A vergonhosa ignorância de Dilma Rousseff

Direto e reto ao editorial do Estadão desta quarta-feira, 26/01/2014, com grifos meus:

Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.

Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros – e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.

Logo na abertura do discurso na sede do Conselho da União Europeia, Dilma disse que o Brasil tem interesse na pronta recuperação da economia europeia, “haja vista a diversidade e a densidade dos laços comerciais e de investimentos que existem entre os dois países” – reduzindo a UE à categoria de “país”.

Em seguida, para defender a Zona Franca de Manaus, contestada pela UE, Dilma caprichou: “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (…). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo – derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (…)”. Assim, graças a Dilma, os europeus ficaram sabendo que Manaus é a capital da Amazônia, que a Zona Franca está lá para impedir o desmatamento e que as árvores são “plantadas pela natureza”.

Dilma continuou a falar da Amazônia e a cometer desatinos gramaticais e atentados à lógica. “Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger.” É possível imaginar, diante de tal amontoado de palavras desconexas, a aflição dos profissionais responsáveis pela tradução simultânea.

Ao falar da importância da relação do Brasil com a UE, Dilma disse que “nós vemos como estratégica essa relação, até por isso fizemos a parceria estratégica”. Em entrevista coletiva no mesmo evento, a presidente declarou que queria abordar os impasses para um acordo do Mercosul com a UE “de uma forma mais filosófica” – e, numa frase que faria Kant chorar, disse: “Eu tenho certeza que nós começamos desde 2000 a buscar essa possibilidade de apresentarmos as propostas e fazermos um acordo comercial”.

Depois, em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu – isto é, alhos e bugalhos. “Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet.”

Há muito mais – tanto, que este espaço não comporta. Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários – um vexame para o País.

Sim, a ignorância de Dilma Rousseff (deveria-se pronunciar Ruin-sseff) é vergonhosa.

Eu digo isso há tempos. E já provei, inclusive com vídeos igualmente vexatórios, AQUI.

Ao ler este editorial (que depois repercutiu em outras publicações), lembrei de uma situação, ocorrida antes da (fatídica) eleição da Dilma Ruin-sseff.

Eu tinha ido, com um amigo, a um bar. Ele convidou uma amiga dele, que levou a namorada, e em dado momento esta amiga contou que esteve alguns dias antes num evento, em algum lugar que eu não me recordo (e não tem nenhuma relevância), fazendo a tradução simultânea de uma série de palestras. Ela é professora de espanhol, e frequentemente trabalha como tradutora em eventos. Dilma Ruin-sseff era uma das palestrantes, e falava, à época, como Ministra.

Qual não foi minha surpresa ao ouvir esta pessoa, sentada à minha frente, elogiando a “inteligência” da Dilma !

O fato é que venderam uma imagem de que a Dilma tem “perfil técnico”, e muita gente comprou!

Há alguns meses, troquei alguns tuítes com um correspondente da Reuters no Brasil, Brian Winter, depois que o rapaz classificou Dilma como sendo parte da “elite” no Brasil. Em seu perfil no twitter, se diz “Dilma profiler”, ou seja, um jornalista que pesquisa determinada pessoa com (espera-se) profundidade. A conversa (ou parte dela, já que o twitter não faz um controle muito bom destas conversas) pode ser vista AQUI.

Resumindo, foi mais ou menos isso: devido a um artigo na Veja daquela semana, o Brian tuitou algo que colocava Dilma e FHC como membros da elite que chegaram à Presidência. Eu questionei quais os critérios dele para enquadrar Dilma como “elite”, ao que ele respondeu isso:

Tweetbot 24
Ou seja: como Dilma vem de uma família rica, frequentou escolas/universidades boas e não consegue chutar uma bola de futebol (ironia evidente), ela é “elite”.

Firefox 3

Tweetbot 23

Tweetbot 22

Tweetbot 21

Em suma, o que eu apontei é que a Dilma jamais teve carreira acadêmica, jamais teve qualquer relevância nem na academia nem em qualquer área específica fora da academia – diferentemente de FHC, Professor da USP/Sorbonne/Bronw, Senador, Ministro, Presidente. Ele apontou que ela chegou ao cargo de Ministra mais jovem do que FHC.

Eu disse que ela não passava de um burocrata de nível médio (enquanto trabalhou no Rio Grande do Sul), que chegou ao Ministério não devido à sua competência na área, mas por circunstâncias políticas (e, registre-se, FHC também não foi nomeado Ministro da Economia devido à sua reconhecida capacidade como economista, haja vista que ele NÃO é economista).

Enfim, o que me deixa curioso é por que exatamente algumas pessoas supostamente inteligentes, críticas, compram essa bobagem mal-embalada de que Dilma é uma “técnica competente”.

A única área que, dizia-se, ela dominava tecnicamente é justamente o setor de energia.

E a Petrobrás está numa pindaíba horrível (inclusive com um caso monstruoso de propinas na época em que Dilma era do Conselho de Administração da estatal), as empresas elétricas estão sofrendo devido aos sucessivos desastres na condução do setor (ainda bem que, segundo o correspondente da Reuters, Brian, poucas pessoas entendiam mais do setor elétrico do que a Dilma!), há riscos de racionamento e apagões estão frequentes etc…

Comentários

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s