Petrobras continua sendo prejudicada pela gestão temerária do PT

Começo direto com a notícia do Valor Econômico (íntegra AQUI), com grifos meus:

A produção de gasolina no Brasil caiu 10,3% entre janeiro e junho de 2015, comparado com o mesmo período do ano passado, apesar da entrada em operação da Refinaria do Nordeste (Rnest), que é especializada em diesel mas foi desenhada para utilizar 30% de sua capacidade para produzir gasolina. O que se vê nos dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) é que mesmo com a queda de 5,3% no consumo aparente do combustível no período, foram importados 1,97 milhão de metros cúbicos (m3) de gasolina nos seis primeiros meses de 2015, um aumento de 50,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

a produção de gasolina nas refinarias brasileiras caiu na mesma comparação. De janeiro a junho de 2014 foram produzidos 14,79 milhões de m3 de gasolina A, que é o combustível puro antes da adição de álcool. Em junho do ano passado a produção foi de 2,58 milhões de m3 mas esse nível de utilização não foi mantido. Até junho deste ano a produção acumulada foi de 13,27 milhões de metros cúbicos.

O que os números mostram é que não foi possível aproveitar o “fôlego” trazido pela queda do consumo provocado pelo freio na atividade econômica para reduzir importações desse combustível. O consumo aparente é resultado da soma da produção com importações, deduzidas as exportações do produto. Ao invés de reduzir importações de gasolina, a estatal continuou recorrendo ao mercado externo para suprir a menor produção interna de suas refinarias.

Mesmo com essa estratégia comercial da Petrobras de frear a produção das refinarias, o dispêndio do Brasil com importações de gasolina no período – a maioria feita pela estatal apesar de outros agentes também importarem – foi 12% menor no primeiro semestre deste ano (US$ 838, 7 milhões), contra US$ 953,3 milhões em igual período do ano passado.

Para Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), a redução da produção no parque de refino da Petrobras tem razões econômicas. “A arbitragem entre os preços nacionais e internacionais em 2015 criou um prêmio que fez ser melhor importar do que produzir. Já em 2014 a situação era inversa, ao invés de prêmio, havia defasagem de preços no Brasil”, afirma Pires.

O economista continua explicando que no ano passado, com o petróleo custando na faixa de US$ 100 o barril, era melhor utilizar a capacidade máxima das refinarias importando o mínimo possível, já que os combustíveis eram vendidos aqui com defasagem nos preços. “Em 2015 ela ganhou mais dinheiro não produzindo e sim importando. Se antes realizava uma perda com a defasagem, agora ela realiza um ganho”, afirma Pires. Ele observa ainda que 2014 as refinarias estavam operando no limite e agora acha que o critério de utilização pode ser mais seguro.

Em junho, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, mencionou as exportações de gasolina como exemplo de retração do mercado ao responder sobre a possibilidade de novos reajustes. Na ocasião Bendine observou que a Petrobras estava fazendo exportação de uma carga de gasolina, dado que a expectativa de demanda [interna] era baixa. Em maio foram exportados 59.516 metros cúbicos de gasolina, o maior volume desde janeiro do ano passado, mas comparado com o conjunto do comércio da estatal, esses volumes não são expressivos.

Já as importações de gasolina começaram com 360,137 mil m3 em janeiro e aumentaram para 411,488 mil m3 em abril, voltando a descer em junho para 224 mil.

Sem explicar exatamente porque está produzindo menos, a Petrobras respondeu ao Valor que o nível de processamento das refinarias é definido mensalmente, buscando o melhor resultado econômico para a empresa. E que entre os fatores considerados estão os preços dos diferentes petróleos e derivados importados e exportados; a previsão da demanda de combustíveis a ser atendida pela Petrobras. E ainda a disponibilidade dos ativos de refino e logística, considerando paradas para manutenção; as paradas para manutenção; e o nível de produção de petróleo nacional, entre outros. “Cabe ressaltar que a Rnest está maximizando a produção de diesel”, esclareceu a empresa.

Apesar das importações de gasolina terem aumentado, no geral o déficit da balança comercial brasileira de derivados – excluídas importações de gás natural – registrada pela ANP melhorou. Até junho, considerando todos os derivados de petróleo que entraram ou saíram do país, a balança registrou déficit de US$ 3,45 bilhões. Resultado de gastos de US$ 6,086 bilhões com importações, deduzidas receitas de US$ 2,63 bilhões com exportações de derivados. Apesar do resultado ainda negativo, houve uma redução de 28,6% do déficit da balança de derivados de petróleo na comparação com o acumulado de janeiro a junho do ano passado, quando o déficit registrado foi de US$ 4,838 bilhões.

Já os dados do Ministério do Desenvolvimento referentes a junho mostram que no primeiro semestre a Petrobras foi a maior importadora do Brasil, muito à frente da segunda colocada, a Samsung. Nos seis primeiros meses de 2015 a estatal importou US$ 10,43 bilhões, 43,85% menos que os US$ 18,8 bilhões dos seis primeiros meses de 2014. No mesmo período as exportações renderam US$ 4,7 bilhões, representando uma queda de 21,55% em relação ao ano passado. A maior exportadora foi a Vale.

Como eu já escrevi neste blog diversas vezes, a Petrobras foi e continua sendo vítima de duas ações do PT: gestão temerária e uso político.

Petrobras perde valor com Dilma

Para quem quiser uma demonstração clara e inequívoca da gestão temerária do PT, fiz AQUI um comparativo entre a situação da Petrobras em 2002 (último ano de FHC na Presidência) e 2013 (depois de 2 mandatos de Lula e 1 de Dilma, o período da desgraça).

Mas a situação da Petrobras só piora, graças ao PT: em virtude do balcão de corrupção em que o PT transformou a Petrobras, o elefante estatal ineficiente está pior do que sempre foi. Atualmente, achar mais petróleo – algo que qualquer empresa petrolífera adoraria! – virou algo ruim (íntegra AQUI):

Com problemas de caixa, a Petrobras adiará o início da operação da maior descoberta de petróleo feita no Brasil após o pré-sal. A instalação da primeira plataforma em águas profundas de Sergipe era prevista para 2018, mas ficará para a próxima década, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo. Com oito descobertas comunicadas à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apenas nos últimos 12 meses, a região é considerada a próxima fronteira petrolífera nacional.

De acordo com projeções extraoficiais, há pelo menos 3 bilhões de barris nas descobertas feitas na região, o que equivale a um quinto das reservas provadas no país ao final de 2014. A estatal previa duas plataformas para a região nesta década: a primeira, com início das operações em 2018 e a segunda, em 2020. O novo Plano de Negócios da empresa, porém, não faz menção às unidades.

A Petrobras confirmou o adiamento em nota enviada à Folha. “Os projetos continuam na carteira da Petrobras, em data posterior a 2020 sem prejuízos à curva de produção prevista no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 da companhia”. A Petrobras tem como sócios nos projetos as indianas OGNC e IBV Brasil, joint venture entre Bharat Petroresources e Videocon Industries.

Isso é o PT em ação, senhoras e senhores!

Petrobras: a queda monumental

E a notícia espalhou-se ontem: a Petrobras, tragada pela desastrosa combinação de gestão temerária e corrupção do PT, sofreu uma queda vertiginosa no ranking das maiores empresas do mundo. Conforme relata o Estadão (íntegra AQUI):

Envolvida em escândalos de corrupção, crise financeira e atrasos nas divulgações contábeis, a Petrobrás caiu da 30ª para 416ª colocação entre as maiores empresas globais na lista anual publicada pela revista americana Forbes. A lista considera a estatal uma das “maiores perdedoras” em 2015 entre as 2.000 empresas analisadas. A revista classificou a “turbulência” da petroleira como um “conto preventivo” para empresas de mercados emergentes, que nos últimos anos vinham ganhando terreno na lista. Em 2012, a Petrobrás ocupou a 10º colocação entre as empresas, diante da expectativa com a exploração das reservas do pré-sal. No ano seguinte, a companhia já havia caído para a 20ª posição.
A queda expressiva da posição da companhia é explicada pela revista como decorrente de “escândalos contábeis e de corrupção”. A revista analisou os dados apresentados pela estatal no seu balanço anual de 2014, publicado no último dia 22. Os ativos da Petrobrás foram avaliados em US$ 298,7 bilhões, uma queda de 7% em relação ao registrado no ano anterior. A companhia foi avaliada em US$ 44,4 bilhões – quase a metade do registrado em 2014, de US$ 86,8 bilhões.
Entre as grandes petroleiras do mundo, a estatal brasileira está posicionada abaixo de suas principais parceiras. A Exxon é a mais bem colocada, na sétima posição, com um valor de mercado de US$ 357 bilhões. A PetroChina vem logo na sequência, com US$ 334 bilhões em valor de mercado. Shell aparece na 13ª posição, com valor de mercado de US$ 195 bilhões. Já a Chevron, Total, BP e Statoil figuram, respectivamente, nas posições 16ª, 35ª, 41ª e 103º. Empatada com a Statoil aparece a chinesa CNOOC, parceira da Petrobrás na área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

Quem quiser, pode ler o texto original da Forbes AQUI.

petrobras1Eu venho escrevendo há algum tempo sobre a Petrobras, pois ela demonstra de forma cristalina o desastre causado pelo PT no Brasil. É importante deixar claro que os problemas não começaram agora – eles estavam escondidos, embaixo do tapete. Porém, a sujeira mais cedo ou mais tarde acaba se revelando. A partir de 2014 as cagadas monumentais do PT vêm saindo debaixo do tapete – apenas e tão somente porque não havia mais tapete suficientemente grande para esconder tanta sujeita, tanta corrupção, tanta incompetência.

