O apagão da incompetência da Dilma e do PT

O setor elétrico brasileiro vive tempos sombrios, graças à latente incompetência do governo federal – o que não deixa de ser uma triste e lamentável ironia, haja vista que Dilma Rousseff elegeu-se calcada na errônea e distorcida visão de que seria uma “gestora” (o termo ainda muito usado é “gerentona”), e que seria particularmente experiente no setor de energia.
 
Assim como seu FALSO doutorado, esta imagem de “gestora” também revelou-se uma mentira.
 
O artigo abaixo trata do apagão jurídico que o setor elétrico vive no país.
Trata-se de uma situação preocupante, mas que não vem tendo a devida atenção.
Deveria!
Saímos do apagão no fornecimento de energia elétrica de anos atrás e nos avizinhamos de um apagão jurídico no setor elétrico.
 
Recentemente foi editada a Medida Provisória 579 que estabeleceu a possibilidade de prorrogação dos contratos de concessão de grande parte do sistema de geração, transmissão e distribuição no país. Envolve cerca de 112 usinas, 73 mil quilômetros de linhas e 37 distribuidoras, o que corresponde a 28% da geração e a 82% da transmissão de energia elétrica no país.
A matriz energética brasileira, a despeito de ser limpa – fortemente baseada em geração hidrelétrica – é uma das mais caras do mundo. A busca normativa foi de redução do custo da energia e a prorrogação dos contratos.
Ocorre que entre essa intenção normativa e a realidade há um abismo que deve ser destacado uma vez que gera importantes inseguranças jurídicas. Dentre outras, pode-se destacar:

1) O instrumento normativo utilizado, a Medida Provisória, caracteriza-se por algo que requer urgência e relevância para seu uso. Inegavelmente trata-se de matéria relevante, mas será urgente? Não haveria tempo suficiente para um debate no Congresso Nacional acerca dessa matéria? O uso de um projeto de lei teria sido mais adequado, ou mesmo a organização de uma licitação, nos moldes preconizados pela Constituição. Essa seria a fórmula jurídica mais adequada para evitar esse impasse, uma vez que as medidas provisórias são um instrumento avesso ao debate parlamentar, lugar adequado para a discussão dos grandes temas nacionais.

2) É indiscutível que o preço da energia elétrica no Brasil é escorchante e aterroriza qualquer empresa que pretenda implantar uma indústria eletro intensiva no país. Atualmente, considerado um universo relevante de países, estamos no desagradável 4º lugar da energia mais cara do mundo. Todavia, em face do aperto tarifário pretendido pelo governo federal existe o risco da obsolescência do sistema. Se a justa remuneração prevista na Constituição não for implementada, como manter o sistema ampliado e funcionando? Eis outro problema que deve ser equacionado. Há uma diferença abissal entre o que se paga e o que se recebe no mundo das tarifas em face dos encargos fiscais sobre o preço final. O consumidor de energia paga caro, mas o produtor/gerador/transmissor dessa energia não recebe todo o valor que o consumidor paga. Entre um ponto e outro existe uma carga fiscal muito grande, que fica com o governo – é o Grande Irmão Estado, sempre presente em todas as transações econômicas. Logo, uma coisa é a redução das tarifas – parte que cabe a quem gera e distribui a energia – outra coisa é a redução dos encargos fiscais – parte que cabe aos governos. Se a tarifa ficar muito baixa, o risco para a manutenção e a necessária expansão do sistema é real.

3) Aqui entra o componente do custo fiscal – diverso do tarifário. Louva-se a redução da carga fiscal, afastando encargos obsoletos sobre a conta de energia. Todavia, o principal custo fiscal sequer foi tocado, que é o ICMS, receita dos Estados. Esse é o custo tributário vilão de toda a história. O governador de São Paulo declarou que 9% de toda a arrecadação estadual provem dessa incidência e que não fará sua redução. Os demais Estados devem seguir a mesma trilha. Aqui há uma frontal infringência à Constituição, pois a energia, como bem essencial que é, deveria receber menor tributação – ao contrário do que ocorre, verdadeiro monopólio fiscal.

4) Na sequência de todas essas incertezas, existe a questão da indenização dos investimentos. O valor de R$ 20 bilhões reservado pelo governo federal para esse mister é um montante respeitável. Todavia, trata-se de uma análise que só caso-a-caso pode ser feita. Por exemplo, será que a usina de Xingó, entregue durante a presidência de Fernando Collor, já foi integralmente amortizada? Só uma avaliação técnico-contábil poderá afirmar isso. Ademais, quais os critérios para ser feita essa indenização? As tarifas previam a amortização de todos esses investimentos? A teoria responde que sim, mas, e a realidade? O montante destacado pelo governo federal é um teto a ser rateado entre as concessionárias ou há mais dinheiro em jogo que ainda não foi destacado?

5) Outro aspecto contestável foi o prazo dado pelo governo federal para que as empresas optassem pela prorrogação dos contratos. A Medida Provisória foi editada em 11 de setembro, concedendo prazo até 15 de outubro (cerca de 30 dias) para que as empresas optassem pela renovação dos contratos. Ocorre que esses contratos não foram divulgados! Ou seja, as empresas deveriam optar pela prorrogação de um contrato cujas cláusulas desconhecem – mas que certamente serão alteradas em face das condicionantes estabelecidas na norma. E a assinatura dos contratos está prevista para 4 de dezembro.

6) Existe ainda a diferença de tratamento entre as várias unidades de negócio das mesmas empresas. Bom exemplo é a Cemig, que tem três usinas que ficaram fora do prazo estabelecido para a renovação das concessões. Entende essa empresa que sua concessão pode ser prorrogadas com base nas normas anteriores, que garantem maior tarifa; o governo federal entende de forma diferente.

7) Por fim, nesse rol, que poderia ser estendido, a intervenção abrupta nos contratos de concessão acabou por fazer desabar o preço das ações das empresas de energia elétrica nas bolsas. Incertezas regulatórias geram incertezas jurídicas, que se traduzem em insegurança nos mercados, refletindo no preço das companhias. A fórmula jurídica adotada acarretou esse problema.

Enfim, esse é, ao mesmo tempo, um terreno fértil para o debate jurídico, um campo minado para o governo federal e algo estratégico para a sociedade. Espera-se que os próximos passos permitam reduzir substancialmente o preço da energia elétrica, com respeito à ordem jurídica. Afinal, tanto o custo da energia quanto a incerteza jurídica fazem parte do famigerado custo Brasil, que se busca reduzir.

Fernando Facury Scaff, doutor em direito e professor de direito financeiro da Universidade de São Paulo, é sócio de Silveira, Athias, Soriano de Melo, Guimarães, Pinheiro & Scaff – Advogados.

