IPEA, FAO, IBGE: dados, estatísticas, erros e desinformação

Há alguns meses, o IPEA foi protagonista de uma situação constrangedora: divulgou uma pesquisa sobre estupro que causou uma repercussão imensa. A pesquisa, descobriu-se pouco tempo depois, estava completamente errada. Não se tratou de um ou dois errinhos, não; eram erros tão amplos, crassos e profundos que o melhor a fazer era jogar toda a pesquisa no lixo e fingir que aquilo jamais aconteceu.

Há poucos dias, veio à tona um estudo da FAO (órgão inútil da ONU presidido por um petista) que também estava baseado em dados falsos. Sobre isso, aliás, eis aqui um vídeo curtinho, claro, objetivo e altamente revelador:

Como sempre acontece, esse tipo de notícia vira base para que alguns ignorantes, que não entendem nada de dados e metodologia de pesquisas, soltem suas bobagens:

Hoje tivemos a cereja do bolo: o IBGE divulgou nota oficial e convocou coletiva de imprensa para avisar que os dados da PNAD que haviam sido divulgados ONTEM continham erros tão graves que, após revisados, alterariam sobremaneira grande quantidade das conclusões apresentadas ontem à imprensa.

Esse tipo de ocorrência é grave, séria.

Uma coisa é um(a) candidato(a) dizer coisas diferentes em momentos diferentes – vejamos, por exemplo, Dilma Rousseff, que em 2010 era favorável à autonomia do Banco Central, mas em 2014 está produzindo mentiras sobre o assunto em virtude da posição da Marina Silva:

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Infelizmente, como imensa maioria da população tem memória fraca e pouco conhecimento sobre 90% dos assuntos econômicos, esse tipo de vai-e-vem de opiniões é comum entre candidatos (a qualquer cargo, registre-se).

Outra coisa, completamente diferente, é vermos órgão estatais ESPECIALIZADOS no assunto cometendo barbeiragens como esta do IBGE, do IPEA ou da FAO.

A despeito de achar que 90% das colunas do José Roberto de Toledo (do Estadão) merecem no máximo a lata do lixo, nesta ele acertou (íntegra AQUI):

Não há hora certa para fazer bobagem, mas não poderia ter sido pior o momento para o IBGE errar como errou na divulgação da PNAD 2013. Imediatamente o instituto virou matéria prima para teorias da conspiração eleitorais. “Maquiagem” foi a palavra da hora nas redes sociais. Mas foi só incompetência mesmo.
O ônus de admitir um erro dessa magnitude na reta final da sucessão presidencial é tão grande que só uma “maquiagem” completa para embelezar os indicadores poderia justificá-lo. Não foi o que aconteceu. Vários indicadores ficaram mais feios.
A renda, por exemplo, cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera. O analfabetismo caiu menos ainda (0,2 ponto, e não 0,4), a média de anos de estudo da população foi de 7,5 para 7,6 e não para 7,7 como se pensava.
O que não ficou mais bonito tampouco ficou menos feio: a taxa de desemprego nacional cresceu mesmo, de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Se fosse para fazer uma cirurgia plástica nos dados, esse teria sido um número a sofrer lipoaspiração.
Um dos poucos indicadores que melhorou foi o da desiguldade medida pelo índice de Gini. Quanto menor, melhor. E o Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Ou seja, não virou nenhuma Gisele Bundchen estatística.
Qual foi o erro, então? A PNAD não é uma simples amostra da população brasileira. Ela é uma série de amostras estaduais e regionais que depois são combinadas à amostra nacional. O IBGE faz isso para poder extrapolar os resultados por região metropolitana, por exemplo. É uma prática comum em pesquisas.
Em eleição os institutos fazem isso quando querem pesquisar a intenção de voto nacional para presidente e, ao mesmo tempo, saber como os paulistas vão votar para governador, por exemplo. Amplia-se o tamanho da amostra em São Paulo apenas, para aumentar a confiabilidade dos dados. Mas na hora de calcular a taxa de intenção de voto para presidente em todo o Brasil, faz-se uma regra de três para dar o peso correto à amostra paulista.
Segundo o IBGE, alguém esqueceu de fazer isso com as amostras das regiões metropolitanas de vários Estados. Assim, elas ficaram com um peso desproporcionalmente grande na amostra do Brasil – por isso os dados educacionais pareciam melhores do que eram de fato, já que a escolarização é maior nas metrópoles.
Apesar de tudo, foi importante o IBGE ter admitido o erro e publicado os resultados certos com clareza – comparando-os aos errados, para todo mundo saber onde estavam os problemas. A PNAD é o melhor termômetro do que acontece com o Brasil. Sem saber se há febre ou não, é difícil acertar o diagnóstico e o remédio.
O erro amassou a reputação do IBGE, mas reconhecê-lo de pronto era a coisa certa a fazer. Maquiagem seria tentar escondê-lo.

Claro que surgirão teorias da conspiração e questionamentos sobre a lisura do IBGE. É do jogo.

Ao mesmo tempo, em virtude da postura totalitária do governo (que exige demissão de funcionário do Santander por enviar a seus correntistas uma análise tecnicamente correta e impecável, mas que desagradou à Presidente que se acha a Rainha do Amazonas; ou querer expulsar do país um repórter do New York Times que escreveu uma matéria tecnicamente correta, ainda que fraca, sobre os hábitos de um ex-presidente bebum), é compreensível que surjam dúvidas sobre os motivos que levaram o IBGE a voltar atrás em apenas um dia.

Eis aqui um artigo curtinho do Reinaldo Azevedo sobre o caso:

O IBGE mobiliza uma tropa de técnicos para processar as informações colhidas pela Pnad. Se a rotina não mudou, há todo um processo de conferência de dados. Mais: há procedimentos justamente para capturar eventuais erros antes da divulgação. Fazer de conta que estamos diante de uma narrativa corriqueira corresponde a tapar o sol com a peneira. Não estamos.

Então, depois de uma demora que também não teve a devida explicação, os dados são divulgados, constata-se a estagnação da redução da desigualdade, o tema ganha óbvia tradução política — e nem poderia ser diferente —, e, com rapidez espantosa, corrige-se o “erro” e se obtém o resultado desejado? “Ah, a desigualdade continua em queda”. Que bom, né? A oposição já não poderá mais usar esse argumento.

Estou acusando o IBGE de ceder à pressão oficial? Não exatamente. Se achasse, diria. Mas que devemos estranhar o procedimento, ah, isso devemos, sim.

Reitero: o que me espanta é o fato de checagens periódicas, que fazem parte do método de processamento de dados, não terem identificado, durante meses, um erro tão sério, depois identificado num único dia.

O que se passa no IBGE? Não sei. Nenhuma possibilidade é boa.

Depois disso tudo, o governo incompetente e totalitário do PT anunciou que irá criar comissões para avaliar os erros. Essa gente pitoresca adora “comissões” e “grupos”, né?! Elas jamais conseguem produzir nada, mas são criadas às pencas.

Que o IBGE errou não há dúvida.

A questão é compreender qual a extensão e a gravidade dos erros. Conforme apontou Cristiano Romero, excelente jornalista do Valor Econômico:

Pessoalmente, eu tenho um trabalhão tentando mostrar aos meus alunos o tanto de estatísticas oficiais que se pode obter GRATUITAMENTE junto aos órgãos especializados, e o quanto estas informações são úteis para se fazer um plano de negócios, o plano de marketing, análise da concorrência etc. Eu costumo, sempre que o tempo permite, mostrar a eles sites do próprio IBGE, da Fundação Seade, da FGV-Dados, do IPEA (esse eu abandonei, porque o Pochmann destruiu o coitado) etc, e como eles podem usar os dados de forma prática.

Não é trabalho fácil.

O site do IBGE, por exemplo, tem a SIDRA, um banco de dados gigantesco mas bastante difícil de ser usado por quem não tem alguma experiência com bancos de dados e estatísticas nacionais. Mas eu tento mostrar-lhes alguns “truques”.

