A vitória do capitalismo

Graças ao vídeo que mostra a Presidanta falsificando um discurso de 7 de setembro (post anterior), acabei lendo alguns comentários sobre a questão da privatização feita pelo FHC no fim da década de 1990.

Junto com as bobagens de sempre (menção ao livretinho vagabundo “A Privataria Tucana” é uma das bobagens recorrentes, o que é compreensível inclusive pela alarmente quantidade de analfabetos funcionais que temos no Brasil), especialmente em momentos de crise, vejo gente pregando o socialismo como “solução”.

Se essa gente pelo menos soubesse o que é o socialismo, OK. Mas 90% nem faz idéia!
Assustador.

De qualquer forma, reproduzo esta matéria da Ilustríssima de 02/09/2012, tratando de um livro que parece ser muito interessante:

A vitória do capitalismo

Para jornalista, “nenhum outro arranjo social produziu ganhos tão sustentáveis”

DIOGO BERCITO

A lista de piores livros já escritos, para a jornalista americana Sylvia Nasar, autora do best-seller “Uma Mente Brilhante”, inclui “O Capital”, de Karl Marx, ao lado de “Minha Luta”, de Adolf Hitler.

A falta de carinho em relação ao teórico do marxismo resultou do susto que Nasar, com formação em literatura e economia, tomou ao se aprofundar em sua obra. “Venho de um ambiente acadêmico marxista, então fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros”, diz à Folha, em entrevista por telefone, de Nova York.
Nos últimos anos, Nasar organizou quase dois séculos de historia do pensamento econômico na obra *”A Imaginação Econômica” [trad. Carlos Eugenio Marcondes de Moura, Companhia das Letras, 584 págs., R$ 54,50]*, que chega agora ao Brasil.

O trabalho foi tão extenuante que ela prometeu a si mesma nunca mais escrever outro livro. Os questionamentos sobre Marx, no fim das contas, acabaram se tornando o elemento divertido da pesquisa. “Karl Marx e Friedrich Engels são grandes personagens, cheios de contradições”, ela diz.

Contraditórios ou não, ambos foram, para Nasar, “fios constantes” na narrativa econômica nos dois últimos séculos -parte da mesma tradição que levou às manifestações do estilo “Ocupe Wall Street”, que tomaram as ruas no ano passado para protestar contra o capitalismo.

Mas a acumulação de capital é um dos heróis de “A Imaginação Econômica”. A autora afirma que “nunca houve outro arranjo social que tenha produzido ganhos tão sustentáveis”. Essa é a “grande busca” a respeito da qual o título, em inglês, se referia (“Grand Pursuit”). Em português, sumiu a ideia de uma epopeia rumo a um mundo melhor.

Na entrevista a seguir, Nasar fala sobre o resgate de personagens esquecidos pela historiografia econômica, como Alfred Marshall e Beatrice Potter -e sobre aqueles que, acredita, deveriam ser menos lembrados.

Folha – Uma das ideias por trás de “A Imaginação Econômica” é a de que o capitalismo melhorou o padrão de vida no mundo. Mas temos visto protestos de quem pensa o contrário, como o movimento “Ocupe Wall Street”.
Sylvia Nasar – Não há nada de novo nessas manifestações. Esse tipo de protesto começou ao mesmo tempo em que ocorreu a revolução nos meios de vida, no século 19. Essas críticas, como as encarnadas por Engels e Marx, foram fios constantes nessa narrativa. Isso é paradoxal. Nunca houve um arranjo social e um conjunto de instituições e de práticas que tenham produzido ganhos tão sustentáveis. Isso não apenas no que diz respeito a consumo material -hoje, a maior parte das pessoas pode fazer escolhas.

Por que então o capitalismo é visto por alguns como um mal?

Toda recessão, não importa se severa ou branda, produz questionamentos sobre se estamos realmente fazendo o melhor que podemos. Isso não é ruim. Um dos temas de “A Imaginação Econômica” é que os gênios da economia sempre pensaram que nós poderíamos fazer melhor.
Mas não acho que esses protestos sejam comparáveis às demonstrações de fúria que foram vistas durante a Grande Depressão, nos anos 30. Hoje, há uma rede de proteção muito maior. Muitos países podem proteger a população.

É o caso do Brasil?

Sim. A grande motivação de John Maynard Keynes e Irving Fisher para advogar pela intervenção estatal como modo de limitar a recessão -opondo-se à ideia de Friedrich Hayek e Joseph Schumpeter de deixar a natureza seguir seu curso- era evitar os riscos políticos.
Não é que eles pensassem que a economia não se recuperaria sozinha, mas que as pessoas iriam buscar soluções que tornariam os desastres piores. Na América Latina, o maior risco político sempre foi o populismo. Na Europa Ocidental e na Ásia, o comunismo.

A sra. diria que o socialismo perdeu a batalha como alternativa ideológica?

O que está falido é a ideia de que um sistema controlado pelo governo poderá produzir uma performance econômica superior, uma performance social superior.
Essa grandiosidade, a não ser para um número pequeno de pessoas, está morta por ora. A ideia de que há um modelo único que será seguido por todos para atingir sucesso econômico não é comprovada por evidência empírica.
Mas, se você está falando sobre socialismo como aquele do Estado de bem-estar social, acho que ele está aqui para ficar.

