Brasil: o país do direito sem obrigação

Li na InfoMoney (íntegra AQUI), e concordo em gênero, número e grau:

Apesar de todo o sucesso pessoal, o bilionário da 3G Capital, Carlos Alberto Sicupira, manifestou preocupação sobre a atual situação do País após alguns anos de euforia econômica, durante conferência na Expert 2014, realizada pela XP Investimentos no último final de semana.

Sicupira, que é sócio de Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann, não se limitou a falar sobre as dicas de seu negócio e deu sua opinião sobre o cenário econômico nacional e as eleições de 2014. Ele afirmou que, até três anos atrás, havia uma espécie de anestesia sobre os últimos cinco anos do País. “Nunca tinha visto o Brasil tão bem na minha vida”, afirmou.

Atualmente, o Brasil voltou ao que sempre foi: “o Brasil é assim. O cara chega e muda a regra. Se vocês acham que o Brasil vai virar os Estados Unidos, estão enganados”, afirmou. Culturalmente, afirma, o País é do “coitadinho”, da impunidade e do direito sem obrigação. E, para ele, essa cultura brasileira não mudará independentemente de quem for eleito presidente.

Sicupira ainda falou sobre a impunidade no Brasil, afirmando que ela está “em todos nós” e que nós somos os culpados pela não transformação do País. “Porque não decidimos na hora da eleição? Nós também somos os culpados”, afirmou. Para ele, o negócio está na nossa mão: “nós temos o direito de votar, mas não sabemos em quem votamos”, afirmou, ressaltando que este processo tem raízes históricas. “Enquanto isso não mudar, não viraremos os EUA, ficaremos melhorando na margem”.

Ele está coberto de razão.

No Brasil, ser bem sucedido significa ser atacado – geralmente pelos “progressistas”, termo inventado para tentar suavizar adjetivos mais realistas, como “socialista” e “comunista”. Quem é bem sucedido vira alvo dessa corja, que diz defender os “pobres” mas na verdade odeia pobre. E odeia rico. E odeia classe média (a verdadeira, não aquela que o PT resolveu chamar de classe média só para deturpar as estatísticas do IBGE).

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Preciso citar o caso clássico da Marilena Chauí? Uma bufona, que recebe salário da USP para fazer proselitismo, e ODEIA a classe média – que ela considera fascista (ou “faxista”, segundo sua pronúncia tosca):

O Brasil está recheado de gente pródiga em reclamar por “direitos”, mas poucos estão consicentes de que antes disso é preciso cumprir com suas “obrigações”. Isso gera o cidadão-coitado: não hesita em reclamar seus direitos, mas na hora de cumprir os deveres e obrigações, empurra com a barriga.  A esquerda, via de regra, adora tratar o cidadão como coitado – e, por isso, a concepção da esquerda é transformar o Estado no senhor da razão. O Estado deve dizer ao cidadão o que fazer, como fazer, quando fazer, aonde fazer. Muitos brasileiros adoram esse Estado interventor, grande, “poderoso”, paternalista. A esquerda quer leis que dêem ao Estado o poder de decidir o que você assiste na TV, como cria seus filhos etc.

Chimpanzé acadêmico

A História já nos deu inúmeros casos de Estados que foram inchando, inchando, até dominar completamente a vida do cidadão. Os exemplos não são bons: Hitler, Stálin, Pol-Pot, Castro, Guevara, Mao Tse Tung, e por aí vão. O resumo geral é que a esquerda (pode chamar de progressista, socialista, comunista ou qualquer outro sinônimo) adora assassinos. Veja-se o caso do Cesare Battisti, por exemplo.

Há pouco tempo, o DataFolha fez uma pesquisa que pretendia mapear o posicionamento do cidadão brasileiro em termos de espectro político. A pesquisa tinha diversos erros metodológicos, mas apontou que o percentual de brasileiros que se dizem “de esquerda” é menor (bem menor) do que os que se colocam como sendo “de direita”. Alguns detalhes estão AQUI.