Eu já demonstrei AQUI que a Petrobras piorou a partir de 2003. É preciso registrar que sob FHC e o PSDB, a Petrobras poderia ter sido muito melhor administrada, mas pelo menos ela não estava sendo vítima de gestão temerária, coisa que foi imposta à estatal por Lulla – especialmente quando ele nomeou dois gestores desastrosos para presidentes da Petrobras. O mais desastroso dos dois, aliás, foi o sindicalista José Sérgio Gabrielli. Merece o prêmio de pior arremedo de gestor do Século.

E não foi apenas a Forbes a desnudar a combinação de corrupção e incompetência do PT na Petrobras. Depois que o balanço de 2014 foi divulgado, o excelente site O Antagonistareportou:

A Economist comentou os números da Petrobras: “Limpar a Petrobras (e o sistema político do Brasil) é uma tarefa de longo prazo. No curto prazo, a empresa está focada na sobrevivência, com a queda da produção, o preço do petróleo baixo, o dinheiro escasso e uma conta salgada para desenvolver seu ativo mais valioso: o pré-sal. Os empréstimos contraídos pela administração anterior deixaram a Petrobras como a empresa mais endividada do mundo, e quando o escândalo de corrupção estourou, ela se tornou um pária dos mercados de capitais. O futuro da empresa, porém, não se limita à sua gestão. Os políticos devem não só parar de roubar: eles devem também se abster de interferir.
O partido da presidente Dilma Rousseff, o esquerdista PT, obrigou a Petrobras a vender gasolina importada com prejuízo. O governo insiste que a Petrobras deve assumir a liderança no desenvolvimento dos campos do pré-sal – uma tarefa para a qual ela pode ter o conhecimento técnico, mas não a capacidade financeira. Alguns destes problemas vão cair no colo da Shell. A gigante anglo-holandesa acaba de comprar a BG, que é uma grande parceira da Petrobras. A Shell tem o dinheiro e a tecnologia para tocar os projetos, mas precisa tomar muito cuidado num país em que a presunção é sempre punida”.

Como se percebe, os problemas da Petrobras são muitos, variados. Celso Ming, no Estadão (íntegra AQUI) fez um bom resumo dos problemas mais graves:

A síntese do balanço auditado da Petrobrás e dos reconhecimentos explícitos e implícitos que o acompanharam é a de que o prejuízo produzido pela incompetência ou, simplesmente, pelos erros de administração foi substancialmente maior do que a corrupção. E que os estragos produzidos pelas políticas do governo foram ainda mais graves do que os da incompetência. As baixas contábeis atribuídas às perdas por corrupção ficaram nos R$ 6,2 bilhões. Enquanto isso, as atribuídas por diferença patrimonial (impairment) foram de R$ 44,6 bilhões. Essa diferença de valor patrimonial teve duas origens: decisões equivocadas, omissões e atrasos nos projetos de investimento; e perda de preço por fatores de mercado.

Os erros foram ainda mais desastrados quando se leva em conta, em primeiro lugar, o sangramento, desde 2008, de cerca de R$ 60 bilhões em seu caixa, conforme cálculo do ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. Foi provocado pela política de preços de dumping a que a empresa foi submetida, inferiores até aos que ela própria pagou com importações de combustíveis. E, em segundo lugar, pela imposição de custos mais altos para cumprir exigências de conteúdo nacional em equipamentos. A presidente Dilma, que nesta sexta-feira afirmou que a Petrobrás “superou os seus problemas de gestão” com a divulgação do balanço, vinha repetindo que era preciso defender a empresa dos seus inimigos. Pelo efeito predatório exposto oficialmente no balanço, os maiores inimigos foram as políticas adotadas até agora e os erros de administração. Muitos critérios utilizados no balanço ainda serão questionados. É difícil de fazer, por exemplo, uma distinção entre baixas por impairment e baixas por corrupção. Impairment, ou a deterioração de valor, pode acontecer por incompetência administrativa ou simples perda de valor de mercado por baixa de preços. Nas refinarias, incompetência e corrupção se combinam. […]

O endividamento líquido da estatal, agora de R$ 282,1 bilhões, equivalente a quase cinco vezes sua capacidade de gerar recursos com seus negócios, tem de ser revertido porque é insustentável. Desinvestimento e capitalização seriam caminhos naturais para isso. No entanto, alguns dos principais ativos da Petrobrás, as refinarias, não têm condições de ser revendidos. Não há quem os compre, porque a política de preços dos combustíveis não é confiável.

Em entrevista a esta Coluna na quinta-feira, o presidente da empresa, Aldemir Bendine, garantiu que os preços dos combustíveis seguirão a paridade externa e que já há interessados em participar de refinarias, mas que “esse projeto não é para curto prazo”. Sobra então a entrega de campos produtores e o setor de distribuição (BR Distribuidora). Enquanto a empresa não for definitivamente saneada e operar mais enxuta, será impensável a recapitalização. E há as políticas. O marco regulatório do pré-sal se transformou em armadilha para a Petrobrás. Ela não pode ser a única operadora e ter pelo menos 30% dos investimentos. Se é para passar a limpo e para gerar riquezas sustentáveis com petróleo, é preciso rever tudo.

É preciso repetir à exaustão: a Petrobras não chegou a este estado deplorável em 6 meses ou 1 ano apenas. Ela não foi vítima de meia dúzia de empreiteiras corruptas.

A Petrobras chegou a esta situação pavorosa graças a uma sucessão de erros, além da corrupção perpetrada por gente que foi colocada na estatal por partidos políticos – especialmente o PT, o PMDB e o PP. Mas não se pode ignorar: desde 2003, o PT é o partido que tem a palavra final nas indicações de cargos-chave, apenas e tão somente porque o PT é o partido (ou, para ser mais exato, a organização criminosa disfarçada de partido político) da Presidência da República. Infelizmente.

Durante 8 anos, foi Lulla quem teve o poder de indicar o presidente da Petrobras. Depois, foi Dilma Ruinsseff. Aliás, eu já mostrei um vídeo AQUI no blog, mas vou repeti-lo porque merece:

Nesta época, Dilma era Ministra da Casa Civil. Imediatamente antes, ela era Ministra das Minas e Energia (pasta responsável pela Petrobras). O mais importante: ela era a Presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Hoje, sabendo o que já se sabe sobre o desastre na Petrobras, fica mais do que evidente que ela mentiu. Mas não só isso: ela mostrou ser completamente incapaz. Uma combinação desastrosa, como atestam os números da Petrobras.

unnamedMais um conjunto de dados para dimensionar a queda da Petrobras (íntegra AQUI):

A crise que atingiu a Petrobras no ano passado colocou fim a uma antiga trajetória de expansão no quadro de funcionários da estatal, que durou pelo menos durante a última década. Dados divulgados na semana passada pela companhia apontam que, no final de 2014, o corpo funcional da empresa era composto por 80.908 funcionários próprios, uma retração de 6% em relação aos 86.108 do final de 2013. O número do ano passado é o menor desde 2011, quando a companhia terminou o ano com 81.918 funcionários. No ano anterior, a marca ainda era de 80.492 empregados. Documentos disponibilizados pela estatal desde 2004 mostram que, no decorrer da última década, o corpo funcional apenas cresceu. Entre 2003 e o ano seguinte, o aumento foi de 6,6% e o número de funcionários chegou a 52.037 pessoas. Esse número chegou a 53.933 em 2005, 62.266 pessoas em 2006, 68.931 pessoas em 2007, 74.240 em 2008 e 76.919 em 2009. No início desta década, a trajetória continuou inalterada. Os dados de 2010 (80.492 pessoas) e 2011 (81.918 funcionários) foram seguidos por um total de 85.065 pessoas em 2012.
Além dos funcionários próprios, a Petrobras ainda contabilizava ao final do ano passado um total de 291.074 empregados de empresas prestadoras de serviços. O número representa uma retração de 19,2% em relação aos 360.180 terceirizados contabilizados no final de 2013. Em 2004 eram apenas 146.826 empregados terceirizados. A queda mais expressiva de funcionários terceirizados deve ser explicada pela decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de investimentos em 2014 e, ao mesmo tempo, muitas de suas parceiras enfrentarem problemas associados à evolução das investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Empresas como o Grupo Galvão, que já demitiu mais de 9 mil pessoas, era responsável pelo andamento da fábrica de fertilizantes em Mato Grosso do Sul e do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), por exemplo. As duas obras foram incluídas pela Petrobras em uma lista de projetos sem data prevista para conclusão.