A incompetência gerencial da “gerentona” Dilma está custando caro à Petrobras, à Embrapa, e agora tamém às empresas do setor elétrico – sendo que milhares de acionistas destas empresas, obviamente, também estão tendo prejuízo financeiro imediato.

Trecho de matéria do site de Exame (íntegra AQUI) ajuda a quantificar alguns destes prejuízos (grifos meus):
As intervenções feitas pelo governo federal em alguns setores da economia, em nome do aumento da competitividade, já custaram R$ 61,6 bilhões para as empresas. A cifra corresponde ao valor de mercado perdido pelos setores elétrico, bancário e de telecomunicações na Bolsa.
Para especialistas, as incertezas geradas pelas mudanças de regras afugentam investimentos e prejudicam o ambiente de negócios no País. Para o governo, no entanto, essas medidas podem dar uma nova cara à economia brasileira.
Desde o início do ano, as ações das empresas do setor elétrico caíram, em média, 24%. A queda foi de 21,4% nas telecomunicações e de 9,8% nos bancos, revela estudo feito por Sérgio Lazzarini, professor do Insper, e pela assistente de pesquisa Camila Bravo Caldeira. No mesmo período, o índice Ibovespa teve uma queda de apenas 0,8%.
Os Estados também estão receosos com as perdas a que podem ser forçados, graças à abissal incompetência com que vem sendo tratada a questão da renovação das concessões.
 
Isso sem falar nos milhoes de brasileiros que têm sido vítimas de blecautes. Há poucos dias, foram mais de 50 milhões de moradores do Nordeste e do Norte
 
E o que fez a “gerentona” Dilma? DEPOIS do apagão, percebeu que ela mesma havia colocado gente incompetente na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e andou demitindo (leia matéria completa AQUI).

Por que ela não pediu demissão também?

 

Comigo ninguém iPod – David Kupfer

Excelente (como de costume) a coluna do David Kupfer no ValorEconômico de ontem:

A recente entrada em cena do tema do conteúdo local como protagonista do debate mais geral sobre os rumos da política econômica merece ser comemorada em si mesmo, como uma evidência animadora de que, enfim, a agenda macro não mais monopoliza as atenções e que o interesse na discussão de assuntos além de inflação, juros ou câmbio está se reconstituindo no país. Nem tão animadora, porém, é a constatação de que esse debate, embora mais presente, ainda é dominado por posições muito simplistas, que opõem defensores da opção nacional versus a global como se o Brasil se visse obrigado a fazer escolhas binárias, autoexcludentes.

De fato, na perspectiva do sistema fragmentado de produção, também conhecido como especialização vertical, que dá a tônica da organização industrial nos setores mais dinâmicos da indústria contemporânea, haja vista especialmente o que ocorre com as tecnologias microeletrônicas e de informação e comunicação, supor que os países façam ou precisem fazer tal tipo de opção parece extemporâneo ou mesmo ingênuo.

Extemporâneo porque o debate sobre vantagens e desvantagens da produção local versus a global iniciou-se ainda na década de 1980, tendo como marco a experiência, por sinal, fracassada, do carro mundial da GM e esgotou-se em meados dos anos 1990 com o surgimento de diversas soluções mistas bem sucedidas, ditas “glocais”. Um exemplo desse tipo de solução, apenas para ficar no setor automobilístico, foi o modelo do consórcio modular, testado e aprovado na experiência piloto realizada pela VW na fábrica de caminhões montada no Brasil (Resende).

Ingênuo porque opor local e global desconhece a complexidade da manufatura contemporânea, não somente no chão de fábrica mas em tantas atividades que se estruturam no seu entorno com o intuito de fazê-lo funcionar com alta produtividade e inovatividade. Estão nesse caso, etapas vitais como engenharia, projeto de produto, licenciamento de propriedade intelectual, software e diversos outros serviços empresariais, geralmente de alto valor adicionado, muito além dos equipamentos de processo e dos insumos industriais.

Na especialização vertical, as empresas especializam as diferentes fábricas instaladas em diferentes países ou regiões para a manufatura de diferentes produtos. Diversamente do modelo da maquila, no qual as unidades são meras montadoras, a realização descentralizada das atividades produtivas e tecnológicas propicia que cada sistema local de produção cumpra um determinado papel em uma grande cadeia global de valor. Um bom exemplo é a cadeia global de valor do iPod da Apple. Montado na China e vendido no mercado americano, o iPod de 30 giga constituiu um caso meticulosamente estudado em uma pesquisa realizada nos EUA em 2007. Dentre outras conclusões, o estudo permitiu comprovar o fato de que nenhum pais individualmente é fonte da totalidade das inovações incorporadas no produto.

Como resultado, a especialização vertical mostra-se como um modelo superior de organização da produção, não somente devido às suas implicações favoráveis sobre a eficiência industrial. Ela também constitui um modelo de divisão internacional de trabalho que contempla a dimensão nacional, proporcionando aos países a capacidade de se apropriar mais amplamente dos ganhos proporcionados pela atividade industrial, incluindo principalmente os decorrentes das externalidades positivas que comumente acompanham a indústria. Por essa razão, a coordenação eficaz dessas cadeias de valor apoia-se necessariamente na firme adesão dos Estados nacionais, por meio de políticas industriais formatadas com essa finalidade. Não sem razão, é visível o esforço americano visando retomar a atividade industrial em vista da sensação hoje prevalecente de que a transferência da manufatura para a Ásia está trazendo um custo significativo em termos de perda de efetividade do sistema de inovação do país.

Nos anos 1960 ou 1970, os teóricos do desenvolvimentismo costumavam afirmar, corretamente, que um mero aumento do peso da indústria no PIB não seria suficiente para configurar um processo de industrialização. Seria necessário muito mais: a indústria teria que se tornar o centro dinâmico do padrão de crescimento econômico, o que significa exercer um papel motriz no modelo de desenvolvimento. Isso exigia, à época, uma crescente internalização da indústria pesada, especialmente os bens de capital, indutores do progresso técnico requerido para a firme expansão da produtividade.

Por essa razão, uma rápida expansão industrial, mesmo que condição necessária, poderia não ser suficiente para configurar um processo de industrialização. Exemplos muito claros de mais indústria sem industrialização eram proporcionados por países que experimentaram rápido crescimento da produção baseado na exploração de mão de obra barata, geralmente em setores ligados às indústrias tradicionais ou, posteriormente, na constituição de maquilas, que são indústrias restritas à montagem local de partes e componentes inteiramente importados.

