Terceirizando a língua portuguesa

Essa é uma piadinha à qual eu não resisti…..
Semana passada recebi uma entrega do Submarino.
Acho que foi a 1a vez que a 1a entrega não foi bem sucedida (até porque eles tentaram entregar em pleno feriado, e eu nunca imaginei que isso aconteceria, então estava esperando a encomenda só no dia seguinte).

Por isso, prestei atenção na etiqueta da transportadora que estava na embalagem.
Vejam as fotos:

Eu nunca tinha lido IMCOMPLETO.
Foi a primeira vez na vida…..
O submarino terceiriza a entrega – ok, isso eu sabia.
Mas terceirizou a língua portuguesa também ?!

ENADE 2009

Vamos contextualizar primeiro:

O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) 2009 foi aplicado em 8 de novembro. Mais de um milhão de ingressantes e concluintes de 7.080 cursos foram convocados para o exame. Para os 1.103.173 convocados, a prova é requisito obrigatório para a obtenção do diploma.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), houve apenas registros de problemas isolados, como os de chegada atrasada em locais de prova ou esquecimento por parte dos estudantes de documento de identificação. (FONTE: UOL Educação)

Após ouvir alguns comentários de alunos meus sobre a prova, resolvi analisar a íntegra da prova de Administração. O download do arquivo pode ser feito AQUI.

Li a prova, e teci alguns comentários gerais, que enviei aos meus alunos – os quais transcrevo aqui:

  • Há um grande (demasiado, até) número de questões que NADA têm a ver com administração; são algo entre “interpretação de texto” e “lógica”, mas por vezes demonstram que o INEP e o MEC estão tomados por cumpanheiros do PT, ignóbeis que só eles. Mas não fiquem tristes: o concurso do IPEA, um órgão da maior importância, também foi tomado por questões de viés esquerdisto-petralha. É preciso, pois, cuidado para não cair nas pegadinhas.
  • Pode se dar melhor nesta provinha quem consegue ler/interpretar bem as solicitações (por vezes ridículas) das questões do que quem conhece os assuntos. Os velhos problemas de provas do tipo “teste”…. aqui, porém, mais graves, devido à incompetência de quem redigiu as questões.
  • Em termos de conteúdo, a prova é básica. Trata dos temas essenciais das disciplinas. Mas é paupérrima nas questões de TGA/RH.

Fui solicitado a tecer alguns comentários mais detalhados sobre algumas questões, então resolvi publicá-los aqui no blog também. Voltei minha atenção à leitura (e análise) das questões sobre TGA (Teoria Geral da Administração) e marketing, por razões óbvias. As questões que li com mais atenção são:
11 – TGA
12 – TGA
13 – TGA
14 – TGA
15 – TGA
16 – MKT
18 – TGA
19 – TGA
20 – MKT
21 – MKT
22 – MKT
25 – TGA / MKT
26 – MKT
31 – MKT
39 – TGA
40 – MKT

Vejamos, por exemplo, a questão 13:

Durante sua atividade profissional, os administradores precisam tomar inúmeras decisões que envolvem riscos com impacto no desempenho de suas organizações. Fazem-no num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam.
Com base no texto, é CORRETO afirmar que os administradores tomam decisões num contexto de racionalidade
A) instrumental.
B) legal.
C) limitada.
D) plena.
E) técnica.

Uma questão meramente interpretativa, já que a resposta estava no próprio enunciado (“num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam“).

A questão “mede” o conhecimento (ou a competência) de um administrador de empresas ?!
NÃO. Só serve para ocupar espaço – e o tempo do coitado que precisa se deslocar até a PQP para fazer a bosta da provinha.

Mais um exemplo – a questão 14:

Saiu o resultado da pesquisa de clima organizacional da BomTempo S.A. Entretanto, os resultados relativos ao item Responsabilidade e Motivação com o Trabalho são os que mais preocupam Jorge, o Diretor de Recursos Humanos.
(ver a tabela com os resultados no arquivo original)
Alguns funcionários relataram, no campo do questionário reservado para comentários adicionais, que as atividades não utilizavam plenamente o seu potencial. Com base nas informações e nos dados apresentados, Jorge solicitou à sua equipe preparar algumas opções de planos voltados para gerar motivação com o trabalho e reverter essa situação junto aos funcionários. Por qual das alternativas Jorge deverá optar?
A) Abertura dos canais de comunicação e feedback.
B) Aumento do trabalho em grupo.
C) Enriquecimento de cargo lateral e vertical.
D) Participação dos funcionários no processo decisório.
E) Simplificação das atividades.