Recentemente você citou “O Capital”, de Marx, como um dos piores livros já escritos.

Eu me diverti enquanto escrevia sobre marxismo. Marx era realmente esperto. Mas, infelizmente, ele nunca entendeu, ou quis entender, a coisa a que ele se dedicava, que era a economia inglesa.
Estudei economia depois de me formar em literatura. Estava em desvantagem. Era tão difícil, para mim, que nunca terminei meu PhD. Mas fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros. Os erros dele são tão elementares!

As pessoas têm suspeitado da economia como ciência, dizendo que não previu a crise.

Fazemos o melhor em termos de resolver as questões econômicas, e não há uma alternativa real ao pensamento econômico. Não é como na psicologia ou na engenharia, em que teorias competiram por território.

Você disse durante uma entrevista que, se pudesse escolher um livro para o presidente dos EUA ler, seria “A Imaginação Econômica”. Em que essa leitura mudaria a política econômica americana?

Eu disse isso? [Risos] Foi realmente sagaz. Acho que, em tempos de crise, ter liderança é realmente importante.
As políticas de Franklin D. Roosevelt não fizeram nada para terminar com a Grande Depressão. As de Herbert Hoover, idem. As pessoas não sabiam o que fazer. Mas eles exalavam otimismo -não um otimismo ingênuo, de que o céu está limpo, mas a confiança de que, na economia de mercado e na democracia, há fundamento para sermos otimistas.
O que eu gostaria de ver é o presidente dos EUA, seja ele quem for, inspirar esse tipo de confiança. Será útil para as pessoas enxergarem que esse não é o fim do progresso. É um problema solucionável.

Na Europa, a impressão que se tem é de que não há solução.

Me surpreende que ainda haja quem argumente que não fazer nada é melhor do que fazer. Que equilibrar o Orçamento é prioridade máxima. Essa ideia não funcionou nos anos 1930!
As pessoas falam em uma “crise europeia”, mas hoje há coisas como o seguro-desemprego. A crise não está causando o tipo de sofrimento visto na década de 30. Agora, há um grande colchão. Eles [os europeus] são tão ricos! As pessoas têm tempo de pensar no que funciona melhor. Não foi assim nos EUA.
Estive na Polônia, no outono passado. Todas as vitrines, nos shoppings, tinham como alvo o público jovem. Todas tinham descontos para estudantes. Minha filha me perguntou: “Ei, mãe, mas como estudantes conseguem comprar aqui?”

“Uma Mente Brilhante” era sobre uma pessoa. “A Imaginação Econômica”, sobre uma ciência. São abordagens opostas?

Sim. Foi isso o que me deu trabalho. “Uma Mente Brilhante” foi uma tarefa de repórter. Só um jornalista conseguiria fazer. Não havia textos de referência, foram necessárias centenas de entrevistas.

Em “A Imaginação Econômica”, lidei com ideias. Foi como escrever dez biografias diferentes. Organizar tantos personagens e teorias em uma história linear exigiu muito esforço. Não sou uma grande pensadora. Sou boa para os detalhes e para as conexões.


Qual seria o resultado de “A Imaginação Econômica”, se você não fosse jornalista?

Nenhum economista escreveria esse livro. Eles não dedicariam o tempo deles para isso. É preciso ser um generalista. Cada pessoa, cada evento sobre os quais escrevi no livro tem uma indústria de acadêmicos por trás dele.
Acadêmicos não fazem isso, e não deveriam -mas jornalistas podem entrar em um assunto em “estado de ignorância”, confiando na sua habilidade de reunir informações e contar histórias.

Nesse processo, você resgatou personagens esquecidos pelas narrativas tradicionais, como Beatrice Potter e Alfred Marshall.

E Irving Fisher. Quando entrevistei [o economista] Milton Friedman, ele me disse voluntariamente que o maior economista americano do último século foi Fisher. Mas ninguém fora do meio econômico sabe quem ele é. Ele desapareceu do conhecimento popular.
É como Alfred Marshall, que todos tratam como um vitoriano fora da realidade, mas que era muito mais consciente sobre a situação inglesa do que Marx.
Acho isso engraçado. Como é que Marx, o cara que estava errado, terminou como um santo e Marshall, o cara que era realmente uma força criativa, teve suas contribuições minimizadas?

Você esteve ocupada com grandes projetos nos últimos 15 anos. Qual é o impacto na sua vida?

No final de “A Imaginação Econômica”, disse aos meus filhos -se eu disser que vou escrever um livro de novo, por favor peguem uma arma e atirem em mim.
Quando você está fazendo uma reportagem, pode entregar o texto ao editor e aproveitar o fim de semana. Quando escreve um livro, está sempre se sentindo culpado. Ou está trabalhando, ou está evitando trabalhar.
Mas foi bom que eu tenha demorado tanto para escrever esse livro. A única época em que as pessoas se interessam por economia é durante recessões.

Novo produto, mesma estratégia

E ontem, dia 12, foi lançado o novo modelo do iPhone, o 5 (que foi precedido pelo iPhone, iPhone 3G, 3GS, 4 e 4S).
A web está repleta de “reviews” e opiniões sobre o produto em si – que não vou comentar (mas recomendo a leitura deste “overview” AQUI).
 