De modo análogo, na atualidade, a mera redução do peso da indústria no PIB não deve ser considerada como evidência suficiente para configurar um processo de desindustrialização. É necessário que outras transformações no padrão de crescimento da economia tenham lugar e, principalmente, que a atividade industrial perca capacidade de constituir o núcleo dinâmico da economia. No século XXI, evitar essa possibilidade deve ser a “rationale” das políticas de conteúdo local.

David Kupfer é professor e pesquisador licenciado do Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ (GIC-IE/UFRJ) e assessor da presidência do BNDES. Escreve mensalmente às segundas-feiras. E-mail: gic@ie.ufrj.br/ http://www.ie.ufrj.br/gic. As opiniões expressas são do autor e não necessariamente refletem posições do BNDES.

http://www.valor.com.br/opiniao/2785688/comigo-ninguem-ipod#ixzz23ZqXB3VV

A crise do Brasil e as oportunidades que ela traz

O artigo da articulista do Wall Street Journal MARY ANASTASIA O’GRADY não poderia ser mais claro e direto – coisa que, na maioria das vezes, a imprensa brasileira evita, para puxar o saco do Lulla, da Dilma, e de quem decide a liberação de verbas:

O amor adolescente que os administradores de fundos tinham pelo Brasil está se esvaindo. À medida que o crescimento econômico fica aquém das expectativas, esse latino corpulento que foi objeto da afeição dos investidores está começando a parecer rude e imaturo.

Agora a relação comercial mais importante do país, com a vizinha Argentina, está emperrando. Isso deve dar mais dor de cabeça à economia.
O Brasil ainda promete bastante, graças na maior parte ao seu capital humano. Suas instituições permaneceram em pé nos últimos anos ainda que os aliados ideológicos mais próximos do partido governante, o Partido dos Trabalhadores — aliados esses que estão no poder na Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Argentina — destruíram as bases institucionais nos seus próprios países. Um julgamento das supostas práticas corruptas de membros do PT do ex-presidente Lula da Silva, marcado para o mês que vem, demonstra a separação saudável entre os poderes. A inflação baixa também deu força à classe média.
Mas aí há o estado monstro, que intervém em tudo, consome os recursos e torna impossível o tipo de crescimento de baixo para cima liderado pelos empreeendedores. Particularmente preocupante hoje é a agressiva expansão do crédito canalizada para privilegiados escolhidos pelo banco de desenvolvimento brasileiro, o BNDES.
A Argentina está numa situação pior ainda. Ela flertou com os mercados nos anos 90. Mas, desde a desvalorização do peso de 2002, sucessivos governos argentinos vêm se comportando como amantes rejeitados, sendo hostis e vingativos com os investidores. Os contratos e os direitos de propriedade praticamente não significam nada num tribunal argentino.
As coisas podem facilmente degringolar ainda mais para os habitantes de ambos os países se, como parece provável, a união de livre comércio do cone sul, o Mercosul, que inclui ainda o Paraguai e o Uruguai, se dissolver. No longo prazo, o fim do Mercosul será uma boa coisa se isso levar seus membros a abrir seu comércio para o resto do mundo. Mas, no curto prazo, com tantas indústrias fortemente comprometidas com as regras do Mercosul, um rompimento seria certamente prejudicial.
O problema mais recente para o Mercosul começou no mês passado, quando o Congresso do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Fernando Lugo. Lugo era um aliado de Hugo Chávez. Para o ditador venezuelano, foi mais um sinal de que seu movimento regional bolivariano chegou ao limite e que seus opositores vêm tendo cada vez mais sucesso nas investidas contra ele — como eles fizeram ao remover Manual Zelaya da presidência de Honduras, em 2009. Assim, quando Lugo foi retirado do poder, Chávez entrou em ação, mobilizando seus aliados através de canais diplomáticos para isolar e punir o novo governo do Paraguai.
Um efeito material do ativismo de Chávez foi a decisão do Mercosul de suspender “politicamente” o Paraguai, que se opôs à entrada da Venezuela no grupo. Depois da suspensão, o Brasil votou junto com a Argentina e o Uruguai para admitir a Venezuela.
O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa fez comentários duros sobre a decisão. Como presidente do conselho de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Barbosa ressaltou que o voto violava o tratado do Mercosul. O Paraguai, disse ele numa entrevista no Rio de Janeiro, foi suspenso mas ainda é um membro e assim tem o direito de vetar a entrada da Venezuela. Ele também alertou que a Venezuela criaria problemas políticos: Como lidar com “a questão de Israel, por exemplo, que tem um acordo com o Mercosul mas não mantém relações diplomáticas com a Venezuela?”.
O fiasco venezuelano foi apenas o espinho mais recente nas relações comerciais com a Argentina. Um problema mais grave que Barbosa mencionou foi a maneira casual com que Buenos Aires viola o tratado de livre comércio dentro da união e a sua tarifa externa comum. “Os ministros e tecnocratas brasileiros viajam para a Argentina e fazem acordos, mas mais tarde esses acordos acabam presos nas mãos do [secretário de comércio da Argentina] porque tudo [na Argentina] vira uma questão política.” A Argentina, previu ele, “será responsável pelo fim do Mercosul”.
Segundo o jornal venezuelano “El Universal”, Barbosa também criticou a nacionalização da petrolífera argentina YPF, que pertencia antes à espanhola Repsol. Essa decisão, disse ele, vem prejudicando o bloco do Mercosul porque aumentou o sentimento de insegurança do investidor na região.
As infrações da Argentina também são causadas, neste ponto, pela falta de reservas estrangeiras. Apesar do esforço cada vez maior para suprimir importações e empregar controles estritos de capitais, há o risco de uma crise na balança de pagamento.
Ainda assim, existem oportunidades nessa área também. O Mercosul cria mais comércio entre fronteiras dentro da união. Mas, graças às tarifas externas desta, isso acontece às custas do comércio com países fora da união, o qual poderia gerar mais valor. Isso importa menos para o Brasil, com seu grande mercado interno, do que para os membros menores. Se o Paraguai for inteligente, vai tirar proveito da suspensão para ignorar a união e procurar fazer livre comércio com o resto do mundo. Aliás, isso também não seria uma má ideia para o Brasil.

As consequências nefastas da politicagem rastaquera do PT na Petrobras

Já escrevi, algumas vezes, sobre a Petrobras (por exemplo, AQUI, AQUI e AQUI). Mais especificamente, sobre o uso político descarado que o PT sempre fez da Petrobras.

Desta vez, contudo, a coisa é diferente.