E fatos como esse que aconteceu hoje acabam minando a credibilidade de órgãos sérios, aonde trabalham pessoas extremamente sérias e competentes. Estas pessoas, entretanto, acabam prejudicadas por chefias preenchidas com indicações políticas ou então pressões vindas de governos pouco afeitos à democracia.

Lastimável.

Luciana, você precisa estudar

Num momento de masoquismo extremo, assisti à “entrevista” da Luciana Genro ao The Noite do Danilo Gentili. O vídeo segue abaixo:

Em certo momento, depois de falar várias bobagens homéricas, ela disse que o Danilo deveria estudar mais.

Na verdade, quem PRECISA estudar é ela, Luciana, que concatenou uma série de bobagens sobre o mercado de capitais para atacar a “financeirização da economia”, seja lá o que ela ache que isso poderia vir a ser – mas não é.

Vou deixar de fora todas as bobagens que ela falou sobre o socialismo (momento no qual ela soltou o “vai estudar, Danilo”), porque ela não sabe nada sobre o assunto – mas se acha no direito de falar as mentiras e deturpações que são parte do combo ideológico do PSOL, do PSTU e das demais matilhas de boçais assemelhadas. O tweet abaixo desmonta a presepada da linha auxiliar do PT em menos de 140 caracteres:

O principal aqui é destacar as BURRICES que a Luciana Genro cometeu quando falou sobre bolsa de valores e mercado de capitais.

É assombroso que alguém que almeja ser Presidente da República (felizmente jamais será) não tenha NENHUM conhecimento mais elementar e básico sobre as funções da bolsa de valores e o funcionamento do mercado de capitais no geral. Não foi a primeira vez – muito pelo contrário! – que a Luciana soltou essa ladainha burra e obscurantista que leva os esquerdinhas padrão FFLCH a orgasmos cósmico-sensoriais: em todos os debates e nas propagandas de rádio e TV ela solta as mesmas besteiras.

2014-08-28 15.44.56Ao que parece, tudo o que ela sabe sobre bolsa de valores ela aprendeu com Gordon Gecko, do filme Wall Street, de 1987. Mas a Lu, coitada, não entendeu nem 80% do filme.

Ela acha que mercado de capitais e bolsa de valores são sinônimos de especulação, e, PIOR!, que o mercado de capitais é o “oposto” do setor produtivo.

Luciana, você precisa estudar. Você é ignorante.

Quando uma empresa precisa de financiamento para aumentar sua produção, o que ela faz? Uma das alternativas é justamente ir à bolsa de valores: vende ações (“pedaços” da empresa) a quem quiser comprar (que se torna sócio/acionista), e com isso arrecada dinheiro a ser investido no aumento da produção. O mercado de capitais, portanto, é uma das fontes de financiamento para empresas de todos os setores — indústria, comércio, serviços, agronegócio etc.
Sem capital (dinheiro, investimento) NÃO EXISTE EMPRESA, NÃO EXISTE PRODUÇÃO, NÃO EXISTE EMPREGO.
Aprenda o básico, Luciana! Nem me refiro a ler e entender algo mais complexo como Hayek, Schumpeter ou, vá lá, Marx. Mas pegue o caderno de economia de um jornal não especializado e pesquise sobre IPO. Veja as cotações das ações e pergunte a um amigo o que aquilo significa.

Impressionante que uma pessoa como a Luciana Genro seja tão burra (ou tão mal-intencionada) que não sabe (ou ignora) algo tão básico, tão elementar.

Mas a Luciana Genro é um pacote completo: ela fala bobagens sobre todo e qualquer assunto (como fica evidenciado na entrevista acima).

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A Educação continua PIORANDO no Brasil. Obrigado, PT. Obrigado, Dilma. Obrigado, Lula.

Nesta semana foram divulgados resultados preocupantes sobre a educação no Brasil. Reproduzo abaixo algumas coisas (GRIFOS MEUS):

Pela primeira vez desde que foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2005, o País não atingiu nenhuma meta de qualidade nos anos finais (5.º ao 9.º ano) do ensino fundamental e no ensino médio – tanto na rede pública quanto na particular. É o que mostram os dados divulgados nesta sexta-feira, 5, pelo Ministério da Educação.

Na média, a nota do ensino médio ficou estagnada: o Brasil teve 3,7 pontos (redes pública e particular), em uma escala de zero a dez, a mesma nota de 2011. A projeção estipulada pelo governo federal para este ano, no entanto, é considerada baixa por especialistas. Nos anos finais do fundamental, a melhora não foi suficiente para superar a meta. O índice subiu de 4,1 para 4,2, mas o patamar esperado era 4,4. Já nos anos iniciais (1.º ao 5.º ano), houve avanço de 5,0 para 5,2, o que garantiu o cumprimento da meta, que era de 4,9.

Os resultados contrariam a expectativa do governo federal de que a evolução nos anos iniciais do fundamental nas últimas edições do Ideb se traduziria em melhor resultado nas etapas seguintes de ensino em 2013. Nesta edição do exame, ao avaliar o ensino público dos 27 Estados, 16 tiveram uma nota no ensino médio pior do que dois anos antes. Outros seis, apesar de terem resultados melhores, ainda ficaram abaixo das metas. Em muitos Estados, a nota só não foi pior pela diminuição dos indicadores de evasão e repetência, um dos componentes usados para calcular o Ideb. Na rede pública, a média 3,4 do País é mantida desde 2009.

Para justificar o fracasso nos dois últimos ciclos da educação básica, o governo federal defende uma reforma do currículo para tornar a escola mais atraente para os jovens. Já os especialistas criticam a falta de articulação entre União, Estados e municípios.

A notícia acima li no Estadão (íntegra AQUI).

Sejamos um pouco mais específicos, e vejamos o que aconteceu EXCLUSIVAMENTE COM O ENSINO MÉDIO:

Dados do Ideb, principal avaliação educacional do Brasil, apontam a piora na qualidade do Ensino Médio durante o governo de Dilma Rousseff.

O índice atual, baseado nos exames “Saeb” e “Prova Brasil” de 2013, ambos do MEC, é de 3,2 pontos. O levantamento anterior apontou média de 3,4 pontos. O de 2009, 3,6 pontos.

80% das matrículas do Ensino Médio pertencem às redes estaduais de ensino. Quem coordena o repasse de verbas e as estratégias aplicadas, porém, é a União.

No início do mandato, a equipe de Dilma Rousseff prometeu alterar o currículo escolar para ampliar os esforços de alfabetização e aprendizagem da matemática. Até agora, nenhum projeto neste sentido foi lançado.

A reportagem é do Portal Vox (AQUI).

Haddadd-careta1Mais uma do Estadão (íntegra AQUI):

Os anos iniciais do ensino fundamental público em 779 municípios do País ficaram em “estado de alerta”, segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, divulgados anteontem pelo Ministério da Educação (MEC). Isso significa que, do 1.º ao 4.º ano, em nenhuma dessas cidades o Ideb avançou, bateu as metas ou atingiu o nível 6 – projeção feita pelo MEC para o Brasil em 2021, dentro de uma escala de zero a dez.

O fato concreto, e conhecido por qualquer professor, é que a educação no Brasil está piorando.

O Estado (me refiro à União, Estados e Municípios) vem falhado miseravelmente com a educação (ok, não apenas no âmbito da educação, mas vamos esquecer as demais incapacidades estatais por ora).

Enquanto isso, a iniciativa privada (sim, PRIVADA, aquela coisa malvadona que a esquerda demoniza) mostra o caminho das pedras.

