Anhanguera, Kroton e o setor de educação superior no Brasil

Leio na Época Negócios o seguinte (íntegra AQUI):

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta quinta-feira (10/04), que a fusão entre as empresas de educação Anhanguera e a Kroton apresenta “sobreposição” de mercado arriscada para o segmento de educação superior presencial e a distância. O órgão identificou que a fusão apresenta 36 monopólios em mercados de educação, além de uma concentração acima de 50% em outros 165 segmentos.

Em parecer, o MPF recomendou a venda de ativos da empresas, de graduação presencial e no ensino à distância. O parecer é parte do processo de fusão ao qual as empresas se submetem para criar uma gigante avaliada em R$ 12 bilhões e foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que julgará o caso. (…)

Mensalidade
Embora o parecer não tenha poder de decisão – caberá ao Cade decidir se o adotará ou não -, esta foi a segunda derrota da Anhanguera e da Kroton desde o anúncio da fusão há um ano. Em dezembro, a Superintendência-Geral do Cade recomendou ao tribunal administrativo que fosse avaliada a possibilidade de que ativos fossem vendidos para evitar “séria potencialidade de efeitos anticompetitivos em diversos mercados”. A superintendência afirmou em parecer que a fusão representava “preocupações graves” por envolver “provável queda significativa da concorrência” em mercados ao possibilitar ” aumentos de preços, redução de oferta, queda de qualidade, com consequências diretas para um número elevado de alunos em todo o Brasil”.

Opinião
Em nota divulgada ao mercado, as empresas afirmaram que o parecer do Ministério contém “conteúdo opinativo” e que seguem buscando uma solução negociada junto ao Cade “que inclua remédios para as preocupações concorrenciais identificadas em relação à oferta de ensino superior na modalidade presencial, bem como no que diz respeito à oferta de ensino superior a distância, tudo com vistas a obter a aprovação do acordo de associação dentro do prazo legal”.

Na última semana, analistas ponderaram que há a possibilidade de as companhias renegociarem os termos da fusão para evitar que o negócio vá por água abaixo, mas o espaço para isso é pequeno e muito depende do Cade. Há ainda quem acredite que a Kroton não tem mais interesse na fusão. Segundo uma fonte próxima da companhia, a Kroton vê hoje risco de que o Cade aprove a fusão, mas exija a venda da Uniasselvi, instituição de ensino a distância comprada em 2012 e que é considerada estratégica. De acordo com analistas, porém, existe um risco para a Kroton: perder a Anhanguera para um concorrente.

A Anhanguera já chegou a se aproximar da Estácio no passado. De acordo com fontes, a Estácio não quis assinar um acordo de fusão sem uma diligência prévia e logo depois a empresa foi surpreendida com o rápido acerto entre Anhanguera e Kroton.

Agora uma matéria da Folha (íntegra AQUI):

O grupo mineiro Anima Educação adquiriu a Universidade São Judas Tadeu, de São Paulo, por R$ 320 milhões. Foi a primeira aquisição após a companhia começar a negociar ações na Bolsa, em outubro, quando captou R$ 468,2 milhões. A operação envolve a totalidade das ações da São Judas e prevê a locação de longo prazo de todos os imóveis que servem a universidade, nos campi da Mooca e do Butantã (na cidade de São Paulo).

Com a integração da São Judas, universidade fundada em 1971, a Anima Educação sai de uma base de 55,4 mil alunos para 81,2 mil alunos. Considerando os balanços das duas empresas em 2013, o grupo mineiro passa para um faturamento de R$ 644,1 milhões. A Anima obteve receita líquida de R$ 417,7 milhões no ano passado, e a São Judas, R$ 183 milhões.

Em um comunicado divulgado ao mercado, a Anima afirma que a aquisição da São Judas poderá gerar sinergias de R$ 12 milhões ao ano, a serem integralmente assimiladas após quatro anos.

Fundada em 2003 com a compra da Minas Gerais Educação (mantenedora do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte), na época com 3.800 estudantes, a Amina vem crescendo por meio de aquisições. A empresa é dona de outras duas universidades, a UniBH, de Belo Horizonte, e da Unimonte, de Santos, e de duas faculdades (em Betim e Contagem, em Minas). No ano passado, a Anima adquiriu 50% da HSM, empresa de eventos de gestão empresarial e que também oferece cursos de pós-graduação e cursos livres. Antes da abertura de capital, em 2012, a Anima recebeu aporte do BR Educacional FIP, investidor financeiro com foco no setor de educação.

