A falsidade falsificada e o colunista do NY Times que nunca sabe de nada

Este post vai acabar saindo com jeito de desabafo, mas…… fazer o quê?!

Primeiro, transcrevo um texto que recebi, por e-mail. O título do e-mail era “Resposta ao editorial do Estadão e às baboseiras do Jabor”. No corpo da mensagem, li isso:

A falsidade continuada contra o PT

Resposta ao editorial do Estadão, publicado na sexta-feira, 27 de agosto)

O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população.

Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral.

O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infra-estrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras.

Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto.
Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial.

Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade.

O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. Buscamos a verdade.

Tomamos essa iniciativa porque consideramos incompatível com o Estado de Direito democrático a violação de direitos protegidos pela Constituição, não importando a motivação nem a preferência partidária de quem perpetra esse crime.

Agimos assim, à luz do dia e da lei, para que não se repitam episódios como a violação das dívidas com o Banco do Brasil de nove deputados do antigo PPB, que à época (1996) eram constrangidos a apoiar a emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Agimos assim para que não se repita a manipulação da Polícia Federal em benefício de intrigas palacianas, como ocorreu em 1995, quando um embaixador da confiança do ex-presidente teve seu telefone grampeado e suas conversas expostas.

Agimos assim em defesa das instituições em que acreditamos e dos cidadãos que representamos. Para que crimes como esses não fiquem impunes, como não deverá ficar impune a violação do sigilo fiscal dos diretores da Petrobras, devassado em junho do ano passado.

Certas vozes que hoje apontam, sem qualquer fundamento, uma suposta manipulação de setores do Estado no caso da Delegacia da Receita de Mauá, foram as primeiras a fazer exploração política do crime cometido contra os diretores da Petrobras. É uma seletividade que desqualifica a indignação.

Oferecemos esse artigo para publicação em respeito aos leitores, em defesa da verdade e em consonância com o equilíbrio editorial que notabilizou o Estado de S. Paulo ao longo de sua história. A seção de editoriais do jornal – que em outros tempos foi exemplo de independência e coragem política – recusou-se a fazê-lo, interditando o debate de argumentos no mesmo espaço em que fomos caluniados.

Como diriam os editorialistas que sabiam polemizar sem recorrer ao sofisma e à desfaçatez: Sic transit gloria mundi.

José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT. 

O e-mail que o Rimoli encaminhou estava assinado por “Alfredo J. B. Luiz, Presidente do Diretório Municipal do PT em Caçapava/SP”.

Não sei se a nota é verdadeira, como também não sei se o tal Alfredo existe e, de fato, ocupa este cargo.
Contudo, imagino que o Rimoli não iria enviar um texto apócrifo e/ou adulterado, então parto da premissa de que o PT realmente emitiu esta nota à imprensa. Verificando sua atenticidade (afinal, textos que circulam por e-mail muito facilmente são adulterados), localizei, de fato, a tal nota à imprensa no site do PT, AQUI.

Assim, não posso ler tantas mentiras, tantas bobagens, e ficar quieto.

Qualquer pessoa que acompanha, ainda que superficialmente, a política brasileira – em especial nos últimos 8 anos – sabe que no Brasil a desfaçatez é dominante. Políticos corruptos que se protegem sob a imPunidade parlamentar usam fontes pouco confiáveis quando precisam (ou querem) atacar ou achincalhar seus adversários, mas refutam e questionam as mesmas fontes quando as acusações apontam em sua direção. Isto é a HIPOCRISIA da política brasileira.

Em meio a esta deplorável situação, o PT consegue ser o mais hipócrita, cínico e falso dos partidos brasileiros. Em todos os aspectos, em todas as acepções, e em qualquer situação.
E, convenhamos, isso é MUITO, haja vista que não existe um único partido político, no Brasil, que não esteja atolado em mentiras, corrupção e falsidade.

Afirmo isso sem nenhuma sombra de dúvida, e mostro a seguir o porquê.

O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população. 

Mentira deslavada. O PT detesta a democracia.
É simples comprovar isso.
Não apenas o PT, de forma institucional, como diversos membros, filiados, deputados e até mesmo o Presidente da República já fizeram, abertamente, críticas à imprensa. Estas críticas embutem o sentimento mais anti-democrático possível: se a imprensa fala mal do meu adversário, OK; mas se a imprensa fala mal de mim, aí eu posso classificá-la de “golpista” ou qualquer outro adjetivo análogo.
Um exemplo está AQUI. O PT e seus asseclas atualmente criticam a Veja, e a classificam como “golpista”, enquanto a Carta Capital é uma publicação “amiga” (entenda-se por este termo aquela que ignora as cagadas do governo do PT, reservando-lhe apenas elogios). Se fala bem de mim, é imprensa genuína, de boa qualidade; se me critica, é golpista, marrom, não presta etc.
Interessante que o PT inclusive terceiriza o ataque à Veja, Globo, Folha, Estadão, DataFolha etc (AQUI, por exemplo).

