Os autoritários

O artigo é simplesmente BRILHANTE (publicado pela Folha em 21/09/08, com grifos meus):

SE ALGUM dia as reformas que vêm sendo há anos postergadas entrarem finalmente na agenda das (futuras) autoridades, será preciso que o país se prepare para enfrentar aqueles que obstaculizam um maior avanço do país rumo à modernidade, escudados nos chamados “movimentos sociais”.
Sob o véu da suposta defesa dos interesses da maioria da população, o denominador comum de muitos desses grupos é o autoritarismo. Com base em uma retórica agressiva, estão na vanguarda de todos os movimentos de resistência à agenda que pretende integrar o Brasil às tendências mais modernas do mundo.

São os mesmos que lideraram o movimento em favor da reestatização da Vale, dez anos depois de ela ter sido privatizada. Que grupos são esses?

Eles representam a confluência de três vetores. O primeiro é o dos intelectuais intolerantes; o segundo, o de certos grupos políticos; e o terceiro, o de grupos sindicais dedicados à administração de recursos milionários.

O primeiro grupo é representado por aqueles que enchem a boca para falar mal do famoso “neoliberalismo”.

Vivem fazendo discursos contra o Consenso de Washington, mas 99% deles jamais se deram ao trabalho de ler o trabalho de J. Williamson que deu origem ao termo.
A expressão máxima dessa atitude, pela qual alguns intelectuais fazem a cabeça de parte do espectro dos políticos, foi manifestada por uma das mais conhecidas lideranças políticas brasileiras, que há alguns anos se manifestou nos seguintes termos: “Em nosso partido, estamos abertos a todos. Só não cabem nazistas, racistas, delinqüentes políticos e neoliberais” (“Jornal do Brasil”, 8/2/ 04). Nesse meio, ignora-se o conceito do que sejam “adversários”: só há inimigos.

O segundo grupo é a constelação de partidos ditos de esquerda, originalmente romântica, mas que em linhas gerais são desprendimentos de uma mesma costela stalinista, em que delírios incompatíveis com a realidade dos dias de hoje se confundem com o apego a diversas formas de coerção.

Nas suas versões mais inofensivas, fazem barulho em passeatas. Nas formas mais radicais, seus congêneres de outros países compõem a tropa de choque do esquerdismo fascistóide latino-americano. Na Venezuela, fecham canais de televisão. Na Argentina, travestidos de “piqueteros”, arregimentam capangas para -literal e fisicamente- bater na classe média quando ela vai para a rua protestar contra as políticas oficiais.

O terceiro grupo é o dos sindicalistas encastelados no aparelho de Estado e nas suas diversas ramificações, acostumados a viver das benesses do repasse de recursos públicos, em atitude que faria se virarem nos túmulos os líderes sindicais, ingênuos e modestos, que forjaram historicamente as raízes do sindicalismo autêntico, há várias décadas.

Em 2007, tive a oportunidade de ser testemunha de um exemplo do comportamento desse grupo, quando participei como expositor do Fórum da Previdência. Ao meu lado, ar de quem era dono da situação, pouco ligando para a liturgia do evento, estava o representante de uma das centrais sindicais. Defendi, na ocasião, o que tenho dito há anos: idade mínima para aposentadoria de 60 anos para os homens e 55 para as mulheres, aumento do período contributivo para 25 anos até 2031, redução da diferença entre homens e mulheres para efeito de aposentadoria ao longo de uma transição de 15 anos etc. Nada do que foi proposto pode, honestamente, ser chamado de “draconiano”.

Ao concluir, quem primeiro pediu a palavra foi a pessoa citada, que começou seu discurso com as seguintes palavras: “Estou impressionado com a crueldade do professor Giambiagi”.
Ao concluir, se retirou: ao chegar o momento da tréplica, eu dialogava com uma cadeira vazia.
Ao voltar para suas “bases”, a pessoa deve ter dito que “defendeu os interesses do povo contra a tentativa de avanço do neoliberalismo”. Quanto ao problema demográfico representado pelo envelhecimento da população nas próximas décadas, dele só se ouviu o silêncio.

