RISCO LULLA

Alguns abestados jamais conseguiram entender o “risco Lulla”.

Talvez o Banco Central americano tenha obtido uma compreensão MUITO melhor do que os abestados tapuias:

Vitória de Lula, em 2002, preocupou o Fed
Ricardo Balthazar
VALOR ECONÔMICO – 15/04/2008

A enorme apreensão que a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder gerou nos mercados financeiros em 2002 contagiou a diretoria do Federal Reserve, o Banco Central americano, segundo as transcrições das reuniões que a diretoria da instituição manteve nesse período, divulgadas na última sexta-feira.
Numa reunião no dia 26 de junho de 2002, quatro meses antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o então presidente do Fed, Alan Greenspan, manifestou preocupação com o avanço da esquerda na América Latina e os riscos que ela poderia criar na região.
“A questão é se haverá contágio”, disse Greenspan, depois de citar Brasil, Argentina, Colômbia e Venezuela como fontes de inquietação.””Contágio político se espalha? Pode ser, mas não sei bem em que direção. Por exemplo, eu não sei o que vai acontecer se as pessoas virem que o Brasil foi posto de joelhos por causa de uma campanha populista.”
O então presidente do Fed regional de Nova York, William McDonough, que também participou dessa reunião, era o mais assustado com o que estava acontecendo. Ele classificou a situação do Brasil como um “perigo sempre crescente” e disse que o avanço de Lula nas pesquisas eleitorais criava o risco de uma “fuga maciça de capitais”.
“A questão não é se Lula da Silva será eleito”, explicou McDonough. “É se os mercados financeiros do país, e especialmente os cidadãos do país, ficarão sentados esperando para ver o que acontece.” Pouco depois, ele acrescentou: “Não há nada que o FMI ou qualquer um possa fazer sobre isso. Se o povo brasileiro decidir que vai votar apostando seu dinheiro, o resto do mundo terá que ficar olhando.”
As transcrições das reuniões mostram que as autoridades americanas temiam que o medo que os investidores tinham de Lula deflagrasse uma crise financeira internacional, atingindo outros países emergentes e alimentando pressões sobre o dólar e a economia americana, que ainda parecia estar se recuperando dos efeitos dos atentados terroristas de setembro de 2001.
A deterioração das finanças do país durante a campanha eleitoral levou o Brasil a bater à porta do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em agosto aprovou um pacote de US$ 30 bilhões para socorrer o país. O empréstimo ajudou o Brasil a respirar, mas a desconfiança que os bancos tinham de Lula e dos petistas continuou muito grande.
Numa reunião do Fed no dia 13 de agosto, pouco depois da assinatura do acordo com o Fundo, McDonough contou aos colegas que havia conversado com dirigentes de bancos espanhóis e americanos com negócios no Brasil e concluíra que eles estavam aproveitando a situação para tirar seu dinheiro do país e buscar proteção em outro lugar.
“A comunidade bancária internacional está aproveitando o pacote do FMI para reduzir sua exposição”, disse McDonough. “No longo prazo isso vai realmente contra os seus interesses e não é muito inteligente, mas parece ser o que eles estão fazendo.” Ele acreditava que no futuro isso faria o Fundo pensar duas vezes antes de socorrer novamente países em dificuldades.
O Fed continuou vendo Lula como uma fonte de instabilidade mesmo depois da eleição. Numa reunião no dia 10 de dezembro, poucas semanas antes da posse de Lula, McDonough criticou a demora do novo presidente em anunciar sua equipe econômica. “Acho que há um conflito crescente entre seus assessores econômicos e a liderança do PT”, afirmou. “Se continuar, isso pode resultar num golpe adicional e desnecessário na confiança dos investidores.”
Como Greenspan lembrou na hora, coincidentemente Lula estava em Washington naquele dia. Ele se encontrou com o presidente George Bush na Casa Branca e poucas horas depois anunciou que Antonio Palocci seria seu ministro da Fazenda.
No livro de memórias que publicou no ano passado, Greenspan menciona Lula num capítulo sobre a volta do populismo na América Latina e admite que sua avaliação inicial sobre o presidente brasileiro estava errada. “Para surpresa da maioria, inclusive minha, ele manteve em boa parte as políticas sensatas do Plano Real”, escreveu Greenspan.
As transcrições divulgadas pelo Fed revelam também que Greenspan e seus colegas ficaram muito nervosos com a crise deflagrada pelo fim do regime de câmbio fixo na Argentina. Numa reunião no dia 19 de março de 2002, Greenspan disse que a situação do país parecia caótica: “Vai ser difícil fazer alguém voltar a investir na Argentina se seus líderes continuarem deixando claro que isso não é seguro.”
Quando a economista que dirigia a divisão de assuntos internacionais do Fed, Karen Johnson, disse que a situação era tão grave que ela não tinha idéia de como poderia ser resolvida, Greenspan exclamou: “Deus nos acude!” Para McDonough, que poucas semanas antes havia discutido o problema com banqueiros em Basiléia, na Suíça, dar ajuda financeira à Argentina era tudo que não devia ser feito.
“Fomos aconselhados de maneira muito veemente a não encostar na Argentina com nenhum tipo de mão amiga por causa de uma nova versão do efeito de contágio”, disse o dirigente do Fed de Nova York. “Se um país for recompensado de alguma maneira por violar a lei dos contratos, isso encorajaria governos irresponsáveis em outros lugares do mundo a pensar que poderiam fazer a mesma coisa.”

Para desespero dos incautos que enxergam uma mudança de rumos na política econômica, a leitura (e compreensão) deste artigo será impossível. Pura ignorância mesmo – tão peculiar ao PTralhas.

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