Lulla ainda vai custar muito mais ao Brasil

Coincidentemente (ou não), um dia depois de eu escrever aqui sobre o uso demagógico que Lulla e o PT fizeram da Petrobras, é publicado este artigo aqui (no Globo):

O ‘custo Lula’

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Há menos de três anos, em 17 de setembro de 2009, o então presidente Lula apresentou-se triunfante em uma entrevista ao jornal “Valor Econômico”.

Entre outras coisas, contou, sem meias palavras, que a Petrobras não queria construir refinarias e ainda apresentara um plano pífio de investimentos em 2008.

“Convoquei o conselho” da empresa, contou Lula. Resultado: não uma, mas quatro refinarias no plano de investimentos, além de previsões fantásticas para a produção de óleo.

Em 25 de junho último, a Petrobras informa oficialmente aos investidores que, das quatro, apenas uma refinaria, Abreu e Lima, de Pernambuco, continua no plano com data para terminar. E, ainda assim, com atraso, aumento de custo e sem o dinheiro e óleo da PDVSA de Chávez.

Todas as metas de produção foram reduzidas. As anteriores eras “irrealistas”, disse a presidente da companhia, Graça Foster, acrescentando que faria uma revisão de processos e métodos. Entre outros equívocos, revelou que equipamentos eram comprados antes de os projetos estarem prontos e aprovados.

Nada se disse ainda sobre os custos disso tudo para a Petrobras. Graça Foster informou que a refinaria de Pernambuco começará a funcionar em novembro de 2014, com 14 meses de atraso em relação à meta anterior, e custará US$ 17 bilhões, três bi a mais. Na verdade, as metas agora revistas já haviam sido alteradas. O equívoco é muito maior.

Quando anunciada por Lula, a refinaria custaria US$ 4 bilhões e ficaria pronta antes de 2010. Como uma empresa como a Petrobras pode cometer um erro de planejamento desse tamanho? A resposta é simples: a estatal não tinha projeto algum para isso, Lula decidiu, mandou fazer e a diretoria da estatal improvisou umas plantas. Anunciaram e os presidentes fizeram várias inaugurações.

O nome disso é populismo. E custo Lula. Sim, porque o resultado é um prejuízo para os acionistas da Petrobras, do governo e do setor privado, de responsabilidade do ex-presidente e da diretoria que topou a montagem.

Tem mais na conta. Na mesma entrevista, Lula disse que mandou o Banco do Brasil comprar o Votorantim, porque este tinha uma boa carteira de financiamento de carros usados e era preciso incentivar esse setor.

O BB comprou, salvou o Votorantim e engoliu prejuízo de mais de bilhão de reais, pois a inadimplência ultrapassou todos os padrões. Ou seja, um péssimo negócio, conforme muita gente alertava. Mas como o próprio Lula explicou: “Quando fui comprar 50% do Votorantim, tive que me lixar para a especulação.”

Quem escapou de prejuízo maior foi a Vale. Na mesma entrevista, Lula confirmou que estava, digamos, convencendo a Vale a investir em siderúrgicas e fábricas de latas de alumínio.

Quando os jornalistas comentam que a empresa talvez não topasse esses investimentos por causa do custo, Lula argumentou que a empresa privada tem seu primeiro compromisso com o nacionalismo.

A Vale topou muita coisa vinda de Lula, inclusive a troca do presidente da companhia, mas se tivesse feito as siderúrgicas estaria quebrada ou perto disso. Idem para o alumínio, cuja produção exige muita energia elétrica, que continua a mais cara do mundo.

Ou seja, não era momento, nem havia condições de fazer refinarias e siderúrgicas. Os técnicos estavam certos. Lula estava errado. As empresas privadas foram se virando, mas as estatais se curvaram.

Ressalva: o BNDES, apesar das pressões de Brasília, não emprestou dinheiro para a PDVSA colocar na refinaria de Pernambuco. Ponto para seu corpo técnico.

Quantos outros projetos e metas do governo Lula são equivocados? As obras de transposição do Rio São Francisco estão igualmente atrasadas e muito mais caras. O projeto do trem-bala começou custando R$ 10 bilhões e já passa dos 35 bi.

Assim como se fez a revisão dos planos da Petrobras, é urgente uma análise de todas as demais grandes obras. Mas há um outro ponto, político. A presidente Dilma estava no governo Lula, em posições de mando na área da Petrobras. Graça Foster era diretora da estatal. Não é possível imaginar que Graça Foster tenha feito essa incrível autocrítica sem autorização de Dilma.

Ora, será que as duas só tomaram consciência dos problemas agora? Ou sabiam perfeitamente dos erros então cometidos, mas tiveram que calar diante da força e do autoritarismo de Lula? De todo modo, o custo Lula está aparecendo mais cedo do que se imaginava. Inclusive na política.

Carlos Alberto Sardenberg é jornalista. Apresentador na CBN e comentarista na Globo News

Há tempos eu digo isso, e agora os fatos começam a se mostrar. Lulla arruinou o Brasil de uma maneira subterrânea, que não aparecia num primeiro momento. Mas o país vai sofrer por muitos anos em virtude da absurda quantidade de cagadas dele e do PT.

Itaquerão e Allianz Arena

Já vi comparações entre a necessidade de construir estádios no Brasil para receber a Copa-2014 e situações semelhantes em outros países.
Um dos exemplos citados é o Allianz Arena, na Alemanha.

Vamos comparar os dois casos, então?

O ALLIANZ ARENA custou cerca de 300 milhões de Euros (ou 680 milhões de reais, ou seja, MENOS do que o Itaquerão); tem 66 mil lugares; 9.800 vagas de estacionamento; e foi construído através de uma joint-venture entre algumas empresas (FC Bayern Munich, Alpine Bau Deutschland GmbH, Herzog and de Meuron, sendo a HVB Immobilien AG a principal captadora de recursos).

Foi, desde o princípio, uma obra PRIVADA.
Porém, e aí as diferenças tornam-se GRITANTES, em 2001, a população da cidade foi consultada sobre a decisão de ser erguida ou não a nova “arena”.

Repito: a população foi consultada!
65% da população da cidade votou favoravelmente à construção do estádio.
Apenas no ano seguinte, após a aprovação da população, e CONCORRÊNCIA ABERTA entre escritórios de design e arquitetura internacionais, é que as obras começaram.

Isso para ficar em apenas um exemplo.

Fácil comparar isso à atual situação do Itaquerão, né?!

 

Vereadores em SP

Manchete do site do Estadão agora há pouco: Na Câmara de SP, 94% dos vereadores vão tentar a reeleição (matéria completa AQUI).
Copio um trechinho:

Após quase dois meses de recesso, os 55 vereadores paulistanos voltam a participar de sessões plenárias a partir desta quarta-feira, 1. E, logo no primeiro dia, a presidência da Casa vai informar sobre um pacote com 35 projetos de parlamentares que deve ser votado nas duas primeiras semanas. A intenção das lideranças é “mostrar trabalho” em ano eleitoral.