Não se trata de um debate entre grupos que, partindo de posições diferentes, negociam para depois chegar a um meio termo razoável. Não nos enganemos: há uma profunda raiz autoritária na atitude de todos esses grupos. Cedo ou tarde, para conquistar corações e mentes em favor das reformas, será preciso enfrentar a resistência desses grupos.

É evidente que poderá ser tentador, com o pré-sal, conservar a política do “deixa estar” e não fazer reforma alguma. Nesse caso, porém, o Brasil daqui a 30 anos será melhor que o de hoje, mas ficará aquém do país que poderíamos ser.


FABIO GIAMBIAGI , 46, mestre em economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é economista do BNDES e autor do livro “Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil”, entre outras obras.

Remessas de lucros: só relembrando

Para aqueles que simplesmente repetem o “mantra” do sucesso da política econômica PTralha, muita atenção:

Embora o governo aposte na chance de o Brasil receber recorde de investimentos estrangeiros neste ano, dados do Banco Central mostram que a remessa de lucros e dividendos para as matrizes das multinacionais nos quatro primeiros anos do governo Lula foi o triplo da registrada entre 1999 e 2002, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula, a cada US$ 10 que entraram no Brasil, outros US$ 6 foram enviados ao exterior como ganho às sedes. Nos quatro últimos anos da gestão FHC foram remetidos US$ 2 para cada US$ 10 que entraram no país -valor pouco acima dos US$ 2,5 remetidos durante o primeiro mandato do tucano, entre 1995 e 1998.
O ingresso de investimentos estrangeiros entre 2003 e 2006 somou US$ 62,1 bilhões, enquanto as remessas foram de US$ 37,8 bilhões, conforme os números do BC. Com o aumento desse envio de lucros, parte do efeito positivo que a entrada desse capital tem sobre as contas externas é reduzido.
Para alguns analistas, as remessas de lucros feitas na primeira metade do governo Lula refletem o que aconteceu no segundo governo FHC, quando, puxados pelas privatizações, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 100 bilhões. Ou seja, agora que esses investimentos bilionários estão dando retorno, o envio de lucros para fora do país aumenta.
“As remessas cresceram porque o estoque de investimentos estrangeiros também está aumentando. Além disso, a rentabilidade das empresas cresceu muito nos últimos anos, porque a economia voltou a crescer”, afirma o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.
Segundo ele, o volume de recursos enviado por multinacionais não chega a preocupar no curto prazo, porque por enquanto “a balança comercial compensa”. Para o futuro, o economista defende a adoção de políticas que atraiam investimentos para setores mais avançados e dinâmicos da economia. Assim, as remessas de lucros seriam um preço justo a se pagar pela criação de empregos e pelo aumento de produtividade da economia.
O BC não possui dados históricos sobre os setores que mais enviam lucros para fora do país, mas os números de 2006 ajudam a ilustrar um pouco esse quadro. No ano passado, os bancos foram os que mais remeteram recursos para seus sócios estrangeiros: US$ 1,404 bilhão, o que representou 10,11% dos US$ 13,883 bilhões remetidos ao exterior. Foram seguidos de perto pelas empresas de energia e gás (US$ 1,378 bilhão) e pelas montadoras de automóveis (US$ 1,318 bilhão).
São três setores que vivem um bom momento em suas operações no Brasil. “De modo algum é um movimento de saída dos investimentos. Pelo contrário, o que vemos é a consolidação dos empreendimentos no Brasil”, avalia o diretor-executivo da Amcham-SP (Câmara Americana de Comércio), Arthur Vasconcellos.
Ele também cita a possibilidade de o bom resultado das subsidiárias nacionais ser usado para cobrir prejuízos das matrizes. “Como as unidades brasileiras têm apresentado bons resultados, com geração de caixa forte, o dinheiro pode sair para equilibrar as contas dessas companhias.”
Lucratividade à parte, a queda do dólar é outro fator que tem impulsionado o envio de lucros para o exterior. Para o presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização), Luis Afonso Lima, o aumento das remessas mostra uma “janela de oportunidade cambial”. “Há uma sensação de que o real vai passar por um processo gradual de desvalorização. Mandar os recursos agora, portanto, é mais vantajoso em dólar”, diz.
Ou seja, com a valorização do câmbio, um mesmo lucro em reais pode ser convertido para um volume maior de dólares, tornando mais vantajoso o envio de recursos a outros países.
Até agosto deste ano, US$ 11,3 bilhões já deixaram o Brasil dessa forma, 31% a mais do que no mesmo período de 2006. Por outro lado, esse movimento foi compensado pela recuperação mais forte dos investimentos: no período, o ingresso de capital externo chegou a US$ 26,5 bilhões, alta de 161%.

