ECOS DO MODISMO

E não é que a “campanha anti-modismo imbecilizante no marketing” já me trouxe alguns momentos de diversão no final de semana ?!
Na sexta-feira recebi um e-mail sem pé nem cabeça:

Respondi muito mais por desencargo de consciência – afinal, o bloqueio anti-spam do Gmail é excelente; então, se passou por ele, possivelmente tratar-se-ia de uma mensagem “legítima”, e não SPAM.

Somente fui informado sobre o remetente e sobre o assunto no dia seguinte, com um outro e-mail que indicava um link.
Segui o link, e foi divertido.
Foi divertido ler uma série de bobagens concatenadas de forma serial……

Paulo Rubini identifica-se como “consultor de marketing não arrogante“. Com base nos seus textos (tanto o do e-mail quanto o do blog), é fácil identificar-lhe outros adjetivos além do não-arrogante…..
A redação excessivamente rebuscada, via de regra, é utilizada para tentar atribuir ao texto (e, conseqüentemente, ao seu autor) uma erudição que ele não tem – se tivesse, não cometeria erros primários, tanto de escrita como de interpretação que vez ou outra resvalam no analfabetismo funcional. Um texto mais claro e objetivo surtiria efeitos muito melhores – ou, neste caso, menos piores.
O primeiro equívoco (de uma série deles) diz respeito à contraposição entre as palavras “diferença” e “particularidade” – retomarei este ponto mais adiante.

Do jeito que está escrito o início do post no blog do “consultor de marketing não arrogante”, me foram atribuídas características como soberba, arrogância e megalomania (afinal, aonde eu me qualifiquei como “academy master of universe”??? Criação do “consultor não arrogante”, não minha !), entre outras.
Para não me alongar desnecessariamente neste ponto – coisa que poderia ser interpretada como algum tipo de ataque “pessoal” ao Paulo Rubini, o que NÃO é – , basta destacar que o ilustre “consultor não arrogante” não sabe a diferença entre “condecoração” e “titulação”.
Se soubesse, não tentaria ironizar a breve apresentação (ou “mini-currículo”) que disponibilizo aqui no meu blog. Se ele soubesse a diferença, não tentaria atribuir ao “currículo” a falsa tentativa, da minha parte, de tentar demonstrar algum tipo de superioridade ou coisa que o valha. Não é o caso. A finalidade do mini-currículo é apenas “apresentar-me” àqueles que estão acessando o meu blog pela primeira vez. Se deixasse a cólera de lado e tivesse mais experiência (e conhecimento dos fatos), o “consultor não arrogante” saberia que revistas, jornais e diversos meios (inclusive eletrônicos) têm este hábito de apresentar o mini-currículo dos autores – inclusive para que os leitores destas publicações saibam quem é e o que faz a pessoa que escreveu um determinado texto. Se o “consultor não arrogante” sabe disso e mesmo assim ironizou as “condecorações”, foi só uma outra tentativa de fugir do debate dos argumentos e “fazer gracinhas”.
Aliás, dá até medo começar a argumentar com uma pessoa que, propositadamente ou não, confunde “titulação” com “condecoração”…. Medo de ouvir e/ou ler muita besteira….

E o medo se confirma mais adiante.
Então, vamos tratar sobre o “marketing de qualquer coisa”, propriamente dito.
Vou começar pelos argumentos (se é que podemos classificá-los como tal) do “consultor não arrogante”:

1) A revolta do Master da blobagem se deu por não aceitar expertise dentro do marketing. Para ele tudo é marketing. Claro. Todo médico estudou medicina, mas eu não operaria meu coração com um ortopedista. E você?
Esse é o primeiro argumento do “consultor não arrogante” ?! Fraquinho desse jeito ?!
Pior: nem ao menos é original !!!!! O mesmo artifício de comparar o marketing (e suas supostas “divisões” ou “especializações”) à medicina foi utilizado num fórum de discussão do Orkut, aqui. O “consultor não arrogante” apenas copiou lá do Orkut, mas esqueceu de argumentar.
A metáfora da medicina (ainda bem que não foi uma metáfora de futebol, tão em voga nas sempre cretinas palavras do Lulla) não se sustenta por uma razão simples: há diferentes especialidades na medicina porque cada uma delas requer um conjunto de conhecimentos, procedimentos, ferramentas etc. No caso do marketing, o mesmo não é verdade: segmentação, posicionamento, 4Ps e todo o resto (que se encontra facilmente em qualquer bom livro de Marketing) vale para bancos, para indústrias, para comércio, para quaisquer serviços. O conjunto de procedimentos que um cardiologista utiliza é diferente do conjunto de procedimentos (e conhecimentos) de um ortopedista – neste caso, pois, justifica-se a especialização pela necessidade de deter um conjunto de conhecimentos específicos, que são DIFERENTES do conjunto de conhecimentos requeridos noutra especialidade (ortopedia, neurologia etc).
O profissional de marketing que trabalha no (ou presta serviços para) comércio não utiliza as mesmas técnicas, ferramentas e conhecimentos quando vai trabalhar numa indústria ? E se este profissional for contratado por um banco, vai abandonar a segmentação, as estratégias de precificação, de comunicação etc ? A Matriz BCG vale exclusivamente para empresas do setor industrial ? A Matriz GE é proibida de ser aplicada a uma empresa de serviços ?!
Claro que não !!!!!!!!
Portanto, não há DIFERENÇAS entre o marketing aplicado a um banco e o marketing aplicado a uma indústria; há, apenas e tão somente, particularidades de cada setor que o profisional de marketing deve conhecer para conseguir utilizar as mesmas ferramentas, as mesmas estratégias.
Nem vou prolongar isso, pois lá na comunidade do Orkut já foi discutido. Destaco as observações do “Israel”, logo na primeira página do tópico. Finalmente, fica a recomendação: esta comunidade do Orkut consegue, a despeito de muito lixo que o Orkut traz, reunir discussões excelentes. Vale acompanhar – desde que, diferentemente do que fez o ilustre “consultor não arrogante”, sejam apresentados argumentos. Ele deixou de fazê-lo no fórum de discussões, e preferiu ter um “xilique” no seu blog…..

Isto me leva a outro trecho do blog do “consultor não arrogante”:
2) O trecho acima denota tanta diferença quanto dizer que quando duas coisas são iguais é porque são muito parecidas. Ou particularidades não promovem diferenças?
Particularidades promovem diferenças ?!
Depende.
Pode ser que sim, pode ser que não.
Se uma pessoa tem uma particularidade, isto a torna, automaticamente, diferente ?! Um careca é diferente de uma pessoa com cabelos ? Depende……
Se um médico – seja cardiologista, seja ortopedista – for tratar um paciente careca, esta particularidade do paciente (a falta de cabelos) vai modificar o sistema respiratório do paciente ? Se o careca submeter-se a uma cirurgia cardíaca, o procedimento adotado pelo médico será diferente daquele que adotaria para um paciente com cabelos ?
A particularidade (falta de cabelo) não promoveu nenhuma diferença….. E agora ????

