VALE: nova logomarca é plágio

Uma notícia rapidinha, que li na área de negócios do Portal G1 (na íntegra, aqui): a nova logomarca da Companhia Vale do Rio Doce é um plágio descarado de uma marca de calçados de Franca, a Vitelli.
A semelhança entre as marcas é indiscutível. Veja as imagens abaixo:

Coincidência ?
Plágio ?
Azar ?

Não sei.
Mas uma empresa do porte da Vale do Rio Doce deveria ser mais cuidadosa com sua imagem. Nos últimos dias, a empresa investiu em diversas mídias para anunciar o novo “nome” e a respectiva logomarca. Um ponto de partida interessante é o hot-site criado pela empresa, disponível aqui.
A empresa fez, ainda, um filme (aqui), muito bem cuidado, caprichado no visual – mas esta “semelhança” com uma marca já existente “queima o filme”. Literalmente.

Trechos do press-release da Vale (na íntegra aqui), que comento na seqüência:

A Vale apresenta hoje, 29 de novembro, sua nova marca e seu novo posicionamento de comunicação. (…) Respaldada pela aquisição da mineradora canadense Inco, que a alçou ao segundo lugar no ranking mundial das mineradoras no ano passado, a empresa pretende, através da nova identidade visual, consolidar sua imagem de empresa brasileira com atuação global, ressaltando sua posição de destaque no cenário internacional.

Com a divulgação de seu posicionamento e valores – a qualidade de seus produtos, a ética, a responsabilidade socioambiental, o esforço para contribuir com o desenvolvimento dos empregados e comunidades onde atua e o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a empresa pretende diferenciar-se no mercado da mineração.

O projeto não contempla a mudança de nome da empresa, mas reforça a palavra “Vale”, unificando sua utilização em todos os mercados onde atua. A idéia é que todas as unidades de negócios abandonem as expressões “Companhia Vale do Rio Doce”, “Rio Doce” ou a sigla CVRD. A decisão levou em conta a brasilidade, a força, a simplicidade e a sonoridade do nome “Vale”, que será usado em oito idiomas.
Na comunicação ao público, será ressaltado o fato de que a Vale produz ingredientes essenciais para a vida diária, fornecendo, com sua produção de minério de ferro, a matéria-prima para diversos produtos como computadores, relógios ou fogões. Com isso, a marca Vale estará mais próxima das pessoas.

O novo posicionamento e a nova marca da Vale foram criados pela empresa norte-americana Lippincott Mercer e sua parceira no Brasil, a Cauduro Martino. A Lippincott é líder em design e estratégia de branding e tem entre seus principais clientes Coca-Cola, General Electric, ABN-AMRO, IBM, Motorola e Rede Globo. A Cauduro Martino tem vasta bagagem em implantação de marcas, com clientes como Banco do Brasil, Unimed, TAM e Natura.

A mim, parece que a nova marca é muito bonita, harmoniosa, e consegue, sim, identificar a empresa com o Brasil, além de trazer um “ar” de modernização ao antigo logo. Neste sentido, pois, as “pretensões” divulgadas no press-release me parecem atingidas.

O problema fica, no final das contas, com o fantasma do plágio.

A matéria no Portal G1 traz a informação de que segundo a diretora [de comunicação da Vale, Olinta Cardoso], as semelhanças não vão acarretar qualquer problema para a empresa, uma vez que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) apenas proíbe que marcas semelhantes sejam usadas somente no mesmo setor. Olinta afirma que existem inclusive outras empresas com o nome Vale no mundo. “Nem o logo nem o nome são exclusividade nossa. Ninguém vai confundir as duas empresas”, diz.

Realmente, confundir uma empresa de calçados com uma mineradora, é difícil.
Mas isso nem de longe apaga a má-impressão: parece que as empresas responsáveis pela nova logomarca não fizeram a lição de casa, foram pegas de calças curtas e agora tentam justificar a cagada dizendo que o INPI não impõe restrições legais.

Ok, pode até não haver restrições legais.
Mas “queima o filme” !!

2 comentários sobre “VALE: nova logomarca é plágio

  1. Anonymous 6 de dezembro de 2007 / 20:09

    Munhoz,Entrei no G1, através do link e o texto não afirma que existe plágio. Mostra os dois lados da questão.Empresas multinacionais como a Vale, a Nestlé, a IBM etc não podem correr esse risco. Então eu não acredito da possibilidade de "um plágio descarado", como você afirma.Saiu no Globo que a Vitelli enfrenta um processo judicial iniciado por uma empresa de calçados por ter plagiado o nome. Estão brigando faz 5 anos.Uma empresa de 170 bilhões de dólares e que tem mais de 100 mil empregados no mundo inteiro – segundo a Folha de S. Paulo – não iria copiar uma marca que tivesse sido copiada.Se navegarem na Internet, vão descobrir vários casos de marcas idênticas (até a Nike tem uma sósia nos EUA: uma empresa de cigarros!).Arthur L.

  2. Carlos Munhoz 7 de dezembro de 2007 / 22:19

    Arthur,
    Concordo com vc em alguns pontos….
    Mas se uma empresa de 170 bilhões de dólares não iria usar uma marca que tivesse sido copiada, como explicar a semelhança entre os logos? Não se trata de uma semelhança "leve"…..são idênticos!!! Existe alguma explicação para as marcas IDÊNTICAS?
    A Vale, até agora, resumiu-se a citar as normas do INPI, sobre setores diferentes…… Ok, mas ninguém pode negar que as marcas são idênticas !!!!!
    A matéria do G1 não afirma, textualmente, que é plágio; EU estou afirmando.

Comentários

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