Uma semana depois, entretanto, o DataFolha divulgou mais um “pedaço” da pesquisa, e desta vez o resultado foi diferente. Esta segunda parte da pesquisa revelava um número expressivo (em muitos casos, majoritário) de pessoas que queriam maior presença do Estado nas questões econômicas.

Somadas as duas partes da pesquisa do DataFolha (e, repito, mesmo considerando que há erros suficientes para descartar a pesquisa), a conclusão mais evidente é que o brasileiro, na média, se diz de direita politicamente, mas não abre mão do paternalismo do Estado.

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Ano de consolidação e fusões no setor educacional

Ao ler esta notícia na Época Negócios, lembrei do que eu escrevi nesta semana sobre o futuro do setor de educação:

Com a Bolsa em baixa este ano, as aquisições devem continuar em ritmo forte entre as companhias de ensino superior. As empresas ainda veem grande espaço para consolidação do setor e há pelo menos cinco companhias dispostas – e com dinheiro – para ir às compras.

Uma das empresas que têm buscado aquisições é a Cruzeiro do Sul Educacional, grupo com uma participação do fundo Actis. A empresa era candidata a uma abertura de capital este ano, mas adiou os planos por causa das condições desfavoráveis do mercado. “A empresa está pronta, mas vamos aguardar um momento melhor”, diz o diretor de desenvolvimento, Fábio Figueiredo.

Com 85 mil alunos, a Cruzeiro do Sul tem ao menos seis negociações em andamento para aquisição de empresas e olha companhias com cerca de 5 mil alunos. O interesse é por redes instaladas em regiões próximas de onde a companhia atua, como Distrito Federal e São Paulo, mas Figueiredo diz que é possível a entrada em novas regiões com a compra de uma grande instituição.

Além da Anima, que captou R$ 460 milhões em sua oferta inicial de ações no fim do ano passado, a nordestina Ser Educacional também tem dinheiro em caixa para novas aquisições. A empresa captou R$ 260 milhões na Bolsa para comprar instituições no Norte e Nordeste.

Ainda se espera que a Laureate, empresa norte-americana que é dona da Anhembi Morumbi, volte ao mercado depois de ter anunciado a compra da FMU em agosto do ano passado.

As duas gigantes Kroton e Anhanguera devem voltar ao mercado depois que a fusão anunciada em 2013 seja concluída. A Estácio, por sua vez, espera manter aquisições de pequeno e médio porte enquanto aguarda a decisão do Conselho Administrativo e de Defesa Econômica (Cade) sobre a maior compra de sua história, a da UniSeb.

Anhanguera, Kroton e o setor de educação superior no Brasil

Leio na Época Negócios o seguinte (íntegra AQUI):

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta quinta-feira (10/04), que a fusão entre as empresas de educação Anhanguera e a Kroton apresenta “sobreposição” de mercado arriscada para o segmento de educação superior presencial e a distância. O órgão identificou que a fusão apresenta 36 monopólios em mercados de educação, além de uma concentração acima de 50% em outros 165 segmentos.

Em parecer, o MPF recomendou a venda de ativos da empresas, de graduação presencial e no ensino à distância. O parecer é parte do processo de fusão ao qual as empresas se submetem para criar uma gigante avaliada em R$ 12 bilhões e foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que julgará o caso. (…)

Mensalidade
Embora o parecer não tenha poder de decisão – caberá ao Cade decidir se o adotará ou não -, esta foi a segunda derrota da Anhanguera e da Kroton desde o anúncio da fusão há um ano. Em dezembro, a Superintendência-Geral do Cade recomendou ao tribunal administrativo que fosse avaliada a possibilidade de que ativos fossem vendidos para evitar “séria potencialidade de efeitos anticompetitivos em diversos mercados”. A superintendência afirmou em parecer que a fusão representava “preocupações graves” por envolver “provável queda significativa da concorrência” em mercados ao possibilitar ” aumentos de preços, redução de oferta, queda de qualidade, com consequências diretas para um número elevado de alunos em todo o Brasil”.

