Eu já havia escrito AQUI sobre a situação econômica do país (spoiler: NÃO é boa, muito pelo contrário).
Nesta quinta-feira o IBGE divulgou alguns números referentes ao PIB de 2013. Todos os jornais, revistas e portais divulgaram. O Estadão, coitado, pagou um mico horroroso: escreveu “Brasil tem o 3.o maior crescimento econômico do mundo“. Uma reportagem que deve ter sido redigida por um estagiário (AQUI, na íntegra) no blog, que ganhou destaque no Facebook do jornal:
Qual é o problema com a matéria do Estadão – e, em especial, com o título?
Simples: o jornal considerou APENAS UM UNIVERSO DE 13 PAÍSES, SELECIONADOS PELO IBGE. (Aliás, por que 13? Por que não 10? Ou 20? Ou 50?)
Portanto, o Brasil teve o 3.o maior crescimento SE VOCÊ OLHAR APENAS E TÃO SOMENTE PARA 13 PAÍSES selecionados pelo IBGE. Destes 13 países, apenas 2 (Brasil e China) são membros do grupo BRIC, e apenas 4 (os 2 citados anteriormente, e mais o México e a África do Sul) são países sub-desenvolvidos – hoje chamados pela turminha do politicamente correto de “em desenvolvimento”. Os demais são países desenvolvidos, como EUA, Reino Unido, Alemanha e França.
Ora, um aluno do primeiro ano de um curso meia-boca de Economia aprende que países desenvolvidos têm crescimento menor do PIB do que países sub-desenvolvidos como regra, não como exceção.
E o pior: a manchete afirma que foi o 3.o maior do mundo – portanto, o sujeito que, preguiçosamente, lê apenas a manchete (coisa mais do que corriqueira com uma população repleta de analfabetos funcionais e ainda mais na era de textos curtos no facebook, twitter e outras redes sociais) vai sair achando que o crescimento foi ótimo (“puxa, terceiro maior DO MUNDO? Nossa economia está ótima, então!”).
Não foi.
Adolfo Sachsida escreveu sobre o assunto (na íntegra AQUI, abaixo apenas alguns trechos com grifos meus):
Alguns números me chamaram a atenção. O mais óbvio deles: a agricultura que cresceu 7%. Não fosse o agronegócio e o Brasil estaria amargando um resultado bem pior. Então vem minha primeira dúvida: por que o agronegócio é tão demonizado pelos movimentos sociais ligados ao PT?
Minha segunda dúvida refere-se ao crescimento da indústria de apenas 1,3%. Passou-se mais um ano, o BNDES torrou bilhões de reais e novamente o setor que mais recebeu subsídios foi o que menos cresceu. Até quando o governo vai acreditar que o problema da indústria é falta de crédito e problema cambial? O real desvalorizou e o governo deu subsídios creditícios para as indústrias e, mais uma vez, o resultado foi pífio. O problema da indústria não está na falta de crédito ou no câmbio. O problema da indústria está na baixíssima produtividade brasileira. Precisamos urgentemente avançar nas reformas tributárias e trabalhistas, de quebra faz-se necessário uma vigorosa diminuição na estupidamente pesada burocracia brasileira. São estas três palavras: impostos, legislação, e burocracia, os verdadeiros vilões da competitividade da indústria brasileira.
Minha terceira dúvida é sobre o crescimento da formação bruta de capital fixo. O IBGE indica que a formação bruta de capital fixo cresceu 6,3%. Estou muito curioso para saber o que anda entrando nessa conta. Gastos do governo entram como nessa conta? Quando o ministério da fazenda compra ar condicionado para seus escritórios isso está entrando como formação bruta de capital fixo? Os estádios para a Copa do Mundo com certeza entram nessa conta, e é evidente que os mesmos são elefantes brancos. Difícil acreditar que os R$ 1,5 bilhões de reais gastos no estádio de Brasília sejam um investimento que vá gerar algo além de mais despesas no futuro.