Porém, só para relembrar um caso clássico: Collor.
Hoje, Collor é aliado de Lulla e de Dilma, e anda inclusive fazendo campanha por ella (veja este vídeo).
Mas nem sempre foi assim……..
Em 1989, o PT reclamou (aliás, reclama ATÉ HOJE) que a Globo fez uma edição no debate entre Collor e Lulla que veio a prejudicar este. Supostamente, a Globo alterou o resultado da eleição.
Mas não faltaram oportunidades para que o PT reclamasse disso, e o início do processo de queda de Fernando Collor foi uma entrevista bombástica, dada pelo seu irmão à Veja em 1992 (AQUI).
Naquele época, deputados do PT, no Congresso, fizeram discursos com a Veja em mãos, exigindo apurações para as diversas acusações feitas na entrevista.
Ora, naquele momento a Veja era confiável? Ela ainda não fazia parte do PIG ?

A Folha de São Paulo é outra….
Na maioria das vezes, o PT faz o possível e o impossível para desqualificá-la – mas não tem NENHUMA vergonha ou pudor em recorrer às matérias publicadas por ela quando o “alvo” é alguém da oposição, como AQUI, por exemplo.

Por essas e outras, já ficou bastante claro que os elogios e as críticas do PT á imprensa dependem da conveniência, do momento, da circunstância.
Sobre isto, recomendo a leitura deste artigo AQUI.
E, para fechar com um toque de diversão, uma afirmação do atual presidente do PT no Twitter, referindo-se a matéria da Veja, AQUI.

Como se não bastasse, o El País publicou em 20/12/2009 um artigo delicioso, “Cinco hipócritas de 2009” (AQUI). Estranhei o fato de não ter lido/ouvido nenhum comentário de nenhum PTralha….. Afinal, pouco tempo antes, eles estavam exaltando as citações feitas por jornais e outros veículos de imprensa internacionais….

Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral. 

Vamos relembrar alguns FATOS que diluem estas MENTIRAS:
O PT recusou-se a assinar a promulgação da Constituição de 1988;
O PT foi contra a chamada “Lei da Ficha Limpa”, e ainda tentou, sem sucesso, barrar sua votação na Câmara e no Senado;
O PT foi contra o Plano Real, em 1994;
O PT foi contra a Lei da Responsabilidade Fiscal (e permanece contra, mas diz que cumpre para disfarçar)

O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infra-estrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras. Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto. 

Não há sentido algum mencionar “reconstituição de instituições públicas”, pois o PT não fez nada disso. O que fizeram foi INCHAR, desnecessariamente, a máquina estatal.

Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial. Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. 

A Folha já apontou as origens, já mostrou que os dados vazados eram, de fato, do vice-presidente do PSDB. Tudo isto já está mais do que confirmado, mas o PT faz de conta que não sabe, pois não tem como explicar. Tergiversa devido à incomPTência latente e rotineira.

Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade. O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. 

Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. 

Mentira, novamente. Quem pediu foi o próprio Eduardo Jorge. O PT só se manifestou mais de um mês depois, AFIRMANDO ter pedido tal investigação – mas não apresentou nenhuma prova. Agiu exatamente como afirma que a imprensa agiu, sem apresentar provas. Agiu da mesma forma que acusa Folha, Estadão, Veja, Globo e todo e qualquer órgão da imprensa agir quando surgem denúncias envolvendo alguém do PT.

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O texto acima eu havia escrito originalmente em 2010, mas acabei nunca publicando no blog.

Agora, com a notícia de que o Lulla passará a assinar uma coluna mensal para a agência de notícias do New York Times (o que é diferente de ter uma coluna mensal no jornal New York Times), lembrei desse rascunho jamais publicado.

Alguém mais se lembra quando o correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, publicou uma matéria afirmando, entre outras coisas, que o hábito de beber demais era um dos temores que cercavam o Lulla (então no primeiro mandato)?

O Lulla queria expulsar o jornalista do Brasil apenas porque ele escreveu a verdade sobre o presidente bêbado que jamais fez questão de esconder sua apreciação pela pinga e demais derivados.

O PT, na época, desceu a lenha no New York Times.

Mais uma vez, o PT prova que detesta democracia, detesta a imprensa – exceto, claro, se ela publicar o que pareça favorável ao agrupamento de bandidos travestidos de membros da Comissão de Constituição e Justiça

 

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Moreira naldo

A privatização de empresas e as bobagens ditas pelos ignorantes

No outro blog que eu costumava manter (Sala da Mãe Joana – já aposentado, coitado), o tema PRIVATIZAÇÃO era um dos mais polêmicos.
Fora do blog, percebo que muita gente entende a privatização como sendo “entregar” riquezas do Brasil para que estrangeiros tenham lucro.
Muitos falam isso por desinformação – enquanto outros são movidos por má-fé, interesses escusos etc.

