ENADE 2009 (2)

Coincidentemente, a Veja desta semana (edição 2139), traz uma matéria sobre o ENADE 2009.
A matéria, basicamente, aponta na mesma direção de comentários meus, no post de 11/11 (AQUI).
Ei-la (COM GRIFOS MEUS):

É consenso que uma boa prova é aquela capaz de aferir – com isenção e objetividade – o nível de conhecimento do aluno. Por isso mesmo, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), aplicado na semana passada a 1 milhão de universitários no país, é um exemplo de prova ruim. Das dez questões de conhecimentos gerais, comuns a todos os alunos das 23 áreas testadas pelo Ministério da Educação (MEC), quatro são propaganda escancarada do governo federal. A primeira, em seu enunciado, fala sobre o suposto sucesso de uma campanha do Ministério do Meio Ambiente para reduzir o uso de sacolas plásticas. A resposta considerada certa pressupõe que o aluno acredite que o programa está funcionando a pleno vapor. A segunda pergunta o que seria fatal à formação de novos leitores no país. Acertou, de novo, quem marcou a opção favorável ao governo: “A desaceleração da distribuição de livros didáticos pelo MEC”.

Para completar o absurdo, nas demais questões impertinentes, a propaganda e a ideologia se aliaram para atacar a imprensa, uma constante no governo Lula. Numa, o aluno é induzido a pensar que o presidente foi alvo de preconceito e críticas injustas ao dizer que a crise internacional não passava de uma “marolinha”. Na outra, com base num texto estapafúrdio que desqualifica o trabalho dos jornalistas que cobrem a Fórmula 1, o estudante é levado a assinalar que a imprensa é negligente e omissa em relação às “artimanhas” que caracterizariam o esporte. Resume o historiador Marco Antonio Villa: “Trata-se de uma prova obtusa e autoritária. A resposta certa é determinada à revelia da ciência e do bom senso”.

Criado pelo atual governo em 2004, para substituir o antigo Provão, o Enade tem o propósito de medir a qualidade dos cursos superiores no país. Como no ano passado, a prova foi concebida numa parceria entre comissões formadas por professores de cada área testada – a quem o MEC delega a elaboração das diretrizes gerais – e a empresa mineira Consulplan, especializada em concursos públicos, que se encarregou da confecção do exame propriamente dito. A VEJA, um funcionário da Consulplan, que acompanhou de perto o processo, disse, sem meias palavras: “Decidimos incluir questões sobre as ações do governo porque recebemos instruções claras dos profissionais que trabalharam para o MEC”. Não é o que afirmam tais profissionais. “Nas diretrizes que traçamos, não há nenhuma menção à inclusão de perguntas com viés ideológico”, afirma o professor Luis Carlos Bittencourt, do grupo dedicado à área de comunicação social.

Os valentes que usaram o exame para fazer propaganda e disseminar sua ideologia nefasta de ódio à liberdade de informação e opinião agora se escondem no anonimato. Nada mais típico. “Talvez seja preciso repensar o sistema de concepção da prova para o ano que vem”, limita-se a dizer Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão vinculado ao MEC. Uma sugestão para o Enade de 2010 é incluir a seguinte questão:

Defina o exame de 2009:

a) Peça de propaganda do governo federal;
b) Panfleto anti-imprensa;
c) Teste de péssima qualidade acadêmica;
d) Todas as respostas anteriores.
Alguém tem dúvida sobre a alternativa correta?

Conforme eu apontara, em termos de conteúdo, a prova de Administração é MEDONHA. Mal-feita, cheia de erros…….
Ontem, por curiosidade, baixei a prova do curso de Tecnologia em marketing.
Fiquei surpreso, ao dar uma lida geral na prova, pois me pareceu MUITO MELHOR do que a prova de Administração.
Havia erros, sim – mas no geral é uma prova mais bem-feita, com questões pertinentes, boas.

Quem fez a prova de Administração precisa ser demitido urgentemente.