Nesta questão, há um problema grave, e outro menos grave.
O menos grave: a pergunta é bem babaquinha, né ?!
O mais grave: há 3 alternativas corretas (B, C e D). Vejamos:

  • Se formos buscar as explicações na Teoria de Relações Humanas, na qual o homem era visto como um ser SOCIAL, o aumento do trabalho em grupo poderia aumentar a percepção de cada funcionário sobre sua importância para aquela comunidade, exatamente como descrito na fase 2 da experiência de Hawthorne (Elton Mayo). Alternativa B correta.
  • O enriquecimento do cargo é uma solução bastante óbvia – mas a pegadinha é que enfiaram os termos “lateral e vertical”. Alguns certamente podem ter descartado esta alternativa por conta desse “enriquecimento lateral E vertical”, que poderia ter o sentido de “enlargement” ao invés de “empowerment” (em tempo: o “enriquecimento” se refere ao termo “empowerment”). Se utilizarmos os princípios do modelo japonês de administração, o empowerment (tanto lateral quanto vertical) pode ser apontado, sim, como fator capaz de aumentar a motivação com o trabalho e aproveitamento do potencial individual (basta ver os princípios da Toyota para fazer o seu “just-in-time” funcionar, assim como o Kanban e o Kaizen). Alternativa C correta.
  • A alternativa D também é bastante óbvia: ao aumentar a participação dos funcionários no processo decisório, eles sentir-se-iam mais motivados a continuar contribuindo – ao menos se utilizarmos princípios das teorias de Maslow e Herzberg.

Contudo, o problema central é o seguinte: em pleno Século XXI, qual a relevância de discutir esse tema tão batido há décadas ? Nenhuma.
Muita gente, hoje, prefere jogar um livrinho como “monge e o executivo” na mão dos alunos – afinal, aquele lixo caça-níqueis não é capaz de resolver todos os problemas, recorrendo à metáfora do “líder-servidor” (argh!!!!!) ????
O INEP/MEC prefere descartar as alternativas B e D: o gabarito aponta a resposta correta como sendo a C. 
Sim, a C está correta de fato – mas B e D também estão.

Na questão 15, mais problemas:

Um dos principais desafios do líder é conseguir a dedicação e o empenho de seus liderados na realização das atividades e tarefas que lhes competem, visando a alcançar os objetivos organizacionais. A liderança efetiva pressupõe, portanto, o conhecimento das principais teorias motivacionais que podem orientar as ações do líder com o objetivo de canalizar os esforços dos liderados.
É CORRETO afirmar, tendo em conta os conceitos básicos das teorias da motivação, que
A) a expectativa dos indivíduos sobre a sua habilidade em desempenhar uma tarefa com sucesso é uma importante fonte de motivação no trabalho.
B) objetivos genéricos e abrangentes, que dão margem para diferentes interpretações e ações, são uma importante fonte de motivação no trabalho.
C) os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho, quando acreditam que esse desempenho diferenciado resultará em recompensas para o grupo.
D) todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, quando seu intuito é estimular os esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais.
E) todos os indivíduos possuem elevadas necessidades de poder, e a busca por atender a essas necessidades direciona os seus esforços individuais.

Pois bem……

Se recorrermos à teoria de Herzberg (fatores intrínsecos e extrínsecos, aumento da satisfação aliada à redução da insatisfação, fatores higiênicos e motivacionais), a alternativa A está correta.
Se, por outro lado, considerarmos a importância da cultura organizacional como fator capaz de motivar o grupo, a alternativa C também está correta – e volto a citar o modelo de administração japonês, que prezava a coletividade em detrimento da individualidade.

O gabarito oficial aponta a alternativa A como a correta.

E quanto às questões de marketing ?!
A questão 20 é uma enorme perda de tempo. A pessoa que não conhece NADA sobre o assunto, mas consegue interpretar o gráfico, acerta facilmente.
Por outro lado, se o cara estudou muito o assunto, azar o dele. Não precisava.
Mas o pior, neste caso, é o seguinte: o gabarito indica a alternativa E. 
Errado.

A alternativa E afirma que “o custo de atendimento é positivamente relacionado ao valor real do cliente”. Não é.
Basta ver o gráfico para perceber que esta afirmação somente é válida para os grupos 1 e 3, que têm valor  real MAIOR do que o custo de atendimento, enquanto o grupo 2 tem custo IGUAL ao valor, e finalmente os grupos 4 e 5 têm valor real (significativamente) MENOR do que o custo de atendimento.

A alternativa APROXIMADAMENTE correta é a D (“mais de dois terços da receita provêm de 10% dos clientes“). Aplicando-se a regra de Pareto, percebemos que os grupos 1 e 2, somados, respondem por 11% do total de clientes da empresa, e concentram nada menos do que 68% da receita. Tanto é verdade, que o valor estratégico destes grupos é BASTANTE superior ao dos demais.

Destaquei o “aproximadamente”, pois o valor exato não é 10% dos clientes, mas 11%.

O gabarito está errado.