Em 7 de Dezembro do 2007, eu escrevi o seguinte post lá no outro blog:

Num ranking elaborado pelo Boston Consulting Group, que listou as 100 empresas mais competitivas dos países “em desenvolvimento”, uma curiosidade: o Brasil ocupa o 3o lugar, atrás de China e Índia. Para maiores informações, consultar a Folha OnLine aqui, ou o próprio Boston Consulting Group, aqui. A relação completa está aqui.
No Brasil, são 13 empresas: Vale, Petrobrás, Embraer, Gerdau, Votorantim, Braskem, Sadia, Perdigão, Natura, Coteminas, WEG, JBS-Friboi e Marcopolo. Destas, APENAS UMA É ESTATAL.
Todas as demais são empresas privadas.
Duas delas (Vale e Embraer) foram privatizadas (na época de FHC). Que foi criticado (ainda é, até hoje), chamado de “privatista”; muita gente, por pura falta de conhecimentos, acreditou quando o PT colou a pecha de “privatista” no picolé de chuchu (Alckmin) nas últimas eleições. O PT usou e abusou da burrice de muita gente, que simplesmente nunca entendeu o que foi a privatização – e, por alguma razão obscura, acha que é algo parecido a “entregar o Brasil” ao “poder imperialista” ou bobagem que o valha.
Cadê os bitolados defensores da estatização ?
Será que a Vale do Rio Doce constaria desta lista se ainda fosse estatal ? Será que aqueles mentecaPTos ainda querem reestatizar a Vale ?

Os comentários feitos no post foram os mais variados, mas muitos deles eram apenas exercício de demonstração de ignorância sobre o tema, ou alguns malucos desopilando o fígado ao escreverem bobagens virulentas na internet (coisa nada rara).
Selecionei alguns exemplos (que estou transcrevendo exatamente como foram escritos, e destaco alguns trechos primorosos em negrito):

1) e se site e uma droga nao da seu idiota que fez e se site

2) Abestalhado!
Só um burro mesmo para ser a favor das privatizações

3) Porque com toda sua inteligencia vc não muda de nacionalidade ? A empresa estatal, competitiva ou não, É PATRIMONIO DO POVO BRASILEIRO !!! Isso inclui vc….mas acho que vc tem vergonha de ser brasileiro certo ?

4) Quanta ignorância! As estatais faturam mais, por que cobram mais pelos serviços “esperto” e você paga mais. O Brasil é um exportador de matéria prima e importador de manufaturados desde Colônia.
A Vale por exemplo já era a segunda maior mineradora do mundo e o dinheiro oriundo de suas exportações eram um dos responsáveis pela balança favorável de pagamento. Então me explica como uma empresa dessas dava prejuízo. O pior é que além de acreditar nessa besteira de prejuízo, você ainda divulga. Ia esquecendo de dizer que a Siderúrgica Nacional já era a terceira do mundo antes de ser privatizada e a EMBRAER já vendia motores de aeronaves para o mundo todo. Se isso é prejuízo! Entedeu ou preciso desenhar?
Obs.: no site Brasil dados e fatos você pode acompanhar que o aumento da carga tributária no governo FHC foi maior que no governo LULA. Ou seja nos pagamos mais ipostos no governo FHC, mesmo com as privatizações;
Por falar em rombo onde está o dinheiro das privatizações, que o próprio BNDES emprestou para os compradores? Vê se pode: você vende emprestano o dinheiro para o comprador para que ele pague com o lucro que tiver nas suas costas.

5) cada um tem o direito de pensar diferente,mais não posso concordar com aqueles que acham que somos ingenuose, pois só pessoas que tem o pensamentos de capitalistas, especuladores, explotadores da classe trabalhadora,anti-patriota e acima de tudo milpes acham que as privatizações poderiam nelhor nosso pais.Cadê o dinheiro das privatizações?qual a melhora da educaçõa,saude,moradia,telefonia,energia,segurança,será que cada vez mais os mais ricos não estão mais ricos,amigo,pense melhor,o Brasil e de todos e não de um percentual reduzido que não representa a vontade de nuitos.

6) A escolha de um candidato em quem votar afeta diretamente nossa vida pessoal e coletiva. Neste ano de 2010, temos a grande chance de derrotar quem sempre jogou no time de FHC. Serra, impedindo o crescimento do Brasil.
Para refrescar a memória, leia abaixo para você NÃO votar no “carequinha”:
Privatizou varias empresas como COELCE, TELECEARA, BEC, VALE DO RIO DOCE, EMBRAER entregando um valioso patrimônio do nosso Estado a empresas privadas e elevando o valor das tarifas pagas.

7) Apropriação das riquezas do Estado por alguns grupos privados privilegiados – que objetivam apenas obter lucro para si, nem sempre com isso aumentando o “bem estar” da população ou a riqueza do país.
um governo ‘ideal’ poderia atingir um maior nível de eficiência administrando diretamente uma empresa estatal do que privatizando-a.” quem privativa não da conta, vende teu carro tua casa teus bens pra outra pessoa administrar. o verdadeiro lucro de um país é o bem estar de (todos), e não um carrão importado, uma mansão na praia etc…

8) Com certeza a Carta a Capital tem mais credibilidade que os seus escritos carregados de ódio, onde ninguém tira nada de proveitoso.
Perca de tempo ler o que você escreve, parece uma cobra que perdeu veneno e tá louca da vida.
Quanto aos termos perjorativos que você usa demostram o seu baixo nível. Ao mesmo tempo em que você fala que a “Carta Capital e as outras invenções PTistas” falam mentiras, o senhor fala de conspirações que só existem em contos de fadas. Pelo amor de Deus! Faço, agora, minhas a palavras do rei da Espanha. TE CALA!!!