A partir de agora, está vindo à tona uma parte das consequências do aparelhamento da empresa pelo PT – que locupletou-se nos quadros de uma empresa com mais de 80 mil empregos disponíveis para sustentar uma corja de incompetentes que deveriam estar presos ou desempregados, e não refastelando-se nos quadros de uma companhia séria – e que precisa manter-se competitiva, num setor econômico marcado por altíssimos investimentos e tempo de maturação e investimentos bastante longo.

Sugiro que o leitor reveja o que eu escrevi AQUI, antes de prosseguir.

Agora, vou transcrever alguns trechos de uma extensa matéria do ValorEconômico da última terça-feira, dia 26/06 (a íntegra, restrita a assinantes, está AQUI). Aproveitando, como é meu costume, destacarei alguns trechos:

Ao detalhar ontem o plano de investimentos de US$ 236,5 bilhões da Petrobras, a presidente da companhia, Graça Foster, apontou que a estatal vinha divulgando metas que sistematicamente descumpria, convivia com falta de planejamento, controles insuficientes e ineficiência operacional. As antigas projeções de produção, consideradas irrealistas pelo mercado e, agora, assumidas pela nova administração, indicou a presidente, contavam com a sorte para serem atingidas.

“Não é possível considerar milagres na hora que tem demanda forte mundialmente e também dentro do Brasil”, disse a presidente da Petrobras ao apresentar todas as metas de produção não cumpridas desde 2003.

O discurso ouvido ontem indicou que a companhia costumava adquirir antecipadamente equipamentos de projetos ainda não aprovados em todas as fases. Foi o que Graça deu a entender quando se referiu a diversos projetos da empresa, incluindo refinarias. Procurado, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, secretário de Planejamento da Bahia, disse ao Valor que não ouviu a apresentação de Graça porque estava em uma celebração da independência do Estado e, por isso, não iria comentar.

No quesito atrasos, a refinaria do Nordeste, que está sendo construída em Pernambuco, vai ficar pronta só em novembro de 2014, com três anos de atraso e preço US$ 3,7 bilhões acima do planejado (US$ 13,362 bilhões).

Em certo momento da apresentação de ontem, Graça Foster disse que os atrasos não são uma regra geral nos projetos da Petrobras. “Existem fatos, dados e números que mostram que a grande maioria de nossos projetos, projetos importantes, têm sido concluídos a contento. Existem pontos fora da curva”, afirmou a executiva, citando em seguida a refinaria de Pernambuco, da qual a venezuelana PDVSA tem 40% mas está com dificuldades para oferecer garantias ao BNDES.

A autonomia dos novos diretores é mais restrita agora, como fez questão de ressaltar. “O diretor não tem autorização de, por si, decidir fazer investimentos acima daquilo que está previsto para resolver o problema de desempenho do projeto. Evidentemente estou falando dos grandes projetos da companhia, responsáveis pela produção, responsáveis pelo escoamento do petróleo e gás produzidos”, afirmou Graça.

A Petrobras vai investir US$ 43,7 bilhões no desenvolvimento da produção de petróleo na área da camada pré-sal entre 2012-2016. O valor responde por 49% dos investimentos previstos na área de desenvolvimento da produção da petroleira no período, de US$ 89,9 bilhões. No total, a área vai receber 131,6 bilhões no Brasil até 2016, o equivalente a 60% do investimento da companhia. A área internacional ficará menor. Com investimentos de US$ 10,7 bilhões, tem várias ativos que poderão ser vendidos. E os investimentos que surgirem terão que ser mais rentáveis do que qualquer projeto no Brasil para serem levados adiante.

Também descumprida, a meta de desinvestimento de ativos da Petrobras, agora de US$ 14,8 bilhões, será executada esse ano, como garantiu o diretor financeiro, Almir Barbassa. Ele citou como exemplo o desbloqueio de R$ 4,5 bilhões em recursos usados como garantias para a Petros. “É tão importante quanto aumentar o preço da gasolina”, afirmou Graça Foster. “É como se fosse um projeto de produção de petróleo ou gás natural”.

Obviamente, a nova presidente da Petrobras usou seus eufemismos (algo perfeitamente compreensível) para não dizer, com todas as letras, o que já é sabido: o uso político que o PT fez da Petrobras reduziu sigificativamente a capacidade competitiva da empresa.

pt quebra petrobras

Neste sentido, acho relevante citar, também, o excelente editorial do Estadão desta quarta-feira (27/06):

Há duas grandes novidades no plano de negócios anunciado pela presidente da Petrobrás, Graça Foster, para o período de 2012 a 2016. Em primeiro lugar, as novas metas e os cronogramas são mais realistas que os apresentados nos planos anteriores. A produção nacional de petróleo, por exemplo, deverá chegar a 2,5 milhões de barris diários em 2015, meio milhão abaixo da previsão adotada até o ano passado. Em segundo lugar, o novo planejamento consagra uma visão crítica dos padrões da administração passada e implantados no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início da gestão petista, como indicou a presidente da empresa, a Petrobrás jamais conseguiu alcançar as metas fixadas. Mais de uma vez, durante sua exposição, ela mencionou o apoio do “controlador” – isto é, do governo Dilma Rousseff – aos novos critérios.

Uma das condições agora levadas em conta é a convergência dos preços cobrados internamente com os preços internacionais dos combustíveis. Esse ponto foi ressaltado tanto pelo diretor financeiro, Almir Barbassa, quanto pela presidente da estatal. O recém-anunciado aumento dos preços da gasolina (7,8%) e do óleo diesel (3,9%) ficou abaixo do considerado necessário por muitos analistas. A diferença foi mal recebida no mercado de capitais e segunda-feira as ações da empresa caíram mais de 8% na bolsa, queda maior que a de novembro de 2008, no pior momento da crise financeira. Prevaleceu entre os investidores, mais uma vez, a visão de curtíssimo prazo. Se a nova administração agir de acordo com os critérios indicados na apresentação do plano, o crescimento da Petrobrás será mais seguro do que seria com os padrões dos últimos nove anos.

Para realizar os investimentos de US$ 236,5 bilhões previstos no plano de negócios a empresa precisará de preços mais realistas e, portanto, novos aumentos serão necessários, como deixaram claro os diretores da estatal. O compromisso com resultados também foi reforçado. Isso explica a revisão de cronogramas, como o do complexo petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e de outras refinarias.

Pela nova previsão, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, só começará a funcionar em 2014, com atraso de um ano am relação à data prevista no último planejamento. O custo passará de US$ 13,4 bilhões para US$ 17 bilhões. A associação negociada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega venezuelano, Hugo Chávez, até agora deu em nada. Nenhum centavo foi pingado pela PDVSA. A presidente Graça Foster mantém, segundo afirmou, a esperança de ver concretizada a participação venezuelana. No entanto, ela mesma descreveu esse projeto como um exemplo a ser analisado para nunca se repetir.