Enfim, mais um ano de baixo crescimento econômico e de inflação em alta. Não custa lembrar que meus estudos sobre a curva de Phillips já sugeriam isso. Já mostravam que permitir um aumento da inflação faria muito pouco pelo crescimento econômico.
Portanto, para responder a minha pergunta do título: Vamos comemorar os números do PIB de 2013?
NÃO.
LEIA MAIS: Boas análises e dados complementares para entender melhor esses números do PIB podem ser apreciados AQUI, AQUI, AQUI,AQUI,AQUI,AQUI e AQUI.
PS: Em 2013, o governo (especialmente o Ministro Margarina, sempre comprometido em errar todas) divulgava, ad nauseam, projeções de crescimento do PIB de 4,5%. Esse cara não desaponta NUNCA!
ATUALIZAÇÃO:
Eu havia me esquecido completamente de citar um outro fator que precisa ser considerado na questão da cagada do Estadão que citei no início: os militantes virtuais (que o PT chama de “MAV“) desprovidos de capacidade analítica e/ou boa-fé que infestam as redes sociais. Eis aqui o exemplo perfeito:
O sujeito tem um único propósito no twitter: retuitar e espalhar dados e informações falsas, tentando fazer parecer que o governo do PT é um sucesso, quando se trata de um retumbante fracasso sob toda e qualquer ótica. Este mesmo sujeito, Naldo, tentou há algum tempo me fazer acreditar que o Pronatec da Dilma era um sucesso.
Para o azar dele, eu sei ler, e não me deixo enganar por números fantasiosos.
Direto e reto ao editorial do Estadão desta quarta-feira, 26/01/2014, com grifos meus:
Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.
Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros – e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.
Logo na abertura do discurso na sede do Conselho da União Europeia, Dilma disse que o Brasil tem interesse na pronta recuperação da economia europeia, “haja vista a diversidade e a densidade dos laços comerciais e de investimentos que existem entre os dois países” – reduzindo a UE à categoria de “país”.
Em seguida, para defender a Zona Franca de Manaus, contestada pela UE, Dilma caprichou: “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (…). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo – derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (…)”. Assim, graças a Dilma, os europeus ficaram sabendo que Manaus é a capital da Amazônia, que a Zona Franca está lá para impedir o desmatamento e que as árvores são “plantadas pela natureza”.
Dilma continuou a falar da Amazônia e a cometer desatinos gramaticais e atentados à lógica. “Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger.” É possível imaginar, diante de tal amontoado de palavras desconexas, a aflição dos profissionais responsáveis pela tradução simultânea.
Ao falar da importância da relação do Brasil com a UE, Dilma disse que “nós vemos como estratégica essa relação, até por isso fizemos a parceria estratégica”. Em entrevista coletiva no mesmo evento, a presidente declarou que queria abordar os impasses para um acordo do Mercosul com a UE “de uma forma mais filosófica” – e, numa frase que faria Kant chorar, disse: “Eu tenho certeza que nós começamos desde 2000 a buscar essa possibilidade de apresentarmos as propostas e fazermos um acordo comercial”.
Depois, em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu – isto é, alhos e bugalhos. “Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet.”
Há muito mais – tanto, que este espaço não comporta. Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários – um vexame para o País.
Sim, a ignorância de Dilma Rousseff (deveria-se pronunciar Ruin-sseff) é vergonhosa.
Eu digo isso há tempos. E já provei, inclusive com vídeos igualmente vexatórios, AQUI.
Ao ler este editorial (que depois repercutiu em outras publicações), lembrei de uma situação, ocorrida antes da (fatídica) eleição da Dilma Ruin-sseff.
Eu tinha ido, com um amigo, a um bar. Ele convidou uma amiga dele, que levou a namorada, e em dado momento esta amiga contou que esteve alguns dias antes num evento, em algum lugar que eu não me recordo (e não tem nenhuma relevância), fazendo a tradução simultânea de uma série de palestras. Ela é professora de espanhol, e frequentemente trabalha como tradutora em eventos. Dilma Ruin-sseff era uma das palestrantes, e falava, à época, como Ministra.
