A falta que faz a GESTÃO

Há algum tempo estou para escrever sobre este imbróglio das obras para a suposta Copa do mundo de futebol, a ser realizada (talvez) no Brasil, em 2014.
Não passa um único dia sem que algum jornal (ou revista, ou portal noticioso) revele algum atraso, algum problema, falta de dinheiro etc.

O fato concreto, hoje, é o seguinte: a escolha do Brasil para sediar a Copa foi ruim. Aliás, PÉSSIMA. Sob todos os aspectos.

Houve apenas e tão somente uma pessoa que teve algum benefício com isso. Chama-se Dilma Rousseff.
De resto, o país só tem a perder.

O que se viu, após o anúncio da escolha da sede, foi uma briga política – e, pior, BURRA – sobre as cidades-sede: em quais estádios ocorreriam os eventos de abertura e encerramento, os jogos etc.

Quem me conhece sabe que eu não entendo NADA, rigorosamente NADA de futebol. Quero continuar assim.
Porém, a questão central não é o futebol. Trata-se, isto sim, da absoluta e completa falta de GESTÃO que temos visto há quase um ano, desde a escolha do país a sediar a tal Copa.

O governo federal não se responsabiliza; os governos estaduais e municipais, idem. Um empurra para o outro o ônus, mas todos, TODOS, disputaram a tapa o bônus: usar eleitoralmente a escolha do Brasil.

Para grande parte da população, especialmente a menos informada (nem vou falar escolarizada), o fato de o Brasil sediar a Copa parece ser algo bom. Na verdade, não é.

São Paulo, por exemplo, não tem infra-estrutura para sediar sucessivos jogos grandes: a taxa de ocupação de hotéis tem oscilado na casa dos 90-95%; o número de táxis é insuficiente para atender a população residente (pior ainda quando há um aumento súbito e forte da população flutuante); ônibus e trens estão caindo aos pedaços, além de estarem acima da capacidade também; o metrô está bastante acima da capacidade (especialmente a linha vermelha), e tem alcance restrito, e baixa capilaridade. Como se não bastasse, o trânsito faz com que nós, paulistanos, percamos horas improdutivas diariamente – até em finais e semana, e horário que antes eram garantia de ruas livres, como 22hs.
Além disso, nos últimos 2 anos, a cidade tem sofrido pequenos apagões de energia elétrica (nem vou discutir as causas, apenas ater-me-ei aos fatos), e o abastecimento de água é igualmente volátil, pouco confiável.

E tudo isso é constatado na maior cidade do país, a mais desenvolvida, em tese.
A mania de grandeza aliada à falta de bom senso daqueles que defenderam tão ferrenhamente a inserção do Brasil como candidato a sede da Copa (Lulla à frente) levaram o país a pleitear DOZE cidades-sede, quando os EUA, por exemplo, com uma infra-estrutura muito melhor e menor desequilíbrio entre suas cidades/estados tiveram “apenas” NOVE cidades-sede.
Ora, se a cidade de SP, em tese mais desenvolvida e com melhor infra-estrutura, não comporta um evento deste porte, o que poderá ser dito de cidades infinitamente menores? Cidades que seque têm metrô?! SP tem pouco (para o tamanho da necessidade), mas tem – o que é muito mais do que se pode dizer de várias outras cidades-sede.

E os estádios?
Reportagem de capa da Veja desta semana é esclarecedora: as obras, que deveriam ser geridas de forma centralizada, estão todas abandonadas, entregues ao deus-dará. Tudo responsabilidade do Abreu…..

Toda esta questão da Copa passa, inegavelmente, pela mais pura e completa falta de GESTÃO.
Os custos das obras necessárias são uma imensa incógnita – sendo o inexistente estádio do corinthians o mais perfeito exemplo: em uma semana, a estimativa total passou de 650 milhões o que já é MUITO dinheiro) para mais de 1 BILHÃO de reais, o que é uma cifra astronômica, simplesmente ABSURDA mesmo.
O BNDES, graças à acepção mais rasteira e ordinária do termo “política”, especula-se, vai financiar cerca de R$ 400 milhões (volume ainda não confirmado totalmente), mas o clube NÃO tem condições de pagar isso! Basta verificar o balanço patrimonial do clube.
Qualquer empresa que procurasse o BNDES, com uma balanço daqueles, pedindo 400 milhões, levaria um imenso “NÃO” na cara. Afinal, uma empresa que apresenta um EBITDA de pouco mais de 12 milhões vai pleitear 400 milhões???????? COMPLETA FALTA DE BOM SENSO!!!!!
Porém, devido à sanha de fazer politicagem rasteira, de puxar o saco da Dilma e do Lulla, o BNDES vai abrir as portas e emprestar (ou DAR?) dinheiro a rodo, para quem quiser.

Como se não bastasse, o governo federal transfere ao estado de SP a responsabilidade de arcar com a recém anunciada diferença de valores (algo como módicos 350 MILHÕES de reais), tentando jogar o problema no colo do adversário político; o mesmo ocorre com a Prefeitura….. E, assim, forma-se um ciclo vicioso – que tende a ser repetido em outras cidades/estados.

Novamente: pura e absoluta falta de GESTÃO.

Esta Copa vai entrar para a história.
Como um vexame de proporções bíblicas.

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