Não faltam distorções e mentiras sobre o crescimento do PIB brasileiro

Primeiro, notícia que li há pouco na Folha (AQUI):

Em entrevista a nove correspondentes estrangeiros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quinta-feira (3) que o crescimento da economia no governo Dilma Rousseff não é o ideal, mas não vê necessidade de mudança nos rumos da política econômica.

Lula minimizou o desempenho da economia brasileira alegando que o cenário internacional ainda enfrenta os efeitos da crise de 2009. Ele justificou que o Brasil passa pela mesma desaceleração que atinge a Europa e os Estados Unidos, mas tem a seu favor a criação empregos em ritmo acelerado.

“Obviamente o nosso PIB não é o PIB que a gente gostaria”, disse Lula segundo a agência internacional Reuters. “Quando as pessoas acham que o Brasil não cresceu muito nestes últimos quatro anos, a pergunta que faço é: ‘quem cresceu mais do que o Brasil’?”, indagou.

Eis aqui a resposta, Lulla:

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E ali constam apenas países da América Latina, hein?!

Conforme eu já havia escrito AQUI, houve (e ainda tem havido) muita desinformação quando da divulgação do PIB de 2013. E vai continuar havendo.

Eis aqui mais um exemplo: “professor” (ai, que vergonha!) de uma universidade federal que não sabe ler e sai por aí (neste caso, no Facebook) afirmando que o PIB do Brasil cresce mais do que todo mundo, exceto China e Coréia.

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Trata-se de mais um PROFESSOR ANALFABETO: o sujeito coloca este link para “provar” o que ele afirma, mas o texto desse link repete a reportagem do Estadão que eu comentei AQUI.

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A despeito do texto mal redigido, a informação está lá:

O ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca o Brasil na terceira posição entre os 13 países que já divulgaram os resultados de suas economias no ano passado. O Brasil ficou abaixo apenas de China e Coreia do Sul em 2013, considerado esse universo.
A alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), superou os resultados dos Estados Unidos, Reino Unido, e África do Sul, que cresceram 1,9%, além de Japão (1,6%), México (1,1%), Alemanha (0,4%), França (0,3% e Bélgica (0,2%), de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (27), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O “professor” sabe ler?! Está escrito lá que a comparação do índice de crescimento do PIB brasileiro foi feita APENAS ENTRE OS 13 PAÍSES QUE JÁ HAVIAM DIVULGADO SEUS RESULTADOS NAQUELE MOMENTO.

Aí , “professor” escreve que o Brasil cresce mais “que todo mundo”.

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Simplesmente não é verdade.

Tomei conhecimento das bobagens do ilustre “professor” AQUI. E ele não escreve bobagens apenas sobre economia no geral, mas sobre empresas em particular. É triste ver um “professor” universitário com um nível tão baixo, mas infelizmente é a realidade do Brasil.

De onde esse pessoal tira tantos “argumentos” tão ruins?!

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Notei ser impossível discutir com o sujeito, porque é do tipo que não apenas é ignorante, mas se acha super inteligente; aquele tipo que finge não ver os dados e fatos apenas para repetir ad nauseam o que ele acha que é verdade.

Exatamente como o Lulla!

O que significa o “currículo nacional” do MEC aparelhado e recheado de boçais?

Começo com a notícia, publicada pela Época Negócios (íntegra AQUI):

O Ministério da Educação (MEC) dá nesta quinta-feira (3/07) o pontapé inicial para a construção da chamada Base Nacional Comum da Educação Básica, que prevê o que os estudantes brasileiros devem aprender a cada etapa escolar. Previsto na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), esse dispositivo nunca foi elaborado.

A Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC recebe nesta quinta um documento que será o “desencadeador” do debate nacional sobre o tema. O texto foi coordenado pela ex-diretora de currículos e educação integral da pasta, Jacqueline Moll. “Estamos propondo uma discussão em regime de colaboração onde estejam presentes o MEC na condução, secretarias e uma participação mais ampla possível”, disse ao Estado a titular da SEB, secretária Maria Beatriz Luce. “O MEC está aberto a construir conjuntamente se a Base Nacional será menos ou mais detalhada.”

Depois do longo processo de discussão do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no mês passado pela presidente Dilma Rousseff (PT), esse deve ser o debate que vai mobilizar o setor talvez nos próximos anos. A criação de uma base nacional sempre esteve acompanhada de resistência de setores de pesquisadores, que temem um engessamento da autonomia do professor. O respeito a diferenças regionais também é temido.