Opinião
Em nota divulgada ao mercado, as empresas afirmaram que o parecer do Ministério contém “conteúdo opinativo” e que seguem buscando uma solução negociada junto ao Cade “que inclua remédios para as preocupações concorrenciais identificadas em relação à oferta de ensino superior na modalidade presencial, bem como no que diz respeito à oferta de ensino superior a distância, tudo com vistas a obter a aprovação do acordo de associação dentro do prazo legal”.

Na última semana, analistas ponderaram que há a possibilidade de as companhias renegociarem os termos da fusão para evitar que o negócio vá por água abaixo, mas o espaço para isso é pequeno e muito depende do Cade. Há ainda quem acredite que a Kroton não tem mais interesse na fusão. Segundo uma fonte próxima da companhia, a Kroton vê hoje risco de que o Cade aprove a fusão, mas exija a venda da Uniasselvi, instituição de ensino a distância comprada em 2012 e que é considerada estratégica. De acordo com analistas, porém, existe um risco para a Kroton: perder a Anhanguera para um concorrente.

A Anhanguera já chegou a se aproximar da Estácio no passado. De acordo com fontes, a Estácio não quis assinar um acordo de fusão sem uma diligência prévia e logo depois a empresa foi surpreendida com o rápido acerto entre Anhanguera e Kroton.

Agora uma matéria da Folha (íntegra AQUI):

O grupo mineiro Anima Educação adquiriu a Universidade São Judas Tadeu, de São Paulo, por R$ 320 milhões. Foi a primeira aquisição após a companhia começar a negociar ações na Bolsa, em outubro, quando captou R$ 468,2 milhões. A operação envolve a totalidade das ações da São Judas e prevê a locação de longo prazo de todos os imóveis que servem a universidade, nos campi da Mooca e do Butantã (na cidade de São Paulo).

Com a integração da São Judas, universidade fundada em 1971, a Anima Educação sai de uma base de 55,4 mil alunos para 81,2 mil alunos. Considerando os balanços das duas empresas em 2013, o grupo mineiro passa para um faturamento de R$ 644,1 milhões. A Anima obteve receita líquida de R$ 417,7 milhões no ano passado, e a São Judas, R$ 183 milhões.

Em um comunicado divulgado ao mercado, a Anima afirma que a aquisição da São Judas poderá gerar sinergias de R$ 12 milhões ao ano, a serem integralmente assimiladas após quatro anos.

Fundada em 2003 com a compra da Minas Gerais Educação (mantenedora do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte), na época com 3.800 estudantes, a Amina vem crescendo por meio de aquisições. A empresa é dona de outras duas universidades, a UniBH, de Belo Horizonte, e da Unimonte, de Santos, e de duas faculdades (em Betim e Contagem, em Minas). No ano passado, a Anima adquiriu 50% da HSM, empresa de eventos de gestão empresarial e que também oferece cursos de pós-graduação e cursos livres. Antes da abertura de capital, em 2012, a Anima recebeu aporte do BR Educacional FIP, investidor financeiro com foco no setor de educação.

Nos últimos anos, o setor de educação vem sendo alvo de fusões e aquisições, tanto por parte de grupos estrangeiros como de grupos locais. Há um ano, a Kroton e a Anhanguera, as duas maiores companhias de capital aberto do setor no país, anunciaram uma associação que poderá criar uma gigante com valor de mercado de cerca de R$ 12 bilhões.

O negócio depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O fato concreto, e já conhecido por quem vive o dia-a-dia do ensino superior brasileiro, é que as IES (Instituições de Ensino Superior) ainda estão tentando achar seu lugar ao Sol. Na década de 1990 houve um aumento substancial na quantidade que empresas nesse setor, mas não havia alunos suficientes. Na década de 2000, houve aumento gradativo (mas constante) da quantidade de alunos, porém havia o problema da renda: a expansão foi (mal) feita, especialmente devido aos programas assistencialistas e mal geridos como ProUni, o que impôs uma situação financeiramente ruim para as IES, que precisavam reduzir drasticamente as mensalidades para conseguir manter os alunos.