Quero comentar brevemente algumas coisas que me chamam a atenção na estratégia da Apple.
 
1) PREÇO – A Apple, há anos, mantém a mesma estratégia de precificação (premium, ou seja, cobra mais caro por um produto de qualidade superior, sempre considerando o valor percebido pelo cliente). Agora não é diferente: dado o lançamento do novo modelo do iPhone, o modelo 3GS foi descontinuado, e os 2 modelos remanescentes na linha (4 e 4S) tiveram seus preços reduzidos, enquanto o novo modelo “herdou” o mesmo preço praticado até ontem para o 4S.
 
Veja a imagem abaixo, extraída do site da Apple (acesso direto através DESTE LINK, que inclusive traz um interessante comparativo entre as características dos modelos 4, 4S e 5):

 

Vemos ali as opções de 16, 32 e 64 Gb de memória do iPhone 5, variando de 199 a 399 dólares 1a coluna à esquerda), enquanto o modelo 4S (na coluna do meio) teve seu preço reduzido a 99 dólares, e o modelo 4 está “gratuito” (tudo considerando um plano de 2 anos).
 
Basicamente, o que a Apple está dizendo é: cobramos caro, sim. Mas você vai ter o melhor PRODUTO (experiência resultante da soma do hardware com o software)
 
 
2) PRODUTO – Interessante notar que o hardware (aparelho celular) é novo, com tela maior, mais fino e outras coisinhas mais. Contudo, ficou EXTREMAMENTE parecido com o modelo anterior (4S). Isso é bom, pois a Apple criou um padrão de mercado com o lançamento do modelo 4 (apresentado pelo Steve Jobs). O padrão ainda não foi batido, e a Apple segue dominando o quesito layout – isso sem mencionar a qualidade dos materiais empregados.
 
Aqui posso oferecer meu testemunho pessoal: no ano passado fui pesquisar algumas opções para trocar de celular, e comparei o Samsung Galaxy II (ainda não havia sido lançado o III) com o iPhone 4S. Decerto o Samsung tem diversas qualidades, mas o fato é que o tamanho exagerado e o excesso de plástico (em detrimento do vidro e alumínio usado no iPhone) dão uma impressão de um aparelho mais frágil. Não espero um acabamento tão pobre num aparelho top de linha.
 
Pelo que vi, o iPhone 5 continua sendo o aparelho com mais cara “top de linha” do mercado, incluindo Samsung, Motorola, LG etc.
 
Além disso, a Apple vende, na verdade, DOIS produtos em um, a saber, hardware + software. Foi lançado o novo hardware, mas em alguns dias os proprietários de modelos anteriores (3GS, 4 e 4S) poderão fazer a atualização do software, o iOS6. GRATUITAMENTE.

 

 

A Apple, assim, reforça a impressão de oferecer ao cliente SEMPRE o software mais atual – quesito no qual seu maior concorrente, o Android (Google) falha miseravelmente. A versão Ice Cream Sandwich do Android foi lançada em 2011, mas a maioria dos aparelhos vendidos hoje AINDA traz alguma versão anterior. A “próxima” versão do Android, Jelly Bean, mesmo já tendo sido lançada, ainda não é oferecida em nenhum aparelho!
 
3) COMUNICAÇÃO – A capacidade que a Apple tem em gerar mídia espontânea é FENOMENAL. Não me recordo de nenhuma outra empresa, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, que tenha conseguido usar tão bem a publicidade gerada por jornalistas ensandecidos publicando em blogs, revistas, jornais, twitter, facebook e no diabo à quatro os detalhes, os “furos”, os rumores etc….
 
Parece que ao mencionar a Apple, a vendagem dos jornais (ou revistas, ou audiência do blog ou site etc) vai disparar – o que, obviamente, não é verdade.
Daqui a uma semana, com os primeiros aparelhos do novo modelo sendo vendidos ao consumidor final, vai começar nova rodada de rumores sobre o iPhone 6 (ou vai ser chamado 5S? Vai ter tela de quantas polegadas? O carregamento da bateria será através de telepatia? E por aí vai…).
Os rumores só vão acabar quando for lançado o novo modelo – daqui a 1 ano, mais ou menos.
 
Interessante notar que a Apple não deixa mais que o evento de apresentação do produto seja transmitido (via TV, internet etc). Com isso, ela consegue o seguinte:
 
  • Antes do evento, instala-se o desespero para tentar “adivinhar” quem acerta mais rumores;
  • Durante o evento, é uma briga para oferecer as novidades em primeira mão, chegando a congestionar twitter, sites, blogs etc;
  • Depois do evento, a própria Apple disponibiliza a íntegra da apresentação em vídeo, para quem quiser assistir (se você quiser ver, está AQUI).
 
Ao fazer estas 3 “coisinhas”, a Apple garante que haja um “buzz” constante – ou seja, ela estará sendo mencionada milhares (quiçá milhões!) de vezes, gerando burburinho sem parar!
 