A questão 21, relacionada à questão 20, é na verdade um exercício de adivinhação, futurologia pura.
Afirma-se o seguinte:

Com base na análise da figura, Alberto Santos pode definir a estratégia de marketing de relacionamento para a sua empresa.
Devem ser usadas estratégias de retenção para os clientes do Grupo 1.
PORQUE
O Grupo 1 é o que apresenta maior potencial de crescimento.
A respeito dessas duas afirmações, é CORRETO afirmar que

A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.
B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.
C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
E) as duas afirmações são falsas.

O gabarito indica como correta a alternativa C – porém, ela NÃO está correta. Ela está “menos errada”.

Isso se deve à ambiguidade do enunciado: Alberto Santos, diretor de marketing da 14 Bis Linhas Aéreas, dividiu a base de clientes da empresa em cinco grupos, com base no tamanho, na participação percentual na receita, no custo de atendimento e nos volumes de transações atuais (valor real) e potenciais (valor estratégico).

Como eu não estou dentro da cabeça do Alberto Santos, eu não sei que critérios foram usados para classificar o POTENCIAL dos clientes……. Foi o volume de compras ? Foi o mix de produtos/serviços adquiridos ? Foi o interesse da empresa em outros segmentos de negócios nos quais estes clientes também teriam interesse (e, assim, poderiam tornar-se clientes da empresa quando ela entrasse neste outro segmento) ?
Não sei.

Por isso mesmo, eu não posso afirmar categoricamente que o grupo 1 deve ser alvo de estratégias de retenção. Adeus, alternativa C.

A questão 25, FINALMENTE, traz um pouquinho de inteligência à prova.
Questão bem montada, com elementos capazes de se atingir uma conclusão. E o gabarito está correto!!!!!

Mas a alegria dura pouco: na página seguinte, a questão 26 volta ao problema da questão 21. Um lixo.

Tenho pena da educação brasileira.
E esta sensação aumenta a cada dia.

Olha o nível da PTralhada

Ressalto as entrevistas do começo, especialmente a tapadinha da UNE (35 segundos), o carinha com a camiseta do PC do B se esquivando de falar das alianças do Lulla (1 minuto), a burrinha que se enrola para justificar o capitalismo do PT (1:32) e o melhor de todos: o mal-humorado que chama o Danilo de mal-informado, quando na verdade ele é que não sabia que a Dilma NÃO é “militante histórica” do PT, mas sim oriunda do PDT (2:02).

O vídeo demonstra bem o “nível” dos eleitores do PT…..

Sorriso amarelo e ignorância vermelha

O vídeo é IMPAGÁVEL:

Ressalto as entrevistas do começo, especialmente a tapadinha da UNE (35 segundos), o carinha com a camiseta do PC do B se esquivando de falar das alianças do Lulla (1 minuto), a burrinha que se enrola para justificar o capitalismo do PT (1:32) e o melhor de todos: o mal-humorado que chama o Danilo de mal-informado, quando na verdade ele é que não sabia que a Dilma NÃO é “militante histórica” do PT, mas sim oriunda do PDT (2:02).

O vídeo demonstra bem o “nível” dos eleitores do PT…..

Fidelização ou FULANIZAÇÃO ?

São inúmeros os livros, artigos e sites (páginas de internet, blogs e afins) que tratam da FIDELIZAÇÃO do cliente.
Porém, ao receber um e-mail, hoje, descobri a FULANIZAÇÃO do cliente.
Vejam a imagem abaixo:

Decerto houve algum problema técnico (no “sistema”), que acabou enviando dois e-mails: o primeiro estava direcionado ao “Fulano”; o segundo, estava direcionado a mim.
Claro que o primeiro não deveria ter sido enviado – e não houve absolutamente nenhuma consequência em decorrência deste erro.
Mas foi no mínimo engraçado, ao ler meus e-mails, receber um direcionado ao “Fulano” !!!!

Desta vez, não houve nenhuma consequência – mas em outras circunstâncias, um erro desse tipo pode ser fatal…..

Vamos fazer o óbvio: tirar os traficantes DA CADEIA

Por vezes, alguns políticos parecem especializados em humor, e não em política. Pior quando eles são ruins nas duas coisas.

Vejamos este aqui: O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) apresentou nesta quarta-feira várias sugestões de ajustes na Lei Antidrogas ( lei 11.343/06). Entre elas, a mudança em dispositivo do artigo 33 da lei para garantir a redução de pena para pequenos traficantes que tem bons antecedentes. Íntegra AQUI.

Sim, é isso mesmo: o deputado (do PT, claro!!!!!) quer REDUZIR as penas dos traficantes “pequenos”. Como escreveu o Reinaldo Azevedo (AQUI): Faz todo sentido! É lógica pura! Como é que o Brasil vai combater os grandes traficantes? Ora, soltando os pequenos!