Isso acarretou pressão nos salários dos professores (e, concomitantemente, o MEC do Sr. Fernando Haddad foi afrouxando a exigência de mestres e doutores nas IES), redução significativa das margens de lucro, baixa capacidade de investimentos e, para muitas IES de pequeno e médio portes, insolvência e falência.

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

O passo seguinte, naturalmente, foi a consolidação do setor: IES maiores foram adquirindo as instituições pequenas (endividadas) e o setor ficou mais concentrado. Não por acaso, a qualidade do ensino vem caindo: a preocupação com a qualidade deu lugar à preocupação com as mensalidades mais baixas.

Neste setor, o que vemos de forma clara e cristalina é a incapacidade do Estado em criar um ambiente que faça com que a educação MELHORE. Aliás, o Estado fez exatamente o contrário: agiu de forma irresponsável e burra, criando todas as condições para que o ensino PIORASSE.

Atingiu o objetivo.

Testes, provas e estudos têm demonstrado queda na qualidade da educação.

Eu, como professor, vejo que a cada ano/semestre as turmas têm um desempenho acadêmico menor. Pessoalmente, considero isso um desestímulo PIOR do que o salário baixo.

pater familia

Enfim, o fato é que foi criado um contexto em que as IES precisam ganhar escala, pois suas margens foram extorquidas. E, quando tentam ganhar escala, encontram empecilhos criados pelo CADE, pelo Ministério Público ou por alguma ONG que só existe para desviar dinheiro governamental (e ainda está isenta de impostos).

O resultado final é ruim para todos. As instituições de ensino sofrem com margens de lucro reduzidas e pressão constante para angariar alunos – às vezes quase pagando para que o sujeito seja seu aluno. Neste momento, aliás, surgem “empresas” e “organizações” que tentam intermediar a captação de alunos (como ESTA AQUI); estas organizações promovem um verdadeiro estelionato – mas perfeitamente legalizado.

Os professores vivem num ambiente cada dia mais desestimulante intelectualmente, e com desafios maiores: lidar com alunos sem nenhuma formação intelectual, muitos deles analfabetos funcionais, e ainda ganhando pouco. Como se não bastassem, são explorados por sindicatos inúteis tentando fazer politicagem rastaquera com o único e exclusivo intuito de conseguir ganhos para sindicalistas vagabundos.

E os alunos, que têm uma formação deficitária desde o ensino fundamental, continuam saindo da universidade sem aprender. Muitos, aliás, entram e saem da universidade sem saber ler nem escrever!

Diante disso tudo, alguém ainda pode ser otimista no que tange ao futuro do Brasil?

bacharel

E ainda tem as “cotas”!!!! Joga-se no lixo a meritocracia: não é necessário estudar, basta se declarar negro, gay, indígena, portador de unha encravada…

O futuro do país vai ser conduzido por uma geração ignorante, analfabeta e sem preparo para tomar decisões simples.

Governo prepara regulação de MBAs e especializações

Leio na Folha de hoje (íntegra AQUI):

O CNE (Conselho Nacional de Educação) prepara um marco regulatório para especializações e MBAs ofertados no país. O objetivo é aumentar o controle sobre a oferta e a qualidade da pós-graduação “lato senso”. Hoje, não há uma estimativa oficial sobre a quantidade de cursos disponíveis, assim como informações consolidadas sobre corpo docente e projeto pedagógico.

Neste mês, o Ministério da Educação lança um cadastro nacional para reunir informações de especializações presenciais e a distância ofertadas por instituições federais e privadas. A iniciativa é decorrente de resolução do CNE publicada em fevereiro.