Curioso notar que os pilantras, os boçais e os ridiculamente ignorantes que andam espalhando mentiras sobre a discussão da terceirização jamais reclamaram da imensa quantidade de funcionários terceirizados que a Petrobras mantém. Por que será?

Vamos ver algo interessante sobre a questão da terceirização no caso específico da Petrobras:

A refinaria de Abreu e Lima foi um dos principais dutos de desvio de dinheiro da Petrobras ao longo dos últimos anos. Segundo o balanço que a companhia apresentou nesta semana, a unidade em Pernambuco e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro respondem, juntos, por mais da metade da baixa contábil de 52 bilhões de reais em 2014: um baque de 30 bilhões de reais. E a depreciação não deve parar por aí. Isso porque as obras da refinaria ainda não acabaram. Impedida de contratar as empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a estatal teve de confiar a continuidade dos projetos a pequenas construtoras locais, e algumas delas, por sua vez, estão repassando o serviço a terceiros. Enquanto, em Brasília, o governo sofre derrotas por se opor ao projeto de lei que amplia a terceirização, a Petrobras coloca em prática muito mais que isso: há uma ‘quarteirização’ em curso na refinaria, que deixa funcionários sem qualquer vínculo ou garantia trabalhista – e tudo sob as vistas grossas da estatal.

Como consequência da Operação Lava Jato, que investiga os desmandos e desvios de dinheiro na estatal, 23 empreiteiras que há décadas prestam serviços no setor de óleo e gás foram impedidas de continuar operando nas obras da Petrobras. Entre elas estão as principais empresas que atuam em Abreu e Lima: Engevix, Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão. Como 60% do projeto ainda não está concluído, a petroleira se viu obrigada a recorrer a empresas locais para dar sequência aos trabalhos – abrindo mão de licitação ou qualquer outro tipo de avaliação criteriosa. O problema é que as novas subcontratadas também relegam o serviço a terceiros.

A íntegra da reportagem está AQUI. Para quem se interessa sobre o tema, vale a leitura.

Evidentemente a terceirização não é um problema para a Petrobras – apenas mais um sintoma da hipocrisia que domina a esquerda defensora do PT, que finge não ver problema quando a estatal terceiriza, mas se faz de horrorizada quando um projeto de lei propõe a flexibilização da obsoleta CLT através de um instrumento em tese muito útil para, ao mesmo tempo, aumentar o rendimento líquido dos trabalhadores e reduzir os custos trabalhistas de quem contrata.

O problema da Petrobras é a gestão temerária – e a gestão de pessoal faz parte deste rol. Conforme eu já demonstrei aqui, a Petrobras iniciou um processo contínuo de contratação de pessoal em 2003, mas sua produtividade CAIU. Muita gente contratada, mas com resultados ruins. Relembrando o que eu havia escrito:

A quantidade de funcionários aumentou 113%, mas a receita por funcionário aumentou 22%. Isso indica claramente perda de produtividade. E não é pouca! Vamos falar da PRODUÇÃO? Este indicador é o mais vergonhoso. No período compreendido entre 2002 e 2013, a produção (barris/dia) por funcionário CAIU de 37 para 22, ou seja, CAIU 40%.

Para encerrar, uma continha triste que O Antagonistafez:

Na década de 1950, a Petrobras foi criada sob o slogan de “O petróleo é nosso”. Na segunda década do século XXI, a Petrobras tem uma dívida de 300 bilhões de reais, o que dá 1 500 reais para cada brasileiro. O slogan agora é “O papagaio é nosso”. Herança do nacionalismo combinado ao petismo.

A Petrobras foi vitimada por duas “ideologias” torpes e nefastas: a soma do nacionalismo exacerbado com o petismo celerado (com o perdão do pleonasmo vicioso).

Petardos de “iguinorânssia” da Copa

Recebi por e-mail do amigo Carlos Bertini, e reproduzo:

“Se você tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?”
– “Sim” – respondeu o militante.
– “E se você tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?”
– “Sim” – novamente respondeu o valoroso militante.
– “E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?”
– “É claro que doaria” – respondeu o orgulhoso companheiro.
– “E se você tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?”
– “Não” – respondeu o camarada.
– “Mas porque você doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?”
– “Porque as galinhas eu tenho.”

Como disse o Presidente francês Jacques Chirac sobre o Lula:
” – Para o Presidente Lula, o que é dele é dele, e o que é dos outros pode ser dividido.”

Esperidião Amim (ex-governador), disse:
” – O pior atentado que se pode cometer contra Lula, além de alvejá-lo com um mortífero dicionário, é atirar-lhe uma Carteira de Trabalho.”

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E, para finalizar, algumas pérolas produzidas por um militonto que levou o termo ignorância a um outro nível:

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E, para finalizar mesmo, depois do fiasco da abertura da Copa, o melhor que poderia ter havido foi a torcida mandando a Dilma ir tomar no cu. O que houve na sequência foi o PT e os jornalistas com rabo preso saírem em defesa da Dilma, e aí seguiu-se um espetáculo vexatório de críticas ruins, frases idiotas (muitas delas, claro, vindas do Lulla) e tentativas de culpar uma “elite branca paulistana” pelas vaias…

Tudo bobagem.

Afinal, o PT gastou BILHÕES para fazer a Copa e só tinha “elite branca paulistana” no jogo do Brasil?

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Qual é o “interesse estratégico” do Brasil em Cuba?

Nos últimos dias, emergiu uma discussão interessante sobre “interesses estratégicos” do Brasil em Cuba. Isso deve-se, basicamente, ao fato de que Dilma Rousseff está em Cuba para a inauguração da maior obra realizada em sua gestão: o Porto de Mariel.

Sim, a maior obra realizada pela Dilma é em Cuba, não no Brasil. Ridículo, não?! Mas sigamos…

A discussão que emergiu diz respeito aos investimentos e gastos do dinheiro público do Brasil na construção do Porto de Mariel. No Estadão publicou-se o seguinte (na íntegra aqui):

Criticada pela oposição por financiar a obra do Porto de Mariel, em Cuba, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 28, que a parceria com a ilha de regime comunista é fundamental para o País e definiu a aliança como um jogo de “ganha-ganha”. “É uma visão pequena não perceber a natureza estratégica desse investimento”, afirmou a presidente.

Na segunda-feira, 27, Dilma anunciou um novo empréstimo, desta vez de R$ 290 milhões, para a Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel, localizado a 45 quilômetros de Havana. O crédito vai se somar aos R$ 802 milhões já investidos na construção do porto, que teve a primeira etapa inaugurada agora.

Pré-candidato à sucessão de Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ironizou a injeção de recursos do governo na ilha dos irmãos Castro. “Dilma anunciou sua primeira obra de infraestrutura. Em Cuba”, comentou Aécio. “Não vamos comparar a quantidade de portos que tem no Brasil e em Cuba, que tem um porto”, afirmou a presidente. “Nós continuamos fazendo investimentos no Brasil na área de portos. O Brasil financiou o porto de Mariel, mas quem forneceu bens e serviços foram empresas brasileiras. Isso leva ao fortalecimento dos países. É um processo de ganha-ganha. Cuba ganha e o Brasil também ganha.”

A presidente destacou, ainda, que o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores, muitos deles podendo ser beneficiados pelo Porto de Mariel. Dilma teve duas reuniões bilaterais nesta terça-feira: com Pena Nieto, presidente do México, e José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Sobre esta reportagem, antes de prosseguir, é preciso fazer algumas observações:
1) Sobre a natureza “estratégica” do investimento – essa questão será mais detalhadamente avaliada adiante. Trata-se, contudo, da questão mais importante e, portanto, não se pode perdê-la de vista. Retomarei.

2) Na declaração da presidanta, como não poderia deixar de acontecer, existe uma bobagem monstruosa, uma burrice mesmo (“o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores”), que não tem relevância nenhuma para discutir o investimento milionário numa obra em outro país, usando dinheiro público.
Há inúmeros erros, bobagens, falácias e dados sem nenhuma relevância embutidos nessa afirmação da Dilma. Vamos supor que existam, de fato, 600 milhões de consumidores na América Latina (segundo dados de 2013, contudo, o World FactBook da CIA indica que a América Latina tem uma POPULAÇÃO TOTAL de 590 milhões de habitantes, e não se pode olhar para todo este contingente como “consumidores”, ainda que a Dilmanta não tenha dito consumidores DE QUÊ). Lembremo-nos de que a América Latina reúne alguns dos países mais fechados ao comércio internacional do mundo – portanto, olhar para o Porto de Mariel como um meio de atingir a população da América Latina inteira é uma burrice – algo, no mais, digno da presidanta.
E daí? O que esse número (inexato, de resto) tem a ver com a discussão do Porto de Mariel? Por acaso a presidanta está tentando dizer nas entrelinhas que os 600 milhões de “consumidores” sentirão qualquer impacto (positivo ou negativo, não importa) graças à inauguração do porto de Cuba?

3) Com relação à expressão “ganha-ganha”, é preciso indicar, de forma clara, O QUE, EXATAMENTE, O BRASIL VAI GANHAR. Cuba está ganhando bastante do Brasil – além dos milhões dados para o Porto, o Brasil ainda paga mensalmente os salários dos médicos cubanos diretamente ao governo militar-ditatorial de Cuba (que retém mais de 60% do valor e repassa uma mixaria às famílias dos coitados dos médicos-escravocratas).

