalhe” é uma soma de informações, coisa simples. Mas que indica haver alguma distorção das informações “oficiais”.

Vejamos:

1) Diz o comunicado da Controladoria Geral da União que “o secretário executivo da Controladoria-Geral da União, Luiz Navarro, informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de 2001“;

2) Um documento produzido pela Controladoria Geral da União (aqui), indicado para download na página da própria CGU (e apontado nos blogs do Josias de Souza e do José Dirceu como “revelador”) NÃO aponta os valores de R$ 213,6 milhões em 2001 e R$ 233,2 milhões em 2002.

Aliás, se o cartão foi criado NO FINAL DE 2001, como é que já foi responsável por R$ 213 milhões de gastos, logo de saída ?????? Tem coisa estranha nestas afirmações, não ?!

Alô, Josias de Souza: jornalista da Folha de São Paulo não tem mais o hábito de checar dados e informações, não ?! A própria Folha de São Paulo tratou deste assunto, em Janeiro de 2005, e apresentou números completamente diferentes !!!!! Estão aqui, aqui e aqui. Como se não bastasse, a matéria da Folha On-Line que trata da saída da Ministra (que só apareceu depois da declaração racista que fez, no final do ano passado – porque, antes, era uma ilustre desconhecida, que nunca mostrou a que veio) fala de outros montantes envolvidos (aqui):  Os gastos com o cartão corporativo somaram R$ 75,6 milhões em 2007 –mais que o dobro que no ano anterior (R$ 33 milhões). O texto no site da CGU, por outro lado, apresenta o seguinte: Em 2003 as despesas com suprimento de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões: em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões. No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002.

Não há muitas discrepâncias nestes números ??????????

Mas não acabou………. O arquivo produzido pela CGU (indicada no site) parece ter sido produzido às pressas: não informa qual a unidade de medida dos valores apresentados (milhões de reais, mil reais, dólares, euros ou o quê ?!), e traz números que não sustentam as informações apresentadas no texto do site da CGU…..

Será que haveria algum tipo de fraude nisso ? Ou, talvez, algum errinho ?!

Perguntar não ofende…………… Afinal, que isso tudo está bem estranho, está !

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