“Esse é um processo. É por reconhecermos a importância e o peso da oferta desses cursos que estamos aperfeiçoando [o monitoramento]”, disse à Folha Jorge Messias, secretário de Regulação e Supervisão da pasta. Ele diz que essa é uma primeira etapa da regulação das especializações.

O CNE elabora ainda um outro documento com regras específicas para esse tipo de pós-graduação. Para Erasto Mendonça, conselheiro responsável pelo tema, há certos “vazios que precisam ser preenchidos”. Uma das mudanças previstas é no perfil dos ofertantes: a intenção é estender essa possibilidade a institutos de pesquisa de reconhecida excelência, escolas de governo e instituições que oferecem mestrado e doutorado.

Segundo as regras atuais, apenas instituições de ensino superior podem ter especializações. Esse grupo, no entanto, também pode ser afetado: o conselho estuda exigir um desempenho mínimo da graduação ligada à área de especialização.

Para oferecer a pós, o curso correlato precisaria de nota 4 no CPC (Conceito Preliminar de Curso), indicador de qualidade que varia de 1 a 5. A previsão é que o novo modelo esteja em prática a partir do próximo ano –as regras não valem para instituições estaduais de ensino. “As exigências do MEC são muito poucas e não dão garantia para o aluno da qualidade [do curso]”, avalia Armando Dal Colletto, diretor-executivo da Anamba (Associação Nacional de MBA). A entidade possui dois selos próprios para indicar o bom desempenho de MBAs. Para ele, diante da ausência de um cadastro nacional ou de notas concedidas pelo MEC, questões como prestígio da instituição e indicação de colegas são considerados na análise da especialização.

Vejo um aspecto positivo na notícia, e um negativo. O negativo, infelizmente, se sobressai. E muito.

O aspecto positivo: de fato, os cursos de MBA são uma bagunça. Qualquer instituição pé-de-chinelo pode oferecer um curso igualmente pé-de-chinelo com o nome de MBA (e com um conteúdo horrível, fraco mesmo).

Aliás, o próprio conceito de MBA foi distorcido no Brasil: a sigla significa Master of Business Administration, ou seja, Mestrado. Porém, no Brasil, MBA virou uma especialização lato senso, e o Mestrado é um outro tipo de curso, muitas vezes chamado de “acadêmico” (e muita gente usa o termo acadêmico com um viés negativo, pejorativo).

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Eu leciono em cursos de MBA, e posso dizer que muito frequentemente encontro alunos que cursaram CST (Curso Superior Tecnológico, aqueles cursos de 2 anos) que tiveram pouco contato com uma formação minimamente boa. Não raro, uso material da graduação nas aulas do MBA, porque os alunos não têm preparo algum para materiais e discussões mais aprofundadas e/ou avançadas. Lamentavelmente, há MBAs com conteúdo de graduação (bacharelado).

Neste sentido, é indiscutível que a oferta excessiva e desenfreada de MBAs é ruim.

Porém, sempre que vejo o governo se metendo num mercado qualquer com o intuito de querer regulá-lo ou controlá-lo, fico receoso. Em especial um governo do PT, essa matilha de boçais refratários ao conhecimento e que vêm prejudicando a educação no Brasil de um jeito que nunca antes havia sido feito.

O mercado deveria fazer esta seleção natural, separar o joio do trigo.

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O problema é que este mesmo mercado é um dos grandes responsáveis pela exigência burra de ter um MBA a qualquer custo. Canso de ver alunos meus da graduação se preocupando com o MBA que farão no minuto em que forem aprovados no TCC. Não faz sentido o sujeito sair da graduação e, imediatamente, se enfiar num MBA meia-boca – mas o “mercado” exige.

Muitas empresas querem garotos (e garotas) de 22, 23 anos de idade com graduação, MBA, fluência em 3 línguas (que jamais usarão) e 10 anos de experiência – e umas exigências ridículas que o RH sempre inventa mas não servem pra nada.