ENADE 2009

Vamos contextualizar primeiro:

O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) 2009 foi aplicado em 8 de novembro. Mais de um milhão de ingressantes e concluintes de 7.080 cursos foram convocados para o exame. Para os 1.103.173 convocados, a prova é requisito obrigatório para a obtenção do diploma.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), houve apenas registros de problemas isolados, como os de chegada atrasada em locais de prova ou esquecimento por parte dos estudantes de documento de identificação. (FONTE: UOL Educação)

Após ouvir alguns comentários de alunos meus sobre a prova, resolvi analisar a íntegra da prova de Administração. O download do arquivo pode ser feito AQUI.

Li a prova, e teci alguns comentários gerais, que enviei aos meus alunos – os quais transcrevo aqui:

  • Há um grande (demasiado, até) número de questões que NADA têm a ver com administração; são algo entre “interpretação de texto” e “lógica”, mas por vezes demonstram que o INEP e o MEC estão tomados por cumpanheiros do PT, ignóbeis que só eles. Mas não fiquem tristes: o concurso do IPEA, um órgão da maior importância, também foi tomado por questões de viés esquerdisto-petralha. É preciso, pois, cuidado para não cair nas pegadinhas.
  • Pode se dar melhor nesta provinha quem consegue ler/interpretar bem as solicitações (por vezes ridículas) das questões do que quem conhece os assuntos. Os velhos problemas de provas do tipo “teste”…. aqui, porém, mais graves, devido à incompetência de quem redigiu as questões.
  • Em termos de conteúdo, a prova é básica. Trata dos temas essenciais das disciplinas. Mas é paupérrima nas questões de TGA/RH.

Fui solicitado a tecer alguns comentários mais detalhados sobre algumas questões, então resolvi publicá-los aqui no blog também. Voltei minha atenção à leitura (e análise) das questões sobre TGA (Teoria Geral da Administração) e marketing, por razões óbvias. As questões que li com mais atenção são:
11 – TGA
12 – TGA
13 – TGA
14 – TGA
15 – TGA
16 – MKT
18 – TGA
19 – TGA
20 – MKT
21 – MKT
22 – MKT
25 – TGA / MKT
26 – MKT
31 – MKT
39 – TGA
40 – MKT

Vejamos, por exemplo, a questão 13:

Durante sua atividade profissional, os administradores precisam tomar inúmeras decisões que envolvem riscos com impacto no desempenho de suas organizações. Fazem-no num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam.
Com base no texto, é CORRETO afirmar que os administradores tomam decisões num contexto de racionalidade
A) instrumental.
B) legal.
C) limitada.
D) plena.
E) técnica.

Uma questão meramente interpretativa, já que a resposta estava no próprio enunciado (“num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam“).

A questão “mede” o conhecimento (ou a competência) de um administrador de empresas ?!
NÃO. Só serve para ocupar espaço – e o tempo do coitado que precisa se deslocar até a PQP para fazer a bosta da provinha.

Mais um exemplo – a questão 14:

Saiu o resultado da pesquisa de clima organizacional da BomTempo S.A. Entretanto, os resultados relativos ao item Responsabilidade e Motivação com o Trabalho são os que mais preocupam Jorge, o Diretor de Recursos Humanos.
(ver a tabela com os resultados no arquivo original)
Alguns funcionários relataram, no campo do questionário reservado para comentários adicionais, que as atividades não utilizavam plenamente o seu potencial. Com base nas informações e nos dados apresentados, Jorge solicitou à sua equipe preparar algumas opções de planos voltados para gerar motivação com o trabalho e reverter essa situação junto aos funcionários. Por qual das alternativas Jorge deverá optar?
A) Abertura dos canais de comunicação e feedback.
B) Aumento do trabalho em grupo.
C) Enriquecimento de cargo lateral e vertical.
D) Participação dos funcionários no processo decisório.
E) Simplificação das atividades.