Além de definir com mais clareza o que se espera que os alunos aprendam nas determinadas fases escolares, a Base Nacional ainda guiará o processo de avaliação e da própria formação de professores. Hoje, as diretrizes da Prova Brasil (avaliação federal da educação básica) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) servem de indutores dos currículos municipais e estaduais, mas são considerados genéricos.

A articulação em torno do tema conta com a participação da União de Dirigentes Municipais e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e também do Conselho Nacional de Educação (CNE). “O compromisso com o CNE é que o MEC coloque o documento para a apreciação online, e todo o País envie sugestões. Isso deve acontecer até o final de agosto”, disse Rosa Neide Soares, representante do Consed.

(PEÇO AO DILETO LEITOR QUE VEJA O QUE A JAQUELINE MOLL ESCREVE EM SEU BLOG. Ela é quem está coordenando essa estrovenga do MEC. Lá está toda a ladainha de Paulo Freire e outras bugigangas que a esquerda ama, mas que produzem, na prática, o descalabro que temos hoje na educação brasileira)

Numa prmeira avaliação, a notícia parece ser boa, certo?!

Em tese, ao menos, seria uma boa notícia. Afinal, um professor sabe que um dos maiores problemas em sala de aula é a variação/diversidade do nível de educação dos alunos. Quando há, numa mesma sala, alunos muito avançados e outros muito atrasados, o rendimento médio da turma fica comprometido; por outro lado, se uma turma/sala reune alunos com nível semelhante, ainda que seja um nível baixo, é mais fácil ter um rendimento bom.

Na prática, porém, essa notícia me deixa bastante aflito. Isso porque a turma do MEC que está aí é aquela turminha de gente burra, ignorante, despreparada e que faz parte da linha dos boçais que acham que não há problemas em ensinar para os alunos que é perfeitamente “aceitável” falar e/ou escrever “nós pega o peixe”, sob a tacanha justificativa de que ensinar a língua portuguesa correta seria “preconceito linguístico“.

FERNANDO+HADAD+ORELHUDO

Não apenas isso: o MEC, em tempos de PT e asseclas, é pródigo em enfiar um conteúdo não apenas ideológico mas errado (e ignorante) em provas nacionais como ENEM e ENADE. Aqui está um caso, apontado pelo Mansueto Almeida:

Nos últimos anos, já nos acostumamos com os problemas do ENEM. Primeiro, como sempre lembra o jornalista Elio Gaspari, o Ministério da Educação nunca conseguiu fazer duas provas do ENEM por ano como havia prometido há algum tempo. Segundo, tivemos alguns casos de fraudes com o ENEM, que parecem que foram solucionados. Terceiro, ano passado tivemos o escândalo da correção das redações, quando se descobriu que algumas redações receberam notas máximas apesar de erros de ortografia e concordância.

Agora, o presidente do INSPER, Claudio Haddad, nos brinda com uma entrevista nas páginas amarelas da Veja no qual mostra que ele, um PhD em economia por Chicago, errou metade das questões do ENADE que, segundo ele, é uma prova com forte conteúdo ideológico. O ENADE é o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) que tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências. O exame faz parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e objetivo é avaliar a qualidade dos cursos de formação superior.

Um governo sério deveria convida-lo para se reunir com a cúpula do Ministério da Educação e com um painel de acadêmicos para discutir suas críticas. Quem fez essas críticas não foi alguém sem conhecimento de causa. Mas um profissional que montou uma das melhores faculdades de economia e administração do Brasil e vai montar um novo curso de engenharia.

Isso é um assunto muito sério. O que impressiona é que essa avaliação critica do ENADE não tenha sido feita pelo próprio Ministério da Educação. Para acabar com eventuais mal entendidos, Congresso Nacional deveria fazer audiência pública sobre o assunto e chamar Claudio Haddad.

Graças ao bando de “especialistas de meia tigela do PT” que foram colocados no MEC graças à mais rasteira politicagem, o analfabetismo no país está piorando a olhos vistos. Aqui uma notícia de 2013 (na íntegra AQUI):

Mais da metade (55,4%) dos alunos do 3º ano do ensino fundamental no país não leem e não interpretam um texto de forma correta, segundo informações da 2ª Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, divulgada hoje (25) pelo movimento Todos pela Educação. Os dados mostram que 44,5% dos estudantes atingiram pontuação acima do nível 175, que indica proficiência adequada em leitura. O 3º ano é a série considerada limite para a alfabetização, segundo o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