Por causa disso, inclusive, cansei de ver alunos meus do MBA dizendo abertamente que só queriam o diploma porque a empresa exigia.

Esse problema do MBA faz parte de um conjunto de problemas muito maiores, muito mais graves. A educação no Brasil está um caos, um cacareco – e um dos grandes responsáveis por isso é justamente o governo. Por isso mesmo, deixar que o governo regule mais um setor/área não me parece solução mais adequada.

Leituras do fim de semana: marketing

Deixei algumas leituras se acumularem, e o fim de semana apresenta uma chance de tentar diminuir o déficit.

A primeira é esta. Uma dissertação de mestrado (intitulada “Comportamento do consumidor: um estudo de decisão de compra de artigos esportivos“) que comecei a ler ontem e não me parece nem interessante e nem bem escrita – muito pelo contrário.

Até agora, só o que vi foram clichês e mais clichês, muito embromation e pouco conteúdo relevante. E me assusta que o nível da redação dos trabalhos acadêmicos está cada dia mais baixo – quase rasteiro mesmo. Aliás, sempre que leio algum trabalho/texto que trata do (inexistente) “marketing esportivo”, é isso que encontro: embromation, fontes duvidosas e redação ruim. Será coincidência? Acho que não.

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O segundo item da lista é este, uma tese de doutoramento (então, esperemos que esteja melhor mesmo) intitulada “Internacionalização e marketing: fatores de influência na decisão sobre customização de produtos“. Ainda não comecei a leitura mesmo, mas bati o olho na estrutura, referências e objetivos/resumo. Me parece bem mais interessante do que o item anterior. As empresas escolhidas para os estudos de casos deste trabalho me parecem apropriadas. Então, se o trabalho como um todo estiver ruim (me parece que não está), só pelos estudos de casos já vale a leitura!

Bem provável que eu largue o primeiro texto inacabado e pule direto para o segundo…

 

Finalmente, para sair do escopo de textos “acadêmicos”, recomendo a leitura desta entrevista com o grande designer da Apple, Jonathan Ive. Excelente leitura!

Analfabetismos no Brasil

Excelente (como de costume, aliás) a coluna do Professor Pasquale na Folha de hoje:

O caro leitor certamente já ouviu e/ou leu matérias a respeito do nosso analfabetismo funcional. Estudos recentes informam que apenas 24% dos brasileiros letrados entendem textos de alguma complexidade, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros letrados entende um texto que talvez possamos chamar de “simples”.

Nossa dificuldade com o texto é inegável e não escolhe classe social. Não pense o leitor que ela é “privilégio” de pobres ou de gente pouco escolarizada. A leitura de trabalhos de conclusão de curso de muitos e muitos alunos de letras (sim, de letras!) prova que a situação é dramática.

O livro “Problemas de Redação”, do professor Alcir Pécora, traz um retrato sombrio do problema. Publicada em 1999, a obra resulta da percepção do professor Pécora de que alunos da primeira turma de estudos linguísticos de uma das mais importantes universidades do país concluíram o curso sem a mínima condição de ler e/ou escrever de acordo com a escolaridade formal que detinham.

Mas o nosso analfabetismo não é apenas verbal, ou seja, não se limita ao que é expresso por meio da língua; ele é também não verbal, isto é, abrange também a dificuldade para lidar com signos que não se valem da palavra escrita ou dita, mas, por exemplo, de imagens, de cores etc.

Boa parte da barbárie brasileira pode ser demonstrada pelo que se vê no trânsito das nossas cidades. Ora por falta de vergonha, ora por analfabetismo verbal e/ou não verbal + falta de vergonha, os brasileiros provamos, um bilhão de vezes por minuto, que este país não deu certo.

Uma das situações que acabo de citar pode ser ilustrada pelos semáfaros. Decerto os brasileiros conhecemos o que significam os signos não verbais (as três cores) que há nos “faróis” ou “sinaleiras”. O desrespeito ao significado desses signos não decorre do analfabetismo (verbal ou não verbal), mas da falta de vergonha.