O objetivo das 14 lideranças da Casa é votar o máximo de projetos até o final do primeiro semestre. A partir de agosto, com o início da campanha nas ruas, poucos parlamentares devem comparecer às discussões em plenário. Só três dos atuais vereadores não vão concorrer à reeleição no dia 1º de outubro.

O ano de eleições deve tornar a pauta de votação morna, sem propostas polêmicas ou grandes modificações em leis urbanas, como ocorreu no ano passado. Entre os projetos que passaram em 2012 estavam o pacote de R$ 400 milhões em benefícios para a construção do Itaquerão e um alvará provisório de quatro anos para 987 mil comerciantes em situação irregular.

Eu já publiquei a lista de todos os vereadores que votaram favoravelmente àquela proposta ABSURDA, ESCANDALOSA, de conceder isenção para o Itaquerão – aquele estádio de futebol PRIVADO, que será construído com dinheiro PÚBLICO, aqui e aqui.
Esta listinha será muito útil.
O pilantra que votou favoravelmente a este projeto não vai receber voto meu NUNCA.

A conivência da mídia com os escândalos brasileiros – o caso da Copa 2014

O jornalista Carlos Brickmann escreveu um artigo sobre as críticas feitas ultimamente em relação à construção do estádio do Corintians em Itaquera. O texto, na íntegra, está AQUI.

Agora posso tecer meus comentários. Aliás, farei os comentários de forma segmentada, discutindo ponto por ponto as afirmações do jornalista (DESTACADAS EM VERMELHO, seguidas pelas minhas observações).

1) O colega conhece alguém que tenha comprado carro à vista? Deve haver, mas o habitual é comprar a prazo, com financiamento por algum banco. Se alguém compra um carro financiado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Panamericano, está usando dinheiro público? Não: usa um financiamento disponível no mercado, que será pago no prazo previsto e que, aliás, é o negócio do banco. Se não paga, o comprador responde a processo e pode perder o carro.

Em primeiro lugar, sobre este trecho, é importante esclarecer que o BNDES não pode ser comparado aos bancos comerciais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú etc). Independentemente da diferença no que tange ao controle (público ou privado), o BNDES não é um banco comercial, mas um banco de fomento. Isso faz uma diferença enorme!

Tenho certeza de que o jornalista sabe disso, pois é um homem bem informado. Mas não custa repetir: a função do BNDES não é emprestar dinheiro para comprarmos um carro – ou será que o jornalista conhece alguém que financiou seu carro no BNDES? Eu não conheço.

Quem busca o financiamento de um carro, hoje, paga juros extorsivos, e, caso não consiga honrar todas as parcelas, perde o bem (carro) e tudo o que foi pago. O BNDES, devido à sua natureza, tem um escopo de atuação bastante diverso deste. Vejamos o porquê.

O BNDES, por NÃO ser um banco comercial como o Banco do Brasil, Itaú ou CEF, trabalha de forma diferente daquela que geralmente a população média entende como “banco”. O próprio BNDES, em sua página na internet, informa:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental. Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano.

O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.

Peço que o leitor repare nos trechos com grifos (meus).

Desta feita, fica claro que a comparação que o jornalista fez, entre o financiamento de um carro (contratado junto a bancos comerciais, que têm entre suas funções precípuas o empréstimo de recursos e respectiva remuneração, com base nos juros cobrados) e o financiamento do estádio (contratado junto ao BNDES, que usa recursos oriundos de diversas fontes PÚBLICAS, entre elas o PIS-PASEP, FMM e FAT) não procede. São duas coisas muito diferentes.

Compará-las seria a mesma coisa que comparar uma briga de vizinhos devido à sujeira causada pela árvore de um deles com a guerra entre israelenses e palestinos. Algo simplesmente descabido. Os recursos do BNDES são, SIM, públicos, e não privados; a questão é que a função do BNDES, estatutariamente, é gerir recursos públicos com o intuito de fomentar o desenvolvimento econômico e social do Brasil (tendo, inclusive, estes termos na sigla BNDES).

O jornalista Carlos Brickmann pode verificar, no estatuto do BNDES, que suas funções diferem e muito daquelas funções dos bancos comerciais. Vou citar apenas alguns trechos do estatuto do BNDES abaixo, mas recomendo aos interessados a leitura da íntegra.

Art. 6º O capital do BNDES é de R$ 29.557.414.708,31 (vinte e nove bilhões, quinhentos e cinquenta e sete milhões, quatrocentos e quatorze mil, setecentos e oito reais e trinta e um centavos), dividido em seis bilhões, duzentos e setenta e três milhões, setecentas e onze mil, quatrocentas e cinquenta e duas ações nominativas, sem valor nominal. (Redação dada pelo Decreto nº 7.407, de 28.12.2010). (NR)
§ 1º O capital do BNDES poderá ser aumentado, por decreto do Poder Executivo, mediante a capitalização de recursos que a União destinar a esse fim, bem assim da reserva de capital constituída nos termos dos arts. 167 e 182, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mediante deliberação do Conselho de Administração.
§ 2º A totalidade das ações que compõem o capital do BNDES é de propriedade da União.
§ 3º Sobre os recursos transferidos pela União destinados a aumento do capital social incidirão encargos financeiros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a partir do recebimento dos créditos até a data da capitalização.
Art. 7º Constituem recursos do BNDES:
I – os de capital, resultantes da conversão, em espécie, de bens e direitos;
II – as receitas operacionais e patrimoniais;
III – os oriundos de operações de crédito, assim entendidos os provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos pela entidade;
IV – as doações de qualquer espécie;
V – as dotações que lhe forem consignadas no orçamento da União;
VI – a remuneração que lhe for devida pela aplicação de recursos originários de fundos especiais instituídos pelo Poder Público e destinados a financiar programas e projetos de desenvolvimento econômico e social;
VII – os resultantes de prestação de serviços.
Art. 8º O BNDES, diretamente ou por intermédio de empresas subsidiárias, agentes financeiros ou outras entidades, exercerá atividades bancárias e realizará operações financeiras de qualquer gênero, relacionadas com suas finalidades, competindo-lhe, particularmente:
I – financiar, nos termos do art. 239, § 1º, da Constituição, programas de desenvolvimento econômico, com os recursos do Programa de Integração Social – PIS, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970;
II – promover a aplicação de recursos vinculados ao Fundo de Participação PIS-PASEP, ao Fundo da Marinha Mercante – FMM e a outros fundos especiais instituídos pelo Poder Público, em conformidade com as normas aplicáveis a cada um; e
III – realizar, na qualidade de Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento – FND, as atividades operacionais e os serviços administrativos pertinentes àquela autarquia
§ 1º Nas operações de que trata este artigo e em sua contratação, o BNDES poderá atuar como agente da União, de Estados e de Municípios, assim como de entidades autárquicas, empresas públicas, sociedade de economia mista, fundações públicas e organizações privadas.
§ 2º As operações do BNDES observarão as limitações consignadas em seu orçamento global de recursos e dispêndios.