A Época Negócios (que eu referencio bastante aqui no blog, porque é realmente muito boa) publicou uma matéria que acho fundamental:

Uma vez por semana, a aula de matemática de mais de 70 mil alunos em 278 colégios públicos do ensino fundamental espalhados pelo país é interrompida. Pela porta da sala de aula entra um carrinho retangular, pouco maior do que o usado para as sobremesas em churrascarias. Quando suas portas se abrem, saem de lá dezenas de laptops, passados de carteira em carteira até que todos os alunos tenham um. Pelas próximas horas, quem ensinará álgebra e cálculo não será o professor, mas o Khan Academy, uma plataforma online que apresenta questões conforme o aluno.

No método tradicional, a professora precisa nivelar o nível da aula para que todos a acompanhem. Com plataformas como o Khan, cada aluno trabalha num computador e vai avançando no conteúdo conforme seu entendimento. Se ele tem dificuldades, a tecnologia para e explica melhor. Se já entendeu, parte para a próxima pergunta ou mesmo para o próximo assunto. Ao fim da aula, o professor tem acesso a um relatório detalhando quais são os alunos com as melhores e piores notas e quais mudanças devem ser promovidas à estrutura das aulas.

Por trás da aula de matemática no computador está o empresário Jorge Paulo Lemann. Quem traduziu a Khan Academy para o português e passou a negociar sua inclusão no currículo escolar foi a Fundação Lemann, fundada em 2002 pelo empresário com a ousada meta de melhorar a educação pública brasileira. Não se trata de uma iniciativa isolada: pelos últimos 23 anos, Lemann tem investido tempo e dinheiro para encontrar maneiras de diminuir o gap entre os colégios particulares e públicos no Brasil. Nos últimos 3 anos, a iniciativa educacional ganhou urgência:

A introdução da Khan Academy em colégios pelo Brasil é só uma das diversas iniciativas educacionais nas quais o empresário Jorge Paulo Lemann vem investindo. Lemann distribui bolsas de estudos a jovens com potencial desde 1991, mas nos últimos três anos o empresário definiu como objetivo melhorar a qualidade da educação pública no Brasil. As metas são ousadas: nos próximos cinco anos, mais de 50 milhões de brasileiros (ou um quarto da população) deverão ser beneficiados por alguma iniciativa capitaneada por Lemann. É um projeto amplo que envolve não só laptops em sala de aula, mas também bolsas de estudo, aportes em startups educacionais, treinamento de professores, compra de colégios pelo Brasil, fellowships para pós-graduandos, encontros com ex-ministros e presidencisáveis, citações em novelas… A lista é longa.

A íntegra está aqui: O jeito Lemann de ensinar matemática.

O Brasil precisa, mais do que qualquer outra coisa, de EDUCAÇÃO.

Não a porcaria que as escolas (em sua maioria, com poucas e honrosas exceções, claro) brasileiras enfiam na cabeça dos alunos e que acabam gerando uma suposta “elite intelectual” que não sabe ler e compreender um texto relativamente mais complexo e profundo.

O sistema educacional brasileiro é tão ruim que um sujeito IGNORANTE (em sentido amplo, geral e irrestrito) como Emir Sader é chamado de “intelectual”:

Emir Sader on Twitter- "Os 4 principais candidatos a governador do Rio vai se reunir com a Dilma na luta contra o rebaixamento do perfil do Pré sal."Emir Sader

2014-07-17 07.04.29O sujeito só fala/escreve besteira, não sabe conjugação de verbos, concordância, gramática, sintaxe…. mas é “intelectual”!

Essas falhas na educação geram profissionais ruins.

Um breve exemplo disso vi no meu LinkedIn, alguns dias atrás. Segue um print-screen de um comentário que um “jornalista” (é o que diz o perfil do sujeito, nem me dei ao trabalho de verificar) deixou na minha página do LinkedIn:

Firefox 20Um JORNALISTA escrevendo mal desse jeito? Sim. Essa é a educação que temos no Brasil.

Um dia foi boa. Nos últimos anos, só vem piorando.

Obrigado, PT.

Obrigado, Dilma.

Obrigado, Lula.

OAS, JBS e Andrade Gutierrez bancam 39% da campanha presidencial

A matéria é da Época Negócios, e está disponível na íntegra aqui: OAS, JBS e Andrade Gutierrez bancam 39% da campanha presidencial. Eis um trechinho:

A OAS é a líder no ranking de doações, com R$ 26,1 milhões repassados nos três primeiros meses de campanha. A principal beneficiária foi Dilma, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26 milhões (a conta incluiu a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, outra empresa do grupo). A Andrade Gutierrez doou R$ 11,8 milhões. Os dados foram calculados pelo Estadão Dados em parceria com a Transparência Brasil, com base nos registros contábeis apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral. Foram levadas em consideração todas as doações nas contas da campanha de cada candidato e do comitê para presidente, além do dinheiro que saiu das direções nacionais dos partidos para essas duas contas.

Segundo o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, o valor parcial das doações aos candidatos a presidente neste ano já se aproxima do que foi doado ao longo de toda a eleição de 2010, incluindo o 2.º turno – quando os valores são corrigidos para eliminar o efeito da inflação. Se as doações continuarem nesse ritmo, 2014 terá uma campanha ainda mais cara do que a anterior. É uma tendência que se repete desde 2002.

Não demora muito e vão surgir os primeiros retardados bradando o financiamento público de campanhas eleitorais como “solução”. Não é.

É preciso reduzir os custos das campanhas eleitorais e exterminar POR COMPLETO o financiamento público de campanhas políticas – começando pelo fundo partidário, uma aberração que faz com que os meus impostos sirvam para financiar os doidivanas obscurantistas do PSOL, do PSTU, do PCO e de outros partidos que pararam no tempo, defendem o socialismo e/ou o comunismo, mas não têm nenhum preconceito contra o dinheiro capitalista que recebem anualmente.

Teoria da Vaca

A onda Marina Silva pode colocar o futuro do Brasil no meio de um tsunami de idéias ruins e velhas, tudo em prol de uma “nova política” que não existe

Eu havia decidido reduzir drasticamente o espaço dedicado a política neste blog, por várias questões que não vêm ao caso. Contudo, preciso falar deste assunto.

Estava lendo O Globo há pouco, e achei esta pérola:

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, alcança seus melhores índices entre os eleitores mais jovens e nos centros urbanos das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Aos 17 anos, a estudante Maria Luisa Azevedo, moradora do Rio, diz que o “discurso de Dilma não convence” e acha que Aécio Neves pode privatizar empresas públicas, prática com a qual ela não concorda. Maria Luisa se interessou pelas propostas de Eduardo Campos, morto em um acidente de avião, e vai levar o voto para Marina.

— O Brasil e o mundo precisam de alguém que fale em sustentabilidade — define.

O universitário Pablo Alves, de 21 anos, votou na ex-senadora em 2010 e pretende repetir a escolha.

— Ela fala da ética da questão ambiental. Acho o governo da Dilma muito assistencialista — diz ele, morador do Rio.

A jornalista Debora Baez também destaca a firmeza da candidata do PSB quando o assunto é sustentabilidade.

— Ela saiu do PT e do PV por não concordar com a falta de clareza no discurso ambiental.

Já a universitária Gabriela Barbosa, que mora em São Paulo, acredita que Marina representa a “verdadeira mudança na política”.

— Ela rompeu com o PT porque discordava das práticas adotadas — diz, sobre saída de Marina do partido.

Segundo o cientista político Antônio Testa, da UNB, o discurso sobre meio ambiente tem uma boa aceitação na juventude urbana.

— A Marina se comunica bem quando cita essa nova visão de mundo, comprometida com a economia verde — avalia.

A íntegra da reportagem está AQUI.

Não querendo ser chato, preciso comentar estas “justificativas” apresentadas pelos eleitores da Marina. Obviamente o voto é livre (pelo menos por enquanto!), e todos ali têm todo o direito de votar em quem quiserem. O meu ponto é outro: precisam se informar melhor, porque a JUSTIFICATIVA (“voto na Marina porque“) é que está bem fraquinha.