É difícil ignorar todos os erros que aparecem nesses comentários – erros de ortografia, sintaxe, concordância, alguns de digitação apenas, mas o mais grave é o erro da desinformação.
Pode-se verificar que, com grande frequência, os que criticam a privatização – no geral, mas especificamente as privatizações feitas pelo FHC – acham que se trata de entregar “patrimônio do povo brasileiro” para “estrangeiros que visam apenas ao lucro”.

O exemplo que gosto de usar é justamente o da Vale do Rio Doce (hoje apenas “Vale”).
Além de ser uma das mais comentadas privatizações dos anos FHC (tanto positiva quanto negativamente), o caso da Vale serve para demonstrar que a privatização não entrega riquezas nacionais para que estrangeiros lucrem (como se lucrar fosse pecado capital!).
Muito pelo contrário:

Do capital ordinário da Vale, 53,3% estão nas mãos da holding Valepar
. É essa holding que define a estratégia da companhia, via conselho de administração, e que escolhe a alta cúpula de gestão da mineradora. Em outras palavras, a Valepar é o coração e o cérebro da Vale do Rio Doce.
E quem é a Valepar? São três fundos de pensão, dois deles patrocinados integralmente por estatais – a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e a Petros, dos trabalhadores da Petrobras – , a empresa de participações do BNDES, a Bradespar (ligada ao grupo que controla o Bradesco) e a japonesa Mitsui.
Juntos, BNDESPar e fundos têm 60% do capital votante da Valepar.
O capital nacional tem 81,75% das ações ordinárias da holding. A União detém ainda seis ações especiais, as “golden shares”, que lhes dão alguns poderes de veto, como mudança do local da sede.
Essa explicação, básica, foi dada numa reportagem do ValorEconômico de Outubro de 2007.

Existem 122 fundos de pensão BRASILEIROS que são acionistas da Vale.
Todos estes 122 fundos são formados INTEIRAMENTE por brasileios que investiram recursos na compra de ações da empresa – muitos, inclusive, usando o FGTS, visando a rendimentos futuros, quando de suas aposentadorias.
Estes brasileiros, milhares de pessoas físicas, investiram economias na expectativa de receberem DIVIDENDOS e participação nos lucros da empresa.

Após a privatização, a Vale  saiu de um lucro de 500 milhões de dólares (em 1996), atingindo 12 bilhões de dólares em 2006, e, finalmente, 41 bilhões de dólares em 2011.
Mas não foi só isso: o número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização – em 1996 eram 13 mil e em 2006 eram mais de 41 mil.
Para quem quiser ver a composição acionária da empresa atual (dados de março de 2013) basta baixar o PDF AQUI.
Um bom resumo da atual situação da Vale é o “fact-sheet”, disponível AQUI (também em formato PDF, para download).

Enquanto isso, no lado oposto da Vale, temos a Petrobras.
Começo com um gráfico roubado do blog do Drunkeynesian, que mostra a evolução do consumo de gasolina no Brasil versus a importação da gasolina entre 2000 e 2012:

Vemos ali o quanto cresceu a importação de gasolina.
Mas a ESTATAL Petrobras investiu R$ 35 milhões em 2008, ano em que o Lulla concorria à reeleição, para fazer propaganda alardeando a tal “auto-suficiência do Brasil” em combustíveis.
Era mentira.
Uma mentira que causou um prejuízo de R$ 35 milhões a cada um dos contribuintes do Brasil que pagam seus impostos.
Mas não para nisso….

Vamos aproveitar para comparar este gráfico acima com um outro.
Abaixo, o gráfico dos LUCROS da Petrobras, por TRIMESTRE, a partir de 2011:

O consumo da gasolina cresceu MUITO a partir de 2010, mas a desastrosa gestão da Petrobras (entulhada de sindicalistas e PTistas de todos os lados) conseguiu fazer com que o lucro da empresa caísse….

Ora, até mesmo o Seu Manoel, dono da padaria, sabe que quando a padaria dele vende mais (pães, salgados, doces etc), a tendência natural é que o seu lucro aumente também.

Seria muito melhor se o Seu Manoel fosse o presidente da Petrobras, ao invés do Gabrielli, que destruiu a empresa.
E todos nós, contribuintes, pagamos por isso.
Se a Petrobras fosse privada e tivesse prejuízo, o problema seria exclusivamente dos seus acionistas.
Se uma empresa estatal tem prejuízo, aí todos pagamos – mas se ela tem lucro, nós não ganhamos nada.

Lulla e o PT roubaram a Petrobras diversas vezes. Leia alguns detalhes AQUI.
Em TODAS as vezes, por ser uma estatal, o prejuízo foi dividido entre todos os cidadãos brasileiros.
Em suma: ser contrário à privatização (qualquer uma) é um direito de cada um, evidentemente.
Porém, o pessoal poderia tentar arranjar algum argumento minimamente inteligente, não?