Vamos seguir.
2) Por que, então, o financiamento do BNDES para o estádio que o Corinthians está construindo, em Itaquera, é chamado pelos meios de comunicação de “dinheiro público”? Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público.
Cabe ao BNDES exigir garantias de pagamento e executá-las se o pagamento não for feito – exatamente como os bancos federais fazem com seus clientes que compram um carro ou pedem crédito para adquirir outros produtos.

Alguém faltou às aulas de LÓGICA e SINTAXE, né?! O trecho “Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público” é BRILHANTE! Então o que determina se o dinheiro é público ou não é a existência do financiamento, ou então o fato de ser ou não ser pago???? O jeito é ignorar isso e seguir…

Sim, caro Carlos Brickmann, trata-se de dinheiro público. O BNDES empresta dinheiro PÚBLICO, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado (e especialmente menores se tomarmos por base as linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos comerciais como Banco do Brasil, Panamericano, Bradesco, Santander, HSBC etc), mas isso tem uma razão: o BNDES apoia financeiramente projetos que tragam benefícios econômicos e sociais ao país, diferentemente dos bancos comerciais, que visam ao lucro. Obviamente, não há nenhuma crítica aqui, nem a estes, nem àquele. É importante, todavia, discernir que há uma diferença.

O dinheiro público é usado no financiamento de projetos relevantes para o desenvolvimento do país: fábricas que gerarão impostos (federais, estaduais e municipais), empregos, patentes, tecnologia etc. Comparar o crédito comercial usado para que as pessoas adquiram carros, eletrodomésticos e outros produtos a empréstimos milionários para fábricas e demais atividades comerciais é inadmissível se a intenção for uma argumentação séria. Não parece ser o caso.

 

3) As arquibancadas que o Governo paulista promete alugar para ampliar a capacidade do estádio são pagas com dinheiro público. Como eram dinheiro público as arquibancadas que a Prefeitura alugava para as corridas de Fórmula 1 em Interlagos; como é dinheiro público o que é gasto na reforma do autódromo, a cada ano. Como era dinheiro público a reforma anual do Autódromo de Jacarepaguá, no Rio, quando lá se realizava o GP Brasil. Como é dinheiro público o subsídio às escolas de samba e o empréstimo dos ônibus que utilizam. É dinheiro público que apóia a Parada Gay, é dinheiro público que dá suporte de infraestrutura e segurança à Marcha para Jesus, é dinheiro público que paga o réveillon.
Dinheiro público, aliás, bem gasto: dá retorno em movimento de comércio, hotelaria, serviços, em turismo, em impostos. Dá lucro, enfim. Autoridades dos mais diversos partidos políticos sempre buscaram atuar na promoção de eventos. Por isso, por reconhecer que o investimento de dinheiro público em eventos é de interesse geral, os meios de comunicação jamais o questionaram. Por que, se o evento é a abertura da Copa do Mundo, passa a ser ruim?

Nestes 2 parágrafos, novamente, o jornalista recorre a comparações descabidas, tentando justificar o injustificável.

Primeiro, porque o autódromo de Interlagos, assim como o de Jacarepaguá, são imóveis que pertencem às prefeituras de SP e do RJ, respectivamente, não são imóveis particulares (como também é imóvel público o Sambódromo de SP, por exemplo). Ao que me consta, a Prefeitura, o BNDES ou mesmo a União não promovem reformas anuais na minha casa, certo? Nem deveriam, afinal, é a MINHA casa, um imóvel particular, e não público.
Por outro lado, quem tem a obrigação de manter os imóveis públicos é…. o poder público! A Prefeitura de SP tem a obrigação de reformar e cuidar da manutenção de praças públicas, do autódromo de Interlagos, do Sambódromo, das ruas, calçadas etc. OBRIGAÇÃO do poder público, percebe?

Segundo, quando são citadas Parada Gay, Marcha para Jesus e Reveillon, trata-se de eventos que o poder público pode patrocinar ou não. Podem ser eventos lucrativos, e, claro, podem fomentar, direta ou indiretamente, o comércio, a hotelaria, serviços etc. Porém, ainda assim, é crucial avaliar a relação custo/benefício.

E é justamente neste quesito que os investimentos Bilionários na Copa do Mundo deveriam ser mais criteriosamente analisados. Não estão sendo. O retorno a ser gerado pela Copa do Mundo tem sido superdimensionado, tudo no afã de justificar investimentos altíssimos.

Conforme eu já demonstrei AQUI, o tão comentado “retorno financeiro” que tem sido citado à exaustão para justificar os bilhões de reais que já estão sendo (e ainda serão) torrados na Copa – e nas Olimpíadas também – NÃO EXISTE. Trata-se de uma falácia.

O Corinthians entregou um estudo FRAUDADO feito pela Accenture e bancado pela Odebrecht à Prefeitura de SP, e de repente o tal estudo (repito: FRAUDADO) virou verdade absoluta; todos mencionam um tal retorno financeiro que será gerado pela Copa, mas ninguém sabe de quanto. “Compraram” a versão vendida pela Accenture/Odebrecht/Corinthians.

Será que o fiasco dos Jogos Pan-Americanos não foram suficientes para o Brasil aprender?

 4) A indústria automobilística brasileira nasceu em meados da década de 50 do século passado. Não há uma única fábrica de automóveis que não tenha se beneficiado de incentivos fiscais. Goiás atraiu empresas que processam produtos alimentícios e se tornou um polo de grandes indústrias químicas oferecendo incentivos fiscais. A Zona Franca de Manaus, a Sudene, a Sudam nasceram com incentivos fiscais. Mas, para os meios de comunicação, que sempre aprovaram esses incentivos, eles passam a ser ruins quando beneficiam uma área menos desenvolvida e mais necessitada de investimentos da capital paulista, a Zona Leste.

Bom, aqui o jornalista Carlos Brickmann parece confundir empréstimo (de recursos públicos) com incentivos fiscais. São coisas diferentes – que, novamente, se confundidas, podem levar a conclusões equivocadas.

Com relação aos incentivos fiscais, eles são uma ferramenta válida quando há interesse de médio e longo prazos como, por exemplo, tecnologia – caso da Zona Franca de Manaus. Não se trata de afirmar que a ZFM deu os resultados imaginados inicialmente – ao menos, não em sua plenitude. Sudam, Sudene e outros casos cabem na mesma situação. Porém, aos trancos e barrancos, a ZFM acabou beneficiando, sim, uma região paupérrima (não em recursos naturais, mas em dinheiro mesmo).

De qualquer forma, a questão central não é esta. O problema não está em oferecer incentivos fiscais para beneficiar uma região pobre (como a Amazônia, ou mesmo a Zona Leste de SP). O problema é COMO isto vai ser feito, A QUE CUSTO, e COM QUAL RETORNO.

A Prefeitura de SP vai oferecer mais de R$ 420 milhões de incentivos fiscais para a construção do estádio em Itaquera. Contudo, o benefício gerado por este estádio é ridiculamente baixo em relação a este montante! É o mesmo que construir uma cerca de R$ 100,00 para proteger/guardar um cavalo que vale R$ 20,00. A relação custo/benefício é claramente desfavorável!