A matéria é da Folha de São Paulo (aqui), com dados do Banco Central.

Lulla e Bush: os iguais se atraem

O artigo do Clóvis Rossi (de 11/05/08) é delicioso:

O repórter Ricardo Balthazar (“Valor Econômico”) publicou nesta semana valioso resumo das relações entre os governos George Walker Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, extraídos de documentos confidenciais do Departamento de Estado.
Não há uma revelação bombástica ou algo que não desse para notar mesmo de fora dos salões em que se tecem os entendimentos entre governantes. Mas deles emerge claramente o seguinte:
1 – Lula mostrou antes aos norte-americanos que seria a “metamorfose ambulante” que só depois contaria aos brasileiros.
2 – Lula comprometeu-se com o governo Bush a não servir “surpresas” na política econômica. Ou seja, a arquivar as “bravatas” do velho PT e a seguir o receituário herdado de Fernando Henrique Cardoso, pró-mercado e pró-credores.
Se os documentos se referissem ao diálogo entre FHC e Bush (ou Clinton), o velho PT de língua afiada imediatamente gritaria “vendido ao imperialismo”.
Agora, faz-se silêncio denso em todos os quadrantes político-ideológicos. De fato, não dá para dizer que os documentos revelam submissão. Mas aparece nitidamente uma espécie de pacto de não-agressão (aos interesses dos Estados Unidos, inclusive de suas empresas), em troca do aval ao que Bush, brincando, diria ser uma “boa política republicana” (republicana no sentido de Partido Republicano, um dos diabos preferidos da antiga demonologia da esquerda).
Talvez o pacto tenha sido inevitável. Quem não o fez (Hugo Chávez, Evo Morales) sofreu ou sofre tentativas de golpe ou conspirações.
De todo modo, fica claro que é uma fraude o discurso antielite que Lula ainda adota e que freqüenta o vocabulário de muito petista, especialmente da ala hidrófoba-debilóide. Ninguém é mais elite do que a elite das potências.
E ela adora Lula.

O atraso do sindicalismo brasileiro

A matéria abaixo, da Folha de São Paulo de 24 de Julho de 2008, mostra que o sindicalismo brasileiro (umbilicalmente ligado ao PT) continua insistindo numa proposta burra: a redução da jornada de trabalho.

O Senado francês aprovou anteontem, por 199 votos a 125, a polêmica reforma do tempo de trabalho e representatividade sindical que prevê a flexibilização da jornada semanal de 35 horas. A nova legislação deve ser promulgada em 15 dias.