Assim, vamos à questão principal: por que o Porto de Mariel seria “estratégico” para o Brasil?

O que o país ganha? Quando?

Vale a pena colocar mais de 1 bilhão de reais de dinheiro público em Cuba?

Começo por uma extensa matéria publicada pela BBC Brasil (íntegra aqui), da qual vou transcrever apenas alguns trechos – os mais relevantes para tentarmos entender os tais benefícios que o Brasil poderia vir a ter.

Na entrada do vilarejo de Mariel não há como não notar a fumaça de chaminés de um primeiro – e pequeno – núcleo de indústrias cubanas. A velha fábrica de cimento, que por décadas foi a maior indústria da região, se destaca com seus grandes edifícios, galpões e um termina marítimo. Logo adiante, as quatro grandes gruas do novíssimo terminal de contêineres se destacam sobre o porto de Mariel.

É este caminho que a presidente brasileira percorre nesta segunda-feira para inaugurar a primeira fase do terminal portuário, construído em sua maior parte pela brasileira Odebrecht por meio de um financiamento de US$ 957 milhões do BNDES.

Segundo Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Unesp, desde o governo Lula, o Brasil tenta se tornar o segundo maior parceiro comercial de Havana depois da Venezuela. De acordo com ele, o interesse maior do governo cubano no Brasil está em sua capacidade de realizar grandes investimentos na área industrial. “A capacidade da Venezuela é energética, ela não tem capacidade de fazer essas obras”, disse Ayerbe. “Essa capacidade brasileira se materializa no porto de Mariel”.

O porto de Mariel já foi uma antiga base de submarinos e também a porta de entrada de ogivas nucleares do que nos tempos da Gerra Fria ficou conhecido como a crise dos mísseis em 1962. Já nos anos de 1980, voltou a atrair a atração do mundo por ser a porta de saída de mais de 120 mil cubanos, os chamados “marielitos”, que emigraram em balsas para os EUA.

De grande profundidade, ele poderá receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Ele é modernizado no momento em que ocorrem também as obras de ampliação do canal do Panamá.

Após a reforma, o canal será a rota de passagem de navios “pós-panamax”, com três vezes mais capacidade de levar contêineres que as embarcações que trafegam pelo local atualmente.
“Boa parte do comércio da Ásia para a costa leste dos Estados Unidos passa pelo canal do Panamá. Essa área (do mar do Caribe) vai ficar muito dinâmica, por isso quase todos os países da região estão reformando seus portos”, diz Ayerbe.

Porém, diferente das nações vizinhas, Cuba não pode se aproveitar das oportunidades comerciais relacionadas ao comércio com a costa leste americana devido ao embargo promovido por Washington.
Por isso, o Brasil vê o investimento no porto como uma aposta futura no fim do embargo. A ideia é instalar indústrias nacionais (brasileiras) na zona franca de Cuba para produzir aproveitando-se dos incentivos fiscais e flexibilidade para a contratação da mão de obra cubana altamente qualificada.

Aqui eu tenho que interromper a matéria para dois comentários.
1) Fica evidente que, enquanto vigorar o embargo norte-americano, o Porto de Mariel não passa de um elefante branco. Na prática, não serve para nada.
Caso os EUA suspendam o embargo, pode ser que venha a existir, futuramente, alguma oportunidade de negócios hipoteticamente interessante de ser considerada e analisada. Mas hoje não existe NADA.
Zero.
A “gerentona” Dilma despeja mais de R$ 1 bilhão num país altamente instável, comandado há mais de 50 anos por uma ditadura militar genocida, com mercado fechado e NENHUMA segurança jurídica, NENHUMA estabilidade, apostando numa decisão que depende de um outro país (EUA).
Inteligente, né?!
ESPERTONA!
Uma perguntinha: e se o embargo norte-americano continuar? Digamos que, hipoteticamente falando, o embargo dure mais uns 10 anos.  Aonde está o “ganho” do Brasil? Aonde está o papel “estratégico” desse investimento? E se o embargo durar mais 50 anos?

2) Adoraria saber de onde tiraram essa idéia absurda, ridícula mesmo, de que existe “mão de obra cubana altamente qualificada”.
ALTAMENTE QUALIFICADA EM QUÊ?
Segundo dados do Webometrics Ranking of World Universities, Cuba tem apenas 3 universidades listadas em posições absurdamente baixas: a Universidade de Havana (classificada na posição de número 1.544), Instituto Superior Politécnico José Antonio Echeverría (2.603) e a Universidad Central Marta Abreu de la Villas (2.947). A USP é a brasileira mais bem posicionada, na posição de número 43. Escolha outros rankings e boa sorte em achar alguma universidade cubana entre as mil primeiras!

TUDO o que é ensinado em Cuba, desde a pré-escola até a universidade, é carregado da visão comunista, anti-americana, anti-capitalista e devotada a enaltecer Che Guevara, Fidel castro, Stálin e outros genocidas.
Em Cuba não existem empresas preocupadas em concorrer, em oferecer bons produtos a preços competitivos – pois existe uma economia planificada, 100% dependente do governo. Que práticas gerenciais podem emergir num ambiente assim? Quem ensina gestão? Ainda que houvesse uma escola/faculdade/universidade destinada a ensinar Administração, serviria para quê? Não existem empresas! Não existe concorrência, mercado, competição, nada!

Mão de obra qualificada?! Isso é piada!
Você, caro leitor, conhece alguém que tenha ido a Cuba fazer um MBA, um mestrado ou um doutorado? Se conhece, por gentileza, detalhe na caixa de comentários. Obrigado!

Mas vamos seguir com a matéria:

Dessa forma, o Brasil teria um posto avançado para exportar inicialmente para a América Central e depois eventualmente para os Estados Unidos, segundo Thomaz Zanotto, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp). A opção por investir em Cuba, em vez de em outro país caribenho, se dá exatamente pelo isolamento de Havana – onde o Brasil não sofre com a concorrência americana.

Por enquanto, as duas nações ainda discutem que tipo de empresas brasileiras se instalariam na zona franca cubana. As negociações apontam para indústrias de alta tecnologia, que tirariam proveito da qualificação dos trabalhadores cubanos. Umas das primeiras opções é a indústria farmacêutica.

Quem escreveu a reportagem confunde baixo índice de analfabetismo com qualificação.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Aliás, isso merece um parêntesis: tornou-se senso comum espalhar que Cuba tem indicadores (“índices”) de educação e saúde excelentes. Na verdade, é preciso muita cautela.
Cuba é uma ditadura e, como tal, tem estreito controle sobre toda e qualquer informação relativa ao país. Acreditar nos indicadores, números e estatísticas de uma ditadura não é apenas arriscado, é burrice pura e simples.
Pode ser verdade ou não.
Especificamente no caso da educação, há este indicador de mais de 98% da população alfabetizada. Pode ser. Mas “alfabetizar” não significa “educação de alto nível”. Há uma diferença imensa entre os dois conceitos.

Agora, o mais ridículo é ler a primeira frase: exportar para a América Central e depois EVENTUALMENTE para os Estados Unidos. Fica parecendo que hoje o Brasil não exporta nem para um, nem para o outro.
O problema é que os portos BRASILEIROS (sim, localizados no Brasil, não em Cuba) estão sobrecarregados. O Brasil não exporta mais por problemas de câmbio e infra-estrutura BRASILEIRA. Um porto em Cuba, na Nicarágua, no Haiti ou na República Dominicana não muda nada disso!

As principais críticas ao investimento no porto de Mariel partem de partidos opositores – como o PSDB, que se baseia no fato de que o governo brasileiro investe mais em Mariel do que nos portos nacionais. Os opositores acusam o governo Dilma Rousseff de direcionar os investimentos a Cuba devido a um alinhamento ideológico com Havana.

Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”. Ou seja, o eventual não investimento em Cuba não necessariamente levaria o dinheiro aos portos do Brasil, onde fatores como restrições ambientais estariam dificultando a agilização de projetos. “O Brasil é gigantesco mas sofre com um apagão de projetos”, diz Zanotto.

Outra crítica parte do próprio empresariado. Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Essas críticas, ainda mais vindas de um bando de bundas-moles como são os tucanos, não chegam nem perto da questão central. Mas é divertido ver a “explicação” dada pelo “especialista” ouvido pela reportagem: Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”.
Cada projeto é um projeto?
Sério????
Cara, você me deixou abismado agora!
Estou perplexo com a força do seu argumento, com os dados inexoráveis e indiscutíveis que você apresenta para embasar esta conclusão estupefaciente!

Porém, o pior é justamente a última afirmação desse brilhante e genial “especialista” (que a jornalista, aparentemente, considerou suficiente, já que não há nenhum “contra-ponto”): Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Resumindo: caso o embargo americano permaneça, não haverá faturamento – e, como as garantias para pagamento dos empréstimos estão atreladas ao faturamento, elas desaparecem junto ao hipotético faturamento.

Não é uma coisa de JÊNIOS ???