Está aumentando o número de professores que distorcem fatos (especialmente históricos) para enfiar a ideologia das esquerdas analfabetas em crianças e adolescentes – e o MEC não apenas deixa, mas muitas vezes ajuda, incentiva isso! Concomitantemente, existem por aí alguns “professores” que, sinceramente, me fazem corar de vergonha (alheia)…

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Essa turma que está no MEC, e que está coordenando o desenvolvimento do currículo nacional, é aquela turminha que adora falar em PRECONCEITO LINGUÍSTICO:

Neste momento já é consabido que o MEC aprovou o livro “Por uma Vida Melhor”, da professora Heloísa Ramos, que defende a idéia revolucionária de ser fisicamente possível falar “nós pega o peixe”, sem punição divina imediata com um raio nos fundilhos. O argumento é que o maior dos problemas em usar tal sentença nas CNTP é sofrer “preconceito lingüístico”. Em outras palavras, o maior problema está em quem ouve, não em quem profere.

Pela primeira vez o Brasil secular descobriu o que se estuda porta adentro das ignotas faculdades de Letras (visto que nenhum letrando parece dominar muito bem a gramática normativa) – por lá o que se faz são discussões bizantinas como o “preconceito lingüístico”, além de outras patranhas a respeito da “sociedade de classes”. Muitos “especialistas” em algo indefinido (especialistas em preconceito?) vieram a público explicar seu ponto de vista. Sendo uma área do saber humano em que há teorias rivais terçando armas entre si pela propriedade da verdade, é hora de um especialista no assunto mostrar o lado inverso dessa patacoada.

O preconceito lingüístico é um conceito marxista criada pelo sociólogo Nildo Viana como demonstração de outra forma de opressão e luta de classes. Seu maior defensor, calcado em escritos de Pierre Bordieu, é o professor da UnB Marcos Bagno. Seu opúsculo “Preconceito Lingüístico – O que é, como se faz” vendeu feito pão quente e colonizou mentes pós-púberes em todo o Brasil. Outro monumento à sabedoria simiesca de sua autoria é “A Norma Oculta – Língua & Poder na Sociedade Brasileira”. É um interessante exercício de antropologia escatológica descer às minudências malcheirosas destes livros.

(…) Após a publicação na imprensa do livro aprovado pelo MEC ensinando o molusquês (que angariou a bagatela de R$700 mil para a autora operária e R$5 milhões para a editora, num país famoso por sua incultura), que muitos afirmaram ser mais uma obra do petismo barbarizando o país. Não foi outro senão o próprio Marcos Bagno que veio a público defender a autora. Segundo o esbulho, quem está comentando o caso são jornalistas que não têm conhecimento sobre lingüística, que apenas confirmam mais preconceito. Lingüisticamente falando, não há certo e errado. E nada tinha a ver com o PT.

Eu copiei aqui apenas um trechinho curto de um excepcional artigo sobre o caso do MEC que pode (e deve!) ser lido na íntegra AQUI. Vale a pena.

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Em suma: a turminha do MEC que está trabalhando (sic) no tal currículo nacional não passa de um grupo de tietes de Paulo Freire – o que significa que a educação no Brasil vai ficar muito, muito pior.

Teoria dos Jogos: simetria, cooperação e diversão

Há algumas semanas estou enrolando, mas neste fim de semana PRECISO tirar essas leituras da lista de “stand by”, sob o risco de permitir a criação de teias de aranha no cérebro (não dá para ler só TCC, senão atrofia tudo!). As 3 me parecem bem interessantes:

1) Cooperation under incomplete information on the discount factors

Abstract: In repeated games, cooperation is possible in equilibrium only if players are sufficiently patient, and long-term gains from cooperation outweigh short-term gains from deviation. What happens if the players have incomplete information regarding each other’s discount factors? In this paper we look at repeated games in which each player has incomplete information regarding the other player’s discount factor, and ask when full cooperation can arise in equilibrium. We provide necessary and sufficient conditions that allow full cooperation in equilibrium that is composed of grim trigger strategies, and characterize the states of the world in which full cooperation occurs. We then ask whether these “cooperation events” are close to those in the complete information case, when the information on the other player’s discount factor is “almost” complete.