Nos últimos anos, o setor de educação vem sendo alvo de fusões e aquisições, tanto por parte de grupos estrangeiros como de grupos locais. Há um ano, a Kroton e a Anhanguera, as duas maiores companhias de capital aberto do setor no país, anunciaram uma associação que poderá criar uma gigante com valor de mercado de cerca de R$ 12 bilhões.

O negócio depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O fato concreto, e já conhecido por quem vive o dia-a-dia do ensino superior brasileiro, é que as IES (Instituições de Ensino Superior) ainda estão tentando achar seu lugar ao Sol. Na década de 1990 houve um aumento substancial na quantidade que empresas nesse setor, mas não havia alunos suficientes. Na década de 2000, houve aumento gradativo (mas constante) da quantidade de alunos, porém havia o problema da renda: a expansão foi (mal) feita, especialmente devido aos programas assistencialistas e mal geridos como ProUni, o que impôs uma situação financeiramente ruim para as IES, que precisavam reduzir drasticamente as mensalidades para conseguir manter os alunos.

Isso acarretou pressão nos salários dos professores (e, concomitantemente, o MEC do Sr. Fernando Haddad foi afrouxando a exigência de mestres e doutores nas IES), redução significativa das margens de lucro, baixa capacidade de investimentos e, para muitas IES de pequeno e médio portes, insolvência e falência.

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

O passo seguinte, naturalmente, foi a consolidação do setor: IES maiores foram adquirindo as instituições pequenas (endividadas) e o setor ficou mais concentrado. Não por acaso, a qualidade do ensino vem caindo: a preocupação com a qualidade deu lugar à preocupação com as mensalidades mais baixas.

Neste setor, o que vemos de forma clara e cristalina é a incapacidade do Estado em criar um ambiente que faça com que a educação MELHORE. Aliás, o Estado fez exatamente o contrário: agiu de forma irresponsável e burra, criando todas as condições para que o ensino PIORASSE.

Atingiu o objetivo.

Testes, provas e estudos têm demonstrado queda na qualidade da educação.

Eu, como professor, vejo que a cada ano/semestre as turmas têm um desempenho acadêmico menor. Pessoalmente, considero isso um desestímulo PIOR do que o salário baixo.

pater familia

Enfim, o fato é que foi criado um contexto em que as IES precisam ganhar escala, pois suas margens foram extorquidas. E, quando tentam ganhar escala, encontram empecilhos criados pelo CADE, pelo Ministério Público ou por alguma ONG que só existe para desviar dinheiro governamental (e ainda está isenta de impostos).

O resultado final é ruim para todos. As instituições de ensino sofrem com margens de lucro reduzidas e pressão constante para angariar alunos – às vezes quase pagando para que o sujeito seja seu aluno. Neste momento, aliás, surgem “empresas” e “organizações” que tentam intermediar a captação de alunos (como ESTA AQUI); estas organizações promovem um verdadeiro estelionato – mas perfeitamente legalizado.

Os professores vivem num ambiente cada dia mais desestimulante intelectualmente, e com desafios maiores: lidar com alunos sem nenhuma formação intelectual, muitos deles analfabetos funcionais, e ainda ganhando pouco. Como se não bastassem, são explorados por sindicatos inúteis tentando fazer politicagem rastaquera com o único e exclusivo intuito de conseguir ganhos para sindicalistas vagabundos.

E os alunos, que têm uma formação deficitária desde o ensino fundamental, continuam saindo da universidade sem aprender. Muitos, aliás, entram e saem da universidade sem saber ler nem escrever!

Diante disso tudo, alguém ainda pode ser otimista no que tange ao futuro do Brasil?

bacharel

E ainda tem as “cotas”!!!! Joga-se no lixo a meritocracia: não é necessário estudar, basta se declarar negro, gay, indígena, portador de unha encravada…

O futuro do país vai ser conduzido por uma geração ignorante, analfabeta e sem preparo para tomar decisões simples.

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