Para entrar em contato com este deputado desmiolado, os cidadãos que cumprem as leis e desejam ver bandidos NA CADEIA podem usar os seguintes canais de comunicação:

http://www.pauloteixeira13.com.br/

Gabinete Paulo Teixeira
Anexo 3, gab. 281 – Brasília-DF
Tel.: (61) 3215-5281 ou (61) 3215-3281
dep.pauloteixeira@camara.gov.br

Comunicação Brasília
(61) 3215-1281

Escritório São Paulo
Av. São João, 126 – São Paulo-SP
Tel.: (11) 3229-2222

Comunicação São Paulo
Cátia – (11) 3229-2222 ou (11) 9953-1333
catiaesteves@gmail.com

Mas o melhor a fazer, além de enviar cartas, e-mails ou sinais de fumaça, é dar a resposta nas urnas.

O problema é que (felizmente para os PTralhas) a maioria da população tem memória curta…… E corremos o risco de ver deputados desse tipo mamando nas tetas do Estado, enquanto fazem piadas de mal gosto ao invés de cumprir bem seus devidos trabalhos.

Novo Windows

E o lançamento do novo sistema operacional da Micro$oft, o Windows 7 ?
Sim, hoje (22/10) foi o lançamento OFICIAL do software. Andei lendo algumas matérias sobre isso, em blogs, sites e jornais. Para contextualizar o leitor, sugiro esta leitura AQUI. Maiores detalhes, AQUI e AQUI.
Algumas coisas que me chamaram a atenção:

1) Mesmo ANTES da comercialização do produto nas lojas, os camelôs da Santa Efigênia já estavam vendendo (leia AQUI). O preço oficial do produto, como aponta a matéria, é de R$ 369,00 (a versão mais simples); no camelô, consegue-se por cerca de R$ 10,00. Uma BELA diferença, não ?!
Ok, o Windows é um produto ruim pacas (cheio de defeitos), mas há custos elevados no processo de desenvolvimento. Agora, se eles cobrassem um valor mais razoável, não seria mais fácil reduzir a pirataria ????
Espero que a nova versão esteja menos ruim, mas mesmo se estiver, 370 paus é caro, hein ?!

2) A campanha de comunicação & promoção do Windows 7 tem como base transmitir a idéia de que o software pegou as idéias dadas pelos clientes/usuários – este é o mote dos comerciais (em alta definição!!!!):

O leitor que desejar ver mais, pode acessar o canal da M$ no YouTube, AQUI.

Interessante (e necessária) a idéia da M$ (Micro$oft, para os íntimos) de se aproximar do princípio das redes sociais e/ou “colaborativas”. Só espero que o software não continue travando…… Isso, com certeza, é uma idéia/demanda dos clientes da empresa (eu, inclusive).

Aliás, por falar nisso, uma matéria muito boa sobre fidelização de clientes/usuários de redes sociais/colaborativas está AQUI.

Censura à opiniao do cliente (2)

No dia 30 de setembro, escrevi um post (AQUI) sobre o caso do Bar São Bento.
Houve desdobramentos, e quero tratar deles aqui.

A resenha criticando o tal bar voltou ao ar (AQUI).
Junto com a resenha, há um texto escrito provavelmente pelo(s) dono(s) do bar, e quero tratar justamente dele.
Vou reproduzi-lo:

Aos leitores do site,
Inicialmente, ressaltamos que o Boteco São Bento respeita e preserva o direito de seus clientes de se manifestarem sobre os serviços que presta, e jamais ameaçou processar o autor da resenha ou os responsáveis pelo “Resenha em 6”.

Ocorre que foram publicados comentários, feitos por pessoas que falsamente alegavam representar o Boteco São Bento (bem como seus fornecedores e assessoria de imprensa), com o aparente propósito de confrontar os leitores do blog, gerando uma polêmica desnecessária e despropositada.

Portanto, em vista disso, foi solicitada a remoção desses comentários (não da resenha), revestidos de falsidade ideológica, pois não se pode admitir que o nome do Boteco São Bento seja vinculado a comentários e posições que jamais manifestou.

Por fim, o Boteco São Bento esclarece que a sua filosofia é sempre atender críticas, sugestões e reclamações, além de aceitar opiniões sobre o seu estabelecimento, sua qualidade e atendimento.

Cordialmente,

Boteco São Bento

Como assim “jamais ameaçou processar o autor da resenha” ? A íntegra da “notificação extra-judicial” eu publiquei no post de 30/09, e no corpo da tal notificação, assinada pelo advogado  do bar (Carlos Augusto Pinto Dias, OAB/SP nº 124.272), fica muito clara a intenção de proibir NÃO APENAS a publicação da resenha, mas também dos comentários.

Destaco os seguintes trechos da tal notificação (com grifos meus):

2. Em vista disso, diante do conteúdo publicado nessas páginas, restou configurada flagrante ofensa à imagem e reputação da NOTIFICANTE, razão pela qual esse “blog” (caderno digital, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos, ou “posts”) deve ser imediatamente removido da página de internet “Resenha em 6”.

16. Deste modo, tendo em vista que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso X, garante a inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, a GOOGLE afigura-se legalmente responsável pelos prejuízos causados à NOTIFICANTE, razão pela qual deve cessar essa prática ofensiva mediante a remoção integral do “blog” intitulado de “Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, que ofende a sua honra e imagem.

18. Ante o exposto, serve-se a NOTIFICANTE da presente, para NOTIFICAR a RESENHA EM 6, para que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar do recebimento desta, remova integralmente o “blog Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)”, identificado por http://resenhaem6.blogspot.com/2009/09/boteco-sao-bento-o-pior-bar-do-siste ma.html, bem como da página de internet relacionada ao “twitter” (http://twitter.com/resenhaem6) que incita a postagem de comentários contra a NOTIFICANTE, denominada “Se chegarmos em 600 comentários, pago 6 chopps Sol no Boteco São Bento!”, que ofendem e denigrem o seu nome por meio de sua página de relacionamento conhecida como “resenha em 6”, sob pena de serem adotadas todas as medidas judiciais aplicáveis ao caso em tela.

Basta ler o corpo da notificação para perceber que o advogado do Boteco São Bento ameaçou, SIM,  processar os donos do blog, e exigiu a retirada não apenas dos comentários, mas da crítica em si.

Como eu já havia dito, nem conheço o tal boteco.
Mas, a julgar pela falta de capacidade desta empresa em lidar com as críticas à prestação do serviço deles, não conhecerei nunca.
Se uma empresa não sabe ouvir o que o cliente tem a dizer, ela não merece o cliente.
Simples.

Boteco São Bento: aprenda a ouvir o seu cliente, e jamais trate este cliente como idiota, burro ou estúpido. O seu advogado ameaçou, sim, processar os donos do blog, e depois vocês escrevem esse blablabla tentando consertar a cagada de vocês ?!
Na-na-ni-na-não…..

Respeito aos clientes é bom, e ele deve ser calcado na VERDADE.
O que, obviamente, não é o caso (nem tampouco a preocupação) de vocês.

A magia da direita e a falsidade da esquerda

Em 1990, foi publicado o seguinte “artigo”:

Revista Teoria & Debate nº 9 (jan/fev/mar 1990)

A magia da direita

Brasil do milagre ficou para trás. E não há salvador da pátria que possa resolver, sem a sociedade organizada, os problemas do país. A bandeira continua verde-amarela, a crise econômica prossegue em marcha batida e o novo presidente, como se previa, receita para o povo o remédio amargo da recessão

Rui Falcão*

O deputado Paulo Delgado (PT-MG), que além de outras qualidades é um ótimo fazedor de frases, disse outro dia que o povão, na hora de votar, “preferiu o homem dos efeitos especiais”. Escolheu para presidente uma espécie de caçador da arca perdida ou do baú perdido. Calejado pela miséria, fustigado pelo imediatismo da fome, temeroso de viver uma nova vida, o povo desorganizado, o “homem comum”, fugiu para a fantasia. Com o imaginário aguçado, jogou suas esperanças em alguém que, mesmo sem o turbante ou a cartola, apareceu, graças à magia da Rede Globo, como um astro, um ilusionista, um homem cheio de truques – um farsante, para ser mais preciso. E aí temos hoje, no lugar do Sarney velho de guerra, Collor de Melo, cujo poder de mistificar e de mentir ao longo da campanha eleitoral macula e condiciona seu mandato como presidente da República.

No entanto, qualquer semelhança entre a ficção do vídeo e o Brasil real que ingressa nos decisivos anos 90 é mera coincidência. Sobram problemas e faltam Mandrake ou Indiana Jones de carne e osso. É pois, com a realidade batendo na cara, que todos nós estamos despertando do sonho (ou pesadelo) pós-eleitoral.

Com a margem de erro os riscos de futurologia que uma análise deste tipo comporta, é possível tentar traçar o cenário das primeiras semanas do governo Collor, de suas medidas iniciais e da ação oposicionista, implacável desde a proclamação do resultado das urnas.

É quase ocioso lembrar que o novo governo assim assume em meio à maior crise econômica da história brasileira. O diagnóstico é conhecido – dona Zélia Cardoso de Mello já discorreu sobre ele nos últimos meses -, as causas dividem as opiniões e as medidas de combate provavelmente combinarão fórmulas do FMI – Fundo Monetário Internacional com cenas de pirotecnia explícita, tipo operação “pega ladrão”. O fato é que, somadas, a dívida externa pública e a dívida interna pública já representam quase 60% do PIB – Produto Interno Bruto, a crise fiscal se agrava, sendo crescentes as pressões inflacionárias.

Diante desse quadro e frente às expectativas gerais do empresariado de um crescimento do PIB abaixo da taxa de aumento populacional (cerca de 2% ao final de 1990), compreende-se por que um novo tratamento de choque está em marcha.

Vale sempre ressaltar que, às vésperas do século XXI, há movimentos importantes em curso no contexto mundial, quase todos passando ao largo do Brasil, tanto mais à falta de uma ação de estadista à frente da oitava ou nona economia do globo. Assim é que, enquanto a Europa – 92 e os Estados Unidos, acossados pelo Japão, convergem interesses para o Leste europeu reanimado, nosso país se recusa a cumprir um papel de unificação no bloco latino-americano. Tal ação se tornaria possível com o rompimento dos laços de dependência, a partir da suspensão do pagamento da dívida externa.

Não há, porém, qualquer indício de que o presidente eleito pretenda adotar uma posição soberana no campo da dívida externa. Nem mesmo uma moratória técnica, nos marcos da que foi decretada pelo governo Sarney sob o ministro Dilson Funaro. Ainda que os banqueiros internacionais concedam a seu candidato dileto um período de graça e que isso possa implicar entrada de “dinheiro novo” para investimentos, a política da dívida tende a seguir o figurino clássico, a julgar pelo vago programa econômico apresentado durante a campanha: tratamento preferencial aos grandes grupos exportadores, restrição a importações, mantendo-se, assim, saldo comercial elevado para voltar a honrar as prestações do débito com os credores do exterior. Do mesmo modo, há sinais de que se levará a fundo a orientação privatista. Ou seja, a estratégia de conversão da dívida externa, iniciada e interrompida pela Nova República, será retomada, oferecendo-se à venda ações de empresas estatais em troca de papéis da dívida externa com deságio.

No plano da economia interna, a magia da direita mistura vários ingredientes. Já não é segredo para ninguém – e os contatos com economistas conservadores tipo Simonsen confirmam – que a recessão, “branda” ou não, figura no programa de emergência dos primeiros cem dias. A recusa em antecipar a posse tem dois sentidos: ou Sarney promove a recessão ou o descalabro e a perspectiva da hiperinflação legitimam o governo Collor a adotar medidas “antipáticas”, não desejadas mas salvacionistas, necessárias.

Naturalmente, nada disso se fará “a frio”. Há todo um arsenal de fogos de artifício, de medidas de efeito, preparando o clima propício e a ocasião mais conveniente para o anúncio oficial. Os grandes meios de comunicação prestam-se muito bem a isso. À falta de uma linha social-democrata e com a recusa de um pacto de salvação nacional por parte dos sindicalistas, a saída seria mesmo patrulhar alguns preços (que todo mundo se incumbiu de remarcar previamente às alturas) e vincular os reajustes salariais a índices prefixados de inflação futura (o modelo Simonsen). O arrocho salarial, que hoje já alcança cerca de 20% ao mês – só por conta da defasagem da inflação diária e o pagamento quinzenal/mensal -, seria ainda mais intenso, a fim de domar o descontrole dos preços…

Haverá contrapartida na tentativa de evitar uma explosão social por parte dos setores mais carentes e desorganizados. É a eles que se destinam as cestas de alimentos ou os tickets-refeição, ao mesmo tempo que um reforço no seguro-desemprego e uma ampliação nos prazos legais para o aviso prévio nas demissões seriam voltados para atenuar os efeitos da recessão na área do emprego.

O movimento sindical combativo, que apoiou abertamente a Frente Brasil Popular e a candidatura Lula, já deu o recado: não aceita que revoguem suas conquistas, rejeita as propostas de pacto que resultem em novos sacrifícios para a classe trabalhadora, quer pagamento semanal de salários e promete ir à greve geral contra o arrocho e a recessão. Até mesmo as lideranças do sindicalismo de resultados, acumpliciadas com Collor durante e após a campanha, têm dificuldade em vender o pacote para suas bases. Afinal, pelegos e colaboradores são suficientemente espertos para avaliar os estragos de uma postura mansa num ano em que, por exemplo, se renova a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Qual é a sustentação partidária, política, econômica e social do novo governo para empreender seu projeto e acionar seus planos de curto prazo? Sufragado pelo voto popular, embora rejeitado pela maioria absoluta do eleitorado, Collor ostenta a seu favor o título de primeiro presidente escolhido nas urnas desde o famigerado Jânio Quadros, de quem, aliás, Collor às vezes lembra os piores momentos, se bem que prefira comparar-se a outro ex-presidente, o JK do Plano de Metas e dos “cinqüenta anos em cinco”.

Apesar dessa vantagem originária, o novo presidente assume em condições bem mais adversas do que seu antecessor. Sarney, embora escolhido no Colégio Eleitoral e chegando à Presidência por obra do infortúnio, herdava as esperanças forjadas por Tancredo. Encarnava os anseios de mudanças acalentados na campanha das diretas e simbolizava, para quem queria se iludir, as transformações profundas que nasceriam com a Nova República. A oposição se resumia ao PT quase isolado -, ao PDT de vez em quando, e a base de apoio, parlamentar e popular, era muito ampla.

A situação de Collor é bem outra. Descontrolado, arredio, violento e explosivo muitas vezes, tentou situar-se a distância da sociedade organizada, dos sindicatos, dos partidos, das entidades empresariais, ainda que fosse claro o jogo de cena. É inegável, contudo, que tenha a seu lado as multinacionais, os grandes grupos econômicos do país, os banqueiros, os latifundiários, a Igreja conservadora, a pequena burguesia acomodada, a direita militante, o sindicalismo de resultados e a grande imprensa – Rede Globo à frente. Pode parecer contraditório que, investindo contra a Fiesp durante a campanha, Collor possa contar com a solidariedade dos capitalistas, divididos entre vários candidatos nas eleições. Esse fato, entretanto, decorre mais da incapacidade das classes dominantes de se unificarem em torno de um único candidato (até porque face à privatização do Estado, retalhado entre vários grupos de interesses, em preferência ficasse em segundo plano) do que propriamente de uma rejeição inarredável ao novo presidente. Trata-se, agora, de buscar uma rápida aproximação, um envolvimento como já vem sendo feito, para contornar eventuais discordâncias e prevenir atitudes de governo imprevisíveis, que possam pegar de surpresa o grande empresário.

No Congresso, os emissários de Collor cuidam de formar um bloco majoritário, a despeito de a posição oficial do PMDB (o partido que ainda reúne o maior número de parlamentares) ser contrária ao novo governo. Somados, PT, PDT, PSDB, PC do B, PSB, PCB e esquerda do PMDB não conseguem maioria contra PFL, PDS, setores adesistas do PMDB, PRN e siglas afins alugadas por Collor. A tendência, pois, é de que a tradicional fisiologia, açulada por alguns postos no governo, abra campo para o situacionismo no Congresso e que surja um novo “centrão” disposto a concorrer unido nas eleições de outubro próximo.

A composição do ministério, por sinal, deverá corresponder a esse perfil de apoios políticos no Congresso o na sociedade: uma equipe de direita, não sem antes tentar atrair quadros de “esquerda”, integrantes do grupo de amigos do presidente, membros da tecnoburocracia estatal o os tradicionais representantes do empresariado.

Mitômano ou demente, como tentou defini-lo em entrevista recente a economista Maria da Conceição Tavares, Collor preferiu recuar um pouco na demagogia da campanha e foi atrás do empresariado conservador, que o acolheu de braços abertos. Não fosse por isso e pelos canais que sempre manteve abertos em outros setores organizados da sociedade, o novo presidente teria de se exceder num expediente muito comum na América Latina e muito grato a ditadores como Hitler ou Mussolini: o apelo direto “às massas”, com todas as conseqüências que decorrem desse estilo de governo.

O populismo, contudo, não está descartado do cenário. Tampouco certo autoritarismo, naturalmente contido pelas garantias constitucionais, mas inerente à própria imagem que o Sr. Collor de Melo fez projetar de si. A conjuntura de 1990, começando pelo Carnaval e esperando pela Copa do Mundo na Itália, a partir de junho, é uma tentação para gestos de patriotada, de união nacional, de sacrifícios e de cortinas de fumaça para esconder os efeitos da crise. Quem discordar que se mude ou troque de bandeira … Remember 1970, a Copa do México e o governo Médici.

O clima de carnaval e de Copa do Mundo é um trunfo valioso com que o novo presidente espera contar para o sucesso de seus planos. A torcida a favor nos primeiros meses e a chegada da Copa em seguida poderão lhe dar fôlego para atirar-se ao combate eleitoral, vital para influir nos governos estaduais e, sobretudo, para tentar constituir uma maioria parlamentar renovada e consistente. Acuado pelo espectro do parlamentarismo antes de 1993, que lhe tiraria poderes, lhe imporia concessões e ofuscaria seu brilho, Collor precisará acumular na Presidência para jogar na campanha não só o peso da máquina, mas o prestígio que um bom governante costuma transferir em votos para seus aliados políticos.