Convenhamos: qual será o benefício PÚBLICO (de interesse público e geral) da construção do estádio?

O benefício PARTICULAR do Corintians é claro – o clube finalmente vai ter um estádio, coisa que não conseguiu construir em mais de 100 anos de existência (nem vem ao caso por quais razões, isso é problema do clube). Porém, o benefício PÚBLICO qual seria? Praticamente nenhum!

 5) Este colunista é corinthiano. Mas não pretende discutir futebol, economia nem política partidária, mas equanimidade. Se incentivo fiscal é bom para o desenvolvimento, não pode ser ruim para o desenvolvimento. Se financiamento de bancos federais está disponível para o público (e até para auxiliar grandes empresários a alcançar suas metas), não pode estar indisponível para o público. Se o dinheiro público pode ser gasto para incrementar o turismo de eventos, não pode ser vedado para incrementar o turismo de eventos.

Eu não sou corintiano.
Eu não sou palmeirense.
Eu não sou são-paulino.
Eu não sou santista.
Eu não monto frases que tentam usar recursos estilísticos que resultem em total falta de senso de lógica.

Mas eu sou contribuinte, cidadão que paga altíssimos impostos. Federais, estaduais e municipais. E também quero discutir (e, mais do que isso, VER) equanimidade.
Se eu quero construir uma casa para mim, tenho que pegar empréstimos a juros altíssimos (os maiores do mundo). Ok, eu não vou gerar milhares de empregos, nem patentes, nem contratar PhDs a peso de ouro, trazendo P&D para o país. Mas vou contratar pedreiros, engenheiro e, quiçá, arquiteto. E vou pagar pesados impostos ao comprar areia, cimento, azulejos, tinta, guarnições, ferragens etc.

Contudo, eu terei que pagar. Se eu não pagar o empréstimo, o banco tomará minha casa.
O mesmo não acontecerá com o estádio do Corintians.

Por exemplo: o terreno aonde está sendo construído o Itaquerão (diga-se que as obras NÃO poderiam começar, uma vez que o terreno está envolvido num imbróglio, mas esse “detalhe” foi tacitamente ignorado, e as obras começaram). Aquele terreno foi cedido ao Corintians, pela Prefeitura de SP. O terreno, contudo, é outra fonte de dúvidas e questionamentos. Cito trechos de uma matéria do jornal O Estado de São Paulo (cuja íntegra pode ser lida aqui) sobre isso:

O imbróglio jurídico que envolve o terreno de 200 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura ao Corinthians em 1988, é de conhecimento do presidente Andrés Sanchez. “Ele (Andrés) veio ao MP em setembro, se reuniu conosco e se mostrou disposto a colaborar. Mas, de repente, foi apresentado à imprensa um estádio num terreno que está sub judice. Até agora não recebemos nenhum projeto. O Corinthians sabe que qualquer obra no local no momento tem impedimento legal”, afirma Freitas. O promotor pede na ação a anulação da concessão da Prefeitura para o Corinthians.
“Quando recebeu o terreno, o clube tinha cinco anos para construir um estádio e não o fez. A Prefeitura também se omitiu de cobrar, mesmo depois de a Câmara Municipal em 2001 ter informado o descumprimento da lei”, argumenta o promotor. Em 2001, moradores de Itaquera apresentaram uma representação aos vereadores da Comissão de Finanças na qual denunciavam que o terreno do Corinthians havia virado um depósito clandestino de lixo e de entulhos. Até hoje a área do terreno, vizinha ao centro de treinamento, é usada como abrigo de restos de materiais de construção e de lixo doméstico.
(…) O juiz Ferraz de Campos declarou ontem que analisa o processo, cuja sentença deve ser emitida nos próximos meses. “Mas podemos analisar um acordo com as duas partes (Prefeitura e Corinthians), com alguma contrapartida para a população ou para o trânsito no entorno. Antes disso, qualquer intervenção que ocorra no terreno será alvo de um pedido de paralisação imediata na Justiça por nossa parte”, acrescentou o promotor de Urbanismo.

LINHA DO TEMPO

HÁ 22 ANOS, ÁREA EM ITAQUERA FOI CONCEDIDA AO CORINTHIANS PARA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO

1 – 1988 – Lei 10.622 concede a área em Itaquera ao clube por 90 anos, com a construção do estádio em cinco como contrapartida.

2 – 1993 – Passados cinco anos, a única obra feita pelo Corinthians no local em Itaquera foi a construção do Centro de Treinamento.

3 – 2001 – CPI da Câmara pede devolução da área. Diretoria corintiana diz não ter recebido a escritura e promete estádio em 4 anos.

4 – 2005 – Prefeitura ameaça cobrar taxa mensal de R$ 870 mil do clube para seguir com a concessão, mas medida acaba revogada.

5 – 2010 – Em agosto, ao anunciar estádio, Andrés Sanchez desdenha da concessão. “Se eu quiser, esses 90 anos viram 150, 200 anos.”

Portanto, caro jornalista Carlos Brickmann, em nome da equanimidade que você defende, quero que o Corintians, assim como qualquer empresa e/ou pessoa, tenha que cumprir a lei.

Se eu construir minha casa num terreno que não me pertence, o que acontece? Certamente não serei agraciado com incentivos fiscais da Prefeitura de SP, nem tampouco ganharei um afago na forma de empréstimo de dinheiro público do BNDES. O mais provável é processo judicial, e desapropriação, não?

O mesmo não aconteceu com o Corintians. Por quê?

No final das contas… cadê a equanimidade? 

6) E, quanto ao estádio de Itaquera ser particular, lembremos: as fábricas de automóveis são particulares, as escolas de samba não são públicas, o comprador de automóveis não é um ente governamental. Torcedor torce por seu time e contra os outros, simpatizante torce por seu partido e contra os outros. Mas imprensa tem de ser diferente.

As fábricas de automóveis, que são particulares e não públicas, constróem suas fábricas com dinheiro particular, não público. Quando estas fábricas recorrem ao BNDES para construir uma planta, estão usando dinheiro público, e devem ser fiscalizadas, pois o dinheiro é público. Mas, neste caso, o BNDES tem critérios técnicos a serem observados. Tratarei deles em algumas linhas.

Como eu apontei anteriormente, você confundiu empréstimo do BNDES com isenção fiscal. É compreensível esta confusão, pois o Corintians está usando ambas como fonte de recursos para construir seu estádio particular, ou seja, está usando SOMENTE dinheiro público numa obra PARTICULAR. Mas empréstimo é diferente de isenção.

 

E, seja em termos de empréstimo (de dinheiro público), seja em termos de isenção fiscal e/ou tributária, há um aspecto da maior relevância a ser ponderado – mas este “detalhe” costuma ser deixado de lado.

Se eu, consumidor, recorro a um banco, pleiteando um empréstimo, o banco vai fazer uma detalhada análise da minha situação. Se eu tenho um salário de R$ 2.000,00 mensais e peço um empréstimo para adquirir uma Ferrari de R$ 1 milhão, o banco vai autorizar a concessão do empréstimo?

Claro que não!