A primeira, Maria Luiza, é contra as privatizações e gosta que alguém fale em sustentabilidade. Com 17 anos, é compreensível que seja mal informada e se deixe levar por modinhas. Porém, Maria Luiza, o agronegócio brasileiro é um setor moderno e altamente competitivo – o ÚNICO setor da economia brasileira competitivo mundialmente. Se a Marina conseguir implantar o conceito de “sustentabilidade” que ela tem/defende, este setor será sucateado.

O Pablo Alves elogia a ética e menciona a questão ambiental também. Querido Pablo, pesquise a ética de Marina Silva na relação espúria entre o marido dela e algumas ONGs que usam a Amazônia como fonte de lucros milionários; pesquise a ética da Marina no caso do mensalão; pesquise a ética da Marina de quando ela era Ministra e liberou uma dinherama para ONGs que não faziam absolutamente nada (exceto, claro, parasitar o dinheiro público).

A jornalista Debora Baez poderia ser mais jornalista (ou seja, pesquisar). Marina saiu do PT e do PV por razões que não têm NENHUMA relação com o discurso ambiental. Ela saiu do PT e, depois, do PV, porque ela não conseguiu transformar nenhum dos 2 partidos em propriedade exclusiva dela. A universitária Gabriela Barbosa também poderia se informar um pouco melhor. Repito: a saída do PT e do PV se deu por outras razões.

Estou vendo gente dizendo que vai votar na Marina por estar farta do PT. Alguns já apontaram que, segundo as pesquisas de intenção de votos, Marian é a única capaz de ganhar da Dilma e, portanto, já estão mudando seu voto – tudo para se livrar de Dilma.
Lamento, mas a Marina tem o PT no DNA. Ela saiu do PT, mas o PT não saiu dela. Nunca sairá.
Votar nela é tão ruim quanto votar na Dilma. Sob vários aspectos, é ainda pior.

Alguns pontos centrais:

1) Marina é muito mais PT do que a própria Dilma, que no Rio Grande do Sul era do PDT e apenas filiou-se ao PT quando foi convidada para ser ministra. Marina Selva passou mais de 20 anos no PT, enquanto a Dilma tem apenas alguns poucos anos de “casa”. E a Marina só saiu do PT porque não conseguiu espaço para ser a candidata a presidente do partido, que, graças ao Lulla, escolheu a Dilma.

2) Marina tem toda a formação marxista “clássica”, na sua vertente mais puramente bolchevique. Consegue ser pior do que a Dilma, cuja RALA formação foi dentro do socialismo pós-URSS – ambas as linhas teóricas são nefastas, mas há sutis diferenças. A Dilma vem de outra linha de produção de ditadores totalitários. Mas ambas os idolatram e se espelham em gente como Fidel, Chávez, Che Guevara, e outros do mesmo “nível”.

marina

3) Marina odeia o agronegócio MUITO MAIS do que a Dilma. A Dilma caiu no colo do MST depois que foi alçada pelo Lulla ao cargo de poste, ou seja, já durante sua campanha para suceder o molusco. A Marina, por outro lado, sempre teve estreitas ligações com o MST – um amor mútuo, plenamente correspondido. Chico Mendes era um dos idealizadores do MST, foi líder “intelectual” da corja por muito tempo e, depois de sua morte, o posto coube à Marina. Ela desempenhou o papel com plena satisfação.

4) A “equipe” da Marina. Exceções feitas ao Eduardo Gianetti e ao André Lara Resende (que são caras inteligentes, o que aliás me deixa bastante curioso e decepcionado, pois não consigo entender como eles embarcaram neste navio furado rumo a Cuba), o resto é de gente da estirpe da Erundina, alçada a coordenadora da campanha depois que a Marina Selva expulsou a equipe que trabalhava com o Eduardo Campos. Erundina foi a primeira prefeita do PT em SP, e foi uma lástima talvez até pior do que a Marta. Pior: ela ainda defende abertamente, sem nenhum pudor, o socialismo (a la Cuba). Uma energúmena que segue presa ao Século 19. Aliás, uma energúmena que falou isso aqui sobre a Marina:

5) Marina é uma obscurantista secular que se acha uma divindade, uma enviada de Deus, acima do bem e do mal, superior aos reles mortais. Ela não apenas vai usar esta “aura” para tomar decisões: ela tomará decisões como todos os Reis tomavam, ou seja, achando que todo mundo deve obedecer sem questionamentos, pois se trata da decisão “divina”. Veja o que ela faz (sempre fez) no Acre desde 1990.
Pior: no Acre ela continua umbilicalmente ligada ao PT, através do “clã” Viana (batedores do PT e de Lulla).
Aliás, para quem se diz representante de uma “nova” política: NENHUM outro candidato (entre os que estão na corrida presidencial deste ano) está há mais tempo do que a Marina dentro da “velha” política. Enquanto a Marina já fazia política pelo PT, Dilma ainda era uma burocrata de terceiro escalão no Rio Grande do Sul.

Lembro, finalmente, que as pesquisas eleitorais de 2010 e 2012 erraram grotescamente. Vi pessoas que usam o argumento do voto útil na Marina para derrotar a Dilma, em face das recentes pesquisas que mostram crescimento da intenção de voto na Marina. Não é uma boa idéia confiar cegamente nas pesquisas (sim, um marketeiro dizendo isso!).
Aqui em SP, por exemplo, TODOS os institutos de pesquisa davam Netinho-espancador-de-mulheres-de-Paula e Marta Suplício eleitos como senadores. Quem acabou eleito com um novo recorde de votos foi o tucano Aloisio Nunes. 2 anos depois, quando da eleição para prefeito, aconteceu o mesmo: TODAS as pesquisas erraram e passaram alguns dias fazendo mea-culpa, depois que os resultados oficiais foram finalizados.

Evidentemente eu quero o PT expulso do governo (idealmente, do planeta Terra), mas não adianta trocar seis por meia dúzia. Veja o que a Marina já aprontou, em pouco menos de 15 dias, com o PSB (um partido nanico, que não tem NENHUM senador eleito e apenas 22 deputados federais): já desfez acordos regionais que o Eduardo Campos havia costurado, trocou equipe, brigou com pessoas que estavam trabalhando para o Campos, além de posar de viúva sofrida.
Como essa criatura vai aprovar QUALQUER matéria no Congresso com uma bancada de 22 deputados e ZERO senadores? Por mais que eu ache o Congresso (Senado e Câmara) um antro de boçais, é uma instituição fundamental à democracia. É preciso eleger deputados e senadores capazes de recuperar as instituições, e não passar por cima delas.

Aliás, é público e notório que ela vai chutar o PSB se for eleita, para criar o partido dela, a “Rede”. Outro aliás: uma mulher que havia recebido 19 milhões de votos e teve quase 2 anos não conseguiu criar um partido político mas acha que tem competência pra ser presidente da República?

Outra “linha” de argumentos que tenho ouvido com certa frequência é que o “mercado” está animado com a possibilidade de Dilma perder.

Sim, é verdade. Isso beneficia todo o país. Dilma e o PT sendo derrotados, só perdem os petistas, os PTralhas e o ecossistema que o PT montou (esgotosfera governista de blogs sujos, companheiros que mamam nos cargos comissionados etc). O restanto do país ganha – inclusive um futuro.

As bolsas subiram muito em decorrência das últimas pesquisas que apontam grande margem da Marina sobre a Dilma no segundo turno.

Mas eu não me deixo levar pelo que o “mercado” acha/acredita. Nada contra o mercado – pelo contrário, sou defendor do livre mercado capitalista que Dilma e Marina combate, xingam e detestam.

Porém, este é o mesmo “mercado” que via o Eike Batista como um empreendedor sensacional e infalível há pouco tempo, não é?!

Desculpa, nunca acreditei no Eike Batista.

Nunca acreditei na Dilma.

Nunca acreditei no Fernando Haddad. Este incompetente foi vendido em 2012 como “o novo” na política. Deu no que deu: a cidade de SP está abandonada às traças, e o Haddad já conseguiu um novo recorde de REPROVAÇÃO dos cidadãos paulistanos.