Na campanha eleitoral, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, agitou a bandeira da flexibilização do tempo de trabalho. “Trabalhar mais para ganhar mais” tornou-se um de seus principais slogans. Na linha de mira, o tempo legal de trabalho na França, apontado como um dos principais responsáveis pela estagnação do poder aquisitivo da população e pela perda de competitividade das empresas francesas. O projeto, apresentado pelo governo e votado em caráter de urgência, mantém a duração legal de 35 horas semanais, mas prevê uma série de medidas destinadas a dar maior autonomia às empresas para fixar as regras do jogo diretamente com as representações sindicais ou, em certos casos, individualmente com os empregados. “Com a reforma, o tempo de trabalho legal de 35 horas não passa de uma disposição meramente formal”, diz Jacques Legoffo, especialista em direito do trabalho e professor da Universidade de Brest.

Atualmente, o contingente de horas extras permitido pela legislação francesa é de 220 horas por ano. O novo projeto permite a cada empresa negociar diretamente com os empregados o número de horas extras trabalhadas anualmente. A única restrição é que não se ultrapassem 405 horas anuais, 13 horas por dia ou 48 horas por semana. As empresas também terão autonomia para definir com os empregados, por exemplo, o aumento salarial por hora extra trabalhada.
Outro ponto polêmico são as novas regras para os chamados “cadres”, trabalhadores que ocupam cargos de responsabilidade e que são submetidos a um teto anual estabelecido em dias. A legislação atual determina que o número de dias trabalhados por ano não ultrapasse 218. O novo projeto fixa, na ausência de acordos coletivos, um novo teto de 235 dias, que poderá ser negociado individualmente com cada trabalhador. Em caso de acordo negociado diretamente pela empresa e pelos sindicatos, esse teto pode ser estendido a até 282 dias.

Para a CFE-CGC, uma das principais confederações sindicais do país, essa medida representa “um retorno ao século passado”. A CFDT, outra importante confederação sindical na França, afirma que trabalhar 235 dias por ano significa a supressão de todos os feriados e outros dias de folga previstos pela legislação (11 para os trabalhadores no regime de dias). “O trabalhador somente terá como dias livres os finais de semana, as férias anuais (cinco semanas na França) e o 1º de Maio, Dia do Trabalho”, diz Laurence Laigo, secretária nacional da CFDT.

Segundo o relator do projeto no Senado, Alain Gournac, a reforma tem o objetivo de “romper com a lógica maltusiana da divisão do trabalho” instalada há dez anos pela chamada Lei Aubry, que modificou o regime de 39 para 35 horas semanais.
O principal argumento da esquerda ao defender a Lei Aubry em 1998 era o de que as 35 horas iriam permitir a criação de milhares de empregos. “Uma idéia socialmente interessante, mas economicamente utópica”, afirma Bernard Didier, diretor do Instituto do Trabalho Francês, uma organização independente que acompanha a evolução do direito do trabalho e das relações sociais no país.
A esquerda defende que a lei criou entre 300 e 400 mil empregos no setor privado, mas esses números são controversos. “A Lei Aubry não foi uma ferramenta útil para vencer o desemprego. As empresas precisaram se reorganizar, houve ganhos de produtividade e o volume de horas restante não foi exatamente redistribuído entre os desempregados”, afirma Bernard Didier.

A França já voltou atrás na decisão sobre a redução da jornada de trabalho – e os motivos são óbvios.

Mas a PTralhada insiste em fazer a mesma cagada por aqui…….

ROMBO MARTISTA

Agora é um bom momento para “desenterrar” um e-mail que enviei à minha famosa listinha há algum tempo.

Vamos direto ao ponto:

Estas imagens ilustram uma reportagem da IstoÉ, de 2005, na íntegra aqui.

Posteriormente, a avaliação técnica do Tribunal de Contas do Município considerou que havia irregularidades nas contas da Prefesta MarTAXA:

Nesta época, muitos PTistas que haviam conseguido boquinhas nos CEUs ficaram sem receber seus salários; prédios municipais tiveram energia elétrica cortada por falta de pagamento; fornecedores ficaram sem receber……. Enfim, dona MarTAXA deixou um ROMBO nas contas da cidade.