2) The single crossing conditions for incomplete preferences

Abstract: We study the implications of the single crossing conditions for preferences described by binary relations. All restrictions imposed on the preferences are satisfied in the case of approximate optimization of a bounded-above utility function. In the context of the choice of a single agent, the transitivity of strict preferences ensures that the best response correspondence is increasing in the sense of a natural preorder; if the preferences are represented by an interval order, there is an increasing selection from the best response correspondence. In a strategic game, a Nash equilibrium exists and can be reached from any strategy profile after a finite number of best response improvements if all strategy sets are chains, the single crossing conditions hold w.r.t. pairs (one player’s strategy, a profile of other players’ strategies), and the strict preference relations are transitive. If, additionally, there are just two players, every best response improvement path reaches a Nash equilibrium after a finite number of steps. If each player is only affected by a linear combination of the strategies of others, the single crossing conditions hold w.r.t. pairs (one player’s strategy, an aggregate of the strategies of others), and the preference relations are interval orders, then a Nash equilibrium exists and can be reached from any strategy profile with a finite best response path.

3) Strategy-proofness versus symmetry in economies with an indivisible good and money

Abstract: We consider the problem of allocating a single indivisible good among $n$ agents when monetary transfers are allowed. We study the possibility of constructing strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanisms. We show that there is no strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanism (under the weak domain condition that the set of agent’s possible valuations includes at least $n+1$ common valuations). Moreover, this result implies that there is no strategy-proof, symmetric, and budget balanced mechanism (i) in the model where agents may have non-quasilinear preferences, and/or (ii) in the unit-demand model with $n$ heterogeneous indivisible goods.

E, ainda no assunto Teoria dos Jogos, li isso aqui há algum tempo no blog Economista X e havia esquecido de divulgar. Vale a pena:

Um programa de TV (Japonês) colocou três campeões olímpicos de esgrima para lutar contra 50 esgrimistas amadores. O objetivo era, com a espada, “matar” o oponente — o que significava furar um pequeno balão no peito do mosqueteiro. Antes de olhar o vídeo (no fim do post), vale a pena perguntar: qual é o resultado previsto pela teoria dos jogos? Será que a teoria acerta?
Que jogo é esse e qual é sua solução?
Antes de saber qual conceito de solução aplicar (Nash, subjogo perfeito, sequencial etc), é preciso descobrir que “classe de jogo” esse quadro da TV seria.
Não é exatamente trivial caracterizar essa situação dentro de um “game-theoretic” framework. Mas vejamos. Existe um conjunto de jogadores. O jogo é claramente sequencial, com se fosse dividido em vários estágios em cada um dos quais um grupo de amadores vai se revezar no ataque dos mosqueteiros olímpicos. Quando cada amador decide o que fazer em cada estágio do jogo, ele não sabe exatamente o que os demais jogadores fizeram nos estágios anteriores. Em cada conjunto de informação, há várias histórias de jogo e cada jogador não sabe exatamente qual foi exatamente a história de jogo de cada um dos demais jogadores.
Cada jogador tem um conjunto de estratégias em cada conjunto de informação do jogo. E cada uma dessas estratégias tem um ganho associado à ela. Há claramente heterogeneidade entre os jogadores: cada um parece ser de um dos dois seguintes tipos: o tipo “brigão”, que vai “engage” um dos esgrimistas olímpicos, e o tipo “malandro”, que vai pegar carona na multidão pra prolongar sua sobrevivência no jogo. Há uma distribuição (subjetiva) de provabilidades sobre quem é de que tipo aqui, supõe-se. O payoff desses tipos é provavelmente diferente porque os primeiros derivariam uma utilidade em exercer esforço.
Dito isto, estamos diante de um jogo dinâmico com informação incompleta. A questão então é: qual é o Equilíbrio Perfeito Bayesiano de Nash nesse jogo?
Solução
Esse tipo de equilíbrio envolve não apenas uma sequência de estratégias para todos os estágios do jogo (perfil de estratégias) mas também um conjunto de crenças que seja consistente com as estratégias em cada estágio e onde a crença sobre em qual trajetória ele se encontra em cada conjunto de informação no qual ele é chamado a jogar é definido de acordo com a regra de Bayes.
Com a informação que está disponível ao se assistir o vídeo, é obviamente impossível computar o equilíbrio desse jogo sem fazer um monte de suposição adicional que restrinja o espaço de estratégias e diminua a multiplicidade de trajetórias que 50 jogadores em um jogo com tantos estágios pode gerar. O que torna esse jogo mais complicado de analisar mas também mais fascinante é que o número de jogadores vai diminuindo ao longo do jogo.
Schelling point
Mesmo assim, considerando que o payoff do jogo para os mosqueteiros amadores era uma função direta tanto do ato de derrotar os esgrimistas olímpicos quanto de permanecer no jogo por mais tempo possível, é possível argumentar que o equilíbrio do jogo seria “misturada” no sentido de que envolveria uma estratégia na primeira parte do jogo (se esconder e evitar uma disputa direta com os esgrimistas olímpicos) e outra na segunda parte do jogo (atacar o esgrimista olímpico — ponto focal — usando o tamanho menor de esgrimistas para uma ação coordenada, o que em certo sentido poderia ser uma “misrepresentation” de tipo). Tudo indicaria, ao menos teoricamente, que um dos esgrimistas amadores seria o vencedor.  Será que é isso que acontece? Vejam o vídeo por vocês mesmos.