Então, caro Carlos Brickmann, fique sabendo que o Corintians teve, em 2010, um EBITDA (lucro bruto) de R$ 12.831.000,00, ou seja, pouco mais de 12 milhões de reais, diante de uma receita total de R$ 173.615.000,00. Grosso modo, a empresa Corintians faturou 173 milhões, mas o lucro foi menos de 10% disso.
Estes dados estão no balanço do clube, disponível aqui.

Agora me diga, caro Carlos Brickmann, em nome da equanimidade: é justo o BNDES emprestar 400 milhões de reais a uma empresa que não lucra, anualmente, nem 10% disso?

É justo a Prefeitura oferecer isenção fiscal que corresponde a mais de 33 anos de lucro (EBITDA) do Corintians?

O problema, caro Carlos Brickmann, é que o Corintians está sendo beneficiado, e as razões desses benefícios passam longe da equanimidade. Aliás, passam longe da moralidade também. Não se trata de time, não se trata de partido, não se trata de imprensa.

Trata-se, enfim, de como encaramos a “res publica”, ou seja, a coisa pública. Inclua-se aí a equanimidade, mas não nos restrinjamos a ela.

Suas reclamações, caro Carlos Brickmann, são mais do que descabidas: a imprensa, no geral, está sendo leniente, extremamente leniente, com as coisas absurdas que estão sendo feitas em nome da Copa de 2014. Já começaram desvios de dinheiro e benefícios inaceitáveis numa república séria, tudo em nome da viabilização da Copa (e das Olímpiadas de 2016 também). A mim pouco (ou nada) interessam as disputas políticas envolvendo os times paulistas – pois, como já mencionei, não torço para nenhum deles.

Contudo, a mim interessa, e muito!, o que é feito com o dinheiro público. E sob a égide de preparar o país para a Copa, vemos o executivo e o legislativo aprovando (ou mesmo fazendo, diretamente) leis e projetos de lei ABSOLUTAMENTE IMORAIS. Enquanto faltam hospitais, médicos, equipamentos, enfermeiros, escolas, professores, livros, presídios, policiais e tantas outras coisas, vemos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes (primeiro, Lulla, que precisava faturar politicamente ao atrair Copa e Olimpíadas para o Brasil, e agora a Dilma, uma gerente da maior incompetência gerencial) gastando tempo e – especialmente – dinheiro público para beneficiar pequenos grupelhos, em detrimento da população.

Os grupelhos ganharão mais dinheiro, enquanto a população segue na pobreza. Política do pão e circo: enganem os otários com alguma diversão (Copa, Olimpíadas) que eles não perceberão que terão que seguir comendo (pouco) pão para pagar pelo circo.

E a impresa, caro jornalista Carlos Brickmann, parece tão indiferente e anestesiada quanto grande parte da população.

Juca Kfouri, numa entrevista à Folha recentemente, usou o termo correto para classificar o que tem ocorrido em relação ao Itaquerão: UM ESCÂNDALO. E olha que se trata de um jornalista sem credibilidade nenhuma (veja a imagem abaixo), que para piorar ainda é corinthiano.

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A “mídia”, senhor Carlos Brickmann, não tem tratado este escândalo como deveria. Muito pelo contrário. Estas obras, estes projetos da Copa e das Olimpíadas deveriam estar na capa de todos os jornais e revistas do país, nas manchetes de jornais de rádio e TV, para que a população compreendesse o tamanho do prejuízo que ela mesma terá.

Porém, muita gente quer mais o circo do BBB, do futebol, não é?!
Bom para os ladrões, caras-de-pau, corruptos e cartolas oportunistas e “ixpérrtos” do Brasil.

Público na privada

Em complementação ao post anterior, é preciso fazer algumas atualizações e alguns complementos.
Primeiro, as atualizações.

Como era de se esperar, o Projeto de Lei 288/2011, que concede isenção fiscal milionária ao Corinthians, foi aprovado na Câmara de Vereadores de SP. A relação dos vereadores que votaram favoravelmente a este despropósito com o dinheiro público (destinando, literalmente, o público à privada), está AQUI. Não é muito diferente daquela que eu publiquei em 30/06/2011.

Além disso, após mais esta farra com o dinheiro público, andei trocando algumas mensagens com o jornalista Sérgio Rondino, assessor de imprensa da Prefeitura de São Paulo. Obviamente, devido ao cargo que ocupa, ele revelou-se favorável ao projeto de lei em questão – mas, infelizmente, não conseguiu responder adequadamente nenhuma das perguntas que lhe fiz.
Contudo, o mais importante que emergiu da conversa que tive com ele diz respeito ao tal “estudo” realizado pela Accenture, citado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Prof. Marcos Cintra, AQUI (aliás, cabe registrar: esta “entrevista” não é uma ENTREVISTA mesmo, haja vista que as perguntas foram elaboradas pela própria assessoria de imprensa da Prefeitura; trata-se, muito mais, de um press-release, mas, por alguma razão incompreensível, podendo ser falta de transparência ou qualquer outra, foi “vendida” como se fosse, de fato, uma entrevista).

O tal “estudo” da Accenture é exaltado no site do próprio Corinthians, AQUI. Perceba, caro leitor, que o trecho que trata do tal estudo foi redigido de tal forma que parece que o próprio clube ficou surpreso com a informação de que haveria um ganho de mais de R$ 30 bilhões a partir da realização da abertura da Copa de 2014 em SP. Destaco justamente este trecho abaixo:

Estudo preparado pela renomada empresa de consultoria internacional Accenture aponta de forma muito clara os enormes ganhos a serem experimentados por São Paulo em razão da cidade sediar a abertura da Copa. Apenas para o evento abertura são esperados cerca de 190 mil turistas estrangeiros, que se estima gastarão na cidade cerca de R$ 1,2 bilhões. Isso sem contar os ganhos futuros, decorrentes do aumento do turismo de negócios em São Paulo decorrente da visibilidade a ser alcançada com a abertura da Copa, estimado pela Accenture em R$ 1 bilhão para o período compreendido entre 2010 e 2020. 

OBSERVAÇÃO: A reportagem do Estadão, que afirmou ter tido acesso ao tal estudo da Accenture, fala em 30 bilhões de reais; esta notinha extraída do site do Corinthians, estranhamente, menciona “apenas” 1 bilhão. Entretanto, vi alguns vereadores “justificando” seu apoio ao projeto de lei desavergonhado citando os 30 bilhões. Como todos os números são fruto de puro Cálculo Hipotético Universal Teórico Estimado (ou, para os íntimos, a sigla é C.H.U.T.E.), isso nem faz muita diferença.

O tal “estudo” foi tema de reportagem do Estadão também, AQUI. O jornalista Sérgio Rondino, inclusive, citou esta matéria do Estadão na conversa que mantivemos via twitter (ver AQUI).