Ilusão de lógica

Retomando um assunto já tratado aqui, reproduzo um excelente artigo:

Iludindo o público

JOSÉ CARLOS DE AZEVEDO

N. WIENER graduou-se em matemática aos 14 anos e doutorou-se em lógica aos 18 na Universidade Harvard. Conhecido como pai da cibernética, contribuiu para outros ramos da ciência e afirmou que as “tentativas de modelar o clima espremendo equações da física em computadores, como se a meteorologia fosse uma ciência exata como a astronomia, estão condenadas ao fracasso”, que a “auto-ampliação de pequenos detalhes frustraria qualquer tentativa de prever o clima” e que “os líderes dessa atividade estavam iludindo o público ao pretender que a atmosfera é previsível”.

Opinião semelhante foi a de J. von Neumann, matemático que contribuiu para a mecânica quântica, as teorias dos jogos e dos computadores, o projeto da bomba de hidrogênio e a previsão do tempo.
Há quase 20 anos, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), órgão da ONU, patrocina a novela do aquecimento global e faz “previsões” sem amparo científico.
Dois grupos distintos cuidam do clima: o dos cientistas, que conhecem a complexidade do problema e procuram decifrá-la, e os “modeladores”, que usam teorias do século 19 e “prevêem” o clima até o final dos séculos.

Este segundo grupo usa computadores colossais, faz projeções e estimativas, fala de indícios e vestígios, já consumiu US$ 50 bilhões e nada contribuiu para elucidar o problema. Quer frear o desenvolvimento mundial e levar países à miséria ao propor a redução drástica do uso de combustíveis fósseis porque, diz ele sem provas, o dióxido de carbono (CO2) gerado pelo homem é o responsável pelo aquecimento. Reduzindo a emissão, acrescenta, o aquecimento no fim deste século será de uns dois graus e a natureza estará salva.
Mais eficazes são as propostas do Voluntary Human Extinction Movement e da Gaia Liberation Front, que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza.
Não há prova que o CO2 é responsável pelo “efeito estufa”, mas é certo que o Sol e a água (nuvens, vapor d’água, cristais de gelo) condicionam a temperatura e o clima na Terra. O IPCC e seus 2.500 “cientistas”, porém, culpam o CO2.

Ocorre que o IPCC não estuda nada: faz resenha de trabalhos publicados, adultera-os quando lhe convém e alardeou a importância de dois deles, o de Michael Mann e o relativo às camadas de gelo extraído na Antártida, em Vostok.

O trabalho de Mann analisou a temperatura na Terra entre os anos 1000 e 1980 e disse que as emissões de CO2 a partir do início da era industrial causaram o maior aumento de temperatura daquele milênio. Pois esse trabalho é uma manipulação de dados e nem falam mais dele. Quanto às camadas de gelo, é certo que o aumento da temperatura antecede o da emissão do CO2, e não o oposto.
A banda de música do IPCC é o filme do Al Gore, cuja exibição foi proibida na Inglaterra por decisão judicial, exceto se mencionar as inverdades que contém: aumento do nível dos mares, morte de corais e ursos polares, Tuvalu, Vostok, malária etc.

Restou ao IPCC citar os 2.500 “cientistas” e o seu “consenso” sobre CO2 “antropogênico”. Consenso não é referencial científico e, se for questão de números, há muitas listas de consensos de cientistas qualificados, identificados e contrários ao IPCC: a de Frederick Seitz, antigo presidente da Academia Nacional de Ciências e do Instituto Americano de Física dos EUA e atual presidente da Universidade Rockefeller e do Instituto George Marshall, por exemplo, tem mais de 32 mil assinaturas. O último relatório do IPCC tem 51.
A compreensão da natureza do clima começou em 1610 com Galileu, descobridor das manchas do Sol. Em 1752, Franklin mostrou que as nuvens têm cargas elétricas. Em 1998, o Instituto de Pesquisas Espaciais da Dinamarca provou a influência da radiação cósmica no clima. Em 2006, o Cern, o maior centro de pesquisas nucleares, cujo acelerador de partículas tem 27 km, criou um consórcio com dezenas de universidades e cientistas para ampliar as descobertas na Dinamarca que provam que o campo magnético do Sol controla a radiação cósmica incidente e, portanto, o clima; e que a passagem do Sol pela Via Láctea explica as glaciações e interglaciações. Os “modeladores” iludem a população e não dizem que o pólo Norte de Marte está derretendo.