Agora a segunda situação. Nada melhor do que as rotatórias para ilustrá-la. Em todos os muitos cantos do mundo pelos quais já passei, a rotatória é tiro e queda: funciona. Os motoristas conhecem o significado desse signo não verbal e respeitam-no. No Brasil, nem agentes de trânsito conhecem a regra (mais de uma vez já constatei isso). O que mais se vê é gente entrando a mil na rotatória, literalmente soltando baba, bestas-feras que são.

Quando me aproximo de uma rotatória e já há um carro dentro dela, faço o que se deve fazer: paro e dou a preferência. Às vezes, sabe Deus por que razão, o motorista que tinha a preferência também para (em muitos cruzamentos há uma espécie de “convenção” tácita sobre a preferencial, embora haja ali signos que contradizem essa “convenção”). Abro o vidro, ponho uma das mãos para fora e faço movimentos circulares com os dedos para tentar mostrar ao outro motorista que aquilo é uma rotatória e que ele, por ter entrado antes, é que tem a preferência. Começa a buzinação. A ignorância é atrevida, arrogante, boçal. Mas eu aguento: enquanto o outro não passa, continuo com os movimentos manuais circulares e não saio do lugar. Quase sempre alguém fura a fila e passa exibindo outro signo não verbal (dedo indicador em riste), mais um a traduzir o nosso elevado grau de barbárie.

Não sou dos que dizem que este país é maravilhoso etc., que a nossa sociedade é maravilhosa etc. Não há solução para a barbárie brasileira que não comece pela admissão e pela exposição da nossa vergonhosa barbárie de cada dia, sob todas as suas formas de manifestação. A barbárie é filha direta da ignorância e se manifesta pelo atrevimento inerente à ignorância. Falta competência de leitura, verbal e não verbal; falta educação, formal e não formal. Falta vergonha. Falta delicadeza. Falta começar tudo de novo. É isso.

Perfeito. Os vários analfabetismos são um problema gravíssimo no Brasil, e a educação só tem piorado.

 

Twitter - dilmabr- O gesto, repetido a cada vitória ...

Empreendendo e mobilizando pessoas para alcançar o sucesso

Em Novembro de 2011, a Revista Administradores publicou uma entrevista com a minha ex-aluna, ex-orientanda e hoje amiga Kelly, que está disponível on-line AQUI.

Destaco alguns trechos:

Dinâmica e corajosa diante de obstáculos, Kelly Christina Campolongo enxerga oportunidades onde poucos encontram. Formada em junho de 2011 pela Faculdade de Administração de Empresas de São Paulo (Faesp), a jovem revela seu empreendedorismo desde a graduação. Um exemplo foi sua atuação na empresa júnior (EJ), ao levar soluções e contribuir para o sucesso do grupo, adequando estratégias de acordo com as possibilidades dos membros e as necessidades dos demais estudantes.

O professor Carlos Munhoz, que ministrou aulas das disciplinas Marketing I e II na turma de Kelly, afirmou que a ex-aluna, no quesito entusiasmo, veste a camisa da organização e faz acontecer. “Ela consegue extrair não apenas boas análises das situações, mas enxerga soluções – e consegue, como se não bastasse, concretizá-las. Ademais, a capacidade de mobilizar as pessoas ao longo de todo este processo também é um diferencial fortíssimo que ela possui”.

Você foi presidente da empresa Junior na Faesp. Como foi essa experiência?

Desde quando entrei na faculdade, sempre tive vontade de colocar todas aquelas teorias em prática. Logo vi a possibilidade com a criação da empresa júnior em 2007/2008. As vagas estavam abertas para alunos que tinham interesse de participar. Não pensei duas vezes e me inscrevi. No início, entrei como coordenadora editorial pelo fato de ter cursado dois anos de jornalismo e, assim, seria mais fácil para tocar o projeto de um jornal que íamos implantar.

