O Estadão critica o bandido; a Folha contrata como colunista

Em janeiro cancelei minha assinatura da Folha, depois de quase 20 anos como assinante. Escrevi au passant sobre isso aqui no blog.

Desde então, a Folha de São Paulo só me deu bons motivos para ter certeza de que fiz a coisa certa. Mas agora ela extrapolou. Hoje a Folha anunciou que o chefe do MTST, um sedizente intelectual, que não passa de um bandido com ares que agradam aos intelectuais ignorantes que o Brasil produz fartamente (especialmente na FFLCH), é o novo colunista do jornal:

Firefox 5
Enquanto isso, o Estadão publica um editorial que eu gostaria de assinar embaixo:

Triste espetáculo

26 Junho 2014

É constrangedor – para não dizer humilhante – o espetáculo do poder público, em todos os seus níveis, dobrando-se às vontades e caprichos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Primeiro o prefeito Fernando Haddad, depois a presidente Dilma Rousseff e agora o governador Geraldo Alckmin vêm cedendo à chantagem do coordenador desse movimento, Guilherme Boulos, cada vez mais afoito e seguro de si, que começou ameaçando todos com manifestações capazes de tumultuar a Copa do Mundo em São Paulo, se seus desejos não forem satisfeitos, e agora está literalmente sitiando a Câmara Municipal com o mesmo objetivo.

O MTST prometeu realizar uma ocupação de novos terrenos por dia, sem falar nas manifestações que estão virando rotina, até que a Câmara vote o projeto de revisão do Plano Diretor, que prevê – como resultado de pressão dele – a transformação em Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), para nelas serem construídas moradias populares, de quatro áreas ocupadas pelo movimento: Faixa de Gaza, em Paraisópolis; Nova Palestina, em M’Boi Mirim; Dona Deda, no Parque Ipê; e Capadócia, no Jardim Ingá.

A elas foi acrescentada a Ocupação Copa do Povo, em terreno situado, não por acaso, a apenas 4 km do Estádio Itaquerão, na zona leste. Como a inclusão dessa Zeis no projeto do Plano poderia complicar sua aprovação, já que bom número de vereadores com isso não concorda, optou-se – para atender a mais essa exigência do MTST – por fazer isso por meio de projeto de lei separado.

Como se não bastasse a ameaça de mais ocupações e manifestações, o movimento sitiou a Câmara na terça-feira e diz que os 9 mil sem-teto – mil segundo a PM, mas o número a essa altura pouco importa – que se encontram acampados em frente ao prédio, com colchões, cobertores e cozinha improvisada, dali só sairão quando os vereadores aprovarem tudo que lhes interessa.

Ou seja, o MTST se julga no direito de comandar a pauta do Legislativo municipal, não apenas nela colocando matérias de seu interesse, como estabelecendo prazos para sua aprovação. Nesse caso, com a agravante de que faz isso por meio de manipulação do Plano Diretor, matéria da maior importância, porque deve orientar o desenvolvimento urbano de São Paulo, mas que está sendo transformado em reles instrumento para a satisfação de interesses de grupos aguerridos, sempre prontos a recorrer à violência.

A essa altura restam poucas dúvidas de que o MTST conseguirá tudo, ou quase, que deseja. Uma indicação segura de que o sítio da Câmara já está funcionando é que na própria terça-feira o seu presidente, José Américo (PT), recebeu uma comitiva do movimento para negociar a data para a votação das matérias de seu interesse.

Américo não fez mais do que seguir o caminho aberto por Haddad e Dilma Rousseff, que numa de suas visitas à capital paulista abriu espaço em sua agenda para receber Boulos, a quem prometeu incluir a área da Ocupação Copa do Povo no programa Minha Casa, Minha Vida. Dupla de governantes à qual acaba de se juntar o governador Alckmin. Ele também se encontrou com Boulos, que saiu triunfante de reunião de uma hora e meia. Entre outras coisas, obteve a promessa de criação de uma comissão estadual de mediação de conflitos urbanos, que ele certamente pretende usar para sacramentar suas invasões.

A coisa está chegando a tal ponto que Boulos disse ter tratado com Alckmin também de transportes na região metropolitana e até da falta de água nas regiões sul e leste. Até onde ele e seu movimento irão? Bem longe, certamente, porque uma característica da chantagem é que a ela não se cede uma vez só. O chantagista é insaciável.

Outra grave consequência dessa rendição do poder público aos arreganhos do MTST é que, como alertam membros do Ministério Público Estadual, as ocupações semeiam entre as 130 mil pessoas há muito inscritas nos vários programas habitacionais da capital o medo de que os invasores de Boulos passem em sua frente. O que já está acontecendo.

Coincidência ou não, ontem resolvi assinar o Estadão. Posso dizer que já estamos tendo um bom começo!

Quanto à Folha de São Paulo…. Aguardo o momento de contratarem o Fernandinho Beira Mar, o Marcola, os irmãos Cravinhos, José Genoíno, José Dirceu, Edemar Cid Ferreira, Cesare Battisti e outros bandidos, meliantes e afins. Não deve demorar, obviamente. Gente galopantemente ignorante já habita as páginas da Folha (Gregorio Duvivier, Janio de Freitas, Vladmir Safatle, Ricardo Mello, Suzana Singer, Álvaro Pereira Júnior, André Singer, Marcelo Miterhof, Antonio Prata, Raquel Rolnik, Sérgio Malbergier e tantos outros), então as portas estão abertas.

O pessoal anda confundindo diversidade de opiniões com absoluta falta de critérios técnicos e intelectuais. E tem assinante bem irritado com (mais) essa cagada da Folha.

Meus pêsames, Folha de São Paulo!

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