Nesta questão, há um problema grave, e outro menos grave.
O menos grave: a pergunta é bem babaquinha, né ?!
O mais grave: há 3 alternativas corretas (B, C e D). Vejamos:

  • Se formos buscar as explicações na Teoria de Relações Humanas, na qual o homem era visto como um ser SOCIAL, o aumento do trabalho em grupo poderia aumentar a percepção de cada funcionário sobre sua importância para aquela comunidade, exatamente como descrito na fase 2 da experiência de Hawthorne (Elton Mayo). Alternativa B correta.
  • O enriquecimento do cargo é uma solução bastante óbvia – mas a pegadinha é que enfiaram os termos “lateral e vertical”. Alguns certamente podem ter descartado esta alternativa por conta desse “enriquecimento lateral E vertical”, que poderia ter o sentido de “enlargement” ao invés de “empowerment” (em tempo: o “enriquecimento” se refere ao termo “empowerment”). Se utilizarmos os princípios do modelo japonês de administração, o empowerment (tanto lateral quanto vertical) pode ser apontado, sim, como fator capaz de aumentar a motivação com o trabalho e aproveitamento do potencial individual (basta ver os princípios da Toyota para fazer o seu “just-in-time” funcionar, assim como o Kanban e o Kaizen). Alternativa C correta.
  • A alternativa D também é bastante óbvia: ao aumentar a participação dos funcionários no processo decisório, eles sentir-se-iam mais motivados a continuar contribuindo – ao menos se utilizarmos princípios das teorias de Maslow e Herzberg.

Contudo, o problema central é o seguinte: em pleno Século XXI, qual a relevância de discutir esse tema tão batido há décadas ? Nenhuma.
Muita gente, hoje, prefere jogar um livrinho como “monge e o executivo” na mão dos alunos – afinal, aquele lixo caça-níqueis não é capaz de resolver todos os problemas, recorrendo à metáfora do “líder-servidor” (argh!!!!!) ????
O INEP/MEC prefere descartar as alternativas B e D: o gabarito aponta a resposta correta como sendo a C. 
Sim, a C está correta de fato – mas B e D também estão.

Na questão 15, mais problemas:

Um dos principais desafios do líder é conseguir a dedicação e o empenho de seus liderados na realização das atividades e tarefas que lhes competem, visando a alcançar os objetivos organizacionais. A liderança efetiva pressupõe, portanto, o conhecimento das principais teorias motivacionais que podem orientar as ações do líder com o objetivo de canalizar os esforços dos liderados.
É CORRETO afirmar, tendo em conta os conceitos básicos das teorias da motivação, que
A) a expectativa dos indivíduos sobre a sua habilidade em desempenhar uma tarefa com sucesso é uma importante fonte de motivação no trabalho.
B) objetivos genéricos e abrangentes, que dão margem para diferentes interpretações e ações, são uma importante fonte de motivação no trabalho.
C) os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho, quando acreditam que esse desempenho diferenciado resultará em recompensas para o grupo.
D) todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, quando seu intuito é estimular os esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais.
E) todos os indivíduos possuem elevadas necessidades de poder, e a busca por atender a essas necessidades direciona os seus esforços individuais.

Pois bem……

Se recorrermos à teoria de Herzberg (fatores intrínsecos e extrínsecos, aumento da satisfação aliada à redução da insatisfação, fatores higiênicos e motivacionais), a alternativa A está correta.
Se, por outro lado, considerarmos a importância da cultura organizacional como fator capaz de motivar o grupo, a alternativa C também está correta – e volto a citar o modelo de administração japonês, que prezava a coletividade em detrimento da individualidade.

O gabarito oficial aponta a alternativa A como a correta.

E quanto às questões de marketing ?!
A questão 20 é uma enorme perda de tempo. A pessoa que não conhece NADA sobre o assunto, mas consegue interpretar o gráfico, acerta facilmente.
Por outro lado, se o cara estudou muito o assunto, azar o dele. Não precisava.
Mas o pior, neste caso, é o seguinte: o gabarito indica a alternativa E. 
Errado.

A alternativa E afirma que “o custo de atendimento é positivamente relacionado ao valor real do cliente”. Não é.
Basta ver o gráfico para perceber que esta afirmação somente é válida para os grupos 1 e 3, que têm valor  real MAIOR do que o custo de atendimento, enquanto o grupo 2 tem custo IGUAL ao valor, e finalmente os grupos 4 e 5 têm valor real (significativamente) MENOR do que o custo de atendimento.