PORÉM – e é aqui que a coisa se complica! – , todos os citados até agora “ESQUECERAM-SE” de citar um detalhe….. QUEM CONTRATOU A ACCENTURE PARA FAZER O ESTUDO FOI O CORINTHIANS.
Sim, é isso mesmo!
Eis aqui a informação completa, DE FONTE OFICIAL: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/24/incentivo-a-estadio-equivalera-a-metade-da-renda-gerada

Vou até transcrever um trecho:

Aproximadamente metade da receita tributária municipal que será gerada até 2020 pela construção e operação do estádio do Corinthians em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, retornará ao clube na forma de incentivos fiscais concedidos pela prefeitura, os chamados Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID). É o que apontam dois estudos usados como base pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) para avaliar os benefícios de ter a cidade como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Ambos os estudos, feitos pela consultoria Accenture e pelo escritório Ademar Fogaça & Associados, foram contratados pelo próprio Corinthians, que os forneceu à prefeitura. Nenhuma das duas empresas quis falar sobre as análises. O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, disse que a administração fez balanços sobre o impacto do incentivo no orçamento, mas que os dados sobre os benefícios do estádio para a Zona Leste e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade vieram dos estudos.
Segundo as estimativas, a arrecadação extra da prefeitura com tributos por causa da construção do estádio, abertura da Copa e a influência da arena na região de Itaquera vai gerar entre R$ 611 milhões e R$ 985 milhões em impostos municipais até 2020, afirma avaliação da empresa de consultoria Accenture.

Qualquer pessoa com um QI de pelo menos 0,5 já percebeu a jogada aqui, né?!
Eu quero apontar algumas, APENAS ALGUMAS….

1) Por que a Accenture não quis falar sobre o estudo que ela mesma fez? Medo?
Convenhamos, senhoras e senhores: as cifras divulgadas são o cúmulo da utopia elevada à décima potência. Não existe NENHUMA, repito, NENHUMA chance de os valores reais chegarem nestes, citados.

Eu, diferentemente do Sr. Sérgio Rondino, do Corinthians, da Prefeitura e dos demais citados, PROVO o que digo.

Vamos lá: num estudo sério, publicado pelo Eastern Economic Journal em 2009 (para ler na íntegra, basta clicar AQUI), os autores (pesquisadores e professores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha) concluíram que a Copa do Mundo da FIFA de 2006, realizada na Alemanha, gerou aproximadamente  900 milhões de dólares em aumento líquido na receita do turismo naquele país.
Os autores demonstram que, no caso da Copa da França, a situação foi ainda pior: em termos de turismo, praticamente NÃO houve qualquer alteração nos números anteriores à realização da Copa; em se tratando de rendimento oriundo da prestação de serviços, tanto na França quanto na Alemanha os ganhos foram mínimos. Eis um trecho:

As mentioned above, France in 1998 did not register an increase in the number
of non-resident visitors (Figure 3). By the same token, France did not register
any significant increases in receipts from international tourism (row 4, Table 1a).
It should be noted that overnight stays by residents even significantly declined in
June 1998 (row 2, Table 1a).

Com relação à Copa da África do Sul, há estudos (citados no mesmo artigo) que apontam ganhos de 845 milhões de dólares em impostos adicionais (em nível nacional).
Há outros trabalhos interessantes sobre os impactos econômicos e sociais de eventos como Copa, Olimpíadas etc. Irei, futuramente, disponibilizar mais alguns aqui. Por ora, fico apenas com este, de Swantje Allmers e Wolfgang Maennig. Destaco um trecho da conclusão dos autores:

The analyses of the WCs held in France in 1998 and in Germany in 2006 agree
with former empirical findings on the effects of large sporting events, namely, that
hardly any WCs and comparable events have short-run positive impacts on tourism,
employment, and income. Nevertheless, although admittedly on a speculative basis,
we are less skeptical than other academics about the potential beneficial impact
of South Africa 2010 based on five arguments. First, the ‘‘couch potato effect,’’
which diverts WC-addicted consumers from their normal consumption behaviors, is
less likely to occur in South Africa. Second, the usual negative crowding-out effect
on regular tourism of large sporting events might not have its usual magnitude
because the WC will happen during the low season for tourism in South Africa.
Third, South Africa does not have a relatively dense provision of sporting facilities
like North American or European countries, and thus the returns to new facilities
might be higher. Fourth, the South African stadium projects draw on insights from
urban economics and aim at a more effective integration of stadiums with urban
needs, which has the potential for enhanced positive externalities.

Ora, com números deste porte em situações análogas, como alguém pode achar, seriamente, que a cidade de São Paulo vai ganhar 30 BILHÕES de reais em virtude da Copa??????

2) Por que este estudo não foi revelado publicamente? Afinal, um projeto de lei foi votado, na Câmara de vereadores, com base INCLUSIVE nos dados supostamente contidos neste tal estudo….. Por que não divulgá-lo, e permitir uma discussão CLARA e TRANSPARENTE?  De novo: medo???

3) Por que o Corinthians, a Prefeitura, a Câmara e os demais envolvidos não esclareceram que o Corinthians PAGOU a Accenture para fazer tal estudo?
Isso é da maior relevância, porque qualquer um que tenha trabalhado um dia na vida numa empresa de consultoria sabe MUITO BEM que o desejo do cliente/contratante vale muito….. É público e notório que o Corinthians tem interesses (muitas vezes escusos, registre-se) enormes na realização da abertura da Copa em São Paulo, pois é o único jeito de construir seu estádio (o clube não tem dinheiro para construir nem um parquinho de diversões, e não possui condições de viabilizar um empréstimo de porte em seu nome).
Com todo este interesse por trás do “estudo”, é crível imaginar que a Accenture fosse entregar um estudo com uma conclusão do tipo “a realização da Copa em SP pode gerar quase 1 bilhão de reais em movimentação financeira, incluindo aí impostos e renda“?
Claro que não! Se a conclusão fosse algo assim, o cliente, contratante do estudo (frise-se: o próprio Corinthians), ficaria sem argumentos para ajudar a aprovar a mamata pública….
Os números precisam ser gigantescos, monstruosos, chamativos……E FALSOS!

Agora, um complemento interessante: a coluna de Monica Bergamo na Folha de São Paulo do dia 07/07/2011 (AQUI, para assinantes da Folha e do UOL) traz um conjunto de pequenas notas MUITO INTERESSANTES. Vamos a elas:

TIMÃO DE ESCANTEIO 
A negociação entre a Odebrecht e o Corinthians com o Banco do Brasil em torno do financiamento para a construção do estádio do Itaquerão passa por um “estresse tremendo”, de acordo com um dos executivos que participa das conversas. O BB, que pegaria R$ 400 milhões no BNDES para repassá-los à obra, exige remuneração considerada alta pela empreiteira e pelo clube para fazer o negócio -mais de 1%. Alega que os riscos da operação justificam a cobrança
 
ESCANTEIO 2 
O BNDES não aceita dar o recurso para o fundo formado pela Odebrecht e pelo Timão para construir a arena. Só aceita liberar dinheiro para a própria empreiteira, sem o clube. Ou para um repassador confiável, como o BB -que, no entanto, também prefere assinar negócio só com a empresa, sem o Corinthians. As conversas chegaram a um impasse. 
 