Erros desse tipo só serão evitados, no entanto, se o governo brasileiro abandonar os padrões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele usou a Petrobrás para seus objetivos políticos no Brasil e no exterior. A aliança com o presidente Chávez é parte dessa história, assim como sua reação mansa e cordata quando instalações da empresa foram ocupadas militarmente na Bolívia.

Curiosamente, a nova presidente da Petrobrás defende a política de conteúdo nacional para os equipamentos comprados pela empresa. Essa política, segundo ela, atende às necessidades da empresa. Os riscos, no entanto, são tão evidentes quanto o erro de fazer da Petrobrás, uma das maiores petroleiras do mundo, um instrumento de política industrial. Em março, a presidente Graça Foster declarou-se preocupada com os atrasos na entrega de navios encomendados ao Estaleiro Atlântico Sul e com problemas tecnológicos.

O primeiro navio encomendado a esse estaleiro, o petroleiro João Cândido, foi lançado pelo presidente Lula em maio de 2010. Quase afundou, passou por reformas e só foi entregue dois anos mais tarde. Política industrial baseada em favorecimento e voluntarismo dá nisso. Se reconhecerem esse fato, a presidente Dilma Rousseff e sua amiga Graça Foster talvez consigam se livrar – e livrar o País – de alguns dos piores costumes consagrados no governo anterior, como o aparelhamento da administração, o voluntarismo, o favorecimento a grupos econômicos e a mistificação populista.

O Reinaldo Azevedo teceu alguns comentários sobre este editorial do Estadão (e sobre a situação da Petrobras como um todo), e um deles é este:

Aplauda-se a decisão de Graça Foster de tentar trabalhar com números mais realistas. E a fantasia não era pequena, não! Até o ano passado, estimava-se que a produção diária de petróleo seria de 3 milhões de barris em 2015. Estamos praticamente no segundo semestre de 2012. Essa expectativa foi reduzida em estratosféricos 500 mil barris, quase 20% a menos. Não é uma correção trivial. Esse tipo de coisa, todo mundo sabe, não obedece à lógica do chute, não! Há gente competente para fazer esse tipo de cálculo. Mas não há cálculo que sobreviva à obstinação da má fé política.

Assino embaixo!

Se há alguma pretensão de tornar a Petrobras uma empresa realmente de nível mundial, é preciso reduzir drasticamente (ou, idealmente, eliminar – contudo isso é praticamente impossível, salvo se for privatizada) o uso político rastaquera que o Lulla e seus asseclas do PT sempre fizeram com a pobre Petrobras.

Por que a APAS é tão burra?

Acompanhando, nesta semana, o desenrolar da questão das sacolinhas plásticas nos supermercados de SP (já trato disso), hoje minha grande dúvida é a seguinte: POR QUE A ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS É TÃO BURRA?
Burra mesmo. Não há outra palavra possível.
Primeiro, conforme já mostrei AQUI, fica bastante claro que a população não aprovou a (ridícula e hipócrita) idéia de banir as sacolinhas dos supermercados.
Agora, o Ministério Público concluiu que a ação é ilegal também, na medida em que ela impõe “só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis“.
Trocando em miúdos, a APAS quer que os supermercados façam propaganda enganosa dizendo-se defensores do meio ambiente enquanto o consumidor é quem paga a conta – por algo que ele NÃO aprova.
Finalmente (e agora sim o leitor vai entender porque não existe outra palavra para qualificar a APAS senão “burra”), surge esta idéia brilhante de “vales” para as sacolas retornáveis….
Por que complicar tanto a vida do cliente, APAS?
Por que não voltar ao modelo anterior, com as sacolinhas gratuitas ?
Por que a APAS odeia tanto o cliente?
Transcrevo, a seguir, os trechos mais relevantes das recentes notícias (a íntegra está AQUI).

Os supermercados vão propor que clientes que tiverem que comprar sacolas recebam um vale no mesmo valor da embalagem, que poderá ser descontado numa próxima compra. A medida procura compensar o consumidor pelo fim das sacolinhas plásticas gratuitas. As sacolas vão custar de R$ 0,10 a R$ 0,20, valor que será reembolsado.

As medidas vêm em resposta ao Conselho Superior do Ministério Público, que na quarta-feira concluiu que os lojistas deveriam criar condições para compensar os clientes pela perda do benefício de receber sacolinhas gratuitas.

Na quarta-feira, o Conselho Superior do Ministério Público não aceitou o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado em fevereiro entre supemercados, Procon-SP e Ministério Público que previa o banimento das sacolas plásticas dos estabelecimentos.

Para o conselho, o TAC não garantia o “equilíbrio entre fornecedor e consumidor, no mercado de consumo, impondo só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis”.

Segundo o documento de recusa, nenhum ônus foi atribuido ao fornecedor, “a quem, muito pelo contrário, tem se utilizado da propaganda de protetor do ambiente diante da população”.
OPÇÃO ÀS SACOLINHAS
Em maio de 2011, supermercados e governo assinaram acordo para reduzir a distribuição de sacolas. Desde abril, 1,1 milhão deixou de ser distribuído.

“Caso a proposta não seja considerada adequada, os supermercados deverão oferecer uma alternativa não onerosa ao consumidor para o acondicionamento das compras”, disse, em nota, o Procon-SP.

Procon-SP e Ministério Público devem analisar nesta sexta-feira as medidas apresentadas pela Apas.

Os supermercados que tiverem o mínimo de visão de mercado vão deixar a APAS falando sozinha.
Rapidinho.

[ATUALIZAÇÃO de 25/06/2012]

O supermercados devem voltar a distribuir de graça sacolas plásticas aos consumidores no Estado de São Paulo.
Decisão da Justiça desta segunda-feira (25) determina que sejam tomadas as providências necessárias para o retorno do fornecimento de embalagens adequadas e em quantidades suficientes em 48 horas. Cabe recurso.
A juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital, decidiu que está “proibida a cobrança por embalagens para acondicionamento de compras” e que as empresas têm 30 dias para fornecer, também gratuitamente e em quantidade suficiente, embalagens de material biodegradável ou de papel adequadas, sem cobrar nada.
Em sua decisão, Cristófaro disse que a interrupção da distribuição grátis das sacolinhas “nitidamente onera desproporcionalmente o consumidor”.
Ela ponderou que “é notório que a prática comercial costumeira é do fornecimento do lojista de embalagem para que o consumidor leve consigo as mercadorias que adquire”.
Ela disse que o fim do fornecimento de sacolas pelos supermercados para os consumidores “causou tamanha estranheza”.
Ela deferiu ação civil pública movida pela Associação Civil SOS Consumidor contra a Apas (Associação Paulista de Supermercados) e os supermercados Sonda, Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour.
GRUPO SONDA
O Grupo Sonda de supermercados confirmou nesta segunda a distribuição gratuita de sacolas plásticas biodegradaveis em duas lojas da rede em São Paulo, Pompeia (zona oeste) e a Maria Cândida, no Carandiru (zona norte).
Segundo a empresa, o fornecimento gratuito começou no sábado por conta do alto índice de reclamação dos consumidores. Os gerentes das demais 22 lojas estão autorizados a analisar cada caso e fornecer sacolas.