 
4) CONCORRÊNCIA – Só para comprovar a superioridade de mercado e de estratégia da Apple: 2 dias antes do lançamento do iPhone 5, a Samsung ofereceu seu modelo top de linha, o Galaxy S3, por 100 dólares no mercado americano. Repetindo: 100 dólares.
Só para relembrar: quando a Samsung lançou o Galaxy SIII, o que a Apple fez?
NADA.
RIGOROSAMENTE NADA.
Isso mostra que a empresa confia no seu produto e no seu preço (resumindo, na sua OFERTA DE VALOR). O concorrente vai lançar um produto novo? Ok, deixe lançar. O meu produto seguirá tendo demanda, e no meu tempo eu lançarei o meu novo modelo.
De certa forma, um “foda-se” para a Samsung…
 
 
Antes que me chamem de “Apple-boy” ou algo do gênero: sim, tenho um iPhone (4S), estou muito satisfeito com ele, mas, no geral, estas observações aqui NÃO são de um proprietário puxando o saco da marca (ou “evangelizador da marca”, como preferem alguns).
Relatei aqui apenas algumas impressões, pelo que acompanhei ao longo desta quarta-feira.
 
A Apple tem, nos últimos anos, acertado muito mais do que errado.
Houve alguns poucos tropeços, mas os sucessos da empresa da maçã são muito maiores.
Obviamente a Apple não pode “dormir em berço esplêndido”, mas hoje ela está, sim, muito acima da concorrência.
 
A Nokia, coitada, se abraçou com a afogada Microsoft para afundarem juntas (inobstante a força da Micro$oft em alguns mercados, em telefonia ela é fraca demais).
A Samsung está tentando copiar a Apple para, quem sabe, um dia, superá-la. Ainda não conseguiu (mas tem chances).
 
E o resto….bom, é só o resto.

 

Marketing político – POR DENTRO DE UMA CAMPANHA POLÍTICA

Já escrevi diversos posts aqui sobre essa coisa de “marketing político”. Sempre disse que não passa de “propaganda” – geralmente “enganosa”.

Bom, preciso registrar este texto IMPERDÍVEL: Por dentro de uma campanha política: Netinho de Paula, da agressão à… agressão, escrito BRILHANTEMENTE pelo Flávio Morgenstern.

Lendo este texto – que, a despeito de ser longo, é delicioso de ler! – ficará ainda mais claro porque eu chamo essa invenção tosca de “marketing político” pelo nome real, que, repito, geralmente não passa de “propaganda enganosa”.

Vem vou me dar ao trabalho de reproduzir o texto. Deixo apenas o linK AQUI.
RECOMENDO FORTEMENTE A LEITURA.

Ali, o Flávio mostra não apenas a sujeira que sustenta as campanhas eleitorais no Brasil atualmente, incluindo a manipulação descarada de uma imensa massa de desinformados que são levados a acreditar em coisas irreais, mas especialmente a enganação desse conceito vazio de “marketing político”.

Vá ler.

Primeiro, falsificava currículo. Agora, falsifica discurso!

Essa Presidanta não tem jeito….

Começou falsificando currículos. O dela mesma:

dilma_lattes_II

Depois, falsificou agenda (lembram da Lina Vieira ?! Mais detalhes, também, mais adiante).

Agora, falsifica DISCURSO!

O vídeo não deixa dúvidas – mas, ainda assim, o Implicante explica em detalhes AQUI.

O ano era 2006.
Dilma era Ministra de Minas e Energia.
Primeiro, um texto da Lúcia Hipólito (os grifos são meus):

Dilma Rousseff parece ter especial vocação para se deixar envolver em situações esquisitas. Vive cercada de histórias mal contadas, versões retocadas, relatos conflitantes.

No início de 2008, ministros do governo Lula foram apanhados pagando despesas privadas com dinheiro público, através de cartões corporativos. Episódio que ficou conhecido como o “escândalo da tapioca”.
Em 16 de fevereiro daquele ano, jantando com 30 industriais, a ministra Dilma afirmou que “o governo não vai apanhar calado”. E revelou que as contas do governo anterior sofreriam uma devassa.
Dias depois começou a circular o famoso dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Confrontada com os fatos, Dilma afirmou que se tratava de um banco de dados para organizar as despesas com cartão corporativo, a fim de responder à CPI dos Cartões – que sequer tinha sido instalada.

Mesmo depois da publicação do dossiê, restando provado que tinha sido fabricado na Casa Civil, Dilma continuou jurando de pés juntos que se tratava de um banco de dados.

Ninguém acreditou, mas ela continuou insistindo no conto de fadas.

O segundo episódio que confrontou Dilma Rousseff com a realidade aconteceu recentemente. Foi o caso do currículo falsificado.

Descobriu-se que, na Plataforma Lattes do CNPq, que abriga currículos de professores universitários e pesquisadores de pós-graduação, o currículo de Dilma Rousseff registrava um mestrado e um doutorado em economia. Até o título da tese de mestrado estava lá.
Este currículo estava também estampado nas páginas do Ministério das Minas e Energia e da Casa Civil.
Era falso. Dilma Rousseff não concluiu o mestrado, não defendeu tese. Não concluiu o doutorado. Não defendeu tese.


Confrontada com a realidade, ela reagiu dizendo que não sabia quem tinha invadido a Plataforma Lattes e as páginas do governo para escrever mentiras no seu currículo.

Para inscrever o currículo na Plataforma Lattes é necessário uma senha individual. Tudo bem, um hacker poderia ter invadido as páginas. Invadem até o site do Pentágono!

Mas a ministra Dilma Rousseff compareceu duas vezes ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2004 e em 2006. O vídeo dos dois programas circula na internet.