DA FIEL 
E o marqueteiro Valdemir Garreta, que já fez campanhas para o PT e neste ano coordenou a eleição do presidente do Peru, Ollanta Humala, deve trabalhar na sucessão do Corinthians. Vai fazer o marketing de Mário Gobbi, candidato ao comando do Timão. Ele tem o apoio de Andres Sanchez, atual presidente do clube

O leitor percebe como é complexa a engenharia financeira para viabilizar os interesses PRIVADOS com recursos PÚBLICOS?

Resumindo: 
1) O Corinthians quer construir um estádio PARTICULAR, mas não tem dinheiro.

2) Aí, ele pede isenção fiscal de 420 milhões na Prefeitura de SP. Não gasta nenhum centavo com isso (na verdade, gastou contratando a Accenture e oferecendo brindes ridículos aos vereadores, mas isso é baratinho).

3) Depois, recorre ao BNDES, cujos recursos são PÚBLICOS, para pedir um empréstimo. Porém, ele (Corinthians) não tem garantias a oferecer que justifiquem o montante pedido.

4) Aí, outro banco ESTATAL (ou seja, público) tenta intermediar a operação, sempre com dinheiro PÚBLICO, mas que será usado numa obra PRIVADA, cujo retorno financeiro, social ou cultural é pífio.

5) E, ao fundo de tudo isso, muitos interesses políticos de Gilberto Kassab, Lulla, PT etc.

Isso é Brasil!!!!!!!!!!!

 

Público ou privado?

Antes de mais nada, quero relacionar os 36 vereadores de São Paulo que ontem aprovaram, em 1a votação, o Projeto de Lei 288/2011, que concede mais de R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção do estádio do Corintians, em Itaquera:

  1. Adolfo Quintas – PSDB
  2. Agnaldo Timóteo – PR
  3. Alfredinho – PT
  4. Aníbal de Freitas – PSDB
  5. Atílio Francisco – PRB
  6. Claudinho – PSDB
  7. Claudio Prado – PDT
  8. Dalton Silvano – S/ PARTIDO
  9. Domingos Dissei – DEM
  10. Edir Sales – DEM
  11. Eliseu Gabriel – PSB
  12. Francisco Chagas – PT
  13. Gilson Barreto – PSDB
  14. Goulart – PMDB
  15. Ítalo Cardoso – PT
  16. Jamil Murad – PCdoB
  17. José Américo – PT
  18. José Police Neto – S/ PARTIDO
  19. José Rolim – PSDB
  20. Juliana Cardoso – PT
  21. Juscelino Gadelha – S/ PARTIDO
  22. Marta Costa – DEM
  23. Milton Leite – DEM
  24. Natalini – S/ PARTIDO
  25. Netinho de Paula – PCdoB
  26. Noemi Nonato – PSB
  27. Paulo Frange – PTB
  28. Quito Formiga – PR
  29. Ricardo Teixeira – S/ PARTIDO
  30. Roberto Tripoli – PV
  31. Salomão – PSDB
  32. Senival Moura – PT
  33. Souza Santos – S/ PARTIDO
  34. Toninho Paiva – PR
  35. Ushitaro Kamia – DEM
  36. Wadih Mutran – PP

Estes 36 vereadores, juntamente com o Executivo (do Prefeito Gilberto Kassab), querem que a cidade de São Paulo deixe de receber mais de 420 MILHÕES de reais em receitas (dinheiro PÚBLICO) para que um clube PARTICULAR construa o seu estádio.
O benefício para a cidade? Quase nenhum.
Reproduzo trecho de um texto da urbanista Raquel Rolnik (o texto, na íntegra, está AQUI, e merece ser lido):

Por fim, em relação à Itaquera: o bairro merece intervenções urbanísticas que proporcionem melhorias para a região? Claro que sim! Itaquera, um dos centros da Zona Leste, a região mais povoada – e historicamente negligenciada – de São Paulo, carece de investimentos urbanísticos há muito planejados e nunca implementados. Mas, seguramente, um estádio não tem a capacidade de transformação urbanística positiva que se quer vender com a construção do Itaquerão. 

Em lugar nenhum do mundo, grandes estádios atraem grande densidade de usos e investimentos em seu entorno. Muito pelo contrário – no mais das vezes, acabam gerando uma zona morta ao seu redor, já que ocupam grandes áreas, exigem grandes espaços de estacionamento e áreas de escape e, assim, bloqueiam a urbanidade. Ou seja, uma intervenção urbanística em Itaquera é bem-vinda, mas não será o Itaquerão que proporcionará as melhorias de que o bairro precisa. Itaquera e a Zona Leste merecem algo muito melhor que um estádio que, após a Copa, se tornará um elefante branco. 

Infelizmente, ao se misturar três questões muito distintas, esconde-se o que não se quer dizer e impede-se – pela paixão – de se tomar uma decisão a altura de São Paulo, dos corinthianos e dos moradores da Zona Leste.

Além disso, a politicagem rasteira que vem cercando essa questão (não apenas do estádio do Corintians, mas de toda a copa e ainda das olimpíadas no Brasil) causará um prejuízo incalculável ao país. Com este projeto de lei aprovado em primeira votação ontem, a cidade de São Paulo já começa a perder.

Reportagem da Época SP (AQUI, na íntegra) merece ser lida também. A matéria mostra, de forma clara e cristalina, que os prejuízos desta corrida desenfreada para sediar a abertura da Copa em SP vão muito além.

Eu destaco uma das declarações do presidente do Corintians, o tal André Sanchez: “Isso é uma coisa privada. O poder público não tem de acompanhar nada do estádio.”
Essa declaração mostra, de forma claríssima, o que vai acontecer.

Um clube PRIVADO, que está recebendo uma verdadeira fortuna do Estado (BNDES, Prefeitura, União etc), se acha no direito de ditar o que vai fazer, se acha o dono da cocada-preta.
Como assim “o poder público não tem que acompanhar nada”? Se não fosse o poder público, não haveria NADA (estádio) para acompanhar! Quem está bancando tudo é o poder público! Ou seja, cada cidadão que paga impostos (e, no Brasil, não são poucos!)

Confundir público e privado é um problema GRAVÍSSIMO (e histórico) do Brasil.
Senhor Sanchez: o estádio do seu time, na verdade, NÃO É DO SEU TIME.
Quer manter o poder público de fora? Ótimo. Comece pela fonte de recursos: use dinheiro do seu clube, e não do poder público! Da minha parte, pelo menos, garanto que se você usar o dinheiro PRIVADO do seu time/clube para construir o seu estádio, eu não darei a menor importância. Mas a partir do momento em que você está querendo usar o MEU dinheiro para construir o SEU estádio, aí passa a ser problema meu, sim.

Em suma, é simplesmente ABSURDO que a cidade de SP, o Estado, ou mesmo a União adotem práticas obscuras, escusas e/ou ilegais (detalhes AQUI), visando exclusivamente o benefício de um (ou 2, 3, não importa) clube.

