Adeus, Lulinha

A notícia é do site Meio & Mensagem (especializado em propaganda e mídia):

O canal musical Play TV não está mais no ar. Confirmando os rumores de que a parceria com a empresa Gamecorp não teria continuidade – conforme já havia sido noticiado pelo M&M Online – o Grupo Bandeirantes não exibe mais a programação do canal desde a última segunda-feira, 7.

Para preencher a lacuna deixada, a Band colocou no ar a programação da Rede 21, que ocupava o espaço antes da entrada da Play TV, ocorrida há pouco mais de dois anos.

Informações veiculadas na imprensa nas últimas semanas davam como certas as intenções da Bandeirantes em romper a parceria com a emissora musical, cujo contrato expiraria no final do mês de julho. Em contrapartida, a diretoria da Play TV parecia empenhada em convencer a antiga casa das vantagens em manter o contrato de programação.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, a decisão final acerca do rompimento teria sido tomada na última sexta-feira, 4, e foi recebida com bastante surpresa até pela própria Play TV, que esperava conseguir uma conciliação com a Bandeirantes que garantisse a continuidade da veiculação de seus programas por, pelo menos, mais alguns meses.

Em entrevista publicada na edição 1316 de Meio & Mensagem, do último dia 7, o sócio e vice-presidente da Play TV, Paulo Leal, falou sobre os investimentos do canal para a cobertura e transmissão do Rock In Rio Madri, que aconteceria a partir do 11 e chegou a afirmar que esperava que a avaliação acerca da continuidade do contrato fosse feita com ponderação pela diretoria da Band.

O executivo também disse que, em termos de faturamento publicitário, a Play TV vinha cumprindo seu papel de forma satisfatória. A empresa, agora, estuda a possibilidade de novas parcerias com ouros veículos que possam abrigar seu conteúdo televisivo.

Logo após a repentina decisão, a Band já iniciou a semana com uma nova home no portal que antes abrigava o conteúdo do Play TV. A emissora colocou um grande logotipo da Rede 21, acompanhado das frases ‘Aguarde. Nosso novo site está quase pronto’, sugerindo que, em breve, apresentará novidades para o espaço do canal.

Até o início da tarde desta terça-feira, 8, a Bandeirantes não fez nenhum pronunciamento oficial declarando o fim da parceria e suas respectivas justificativas.

Pois é…… Agora resta saber se o “empresário” Lulinha voltará a dar expediente no zoológico, ganhando salário de R$ 800,00, ou se a Oi/Telemar vai continuar pagando uma “mesada” ao filho do Presidente da República por agradecimento à mudança na lei que permitiu a fusão com a BrasilTelecom…..

Mais Gamecorp

O texto abaixo foi publicado pela Folha de 19/02/2008.

Irritando José Dirceu

EDUARDO GRAEFF

NA FAMOSA reportagem sobre a nova carreira de consultor de empresas de José Dirceu, a revista “Piauí” conta que ele “não guarda ressentimentos de Lula” depois que saiu do governo e perdeu o mandato de deputado. Mas “também se lembrou de situações em que sentiu “pouca interlocução” com o presidente. Uma delas foi quando chegou à imprensa a notícia de que a Telemar injetara R$ 5,2 milhões na Gamecorp -empresa de joguinhos de computador cujo dono é Fábio Luiz da Silva, filho de Lula. Ele recordou uma reportagem na qual Lulinha inventara frases suas e contava que estivera em reuniões das quais nunca participou…

“Para o Lulinha, não importa a verdade”, prosseguiu […] “Ele quer melhorar a história, ele fabula” […] Na ocasião, Dirceu disse ter procurado o presidente, que respondeu: “Você vai ficar enchendo meu saco por causa do Lulinha, Zé Dirceu?'”.
Resumi esse trecho da reportagem num artigo que publiquei aqui em 24 de janeiro (“Vão-se os sonhos, ficam os anéis”). Se Lula perdeu as estribeiras com Dirceu, conjeturei, mais irritado ficará ao ser questionado por beneficiar a empresa que beneficiou seu filho, se, como anunciam, mudar a lei para chancelar a compra da Brasil Telecom pela Telemar.