Para os que não estão familiarizados com o programa, no início o âncora lê o currículo do convidado. Nos dois o jornalista Paulo Markun lê o currículo falso de Dilma Rousseff.
E ela ouve sem mover um músculo. Impassível. Nem pisca.
Depois de apanhada, mandou retirar das páginas do governo as menções a um mestrado e um doutorado. Falsos.
Mas continua a sustentar a versão de que alguém invadiu as páginas e falsificou seu currículo.

Finalmente – será mesmo que acabou? – Dilma envolveu-se em mais uma confusão de versões desencontradas.
A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, cuja demissão nunca foi bem explicada, afirmou que foi chamada para uma conversa com a ministra-chefe da Casa Civil. No encontro a ministra lhe pediu que “acelerasse” as investigações sobre a família Sarney.
(Deixemos de lado a estranheza de uma chefe da Casa Civil chamar para uma reunião uma subordinada de outro ministro, sem que seu chefe esteja presente.)

A ex-secretária Lina Vieira entendeu que era para encerrar as investigações. Um processo desses é longo, e acelerar pode muito bem significar “acabar rapidinho”. Dilma poderia dizer que tinha encontrado a ex-secretária, mas que tinham conversado sobre outros assuntos. Poderia dizer que tinha sido um encontro informal, por isso não estava na agenda de nenhuma das duas.

Isto é comum entre autoridades. Semana passada mesmo, o presidente Lula recebeu, fora da agenda, o senador Fernando Collor.
Mas não, Dilma Rousseff reagiu como Dilma Rousseff: autoritária, peremptória, categórica. Segundo ela, jamais teve uma conversa individual com a ex-secretária da Receita.

Mas Lina Vieira confirmou o encontro, em entrevista ao Jornal Nacional. E citou como testemunhas o motorista da Receita, sua chefe-de-gabinete e, mais importante, a principal assessora de Dilma Rousseff, Erenice Alves Guerra – aliás, envolvida também na elaboração do dossiê com as despesas de Fernando Henrique e Ruth Cardoso.


Diante disso, das duas uma. Ou bem Lina Vieira está mentindo, e Dilma Rousseff está moralmente obrigada a processá-la por danos morais. 
Ou bem Lina Vieira está falando a verdade. E neste caso, Dilma Rousseff cometeu crime de prevaricação, quando um agente público toma conhecimento de um ilícito, ou propõe um ilícito e não tenta coibi-lo, para tirar proveito próprio.

E qual seria o proveito próprio? O apoio do PMDB à sua candidatura em 2010.

O agravante no caso da ministra Dilma é que, se Lina Vieira estiver dizendo a verdade, trata-se de interferência direta da ministra numa investigação muito séria, que envolve a Receita Federal e a Polícia Federal.


Dilma Rousseff ambiciona a presidência da República. Tem todo o direito.

Mas tem também o dever de dizer a verdade, esclarecer os fatos, para não entrar numa campanha que é tradicionalmente muito dura — mas o prêmio é alto — como alguém que tem relações cerimoniosas com a verdade.

Aqui mostro o vídeo que “resume” as duas vezes em que a então Ministra ouve o próprio currículo (FALSO) e fica quieta, como se tudo estivesse correto:

Vamos tratar o cliente como otário? Ele nem vai perceber!

Alguns poderão dizer que eu sou tão chato a ponto de ficar por aí “caçando” cagadas das empresas para reclamar.
Mas a verdade é que as empresas me perseguem, entregando as cagadas em domicílio!

Na semana passada, recebi um e-mail da Editora Abril, me oferecendo a renovação da minha assinatura da Quatro Rodas. Eis aqui o print-screen do e-mail (do dia 04 de Setembro, portanto 6 dias atrás):

Como pode ser visto na imagem (basta clicar para ampliar), a “oferta” era para renovar a assinatura por 3 anos (36 edições), pagando 12 parcelas de R$ 29,10, o que totalizaria R$ 349,20.

Hoje, fui até o site da Editora Abril, para simular qual seria o custo de uma NOVA assinatura.
Selecionei duas opções, que mostro abaixo:
(1a) Assinatura de 36 edições (3 anos) apenas da edição impressa, que custaria 12 parcelas de R$ 24,00, totalizando R$ 288,00, e
(2a) Assinatura de 36 edições (3 anos) da edição impressa + digital, que custa R$ 331,20, divididos em 12 parcelas de R$ 27,60.

As imagens abaixo comprovam ambos os valores:

Basicamente, a Editora Abril está sinalizando o seguinte: ou eles acham que o cliente é tão otário, tão idiota, a ponto de NÃO verificar qual seria o custo de uma NOVA assinatura antes de renovar a sua, ou eles acham que o cliente GOSTA de pagar mais caro para ter o mesmo produto.
Bom, na verdade, outro produto: se eu ficasse quieto e aceitasse a renovação por R$ 349,20, (se eu não entrasse em contato com o setor de assinaturas, a renovação seria automaticamente enviada para o meu cartão de crédito) eu pagaria APENAS a edição impressa mais caro do que um novo assinante que escolhesse o “pacote” composto pela edição impressa mais a edição eletrônica.