Os investimentos em computadores profetas devem ser destinados às pesquisas em biologia. As plantas retiram da atmosfera, por ano, bilhões de toneladas de carbono, e um bom laboratório -a Embrapa, por exemplo-, com um mínimo daqueles US$ 50 bilhões, pode desenvolver plantas que absorvem mais carbono. Elas farão o ar mais limpo e produzirão mais alimentos.

JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO , 76, é doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

Teorias complexas, explicações simples

O texto abaixo foi publicado no Valor Econômico, e trata da assimetria de informações.
Um texto claro, interessantíssimo, que vale a leitura.

O artigo serve como uma excelente introdução a conceitos como “competitividade”, “Teoria dos Jogos” e outras tantas – mas faz isso de uma forma extremamente clara e simples.

Peço ao leitor que, depois de ler, reflita sobre a assimetria das informações. Uma empresa precisaria de uma estratégia competitiva se todos num determinado mercado tivessem acesso às mesmas informações? Concorrentes, clientes, funcionários etc…?

Leia, e reflita:

Carro usado, o taxista e a crise

Por Bernardo Guimarães e Carlos Eduardo Soares Gonçalves, para o Valor
20/06/2008

Lembro-me de minha animação de menino quando meu pai anunciava que ia trocar de carro. O processo de compra de outro carro era para mim empolgante em si: ir às feiras de carros usados, entrar em vários modelos, dar palpite ao meu pai, acompanhá-lo nos testes de direção, etc. Hoje, mais interessante para mim é a semelhança entre os empecilhos ao funcionamento do mercado de automóveis usados e as causas da crise financeira nos Estados Unidos. Ambos tem a ver com o que os economistas chamam de problemas de assimetria de informação.

O problema com o funcionamento do mercado de carros usados não é a qualidade dos carros em si, mas sim o fato de o dono conhecê-la bem melhor do que os potenciais compradores. Dentro do contingente de carros usados existem aqueles bem conservados e outros em mau estado, a depender do cuidado prévio do dono, entre outras coisas. No entanto, é muito difícil para o comprador separar o joio do trigo. Seu pior pesadelo é descobrir apenas três meses mais tarde que o automóvel adquirido estava com a caixa de marchas comprometida!

Mesmo não sabendo separar gato de lebre, o fato de o comprador saber que existem carros bons e carros ruins influencia o montante que ele está disposto a desembolsar na feira de carros usados. Exemplificando com números: se um carro bom para ele vale até R$ 20 mil e um ruim no máximo R$ 5 mil, e há 50% de chance de o carro ser bom, ele não pagará mais do que R$ 12.500 (R$ 20.000 x 0,5 + R$ 5.000 x 0,5) para trocar de automóvel. Infelizmente, a R$ 12.500 um vendedor que tem um carro bom em mãos (e sabe disso) muito provavelmente não vai querer fechar negócio. Assim, na feira sobram apenas os carros ruins.

De sua parte, os compradores entendem perfeitamente essa lógica e, portanto, ou vão embora (os que fazem questão de comprar um carro bom), ou desembolsam R$ 5 mil por um carro que eles sabem ser ruim. Resumo da ópera: não é possível comprar e vender carros bons na feira de carros usados!

O problema informacional caracterizado no exemplo precedente recebe o nome de seleção adversa. Ele ocorre quando antes de a transação ser concretizada, uma das partes possui mais informação do que a outra.