Nessa linha de raciocínio, não se devem subestimar as possibilidades de acordo político entre a grande burguesia e o governo, a fim de superar alguns problemas econômicos capazes de “popularizar” Collor pelo menos até outubro. Um outro tipo de Plano Cruzado, no qual setores do empresariado, suficientemente cacifados por lucros acumulados nos últimos meses, poderiam muito bem moderar sua ganância para ajudar a conter e a promover algumas concessões para os setores sociais de baixa renda. Parece evidente ao grande empresariado e principalmente a Collor – o que significaria a oposição se apossar, em outubro, dos governos de São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, só para ficar nos mais importantes e mais prováveis.

Mas, independentemente do parlamentarismo e muito antes das eleições de outubro, a oposição já ajusta suas táticas e afia as amas. Os trabalhadores urbanos, organizados em seus sindicatos e liderados pela CUT, refugam a cesta básica como esmola e repelem a troca do emprego por um aviso prévio mais longo. Estão na luta para preservar seus salários, derrotar a inflação e ampliar conquistas tão duramente alcançadas nos últimos anos. Em resposta às ofertas de trégua, pacto e um Ministério do Trabalho para alguém do movimento sindical (da confiança do governo), brandem seu plano de reivindicações e acenam com o instrumento legítimo da greve geral.

Nas áreas rurais, a certeza de que não há planos de Reforma Agrária no horizonte do novo governo semeia a intranqüilidade entre os pequenos proprietários, alvoroça os meeiros, rendeiros, parceiros, assalariados, e reforça a organização dos sem terra, dispostos a continuar ocupando terras para plantar, produzir e matar a fome de suas famílias. A união de todos eles em defesa da Reforma Agrária e na luta por uma política agrícola voltada para o abastecimento interno, para a elevação da produtividade, a preservação do meio ambiente e para a desconcentração da propriedade fundiária está na ordem do dia.

A intelectualidade progressista, que entrou em bloco na campanha da Frente Brasil Popular, também exige um projeto cultural diferente para o país. A ela repugna, como a todos nós, a manipulação de mentes e corações perpetuada pela Rede Globo, o monopólio da comunicação, esse “Grande Irmão” proprietário da verdade única dos poderosos. Democratizar os meios de comunicação, romper com o elitismo do ensino pago e com a segregação dos equipamentos culturais, ampliar a participação popular (em luta por melhores condições de vida nas grandes cidades) nas decisões do governo são algumas das bandeiras que a intelectualidade provavelmente manterá desfraldadas todo o tempo.

Respaldado por milhões de votos, estimulado por uma ampla mobilização social em curso e ancorado num programa democrático-popular de transformações econômicas, políticas e sociais, ganha corpo, então, o governo paralelo, gabinete de oposição, ministério nas sombras ou que nome se queira dar a esse bloco social e político disposto a levar às últimas conseqüências, nos marcos do regime vigente, o combate ao projeto neoliberal, recessivo, antipopular e de internacionalização dependente do Brasil, implícito no programa de governo do novo presidente.

Logo que surgiu a idéia, vocalizada por Lula ainda em dezembro, os guardiões da ordem-como-está e os arautos do progresso-para-poucos se apressaram em cobri-la de suspeitas. Seria uma maneira de conspirar contra o governo, de um contra as instituições democráticas, alarmavam-se eles, sempre os primeiros a recorrer aos quartéis e apelar para a força, toda vez que sentem seus privilégios ameaçados.

Em seguida, porém, deram-se conta de que a existência de um “governo de oposição” significa o reconhecimento de um governo legal, estabelecido – no caso, o do presidente Collor de Melo. Sobrou, para falar mal, apenas a lembrança de que iniciativas semelhantes a essa cabem melhor nos regimes parlamentaristas, que, aliás, viviam defendendo não por razões doutrinárias, mas para estabilizar situações ou barrar avanços dos setores populares.

O governo de oposição, lançado pelo PT e aberto aos setores alinhados com uma política de mudanças no país, está se estruturando e vem recebendo boa acolhida junto à população. Suas equipes, montadas a partir dos grupos de transição formados pela Frente Brasil Popular, esquadrinham as dificuldades do país e avançam propostas alternativas para superar a crise. Cada ministério ou secretaria do governo Collor terá uma sombra a acompanhá-lo, com uma crítica e uma solução. Daqui a cinco anos no máximo, chegará nossa vez.

Até lá, é muita luta, muita mobilização e muita coragem para quebrar o encanto, desfazer o mito, anular o feitiço dos vendedores de ilusões. Como se vê, nossa bandeira continua da mesma cor. A miséria, também. Ninguém segura este país. Pra frente, Brasil!

7 de janeiro de 1990

*Rui Falcão, jornalista e presidente do Diretório Municipal de São Paulo.

Os trechos grifados são minhas sugestões para uma leitura mais atenta.

Depois de lê-los com mais atenção, vejamos esta foto:

Algumas explicações adicionais à foto estão AQUI, AQUI, AQUI ou AQUI.

Desnecessário dizer qualquer coisa a mais…….