Com algumas mudanças de diretoria, acabei tornando-me diretora de projetos, no qual minha primeira missão foi apresentar ao grupo toda uma pesquisa que fiz numa ONG – nosso primeiro cliente. Visitei a ONG, fiz entrevista com a proprietária que tinha uma belíssima história. Foi muito bacana.

Essa vida de professor, mal remunerada e com carga horária louca, acaba valendo a pena quando vemos nossos alunos evoluindo, melhorando a cada dia. A Kelly é um exemplo disso. Felizmente, outros (ex)alunos meus também estão no mesmo caminho. Muitos permanecem em contato comigo até hoje, o que me permite observar seu desenvolvimento.

Isso me deixa orgulhoso e feliz.

A economia brasileira em discussão

O vídeo é longo, mas vale a pena ser visto:

Universidade do governo vai dar aulas de marxismo

Honestamente, essa notícia é de fazer cair o cu da bunda:

O governo federal vai fundar, no primeiro trimestre de 2014, a Universidade do Trabalhador, plataforma de ensino à distância que oferecerá cursos de qualificação profissional tendo como principal meta a “politização” dos trabalhadores. As aulas incluem “marxismo, socialismo e capitalismo”, antecipou o ministro do Trabalho, Manoel Dias, em entrevista ao ‘Estado’.

Para o representante do PDT no Ministério de Dilma Rousseff, os trabalhadores de hoje precisam de uma maior compreensão política. “Estamos vivendo um período de despolitização geral no Brasil, em todas as áreas. Os trabalhadores são peça fundamental na discussão política. Eles são os agentes que constroem com seu esforço, com seu trabalho…”, explica.

A Universidade do Trabalhador vai usar a expertise do Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento, projeto sob a tutela, desde 2004, da Casa Civil, com cerca de 100 mil matrículas. A ideia, porém, é aumentar exponencialmente o atendimento na nova plataforma online de ensino, que terá capacidade técnica de atender simultaneamente até 250 mil pessoas e cerca de 1 milhão de trabalhadores por dia. “Vai ser um negócio grandioso”, garante o ministro. Discute-se, até mesmo, uma internacionalização do programa, que poderia ser acessado em países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Venezuela.

O primeiro convênio foi firmado com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde o catarinense Manoel Dias concluiu o curso de Direito. Segundo o professor João Arthur de Souza, do Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, a universidade vai receber R$ 2,5 milhões pelo contrato de dois anos, dinheiro que será usado para pagar bolsas a estudantes e contratar técnicos para o projeto. A equipe responsável pela definição dos novos cursos tem 30 a 40 alunos bolsistas e profissionais de várias áreas, como Psicologia, Pedagogia, Estatística, Computação, Letras, Economia, Sociologia e Administração.

A reportagem é do Estadão, e está na íntegra AQUI.

ISSO É DE LASCAR!

Uma quantidade imensa de brasileiros não sabem ler nem escrever (considerando-se os analfabetos funcionais), não sabe fazer contas, chega numa universidade sem nenhum conhecimento básico, mas agora vai aprender sobre marxismo e socialismo?

Já dá pra imaginar como serão estas aulas, né?! O perfil dos professores, né?! Aqueles seres fedidos da FFLCH, filiados ao PSOL ou ao PSTU…

Vão ensinar que Che Guevara, Stálin, Mao-Tse Tung, Hitler, Pol-Pot e outros genocidas foram responsáveis por tentar melhorar a humanidade implantando aquele regime fantástico chamado socialismo/comunismo, mas foram impedidos por causa dos malvados burgueses capitalistas que queriam oprimir o proletariado.

2014-02-14 17.14.09

 

Como disse Sir Churchill certa vez:

“O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja.”

Um exemplo básico que comprova o que Churchill disse é oferecido pela sempre ignóbil repórter da CacaCaPTal:

Ruralista e socialista