ATUALIZAÇÃO – Em 26/04/2013 foram divulgados resultados financeiros e operacionais da Petrobras que não estavam disponíveis quando escrevi este texto. Leia a atualização/complemento AQUI.
ATUALIZAÇÃO [2] – Em virtude de comentários enviados com relação a este post, escrevi outro, que contém ainda mais detalhes sobre a privatização da Vale. Pode ser lido AQUI.
2014-07-04 22.45.04

A inabalável conveniência de um "jornalista de aluguel"

Os vídeos falam por si mesmos:

 

Paulo Henrique Amorim, em 1998, foi o responsável por uma reportagem, no Jornal da Band, que ensejou este direito de resposta do então candidato (derrotado) à Presidência da República:

Paulo Henrique Amorim tem uma conveniência inabalável, como se vê.
Um exemplo de “jornalista de aluguel”: aluga sua opinião a quem pagar mais.

Relembrando alguns fatos

Este vídeo é só para relembrar alguns fatos àqueles desavisados que podem até acreditar que o PT “defendeu” ou “apoiou” o Plano Real.
Mentira.

Para relembrar, sugiro MAIS ESTA LEITURA.

 

 

A sucessão de cagadas da eleição 2010

Na semana passada, por pura coincidência, eu estava falando sobre POSICIONAMENTO DE MERCADO numa aula, na graduação.

No dia anterior, eu havia visto a HORRENDA propaganda política do Tiririca (AQUI), e acabei usando o “slogan” dele como exemplo de posicionamento de mercado – conceito que pode ser aplicado a empresas, mas também a campanhas políticas.

Agora, ao dar uma geral nas notícias, leio a seguinte:

De passagem por Ribeirão Preto (a 313 km de SP) neste sábado, o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, afirmou que os tucanos deixam a desejar quando se trata de divulgar as próprias ações.

Ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato ao governo de São Paulo, Serra discursava na inauguração de um comitê eleitoral e fazia comparações entre PSDB e o PT quando afirmou: “O nosso partido faz, mas não é muito bom de marketing. Para o [ex-governador Mário] Covas eu dei nota 2,5 em marketing. O Geraldo Alckmin foi 4 e, no meu governo, 5.” 

O texto da Folha está AQUI na íntegra. O título da matéria é sugestivo: Para Serra, PSDB ‘não é bom de marketing’.
Bom, excluindo-se o erro conceitual da repórter, que parece achar que “marketing” é sinônimo de “propaganda” (erro que, me parece, foi cometido pelo Serra também, e aliás é muito comum), achei coincidência porque, no rastro do exemplo do posicionamento da campanha do Tiririca que usei em sala, eu acabei mencionando outras campanhas políticas também. A do Serra foi uma delas.

Em linhas gerais, o que eu disse na aula foi o seguinte: o Serra (e o PSDB no geral) está absurdamente fora de rumo, devido à inexistência de um posicionamento claro.
Ele quer se colocar como oposição do (des)governo Lulla ou como continuidade? Na entrevista concedida ao Jornal Nacional, esta pergunta foi feita de maneira clara, objetiva e direta. A resposta dele, por outro lado, deixou a desejar.
Aliás, “deixou a desejar” é eufemismo.
A resposta dele deixou claro que ele (e seu partido) não têm NENHUMA idéia sobre o seu posicionamento nesta campanha. Eis o vídeo:

Quem, como eu, desejava uma forte oposição à desgraça do PT, está sem opção.

Se tem uma coisa que o PSDB precisa aprender é que usar argumentos claros, lógicos e racionais para desmontar a farsa do PT não resolve.

Primeiro, porque o PSDB viu o Lulla e seu séquito de asseclas ignóbeis roubar o crédito de grande parte das iniciativas de FHC – além do Bolsa Família (que se chamava Bolsa Escola). No debate Folha-UOL, a Dilma chegou ao cúmulo de afirmar taxativamente que o PT acabou defendendo e apoiando o Plano Real – uma mentira deslavada. Mas que ninguém contestou!

Como é que o PSDB deixa passar em brancas nuvens uma mentira dessa magnitude?
Por que eles deixam a Dilma mentir tão descaradamente?

Falta de posicionamento.

Falta de clareza sobre qual posição o PSDB deveria (ao menos em tese) ocupar no espectro político.

Segundo, porque o PSDB deixou, durante OITO ANOS, que o Lulla e o PT fizessem o que bem entenderam, abrindo mão das ações inerentes àquilo que deveria ser uma OPOSIÇÃO.
E o PT aproveitou!
Aparelhou sem pudores o Estado, usou dinheiro público para mensalões, Aero-Lulla, e outras coisas mais; colocou sindicalistas, amigos e defensores em cargos públicos, o que, como consequência, elevou as receitas auferidas pela doação de parte dos salários aos filiados do PT; fez turismo, desfilou ao lado de presidentes, chanceleres, reis e rainhas (tudo às custas dos contribuintes, que só viram a carga tributária aumentar, vorazmente).
Enquanto tudo isso acontecia, o PSDB calou. Em alguns momentos, aliás, fez pior: preferiu promover brigas internas, na sanha de massagear egos.
Neste sentido, aliás, o texto da Barbara Gancia publicado na Folha da última sexta está irretocável: AQUI, na íntegra para assinantes.