Qual não foi minha surpresa ao ouvir esta pessoa, sentada à minha frente, elogiando a “inteligência” da Dilma !
O fato é que venderam uma imagem de que a Dilma tem “perfil técnico”, e muita gente comprou!
Há alguns meses, troquei alguns tuítes com um correspondente da Reuters no Brasil, Brian Winter, depois que o rapaz classificou Dilma como sendo parte da “elite” no Brasil. Em seu perfil no twitter, se diz “Dilma profiler”, ou seja, um jornalista que pesquisa determinada pessoa com (espera-se) profundidade. A conversa (ou parte dela, já que o twitter não faz um controle muito bom destas conversas) pode ser vista AQUI.
Resumindo, foi mais ou menos isso: devido a um artigo na Veja daquela semana, o Brian tuitou algo que colocava Dilma e FHC como membros da elite que chegaram à Presidência. Eu questionei quais os critérios dele para enquadrar Dilma como “elite”, ao que ele respondeu isso:
Ou seja: como Dilma vem de uma família rica, frequentou escolas/universidades boas e não consegue chutar uma bola de futebol (ironia evidente), ela é “elite”.
Em suma, o que eu apontei é que a Dilma jamais teve carreira acadêmica, jamais teve qualquer relevância nem na academia nem em qualquer área específica fora da academia – diferentemente de FHC, Professor da USP/Sorbonne/Bronw, Senador, Ministro, Presidente. Ele apontou que ela chegou ao cargo de Ministra mais jovem do que FHC.
Eu disse que ela não passava de um burocrata de nível médio (enquanto trabalhou no Rio Grande do Sul), que chegou ao Ministério não devido à sua competência na área, mas por circunstâncias políticas (e, registre-se, FHC também não foi nomeado Ministro da Economia devido à sua reconhecida capacidade como economista, haja vista que ele NÃO é economista).
Enfim, o que me deixa curioso é por que exatamente algumas pessoas supostamente inteligentes, críticas, compram essa bobagem mal-embalada de que Dilma é uma “técnica competente”.
A única área que, dizia-se, ela dominava tecnicamente é justamente o setor de energia.
Comemorou-se nesta semana o aniversário de 20 anos do Plano Real.
Na tribuna do Senado, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves fizeram bons discursos (que milagre!).
Apontaram, com toda a razão, que o PT sempre foi contra o Plano Real – e, mais do que isso, trabalhou para boicotá-lo.
Provas disso não faltam. Apresento, abaixo, apenas duas.
A primeira: em vídeo, Lulla destila sua costumeira ignorância, e aquela truculência boçal que miseráveis intelectuais confundem com iluminação divina proletária.
A segunda: em texto (publicado na Folha de São Paulo em 12 de Julho de 1994), Guido Mantega mostra que é um economista coerente consigo mesmo, comprometido com sua necessidade de estar sempre, sempre, errado – ele erra de forma constante, inexorável. Guido Mantega está sempre do lado errado, e jamais corre o menor risco de acertar em suas análises e previsões. Por isso, inclusive, segue como Ministro da Fazenda de Dilma. Abaixo, a íntegra do artigo de Guido Margarina, com grifos meus:
Diga-se o que quiser do Plano Real, pelo menos num aspecto ele foi bem sucedido. Conseguiu excitar a imaginação popular e passar a impressão de algo novo e diferente dos planos anteriores.
Os arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas, como o Comitê da Moeda, Banco Central independente, ou a dolarização com conversibilidade, mesmo que nada disso tenha sido utilizado.
Chegaram ao ponto de reinventar os reis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana.
E todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte aperto monetário com taxas de juros estratosféricas.
A parte mais imaginativa do plano, que foi a superindexação da economia pela URV, revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem na conversão para a URV em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia.