Vejamos outro caso interessante de seleção adversa. Em Nova York o táxi é um meio de transporte muito utilizado. Em Nova York há negros e brancos. Em Nova York, por diversas razões históricas, alguns taxistas nutrem algum grau de preconceito contra os negros. O que é incrível é que, por causa do preconceito inicial de alguns taxistas, mesmo se o porcentual de negros assaltantes na população de NY for igual ao de brancos assaltantes, haverá desproporcionalmente mais negros assaltantes em busca de táxis. Isso, por sua vez, explica por que mesmo um motorista não intrinsecamente racista optará racionalmente por não pegar clientes negros. Vejamos por quê.

O problema é similar ao dos carros usados: o motorista não sabe distinguir ladrão de trabalhador de dentro do carro – antes de a transação ocorrer, quem espera o táxi sabe mais sobre si mesmo do que o taxista. Mas, se a proporção de assaltantes for idêntica dentro dos dois grupos étnicos, o motorista não racista não tem motivos para evitar clientes negros, certo? Errado. Se há um grupo de taxistas preconceituosos, os negros em média esperam mais tempo para conseguir um táxi. Para os negros trabalhadores, isso significa um custo de tempo relevante, levando-os a optar pelo metrô. Resulta que o preconceito inicial que acarreta um custo de espera para o negro trabalhador altera a proporção “negros assaltantes/negros trabalhadores” à espera de um táxi (acontece uma seleção adversa), elevando-a comparativamente à do grupo de brancos. Conseqüentemente, haverá mesmo mais negros assaltantes demandando táxis e em vista disso um taxista não racista racionalmente evitará clientes negros.

No exemplo dos carros usados, a assimetria informacional entre comprador e devedor faz que os carros bons sejam expulsos do mercado pelos ruins. No dos taxistas, assimetria informacional combinada com alguma dose de preconceito inicial faz que os negros trabalhadores sejam substituídos pelos negros assaltantes na fila do táxi.

Outro tipo de assimetria informacional muito estudada pelos economistas – chamada de perigo moral – é aquela que se dá não antes, mas depois de a transação ser efetuada. Concretamente, ela é grave quando uma das partes não consegue monitorar facilmente as ações da outra uma vez celebrado o acordo ou negócio e essas ações afetam de modo significativo o ganho da parte menos informada. O exemplo mais tradicional de perigo moral diz respeito aos contratos de seguro. Depois de assinado o contrato de seguro de um automóvel, os incentivos do dono do carro para dirigir mais prudentemente ou para estacionar no estacionamento fechado, em vez de na rua, diminuem.

Essa mudança de comportamento afeta adversamente o lucro da seguradora, mas é difícil evitá-la, dado que para a seguradora é impossível monitorar de perto o modo de dirigir do segurado e cobrar de acordo com isso (esta é assimetria informacional em questão). Agora o leitor já sabe o motivo da existência da franquia: reduzir os incentivos à displicência do segurado depois de feito o seguro.

Conhecendo os conceitos de seleção adversa e perigo moral, podemos enfim entender a anatomia da crise do subprime, que tem causado muita preocupação nos mercados mundiais. Depois da breve recessão de 2001-2002, o Banco Central dos EUA manteve a taxa de juro em níveis muito baixos por muito tempo visando a restabelecer um crescimento maior e fugir da deflação.

Nesse cenário, muitas instituições financeiras, tendo acesso a recursos a taxas mais baixas – e enfrentando dificuldades de prover taxas de retorno mais gordas a seus depositantes -, optaram por estender empréstimos imobiliários a grupos que antes não tinham acesso a esses créditos. Em conseqüência, piorou a qualidade média da carteira de empréstimos (seleção adversa). Semelhantemente ao caso dos carros usados e dos negros esperando táxi, quando algumas instituições financeiras relaxaram seus padrões de concessão de empréstimos, a qualidade média do devedor piorou. Aí, quando os juros voltaram a subir, uma parte desses tomadores com menor fôlego financeiro não conseguiu honrar suas prestações. A taxa de inadimplência cresceu fortemente – principalmente entre os que se haviam endividado a taxas variáveis – e deu no que deu.