A propósito: quem está fazendo o Porto de Mariel é a ODEBRECHT. A mesma empreiteira responsável por construir o estádio de um time PARTICULAR com dinheiro PÚBLICO; a mesma empreiteira que “empresta” jatinhos para o Lulla viajar; a mesma empreiteira que doa milhões em cada eleição…

Coincidência? Por falar em coincidências, leio no site do BNDES (íntegra aqui) o seguinte:

A BNDESPAR está realizando mais um movimento para ampliar sua atuação no setor de infraestrutura logística. A subsidiária de participações acionárias do BNDES fará aporte de R$ 1 bilhão em um aumento de capital da Odebrecht TransPort, que vai totalizar R$ 1,429 bilhão. Com a operação, a BNDESPAR passará a deter 10,61% do capital da OTP. Os R$ 429 milhões restantes serão subscritos pelo FI-FGTS, que manterá sua participação atual na empresa, de 30%.

De qualquer modo, a dúvida persiste: QUAL É O INTERESSE “ESTRATÉGICO” DO BRASIL EM CUBA?

Será que o ÚNICO possível interesse é torcer pelo fim do embargo americano para que, só então, o Porto de Mariel passe a atingir seu potencial e, com isso, gerar um faturamento que beneficiaria a Odebrecht?

Quais empresas brasileiras têm interesse em instalar-se em Cuba? Elas não iriam para Cuba se não houvesse o Porto de Mariel?

As empresas são brasileiras ou são multinacionais com operações no Brasil? Haverá geração de empregos no Brasil? Arrecadação de impostos? Difusão de novas tecnologias? Investimentos em inovação? Ganhos de escala?

O problema, porém, é que discutir estas questões acima é rigorosamente INÚTIL enquanto Cuba for uma ditadura militar comunista, e enquanto ela seguir sob o embargo comercial norte-americano.

Alguns estão vendo boas perspectivas para que Cuba evolua do modelo comunista (economia planificada) para o capitalismo. Oras, que isso vai acontecer eu não tenho nenhuma dúvida – e isso não tem nada a ver com qualquer capacidade de “prever o futuro”. Basta, ao contrário, observar o passado: a História já mostrou que o socialismo e/ou o comunismo não funcionam. URSS, Alemanha Oriental, China – todos países que saíram do comunismo e mergulharam no capitalismo.

Porém, não se pode confundir sistema POLÍTICO com sistema ECONÔMICO.

China é um país capitalista (sistema econômico) mas segue na ditadura do Partido Comunista (sistema político).

Portanto, é carta marcada que Cuba vai abandonar o comunismo e migrar para o capitalismo – ou vai desaparecer. Apenas e tão somente porque, como já foi demonstrado inúmeras vezes, nenhum país socialista/comunista se sustenta em médio e longo prazos. Por exemplo: quando a União Soviética acabou, acabaram os subsídios a Cuba. Graças a isso, a ilha do ditador Castro chegou a importar OITENTA POR CENTO dos alimentos consumidos na ilha – como disse Margareth Thatcher, “The problem with socialism is that you eventually run out of other people’s money.”.

O problema, para responder à pergunta central deste post, é: QUANDO isso vai acontecer? COMO isso vai acontecer? Quanto tempo mais vai durar o embargo norte-americano?

Enquanto houver embargo, o Porto de Mariel não oferece NADA aos interesses “estratégicos” do Brasil.

Mas se o embargo cair, aí passará a haver um “interesse estratégico”?

Depende. Tudo depende de quais condições cercarão essa “queda” do embargo.

Aí, passamos a um ponto importante: como tomar uma decisão SUPOSTAMENTE “estratégica” quando não se sabe nada sobre os resultados (payoffs) e riscos envolvidos?

Ainda seguindo o que estava escrito na reportagem da BBC supracitada, algum desavisado poderia relacionar esta situação de Mariel à literatura clássica de estratégia: se o Brasil investir AGORA em Cuba e o embargo comercial for revogado, o país terá a vantagem de primazia, pois já está em Cuba – enquanto outros países/empresas ainda terão que iniciar os investimentos e atividades no país.

Nada disso.

Aí entra em cena uma questão crucial: o sistema político. Ainda que o embargo seja revogado, as empresas (e outros países) somente passarão a investir em Cuba se houver condições favoráveis para tanto. Isso implica não apenas estabilidade jurídica (será que minha empresa vai ser nacionalizada de uma hora para outra, como fazem os ditadores débeis mentais da Venezuela, Bolívia e outros países ridículos que infestam a América Latrina?), mas a percepção de benefícios. Cuba tem uma população de aproximadamente 11 milhões de pessoas. Paupérrimos!

O salário mínimo MENSAL em Cuba é DEZENOVE DÓLARES.

Repito: DEZENOVE DÓLARES AO MÊS.

Mais um instante para esta informação ficar clara: DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

US$ 19.00

Sigamos…

A China conseguiu mergulhar no capitalismo, mesmo mantendo o sistema político praticamente inalterado, por, entre outras razões, ter uma população IMENSA – tanto na quantidade quanto na qualidade. São mais de 1 BILHÃO E 300 MIL chineses, sendo que mais de 300 milhões têm renda anual situada na faixa de US$10,000 a US$60,000.

Não dá para comparar com os 11 milhões de cubanos, nem com a renda de DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

Portanto, muita calma! Quando o comunismo cubano for substituído pelo capitalismo (e isso levaria pelo menos uns 10 anos, é um processo lento e gradual, durante o qual muita coisa pode mudar), ninguém sabe quais serão as condições existentes.

Assim, concluindo, é impossível afirmar, hoje, que se trata de “investimento estratégico”. Isso não passa de mais uma bobagem dita por uma ignorante que tenta justificar uma péssima decisão recorrendo a mais uma de suas falácias ignaras.

Se a Dilma souber o que significa “estratégica”, ela mente ao dizer que Cuba oferece algo de estratégico ao Brasil; se ela não sabe o que significa “estratégico”, deveria calar-se ou ser sincera e dizer que está colocando dinheiro do contribuinte brasileiro em Cuba “porque quer e ponto”.

Dilma pode estar confundindo: o PT tem interesse estratégico em Cuba, por causa do Foro de SP. Mas o Brasil não tem interesse estratégico algum em Cuba!

2014-07-17 07.05.57

 

Leituras adicionais recomendadas:
Infrastructure in Brazil – Matéria da Economist mostrando que há uma IMENSA necessidade de investimento em infra-estrutura no Brasil, portanto dona presidenta não precisava torrar mais de R$ 1 bilhão em Cuba – poderia destinar esse dinheiro para o Brasil.
A pawn in Cuba’s power game – Editorial do Washington Post tratando do ambiente criado pela ditadura militar comunista de Cuba e o problema de ter uma opinião própria numa ditadura que não hesita em matar quem discorde do único partido ou do único jornal existente na ilha.
Think again: engaging Cuba – Artigo extenso e bastante completo, da Foreign Policy, que trata do embargo americano, apresentado prós e contras, e resgata alguns eventos que devem dificultar a possibilidade de revogação do embargo comercial em curto prazo.
The US should end the Cuban embargo – Uma articulista do Washington Post criticando duramente a postura dos EUA e do Obama no que tange ao embargo, e pedindo que ele seja revogado imediatamente (como o próprio título deixa claro desde o início, aliás).
Former Exit Port for a Wave of Cubans Hopes to Attract Global Shipping – Matéria do New York Times tratando do Porto de Mariel.
Os bilhões que o PT investe em Cuba só serão conhecidos em 2027 – Se os tais investimentos são tão bons assim, por que o medo de torná-los transparentes?
Carga tributária bate recorde e chega a 37,65% do PIB – Enquanto o governo do Brasil esfola os seus cidadãos com uma carga tributária recorde, o BNDES despeja dinheiro em Cuba.
Brasil é o único dos BRICS que perdeu investimentos – Dilma esteve no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, há alguns dias, mendigando investimentos privados no Brasil – o problema é que investidores privados já perceberam que ela e sua equipe são um bando de incompetentes, e adoram intervir no mercado. Quem vai investir num país sem estabilidade econômica, jurídica e social? O mesmo problema de Cuba, aliás, mas em diferentes graus obviamente.
Previsão de crescimento do país em 2014 piora, segundo o Banco Central – O Banco Central do Brasil apontando o óbvio (aquilo que todo mundo sabe, menos… a Luiza!)

A magia da direita e a falsidade da esquerda

Em 1990, foi publicado o seguinte “artigo”:

Revista Teoria & Debate nº 9 (jan/fev/mar 1990)

A magia da direita

Brasil do milagre ficou para trás. E não há salvador da pátria que possa resolver, sem a sociedade organizada, os problemas do país. A bandeira continua verde-amarela, a crise econômica prossegue em marcha batida e o novo presidente, como se previa, receita para o povo o remédio amargo da recessão

Rui Falcão*

O deputado Paulo Delgado (PT-MG), que além de outras qualidades é um ótimo fazedor de frases, disse outro dia que o povão, na hora de votar, “preferiu o homem dos efeitos especiais”. Escolheu para presidente uma espécie de caçador da arca perdida ou do baú perdido. Calejado pela miséria, fustigado pelo imediatismo da fome, temeroso de viver uma nova vida, o povo desorganizado, o “homem comum”, fugiu para a fantasia. Com o imaginário aguçado, jogou suas esperanças em alguém que, mesmo sem o turbante ou a cartola, apareceu, graças à magia da Rede Globo, como um astro, um ilusionista, um homem cheio de truques – um farsante, para ser mais preciso. E aí temos hoje, no lugar do Sarney velho de guerra, Collor de Melo, cujo poder de mistificar e de mentir ao longo da campanha eleitoral macula e condiciona seu mandato como presidente da República.