Incapacidade gerencial de Lulla e Dilma arruinou a Petrobras

Em Janeiro de 2008, eu havia escrito o seguinte:

No ano passado, muitos PTistas fizeram um verdadeiro “carnaval fora de época” quando a Petrobrás anunciou descobertas de campos de petróleo e gás natural.Bom, como a empresa existe, basicamente, para produzir energia (de qualquer fonte), uma ótima notícia, sem dúvidas.
Porém, como de costume, tentou-se fazer os coitados ignorantes que sustentam Rei Mulla em seu trono que aquelas descobertas teriam alguma relação com supostos méritos do PT. Aí a mentira grassava.

Duas notícias publicadas em 1999, na FOLHA e no ESTADÃO, tratam de descobertas de um campo de petróleo. Os méritos de ambas as descobertas (tanto a de 1999 como as de 2007) NÃO são dos governos, nem dos governantes – mas sim da Petrobrás. Trocando em miúdos: não foi o FHC quem descobriu petróleo em 1999, assim como não foi o Lulla que descobriu petróleo em 2007.
Foi a Petrobrás.

Porém, muita gente sem cérebro comemorou as descobertas de 2007 como se fossem méritos do PT. Muita ignorância !

Uma empresa no setor petrolífero, como é o caso da Petrobras, precisa fazer investimentos altíssimos, de longo prazo, para colher frutos. A despeito da inserção de um bando de sindicalistas de bosta nos quadros da Petrobras (e de outras estatais, registre-se) desde 2003, a empresa ainda detém um know-how mundialmente reconhecido em exploração de petróleo no mar; os investimentos feitos hoje somente começaram a trazer resultados em 5 anos ou mais, jamais antes.

Isso precisa ficar claro, porque muita gente foi bombardeada com propagandas políticas mentirosas, que associavam as descobertas da Petrobras à “administração” (sic) do PT. Balela.

A matéria da Folha (de 22 de Setembro de 1999, na íntegra para assinantes aqui) eu reproduzo abaixo, e destaco o trecho em que FHC remeteu-se a 1971 para tratar do êxito da Petrobras (grifos meus):

Petrobras descobre megacampo
O presidente Fernando Henrique Cardoso, a diretoria da Petrobras e o ministro Rodolfo Tourinho (Minas e Energia) anunciaram ontem a descoberta de um “megacampo” de petróleo na bacia geológica de Santos.

Cálculos preliminares da empresa estatal indicam que o campo tem um potencial de extração entre 600 milhões e 700 milhões de barris de óleo ultraleve, em prazo estimado de 20 anos. O valor dessa produção é avaliado em US$ 10 bilhões.
O presidente Fernando Henrique Cardoso interrompeu a sua agenda política -estava conversando com deputados do PPB- ontem no início da noite para receber a diretoria da Petrobras.

Em seguida, convocou a imprensa para anunciar a descoberta. “Quero aproveitar a oportunidade porque acho que notícias dessa natureza devem ser sublinhadas. O esforço é longo -vem desde 1971-, mas agora é que foi coroado de êxito”, disse FHC.
Segundo a Petrobras, o óleo encontrado é de boa qualidade e de um tipo ainda inédito no país. Foi localizado em profundidades de 3.828 a 4.148 metros. Regionalmente, o poço fica a 165 km a sudoeste da cidade do Rio e a 300 km da cidade de São Sebastião, no litoral paulista.

O diretor da Petrobras José Coutinho Barbosa afirmou que a extração pode começar em um ano e meio ou dois anos. O maior campo de petróleo brasileiro hoje fica na bacia de Campos e tem um potencial de 2,2 bilhões de barris.
“Também queria cumprimentar a Petrobras porque nós estamos marchando com mais celeridade. Ainda mais agora, que nós temos competição, para que vejam como a competição é positiva. Àqueles que temiam pela Petrobras -eu nunca temi, sempre achei que a Petrobras tinha condições de enfrentar o desafio da competição- (essa descoberta) demonstra a capacidade técnica da Petrobras”, disse o presidente da República.

Moral da história: novamente Lulla roubou os méritos. Eles são da Petrobras, e não do PT ou do Lulla.

Em 30 de Março de 2012, o Valor informou o seguinte (grifos meus também):

A Petrobras pretende importar 80 mil barris por dia de gasolina em média em 2012. O volume supera em cerca de 20 mil barris por dia o montante importado em 2011.
Segundo o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, nos dois primeiros meses de 2012, a importação de gasolina foi 34% superior a igual período de 2011. A importação de diesel, na mesma comparação, subiu 10%.

Finalmente, em 05 de Abril de 2012, o blog do Augusto Nunes aponta:

Com o título Lembranças da OPEP, o jornalista Carlos Brickmann, sempre brilhante, publicou em sua coluna a seguinte nota:

Lembra quando o Brasil se tornou autossuficiente em petróleo, ia mudar a matriz energética do mundo com o álcool, teria todos os problemas resolvidos com o pré-sal? Bom, o álcool está aí, mas o Brasil o importa dos EUA (aquele álcool que era antieconômico, lembra?). Quanto à autossuficiência em petróleo, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informa que vamos importar 80 mil barris diários de gasolina. Traduzindo os números: de 1969 a 2009 não precisamos importar gasolina. Em 2009 voltamos a importar, nove mil barris por dia. Em três anos, a importação se multiplicou quase por dez.

Volto para a constatação: conjugados, o excesso de idiotia e a falta de memória garantem a mansidão bovina de milhões de brasileiros. A manada se contenta com pouco, acredita em tudo e não cobra nada.

Os anos estão passando, e o PT está, cada vez mais, arruinando o imenso potencial da Petrobras.
Lamentável.