Terceiro, porque graças à herança do FHC, o Lulla transformou os resultados das ações do PSDB em frutos do SEU (des)governo! A PTralhada repetiu à exaustão o termo “herança maldita“, mas era tudo mentira. Lorota.
Porém, o PSDB deixou isso acontecer! Em 2006, na eleição, quando o PT colou no Alckmin o “fantasma da privatização”, ninguém no PSDB se deu ao trabalho de defender a privatização de diversos setores realizada nos anos FHC. Ninguém se deu ao trabalho de explicar que foi graças à privatização do setor de telefonia, por exemplo, que o Brasil vem conseguindo bater recorde sobre recorde na expansão dos celulares, no barateamento dos telefones fixos, na universalização de serviços básicos de comunicação….
Tão simples, mas nem isso conseguiram!

Quarto e último, porque nunca vi, nos meus parcos 35 anos de vida, uma eleição tão sonsa e vazia como esta.
As pessoas não têm interesse em discutir os rumos do país, e os candidatos (NENHUM) não têm interesse e/ou competência para discutir políticas públicas sérias, factíveis. Tenho visto discussões inócuas sobre factóides débeis (PAC, Minha Casa Minha Vida, PNDH etc), mas nenhuma palavra sobre questões reais, factíveis, verídicas, tangíveis.
Esta imobilidade da população como um todo gera riscos.
O caso da violação do sigilo fiscal de membros da campanha tucana (as notícias são fartas e frescas, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI), noutros tempos, seria um verdadeiro escândalo. Hoje, não.
Parece que todos estão vendo ações escabrosas do PT, mas ninguém mais se importa.

Fernando Collor de Mello sofreu impedimento legal da Presidência da República por muito menos.

Aonde estão os “caras-pintadas”?
Aonde está a indignação dos artistas, outrora tão engajados?
Aonde estão aqueles que lutaram contra a ditadura militar?
Aonde estão os brios daqueles que não desejam que o governo (qualquer um) tenha a prerrogativa de vasculhar sua privacidade por conveniência político-eleitoral?
Aonde estão os defensores da liberdade e dos direitos humanos? Ou será que o sigilo fiscal deixou de ser um direito constitucional?

Há, obviamente, aqueles que enxergam exagero ao fazer ligação entre as ações do PT e uma eventual ditadura.

Eu discordo.

O vídeo abaixo, exceção feita ao final (uma montagem com textos mal escritos e uma música brega, cafona demais), serve de material bastante claro para mostrar que há razões de sobra para preocuparmo-nos com as ações sistemáticas do PT (e/ou de suas facções, internas ou externas) contra a liberdade de expressão:

Além disso, recomendo a leitura (atenta) dos seguintes textos: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, e AQUI.

Complementarmente, para contextualizar o medo que o PT tem da democracia (de verdade), mais alguns: AQUI (chamo a atenção para o comentário feito pela “Silvia”, um show de democracia!), AQUI e AQUI.

Finalmente, uma leitura IMPERDÍVEL é este artigo AQUI.

Se juntarmos os pedaços, as partes, teremos uma imagem clara.
A imagem não é bonita.

Por tudo isso, e muito mais, concordo com esta carta AQUI.

Uma outra perspectiva, diferente da minha ótica, mas que mostra ótimas razões para se fazer o possível para expurgar o PT das instituições democráticas brasileiras.

Antes que ele, PT, expurgue a democracia das instituições brasileiras.

Entrevista com FHC

Abaixo, uma entrevista com FHC, que merece ser vista, revista e revista NOVAMENTE:

São tantos assuntos……
Quero, em breve, detalhar alguns deles.

Ruth Cardoso – entrevista

Eis a entrevista concedida pela Dra. Ruth Cardoso à Revista Veja de Maio de 2004:

Veja – O presidente Lula foi criticado por dar à primeira-dama, Marisa Letícia, uma sala no Palácio do Planalto, embora ela não tenha função no governo. O que a senhora acha disso?
Ruth – O problema não é a sala. É a conduta. Ela está fazendo algum jogo que não deveria? Até agora eu não soube de nenhuma interferência. A primeira-dama não foi eleita, não recebe salário, não é parte do processo político. Apesar disso, tem um papel importante, com alguma influência. Umas têm mais, outras menos.

Veja – Por que a senhora não gostava de ser chamada de primeira-dama?
Ruth – Acho um americanismo desnecessário. Isso começou nos Estados Unidos e agora está virando moda até na França. Mas não faz parte da nossa tradição. Ninguém nunca se lembrou de chamar de primeira-dama dona Sarah Kubitschek, que ocupou espaço num governo com grande visibilidade. Lá nos Estados Unidos, tem um significado tradicional. Aqui, não. Mas, como o termo já foi introduzido, agora não adianta reclamar.