Pois bem, liguei no 0800 para perguntar por que uma NOVA assinatura seria bem mais barata do que a renovação de um assinante de longa data (são mais de 15 anos!).
A menina que me atende, Jaqueline, disse que no momento em que a oferta me foi enviada por e-mail, era a melhor oferta disponível; provavelmente, DEPOIS de ter sido enviado o e-mail houve uma alteração nos preços do site (para novas assinaturas).

Sei, sei…..
Relembrando: o e-mail foi enviado no dia 04 de Setembro – SEIS dias atrás, portanto!

A Editora Abril é a única empresa que faz isso?
NÃO.

Contudo, erros alheios não justificam os seus próprios.

Quando as empresas vão parar de tratar seus clientes como otários?

Tirar as sacolas dos supermercados foi um ERRO ABSURDO

Li, agorinha, esta matéria, que reproduzo na íntegra (publicada originalmente AQUI) e, como de costume, faço grifos:
O vice-presidente de Relações Corporativas do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, classificou como “um erro absurdo” a decisão dos supermercados paulistas de parar de fornecer sacolas plásticas nos caixas. Na avaliação do executivo, a ideia de chamar a atenção do consumidor para o descarte adequado das sacolinhas é importante, entretanto, deveria ter sido melhor estruturada para promover uma mudança de hábito da população. “Quando você quer mudar hábitos de consumo todos os agentes da sociedade precisam sentar e discutir metas de longo prazo”, disse nesta terça-feira (21), durante o Encontro de Sustentabilidade promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.
Hugo Bethlem acredita que a forma como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) conduziu o tema foi errada, pois acabou gerando uma agenda negativa para o setor. “Queremos sair dessa agenda negativa, colocando o consumidor a favor do meio ambiente”, afirmou.
No mesmo sentido, o presidente do Lide, o empresário João Dória Jr, lamentou a execução da proposta do fim das sacolas plásticas. “Às vezes uma boa intenção que não é completa representa um passo atrás”, avaliou.
A distribuição de sacolas plásticas gratuitamente voltou a ocorrer no Estado de São Paulo no fim de junho, quando a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou a medida, válida a partir do dia 28 de junho e em vigor desde então.
Segundo o executivo do Pão de Açúcar, o grupo está fazendo sacolas sem o nome das redes de supermercados e com mensagens de conscientização do consumo, chamando atenção para o descarte adequado. “As pessoas precisam entender a importância do fim da sacolinha. Vamos oferecer alternativas para isso.”

(Por Último Segundo) varejo, núcleo de estudos do varejo, núcleo de estudos e negócios do varejo

Eu cansei de escrever, neste blog, sobre o caso (basta ver a tag APAS).

Em todas as oportunidades, eu escrevi exatamente isso: a proposta de NÃO oferecer sacolinhas para os clientes é BURRA, HIPÓCRITA e CONTRAPRODUCENTE, sob todos os aspectos possíveis e imaginários.
A medida foi reprovada claramente pelos clientes – e a APAS, com sua visão monopolista, ainda assim segue achando que tem que banir as sacolas, sim. A APAS é tão burra que não percebeu que, se continuar insistindo nessa campanha idiota, vai queimar a imagem de muitos de seus membros (os supermercados).

Comigo ninguém iPod – David Kupfer

Excelente (como de costume) a coluna do David Kupfer no ValorEconômico de ontem:

A recente entrada em cena do tema do conteúdo local como protagonista do debate mais geral sobre os rumos da política econômica merece ser comemorada em si mesmo, como uma evidência animadora de que, enfim, a agenda macro não mais monopoliza as atenções e que o interesse na discussão de assuntos além de inflação, juros ou câmbio está se reconstituindo no país. Nem tão animadora, porém, é a constatação de que esse debate, embora mais presente, ainda é dominado por posições muito simplistas, que opõem defensores da opção nacional versus a global como se o Brasil se visse obrigado a fazer escolhas binárias, autoexcludentes.

De fato, na perspectiva do sistema fragmentado de produção, também conhecido como especialização vertical, que dá a tônica da organização industrial nos setores mais dinâmicos da indústria contemporânea, haja vista especialmente o que ocorre com as tecnologias microeletrônicas e de informação e comunicação, supor que os países façam ou precisem fazer tal tipo de opção parece extemporâneo ou mesmo ingênuo.

Extemporâneo porque o debate sobre vantagens e desvantagens da produção local versus a global iniciou-se ainda na década de 1980, tendo como marco a experiência, por sinal, fracassada, do carro mundial da GM e esgotou-se em meados dos anos 1990 com o surgimento de diversas soluções mistas bem sucedidas, ditas “glocais”. Um exemplo desse tipo de solução, apenas para ficar no setor automobilístico, foi o modelo do consórcio modular, testado e aprovado na experiência piloto realizada pela VW na fábrica de caminhões montada no Brasil (Resende).

Ingênuo porque opor local e global desconhece a complexidade da manufatura contemporânea, não somente no chão de fábrica mas em tantas atividades que se estruturam no seu entorno com o intuito de fazê-lo funcionar com alta produtividade e inovatividade. Estão nesse caso, etapas vitais como engenharia, projeto de produto, licenciamento de propriedade intelectual, software e diversos outros serviços empresariais, geralmente de alto valor adicionado, muito além dos equipamentos de processo e dos insumos industriais.