No entanto, qualquer semelhança entre a ficção do vídeo e o Brasil real que ingressa nos decisivos anos 90 é mera coincidência. Sobram problemas e faltam Mandrake ou Indiana Jones de carne e osso. É pois, com a realidade batendo na cara, que todos nós estamos despertando do sonho (ou pesadelo) pós-eleitoral.

Com a margem de erro os riscos de futurologia que uma análise deste tipo comporta, é possível tentar traçar o cenário das primeiras semanas do governo Collor, de suas medidas iniciais e da ação oposicionista, implacável desde a proclamação do resultado das urnas.

É quase ocioso lembrar que o novo governo assim assume em meio à maior crise econômica da história brasileira. O diagnóstico é conhecido – dona Zélia Cardoso de Mello já discorreu sobre ele nos últimos meses -, as causas dividem as opiniões e as medidas de combate provavelmente combinarão fórmulas do FMI – Fundo Monetário Internacional com cenas de pirotecnia explícita, tipo operação “pega ladrão”. O fato é que, somadas, a dívida externa pública e a dívida interna pública já representam quase 60% do PIB – Produto Interno Bruto, a crise fiscal se agrava, sendo crescentes as pressões inflacionárias.

Diante desse quadro e frente às expectativas gerais do empresariado de um crescimento do PIB abaixo da taxa de aumento populacional (cerca de 2% ao final de 1990), compreende-se por que um novo tratamento de choque está em marcha.

Vale sempre ressaltar que, às vésperas do século XXI, há movimentos importantes em curso no contexto mundial, quase todos passando ao largo do Brasil, tanto mais à falta de uma ação de estadista à frente da oitava ou nona economia do globo. Assim é que, enquanto a Europa – 92 e os Estados Unidos, acossados pelo Japão, convergem interesses para o Leste europeu reanimado, nosso país se recusa a cumprir um papel de unificação no bloco latino-americano. Tal ação se tornaria possível com o rompimento dos laços de dependência, a partir da suspensão do pagamento da dívida externa.

Não há, porém, qualquer indício de que o presidente eleito pretenda adotar uma posição soberana no campo da dívida externa. Nem mesmo uma moratória técnica, nos marcos da que foi decretada pelo governo Sarney sob o ministro Dilson Funaro. Ainda que os banqueiros internacionais concedam a seu candidato dileto um período de graça e que isso possa implicar entrada de “dinheiro novo” para investimentos, a política da dívida tende a seguir o figurino clássico, a julgar pelo vago programa econômico apresentado durante a campanha: tratamento preferencial aos grandes grupos exportadores, restrição a importações, mantendo-se, assim, saldo comercial elevado para voltar a honrar as prestações do débito com os credores do exterior. Do mesmo modo, há sinais de que se levará a fundo a orientação privatista. Ou seja, a estratégia de conversão da dívida externa, iniciada e interrompida pela Nova República, será retomada, oferecendo-se à venda ações de empresas estatais em troca de papéis da dívida externa com deságio.

No plano da economia interna, a magia da direita mistura vários ingredientes. Já não é segredo para ninguém – e os contatos com economistas conservadores tipo Simonsen confirmam – que a recessão, “branda” ou não, figura no programa de emergência dos primeiros cem dias. A recusa em antecipar a posse tem dois sentidos: ou Sarney promove a recessão ou o descalabro e a perspectiva da hiperinflação legitimam o governo Collor a adotar medidas “antipáticas”, não desejadas mas salvacionistas, necessárias.

Naturalmente, nada disso se fará “a frio”. Há todo um arsenal de fogos de artifício, de medidas de efeito, preparando o clima propício e a ocasião mais conveniente para o anúncio oficial. Os grandes meios de comunicação prestam-se muito bem a isso. À falta de uma linha social-democrata e com a recusa de um pacto de salvação nacional por parte dos sindicalistas, a saída seria mesmo patrulhar alguns preços (que todo mundo se incumbiu de remarcar previamente às alturas) e vincular os reajustes salariais a índices prefixados de inflação futura (o modelo Simonsen). O arrocho salarial, que hoje já alcança cerca de 20% ao mês – só por conta da defasagem da inflação diária e o pagamento quinzenal/mensal -, seria ainda mais intenso, a fim de domar o descontrole dos preços…

Haverá contrapartida na tentativa de evitar uma explosão social por parte dos setores mais carentes e desorganizados. É a eles que se destinam as cestas de alimentos ou os tickets-refeição, ao mesmo tempo que um reforço no seguro-desemprego e uma ampliação nos prazos legais para o aviso prévio nas demissões seriam voltados para atenuar os efeitos da recessão na área do emprego.

O movimento sindical combativo, que apoiou abertamente a Frente Brasil Popular e a candidatura Lula, já deu o recado: não aceita que revoguem suas conquistas, rejeita as propostas de pacto que resultem em novos sacrifícios para a classe trabalhadora, quer pagamento semanal de salários e promete ir à greve geral contra o arrocho e a recessão. Até mesmo as lideranças do sindicalismo de resultados, acumpliciadas com Collor durante e após a campanha, têm dificuldade em vender o pacote para suas bases. Afinal, pelegos e colaboradores são suficientemente espertos para avaliar os estragos de uma postura mansa num ano em que, por exemplo, se renova a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Qual é a sustentação partidária, política, econômica e social do novo governo para empreender seu projeto e acionar seus planos de curto prazo? Sufragado pelo voto popular, embora rejeitado pela maioria absoluta do eleitorado, Collor ostenta a seu favor o título de primeiro presidente escolhido nas urnas desde o famigerado Jânio Quadros, de quem, aliás, Collor às vezes lembra os piores momentos, se bem que prefira comparar-se a outro ex-presidente, o JK do Plano de Metas e dos “cinqüenta anos em cinco”.

Apesar dessa vantagem originária, o novo presidente assume em condições bem mais adversas do que seu antecessor. Sarney, embora escolhido no Colégio Eleitoral e chegando à Presidência por obra do infortúnio, herdava as esperanças forjadas por Tancredo. Encarnava os anseios de mudanças acalentados na campanha das diretas e simbolizava, para quem queria se iludir, as transformações profundas que nasceriam com a Nova República. A oposição se resumia ao PT quase isolado -, ao PDT de vez em quando, e a base de apoio, parlamentar e popular, era muito ampla.

A situação de Collor é bem outra. Descontrolado, arredio, violento e explosivo muitas vezes, tentou situar-se a distância da sociedade organizada, dos sindicatos, dos partidos, das entidades empresariais, ainda que fosse claro o jogo de cena. É inegável, contudo, que tenha a seu lado as multinacionais, os grandes grupos econômicos do país, os banqueiros, os latifundiários, a Igreja conservadora, a pequena burguesia acomodada, a direita militante, o sindicalismo de resultados e a grande imprensa – Rede Globo à frente. Pode parecer contraditório que, investindo contra a Fiesp durante a campanha, Collor possa contar com a solidariedade dos capitalistas, divididos entre vários candidatos nas eleições. Esse fato, entretanto, decorre mais da incapacidade das classes dominantes de se unificarem em torno de um único candidato (até porque face à privatização do Estado, retalhado entre vários grupos de interesses, em preferência ficasse em segundo plano) do que propriamente de uma rejeição inarredável ao novo presidente. Trata-se, agora, de buscar uma rápida aproximação, um envolvimento como já vem sendo feito, para contornar eventuais discordâncias e prevenir atitudes de governo imprevisíveis, que possam pegar de surpresa o grande empresário.

No Congresso, os emissários de Collor cuidam de formar um bloco majoritário, a despeito de a posição oficial do PMDB (o partido que ainda reúne o maior número de parlamentares) ser contrária ao novo governo. Somados, PT, PDT, PSDB, PC do B, PSB, PCB e esquerda do PMDB não conseguem maioria contra PFL, PDS, setores adesistas do PMDB, PRN e siglas afins alugadas por Collor. A tendência, pois, é de que a tradicional fisiologia, açulada por alguns postos no governo, abra campo para o situacionismo no Congresso e que surja um novo “centrão” disposto a concorrer unido nas eleições de outubro próximo.

A composição do ministério, por sinal, deverá corresponder a esse perfil de apoios políticos no Congresso o na sociedade: uma equipe de direita, não sem antes tentar atrair quadros de “esquerda”, integrantes do grupo de amigos do presidente, membros da tecnoburocracia estatal o os tradicionais representantes do empresariado.