A alternativa APROXIMADAMENTE correta é a D (“mais de dois terços da receita provêm de 10% dos clientes“). Aplicando-se a regra de Pareto, percebemos que os grupos 1 e 2, somados, respondem por 11% do total de clientes da empresa, e concentram nada menos do que 68% da receita. Tanto é verdade, que o valor estratégico destes grupos é BASTANTE superior ao dos demais.

Destaquei o “aproximadamente”, pois o valor exato não é 10% dos clientes, mas 11%.

O gabarito está errado.

A questão 21, relacionada à questão 20, é na verdade um exercício de adivinhação, futurologia pura.
Afirma-se o seguinte:

Com base na análise da figura, Alberto Santos pode definir a estratégia de marketing de relacionamento para a sua empresa.
Devem ser usadas estratégias de retenção para os clientes do Grupo 1.
PORQUE
O Grupo 1 é o que apresenta maior potencial de crescimento.
A respeito dessas duas afirmações, é CORRETO afirmar que

A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.
B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.
C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
E) as duas afirmações são falsas.

O gabarito indica como correta a alternativa C – porém, ela NÃO está correta. Ela está “menos errada”.

Isso se deve à ambiguidade do enunciado: Alberto Santos, diretor de marketing da 14 Bis Linhas Aéreas, dividiu a base de clientes da empresa em cinco grupos, com base no tamanho, na participação percentual na receita, no custo de atendimento e nos volumes de transações atuais (valor real) e potenciais (valor estratégico).

Como eu não estou dentro da cabeça do Alberto Santos, eu não sei que critérios foram usados para classificar o POTENCIAL dos clientes……. Foi o volume de compras ? Foi o mix de produtos/serviços adquiridos ? Foi o interesse da empresa em outros segmentos de negócios nos quais estes clientes também teriam interesse (e, assim, poderiam tornar-se clientes da empresa quando ela entrasse neste outro segmento) ?
Não sei.

Por isso mesmo, eu não posso afirmar categoricamente que o grupo 1 deve ser alvo de estratégias de retenção. Adeus, alternativa C.

A questão 25, FINALMENTE, traz um pouquinho de inteligência à prova.
Questão bem montada, com elementos capazes de se atingir uma conclusão. E o gabarito está correto!!!!!

Mas a alegria dura pouco: na página seguinte, a questão 26 volta ao problema da questão 21. Um lixo.

Tenho pena da educação brasileira.
E esta sensação aumenta a cada dia.

Mais um besta-seller

Primeiro, um trecho de matéria da Veja desta semana:

Em 1985, o americano Spencer Johnson se sentia no fundo de um vale de lágrimas. “Eu me perguntava: pode haver algum significado para um período ruim?”, diz Johnson (que prefere não revelar os problemas que o afligiam). A provação ajudou-o a amadurecer um projeto que, treze anos mais tarde, o transformaria num dos mais bem-sucedidos gurus empresariais do mundo: o livro Quem Mexeu no Meu Queijo?. Com essa parábola sobre dois ratos e dois homenzinhos que disputam um naco de queijo num labirinto, lançada em 1998, Johnson encontrou uma forma acessível de falar sobre os desafios de se adequar às mudanças.

Dos Estados Unidos à China, o livro vendeu mais de 24 milhões de exemplares (no Brasil, 1,2 milhão). Johnson também credita às dificuldades do passado a ideia que agora, enfim, inspira a sua primeira empreitada original desde a história do Queijo. Picos e Vales (tradução de Alexandre Rosas; Best Seller; 126 páginas; 24,90 reais) pretende ensinar o leitor a tirar o melhor dos momentos ruins. Ele diz que levou 25 anos destilando os conceitos do livro – e calhou de lançá-lo justamente num momento em que o mundo mal começa a sair do “vale” da crise financeira internacional. O autor (e médico) americano é um dos expoentes de uma categoria que desconhece a palavra crise – a autoajuda voltada ao mundo corporativo cresceu e se diversificou nos últimos dez anos. E segue lucrando com a atual turbulência econômica.

