Novo produto, mesma estratégia

E ontem, dia 12, foi lançado o novo modelo do iPhone, o 5 (que foi precedido pelo iPhone, iPhone 3G, 3GS, 4 e 4S).
A web está repleta de “reviews” e opiniões sobre o produto em si – que não vou comentar (mas recomendo a leitura deste “overview” AQUI).
 
Quero comentar brevemente algumas coisas que me chamam a atenção na estratégia da Apple.
 
1) PREÇO – A Apple, há anos, mantém a mesma estratégia de precificação (premium, ou seja, cobra mais caro por um produto de qualidade superior, sempre considerando o valor percebido pelo cliente). Agora não é diferente: dado o lançamento do novo modelo do iPhone, o modelo 3GS foi descontinuado, e os 2 modelos remanescentes na linha (4 e 4S) tiveram seus preços reduzidos, enquanto o novo modelo “herdou” o mesmo preço praticado até ontem para o 4S.
 
Veja a imagem abaixo, extraída do site da Apple (acesso direto através DESTE LINK, que inclusive traz um interessante comparativo entre as características dos modelos 4, 4S e 5):

 

Vemos ali as opções de 16, 32 e 64 Gb de memória do iPhone 5, variando de 199 a 399 dólares 1a coluna à esquerda), enquanto o modelo 4S (na coluna do meio) teve seu preço reduzido a 99 dólares, e o modelo 4 está “gratuito” (tudo considerando um plano de 2 anos).
 
Basicamente, o que a Apple está dizendo é: cobramos caro, sim. Mas você vai ter o melhor PRODUTO (experiência resultante da soma do hardware com o software)
 
 
2) PRODUTO – Interessante notar que o hardware (aparelho celular) é novo, com tela maior, mais fino e outras coisinhas mais. Contudo, ficou EXTREMAMENTE parecido com o modelo anterior (4S). Isso é bom, pois a Apple criou um padrão de mercado com o lançamento do modelo 4 (apresentado pelo Steve Jobs). O padrão ainda não foi batido, e a Apple segue dominando o quesito layout – isso sem mencionar a qualidade dos materiais empregados.
 
Aqui posso oferecer meu testemunho pessoal: no ano passado fui pesquisar algumas opções para trocar de celular, e comparei o Samsung Galaxy II (ainda não havia sido lançado o III) com o iPhone 4S. Decerto o Samsung tem diversas qualidades, mas o fato é que o tamanho exagerado e o excesso de plástico (em detrimento do vidro e alumínio usado no iPhone) dão uma impressão de um aparelho mais frágil. Não espero um acabamento tão pobre num aparelho top de linha.
 
Pelo que vi, o iPhone 5 continua sendo o aparelho com mais cara “top de linha” do mercado, incluindo Samsung, Motorola, LG etc.
 
Além disso, a Apple vende, na verdade, DOIS produtos em um, a saber, hardware + software. Foi lançado o novo hardware, mas em alguns dias os proprietários de modelos anteriores (3GS, 4 e 4S) poderão fazer a atualização do software, o iOS6. GRATUITAMENTE.

 

 

A Apple, assim, reforça a impressão de oferecer ao cliente SEMPRE o software mais atual – quesito no qual seu maior concorrente, o Android (Google) falha miseravelmente. A versão Ice Cream Sandwich do Android foi lançada em 2011, mas a maioria dos aparelhos vendidos hoje AINDA traz alguma versão anterior. A “próxima” versão do Android, Jelly Bean, mesmo já tendo sido lançada, ainda não é oferecida em nenhum aparelho!
 
3) COMUNICAÇÃO – A capacidade que a Apple tem em gerar mídia espontânea é FENOMENAL. Não me recordo de nenhuma outra empresa, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, que tenha conseguido usar tão bem a publicidade gerada por jornalistas ensandecidos publicando em blogs, revistas, jornais, twitter, facebook e no diabo à quatro os detalhes, os “furos”, os rumores etc….
 
Parece que ao mencionar a Apple, a vendagem dos jornais (ou revistas, ou audiência do blog ou site etc) vai disparar – o que, obviamente, não é verdade.
Daqui a uma semana, com os primeiros aparelhos do novo modelo sendo vendidos ao consumidor final, vai começar nova rodada de rumores sobre o iPhone 6 (ou vai ser chamado 5S? Vai ter tela de quantas polegadas? O carregamento da bateria será através de telepatia? E por aí vai…).
Os rumores só vão acabar quando for lançado o novo modelo – daqui a 1 ano, mais ou menos.
 
Interessante notar que a Apple não deixa mais que o evento de apresentação do produto seja transmitido (via TV, internet etc). Com isso, ela consegue o seguinte:
 
  • Antes do evento, instala-se o desespero para tentar “adivinhar” quem acerta mais rumores;
  • Durante o evento, é uma briga para oferecer as novidades em primeira mão, chegando a congestionar twitter, sites, blogs etc;
  • Depois do evento, a própria Apple disponibiliza a íntegra da apresentação em vídeo, para quem quiser assistir (se você quiser ver, está AQUI).
 
Ao fazer estas 3 “coisinhas”, a Apple garante que haja um “buzz” constante – ou seja, ela estará sendo mencionada milhares (quiçá milhões!) de vezes, gerando burburinho sem parar!
 
 
4) CONCORRÊNCIA – Só para comprovar a superioridade de mercado e de estratégia da Apple: 2 dias antes do lançamento do iPhone 5, a Samsung ofereceu seu modelo top de linha, o Galaxy S3, por 100 dólares no mercado americano. Repetindo: 100 dólares.
Só para relembrar: quando a Samsung lançou o Galaxy SIII, o que a Apple fez?
NADA.
RIGOROSAMENTE NADA.
Isso mostra que a empresa confia no seu produto e no seu preço (resumindo, na sua OFERTA DE VALOR). O concorrente vai lançar um produto novo? Ok, deixe lançar. O meu produto seguirá tendo demanda, e no meu tempo eu lançarei o meu novo modelo.
De certa forma, um “foda-se” para a Samsung…
 
 
Antes que me chamem de “Apple-boy” ou algo do gênero: sim, tenho um iPhone (4S), estou muito satisfeito com ele, mas, no geral, estas observações aqui NÃO são de um proprietário puxando o saco da marca (ou “evangelizador da marca”, como preferem alguns).
Relatei aqui apenas algumas impressões, pelo que acompanhei ao longo desta quarta-feira.
 
A Apple tem, nos últimos anos, acertado muito mais do que errado.
Houve alguns poucos tropeços, mas os sucessos da empresa da maçã são muito maiores.
Obviamente a Apple não pode “dormir em berço esplêndido”, mas hoje ela está, sim, muito acima da concorrência.
 
A Nokia, coitada, se abraçou com a afogada Microsoft para afundarem juntas (inobstante a força da Micro$oft em alguns mercados, em telefonia ela é fraca demais).
A Samsung está tentando copiar a Apple para, quem sabe, um dia, superá-la. Ainda não conseguiu (mas tem chances).
 
E o resto….bom, é só o resto.

 

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