Mitômano ou demente, como tentou defini-lo em entrevista recente a economista Maria da Conceição Tavares, Collor preferiu recuar um pouco na demagogia da campanha e foi atrás do empresariado conservador, que o acolheu de braços abertos. Não fosse por isso e pelos canais que sempre manteve abertos em outros setores organizados da sociedade, o novo presidente teria de se exceder num expediente muito comum na América Latina e muito grato a ditadores como Hitler ou Mussolini: o apelo direto “às massas”, com todas as conseqüências que decorrem desse estilo de governo.

O populismo, contudo, não está descartado do cenário. Tampouco certo autoritarismo, naturalmente contido pelas garantias constitucionais, mas inerente à própria imagem que o Sr. Collor de Melo fez projetar de si. A conjuntura de 1990, começando pelo Carnaval e esperando pela Copa do Mundo na Itália, a partir de junho, é uma tentação para gestos de patriotada, de união nacional, de sacrifícios e de cortinas de fumaça para esconder os efeitos da crise. Quem discordar que se mude ou troque de bandeira … Remember 1970, a Copa do México e o governo Médici.

O clima de carnaval e de Copa do Mundo é um trunfo valioso com que o novo presidente espera contar para o sucesso de seus planos. A torcida a favor nos primeiros meses e a chegada da Copa em seguida poderão lhe dar fôlego para atirar-se ao combate eleitoral, vital para influir nos governos estaduais e, sobretudo, para tentar constituir uma maioria parlamentar renovada e consistente. Acuado pelo espectro do parlamentarismo antes de 1993, que lhe tiraria poderes, lhe imporia concessões e ofuscaria seu brilho, Collor precisará acumular na Presidência para jogar na campanha não só o peso da máquina, mas o prestígio que um bom governante costuma transferir em votos para seus aliados políticos.

Nessa linha de raciocínio, não se devem subestimar as possibilidades de acordo político entre a grande burguesia e o governo, a fim de superar alguns problemas econômicos capazes de “popularizar” Collor pelo menos até outubro. Um outro tipo de Plano Cruzado, no qual setores do empresariado, suficientemente cacifados por lucros acumulados nos últimos meses, poderiam muito bem moderar sua ganância para ajudar a conter e a promover algumas concessões para os setores sociais de baixa renda. Parece evidente ao grande empresariado e principalmente a Collor – o que significaria a oposição se apossar, em outubro, dos governos de São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, só para ficar nos mais importantes e mais prováveis.

Mas, independentemente do parlamentarismo e muito antes das eleições de outubro, a oposição já ajusta suas táticas e afia as amas. Os trabalhadores urbanos, organizados em seus sindicatos e liderados pela CUT, refugam a cesta básica como esmola e repelem a troca do emprego por um aviso prévio mais longo. Estão na luta para preservar seus salários, derrotar a inflação e ampliar conquistas tão duramente alcançadas nos últimos anos. Em resposta às ofertas de trégua, pacto e um Ministério do Trabalho para alguém do movimento sindical (da confiança do governo), brandem seu plano de reivindicações e acenam com o instrumento legítimo da greve geral.

Nas áreas rurais, a certeza de que não há planos de Reforma Agrária no horizonte do novo governo semeia a intranqüilidade entre os pequenos proprietários, alvoroça os meeiros, rendeiros, parceiros, assalariados, e reforça a organização dos sem terra, dispostos a continuar ocupando terras para plantar, produzir e matar a fome de suas famílias. A união de todos eles em defesa da Reforma Agrária e na luta por uma política agrícola voltada para o abastecimento interno, para a elevação da produtividade, a preservação do meio ambiente e para a desconcentração da propriedade fundiária está na ordem do dia.

A intelectualidade progressista, que entrou em bloco na campanha da Frente Brasil Popular, também exige um projeto cultural diferente para o país. A ela repugna, como a todos nós, a manipulação de mentes e corações perpetuada pela Rede Globo, o monopólio da comunicação, esse “Grande Irmão” proprietário da verdade única dos poderosos. Democratizar os meios de comunicação, romper com o elitismo do ensino pago e com a segregação dos equipamentos culturais, ampliar a participação popular (em luta por melhores condições de vida nas grandes cidades) nas decisões do governo são algumas das bandeiras que a intelectualidade provavelmente manterá desfraldadas todo o tempo.

Respaldado por milhões de votos, estimulado por uma ampla mobilização social em curso e ancorado num programa democrático-popular de transformações econômicas, políticas e sociais, ganha corpo, então, o governo paralelo, gabinete de oposição, ministério nas sombras ou que nome se queira dar a esse bloco social e político disposto a levar às últimas conseqüências, nos marcos do regime vigente, o combate ao projeto neoliberal, recessivo, antipopular e de internacionalização dependente do Brasil, implícito no programa de governo do novo presidente.

Logo que surgiu a idéia, vocalizada por Lula ainda em dezembro, os guardiões da ordem-como-está e os arautos do progresso-para-poucos se apressaram em cobri-la de suspeitas. Seria uma maneira de conspirar contra o governo, de um contra as instituições democráticas, alarmavam-se eles, sempre os primeiros a recorrer aos quartéis e apelar para a força, toda vez que sentem seus privilégios ameaçados.

Em seguida, porém, deram-se conta de que a existência de um “governo de oposição” significa o reconhecimento de um governo legal, estabelecido – no caso, o do presidente Collor de Melo. Sobrou, para falar mal, apenas a lembrança de que iniciativas semelhantes a essa cabem melhor nos regimes parlamentaristas, que, aliás, viviam defendendo não por razões doutrinárias, mas para estabilizar situações ou barrar avanços dos setores populares.

O governo de oposição, lançado pelo PT e aberto aos setores alinhados com uma política de mudanças no país, está se estruturando e vem recebendo boa acolhida junto à população. Suas equipes, montadas a partir dos grupos de transição formados pela Frente Brasil Popular, esquadrinham as dificuldades do país e avançam propostas alternativas para superar a crise. Cada ministério ou secretaria do governo Collor terá uma sombra a acompanhá-lo, com uma crítica e uma solução. Daqui a cinco anos no máximo, chegará nossa vez.

Até lá, é muita luta, muita mobilização e muita coragem para quebrar o encanto, desfazer o mito, anular o feitiço dos vendedores de ilusões. Como se vê, nossa bandeira continua da mesma cor. A miséria, também. Ninguém segura este país. Pra frente, Brasil!

7 de janeiro de 1990

*Rui Falcão, jornalista e presidente do Diretório Municipal de São Paulo.

Os trechos grifados são minhas sugestões para uma leitura mais atenta.

Depois de lê-los com mais atenção, vejamos esta foto:

Algumas explicações adicionais à foto estão AQUI, AQUI, AQUI ou AQUI.

Desnecessário dizer qualquer coisa a mais…….

Paternidade

Essa vem direto do blog do Gilberto Dimenstein (não gosto dele, confesso, mas o texto é interessante, por razões óbvias):

Quem criou o Bolsa Família, maior cabo eleitoral do PT em geral e de Lula em particular?

De olho nas eleições, o PSDB lançou uma cartilha assumindo a paternidade dos programas de transferência de renda –bolsa escola, por exemplo– que deram origem ao Bolsa Família. Meia verdade. Ou, se preferirem, meia mentira.

Foi, de fato, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso que se ampliaram os programas de renda mínima –uma ideia empunhada solitariamente, por muito tempo, pelo senador Eduardo Suplicy. Naquela época, aliás, o PT chamava bolsa-escola de bolsa-esmola.

Mas a verdade é que os programas de renda mínima tem dois autores. O então governador de Brasília, Cristovam Buarque, e o falecido prefeito de Campinas, Roberto Magalhães Teixeira.

Foi o Cristovam Buarque, porém, que atrelou com mais força a bolsa à permanência da criança na escola –sei disso porque eu apresentei o prefeito de Campinas ao então governador de Brasília. Esse modelo foi replicado à saúde, com o vale-alimentação.

De Brasília, a ideia teve a adesão do UNICEF e UNESCO, entusiasmando todo o país. Coube, então, ao então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, dar-lhe escala nacional. Isso graças ao Programa de Combate da Pobreza, criado por Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia.

Pouca gente sabe que, durante a tramitação do Fundo de Combate à Pobreza no Congresso- base para ampliação do bolsa-escola –o PT foi contra.

A verdade, porém, é que foi Lula quem unificou todas aquelas bolsas, ampliando expressivamente seu alcance.

Interessante, não ?!

Síndrome de Peggy Sue volta a atacar

Síndrome de Peggy Sue: seu passado o condena.

A Mulla (e todos os PTralhas, que se registre) sobre desse mal:

Para as devidas explicações, recorro ao texto do Reinaldo Azevedo:

O vídeo abaixo não deixa de ter a sua graça. Vemos o Lula de hoje, em 2009, a descer o braço em supostos críticos do Bolsa Família, que teriam classificado o programa de assistencialista”, “demagógico” e “uma esmola”. Para Lula, tais pessoas são “imbecis e ignorantes”.