“Passar por provações é o que impulsiona o ser humano a crescer”, disse Johnson a VEJA (veja entrevista abaixo). Os cataclismos econômicos fazem com que muita gente busque subsídios para lidar com a nova realidade. Significativamente, um dos maiores sucessos da autoajuda de todos os tempos, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do americano Dale Carnegie, tornou-se popular nos tempos da Grande Depressão, nos anos 30. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, a livraria virtual Amazon registrou aumento na procura por títulos dessa área nos últimos meses. No Japão, um dos países mais seriamente afetados pela crise, Picos e Vales chegou ao topo do ranking de mais vendidos do site nessa área menos de 24 horas depois de seu lançamento.

Em breve, o brasileiro Roberto Shinyashiki também pretende tirar sua casquinha da crise. O tema de seu novo trabalho, A Coragem de Confiar, é o medo – inclusive das tempestades na economia. Só se detecta uma certa ressaca numa vertente desse mercado. No fim de 2007, livros sobre como investir e ganhar dinheiro na bolsa estavam em alta. A crise afugentou os leitores. O brasileiro Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (há 163 semanas na lista de mais vendidos de VEJA), parece ser a proverbial exceção que confirma a regra. “Minhas vendagens caíram, mas nem tanto. É que, ao contrário de muitos autores que pregam o enriquecimento a qualquer custo, sempre defendi a cautela nos investimentos”, diz ele.

A autoajuda, empresarial ou de qualquer natureza, é um campo em que se encontra muita conversa mole. Mas seria um erro descartar esses livros em bloco. Um bom livro do gênero traduz conceitos complexos para uma linguagem acessível, ainda que às vezes simplória. Picos e Vales, por exemplo, recicla um conceito lançado nos anos 40 pelo economista austríaco Joseph Schumpeter: a “destruição criativa”, tese segundo a qual o capitalismo evolui por meio de uma sucessão de crises. “Esses livros cumprem um papel importante, ao despertar as pessoas para os problemas e lhes mostrar caminhos para superá-los”, diz o professor Claudio Felisoni de Angelo, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

A autoajuda empresarial se vale de vários formatos para tanto. Há os autores que investem numa linguagem mais técnica, com recurso ao jargão empresarial. É o caso de Cerbasi e dos americanos Stephen Covey e Robert Kiyosaki. Outros ficam na fronteira entre a autoajuda empresarial e um discurso motivacional genérico – muitas vezes com um pé no esotérico. Aí se incluem Roberto Shinyashiki e o indiano Deepak Chopra (que já viveram dias melhores nas listas de mais vendidos).

A matéria, na íntegra, está AQUI (apenas para assinantes). Vale a leitura.
Mas eu quero comentar um trecho em particular, que assinalei em negrito (vermelho) lá em cima.

Uma vez, numa aula, passei por uma discussão semelhante com um aluno, e outro professor que por lá estava.
Ponto central: o “mérito” dos livros de autoajuda (especialmente aqueles classificados como “autoajuda empresarial” ou “autoajuda corporativa”) seria o fato de permitir que pessoas com menor grau de educação (formal) tivessem acesso a informações “elitistas”. A matéria da Veja aponta na mesma direção, ao citar o exemplo das teorias de Schumpeter.

Vou me permitir, mais uma vez, discordar completamente desse argumento, porque paupérrimo, insólito.
Se a tal “autoajuda empresarial” indicasse que determinada “idéia” apresentada naquele livro foi inicialmente proposta por fulno ou beltrano, a coisa seria diferente.
Mas naquele “monge e executivo” horroroso, o fulaninho que ganha uma boa grana com as vendas pega descaradamente proposições e estudos de terceiros, mas jamais revela ao incauto leitor qual foi sua fonte. Ao leitor fica parecendo que aquelas idéias todas são do tal James Hunter.monge

Isso é enganação pura.
Chama-se PLÁGIO.

Ao agir desta forma, propositadamente ou não, o autor da tal “autoajuda empresarial” está ludibriando o seu incauto leitor.

Para dar um exemplo: há cerca de 1 ano, estive na banca de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de uma aluna, que fez uma monografia sobre o tal “líder servidor” (conceito, segundo ela, extraído do monge e o executivo). Ela acreditou no que o James Hunter escreveu, e tascou na sua monografia algo como “no campo da Administração, a liderança servidora só começou a ser pesquisada na década de 1990; antes disso, não se discutiam questões afins (…)”.