De primeiro de julho em diante os salários serão pagos em real, que tem a aparência de ser uma moeda indexada, como se tivesse herdado as virtudes da URV, porém é uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária do real.
A regra de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços.
Com esses artifícios, os preços têm chance de apresentar alguma estabilidade por algum tempo, porque desfrutarão de um conjunto de custos estáveis, como salários, tarifas, matérias-primas importadas, aluguéis e tudo o mais que foi congelado por até 12 meses, sem a aparência de estar congelado.
E aqui também a ilusão funcionou, porque vendeu-se a idéia de que o plano não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, aluguéis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real.
Portanto, mais do que um plano eficiente e bem concebido, o real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar.
Mas não se deve subestimar a eficiência das aparências e dos jogos de prestigiação nas artimanhas eleitorais. As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto, numa repetição da trajetória dos preços por ocasião da implantação da URV, que subiram muito em fevereiro, na véspera da fase dois, elevando os índices de inflação de março, e depois caíram em abril e só voltaram a subir em maio e junho.
A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria quanto uma inflação de 30% a 40% com indexação.
Se tudo isso não fosse suficiente (é!), eis aqui algumas declarações de gente altamente capacitada, verdadeiros intelectuais:
Lula: “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).
Marco Aurélio Garcia: “O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994). [uma analogia digna da capacidade intelectual deste pilar moral do PT]
Gilberto Carvalho: “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).
Aloizio Mercadante: “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)
Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados: “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).
Maria da Conceição Tavares: “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).
Paul Singer: “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994). [adoro quando um mendigo intelectual usa e abusa de termos e construções aparentemente complexas e sofisticadas para expressar uma sequência de imbecilidades que não fazem nenhum sentido, nem tampouco têm qualquer fundamento na lógica e na realidade factual]
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).
Gilberto Dimenstein: “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).
O vídeo abaixo é de deixar qualquer jornalista envergonhado:
Infelizmente, há poucos (raros!) jornalistas, no Brasil, que fogem deste perfil. A bancada de jornalistas que “entrevistou” Romeu Tuma Jr. deixa isso claro: gente vendida aos interesses de um partido, despreparada e ignorante. Fernando Gallo (repórter do Estadão que virou Franggo-depenado depois de ter feito perguntas estúpidas, insinuações babacas e, em resposta, ter levado umas merecidas bordoadas), Mario Cesar Carvalho (repórter especial da Folha), Eugênio Bucci (colunista do Estadão e da revista Época) e Cristine Prestes (repórter freelancer especializada em assuntos jurídicos) formavam uma bancada que, somada, deveria ter no máximo 20 pontos de QI.
Eles foram surpreendidos por um entrevistado que não apenas não tem medo de esculachar as perguntas ridículas, babacas e ignorantes, mas que tinha informações que os “jornalistas” pareciam desconhecer totalmente. “Jornalistas” que tentaram (e falharam miseravelmente em) distorcer as falas do entrevistado de forma vergonhosa e acabaram moral e intelectualmente humilhados.
Alguns destaques das bolas-fora que esse bando de ruminantes demonstraram estão resumidos AQUI. Vale a leitura – e vale muito a pena ver o vídeo disponibilizado lá no começo do post, na íntegra.
Há algumas semanas cancelei minha assinatura da Folha – depois de (mais de) 20 anos como assinante. Isso porque tornou-se insuportável ler colunas de fanfarrões como Janio de Freitas, Gabriel Duviver, Ricardo Mello, Suzana Singer, Vladimir Safatle, Aecio Neves, Álvaro Pereira Júnior, André Singer, Marcelo Miterhof, Antonio Prata, Raquel Rolnik, Sérgio Malbergier e outras antas apoplécticas que escrevem (mal!) naquele que já foi, na minha opinião, um dos melhores jornais do país.
Esta bancada do Roda Viva foi de matar. Pavorosamente ruim, coisa de matar qualquer um de “vergonha alheia”.
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