Há obviamente, dezenas de outras explicações possíveis — inclusive mais simples.

Finalmente, eis aqui o vídeo mencionado:

 

 

Politicamente correto enfiado no rabo

Excelente vídeo, com um discurso que literalmente enfiou o politicamente correto no rabo da fofinha:

Apenas para deixar claro: o chamado “politicamente correto” é o apoio dos ignorantes e intelectualmente despreparados; tornou-se o grande muro de arrimo de imensa maioria da esquerda paternalista (perdão pelo pleonasmo) que não tem capacidade de fazer e precisa, pois, chupar o Estado e os demais cidadãos.

Fica o registro desse artigo brilhante de João Pereira Coutinho publicado na Folha:

O mundo é dos bárbaros

O Muro de Berlim caiu há 25 anos e alguns lunáticos acreditaram genuinamente que o mundo chegara ao “fim da História”. Francis Fukuyama foi apenas um deles: com o descrédito do comunismo, só restava ao mundo a solução demo-liberal.

Poucos anos depois dessa proclamação pseudo-hegeliana, dois aviões rebentavam com as Twin Towers de Nova York.
E hoje, ano da graça de 2014, o Iraque está a ser devorado, pedaço a pedaço, por aquele grupo terrorista (a Al Qaeda) que toda a gente declarava morto e enterrado. Moral da história? A história não tem moral. Nem fim.

Mas há uma consequência da Queda do Muro que faz parte da história intelectual do nosso tempo: a emergência do pensamento politicamente correto nas pocilgas acadêmicas e editoriais.
Calma, povo: o pensamento politicamente correto é anterior a 1989. Para sermos rigorosos, começou com a ambição respeitável de garantir condições de igualdade a minorias várias que eram objetivamente destratadas pelo Estado.

A luta pelos direitos civis na América segregacionista de meados do século 20 foi uma luta politicamente correta. Em vários sentidos da palavra.
O problema é que situações de discriminação objetiva foram substituídas por delírios linguísticos que ganharam força de dogma depois de 1989. Porquê depois de 1989? Porque com a morte do comunismo não morreu a sua ideia motriz: a ideia de que a humanidade se define pela luta perpétua entre exploradores e explorados.

E se o proletariado já não era o explorado da situação –nas ruas de Berlim ou de Bucareste o proletariado desprezava o “materialismo histórico” e desejava ardentemente os confortos do mundo capitalista– então era preciso encontrar novas vítimas. E elas foram encontradas: os negros, as mulheres, os gays, os anões –a lista é infinda.

E, com essa lista, vieram as patrulhas: gente que copia os piores vícios dos velhos inquisidores, procurando sinais de corrupção onde eles nem sequer existem.

Por isso merece leitura obrigatória o texto publicado nesta Folha (“Tolerância intolerante”, 15/6/2014) de Luís Pereira e Sílvio Pera. São dois professores de pré-vestibular que analisam o “neofundamentalismo politicamente correto” que hoje existe nas escolas.

Exemplos? Pereira e Pera contam esse: um professor dissertava na aula sobre a inferioridade da mulher na sociedade patriarcal do Ocidente. Não vou perder tempo com a natureza anacrônica da expressão “sociedade patriarcal”. O que interessa é que o professor até admitiu que a história que existe nos livros é, sem grandes exceções, uma “história masculina”.

Foi o que bastou para que uma aluna apenas escutasse “história masculina” (fora do contexto) e pulasse de indignação contra o professor “machista”.

Nada disso me espanta. Anos atrás, ainda como aluno, um professor de Filosofia explicava pacientemente que, ao contrário da caricatura habitual, Sócrates até tinha uma opinião moderada sobre as mulheres (coisa rara entre os seus pares), apesar de as considerar seres intelectualmente inferiores.