Nem preciso dizer que no momento da arguição, eu perguntei sobre alguns autores/pesquisadores que desde 1920 vêm tratando da liderança.
A aluna, coitada, se enroscou. Ficou claro que ela leu o monge e o executivo, acreditou que o James Hunter era um gênio por apontar tantas coisas relevantes, mas nitidamente a aluna não se deu ao trabalho de pesquisar, na Teoria da Administração (TGA), movimentos como a teoria de relações humanas, teoria comportamental e afins (todas anteriores à Segunda Guerra Mundial).

Se, por outro lado, os tais livros indicassem algo como “olha, caro leitor, nada do que você leu aqui foi idéia minha; se você quiser entender melhor este assunto, procure os livros x, y e z” ao final de cada capítulo (ou página, sei lá), poderia haver algum mérito, afinal.

Contudo, os caras da autoajuda não fazem isso !
Eles simplesmente reunem uma série de obviedades, recheiam com algumas frases motivacionais, uma ou outra vez enriquecem um capítulo com uma frase de alguém sério (como Schumpeter, por exemplo), ou então “explicam” uma teoria básica do Schumpeter (como o exemplo dado pela Veja).

Só isso.

Continua sendo um embuste.

RH precisa de revisão

Ótimo vídeo, que vi no blog do Marcelo Cherto:

Para não dizer que não falei das flores….

Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação “de negócios” a cultuar Jim Collins – a Management faz a mesma coisa.

Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras “tralhas” perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas – assim como a Exame – a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.

Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame – mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.

Que feio……!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!

Bom, para encerrar qualquer menção a este picareta do Collins, ficam as recomendações de mais algumas leituras, desta vez acessíveis via web: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI eAQUI. Desta forma, vou parar de perder meu tempo com esta fraude, e aproveitar minhas férias lendo BONS livros…..

 

Porque jogar a Você S/A no lixo

Entre aproximadamente 34.745 razões, vou apontar uma que recebi por e-mail.
Como cliente da Elsevier, recebo uma newsletter da editora que se chama “Saiba o que os VIP leêm” ( acento circunflexo no segundo E não é erro meu: o título da newsletter é este mesmo).

Na edição de 28/04, vejo a imagem da capa do livro do Jim Collins (“Good to great”, traduzido como “Empresas feitas para vencer”). Este é aquele livro que apontava a Fannie Mae como uma dessas “good to great”. Fannie Mae é aquela mesma, do escândalo financeiro, que já sugou mais de 200 BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro norte-americano.

Graças à newsletter da Elsevier, descobri o que a Você S/A escreveu sobre o livro do Collins:

“(…) Os cinco CEOs foram unânimes: indicam o livro de Jim Collins porque sugere descobrir o que é necessário para transformar o bom em ótimo e mostra como transformar uma boa organização numa empresa que gera excelentes resultados sustentáveis.Tudo o que precisam saber para ficar no topo.”

Pois é……
O livro é ruim que dói.
Mas pior do que o livro, é esta “crítica” sem noção.
Coisa típica da Você S/A, e lixos adjacentes…..

Paradigmas

Ahn, os PARADIGMAS na Administração…….

Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
Thomas Kuhn, (1922 – 1996) físico americano célebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo (revoluções) que leva à evolução do desenvolvimento científico, designou como paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.

Este é o início da explicação da Wikipedia sobre o termo PARADIGMA.
Contudo, o que a Wikipedia não explica é o seguinte: am Administração, todas as vezes que alguém usa o termo PARADIGMA, você pode ter duas certezas:
1) A pessoa que usou o termo não saberia explicá-lo e discutir o seu significado real;
2) Logo depois de ouvir PARADIGMA, você acabará ouvindo um discursinho babaca, típico dos gurus de auto0ajuda de décima-oitava categoria, que não significa nada, não ensina nada, e não chega a lugar nenhum.

O termo PARADIGMA é uma verdadeira maldição.
Geralmente, quem usa é aquele tipinho tapado – freqüentemente ligado ao RH – que ADORA falar “quebrar paradigmas”.
Não significa absolutamente nada, mas impressiona.