Em seguida, vem o Lula de antes, o de 2000. Ele lamenta que o voto, no Brasil, não seja “ideológico” e que as pessoas não “votem partidariamente”. Segundo este pensador, “o alto grau de empobrecimento do Brasil” faz com que a pessoa escolha um candidato “pelo estômago, não pela cabeça”. E critica a distribuição de cestas básicas ou do ticket do leite.

Noto: naquele 2000, foi criado o Bolsa Escola; no ano seguinte, vieram o Bolsa Alimentação e o Auxílio-Gás. Todos esses programas foram reunidos, depois, sob a rubrica Bolsa Família, tida como a grande “invenção” de Lula. O PT, saibam, classificava o Bolsa Escola de assistencialista, tanto que a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, negava-se a implementá-lo em São Paulo. Só deu início ao processo sob pressão.

Pois é… Para o PT, o programa de bolsas era “demagógico” e “assistencialista!”. Vocês sabem, né? Naquele tempo havia muitos “imbecis e ignorantes” no Brasil.

Dialógo entre colegas

Resposta de um Médico, Dr. Humberto de Luna  Freire Filho, a outro médico, Dr. Aldo Pacinoto publicadas no jornal O Estado de São Paulo

Carta do Dr. Aldo Pacinoto
Date: Thu, 4 Jun 2009 12:35:10 -0300

Prezado senhor Humberto.

Sei perfeitamente que os leitores do jornal O Estado de S.Paulo são conservadores, muitas vezes reacionários, claramente de direita. Mas algumas cartas chegam ao cúmulo do absurdo.

Ontem um leitor disse que a culpa dos erros nas cartilhas do governo do senhor José Serra é culpa de algum “petista infiltrado” na Secretaria da Educação.
Hoje, o senhor faz uma observação completamente equivocada.
Não é apenas o presidente americano Obama que elogia o nosso presidente. Os elogios estão vindo de todos os continentes. É o presidente francês, é o presidente sul-africano, o premiê inglês, finlandes, alemã.

Só não vê em Lula um grande líder pessoas preconceituosas que ainda o enxergam como um metalúrgico analfabeto. O senhor deve ser de classe média média ou alta.
Pergunto: o que piorou em sua vida com o governo Lula? O que vai melhorar com o governo Serra? É claro que a classe média não quer enxergar em Lula um presidente que tem enfrentado crises econômicas internacionais como ninguém.
O senhor lê a Economist? O El País? O Le Monde? Se ficar lendo apenas o Estadão e a Veja terá uma visão burguesa e centrada em críticas e mais críticas. Radical.
O senhor sabe o quanto o atual governo melhorou a vida dos menos favorecidos? O senhor não quer que ele melhore a vida dos mais pobres?
Sou médico, não sou petista, sou classe média até digamos alta. Tinha tudo para pensar como os leitores do Estadão que mandam frases de efeito, às vezes engraçadinhas, que o jornal adora publicar. Mas, felizmente, penso exatamente ao contrário desses leitores. Graças a Deus e ao meu pai que me ensinou a olhar a vida sem radicalismos.

Atenciosamente.

ALDO PACINOTO
Curitiba

Resposta do Dr. Humberto de Freire Luna Filho

Date: Fri, 5 Jun 2009 01:54:52 +0000

Prezado colega Aldo
(Também sou médico – Neurocirurgião)

Antes de mais nada quero deixar claro que não sou eleitor do Sr.José Serra, sou apolítico, não filiado a nenhum partido, tenho nojo de politíca e, consequentemente, de políticos, principalmente dos atuais.
Sou a favor sim, dos princípios morais, mas, para meu desapontamento, isso transformou- se em fruta rara nos três Poderes da República no atual governo.
Quero também informar ao colega que leio qualquer publicação e não só O Estado de S. Paulo e a Revista Veja, como também já viajei por meio mundo, portanto vou responder suas indagações com conhecimento, e o que é mais importante, com a independência de um profissional liberal não comprometido com governo nem com imprensa nem com igreja nem com sindicatos ou com quem quer que seja.

Quanto à sua pergunta sobre o que piorou na minha vida durante o governo Lula e as possíveis melhoras em um possível governo Serra, eu diria que não houve nem haverá nenhuma mudança. Nem eu quero que haja, porque de governo, qualquer que seja a tendência ideológica, eu só desejo uma coisa: DISTÂNCIA.

Não dependo nem nunca dependi de nenhum deles. Uma outra afirmativa sua é sobre a melhoria da vida dos mais pobres (por conta do bolsa família, imagino). Minha opinião é que bolsa família não é inclusão social, é esmola, mais precisamente compra disfarçada de votos. O pobre não quer esmola, quer escolas, hospitais,ambulatórios que funcionem na realidade. Nos palanques eleitorais já foi dito até que a medicina pública brasileira está próxima da perfeição. Só que a cúpula do governo, quando precisa de assistência
médica, dirige-se ao Sirio-Libanês ou ao Hospital Israelita e chega em São Paulo em jatos particulares. O colega, como médico, não deve ignorar essa realidade.

Na área rural, falta mão de obra porque o dito trabalhador rural virou parasita do governo e não mais trabalha. Para que trabalhar? eu fico em casa e no final do mês o governo me paga. Essa foi a frase que tive que engolir,
não faz muito tempo, antes de abortar um projeto em minha propriedade rural que empregaria pelo menos de 50 pessoas. Quando optamos pela mecanização, vem um bando de sindicalistas hipócritas junto com a quadrilha do MST, diga-se de passagem foras da lei e baderneiros, financiados com dinheiro público, dizer que a máquina está tirando o emprego no campo.

Outro item a que você se refere é sobre a minha observação, completamente equivocada (equivocada na sua opinião), publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. Pois é, aquela é a MINHA observação e eu espero que o colega a respeite como eu respeitaria a sua se lá estivesse publicada. E mais se você quiser fazer um giro maior, saindo portanto, da esfera do Estadão e da Veja para fugir do conservadorismo dos mesmos, (conservadorismo também opinião sua – respeito) , verá que existem muitas outras publicações minhas dentro
do mesmo raciocínio, coerência, independência e coragem que tenho para falar o que quero, e assumir totalmente a responsabilidade pelo dito. Colega, por favor, pesquise os seguintes jornais: Diário de Pernambuco (Recife-PE), Diário da Manhã (Goiânia-GO), Gazeta do Povo (Curitiba-PR) , O Dia (Rio de Janeiro-RJ), Jornal O Povo(Fortaleza- CE) e outros, além de dezenas de sites e blogs.

Agora faço a minha primeira pergunta: são todos conservadores e reacionários? Não! são independentes. Não são parte da imprensa submissa e remunerada com dinheiro público, não fazem pubilicidade da Petrobras, do Banco do Brasil da Caixa Economica Federal, do PAC, e o mais importante, não recebem ordens de Franklin Martins, (o Joseph GoebbelsTupiniquin), manipulador de informações, prestidigitador que usa o vulnerável substrato cultural brasileiro, para transformar câncer em voto.

E para encerrar, permita-me fazer mais essas perguntas: O The Economist, o El País,O Le Monde etc. informaram a opinião pública européia sobre as dezenas de escândalos financeiros e morais ocorridos no País nos últimos sete anos e que permanecem impunes por pressão do grande lider e asseclas? Informaram que o Congresso Nacional está tomado por uma quadrilha manipulada pelo Executivo (80% envolvidos em algum tipo de delito) e que conseguiram extinguir a oposição? Informaram que a maior empresa brasileira é estatal e ao mesmo tempo usufruto do governo, e que o mesmo tenta desesperadamente blindá-la contra qualquer fiscalização? Informaram que 40% dos ministros e ex-ministros desse governo respondem a processos por malversação de dinheiro público?

Eu acho que os chefes de estados da Europa não sabem dessas particularidades. Por muito menos estão rolando cabeças no Parlamento Britânico, e com uma grande diferença, o dinheiro lá desviado é devolvido aos cofres públicos; enquanto aqui parte é rateada; parte é para pagar bons advogados, e outra parte é  incorporado ao patrimônio do ladrão.

Casos exaustivamente comentados na imprensa vem ocorrendo há anos com pelo menos cinco indivíduos que hoje fazem parte ativa da base de sustentação do grande líder. Isso para não falar de coisas mais graves como os assassinatos dos prefeitos de Campinas e de Santo André, envolvendo verbas de campanha. Crimes esses nunca esclarecidos e cujos cadáveres permanecem até hoje no armário do PT. Portanto, ver Luiz Inácio Lula da Silva como um líder é querer forçar um pouco. Para mim, ele não passa de papagaio de pirata de Hugo Chavéz. Veja a sua última pérola: “O Brasil acha petróleo a 6 mil metros de profundidade por que não acha um avião a 2 mil”. Isso não é pronunciamento de líder em um evento público envolvendo dezenas de chefes de estado. Isso cairia bem em reunião de sindicato ou em mesa de botequim. Caracteriza oportunismo vulgar.

Moro no Brasil, sei ler e não sinto azia quando leio. Não sou preconceituoso nem radical, modéstia a parte, sou esclarecido, e se combater corrupção é radicalismo, aí sim, sou RADICAL, e estou pronto para qualquer coisa como todo nordestino.. . de caráter.

Atenciosamente.
Humberto de Luna Freire Filho
São Paulo