Veja – A atual primeira-dama costuma acompanhar o presidente num grande número de eventos públicos. No plano simbólico, qual é a importância disso?
Ruth – Deve haver alguma. Mas eu sempre tive mania de trabalhar. Sempre tive muita coisa para fazer. Tinha todas as minhas atividades, que me tomavam muito tempo. Precisava viajar para avaliar as ações do Comunidade Solidária. Estive presente em todas as situações em que se supunha que a presença da primeira-dama fosse importante. Mas isso tudo diminuiu muito no mundo. No início, durante as reuniões presidenciais, todas as mulheres acompanhavam o marido. Com o passar do tempo, isso mudou. O fato é que há uma diferença de estilo. Não se pode comparar Danielle Mitterrand, que tinha uma ONG na qual criticava o governo do próprio marido, com madame Chirac, que no início não tinha muita participação política, mas depois chegou a disputar uma eleição.

Veja – A vida longe do poder é menos emocionante?
Ruth – Voltamos a ter a vida que sempre tivemos. Vou ao supermercado, freqüento restaurantes, concertos, teatros. Faço tudo o que fazia antes. A idéia de que vivíamos num mundo mágico não é verdadeira. É muito agradável voltar a ter mais liberdade e privacidade. Mas eu não gosto quando se faz um corte assim. Parece que saímos do Olimpo e voltamos para o mundo real. O presidente da República não é um rei. Brasília faz parte do mundo, sim. Quando chegamos ao Palácio, sabíamos que um dia sairíamos de lá. Há um mito sobre esse assunto. Até porque o Alvorada possui uma ala privada. Tínhamos uma vida em família. Não jantávamos no salão de banquete quando estávamos apenas os dois.

Veja – Não é complicado viver em um palácio?
Ruth – É muito simples. Está tudo ordenado. Há quem organize as cerimônias, você sabe onde tem de ficar, o que precisa fazer. É verdade que às vezes é um pouco repetitivo. Mas tivemos a oportunidade de conhecer pessoas muito interessantes.

Veja – Fernando Henrique já disse, em tom de brincadeira, que sente falta apenas da piscina do Palácio da Alvorada. A senhora sente saudade de quê?
Ruth – Sabe que ele continua repetindo isso? Eu também gostava da piscina, mas não é nada que me faça falta no dia-a-dia.

Veja – A senhora, que sempre foi muito ciosa da privacidade pessoal e familiar, não acha natural que haja curiosidade popular sobre a vida dos governantes?
Ruth – Não. Essa esfera não interfere na vida pública. Defendo arduamente a distinção entre a esfera pública e a esfera privada. Lutei durante todo o tempo em que nós estivemos nessa posição pública para que se preservasse a vida privada. No Brasil, respeita-se pouquíssimo isso. A diferença entre nós e os americanos é que eles, ao elegerem um governante, acreditam piamente que estão escolhendo também o homem, o cidadão, o pai de família. Isso faz parte da mitologia americana. O Brasil não é assim. Quando uma coisa é grave, ela acaba se tornando pública naturalmente.

Veja – Em parte pelo discurso do PT, em parte pela biografia do presidente Lula, imaginava-se que a área social seria o ponto alto do atual governo, mas não é isso que vem ocorrendo. O que aconteceu?
Ruth – A pergunta deveria ser respondida pelos petistas. Foram eles que criaram uma expectativa e ainda não encontraram uma maneira de devolvê-la aos brasileiros.

Veja – Mas qual é o principal obstáculo?
Ruth – Existem algumas premissas quando se fala em política social. A primeira é parceria. Isso precisa ocorrer em todos os níveis. Com o governo, com a sociedade civil, com as universidades. A concepção do PT é estatista. Nela, o Estado tem de fazer todas as coisas. Eu já acreditei nisso no passado. No mundo contemporâneo, no entanto, a coisa não funciona assim. A visão estatista dificulta muito. Temos um arsenal de gente que conhece, que vivenciou, que tem experiências novas que precisam ser aproveitadas. A sociedade brasileira não é amorfa nem apática, como se costuma descrever. Nem o Brasil tem um número tão grande de pobres que os impeça de ser mobilizados. Minha experiência mostra que sempre que abrimos qualquer possibilidade, no lugarejo mais afastado, as pessoas respondem. O governo não pode fechar os olhos para essa realidade.

Veja – Quando o presidente Lula convoca os brasileiros a acabar com a fome, ele não está propondo justamente isso?
Ruth – O caminho é esse. A mobilização existe. A resposta é positiva. A questão é se o governo está criando parcerias. Se está aproveitando os recursos humanos que aí estão. Ou se está agindo como um grande mobilizador de uma idéia, não de um fazer. Recolher dinheiro e produtos não é parceria. Parceria é a definição de um objetivo comum. Não existe parceria sem descentralização. Está faltando combinar isso. Hoje, falta um diálogo no qual os parceiros tenham igual possibilidade de interferência. Falta avaliação, falta prestação de contas, faltam objetivos comuns. Não pode existir fórmula pronta. Políticas assistencialistas não têm diminuído a pobreza.