Na especialização vertical, as empresas especializam as diferentes fábricas instaladas em diferentes países ou regiões para a manufatura de diferentes produtos. Diversamente do modelo da maquila, no qual as unidades são meras montadoras, a realização descentralizada das atividades produtivas e tecnológicas propicia que cada sistema local de produção cumpra um determinado papel em uma grande cadeia global de valor. Um bom exemplo é a cadeia global de valor do iPod da Apple. Montado na China e vendido no mercado americano, o iPod de 30 giga constituiu um caso meticulosamente estudado em uma pesquisa realizada nos EUA em 2007. Dentre outras conclusões, o estudo permitiu comprovar o fato de que nenhum pais individualmente é fonte da totalidade das inovações incorporadas no produto.

Como resultado, a especialização vertical mostra-se como um modelo superior de organização da produção, não somente devido às suas implicações favoráveis sobre a eficiência industrial. Ela também constitui um modelo de divisão internacional de trabalho que contempla a dimensão nacional, proporcionando aos países a capacidade de se apropriar mais amplamente dos ganhos proporcionados pela atividade industrial, incluindo principalmente os decorrentes das externalidades positivas que comumente acompanham a indústria. Por essa razão, a coordenação eficaz dessas cadeias de valor apoia-se necessariamente na firme adesão dos Estados nacionais, por meio de políticas industriais formatadas com essa finalidade. Não sem razão, é visível o esforço americano visando retomar a atividade industrial em vista da sensação hoje prevalecente de que a transferência da manufatura para a Ásia está trazendo um custo significativo em termos de perda de efetividade do sistema de inovação do país.

Nos anos 1960 ou 1970, os teóricos do desenvolvimentismo costumavam afirmar, corretamente, que um mero aumento do peso da indústria no PIB não seria suficiente para configurar um processo de industrialização. Seria necessário muito mais: a indústria teria que se tornar o centro dinâmico do padrão de crescimento econômico, o que significa exercer um papel motriz no modelo de desenvolvimento. Isso exigia, à época, uma crescente internalização da indústria pesada, especialmente os bens de capital, indutores do progresso técnico requerido para a firme expansão da produtividade.

Por essa razão, uma rápida expansão industrial, mesmo que condição necessária, poderia não ser suficiente para configurar um processo de industrialização. Exemplos muito claros de mais indústria sem industrialização eram proporcionados por países que experimentaram rápido crescimento da produção baseado na exploração de mão de obra barata, geralmente em setores ligados às indústrias tradicionais ou, posteriormente, na constituição de maquilas, que são indústrias restritas à montagem local de partes e componentes inteiramente importados.

De modo análogo, na atualidade, a mera redução do peso da indústria no PIB não deve ser considerada como evidência suficiente para configurar um processo de desindustrialização. É necessário que outras transformações no padrão de crescimento da economia tenham lugar e, principalmente, que a atividade industrial perca capacidade de constituir o núcleo dinâmico da economia. No século XXI, evitar essa possibilidade deve ser a “rationale” das políticas de conteúdo local.

David Kupfer é professor e pesquisador licenciado do Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ (GIC-IE/UFRJ) e assessor da presidência do BNDES. Escreve mensalmente às segundas-feiras. E-mail: gic@ie.ufrj.br/ http://www.ie.ufrj.br/gic. As opiniões expressas são do autor e não necessariamente refletem posições do BNDES.

http://www.valor.com.br/opiniao/2785688/comigo-ninguem-ipod#ixzz23ZqXB3VV

A crise do Brasil e as oportunidades que ela traz

O artigo da articulista do Wall Street Journal MARY ANASTASIA O’GRADY não poderia ser mais claro e direto – coisa que, na maioria das vezes, a imprensa brasileira evita, para puxar o saco do Lulla, da Dilma, e de quem decide a liberação de verbas:

O amor adolescente que os administradores de fundos tinham pelo Brasil está se esvaindo. À medida que o crescimento econômico fica aquém das expectativas, esse latino corpulento que foi objeto da afeição dos investidores está começando a parecer rude e imaturo.