Vamos ao próximo:
3) Mas, Atualmente, o marketing é aplicável em quase todas as atividades humanas. Desempenha papel importante na integração das relações sociais e nas relações de trocas lucrativas e não lucrativas. Entre as modalidades mais conhecidas do marketing destacam-se: Marketing social, Marketing político, Marketing de serviços, Marketing agrícola, Marketing industrial, Marketing de serviços de saúde e Marketing de instituições que não visam ao lucro. Quem destacou estas modalidades foi Marcos Cobra (Professor titular de Marketing na EAESP-FGV. Doutor e mestre em Administração de Empresas pela EAESP-FGV) num livro de 1996 e que faz parte do meu TCC de MBA Marketing .
Vamos por partes…..
Eu nunca disse que o marketing não fosse aplicável a virtualmente todas as atividades humanas – mas daí a haver a necessidade de mudar o nome para cada uma das atividades ?!
Marketing social, político, pessoal, bancário, animal, vegetal, médico, ortopédico, marketing informático, marketing jurídico, marketing de empresas de TV por assinatura, marketing de empresas de assistência técnica de TV e rádio, marketing de funerárias, marketing de empresas da construção civil, marketing educacional de instituições brasileiras de ensino superior localizadas na região Nordeste, marketing de bláblábláblá…….
Será que não fica óbvio que isso é uma bobagem ?!
O que difere o marketing político do marketing pessoal ? O fato de um ser aplicado a um político e o segundo a uma pessoa ?! Mas o político não é, afinal, uma pessoa ?
O que difere o marketing bancário do marketing de uma empresa de saúde complementar ? NADA ! Tanto uma empresa de saúde complementar quanto um banco têm funções de marketing, mas não recorrem a “teorias diferentes”, ou “ferramentas diferentes”, ou “conhecimentos diferentes”. Bancos, indústrias, comércio ou qualquer outro ramo utilizam os mesmos conhecimentos do marketing – cada qual, obviamente, com objetivos e circunstâncias particulares, mas não por isso demandantes de técnicas diferentes !

Como se não bastasse, ao final de sua afirmação, o “consultor não arrogante” recorre às “condecorações” (o termo foi dele!) do Prof. Marcos Cobra. Dois pesos e duas medidas: se a minha titulação, antes, foi o respaldo que ele encontrou para ironizar, por que, então, recorreu à titulação do Prof. Marcos Cobra ? Nenhuma ironia ? A condecoração vale para mim, e mais ninguém ?

Então fica mais fácil dizer “olha, o Prof. Marcos Cobra diz que existe isso, então eu acredito e ponto final” do que argumentar ?
Cadê o senso crítico ???????
O “consultor não arrogante”, além de ser “não arrogante“, é também “não pensante” ?
Prefere apoiar-se na afirmação de uma pessoa (e não estou julgando ou questionando quem seja esta pessoa) e utilizá-la como “muleta” para sua falta de argumentos ?

Não obstante, a afirmação seguinte dá um desfecho fantástico: “O artigo abaixo esclarece muito bem o meu ponto de vista acerca da necessidade de nominação à expertise dentro do marketing. Perca um tempinho para lê-lo e deixe seu comentário“.
Ora, se eu quiser tecer algum comentário em relação ao texto do Rafael Villas Bôas, por que não comentar DIRETAMENTE COM O AUTOR ?
Inclusive, uma informação útil ao ilustre “consultor não arrogante”: geralmente os mini-currículos trazem, além das titulações e atividades profissionais relevantes do autor, uma forma de contato – mais recentemente, por razões óbvias, o e-mail é a mais utilizada. Há algum tempo, contudo, era mais comum o endereço para correspondência.
Aliás, SURPRESA: o texto do Rafael Villas Bôas traz, ao final, suas “condecorações”, e e-mail para contato……Voilà !!!!!

Será que precisa desenhar, ou já ficou claro para que serve o meu mini-currículo, aqui no blog ?!

Finalmente, cabe ressaltar: o “consultor não arrogante” Paulo Rubini cita o seu TCC do MBA Marketing.
Minha primeira dúvida: esta citação, per se, não seria indicativa de uma certa dose de arrogância ?
Minha segunda dúvida: será que o foco do TCC do MBA Marketing do “consultor não arrogante” era justamente esta profusão de nomenclaturas do Marketing ? Imaginei que TALVEZ em seu TCC, ele teria feito uma extensa e aprofundada pesquisa sobre o tema.
Não, não é o caso também.
O Trabalho de Conclusão de Curso da especialização em Marketing do “consultor não arrogante” trata do comportamento do consumidor de serviços bancários em banco público.
Ao longo de uma EXTENSA pesquisa nas teorias, o “consultor não arrogante” arrolou incríveis 15 referências bibliográficas.
Puxa, 15 !!!!!!! Tudo isso ?????
Imagino o trabalho árduo que tenha sido pesquisar em 15 referências !!!!!!