A falange feminista abandonou ruidosamente a sala. Seguiu-se uma queixa contra o professor.
O professor não se atemorizou. Solidário com a luta das alunas, propôs que todos lavrassem em conjunto uma queixa contra Sócrates, o verdadeiro responsável pelo insulto. Até sugeriu um título: “O Julgamento de Sócrates”.

As alunas, com o sentido de humor que as cabeças politicamente corretas normalmente têm, consideraram a sugestão um novo insulto. E resolveram apresentar os seus argumentos no carro do professor –com tinta, pregos e vidraças quebradas.

O professor, em idade de pré-aposentadoria, resolveu tratar da burocracia mais cedo. Aos bárbaros o que é dos bárbaros, disse ele.

Ou, pelo menos, eu quero muito acreditar que sim.

Startups Brasil

Em novembro de 2013, recebi esta mensagem abaixo pelo site:

Olá Munhoz, nós somos o Startups Brasil, o maior mapa de empresas Startups e universidade do Brasil.

Gostaria de apresentar nosso portal (http://www.guiato.com.br/startups/), que tem o objetivo de linkar os estudantes universitários, técnicos e profissionais, com as Startups, que estão em busca de funcionarios qualificados, mostrando ainda quais empresas ficam mais próximas de sua casa ou instituição de ensino.

Além disso, o site oferece o serviço de localizar a universidade mais próxima do futuro estudante. Possuímos em nosso banco de dados mais de 700 Startups geolocalizadas e mais de 1000 universidades mapeadas e cadastradas em nosso site.
A preocupação de criar um projeto sem fins lucrativos focando em Startups é de que muitas pessoas não tem conhecimento de como funciona uma Startup. Para isso o site oferece diversas dicas de como trabalhar em uma e as vantagens de trabalhar em uma empresa Startup.

Como o Startups Brasil é um projeto novo, queremos seu apoio nos auxiliando a divulga-lo para que os estudantes e profissionais tenham a oportunidade de trabalhar em uma Startup. Você pode ajudar colocando um link do nosso site em alguma seção de seu portal ou fazer um artigo sobre nosso projeto e colocar o link. Caso você possua uma empresa Startup e quer ser cadastrada em nosso banco de dados, nos envie o nome, o endereço (se possivel latitude e longitude), telefone e o link de seu site.

Se tiver dúvidas, sugestões ou comentários, por favor, não hesite em nos contatar!

Atenciosamente,
Vitor Moya – Startups Brasil
Av. Brig. Faria Lima 1571, 7º andar | São Paulo-SP, 01452-918 | Brazil

Primeiro, preciso pedir desculpas pela demora em mencionar este assunto. A mensagem ficou “soterrada” pelas mensagens recebidas posteriormente, e eu, claro, acabei esquecendo (a idade é um problema sério!).

Segundo, agora que achei a mensagem, resolvi divulgar porque é uma iniciativa interessante.

Desejo muito boa sorte ao pessoal, e me coloco à disposição por aqui.

O bote de “fibra ótico” da anta

Recebi por e-mail do amigo Lúcio e reproduzo, porque é muito divertido – na verdade é patético ter uma ignorante como Presidente da República, mas já que a anta foi colocada lá, resta rir da infinita ignorância:

Em duas palavras, S. Excia Anta cometeu erro de concordância e erro quanto ao material que pode ser empregado para construir barcos!!!

Nenhum barco é fabricado com fibra ótica, um material usado em telecomunicações por não sofrer interferência eletromagnética.
A fibra ótica (e não fibra ótico) é fabricada com vidro, mas não é nem de longe parente da fibra de vidro (fiberglass) utilizada para construir barcos.
S. Excia Anta ouviu o galo cantar, misturou as estações e inventou esse material.

Esta é a anta. A PresidANTA.

O Estadão critica o bandido; a Folha contrata como colunista

Em janeiro cancelei minha assinatura da Folha, depois de quase 20 anos como assinante. Escrevi au passant sobre isso aqui no blog.

Desde então, a Folha de São Paulo só me deu bons motivos para ter certeza de que fiz a coisa certa. Mas agora ela extrapolou. Hoje a Folha anunciou que o chefe do MTST, um sedizente intelectual, que não passa de um bandido com ares que agradam aos intelectuais ignorantes que o Brasil produz fartamente (especialmente na FFLCH), é o novo colunista do jornal:

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Enquanto isso, o Estadão publica um editorial que eu gostaria de assinar embaixo:

Triste espetáculo

26 Junho 2014

É constrangedor – para não dizer humilhante – o espetáculo do poder público, em todos os seus níveis, dobrando-se às vontades e caprichos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Primeiro o prefeito Fernando Haddad, depois a presidente Dilma Rousseff e agora o governador Geraldo Alckmin vêm cedendo à chantagem do coordenador desse movimento, Guilherme Boulos, cada vez mais afoito e seguro de si, que começou ameaçando todos com manifestações capazes de tumultuar a Copa do Mundo em São Paulo, se seus desejos não forem satisfeitos, e agora está literalmente sitiando a Câmara Municipal com o mesmo objetivo.