Zara e as falácias de Responsabilidade Social e Empresarial

Em agosto de 2011, a Zara foi uma das empresas mais citadas no noticiário – e não apenas naquele especializado em negócios. Um programa de TV apresentou denúncias sobre o uso de mão-de-obra escrava para redução de custos de produção.
Algumas matérias para relembrar daquele momento podem ser vistas AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Na época, pode-se dizer que foi um escândalo – e não faltaram pessoas se dizendo horrorizadas, propondo boicote à empresa etc.
Pois bem, o que foi que aconteceu de lá pra cá?
Sugiro que o leitor interessado veja os resultados financeiros da empresa que é dona da Zara, a Inditex:
A empresa espanhola Inditex, dona da Zara e de outras varejistas de moda, registrou lucro líquido de 1,9 bilhão de euros no ano fiscal de 2011, terminado em 31 de janeiro. O valor representa um aumento de 12% em relação a 2010.

As vendas líquidas da companhia cresceram 10%, chegando a 13,8 bilhões de euros, na mesma base de comparação. As vendas no conceito mesmas lojas, estabelecimentos com no mínimo um ano de atividade, aumentaram 4%.

O lucro antes da juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 10%, alcançando 3,2 bilhões de euros. A margem Ebitda permaneceu praticamente estável, em 23,6%, frente 23,7% no ano anterior.

As despesas operacionais também subiram 10%, para 4,9 bilhões de euros, principalmente como resultado da expansão da área de vendas e da abertura de novas lojas.

A Inditex terminou 2011 com 5.527 lojas, 483 a mais do que no ano anterior, considerando as nove bandeiras com as quais opera. Só na China foram 132 novos pontos de venda. A companhia chegou a cinco novos mercados no ano passado: Austrália, Taiwan, Azerbaijão, África do Sul e Peru. No Brasil, a empresa tem 32 lojas Zara.

Em 2012, a Inditex espera abrir entre 480 e 520 lojas. Cerca de 70% dos novos contratos já foram assinados, mas algumas aberturas podem não ocorrer ainda este ano, comunicou a companhia.A Inditex informou que vai abrir uma loja virtual da Zara na China no próximo inverno. A Inditex vende pela internet apenas em 18 mercados europeus, nos Estados Unidos e no Japão.

FONTE: Valor Econômico (21/03/2012)

Para quem quiser esmiuçar os resultados financeiros do grupo, eis AQUI o relatório que compreende o período de fevereiro de 2011 a janeiro de 2012.
A Inditex, em seu site de relações com investidores, informa todo aquele lenga-lenga de responsabilidade social, sustentabilidade etc…. O interessado em ficção (de baixa qualidade) pode divertir-se AQUI.
Entretanto, como a realidade encarregou-se de provar, esse blablabla de responsabilidade social empresarial não passa de blablabla para enganar xiita-chaato.
Quem efetivamente assegura o crescimento de vendas e lucros da Zara não mudou seus hábitos de compra por causa das denúncias de mão-de-obra escrava. Pelo visto, as ameaças de boicote não resistiram à verdade: pouquíssimas pessoas se importam com o uso de mão-de-obra escrava.

A hipocrisia da responsabilidade social segue em alta!

Hyundai investindo bilhões em 2012

Recentemente, tenho lido muita coisa sobre a Hyndai e, inobstante, mesmo sem LER, tenho visto muita coisa sobre ela graças ao pesadíssimo investimento que a empresa vem fazendo em mídia no Brasil. Nos últimos 3 anos, a Hyndai acabou se tornando um dos maiores anunciantes do país.

Há algum tempo, numa aula, um aluno perguntou se a Hyndai não seria um exemplo de empresa que inovou, que inverteu um mercado e surpreendeu a concorrência. Seguiu-se uma discussão sobre as demais fabricantes de automóveis, especialmente as orientais – japonesas, chinesas e coreanas.

Ok, a Hyndai tem investido MUITO, e em nível global – investimentos em propaganda (aliás, o volume de investimentos em mídia, no Brasil, acarreta um rateio bastante duvidoso considerando o total de vendas da Hyundai no país), em logística, em produção, e também P&D. Isso é inegável.

Em diversos países, ademais, ela conseguiu transformar estes investimentos em resultado: gahou participação de mercado.

Porém, quais as perspectivas para a empresa, em médio e longo prazos?
Ela vai conseguir trilhar caminho semelhante àquele trilhado pela Toyota ou pela Honda?
Quando as vendas da Hyndai no Brasil começaram a crescer, essencialmente graças ao Tucson, um SUV relativamente barato, escancarou-se um problema que pode ser fatal para uma montadora: pós-venda.

O pós-venda da Hyndai no Brasil é vergonhosamente ruim e caro. Ok, o pós-venda da GM, da Fiat, da Volks e da Ford também são ruins e caros. Mas a Hyndai conseguiu levar a acepção do termo “ruim” a patamares até então inexistentes. Falta de peças, preços exorbitantes, discrepância nos planos de manutenção e funcionários sem nenhum preparo eram as coisas mais comuns na rede (pequena) da empresa – que, no Brasil, é representada pela Caoa.

Por seu turno, antes de colherem resultados expressivos em termos de market-share, Toyota e Honda ganharam reconhecimento por dois fatores: (1) confiabilidade mecânica e (2) assistência no pós-venda de qualidade.
A Hyundai, por outro ldo, optou por ganhar mercado com base em PREÇO – seus carros, via de regra, têm preços alinhados a modelos de categoria inferior. Trocando em miúdos, a Hyndai oferecia um carro com motorização e equipamentos capazes de posicioná-lo a enfrentar Mercedes, BMW ou Audi, mas com preços próximos de Civic, Corolla e Vectra (já falecido).

Esta foi a razão do sucesso da Hyndai no Brasil (e, via de regra, em diversos outros mercados, inclusive Estados Unidos). Contudo, o gargalo não demorou a surgir: o consumidor comprava um carro relativamente barato, mas tomava um susto na revisão, ou ficava a ver navios quando precisava de uma peça (importada, caríssima, e cujo prazo de recebimento/entrega poderia obrigar o cliente a ficar MESES sem seu carro).

Como se não bastasse, o crescimento da empresa também trouxe problemas com sindicatos e empregados insatisfeitos. Isso é comum na fase de crescimento de QUALQUER montadora – basta ver o caso da GM nas décadas de 1980 e 1990.

Resumidamente, creio que a Hyundai precisa mudar seu foco. Se ela quer, de fato, gahar mercado de forma sustentável, e não apenas temporária, passageira, ela precisa acertas suas escolhas estratégicas (trade offs). Preço não fideliza. Que tal investir em qualidade, especialmente no atendimento?