[Um aparte: será que poderia ser vista como arrogência minha uma rápida menção às 102 referências bibliográficas que usei no meu TCC da graduação ? Bom, se isto for tido como arrogância, as 350 referências bibliográficas da minha dissertação de mestrado ficarão parecendo o cúmulo da arrogância, né ?!]

Ah, neste total de INCRÍVEIS 15 referências bibliográficas pesquisadas estão inclusas consultas à Wikipedia, a alguns sites……fontes notoriamente não indicadas para trabalhos acadêmico-científicos, devido à sua falta de confiabilidade, dado que virtualmente qualquer pessoa pode publicar qualquer bobagem na internet atualmente.
Um dos objetivos de um trabalho como uma monografia é proceder a uma revisão da literatura, ou seja, pesquisar as teorias que já foram publicadas sobre um determinado tema (para maiores detalhes, qualquer livro de metodologia serve, pois eu não vou desviar o foco).

Aliás, que coincidência engraçada ou curiosa: a primeira referência bibliográfica da extensa e aprofundada pesquisa do Sr. Paulo Rubini indica o site Portal do Marketingque tem artigos meus publicados, desde 2003 ou 2004 (não lembro ao certo).

Isso significa que o “consultor não arrogante” correu o sério risco, ao recorrer ao Portal do Marketing, de utilizar algum artigo meu !!!!!!

Por isso eu digo: é ou não é engraçado ???????
Asseguro: eu me diverti MUITO !

PS – Retomarei este assunto, obviamente, pois tenho interesse nele. E, da mesma forma, tenho interesse em debate democrático de idéias – como explicitado no sub-título do blog. Assim, qualquer comentário, contribuição, crítica, elogio etc sempre são bem-vindos. Dou preferência, por razões óbvias, àqueles que tenham algum grau de argumentação…..se incluírem fontes de referências sérias, confiáveis, bem pesquisadas, melhor ainda ! As discussões serão postadas com o marcador da “campanha anti-modismo imbecilizante no marketing” (vide menu à esquerda no blog), para facilitar a localização.

4 comentários sobre “ECOS DO MODISMO

  1. Carlos Munhoz 18 de janeiro de 2008 / 12:56 AM

    Ok, o Paulo ficou devendo o embasamento, algum tipo de argumentação (mesmo pobrezinha), mas…..”FDP” é desnecessário….Espero que ele (ou qualquer outra pessoa, na verdade) consiga levar a discussão adiante, após reunir argumentos interessantes. O assunto merece o debate – mas no nível das idéias, não de ataques pessoais.Ele já me chamou de pecador (o que, de boa….sou mesmo! Pecador, mas feliz….hehehehe), mas prefiro não questionar (ou “atacar”) a pessoa – apenas as idéias da pessoa. Aí, sim…..

  2. Lázaro Falcirolli 9 de fevereiro de 2008 / 8:02 PM

    Carlos… foi “politicamente correto” e totalmente sem misericórdia… já assisti a algumas aulas junto com a Karina e estou ansioso para a primeira semana de aula na IPCA.Vou acompanhar de agora em diante porquê me diverti muito também!Abraço

  3. Rafael Villas Bôas 25 de fevereiro de 2008 / 1:35 PM

    No final do dia não entendi se voce gostou ou não de minha proposição.Enfim…publico em http://www.tcexp.com.br e lhe convido a discutir essa questão por lá (onde insisto na nomenclatura Marketing Educacional como sinônimo de marketing para instituições de ensino).Ademais esse será o tema de meu próximo livro. Forte abraço!Rafael Villas Bôas.

  4. Carlos Munhoz 25 de fevereiro de 2008 / 2:43 PM

    Rafael,No final do dia, qual a diferença entre o marketing educacional (sinônimo de marketing para instituições de ensino) e o marketing aplicado em QUALQUER po/natureza de organização ?Em tempo: existe diferença entre “marketing educacional” e “marketing na educação” ????Se existe, qual seria ?

Comentários

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s