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Marina Selva é um Lulla de saias. Dissimulada, cínica, hipócrita e burra (mas com aquele verniz de “sonhática” que lhe permite soltar bobagens sem nenhum sentido e, ainda assim, ter um séquito de boçais a aplaudir, achando que acabam de ouvir o pronunciamento divino e subliminar d’A “escolhida”).
Ontem, no Jornal Nacional, provou que é um Lulla: questionada sobre o jatinho envolvido no acidente do Eduardo Campos, um caso clássico de caixa 2 (pela lei, punível com impugnação da candidatura), deu uma explicação lulática: NÃO SEI DE NADA. A entrevista pode ser assistida AQUI. A pergunta do avião está logo no início da entrevista. Recomendo ao leitor que veja se ainda não viu.

Em suma: antes de votar na Marina Silva, pesquise.

Informe-se.

O Brasil não precisa de mais uma fraude intelectual que se apresenta como “novo”.

Para encerrar, li isto no facebook e compartilho, pois trata-se de um excelente resumo da falcatrua chamada Marina Silva:

Marina Silva periga ficar conhecida como a política-mesa-branca. Começou a carreira com o cadáver do Chico Mendes como cabo eleitoral, depois foram as ilusões de petistas arrependidos com a morte do “partido da ética” e o surgimento do partido do mensalão, agora é Eduardo Campos o seu palanque necrológico.
Se era para homenagear, as homenagens estão feitas. Continuar citando o “Eduardo” chega perto da linha tênue entre homenagem e exploração.
Mas adiante.
Resolvi falar dela agora porque, pelo visto, a vice-viúva já saiu do luto fechado e está em plena campanha, logo me desobriga a manter o silêncio respeitoso.
Marina diz que pratica uma tal “nova política”, ainda que ela mesma esteja na política desde 1985. Seu mote é “inovar”, mas cita como possíveis colaboradores nessa tarefa Pedro Simon (32 anos de Senado), Eduardo Suplicy (24 anos de Senado) e José Serra, alguém que muito admiro, tanto que votei nele em 2010, ao contrário de Marina, que negou seu apoio no segundo turno.
Seu discurso belo e vazio diz basicamente que é contra “tudo isso que está aí” e que repudia “políticos profissionais e tradicionais”. Por isso o seu eleitor-médio a considera uma inovação.
Diz que é a superação da dicotomia PSDB-PT, para logo em seguida afirmar que pretende governar junto com PT e PSDB.
Mas vejamos com muita calma: Marina era do PT, foi ministra de Lula até bem depois do mensalão, saiu quando percebeu que Dilma, por ser poste, é que seria ungida a sucessora e não ela, foi para o PV, teve 19 milhões de votos para presidente, negou-se a apoiar José Serra no segundo turno ajudando assim Dilma Rousseff (ou alguém duvida que um apoio explícito seu ajudaria o Serra?), por não conseguir se impor dentro do PV saiu do partido, recusou convites de vários partidos pequenos para trabalhar ali preferindo criar um SEU, não teve competência para juntar assinaturas (Pros, Solidariedade e Novo conseguiram), entrou no PSB dizendo claramente que faria o partido de hospedeiro até sua Rede sair do papel, bateu de frente com os socialistas dinamitando alianças que não atendiam seus interesses em vários estados, declarou-se ajudada pela “Providência” quando um acidente matou seu colega de chapa, faz uma campanha sem “se misturar” com o que não é “limpo” o suficiente e seus militantes tratam a “seringueira pobre que venceu na vida e vai mudar o país” como alguém intocável, acima de críticas e que “sabe o que fazer” quase que por inspiração divina.
Parece muito o partido de um metalúrgico pobre que venceu na vida e iria mudar o país. O mesmo que se recusou a apoiar Tancredo, a assinar a nova Constituição, a fazer parte da aliança que ajudou Itamar Franco a tirar o país de uma das piores crises políticas da sua história, a apoiar o Real, a lei de responsabilidade fiscal, as metas de inflação, o câmbio flutuante, as privatizações que modernizaram setores do país e que nunca “se misturava com ninguém” porque era um partido “acima da política tradicional”.
Os elementos estão todos aí: o egoísmo, o obscurantismo, a militância fanática, o messianismo, um marido exercia cargo no governo do PT até AGOSTO de 2014, as relações estranhas com empresários.
Fora a ausência de uma base parlamentar que ainda é necessária no Brasil. Caso seja eleita, seus milhões de votos em seis meses não valerão nada sem apoio no Congresso. Sabem pra onde ela vai correr? Isso mesmo, para o bom (pra eles) e velho PMDB e para o PT, que a essa altura vai até tomar santo daime para achar alguma convergência.
Marina Silva é o petismo sem glúten e lactose, mas continua sendo petismo.
Por isso é que faço aqui essa declaração de não-voto. Nem tudo que não é literalmente o PT, deixa efetivamente de ser o PT.

Balanço da Copa do Mundo no Brasil – 2

Conforme prometido, este é o segundo post sobre os efeitos da Copa do Mundo no Brasil. O primeiro está AQUI, e destaco que vale a pena ler também este post AQUI, que já trazia alguns dados preliminares sobre a Copa.

Já alerto que 90% ou mais dos dados apresentados nesta série serão negativos, ruins para o país – sim, a Copa foi um péssimo negócio para o Brasil, e reitero que não me refiro ao futebol em si, apenas e tão somente ao “legado” que a Presidanta-Catifunda e seu partido totalitário insistiam em atrelar à Copa, para justificar os bilhões de reais que foram jogados fora. A “Copa das Copas” da Presidenta-Catifunda (que, justiça seja feita, foi obra do criador de postes sem luz, Lulla da Silva, e não dela), como eu já havia escrito aqui diversas vezes, foi uma roubada – e o trocadilho não foi intencional, mas é bom frisar que, se formos considerar os bilhões de reais que certamente foram desviados nas obras inacabadas e muitas delas sem licitação, os custos podem quase dobrar.

2014 07 24 08 13 09

Contudo, acho que podemos começar este post trazendo ao menos uma boa notícia (na íntegra AQUI):

O fim da Copa do Mundo, que provocou uma redução de preços de passagens aéreas e diárias de hotéis, foi o principal motivo que fez com que o índice de inflação medido pelo IPCA desacelerasse em julho. A inflação mensal ficou em 0,01%, uma forte desaceleração frente ao 0,40% registrado em junho. Em 12 meses, o índice ficou em 6,50%, informou nesta sexta-feira (8) o IBGE. Os dois valores ficaram abaixo das previsões do mercado. Segundo a Bloomberg, analistas previam alta de 0,1% em julho e de 6,60% em 12 meses.
 
Ainda que a Copa tenha ocorrido até o dia 13 de julho, o IBGE verificou que ao final da primeira quinzena do mês passado os preços desses dois serviços apresentaram queda, afirma a coordenadora de Índices de Preços do órgão, Eulina Nunes dos Santos. As passagens aéreas registraram em julho queda de 26,86% em relação a junho. O recuo compensou a alta de 21,95% verificada no mês anterior.
 
Essa queda deu a contribuição mais forte para que a inflação dos transportes tenha recuado 0,98% em julho e permitido, junto com outros três setores que apresentaram deflação, que o índice de inflação oficial ficasse praticamente estável em julho.
Nos sete primeiros meses do ano, passagens aéreas acumulam queda de 41,62%.
Uma segunda explicação para essa queda é que neste ano muitas empresas aumentaram o número de voos com destino ou origem do Brasil, também em função do mundial. O aumento da oferta contribuiu para a redução dos preços, disse a coordenadora.

Conforme eu já havia escrito, alguns setores da economia foram absolutamente devastados pela Copa. Outros, sofreram menos. Apenas uma minoria foi beneficiada. 