Passado mesmo ficou Dirceu com meu artigo. Numa réplica publicada aqui em 13 de fevereiro (“Os sonhos estão mais vivos do que nunca”), chamou-me de mentiroso, por me valer de um relato desmentido por ele, e de hipócrita, por criticar seu envolvimento e o de Lula em negócios privados, esquecendo os crimes supostamente praticados pelo governo FHC.
Ante o rebuliço causado por suas declarações à “Piauí”, Dirceu fez desmentido curioso. Não deu o dito pelo não-dito, mas alegou erro de pessoa.

O Lulinha a que se referiu não seria o filho do presidente, mas o jornalista Luís Costa Pinto, que teria “publicado reportagem com declarações minhas, fabricadas, sem ter me ouvido”.

Não levei isso em conta por uma razão: a revista desmentiu o desmentido e reafirmou o teor da reportagem. “Os fatos publicados pela revista correspondem ao que foi relatado pelo ex-ministro à reportagem. No contexto em que foram mencionados, não poderia haver espaço para ambigüidades.” De fato, não dá para entender a súbita aparição de Costa Pinto no meio de um depoimento sobre a relação de Dirceu com Lula.

No artigo na Folha, Dirceu repetiu o desmentido numa versão ligeiramente alterada -e mais capenga. “Erroneamente é associada ao filho do presidente da República […] crítica minha a um jornalista por conta do acompanhamento estapafúrdio que fazia sobre o governo em seu trabalho jornalístico.”

Acontece que Luís Costa Pinto não trabalha em jornais e revistas desde 2002. Abriu uma empresa de consultoria de comunicação, por meio da qual, aliás, prestou serviços ao então presidente da Câmara, João Paulo Cunha, do PT, em 2003 e 2004. O que e onde ele teria escrito sobre o governo Lula para merecer a paulada que Dirceu diz que quis lhe dar nas páginas de “Piauí”? Estapafúrdia parece a história da troca de Lulinhas.

A bronca de Lula, a desconversa de Dirceu têm graça, mas pouco importam. Ruim para o Brasil é o retrocesso que eles estão trazendo às relações governo-empresas, com sua versão requentada dos “anéis burocráticos” da ditadura. A política e a economia do lulo-petismo andam parelhas nessa marcha a ré. As duas desencavam do baú da história, para apresentá-las como grandes novidades, velhas práticas do Estado patrimonial luso-brasileiro e de seu capitalismo politicamente orientado. Primeiro escolhem-se a dedo os parceiros e compõem-se os interesses privados.

Depois o poder público (?) aplica sobre o negócio feito o selo da legalidade. Costumes puídos, sim. Mas cheios das lantejoulas ideológicas da “moral socialista”, da “soberania nacional”, da “libertação popular”. Ah, e tudo para desmontar a suposta herança maldita de FHC. Não pode haver cinismo maior do que invocar essa desculpa no setor de telecomunicações.

Graças às privatizações bem-feitas e à regulação bem concebida e implantada, o Brasil de Lula herdou serviços de telefonia em expansão acelerada, com competição saudável e tecnologicamente atualizados para apoiar a entrada na era da internet.
Preparem o bolso, porque Lula, Dirceu e companhia vêm aí para nos salvar dessa maldição. Sem perguntar aos usuários da telefonia e da internet se precisam ser salvos. Mas de ouvidos e coração muito abertos ao canto de sereia monopolista dos amigos empresários.

EDUARDO GRAEFF , 58, é cientista político. Foi secretário-geral da Presidência da República no governo FHC.

Tucano ou não tucano, não importa.

Os fatos estão aí: uma empresa COMPROU o direito de modificar a Lei para seu benefício.

Para tanto, usou o Presidente da República.

Alguma dúvida de que isso é crime ???