O MTST prometeu realizar uma ocupação de novos terrenos por dia, sem falar nas manifestações que estão virando rotina, até que a Câmara vote o projeto de revisão do Plano Diretor, que prevê – como resultado de pressão dele – a transformação em Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), para nelas serem construídas moradias populares, de quatro áreas ocupadas pelo movimento: Faixa de Gaza, em Paraisópolis; Nova Palestina, em M’Boi Mirim; Dona Deda, no Parque Ipê; e Capadócia, no Jardim Ingá.

A elas foi acrescentada a Ocupação Copa do Povo, em terreno situado, não por acaso, a apenas 4 km do Estádio Itaquerão, na zona leste. Como a inclusão dessa Zeis no projeto do Plano poderia complicar sua aprovação, já que bom número de vereadores com isso não concorda, optou-se – para atender a mais essa exigência do MTST – por fazer isso por meio de projeto de lei separado.

Como se não bastasse a ameaça de mais ocupações e manifestações, o movimento sitiou a Câmara na terça-feira e diz que os 9 mil sem-teto – mil segundo a PM, mas o número a essa altura pouco importa – que se encontram acampados em frente ao prédio, com colchões, cobertores e cozinha improvisada, dali só sairão quando os vereadores aprovarem tudo que lhes interessa.

Ou seja, o MTST se julga no direito de comandar a pauta do Legislativo municipal, não apenas nela colocando matérias de seu interesse, como estabelecendo prazos para sua aprovação. Nesse caso, com a agravante de que faz isso por meio de manipulação do Plano Diretor, matéria da maior importância, porque deve orientar o desenvolvimento urbano de São Paulo, mas que está sendo transformado em reles instrumento para a satisfação de interesses de grupos aguerridos, sempre prontos a recorrer à violência.

A essa altura restam poucas dúvidas de que o MTST conseguirá tudo, ou quase, que deseja. Uma indicação segura de que o sítio da Câmara já está funcionando é que na própria terça-feira o seu presidente, José Américo (PT), recebeu uma comitiva do movimento para negociar a data para a votação das matérias de seu interesse.

Américo não fez mais do que seguir o caminho aberto por Haddad e Dilma Rousseff, que numa de suas visitas à capital paulista abriu espaço em sua agenda para receber Boulos, a quem prometeu incluir a área da Ocupação Copa do Povo no programa Minha Casa, Minha Vida. Dupla de governantes à qual acaba de se juntar o governador Alckmin. Ele também se encontrou com Boulos, que saiu triunfante de reunião de uma hora e meia. Entre outras coisas, obteve a promessa de criação de uma comissão estadual de mediação de conflitos urbanos, que ele certamente pretende usar para sacramentar suas invasões.

A coisa está chegando a tal ponto que Boulos disse ter tratado com Alckmin também de transportes na região metropolitana e até da falta de água nas regiões sul e leste. Até onde ele e seu movimento irão? Bem longe, certamente, porque uma característica da chantagem é que a ela não se cede uma vez só. O chantagista é insaciável.

Outra grave consequência dessa rendição do poder público aos arreganhos do MTST é que, como alertam membros do Ministério Público Estadual, as ocupações semeiam entre as 130 mil pessoas há muito inscritas nos vários programas habitacionais da capital o medo de que os invasores de Boulos passem em sua frente. O que já está acontecendo.

Coincidência ou não, ontem resolvi assinar o Estadão. Posso dizer que já estamos tendo um bom começo!

Quanto à Folha de São Paulo…. Aguardo o momento de contratarem o Fernandinho Beira Mar, o Marcola, os irmãos Cravinhos, José Genoíno, José Dirceu, Edemar Cid Ferreira, Cesare Battisti e outros bandidos, meliantes e afins. Não deve demorar, obviamente. Gente galopantemente ignorante já habita as páginas da Folha (Gregorio Duvivier, Janio de Freitas, Vladmir Safatle, Ricardo Mello, Suzana Singer, Álvaro Pereira Júnior, André Singer, Marcelo Miterhof, Antonio Prata, Raquel Rolnik, Sérgio Malbergier e tantos outros), então as portas estão abertas.