A indústria de transformação decerto foi um dos setores mais afetados – porém, repito: a Copa não foi a causa dos problemas, o evento apenas aumentou a estagnação da economia. Matéria da Época Negócios (íntegra AQUI) ajuda a demonstrar:

A Copa do Mundo potencializou a perda de dinamismo que caracteriza a indústria desde o último trimestre do ano passado. Em junho, a produção industrial recuou 6,9% em comparação a igual mês de 2013, o pior resultado desde setembro de 2009. A redução de números de dias trabalhados e a concessão de férias coletivas pesaram no resultado, principalmente das montadoras. Em relação a maio, a produção recuou 1,4%, informou ontem (1/8) o IBGE. A queda foi menos intensa do que o esperado em média por analistas (-2,4%), mas contribuiu para recuo de 2% na produção no segundo trimestre, reforçando a perspectiva de retração no Produto Interno Bruto (PIB, soma da renda gerada no país) de abril a junho. O ritmo fraco deve ter reflexos também nos investimentos.
 
O recuo da produção em junho foi o quarto seguido tanto na comparação mensal quanto anual, mas a realização da Copa foi o que tornou a perda mais aguda e espalhada. Em maio, o recuo foi de 0,8%. “A magnitude da queda tem relação direta com menor número de dias trabalhados, férias coletivas e cortes de turnos de trabalho, que ficaram como uma marca de junho”, disse André Macedo, gerente da Coordenação da Indústria do IBGE.
 
A fabricação de televisores, que até abril impulsionou a indústria, caiu 29,6% em junho. Já os bens de consumo duráveis e os bens de capital tiveram as perdas mais expressivas e são as categorias que mais pressionam a indústria. O destaque ficou com os veículos, cuja produção recuou 12,1% em relação a maio. Na comparação com junho de 2013, a queda foi de 36,3%, a maior desde dezembro de 2008 (-51%). “As estatísticas de estoque do setor estão completamente fora de seu padrão habitual”, detalhou Macedo.
 
Fornecedores da indústria de veículos também foram afetados, como autopeças, produtos químicos, borrachas e plásticos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e metalurgia. Além disso, a formação de estoques está por trás das perdas na fabricação de produtos têxteis, máquinas e aparelhos elétricos, máquinas e equipamentos e calçados, citou Macedo. “A abertura dos dados da produção de junho ante maio mostrou uma queda disseminada em vários setores, o que dá uma dimensão de paralisia generalizada da economia”, avaliou a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

E hoje, 15/08, foi noticiado em todos os jornais o seguinte:

A atividade econômica registrou queda no segundo trimestre deste ano. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado houve queda de 1,2% no segundo trimestre deste ano, comparado com o período de janeiro a março deste ano. Em relação ao segundo trimestre de 2013, a queda ficou em 1,54%.
 
Em junho, o IBC-Br também registrou queda, de 1,48%, na comparação com maio (dado dessazonalizados). Essa foi a maior retração desde maio de 2013, quando o índice caiu 1,68%. No primeiro semestre, houve expansão de 0,13% e em 12 meses encerrados em junho, de 1,5%. De acordo com o dado dessazonalizado, a expansão em 12 meses ficou em 1,41%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária.

Sardemberg

Qualquer pessoa ue tenha ao menos um dos pés na realidade sabe que o Brasil está num momento lastimável – e, na Economia, está numa verdadeira crise. A inflação está altíssima (quem frequenta supermercado sabe do que estou falando), mas as empresas não estão investindo, estão demitindo ao invés de contratar, e os resultados disso estão sendo noticiados quase diariamente.

É importante ressaltar que não se trata de crise internacional – pelo contrário: Europa e principalmente Estados Unidos estão, há alguns meses, em franca aceleração econômica. Estamos diante de uma crise INTERNA, gerada pela incomPTência da Presidanta-Catifunda e sua equipe econômica brilhante, chefiada pelo sempre equivocado Ministro Margarina-talhada.

A Copa do Mundo apenas agravou a situação.

O sistema tributário brasileiro explicado com cerveja

Suponha que, todo dia, 10 homens saíam para tomar cerveja e que a conta para os dez ficava em R$ 100. Se eles pagassem sua conta da forma como nós pagamos nossos impostos, ficaria mais ou menos assim:

> Os primeiros quatro homens (os mais pobres) não pagariam nada.
> O quinto pagaria R$ 1.
> O sexto pagaria R$ 3.
> O sétimo pagaria R$ 7.
> O oitavo pagaria R$ 12.
> O nono pagaria R$ 18.
> O décimo (o mais rico) pagaria R$ 59.

Assim, foi o que eles decidiram fazer.
Os dez homens bebiam no bar todos os dias e pareciam muito felizes com o arranjo, até que um dia, o proprietário lhes fez uma oferta:
“Uma vez que vocês são todos tão bons clientes”, ele disse, “eu vou reduzir o custo da cerveja diária de vocês em R$ 20. As bebidas para os dez, agora custarão somente R$ 80.”

O grupo ainda queria pagar sua conta da forma como nós pagamos os impostos, de modo que os quatro primeiros homens não seriam afetados e continuariam a beber de graça.
Mas e os outros seis homens – os clientes pagantes?
Eles dividiriam os R$ 20 de desconto, de modo que todos eles obtivessem sua “quota justa”.
Eles calcularam que R$ 20 divididos por seis daria R$ 3,33.
Mas se eles subtraíssem isto da quota de cada um, então o quinto e o sexto homens teriam que receber para beber sua cerveja.
Assim, o proprietário do bar sugeriu que seria justo reduzir a conta de cada homem proporcionalmente ao valor pago por cada um, e calculou as quantias que cada um deveria pagar.

Assim:
> O quinto homem, como os primeiros quatro, agora não pagaria nada (100% de economia).
> O sexto agora pagaria R$ 2 ao invés de R$ 3 (33% de economia).
> O sétimo agora pagaria R$ 5 ao invés de R$ 7 (28% de economia).
> O oitavo agora pagaria R$ 9 ao invés de R$ 12 (25% de economia).
> O nono agora pagaria R$ 14 ao invés de R$ 18 (22% de economia).
> O décimo agora pagaria R$ 49 ao invés de R$ 59 (16% de economia).

Cada um dos seis que pagavam ficou numa situação melhor do que antes. E os quatro primeiros continuavam a beber de graça. Mas, quando saíram do restaurante, os homens começaram a comparar as suas economias.

“Eu só ganhei um real dos R$ 20”, declarou o sexto homem. Ele apontou para o décimo homem, “mas ele ganhou R$ 10!”.

“Sim, está certo”, exclamou o quinto homem. “Eu também economizei somente um real. É injusto ele ganhar dez vezes mais do que eu!”.

“É verdade!!” gritou o sétimo homem. “Porque ele deve receber de volta R$ 10 e Eu só recebi dois? Os ricos levam todas as vantagens!”.

“Espere aí “, gritaram juntos os quatro primeiros homens. “Nós não ganhamos nada. O sistema explora os pobres!”

Os nove homens rodearam o décimo e deram-lhe uma surra!
Na noite seguinte, o décimo homem não apareceu para beber, de modo que os nove sentaram e tomaram suas cervejas sem ele. Mas quando chegou a hora de pagar a conta, eles descobriram algo importante. Eles não tinham, entre eles, dinheiro bastante para pagar nem a metade da conta!

E assim, senhoras e senhores, é como funciona nosso sistema tributário. As pessoas que pagam os maiores impostos são as mais beneficiadas pelas reduções de taxas. Taxem-nos demais, ataquem-nos por serem ricos, e eles simplesmente podem não aparecer mais. Na realidade, eles podem começar a beber no exterior, onde a atmosfera seja mais amigável
Para aqueles que entendem, não é necessária nenhuma explicação.

Para aqueles que não entendem, nenhuma explicação é suficiente.