Complicando mais a situação dos bancos, os preços dos imóveis começaram a cair, em parte por causa da alta do juro. Como os imóveis são a garantia dos bancos caso os empréstimos não sejam honrados, a situação se deteriorou mais ainda, dado que não apenas os que não conseguiram repagar entregaram às instituições financeiras garantias (imóveis) com baixo valor de mercado como alguns devedores optaram por estrategicamente inadimplir: melhor entregar um imóvel que vale pouco do que pagar uma dívida mais “salgada” depois da alta do juro.

Isso tudo nos remete à seguinte questão: por que algumas instituições financeiras aumentaram tanto sua exposição em empréstimos para grupos com menor capacidade de repagamento? Em parte pelo dito algumas linhas acima (menor custo de captação), em parte porque o dinheiro que elas emprestam é de terceiros, o que aumenta sua propensão a arriscar.

Nasce justamente aí a justificativa para a regulação bancária e não é à toa que depois da crise do subprime foi retomado o debate sobre a adequação das atuais regras da Basiléia. Mas por que a necessidade de regulamentação pública? Por que os depositantes não monitoram eles mesmos as ações das instituições financeiras? Em parte porque eles não têm as mesmas informações que elas e é custoso adquiri-las e em parte porque o sentimento de que as autoridades governamentais não deixarão as instituições financeiras quebrar caso uma crise ocorra (e há bons motivos para isso, dado o custo enorme das crises bancárias) diminui seus incentivos para monitorar de perto a qualidade dos empréstimos.

No arranjo ideal, o governo garantiria ao depositante que este recuperaria seu dinheiro no caso de uma crise bancária (esse tipo de seguro ajuda muito a impedir que esse tipo de crise ocorra) com a condição de que ele monitorasse de perto as ações da instituição financeira que administra sua poupança. Contudo, similarmente ao segurador de carros, o governo não tem como saber se os depositantes estão ou não vigiando as ações da instituição depois da efetivação do seguro-depósito. Por causa disso, o controle dos indivíduos sobre as instituições financeiras será necessariamente precário se houver alguma expectativa de socorro com dinheiro público caso o pior se materialize.

É por isso que se faz necessária a regulamentação pública no setor financeiro. De fato, a ausência de regulamentação no caso dos Fundos Imobiliários americanos é recorrentemente apontada como fator importante na explicação da crise.

Concluindo, as questões de assimetria informacional estão presentes em diversos contextos socioeconômicos. É no mínimo curioso que o “racismo” de não racistas, as dificuldades nos mercados de carros usados e a crise do subprime tenham tanto em comum.

Carlos Eduardo Soares Gonçalves, professor da FEA/USP, e Bernardo Guimarães, professor da London School of Economics, são autores de “Economia sem Truques” (Campus/Elsevier) e escrevem neste espaço na terceira sexta-feira do mês

Abaixo-assinado contra a CPMF

A Rádio Eldorado está fazendo um abaixo-assinado eletrônico contra a CSS (nova CPMF).

Se você também não concorda com a cobrança deste imposto, acesse o link abaixo e adicione o seu nome à lista! Leva um minuto só!

http://www.radioeldorado.com.br/am/campanha_css/assinaturas.asp

O passado sempre assombra o presente

O tempo passa, e Rei Mulla continua o mesmo: só fala merda.

Pior: atualmente, além de falar, FAZ MERDA.

Para comparar o que ele dizia ANTES, e o que diz HOJE, ficam as sugestões aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. São trechos dos debates das eleições de 1989.

Fica aí a comprovação daquilo que já afirmei inúmeras vezes aqui no blog: os PTralhas no geral, e a Mulla em particular, são uma fraude.