Quer um exemplo ?! Ei-lo:

Havia um rapaz, com um carro muito rápido, que gostava de dirigir em estradas de terra.
Ele se achava um grande motorista e era capaz de tudo.
Um dia ele estava indo por sua estrada favorita, chegando à sua curva preferida, quando saiu da curva um carro derrapando fora de controle.
Logo quando iam se cruzar o carro entrou na contramão.
Quando o carro passou a mulher que estava no volante gritou:
– Porco!!!…

O rapaz que acredita que não deve levar desaforo para casa reagiu e respondeu imediatamente:
– Vaca!!!…

Ele pensou:
– Como esta vaca ousou me xingar? Eu estava na mão certa, ela estava contramão.
Mas se sentiu bem porque devolvera o insulto antes dela ir embora.
Assim ele pisou fundo no acelerador, fez a curva com tudo e qual não foi sua surpresa….atropelou um porco.

Esta é uma história de paradigma.
O rapaz estava reagindo com as regras antigas.
“Você me xinga, eu o xingo de volta”.

Quebrar paradigmas exige ousadia e coragem, pois, pode implicar em uma verdadeira revolução na cultura das organizações.
No ambiente competitivo em que atualmente vivemos, cada vez mais, as mudanças são necessárias, uma vez que ela serve para reordenar prioridades, redirecionar valores, buscar novos focos de interesse e, principalmente, indicar maneiras diferentes de buscar alcançar objetivos e metas.
Se analisarmos o lado paradoxal desta historinha, não podemos imaginar que seja uma rotina modificá-la, porém, simplesmente venerar esta forma arcaica de conduta e não experimentar uma mudança significa um perigo.

Construir diferenciais hoje significa quebrar barreiras, destruir sua zona de conforto, expor novas idéias, criar novas diretrizes dentro da organização, inovar.
Significa deixar as velhas táticas e técnicas e construir uma nova forma de agir e se comportar.

Se pensamos bem a mulher da historinha acima, estava tentando avisar o rapaz do perigo de atropelar o porco.
Com certeza, vamos sempre encontrar pessoas vindas de curvas, cegas, gritando coisas.
Se não tivermos flexibilidade de paradigmas, o que iremos ouvir se parecerão com ameaças.

Esta praga da auto-ajuda – que costuma estar associada à área de Administração, mas não tem nada a ver com aquilo que, de fato, significa a Administração – é pródiga em brindar-nos com histórias, “causos” e outras coisas que pretendem apresentar uma “moral da história”.
Este exemplo acima, eu recebi por e-mail.
Um lixo.

Mas esse tipo de lixo nos infecta.
Há alguns meses, na sala de aula da universidade, ouvi uma pérola calcada na “quebra de paradigmas” também.
O pior de tudo: não foi um aluno que soltou a bobagem, mas uma professora.

Se continuarmos a ter professores universitários que recorrem a estas bobagens, o país continuará sendo dominado por moluscos e inépteis corruPTos em geral.
E o Brasil continuará sendo “o país do futuro”.
Aquele futuro que NUNCA chega…….

Empresas mais rentáveis do mundo

Tive um professor no mestrado, o Marcos Bruno, que sempre dizia que as empresas mais rentáveis do mundo são as de petróleo, bem administradas.
O segundo tipo de empresas mais rentáveis do mundo são as petroleiras.
E o terceiro, as petroleiras mal-administradas.

Pois bem…. Não posso dizer que fiquei “surpreso” com esta notícia (na íntegra AQUI):

A queda abrupta do petróleo sufocou a PDVSA e colocou a maior estatal da Venezuela, responsável por mais de 90% de todas as exportações, em uma espiral de dívidas com fornecedores e prestadores de serviços. Pagamentos foram suspensos, trabalhadores dizem que irão às ruas para pedir reajustes salariais e algumas petrolíferas estrangeiras que operam plataformas em conjunto com a PDVSA estão a ponto de deixar o país.