PS – Tomei conhecimento desse texto graças ao Nelson Karsokas, aqui. Reproduzi, pois explica de forma bastante didática o tipo de mentalidade burra que domina grande parte das discussões no país hoje.

Margaret Thatcher

Balanço da Copa do Mundo no Brasil – 1

Conforme eu havia escrito AQUI, este blog fará um acompanhamento dos resultados práticos REAIS oferecidos pela realização da Copa do Mundo no Brasil.

Como eu detesto futebol, deixarei de lado toda e qualquer análise que tenha a ver com o esporte em si. O que interessa nesta “série” é avaliar os resultados da Copa para as empresas e cidadãos: depois de investimentos que ultrapassaram a casa dos TRINTA BILHÕES DE REAIS, qual foi o legado da Copa?

Apenas para refrescar a memória do leitor, o governo e o PT espalharam números (fantasiosos) para justificar a realização da Copa no Brasil. Graças a uma imprensa no geral subserviente, os números estapafúrdios e as previsões utópicas eram amplamente divulados, e havia pouca (raríssima) contestação.

Twitter - dilmabr- A Copa não representa apenas ...E quando falo de contestação, evidentemente não me refiro àqueles protestos babacas de junho de 2013. Aquilo não passou de uma consequência nefasta da ignorância de parcela significativa do povo – que, num primeiro momento, se deixou manipular pelas organições da extrema esquerda que iniciaram os protestos (Movimento Passe Livre e seus partidos-donos, como PSTU, PSOL, além, claro, dos blac-blocs e outros desmiolados) apenas e tão somente buscando criar um “buzz” em torno das suas reivindicações estapafúrdias, como, por exemplo, transporte público gratuito.

Enfim, o que esta série de posts vai analisar é exclusivamente os resultados/consequências da realização da Copa do Mundo no Brasil.

Eu já havia avisado, e repito: alguns dados setoriais já foram aparecendo, e outros ainda demorarão um pouco mais para serem divulgados; algumas informações e dados ainda serão revisados, e podem sofrer mudanças pontuais. Vou tentar apresentar aqui, de forma contínua, alguns dados já tornados públicos.

Será desnecessário fazer grandes análises: os números falam por si.

Vamos começar, então?!

A realização da Copa serviu para incrementar o PIB, como o governo dizia que aconteceria?

Resposta: Não.

Aliás, houve justamente o efeito inverso: a economia já vinha mal das pernas, e a Copa apenas serviu para piorar o quadro (atenção: não se pode dizer que a Copa CAUSOU estagnação ou queda do PIB, pois ela apenas AGRAVOU um problema que já estava ruim há tempos).

O Estadão de 01/08 reportou o seguinte (os grifos são meus):

A magnitude da queda da produção industrial em junho tem relação direta com a realização da Copa do Mundo no País, afirmou nesta sexta-feira, 1, André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, o órgão anunciou que a produção cedeu 1,4% em junho ante maio, a mais intensa desde dezembro do ano passado e a quarta consecutiva neste ano.

“A magnitude tem relação direta com menor número de dias trabalhados, redução da jornada de trabalho, férias coletivas, cortes de turnos de trabalho, que ficaram como uma marca do mês de junho. E o evento Copa do Mundo tem relação com esses fatores”, disse Macedo. Segundo ele, não apenas os jogos do Brasil prejudicaram a indústria, mas o “simples fato de haver várias cidades recebendo jogos”, o que aumentou o número de feriados.

Mas o movimento de queda não fica restrito ao mês de junho, ressaltou Macedo. Ele observou que o recuo anunciado hoje foi o quarto dado negativo consecutivo na margem. “O perfil de queda ritmo de produção é algo que não é característico só desse mês”, disse. “Foi em outubro de 2013 que começou o ritmo de queda maior da produção. A Copa potencializou”, acrescentou.

Desde outubro do ano passado, a produção industrial acumula um recuo de 6,5%. “Percebemos que é característica de um setor industrial que vem mostrando menor dinamismo”, afirmou Macedo. Segundo ele, a menor evolução da demanda doméstica, o cenário externo e a restrição no crédito são fatores que persistem e marcam o ano de 2014.

O efeito da Copa do Mundo sobre a produção industrial deve persistir no mês de julho, avalia o IBGE. Os dados serão conhecidos no dia 02 de setembro.

No Valor Econômico do mesmo dia 01/08, lemos o seguinte (íntegra, para assinantes, AQUI):

Julho encerrou com queda de 13,9% nas vendas de veículos novos no país. Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o mercado movimentou 294,8 mil veículos no mês passado, quando o desempenho foi prejudicado pelo menor movimento nas concessionárias em virtude da Copa do Mundo na primeira quinzena.

Na comparação com o fraco resultado de junho, também afetado pelo Mundial, houve avanço de 11,8% nos volumes, mas essa evolução se deve ao calendário comercial mais favorável de julho, que, sem contar os feriados de cidades-sede da Copa, teve três dias úteis a mais de venda. Na média, as vendas ficaram perto de 12 mil carros a cada dia útil de julho, menos do que as 12,6 mil unidades do mês anterior.

O desempenho faz a queda das vendas de veículos no acumulado do ano atingir 8,6%, ante 7,6% até junho. Agora, a diferença negativa em relação a 2013 passa de 183 mil veículos, ou o equivalente a 13 dias cheios de venda.

A propósito: em virtude do fiasco daquele jogo contra a Alemanha, a Presidenta-Catifunda e o PT vêm tentando se distanciar do evento (clique para ampliar):

2014-07-11 02.12.05
Mas é impossível separar algumas coisas. Dilma e o PT vinham usando a Copa do Mundo como “trunfo” político. Usaram de forma descada mesmo. Depois do vexame do 7 a 1, bateu aquele medo de que o feitiço viraria contra o feiticeiro.

O governo federal gastou dinheiro público para fazer propaganda da Copa – o vídeo abaixo eu gravei via iPhone (inclusive por isso o som está meio ruim: tentei gravar enquanto passava o comercial na TV), e mostra uma propaganda do governo federal enaltecendo a Copa. Vejamos:

Para piorar (clique para ampliar):

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Pretendo fazer ao menos um post por semana tratando do “legado” da Copa do Mundo. Ainda há muito a ser mostrado.

O banco dos BRICS prova que nenhuma idéia é tão ruim que não possa ser piorada

E agora foi fundado, oficialmente, o banco dos BRICS.

Reproduzo algumas coisas a seguir que dão alguma perspectiva sobre o caso – e começo com um vídeo que não trata diretamente da questão, pois foi gravado em 2012. Porém, motra-se ali uma discussão muito interessante sobre problemas econômicos do Brasil e da Índia, dois países envolvidos diretamente nessa roubada do banco dos BRICS:

E agora, tratando ESPECIFICAMENTE do caso do banco dos BRICS:

O artigo do Roberto Ellery citado no vídeo:

O assunto da semana é a criação do Banco dos BRICS. Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul decidiram criar um banco que será sediado em Xangai e que será uma mistura de FMI com Banco Mundial. Para começo de conversa é preciso deixar claro que FMI e Banco Mundial exercem funções diferentes e, não raro, conflituosas. Enquanto o Banco Mundial é um banco de desenvolvimento com a tarefa de financiar o crescimento econômico no mundo e reduzir a pobreza (ver aqui) o FMI é um fundo desenhado para socorrer países em crise de balanço de pagamentos (ver aqui). O Banco Mundial é aquele banco que você recorrer quando tem uma ideia que acredita ser boa e quer transformar a ideia em um negócio ou quer um financiamento para que sua ideia reduza a pobreza, o FMI é aquele banco que você procura quando está quebrado. O Banco Mundial é o “policial bonzinho” e o FMI é o “policial malvado”.
Pensar as duas funções em um único banco é um desafio que não vou enfrentar nesse post, apenas registro que as possibilidades de risco moral são inúmeras. Aqui vou separar cada função e questionar a relevância de cada uma delas para o Brasil. Começo pelo banco de desenvolvimento, um dos meus vilões favoritos. A verdade é que já temos um banco de desenvolvimento de dimensões consideráveis. Em 2012 o Banco Mundial emprestou U$ 32 bilhões (ver aqui e aqui), no mesmo ano o BNDES desembolsou R$ 156 bilhões, o que equivale a aproximadamente U$ 70 bilhões pelo cambio atual. É isto mesmo, em 2012 o BNDES desembolsou duas vezes mais que o total de empréstimos realizados pelo Banco Mundial. Se o Brasil tem um banco maior que o Banco Mundial que é só dele por qual razão vai criar outro banco concorrente do Banco Mundial?
Uma possível resposta é que o novo banco terá uma atuação internacional e nós queremos ajudar os países mais pobres. O problema é que o BNDES já financia projetos em outros países (ver aqui) e sem dar satisfação a chineses ou a russos. Outra resposta é que o BNDES está fazendo um excelente serviço e um novo banco seria uma forma de ampliar esses serviços. Já escrevi um bocado sobre os efeitos do BNDES aqui no blog, é só fazer uma busca. Os exemplos do fracasso das políticas do banco se amontoam, o caso mais emblemático é o do grupo X de Eike Batista o que eu tomei conhecimento mais recentemente é o da Eldorado (ver aqui). O próprio Luciano Coutinho, presidente do BNDES e um dos mentores da política de campeões nacionais, já percebeu que a política de campeões nacionais que norteou a atuação do BNDES deve ser abandonada (ver aqui).
Entretanto, na condição de liberal chato e sendo mais chato do que liberal, coloco mais uma vez o retrato do fracasso do BNDES em elevar a taxa de investimento brasileira. A figura abaixo mostra os desembolsos do BNDES, a taxa de investimento no Brasil e a taxa de investimento na América Latina e Caribe. Notem que a taxa de investimento no Brasil é menor que a da América Latina e Caribe (não retirei o Brasil do grupo América Latina e Caribe, portanto o Brasil está puxando o grupo para baixo), mas ainda, o gigantesco aumento dos desembolsos do BNDES não foi capaz de dar a taxa de investimento do Brasil uma dinâmica diferente da taxa de investimento da América Latina e do Caribe. O único momento em que isto aconteceu foi na sequencia da crise de 2008, minha conclusão é que os efeitos da atuação do BNDES parecem mais com a de uma política de curto prazo do que com o que se esperaria de um banco de desenvolvimento. Os dados para desembolso são do próprio BNDES, as taxas de investimento são do FMI.
O motivo para isto é simples: o Brasil não precisa de um banco de investimento. As grandes restrições para o investimento no Brasil estão no ambiente de negócios, investir em um país que muda regras o tempo todo é uma decisão de alto risco. Investimentos de longo prazo exigem estabilidade, exatamente o que não oferecemos. Peço que o leitor imagine a apreensão de quem acabou de investir no Brasil em um setor que concorre com produtos chineses. Com o novo banco os chineses serão favorecidos? Quem arrisca uma resposta? A verdade é que mesmo no Banco Mundial a estratégia de combater pobreza e estimular desenvolvimento com crédito barato vem sendo questionada. O crédito barato costuma acabar nas mãos dos amigos do governante de plantão que não necessariamente são os que têm os melhores projetos, mais grave, o crédito barato acaba sendo usado para manter governos no poder e atenta contra a democracia.
A atuação do banco dos BRICS como banco de desenvolvimento me parece trazer mais problemas do que soluções. Mas como fica a atuação como emprestador de última instância para países em crises de balanço de pagamentos? Aqui é mais delicado. Alguém sempre pode argumentar, com alguma razão, que a existência desse tipo de banco acaba por estimular um comportamento irresponsável que leva às crises que o banco vai resolver. Simpatizo com essa linha de raciocínio, mas tenho de reconhecer que crises existiam antes do FMI e que, portanto, o FMI não pode ser a causa única para crises. Parece razoável argumentar que já que crises existem é aceitável existir um banco que socorra países em crises. Mas como entra o Brasil nesta história?
A taxa de poupança do Brasil está entre as mais baixas do mundo (ver aqui). Exatamente por qual razão um país que não tem capital para financiar o próprio investimento e que importa capital vai se oferecer para financiar países sem crédito para honrar seus compromissos externos? Pior, se não ajustar o preços dos combustíveis o Brasil caminha ele mesmo para uma crise do balanço de pagamentos (ver aqui). Mas aí está a vantagem, podem argumentar os espertos de plantão, ao criar o banco dos BRICS o Brasil está se antecipando e conseguindo quem financie uma eventual crise no balanço de pagamentos, afinal a China é um dos maiores credores do planeta. É uma jogada interessante, mas não esqueçamos que malandro demais vira bicho. China, Rússia e mesmo Índia não são os bobos do jogo de poder internacional, pelo contrário, são atentos e não raro brutais neste jogo. Acreditar que a China está disposta a financiar uma crise brasileira para mostrar algo aos EUA é acreditar em fadas. Impressiona que os que falam pelos cotovelos a respeito da questão geopolítica não estejam nos explicando exatamente o que ganhamos e o que perdemos no jogo de poder com a criação do banco.
O post já está longo, termino com uma frase que gosto muito de um filme sobre pôquer que não estou lembrando o nome agora. O jogador do filme dizia que se em tantos minutos você não souber quem o otário da mesa então saia da mesa que o otário é você. Gostaria muito que os especialistas que defendem a criação do banco dissessem quem é o otário da mesa, por razões óbvias as autoridades não podem dizer, se não souberem é melhor recomendar que saiamos da mesa…
E o incomparável Guido Mantega já falou suas corriqueiras estultices sobre o caso (a reportagem é do Valor Econômico, na íntegra AQUI, e os grifos são meus):
A criação de um banco de desenvolvimento do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é uma resposta à falta de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao jornal Folha de S.Paulo. O capital inicial do banco, de US$ 10 bilhões, pode chegar a US$ 50 bilhões e alcançar US$ 100 bilhões por meio de captações. “As reformas do FMI não foram implementadas e isso tornou necessário o desenvolvimento de instrumentos alternativos”, disse Mantega.

De acordo com o ministro, uma das estratégias para sair da crise mundial é aumentar investimentos em infraestrutura, mas falta crédito. “Os organismos multilaterais que existem hoje, como BID e CAF, não têm recursos suficientes”, disse, referindo-se ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e à Corporação Andina de Fomento.

Segundo o ministro, o banco financiará não apenas o Brics e terá uma classificação de risco (rating) muito elevada para captar recursos. O grupo, contudo, terá o controle da instituição, 55% em igualdade de condições. Para fomentar a captação de recursos, serão criados fundos especiais. “Já na criação constituiremos fundos especiais de investimento. Vários fundos poderão surgir e se somarão ao capital”.

Os acertos finais – presidência e sede – para a criação do banco dos Brics, chamado de Novo Banco de Desenvolvimento – serão definidos nesta semana em reunião de cúpula do bloco, em Fortaleza. A China quer a sede, o Brasil, a presidência, que será rotativa, com troca de comando a cada cinco anos.

Falando sobre atividade econômica, Mantega considerou na entrevista que os Brics vão continuar liderando o crescimento da economia mundial, embora tenham desacelerado. “A China não cresce mais a 11%, mas a 7,5%. O Brasil e a Rússia tiveram alguns problemas a mais, mas também vão se recuperar”. Ainda a respeito do Brasil, Mantega disse que o país pode crescer a 3%, 4%, mas não estipulou um prazo para que isso aconteça.

Para 2014, as estimativas de expansão da economia têm ficado em torno de 1%, com algumas já abaixo disso. Para 2015, rondam perto de 1,5%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

Como eu sempre digo: Guido Mantega é um Ministro à altura da estatura intelectual da presidanta Dilma.
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(clique na imagem para ampliar numa nova janela, para facilitar a leitura)
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