Por que os torcedores do Corintians não pagam pelo SEU estádio? Por que o SEU time não faz uma poupança, e pede aos torcedores fiéis que depositem um dízimo mensalmente, até juntar 1 bilhãozinho de reais (coisa pouca, né?!)? 
As igrejas fazem isso – e estão bem ricas! Elas têm isenção de vários impostos (o que eu acho igualmente absurdo), mas nenhuma delas, nem mesmo a Universal, jamais enviou um projeto à Câmara de SP pedindo dinheiro ANTES de iniciar suas atividades/cultos (ou seja lá o nome que for).
 

Diferentemente das pontes, viadutos, marginais e afins, um estádio de futebol NÃO será utilizado pela população, não irá beneficiar a cidade – irá beneficiar apenas e tão somente aqueles que pagaram para entrar no tal estádio, seja para um jogo, seja para qualquer outro evento.

Corintiano: por que eu e outros milhões de cidadãos temos que pagar pelo SEU estádio? Seja corintiano, é seu direito. Mas não seja canalha como seu time tem sido ao pleitear um absurdo desses.

Vemos uma empresa (Corintians) com lucro de pouco mais de 12 milhões de reais anuais (EBITDA), recebendo um benefício ILEGAL, e equivalente a TRINTA E TRÊS ANOS de lucro (bruto) da Prefeitura… Qual o interesse da cidade numa coisa dessas?
Pior: o clube precisa de MUITOS milhões de reais. Uma vez concedido o benefício municipal (eu não tenho nenhuma dúvida de que o PL será aprovado), será feita uma engenharia financeira para obter recursos diretos do BNDES. Porém, o empréstimo NÃO será feito em nome do Corintians, segundo o próprio BNDES já informou, pois o clube NÃO TEM CONDIÇÕES DE OFERECER GARANTIAS capazes de viabilizar um empréstimo de mais de 400 milhões de reais.

O Corintians terá obtido centenas de milhões de reais em dinheiro público, e não deverá nenhum centavo….

É ou não é uma situação surreal?!

Isso é Brasil!

 

A falta que faz a GESTÃO

Há algum tempo estou para escrever sobre este imbróglio das obras para a suposta Copa do mundo de futebol, a ser realizada (talvez) no Brasil, em 2014.
Não passa um único dia sem que algum jornal (ou revista, ou portal noticioso) revele algum atraso, algum problema, falta de dinheiro etc.

O fato concreto, hoje, é o seguinte: a escolha do Brasil para sediar a Copa foi ruim. Aliás, PÉSSIMA. Sob todos os aspectos.

Houve apenas e tão somente uma pessoa que teve algum benefício com isso. Chama-se Dilma Rousseff.
De resto, o país só tem a perder.

O que se viu, após o anúncio da escolha da sede, foi uma briga política – e, pior, BURRA – sobre as cidades-sede: em quais estádios ocorreriam os eventos de abertura e encerramento, os jogos etc.

Quem me conhece sabe que eu não entendo NADA, rigorosamente NADA de futebol. Quero continuar assim.
Porém, a questão central não é o futebol. Trata-se, isto sim, da absoluta e completa falta de GESTÃO que temos visto há quase um ano, desde a escolha do país a sediar a tal Copa.

O governo federal não se responsabiliza; os governos estaduais e municipais, idem. Um empurra para o outro o ônus, mas todos, TODOS, disputaram a tapa o bônus: usar eleitoralmente a escolha do Brasil.

Para grande parte da população, especialmente a menos informada (nem vou falar escolarizada), o fato de o Brasil sediar a Copa parece ser algo bom. Na verdade, não é.

São Paulo, por exemplo, não tem infra-estrutura para sediar sucessivos jogos grandes: a taxa de ocupação de hotéis tem oscilado na casa dos 90-95%; o número de táxis é insuficiente para atender a população residente (pior ainda quando há um aumento súbito e forte da população flutuante); ônibus e trens estão caindo aos pedaços, além de estarem acima da capacidade também; o metrô está bastante acima da capacidade (especialmente a linha vermelha), e tem alcance restrito, e baixa capilaridade. Como se não bastasse, o trânsito faz com que nós, paulistanos, percamos horas improdutivas diariamente – até em finais e semana, e horário que antes eram garantia de ruas livres, como 22hs.
Além disso, nos últimos 2 anos, a cidade tem sofrido pequenos apagões de energia elétrica (nem vou discutir as causas, apenas ater-me-ei aos fatos), e o abastecimento de água é igualmente volátil, pouco confiável.

E tudo isso é constatado na maior cidade do país, a mais desenvolvida, em tese.
A mania de grandeza aliada à falta de bom senso daqueles que defenderam tão ferrenhamente a inserção do Brasil como candidato a sede da Copa (Lulla à frente) levaram o país a pleitear DOZE cidades-sede, quando os EUA, por exemplo, com uma infra-estrutura muito melhor e menor desequilíbrio entre suas cidades/estados tiveram “apenas” NOVE cidades-sede.
Ora, se a cidade de SP, em tese mais desenvolvida e com melhor infra-estrutura, não comporta um evento deste porte, o que poderá ser dito de cidades infinitamente menores? Cidades que seque têm metrô?! SP tem pouco (para o tamanho da necessidade), mas tem – o que é muito mais do que se pode dizer de várias outras cidades-sede.

E os estádios?
Reportagem de capa da Veja desta semana é esclarecedora: as obras, que deveriam ser geridas de forma centralizada, estão todas abandonadas, entregues ao deus-dará. Tudo responsabilidade do Abreu…..

Toda esta questão da Copa passa, inegavelmente, pela mais pura e completa falta de GESTÃO.
Os custos das obras necessárias são uma imensa incógnita – sendo o inexistente estádio do corinthians o mais perfeito exemplo: em uma semana, a estimativa total passou de 650 milhões o que já é MUITO dinheiro) para mais de 1 BILHÃO de reais, o que é uma cifra astronômica, simplesmente ABSURDA mesmo.
O BNDES, graças à acepção mais rasteira e ordinária do termo “política”, especula-se, vai financiar cerca de R$ 400 milhões (volume ainda não confirmado totalmente), mas o clube NÃO tem condições de pagar isso! Basta verificar o balanço patrimonial do clube.
Qualquer empresa que procurasse o BNDES, com uma balanço daqueles, pedindo 400 milhões, levaria um imenso “NÃO” na cara. Afinal, uma empresa que apresenta um EBITDA de pouco mais de 12 milhões vai pleitear 400 milhões???????? COMPLETA FALTA DE BOM SENSO!!!!!
Porém, devido à sanha de fazer politicagem rasteira, de puxar o saco da Dilma e do Lulla, o BNDES vai abrir as portas e emprestar (ou DAR?) dinheiro a rodo, para quem quiser.

Como se não bastasse, o governo federal transfere ao estado de SP a responsabilidade de arcar com a recém anunciada diferença de valores (algo como módicos 350 MILHÕES de reais), tentando jogar o problema no colo do adversário político; o mesmo ocorre com a Prefeitura….. E, assim, forma-se um ciclo vicioso – que tende a ser repetido em outras cidades/estados.

Novamente: pura e absoluta falta de GESTÃO.

Esta Copa vai entrar para a história.
Como um vexame de proporções bíblicas.