Agora a relação comercial mais importante do país, com a vizinha Argentina, está emperrando. Isso deve dar mais dor de cabeça à economia.
O Brasil ainda promete bastante, graças na maior parte ao seu capital humano. Suas instituições permaneceram em pé nos últimos anos ainda que os aliados ideológicos mais próximos do partido governante, o Partido dos Trabalhadores — aliados esses que estão no poder na Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Argentina — destruíram as bases institucionais nos seus próprios países. Um julgamento das supostas práticas corruptas de membros do PT do ex-presidente Lula da Silva, marcado para o mês que vem, demonstra a separação saudável entre os poderes. A inflação baixa também deu força à classe média.
Mas aí há o estado monstro, que intervém em tudo, consome os recursos e torna impossível o tipo de crescimento de baixo para cima liderado pelos empreeendedores. Particularmente preocupante hoje é a agressiva expansão do crédito canalizada para privilegiados escolhidos pelo banco de desenvolvimento brasileiro, o BNDES.
A Argentina está numa situação pior ainda. Ela flertou com os mercados nos anos 90. Mas, desde a desvalorização do peso de 2002, sucessivos governos argentinos vêm se comportando como amantes rejeitados, sendo hostis e vingativos com os investidores. Os contratos e os direitos de propriedade praticamente não significam nada num tribunal argentino.
As coisas podem facilmente degringolar ainda mais para os habitantes de ambos os países se, como parece provável, a união de livre comércio do cone sul, o Mercosul, que inclui ainda o Paraguai e o Uruguai, se dissolver. No longo prazo, o fim do Mercosul será uma boa coisa se isso levar seus membros a abrir seu comércio para o resto do mundo. Mas, no curto prazo, com tantas indústrias fortemente comprometidas com as regras do Mercosul, um rompimento seria certamente prejudicial.
O problema mais recente para o Mercosul começou no mês passado, quando o Congresso do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Fernando Lugo. Lugo era um aliado de Hugo Chávez. Para o ditador venezuelano, foi mais um sinal de que seu movimento regional bolivariano chegou ao limite e que seus opositores vêm tendo cada vez mais sucesso nas investidas contra ele — como eles fizeram ao remover Manual Zelaya da presidência de Honduras, em 2009. Assim, quando Lugo foi retirado do poder, Chávez entrou em ação, mobilizando seus aliados através de canais diplomáticos para isolar e punir o novo governo do Paraguai.
Um efeito material do ativismo de Chávez foi a decisão do Mercosul de suspender “politicamente” o Paraguai, que se opôs à entrada da Venezuela no grupo. Depois da suspensão, o Brasil votou junto com a Argentina e o Uruguai para admitir a Venezuela.
O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa fez comentários duros sobre a decisão. Como presidente do conselho de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Barbosa ressaltou que o voto violava o tratado do Mercosul. O Paraguai, disse ele numa entrevista no Rio de Janeiro, foi suspenso mas ainda é um membro e assim tem o direito de vetar a entrada da Venezuela. Ele também alertou que a Venezuela criaria problemas políticos: Como lidar com “a questão de Israel, por exemplo, que tem um acordo com o Mercosul mas não mantém relações diplomáticas com a Venezuela?”.
O fiasco venezuelano foi apenas o espinho mais recente nas relações comerciais com a Argentina. Um problema mais grave que Barbosa mencionou foi a maneira casual com que Buenos Aires viola o tratado de livre comércio dentro da união e a sua tarifa externa comum. “Os ministros e tecnocratas brasileiros viajam para a Argentina e fazem acordos, mas mais tarde esses acordos acabam presos nas mãos do [secretário de comércio da Argentina] porque tudo [na Argentina] vira uma questão política.” A Argentina, previu ele, “será responsável pelo fim do Mercosul”.
Segundo o jornal venezuelano “El Universal”, Barbosa também criticou a nacionalização da petrolífera argentina YPF, que pertencia antes à espanhola Repsol. Essa decisão, disse ele, vem prejudicando o bloco do Mercosul porque aumentou o sentimento de insegurança do investidor na região.
As infrações da Argentina também são causadas, neste ponto, pela falta de reservas estrangeiras. Apesar do esforço cada vez maior para suprimir importações e empregar controles estritos de capitais, há o risco de uma crise na balança de pagamento.
Ainda assim, existem oportunidades nessa área também. O Mercosul cria mais comércio entre fronteiras dentro da união. Mas, graças às tarifas externas desta, isso acontece às custas do comércio com países fora da união, o qual poderia gerar mais valor. Isso importa menos para o Brasil, com seu grande mercado interno, do que para os membros menores. Se o Paraguai for inteligente, vai tirar proveito da suspensão para ignorar a união e procurar fazer livre comércio com o resto do mundo. Aliás, isso também não seria uma má ideia para o Brasil.

Jonathan Douglas "Jon" Lord

O dia estava indo bem, até saber que Jon Lord morreu.
A última vez que me senti assim foi quando Ronnie James Dio morreu.
Obviamente, nunca conheci nenhum dos dois (não pessoalmente). Mas, graças à música, ao talento e à competência de ambos, me sentia próximo – quase um amigo.
Inexplicavelmente, quando Dio morreu, passei uma semana inteira triste Agora, com Jon Lord, a sensação se repete.

Desnecessário dizer o quão importante Jon Lord foi para a música, especialmente para o hard rock. Fundador de uma das bandas mais importantes do rock, da qual sempre fui fã incondicional, músico GENIAL….
Bom, melhor do que falar (ou escrever), é ouvir:

Jonathan Douglas “Jon” Lord, mais conhecido como Jon Lord (Leicester, 9 de Junho de 1941 – 16 de Julho de 2012), foi um compositor, pianista e organista inglês, mais conhecido por ter integrado as bandas Deep Purple, Whitesnake, Paice, Ashton & Lord, The Artwoods e Flower Pot Men, além de ser pioneiro na fusão do rock com música clássica.


Em 1968, Lord fundou a banda de rock inglesa Deep Purple, onde era praticamente o líder da banda até 1970. Ele e o baterista Ian Paice, foram os únicos integrantes constantes da banda durante sua existência (1968-1976) e a partir de quando eles se reformaram em 1984, até a saída de Lord do Deep Purple, em 2002.


Em 11 de novembro de 2010, Jon Lord foi eleito membro honorário da Faculdade de Stevenson, em Edimburgo. Em 15 de julho de 2011, foi concedido à ele um grau honorário de Doutor em Música pela Universidade de Leicester, em sua cidade natal.