Nesta semana, a americana Helmercih & Payne interrompeu as operações de quatro das 11 perfuradoras de poços terrestres na Venezuela. Em comunicado, a empresa diz ter recebido menos de 1% do que a PDVSA lhe deve pelos serviços realizados neste ano e afirma estudar a possibilidade de abandonar de vez suas atividades no país. A Anadarko, outra americana que recentemente anunciou descobertas na camada do pré-sal brasileiro, já seguiu esse caminho e saiu da Venezuela no ano passado.

A PDVSA divulga seus balanços com grande atraso e raramente dá entrevistas, mas relatórios que circulam no setor privado estimam a dívida da estatal em US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões – um aumento de até 50% sobre o valor de setembro, último dado oficial. Segundo o Eurasia Group, uma consultoria sediada em Nova York, dívidas de até US$ 1,5 milhão com mais de 5 mil pequenos e médios fornecedores nacionais começaram a ser saldadas no início de março, mas a retomada dos pagamentos a 56 companhias estrangeiras estaria condicionada a uma renegociação de contratos, com descontos de pelo menos 40%.

Para o analista Pietro Pitts, editor-chefe do site e da revista especializada “LatinPetroleum”, a PDVSA vive seu momento mais frágil desde fevereiro de 2003, quando 18 mil funcionários foram demitidos após a participação em uma desastrosa greve que paralisou totalmente a produção. Ele acredita que outras multinacionais podem deixar a Venezuela no futuro próximo, como Exxon e Conoco Phillips, mas ainda têm gás para suportar a inadimplência e posições hostis do presidente Hugo Chávez.

Sem fluxo de caixa suficiente e abrindo contenciosos com suas parceiras em vários blocos, as metas definidas pelo governo no plano Semente Petroleira tornaram-se um documento pouco realista. O plano, que cobria o período 2006-2012, estipulava o objetivo de elevar a produção para 5,8 milhões de barris por dia. Ele já foi adiado para 2013, mas ninguém aposta que a meta será alcançada. Das quatro novas refinarias anunciadas pela PDVSA na Venezuela, nenhuma saiu do papel, lembra Franklin Rojas, diretor do Centro de Investigações Econômicas (Cieca).

Nas projeções da consultoria, o resultado financeiro da estatal cairá de um lucro de US$ 19,6 bilhões em 2008 (antes das transferências para programas sociais e pagamento de imposto de renda) para prejuízo de US$ 6,5 bilhões neste ano. Como se não bastasse a queda dos preços no mercado internacional, também a produção deverá recuar em torno de 9% e ficar perto de 2,9 milhões de barris por dia – a Agência Internacional de Energia (AIE) diverge dos números da PDVSA e afirma que eles são menores do que o anunciado.

Isto representa uma pequena amostra de como os governos infectados pela ideologia pseudo-esquerdista burra podem ser prejudiciais aos seus países.
O Brasil, é verdade, não sofre deste problema com a mesma gravidade – mas sofre.
A corja de boçais incomPTentes que tem alocado os sindicalistas pelegos e mensaleiros nas tetas do governo tem agido de tal forma que, em 2011, o próximo presidente (quem quer que seja) terá problemas sérios.

Ao que indicam as pesquisas recentes, José Serra é, hoje, o mais cotado.
Considero o atual governador o mais preparado para ocupar o cargo. Mas até mesmo ele terá problemas sérios, gerados pela sanha PTista pelo “puderr”.

O ponto central é o seguinte: o Estado também deve ter, em seus quadros, ADMINISTRADORES no lugar de políticos incomPTentes.
Uma das razões para eu ter ojeriza ao PT (são várias!!!) é que esta congregação de apedeutos sempre optou por locupletar cargos públicos com seus apadrinhados – que, como vemos, não têm condição sequer de montar um quebra-cabeças de duas peças.
Ao invés disso, vemos sindicalistas e afins ocupando cargos de ministros, secretários e afins – mas nenhum tem competência para fazer o que precisa ser feito: ADMINISTRAR de forma eficaz e eficiente.
 

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A matéria foi ao ar no Fantástico de hoje:

Recebi a dica do Fabiano – que, aliás, tá ficando chique pacas. Espero que não passe a esnobar os amigos depois de dar entrevista pro Fantástico (rs).