Veja – A política social de Lula é assistencialista?
Ruth – O Fome Zero, que foi o que apareceu no começo do governo, era extremamente assistencialista. Distribuir alimentos não sustenta o desenvolvimento de ninguém. Mas depois houve algumas mudanças. Não tenho informações detalhadas para avaliar. Aliás, acho que faltam informações para todos os brasileiros. Informações sobre como essas ações estão se desenvolvendo. Hoje, não tenho como avaliar, embora ache que deveria ter. Até porque é preciso avaliar os programas enquanto eles estão sendo desenvolvidos. Não adianta, no fim de um programa, dizer se ele foi ruim ou bom.

Veja – Existe um problema de gestão na área social do governo ou houve apenas uma expectativa exagerada por se tratar de um governo do PT?
Ruth – A expectativa não pode ser usada para explicar tudo. Agora, até a economia se aproximou da psicologia. Tudo na economia agora virou questão de expectativa. Veja que, com relação à política econômica, havia uma expectativa negativa em relação ao PT. Mas os petistas tiveram a visão necessária para perceber que o Brasil não pode viver isolado. Por isso, ainda que tivessem um discurso diferente, mantiveram o rumo adotado no governo passado. No caso das políticas sociais, talvez eles ainda estejam reexaminando a questão, adaptando-se à realidade. Não é fácil governar. O PT já aprendeu bastante e ainda está aprendendo muito. Eu gostaria de uma definição mais clara sobre a maneira de fazer as coisas. Há pessoas muito preparadas no PT, mas há problemas.

Veja – Que problemas?
Ruth – Eles estão partidarizando demais a máquina pública. Isso é criticável. É muito grave. É claro que o partido precisa dar o rumo do governo. Mas na Europa, por exemplo, a burocracia pública é muito enraizada. E muito consciente de seus deveres. Há um controle para que as pessoas possam saber se ela age com o rigor e a independência necessários. Isso é fundamental para o desenvolvimento democrático de um país. No Brasil, porém, o PT partidarizou a burocracia além do limite.

Veja – Na última década, sobretudo durante o governo de Fernando Henrique, passou-se a gastar mais com os pobres e surgiu uma grande variedade de programas descentralizados. Mas nada disso reduziu a desigualdade. Por quê?
Ruth – A desigualdade está aumentando no mundo todo. No Brasil, já era imensa, inaceitável. Precisamos reduzi-la, não há dúvida. Mas essa meta não pode ser alcançada rapidamente. Até porque, se existe uma herança maldita, é a desigualdade de cinco séculos. Não podemos medir isso de um ano para o outro. A melhor maneira de combater a desigualdade é a educação. Mas para aumentar a escolaridade média da população brasileira, que é imensa, leva-se dez anos.

Veja – Com os dois mandatos de seu marido, a senhora está entre as primeiras-damas mais longevas do país. Qual o papel de uma primeira-dama?
Ruth – Primeira-dama é um ser humano, não é uma Barbie. Não podemos ter um modelito que sirva para todo mundo. Assim como não existe modelo para presidente, não pode existir modelo para primeira-dama. Cada uma desenvolve o trabalho para o qual se sente mais apta.

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Veja – Uma primeira-dama desfruta uma posição privilegiada para influir em decisões do presidente da República, não?
Ruth – Eu não tinha poder algum. Não fui eleita para nada, como qualquer primeira-dama. Tinha apenas uma posição privilegiada para conseguir apoios e firmar parcerias na área social. Sempre me mantive totalmente afastada do governo. Nunca participei de reunião com ministro nem com ninguém da área governamental. Aliás, há exemplos de crises conjugais muito sérias por causa disso. Basta lembrar o ex-presidente da Argentina Carlos Menem e o ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, cujas mulheres, em algum momento, tentaram interferir politicamente. Aí dá problema.

Veja – A senhora discutia sobre o governo com seu marido?
Ruth – Muito pouco. Tínhamos tão pouco tempo juntos que esse não era o nosso tema preferido. Ele me contava sobre suas dificuldades e idéias, mas eu nunca tive interferência no governo. Quando havia coisas que eu sabia, porque tinha estudado, dava minhas opiniões. Mas governar não é levar em conta a opinião da mulher nem a do assessor. As avaliações e as escolhas são muito mais complexas. É por isso que governar é tão difícil.

Veja – O que a senhora acha da possibilidade de seu marido se candidatar ao Palácio do Planalto em 2006?
Ruth – É um problema dele, mas acredito na resposta que ele vem dando quando é perguntado sobre o assunto. Primeiro, que essas coisas não são definidas de antemão. Depois, que ele acha que já deu sua contribuição e que agora é a vez de outras pessoas. Um dos grandes problemas do país é a dificuldade de criar novas lideranças. Isso acontece em todos os partidos. O fato de um ex-presidente dar uma opinião já o transforma em candidato. Tudo vira um jogo eleitoral.

Veja – A senhora já pensou em disputar uma eleição?
Ruth – Não. Estou contente com o que já fiz. Sempre participei ativamente, com posições claras. O que eu sei fazer melhor é fazer as coisas acontecerem.

Veja – É uma crítica aos políticos?
Ruth – Não. Só acho que não estou apta a fazer política partidária, assim como os políticos não estão aptos a fazer o que eu faço.

Não é impressionante perceber que um dia o Brasil já teve gente inteligente morando no Palácio do Planalto ?! Faz tanto tempo…