Tenho a impressão de que os produtos em si são até bons, na média (exceção feita, claro, ao Tucson, que é feio, tecnicamente está na década de 1990, e já está na fase de declínio no CVP), mas o pós-venda devastadoramente ruim (inclusive em preços) e a falta de visão de longo prazo podem atrapalhar.

Mensurando a qualidade do atendimento ao cliente

Depois de quase TRÊS SEMANAS, consegui resolver o problema com a SKY (ver início dos problemas AQUI).
Para atualizar aquele post, transcrevo algumas das mensagens trocadas com a empresa desde o dia 12/05 (novamente, as minhas mensagens estão em azul, e as respostas da SKY em vermelho):

Cássio,Neste sábado, recebi uma ligação do atendente Washington, que me disse que o sinal havia sido liberado no último dia 12.Aparentemente, não foi. Testei a recepção dos canais abertos em HD, através do SIM23, e não foi possível localizar nenhum canal.Pelo visto, o problema continua.

A solução não é complicada, não. Basta a SKY gerar uma nova OS, pedir à NEON SERVICE para dar baixa, e pronto.
Na semana passada, eu fiz isso (depois de falar com quase uma dezena de pessoas), e deu certo.

Continuo no aguardo da solução do problema, para que depois a SKY faça a correção nos valores cobrados, pois eu não vou pagar por um serviço que não foi prestado.

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Prezado Sr Carlos,
Primeiramente pedimos desculpas pelos transtornos ocorridos .
1 ) Peço desculpas se foi informado de que não poderíamos solucionar o ocorrido, já que temos uma área especial somente para tratamento de questões técnicas. Qualquer solicitação

será encaminhada para a mesma .
2 )Nós responsabilizamos por tudo o que esta descrito no contrato .
3 ) Na verdade o correto é encaminharmos a reclamação para a área responsável que entra em contato com a prestadora de serviços que tem a obrigação de cumprir o que informa a

SKY e repassamos ao cliente. Porém, tenha certeza de que quando isso não ocorre, tomamos as medidas necessárias conforme normas internas ;
4 ) Porém, os valores cobrados indevidamente foram revertidos em sua fatura do dia 15/05 .
Por favor, anote o protocolo desse atendimento:1422570906
Em caso de dúvidas ou novas solicitações Acesse o Chat SKY. Atendimento 24 horas.
Obrigado por utilizar o Atendimento On-Line SKY.Leliane Torres

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Prezado Carlos,
Realizado tentativa de contato telefônico porém sem sucesso.
Desta forma conforme contato com sua mãe, foi combinado contato após 15:00 horas referente ao problema de sinal em sue equipamento.
Estamos à disposição para futuros esclarecimentos.
Por favor, anote o protocolo desse atendimento:1422588664.

Em caso de dúvidas ou novas solicitações Acesse o Chat SKY. Atendimento 24 horas.
Obrigado por utilizar o Atendimento On-Line SKY.Atenciosamente,Cíntia/Equipe Sky 

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Prezado Sr. Carlos,

Em resposta ao seu e-mail, tentamos contato telefônico, porém sem êxito.

Constatamos que o caso também foi acompanhado pela Rede Social Twitter, aonde foi realizado o contato hoje, o qual foi confirmado o funcionamento do equipamento.

Queremos nos desculpar por não atendê-lo de acordo com suas expectativas.

Atenciosamente,
_______________________________________________________________________Escreva-nos sempre que desejar, estaremos à disposição.
SKY HDTV É ISSORMJESUS

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Eu evitei o contato telefônico com a SKY propositadamente. Nos dias 6, 7, 8 e 9 de Maio passei tempo demais ao telefone me irritando com a SKY, então resolvi usar, a partir dali, o e-mail. Isso também é útil para documentar a absurda quantidade de erros cometidos pela empresa, inclusive para resguardar ações jurídicas futuras.
Nesta terça-feira, um técnico verificou que houve um erro na instalação original: o técnico que veio no dia 06/05 ficou mais preocupado em falar ao celular do que em instalar uma tal antena interna e, segundo o técnico que veio ontem, essa seria a causa dos problemas de recepção dos canais abertos. Contudo, não fiquei plenamente satisfeito com esta resposta, uma vez que o outro aparelho HD que tenho em casa, instalado há mais de um ano, não possui a tal antena interna e, mesmo assim, pega muito bem os canais abertos em HD.Mas esperar uma explicação convincente e/ou satisfatória por parte da SKY, ou mesmo dessa NEON SERVICE, seria esperar demais. Já desisti.
Finalmente, dizer que o atendimento da SKY não atingiu minhas expectativas seria um eufemismo exacerbado. O atendimento não atendeu o mínimo LEGAL, pois a SKY insistiu em transferir sua responsabilidade para a prestadora contratada (que, por sua vez, prestou um serviço péssimo).
Quanto à minha expectativa, ela era bastante baixa: receber o serviço contratado (que já foi cobrado na minha fatura de 15/05, mesmo antes de ser prestado). Contudo, mesmo uma expectativa tão baixa não foi atendida, pois o nível do serviço da SKY está abaixo do ínfimo.A partir de hoje, a SKY passa a integrar o rol das empresas que eu desprezo, em virtude da sua incompetência para oferecer um atendimento no mínimo respeitoso ao cliente. Uma pena, pois a DirecTV era muito boa inclusive neste quesito.
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Após todas estas mensagens (sem mencionar as ligações que eu recebi), alguns pontos ficam bastante claros:


1) Como a empresa acha que vai conseguir fortalecer o relacionamento com o cliente se a cada mensagem um funcionário diferente assina a mensagem (sem contar as que não têm assinatura nenhuma)? O cliente se senta falando com NINGUÉM. 
Interessante notar que NINGUÉM se responsabiliza por nada! Impessoalidade total, desta forma o cliente tem que explicar o problema 10, 15 vezes, para 15 atendentes diferentes….


2) Todas as mensagens que eu enviei, foram com cópia ao responsável (???) pela ouvidoria, o tal Senhor Vito Chiarella – que jamais dignificou-se a responder nada.
Fica, pois, a pergunta: CADÊ A OUVIDORIA DA EMPRESA???????? EXISTE??????


3) Com tantos problemas semelhantes aos meus, chego à conclusão INSOFISMÁVEL de que a SKY tem problemas sérios para cumprir o que promete. POR QUE, ENTÃO, O TEMPO PASSA E NADA MUDA????





Com o tempo, vou verificando que os problemas acarretados pela incapacidade da SKY em gerir o relacionamento com o cliente são mais comuns do que se possa imaginar. Tenho encontrado pessoas no Twitter, enfrentando problemas semelhantes, e percebo que os erros da SKY são não apenas constantes, mas GRAVES.
Os vídeos abaixo dizem tudo: