Adeus, Lulinha

A notícia é do site Meio & Mensagem (especializado em propaganda e mídia):

O canal musical Play TV não está mais no ar. Confirmando os rumores de que a parceria com a empresa Gamecorp não teria continuidade – conforme já havia sido noticiado pelo M&M Online – o Grupo Bandeirantes não exibe mais a programação do canal desde a última segunda-feira, 7.

Para preencher a lacuna deixada, a Band colocou no ar a programação da Rede 21, que ocupava o espaço antes da entrada da Play TV, ocorrida há pouco mais de dois anos.

Informações veiculadas na imprensa nas últimas semanas davam como certas as intenções da Bandeirantes em romper a parceria com a emissora musical, cujo contrato expiraria no final do mês de julho. Em contrapartida, a diretoria da Play TV parecia empenhada em convencer a antiga casa das vantagens em manter o contrato de programação.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, a decisão final acerca do rompimento teria sido tomada na última sexta-feira, 4, e foi recebida com bastante surpresa até pela própria Play TV, que esperava conseguir uma conciliação com a Bandeirantes que garantisse a continuidade da veiculação de seus programas por, pelo menos, mais alguns meses.

Em entrevista publicada na edição 1316 de Meio & Mensagem, do último dia 7, o sócio e vice-presidente da Play TV, Paulo Leal, falou sobre os investimentos do canal para a cobertura e transmissão do Rock In Rio Madri, que aconteceria a partir do 11 e chegou a afirmar que esperava que a avaliação acerca da continuidade do contrato fosse feita com ponderação pela diretoria da Band.

O executivo também disse que, em termos de faturamento publicitário, a Play TV vinha cumprindo seu papel de forma satisfatória. A empresa, agora, estuda a possibilidade de novas parcerias com ouros veículos que possam abrigar seu conteúdo televisivo.

Logo após a repentina decisão, a Band já iniciou a semana com uma nova home no portal que antes abrigava o conteúdo do Play TV. A emissora colocou um grande logotipo da Rede 21, acompanhado das frases ‘Aguarde. Nosso novo site está quase pronto’, sugerindo que, em breve, apresentará novidades para o espaço do canal.

Até o início da tarde desta terça-feira, 8, a Bandeirantes não fez nenhum pronunciamento oficial declarando o fim da parceria e suas respectivas justificativas.

Pois é…… Agora resta saber se o “empresário” Lulinha voltará a dar expediente no zoológico, ganhando salário de R$ 800,00, ou se a Oi/Telemar vai continuar pagando uma “mesada” ao filho do Presidente da República por agradecimento à mudança na lei que permitiu a fusão com a BrasilTelecom…..

CRM em pequenas empresas – como pode ?

Diversas fontes de informação relacionadas a novas formas de gestão empresarial têm abordado uma ferramenta que vem ganhando espaço em grandes empresas no mundo inteiro, o CRM (Customer Relationship Management, ou Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente). Nestas recentes discussões têm sido apresentados valores elevados quando se fala sobre o custo para implementação do CRM – valores que podem variar entre R$ 10 mil e R$ 5 milhões.

A primeira coisa a se esclarecer quando o assunto é CRM diz respeito justamente a estes valores apresentados.
Ao contrário do que muita gente pode ser levada a pensar, o CRM não se resume a um software que a empresa compra, instala e começa a usar. Se isto fosse verdade, bastaria a empresa instalar o software de CRM (e há vários no mercado) para dizer que faz o marketing de relacionamento – o que está muito longe da realidade.
O marketing de relacionamento, antes de resumir-se a um software, é na verdade uma filosofia da empresa. Premissa: é necessário haver um relacionamento com o cliente para que só então ele possa ser gerenciado. Muitas empresas têm adotado softwares sofisticados de gerenciamento com o cliente, mas esquecem-se de que elas deveriam, antes, construir um relacionamento com seus consumidores – e isso não é tarefa para nenhum software.

Primeiramente, tentemos compreender que “relacionamento” é uma palavra com significado bastante objetivo: pode haver um relacionamento entre duas pessoas (amizade, casamento etc), entre duas empresas (fornecedor-comprador, produtor-distribuidor etc) e finalmente entre a empresa e seus consumidores. Muitas características são comuns a todos estes relacionamentos. A princípio, o respeito: seja o respeito para contratos e/ou normas estabelecidas de comum acordo, seja pelo respeito às características individuais (e únicas) de cada um dos envolvidos no relacionamento para com a outra parte.

Com isso em mente fica mais fácil entender o marketing de relacionamento: ele será o responsável por gerenciar, da melhor forma, o relacionamento da empresa com seus consumidores, fornecedores, outras empresas (concorrentes inclusive) etc.

Neste ponto a filosofia do CRM vai ser a grande diferença – desde que bem aplicada. O cliente tem uma percepção de produto que engloba diversos fatores: preço, qualidade, entrega no prazo, utilidade, atendimento, durabilidade etc. Estes fatores variam, evidentemente, de acordo com os produtos envolvidos.
No geral, podemos dizer que a percepção de produto por parte com consumidor se divide entre itens tangíveis e intangíveis – os tangíveis são aqueles facilmente mensuráveis, como preço (pode ser diretamente comparado, em números).
Os elementos intangíveis, entretanto, são o grande diferencial entre os mais diversos produtos, especialmente os do tipo “commodity”. Aos fatores intangíveis cabe a tarefa de mostrar ao cliente que a empresa é única, e trata cada um de seus clientes de maneira igualmente única – são itens como o tipo de atendimento, a presteza de informações, a eficácia na resolução de problemas, a percepção das atuais e futuas necessidades e desejos de seus clientes etc.

A percepção intangível é difícil de ser medida, mas recentemente tem sido extremamente valorizada. O CRM surgiu, então como uma poderosa ferramenta (na visão de muitos, erroneamente, trata-se apenas de um software para gerenciar o relacionamento, quando na verdade o CRM diz mais respeito à filosofia do que à tecnologia) para valorizar a percepção do intangível por parte do cliente.

Levantamento realizado pelo Ibope apontou que 58% das pessoas que compram via Internet o fazem por conveniência, 49% são atraídos pela facilidade de fazer pesquisas/comparações, e 43% pelo preço. Vemos que entre as 3 respostas mais votadas, duas são aspectos intangíveis — somente o preço pode ser facilmente medido. No mesmo levantamento concluiu-se que 80% pretendem voltar a comprar pela Internet em datas especiais. Ou seja: esses 80% serão atraídos pelos aspectos intangíveis da percepção do produto – e podem representar um volume generoso financeiramente. Devemos lembrar que essas características não existem apenas no comércio eletrônico, mas também no varejo “tradicional”.

O Banco do Brasil, por exemplo, tem que gerenciar o relacionamento com cerca de 18 milhões de correntistas — seria impossível fazer isso sem a informática. Entretanto, é inútil investir em tecnologia e esquecer-se que as pessoas são o mais importante do processo de gerenciar o relacionamento. Daí a necessidade de investir nos funcionários juntamente com os investimentos em equipamentos/softwares. O funcionário precisa ter novas visões da função de atendimento ao cliente, precisa estar preocupado e motivado em demonstrar a vontade de criar vínculos com o consumidor em nome da empresa etc.

A partir de uma breve análise de estudos e pesquisas realizadas entre as micro, pequenas e médias empresas brasileiras, é possível afirmar que grande parte delas já têm um relacionamento com o seu cliente, em decorrência principalmente do seu próprio tamanho: diferentemente do Banco do Brasil, por exemplo, as pequenas empresas não têm cerca de 13 milhões de clientes diretos. Desta maneira, o investimento necessário para se ter um sólido marketing de relacionamento diminiu, na mesma proporção: os sistemas informatizados (hardware+software) necessários para gerenciar 1.000 clientes exigem um investimento muito menor do que aqueles demandados por 18 milhões de clientes.

Desta maneira, o investimento em TI (Tecnologia de Informação) não deve ser tido como um fator restritivo para que micro e pequenas empresas adotem o marketing de relacionamento – analisemos, por exemplo, uma pequena empresa do comércio. Atualmente é possível comprar um microcomputador com no máximo R$ 1.500,00. O investimento em software varia muito de acordo com as necessidades de cada empresa – mas, como exemplo, suponhamos que a empresa invista mais R$ 1.500,00 em alguns aplicativos básicos (softwares para gerenciamento de e-mails e fax, banco de dados, planilha eletrônica e editor de textos). Isso é tudo que a empresa precisa, em termos de equipamentos (hardware+software), para iniciar o marketing de relacionamento.

O próximo passo será crucial: mostrar aos funcionários a importância do bom relacionamento com os clientes – e isso não inclui APENAS o bom atendimento na hora da venda, mas principalmente a manutenção de um RELACIONAMENTO de longo prazo, no qual o respeito seja indispensável.

Com o fator humano bem aliado ao fator tecnológico, o marketing de relacionamento mostra-se consideravelmente simples: caberá à empresa (o pequeno comércio do nosso exemplo) cadastrar seus clientes, montando um banco de dados completo, que deverá ser constantemente atualizado. Este banco de dados (BD) deverá ser montado com o consentimento de cada um dos clientes incluídos, para evitar “chateações” como malas-diretas sem propósito, ligações telefônicas inoportunas etc.

O BD deverá contemplar, ainda, registros do histórico de cada cliente: o que ele comprou, quando, como pagou etc. O primeiro passo é tentar identificar padrões nas compras, formas de pagamento, datas das compras, volume, tipo de entrega (cliente retira ou solicita o transporte), local da entrega, entre outros fatores. Deverão ser priorizados aqueles fatores relevantes para a empresa – e detalhá-los sem conhecer bem a empresa em questão é impossível.

Na sequência, deve-se verificar se é possível agrupar os clientes em diferentes características – por exemplo: a empresa pode ter o grupo de clientes que sempre parcela o pagamento no cheque, outro grupo que sempre paga à vista e pede descontos, um terceiro grupo que paga sempre com cartão de crédito e assim por diante. Novamente: os fatores utilizados para “filtrar” os diferentes grupos (processo chamado de “segmentação”) devem ser escolhidos conforme cada caso específico.

O próximo passo é um pouco mais complicado: abrange a análise detalhada dos dados mostrados a partir da manipulação deste banco de dados dos clientes, para que a empresa consiga determinar quais estratégias deverão ser utilizadas. Podemos, ainda utilizando o exemplo do comércio, citar uma característica relativa ao mix de produtos da loja (ou seja, o portfólio de produtos que a loja oferece aos clientes): possivelmente uma análise de dados, realizada em conjunto com uma pesquisa feita entre os clientes mais lucrativos (é fundamental segmentar os clientes em termos de lucratividade, pois geralmente 20% dos clientes são responsáveis por 80% das receitas), possa indicar se os clientes têm sentido falta de algum produto em especial.
A partir desta constatação, é necessário verificar o custo de oportunidade de incluir novos itens no mix de produtos. O mesmo raciocínio vale, evidentemente, para um “enxugamento” do portfólio, excluindo produtos que têm pouco giro ou baixa lucratividade.

Este tipo de análise nos leva, naturalmente, ao passo seguinte: a capacidade de identificar novos produtos e/ou serviços que possam interessar aos clientes mais lucrativos. Antecipar os desejos dos seus consumidores é uma situação perseguida por todas as empresas mais modernas, em termos de administração. Trata-se, pois, do primeiro passo no sentido da fidelização do cliente – conseguir que, apesar de haver grande concorrência, o cliente escolha a sua empresa e não a concorrente.

Neste momento, podemos considerar que algumas marcas conseguem um elevado índice de fidelização de seus clientes – e a maioria delas não consegue esta vantagem a partir de uma guerra de preços. Ao contrário: marcas que conseguem a fidelização de seus clientes em elevados índices geralmente conseguem cobrar um preço maior do que o praticado pelos concorrentes, pois oferecem um “algo a mais”, na percepção (intangível) do cliente.

Para identificar os desejos, anseios e necessidades dos clientes antes mesmo que eles consigam percebê-los a empresa deverá consolidar um relacionamento baseado na confiança, prestar atenção redobrada nos dados internos e externos (pesquisas com clientes, com possíveis clientes, relatórios de venda, relatórios de pós-venda etc), ao mesmo tempo em que acompanha a evolução do mercado (fornecedores e concorrentes).


O artigo acima eu publiquei em 2003, e tem sido copiado em vários sites (basta checar no Google). Como sempre recebo e-mails de muita gente sobre ele, resolvi colocá-lo aqui no blog também.
Afinal, o texto é meu, pôxa !

Ilusão de lógica

Retomando um assunto já tratado aqui, reproduzo um excelente artigo:

Iludindo o público

JOSÉ CARLOS DE AZEVEDO

N. WIENER graduou-se em matemática aos 14 anos e doutorou-se em lógica aos 18 na Universidade Harvard. Conhecido como pai da cibernética, contribuiu para outros ramos da ciência e afirmou que as “tentativas de modelar o clima espremendo equações da física em computadores, como se a meteorologia fosse uma ciência exata como a astronomia, estão condenadas ao fracasso”, que a “auto-ampliação de pequenos detalhes frustraria qualquer tentativa de prever o clima” e que “os líderes dessa atividade estavam iludindo o público ao pretender que a atmosfera é previsível”.

Opinião semelhante foi a de J. von Neumann, matemático que contribuiu para a mecânica quântica, as teorias dos jogos e dos computadores, o projeto da bomba de hidrogênio e a previsão do tempo.
Há quase 20 anos, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), órgão da ONU, patrocina a novela do aquecimento global e faz “previsões” sem amparo científico.
Dois grupos distintos cuidam do clima: o dos cientistas, que conhecem a complexidade do problema e procuram decifrá-la, e os “modeladores”, que usam teorias do século 19 e “prevêem” o clima até o final dos séculos.

Este segundo grupo usa computadores colossais, faz projeções e estimativas, fala de indícios e vestígios, já consumiu US$ 50 bilhões e nada contribuiu para elucidar o problema. Quer frear o desenvolvimento mundial e levar países à miséria ao propor a redução drástica do uso de combustíveis fósseis porque, diz ele sem provas, o dióxido de carbono (CO2) gerado pelo homem é o responsável pelo aquecimento. Reduzindo a emissão, acrescenta, o aquecimento no fim deste século será de uns dois graus e a natureza estará salva.
Mais eficazes são as propostas do Voluntary Human Extinction Movement e da Gaia Liberation Front, que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza.
Não há prova que o CO2 é responsável pelo “efeito estufa”, mas é certo que o Sol e a água (nuvens, vapor d’água, cristais de gelo) condicionam a temperatura e o clima na Terra. O IPCC e seus 2.500 “cientistas”, porém, culpam o CO2.

Ocorre que o IPCC não estuda nada: faz resenha de trabalhos publicados, adultera-os quando lhe convém e alardeou a importância de dois deles, o de Michael Mann e o relativo às camadas de gelo extraído na Antártida, em Vostok.

O trabalho de Mann analisou a temperatura na Terra entre os anos 1000 e 1980 e disse que as emissões de CO2 a partir do início da era industrial causaram o maior aumento de temperatura daquele milênio. Pois esse trabalho é uma manipulação de dados e nem falam mais dele. Quanto às camadas de gelo, é certo que o aumento da temperatura antecede o da emissão do CO2, e não o oposto.
A banda de música do IPCC é o filme do Al Gore, cuja exibição foi proibida na Inglaterra por decisão judicial, exceto se mencionar as inverdades que contém: aumento do nível dos mares, morte de corais e ursos polares, Tuvalu, Vostok, malária etc.

Restou ao IPCC citar os 2.500 “cientistas” e o seu “consenso” sobre CO2 “antropogênico”. Consenso não é referencial científico e, se for questão de números, há muitas listas de consensos de cientistas qualificados, identificados e contrários ao IPCC: a de Frederick Seitz, antigo presidente da Academia Nacional de Ciências e do Instituto Americano de Física dos EUA e atual presidente da Universidade Rockefeller e do Instituto George Marshall, por exemplo, tem mais de 32 mil assinaturas. O último relatório do IPCC tem 51.
A compreensão da natureza do clima começou em 1610 com Galileu, descobridor das manchas do Sol. Em 1752, Franklin mostrou que as nuvens têm cargas elétricas. Em 1998, o Instituto de Pesquisas Espaciais da Dinamarca provou a influência da radiação cósmica no clima. Em 2006, o Cern, o maior centro de pesquisas nucleares, cujo acelerador de partículas tem 27 km, criou um consórcio com dezenas de universidades e cientistas para ampliar as descobertas na Dinamarca que provam que o campo magnético do Sol controla a radiação cósmica incidente e, portanto, o clima; e que a passagem do Sol pela Via Láctea explica as glaciações e interglaciações. Os “modeladores” iludem a população e não dizem que o pólo Norte de Marte está derretendo.

Os investimentos em computadores profetas devem ser destinados às pesquisas em biologia. As plantas retiram da atmosfera, por ano, bilhões de toneladas de carbono, e um bom laboratório -a Embrapa, por exemplo-, com um mínimo daqueles US$ 50 bilhões, pode desenvolver plantas que absorvem mais carbono. Elas farão o ar mais limpo e produzirão mais alimentos.

JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO , 76, é doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

O pior do Brasil é o Brasileiro (3)

Dando seqüência a posts anteriores (aqui e aqui), o “Painel do Leitor” da folha de São Paulo de ontem (05/07) trouxe mais um pedaço da ignorância que atrasa o Brasil, na forma de palavras:

“As aparências não enganam. A julgar pelo visual da ex-senadora Ingrid Betancourt, ou o acampamento das Farc é um “spa” ou existe armação em torno desse “fantástico” resgate. Pena que as notícias publicadas nos jornais daqui se originem sempre das agências norte-americanas. Tenho dúvidas se isto merece o nome de informação.”
PATRICIA PORTO DA SILVA (Rio de Janeiro, RJ)

A criatura aí estava preocupada com a APARÊNCIA da pessoa que passou 6 anos seqüestrada ??????? É isso mesmo ?????

Deve ser leitora da Caras……

A menção pejorativa às agências noticiosas norte-americanas não esconde o ranço burro-ideológico da autora do petardo de “iguinorânssia“….. Esta dona Patrícia, provavelmente, prefere acreditar na Carta Capital, Agência Brasil de Fato, Granma, site do MST etc…..

Mas se a dona Patrícia acha que “as aparências NÃO enganam”, quero presenteá-la com algumas imagens (que, portanto, NÃO mentem):

O que será que dona Patrícia acha do spa do Alvorada ?????

Lei Seca – proposta

Lei Seca – sugestão de medida complementar
Os motoristas de todo o Brasil concordam em se submeter pacificamente à aplicação da Lei Seca
[lei-cidadã de inequívoco alcance no que concerne à segurança dos transeuntes, passageiros e motoristas brasileiros],sugerindo, contudo, que a sociedade examine a conveniência de que o
Presidente da República Federativa do Brasil seja submetido ao teste do bafômetro, ANTES DE::
– assinar quaisquer medidas provisórias, decretos, mensagens de veto total, leis ordinárias, complementares, delegadas, vetos parciais e propostas de emendas à Constituição;
– encaminhar projetos de leis ao Congresso;
– pronunciar discurso na sessão de abertura anual dos trabalhos da ONU ou no Congresso Nacional;
– se dirigir ao papa, reis, rainhas, ministros plenipotenciários, embaixadores ou representantes de países estrangeiros;
– se reunir com os presidentes da Venezuela, Argentina, Cuba e com o ex-presidente cubano;
– tomar parte em conclaves internacionais, a exemplo das Rodadas de Doha, Reuniões do Mercosul e quetais;
– se reunir com representantes de grandes corporações nacionais ou suas associações de classe ou corporações estrangeiras, sejam elas multinacionais ou não;
– se reunir com grupos estrangeiros interessados em adquirir empresas aéreas insolventes ou em fase de insolvência;
– pronunciar discursos em praça pública na inauguração de obras, programas ou em palanques políticos, os quais, na verdade, se confundem;
– afirmar que não sabia, não sabe e continua não sabendo;
– nomear autoridades do primeiro escalão da  República ou assinar atos de nomeação de presidentes e diretores de empresas estatais, paraestatais ou de economia mista;
– se reunir com assessores de qualquer nível, autoridades eclesiásticas ou representantes de quaisquer crenças, ritos, práticas religiosas, organizações não-governamentais legítimas ou de fachada e organizações da sociedade civil organizada;
– colocar na cabeça gorros do MST, da Via Campezina ou de outras organizações que tenham como lema “na lei ou na marra”;
– pronunciar discursos nos almoços anuais que lhe são oferecidos pelos oficiais-generais;
– reuniões coletivas de imprensa ou destinadas a apresentar programas de impacto social, políticas públicas, programas de aceleração e quetais;
– afirmar que a saúde pública no Brasil é supimpa;
– responder a perguntas de jornalistas nacionais ou estrangeiros; e
– antes do programa “Café da Manhã Com o Presidente”.
Por outro lado, os motoristas do Brasil sugerem que o Presidente da República seja dispensado do teste do bafômetro antes, durante ou depois de:
– reuniões em família;
– festas juninas;
– sessões no cineminha do Palácio do Alvorada;
– assistir programas televisivos humorísticos ou dominicais;
– colorir livros infantis;
– bate-papos informais na Granja do Torto ou no Alvorada;
– reuniões descontraídas com os “cumpanhêro”;
-emitir opiniões pessoais sobre o “Curíntia”, dentre elas às que se referem a escalações e táticas.
Que também seja dispensado do teste se,  ao acordar “invocado”, não resolver ligar para o presidente dos Estados-Unidos.
Contribuição (sempre valiosa) do amigo Lúcio Wandeck.

Benesses do poder (2)

Para complementar o post do dia 15/06 (aqui), fica a sugestão de buscar mais informações sobre a fusão entre Oi e BrasilTelecom AQUI.

Além disso, ficam outras leituras relacionadas:

Fusão Oi/BrT é alvo de críticas no Congresso
Terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 – 09h24

BRASÍLIA – O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) afirmou que a Anatel está “abrindo mão de sua independência” ao consultar o Ministério das Comunicações sobre a possível compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar).

“A Anatel tinha que disparar o processo de consulta pública, de audiências, tocar isso. Ao invés de botar num sedex [serviço postal de entrega rápida] para chegar ao ministério, deveria colocar para funcionar”, afirmou Pinheiro.

Ele se referia ao fato de a Anatel ter enviado documento ao Ministério das Comunicações depois de receber pedido da Associação das Empresas de Telefonia Fixa (Abrafix) para mudanças nas regras que proíbem a compra de uma empresa por outra.

A alegação da Anatel é de que se trataria de política pública. “Achei esdrúxulo. No cumprimento de suas tarefas legais, a Anatel não tem que pedir bênção a ministro nenhum”, criticou Pinheiro.

Segundo o deputado, a agência tem se posicionado em “marcha lenta” e deve dizer o que fere, ou não, a lei quando há duas concessionárias outorgadas estudando uma incorporação: “Quem vai meter mão nisso? É o Hélio Costa [ministro das Comunicações] ? Não. O papel é da Anatel.”

FONTE: Agência Brasil

Outra:

Renato Guerreiro, ex-presidente da Anatel, classificou como uma “questão casuística” a possível fusão entre Oi e Brasil Telecom. Para ele, é necessário rever os planos para o setor de telecomunicações no país antes de se pensar em criar uma operadora gigante. “A fusão só pode ser admitida na medida em que ela traga benefícios para o Brasil. Por enquanto, ela fere os interesses do país”, disse Guerreiro, que foi presidente da Anatel entre 1997 e 2002.

As regras do setor de Telecom, criadas após a privatização da Telebrás em 1998, proíbem fusões entre as quatro grandes operadoras de telefonia fixa – Brasil Telecom, Telemar, Telefônica e Embratel. O objetivo é assegurar o equilíbrio entre as grandes empresas regionais.

Do lado das operadoras, há uma pressão para que essas regras sejam alteradas pelo Governo Federal. Segundo os controladores de Oi e Brasil Telecom, o objetivo é evitar que as empresas brasileiras sejam engolidas por grandes grupos internacionais.

Na opinião de Guerreiro, os serviços convergentes – como o triple play e o quadruple play – são a questão crucial. Segundo ele, o modelo de interconexão é um exemplo do que deverá ser repensado antes que o mercado se concentre em quatro ou cinco grandes empresas de telecomunicação.

O ex-presidente da agência acredita que a regulamentação que não se adequar a esse novo ambiente será superada por soluções alternativas das empresas. “Fazer regulamentação baseada em tecnologia é um erro crasso nos dias de hoje”, disse Guerreiro durante um seminário realizado na cidade de São Paulo pelo Instituto de Tecnologia Promon.

Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/102007/31102007-4.shl

Ruth Cardoso: repercussão

O artigo a seguir foi publicado no Valor Econômico; foi escrito por Paulo Sérgio Pinheiro (Cogut Visiting Professor , Center for Latin American Studies, Brown University, EUA; foi secretário de Estado dos Direitos Humanos do governo Fernando Henrique Cardoso).

Na Sala São Paulo, onde estava sendo velado o corpo de Ruth Cardoso, o professor Antonio Candido estava discretissimamente ao lado de Fernando Henrique Cardoso. A presença do mais ilustre decano dos intelectuais brasileiros pode ser tomada como um símbolo do respeito e da importância de Ruth na universidade. Não tive o privilégio de ser seu aluno, como meu colega Sergio Adorno. Não fui seu orientando de tese, como foi Maria Filomena Gregori. No entanto, por um breve tempo, fui seu colega no Departamento de Ciência Politica da Universidade de São Paulo, para onde Ruth veio depois de muitos trabalhos em antropologia, área na qual tinha feito seu doutoramento.

A vida acadêmica, em meio à competição inevitável entre carreiras, produção e visibilidade, pode ser bastante penosa. A presença de Ruth era um bálsamo nas discussões, pelas marcas que dintinguiam sua personalidade. Quando penso nela, o que me vem à mente é serenidade, clareza, precisão e rigor. Casada com alguém que é referência mundial na ciência politica e na sociologia (há dois meses debateu-se, num seminário na Universidade Brown, o livro “Dependência e Desenvolvimento na America Latina”, de Fernando Henrique e Enzo Faletto, que completou 40 anos), Ruth sempre teve luz própria e trilhou caminho pessoal e original.

Deu uma grande contribuição aos temas relativos à mulher, especialmente no que diz respeito à discriminação, à violência e à pobreza. Na preparação da 4ª Confêrencia Mundial sobre as Mulheres, em Pequim, Ruth chamou a atenção para a “feminização da pobreza” e alertou que as mulheres comprendiam os mais pobres dos pobres. Há uma quantidade enorme de talentos entre as mulheres por causa da discriminação de que são alvo. Desde ali, e depois sempre, ela insistiu que os programas de combate à pobreza deveriam constantemente levar em conta os problemas enfrentados pelas mulheres: “O desenvolvimento não basta. O desenvolvimento deve ser acompanhado de eqüidade”.

Ruth tinha uma maneira especial de fazer esses apelos com enorme consistência, não só porque tudo era baseado em pesquisa sólida, mas também por apresentar esses pontos candentes com sobriedade e firmeza. Nela, a indignação não fazia nenhuma conexão com apelo fácil.

Foi voz forte contra a “feminização” da pobreza e na defesa do desenvolvimento completo, aquele que se pode reconhecer também na eqüidade

Poucos intelectuais têm a oportunidade de transferir para as políticas públicas sua produção acadêmica (Fernando Henrique era, com ela, uma das poucas exceções). Ruth fez essa transição de forma extremamente bem-sucedida nos programas da Comunidade Solidária (depois do final do governo Fernando Henrique, Comunitas), lançando programas altamente inovadores em termos de políticas sociais. Uma das mágicas possíveis da democracia é a possibilidade de desenvolver parcerias entre a sociedade civil e o governo, sem que aquela perca sua autonomia.

Ruth não somente desenvolveu programas de fortalecimento da sociedade civil, por meio de uma rede interativa do terceiro setor, compreendendo organizações não-governamentais e entidades sem fins lucrativos, como desenvolveu o voluntariado. Articulou todas essas iniciativas com membros de diversos ministérios e representantes da sociedade civil. Foi capaz também de chamar para a Comunidade Solidária o meio empresarial, dando contribuição decisiva para o incentivo à responsabilidade social das grandes corporacões.

Somente Ruth, pelo respeito que merecia como intelectual, mas também por sua independência de pensamento e a recusa da instrumentalização da sociedade civil pelo Estado, poderia fazer essa articulação. Ela se reinventou como mulher do presidente (evito usar a denominação usual dada à sua posição, que detestava), construindo uma via própria. Devo dizer que, por certo tempo, fiz parte do conselho da Comunidade Solidária, apenas para me referir ao privilégio de assistir a algumas reuniões que ocorriam na Granja do Torto. Com uma vasta audiência, Ruth conseguia sempre tornar os debates claros e a discusssão jamais resvalava para o burocratico ou o retórico.

Minha última visão de Ruth foi por meio de meus alunos na Universidade Brown, que dela me trasmitiram uma imagem dedicada, atenta e criativa. Ela tinha o dom de provocar o melhor que sempre há nos alunos e caminhar com eles na descoberta. Além de sua influente obra, seus artigos e seus livros, Ruth deixa a flama plantada em cada uma das inúmeras teses de doutoramento que orientou. O ritual interminável dos júris de tese, Ruth os transformava em momentos de debate intelectual.

Seria incompleto terminar este testemunho tão limitado sem lembrar da Ruth na sua família. Lembro de um anarquista italiano que criticava companheiros dizendo como eles queriam transformar o mundo se não conseguiam nem se dedicar à sua própria família. Apesar dos tantos e diversos caminhos de Ruth, e suas tantas realizações, seus filhos, Paulo Henrique, Beatriz e Luciana – e depois seus netos – sempre tiveram carinhosa prioridade ao longo de uma trajetória tão límpida. Formidável legado.

Uma homenagem merecida. Ruth Cardoso foi uma mulher que não se limitou a ser “primeira-dama”; muito pelo contrário: o papel de primeira-dama seria muito menor do que ela.

Agências (des)reguladoras

Destaco um texto que trata das agências reguladoras no Brasil, aqui.

Além de todos os problemas inerentes às atividades das agências, a corja de boçais do PT ainda piorou tudo, com o maldito aparelhamento: on “sindicalistas”, pelegos e demais “amigos” do Rei Mulla locupletaram-se no Estado……

Funcional, mas sem comercial

Na semana passada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão em todo o país da propaganda do iogurte Activia, fabricado pela Danone. Segundo a ANVISA, “as peças publicitárias induzem o consumidor à idéia de que a ingestão do produto é solução definitiva para problemas de constipação intestinal [funcionamento irregular do intestino]“, quando ele “apenas contribui no equilíbrio da flora intestinal e seu consumo deve estar associado a uma alimentação saudável e à prática de exercícios físicos”. Para ler a íntegra, veja aqui.

A agência disse que estão liberadas propagandas do iogurte que não apresentem os mesmos problemas, já que não há qualquer irregularidade com o produto. O comercial do Activia diz que “seu consumo deve estar associado a uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis” e convida o telespectador a um “desafio”: “Regule seu intestino. Tenha sim uma vida mais saudável. Faça o desafio: tome Activia todos os dias. Se não funcionar, a Danone devolve o seu dinheiro”.
A Anvisa apontou ainda outra irregularidade na publicidade -ela não menciona se o produto contém ou não glúten. A exigência é feita porque há pessoas que possuem alergia à proteína. Os veículos de comunicação que continuarem a reproduzir a propaganda estão sujeitos à serem multados entre R$ 2.000 e R$ 1,5 milhão.

Segundo informa a Folha de São Paulo (aqui), uma pesquisa da UnB mostra que o Activia é o sexto alimento mais anunciado na Rede Globo. O trabalho analisou as peças publicitárias veiculadas entre agosto de 2006 e agosto de 2007.

O site Meio & Mensagem informa (aqui, para assinantes) que a Danone investiu R$ 25 milhões, desde o iníicio deste ano, na comunicação da linha Activia, com o objetivo de informar que os produtos, que funcionam como um paliativo aos problemas intestinais, podem ser adotados também por idosos, crianças, mulheres grávidas e outros consumidores. “A utilização das mulheres como eixo de nossa comunicação acabou gerando dúvidas no restante do público, que se interessava pelo produto, mas não sabia se podia consumi-lo”, diz Rodrigo Chaimovich, gerente de marketing da Activia.

Apesar de as mulheres serem as maiores vítimas dos distúrbios intestinais, a Danone decidiu, nesta nova campanha, mostrar que os benefícios do uso de iogurtes funcionais não são de exclusividade delas. Com o mote Activia funciona para você, a multinacional procura expandir a linha para nichos de consumidores que até então não tinham sido alvos das estratégias de marketing da marca de iogurtes, que está presente no mercado nacional desde 2004.

Responsável por eliminar essa dúvida, a agência Young & Rubicam, detentora da conta da marca desde a sua fundação, preparou uma campanha alicerçada nos depoimentos de consumidores, que frisam a credibilidade da linha. A ação é composta de 7 filmes, veiculados em rede nacional, e por materiais de ponto-de-venda. Além de disseminar a marca para outros públicos, a meta é também consolidar a liderança da Activia entre os iogurtes funcionais. De acordo com dados do mês de janeiro do Instituto A/C Nielsen, a marca já detém 92% do share no segmento.

Como parte da ação, o portal da marca também foi reformulado. A agência Sinc, detentora da conta digital da Activia, foi responsável pelo incremento da página com informações e dicas para os consumidores. A estratégia do ‘Desafio Activia’ – promoção existente desde 2006, na qual a Danone se compromete em reembolsar os consumidores que não aprovarem os resultados dos produtos – deve continuar, mas sem ser o núcleo dos filmes, como vinha ocorrendo nas últimas ações. “As pessoas já se conscientizaram do compromisso com a qualidade do produto, por isso não precisamos enfatiza-lo. Agora, queremos mostrar que a linha é feita para todos”, finaliza Chaimovich.

Esta categoria de alimentos “funcionais”, segundo reportagem de 2004 da Folha de São Paulo (aqui, para assinantes), existe desde que o homem tira da terra o que come. A novidade mesmo são os funcionais na versão industrializada -o que pode levar você se deparar com um sorvete de menta com fibras ou com um envelope de sopa instantânea de soja.

Além da função de nutrir, os funcionais possuem componentes que podem mudar o metabolismo do corpo e, assim, prevenir certas doenças, como câncer ou problemas cardiovasculares, explica Jocelem Mastrodi Salgado, pesquisadora, professora de nutrição da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP, e presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais, entidade criada há dois anos.
E a adição da substância terapêutica de um funcional a um produto já conhecido é um dos segmentos do setor alimentício que mais crescem. Segundo pesquisa divulgada, em março, pela irlandesa Research and Market, esse mercado cresceu 60% entre 1998 e 2003 e, neste ano, deve movimentar US$ 51,3 bilhões.
Como o europeu, o brasileiro prefere nutrientes extras em seus alimentos, em oposição à tendência americana de priorizar o consumo de suplementos e complexos vitamínicos, diz a engenheira de alimentos da Unicamp Gláucia Pastore.
“É uma tendência, e o conceito agora no país está tomando força”, afirma Sandra Rietjens, da Danone. A empresa acaba de lançar o Activia, iogurte que promete acelerar em 40% o trânsito intestinal. É vendido há 20 anos na França, país de forte consumo de funcionais, e só chega agora ao Brasil depois que pesquisas identificaram os 30 milhões de consumidores em potencial do iogurte: pessoas com intestino preguiçoso. “Os funcionais são os que mais contribuem para o faturamento da Danone”, diz Rietjens.
A concorrente Vigor acaba de lançar o leite fermentado com soja, com gosto bem próximo ao dos outros fermentados existentes. A concorrência no mercado de bebidas lácteas leva a indústria a se movimentar para criar diferencial.
“O mercado de iogurtes está saturado. Para nos diferenciarmos da concorrência, desenvolvemos um iogurte com soja”, diz Vinícios Ramos, vice-presidente da Vigor. Aliás, o composto ativo da soja, a isoflavona, é o mais estudado entre os funcionais. Outro, cujos benefícios são bem conhecidos, é o grupo das fibras. A oferta inclui margarinas, sorvete, balas e até um salgadinho com fibras, que promete suprir 10% das necessidades diárias dessa substância.

“Fizemos uma pesquisa e foi constatado que a mãe não tem prazer em dar salgadinhos aos seus filhos, por não ser um produto completo na alimentação. Então, enriquecemos o salgadinho com vitaminas, ferro e adicionamos a própria fibra do milho”, afirma Gabriel João Cherubini, vice-presidente da Yoki. Apesar de vitaminado e enriquecido com fibras, é alvo de críticas. “O problema dos salgadinhos são as gorduras saturadas [que elevam o colesterol “ruim’]. Um componente benéfico como a fibra não neutraliza o efeito nocivo que elas causam no organismo”, diz José Alfredo Gomes Arêas, responsável pelo Grupo de Propriedades Funcionais dos Alimentos, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública, da USP.
Arêas compara a inclusão dos funcionais nas prateleiras com a invasão dos produtos light. “As pessoas passaram a consumir mais do que comiam só porque um produto tinha menos calorias. O que me preocupa é um consumidor passar a ingerir muito mais do que o necessário de um determinado alimento, pensando estar fazendo bem à saúde. Não estará. Ele deve apenas comer aquela quantia com a qual já está acostumado.” Isso porque, como tudo, os funcionais em excesso também podem fazer mal, diz Franco Lajolo, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da USP. “Muita fibra, por exemplo, pode produzir gases.”
O extremo também pode comprometer a absorção de alguns nutrientes, como cálcio e ferro. Já tomar probióticos demais dá diarréia. E qual a medida adequada de consumo dos funcionais? A que manda o bom senso, ou seja, o equilíbrio na quantidade, na variedade e na regularidade. Afinal, as pesquisas comprovam a eficácia dos funcionais somente quando consumidos a longo prazo, diz Daniel Magnoni, da Federação Latino-Americana de Nutrição. Esse mercado também produz confusão.

Alimento enriquecido com ferro e vitaminas, por exemplo, é diferente do batizado de funcional, porque as primeiras são substâncias que estão -ou deveriam estar- presentes no organismo, o que não é o caso dos componentes dos funcionais, explica Magnoni.
É bom lembrar ainda que alimentos geneticamente modificados são funcionais desde que sejam transgênicos de segunda geração. Esses são alterados para terem suas propriedade “turbinadas” -como tomate com maior concentração de licopeno. Para separar o joio do trigo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em 1999, formulou regras para assegurar que o alimento cumpra a promessa dos benefícios que vende na embalagem.

Para o futuro, a meta é os alimentos funcionais desempenharem um papel muito mais determinante no controle e na prevenção de doenças. A decodificação e interpretação do genoma humano abre a possibilidade de o diagnóstico ser feito antes de o indivíduo desenvolver uma doença. “A partir daí, será prescrita uma dieta que previna e até impeça a evolução do mal”, diz Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.