O pessoal anda confundindo diversidade de opiniões com absoluta falta de critérios técnicos e intelectuais. E tem assinante bem irritado com (mais) essa cagada da Folha.

Meus pêsames, Folha de São Paulo!

Chega de papel: digitalizar é a solução

Há alguns anos, participei de uma banca de plano de negócios cujo mote era criar um empresa para digitalizar documentos importantes, que não poderiam ser destruídos. Infelizmente, não me lembro o nome do aluno que fez este plano, mas lembro que não apenas o plano em si estava muito bem feito, mas que a idéia que sustentava a empresa era muito boa. Aliás, era e ainda é.

Hoje leio na Folha o seguinte (íntegra da matéria AQUI, disponível apenas para assinantes):

O espaço limitado dos escritórios de advocacia, bancos, seguradoras e até hospitais em São Paulo e no Rio virou um negócio de alta tecnologia para guardar documentos, contratos e notas fiscais para gestores de documentos e arquivos, como a P3Image.

Da simples digitalização de notas e contratos, a empresa passou a fazer o serviço completo de gestão de arquivos e até prontuários médicos para clientes que não têm espaço nem funcionários suficientes para lidar com herança passada dos negócios.

A empresa faz a coleta periódica dos documentos na sede de clientes como a seguradora SulAmérica, as Lojas Marisa e o hospital São Luís. Depois etiqueta folha com código de barra, confere os dados, digitaliza as páginas e disponibiliza a imagem, pela internet, para todos os funcionários da empresa que tiverem o acesso autorizado.

Os documentos originais são arquivados no galpão da própria P3, sendo que alguns mais sensíveis -microfilmes, negativos de fotos, CDs, DVDs etc- vão para cofres projetados contra a ação da umidade, insetos e incêndio.

Um desses cofres, cujas imagens são gravadas e monitoradas 24 horas, está programado para retirar todo o ar em caso de incêndio, evitando a proliferação do fogo.

No Brasil, a Receita Federal pede que recibos e notas fiscais fiquem guardados por cinco anos. Prontuários médicos devem ser mantidos para sempre pelos hospitais, mesmo após a morte do paciente. Até a gravação de conversas de consumidores no call center podem ser requisitadas a qualquer momento pelas ouvidorias e órgãos de defesa do consumidor.

Além de se livrar da papelada, a empresa que digitaliza os documentos ganha agilidade para lidar só com a imagem on-line dos originais.

“Um documento parado um dia na mesa de um funcionário pode significar vários negócios perdidos. Só ele tem acesso. Digitalizado, fica disponível ao mesmo tempo para todos na empresa. É a chance de vender um produto complementar, oferecer um serviço importante, evitar uma possível reclamação e entender as necessidades do consumidor”, disse Paulo Carneiro, 43, dono da P3.

A sede fica em um antigo galpão da Lapa (zona oeste de SP), que parece uma grande biblioteca, com quilômetros de estantes e milhares de caixas de arquivos.

Se alguém precisar dos originais (por exemplo, para cumprir o pedido de um fiscal ou uma decisão judicial), o cliente faz a solicitação on-line e recebe o documento original em até três horas.

Em suma, o negócio é extremamente interessante!

Posso dar como exemplo eu mesmo: há alguns anos venho tentando eliminar papéis, de todas as formas possíveis – digitalizando documentos, notas fiscais, recibos etc. Recentemente, aliás, cancelei minha assinatura do ValorEconômico para fazer a assinatura exclusivamente da edição digital, que não ocupa espaço nenhum em casa e/ou na minha mesa.

Além disso, procurar uma reportagem na versão digital é muito mais rápido e eficaz do que folhear “trocentos” jornais impressos!

Biblioteca Digital Mundial da ONU

Recebi esta ótima notícia por e-mail (e agradeço ao amigo Carlos Bertini pela dica) e compartilho.

A Biblioteca Digital Mundial da ONU reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobre tudo, “caráter patrimonial, antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projeto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas.

Entre os documentos mais antigos há alguns códices pré-colombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562″, explicou Abid.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani, um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos astecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes revelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. Os documentos foram passados por scanners e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas o português. A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

Embora seja apresentado oficialmente na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do link: http://www.wdl.org/   O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar diretamente pela Web , sem necessidade de se registrarem.

Ela permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de Lafontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutenberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas: América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à ativa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, à biblioteca de Alexandria no Egito e à Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada do projeto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e atualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse site vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo audiovisual.