A reputação do Brasil – e a MARCA

O artigo abaixo foi publicado no Valor Econômico de ontem, dia 14/06, e resume brilhantemente o quanto o Lulla prejudica a imagem do país, com sua insistência em se achar a terceira bolacha do pacote (coisa que qualquer um com um pouco de tutano, algum QI e o mínimo de informação já sabe):

Lula prejudica reputação do Brasil

O Brasil pode estar ganhando respeito no front econômico, mas quanto à liderança geopolítica, Lula acaba preservando imagem de país ressentido e com complexo de Terceiro Mundo

Provavelmente não demorou muito depois que fomos expulsos do Jardim do Éden para o Brasil começar a sonhar em se tornar um país sério e um protagonista no cenário mundial. Agora, justo quando parecia que o eterno sonho brasileiro iria se tornar realidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está botando tudo a perder.

O Brasil pode estar ganhando algum respeito no front econômico e monetário, mas quando se trata de liderança geopolítica, Lula está fazendo horas extras para preservar a imagem que o país tem de ressentido e sofrer de complexo de Terceiro Mundo.

O exemplo mais recente de como o Brasil ainda não está pronto para ter um lugar de destaque nos círculos internacionais, foi dado na semana passada quando ele votou contra as sanções ao Iraque no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A Turquia foi a única parceira do Brasil nesse exercício embaraçoso. Mas a Turquia pelo menos pode culpar a complexidade de suas raízes muçulmanas. Lula está prejudicando a reputação do Brasil em nome de sua própria gratificação política.

O Brasil defendeu sua posição na ONU alegando que “as sanções muito provavelmente levarão sofrimento à população do Irã e favorecerão aqueles, nos dois lados, que não querem que o diálogo prevaleça”. Não há nada nessa declaração. As sanções não são direcionadas para a população civil, e sim para as ambições nucleares e de proliferação de mísseis do Irã. Quanto ao “diálogo”, deveria ser óbvio a esta altura que é preciso um pouco menos de conversa com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Se o Brasil considerava seu voto uma posição de princípios em defesa da justiça, ele logo desistiu disto. Após protestar contra as sanções, ele rapidamente anunciou que vai honrá-las. Isso sugere que o país pode estar tendo um certo reconhecimento da diminuição dos retornos de suas políticas externas lunáticas.

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula é de extrema esquerda, mas ninguém deveria confundí-lo com um bolchevique determinado. Ele é apenas um político esperto que saiu das ruas e adora o poder e as limusines. Como o primeiro presidente brasileiro eleito pelo PT, ele vem tendo que contrabalançar as coisas úteis que aprendeu sobre os mercados e as limitações monetárias com a ideologia de suas bases.

Sua resposta a esse dilema tem sido usar seu Ministério das Relações Exteriores – onde uma burocracia de inclinações esquerdistas é comandada por um intelectual notoriamente antiamericano e anticapitalista, Celso Amorim – para polir suas credenciais esquerdistas. Com sua amizade com os “não-alinhados” proporcionando um escudo, ele vem conseguindo manter os ideólogos coletivistas fora da economia.

Mas a reputação do Brasil de líder entre as economias emergentes vem sofrendo muito. Para satisfazer a esquerda, Lula vem sendo solicitado a defender e elevar seus heróis, que são alguns dos maiores violadores dos direitos humanos do planeta.

Uma análise de seus dois mandatos presidenciais revela uma tendência de defender déspotas e desrespeitar democratas. O repressivo governo iraniano é apenas o exemplo mais recente. Há também o apoio incondicional de Lula à ditadura de Cuba e ao presidente da Venezuela Hugo Chávez. Em fevereiro, Cuba deixou o dissidente político Orlando Zapata morrer por causa de uma greve de fome, na mesma semana em que Lula chegou à ilha para se confraternizar com os irmãos Castro. Ao ser perguntado pela imprensa sobre Zapata, Lula comparou sua morte a mais uma entre as muitas pessoas que fizeram greve de fome na história e que o mundo ignorou. Ele obviamente nunca ouviu falar do militante irlandês Bobby Sands.

Lula também mantém-se fiel a Chávez, depois dele ter destruído as instituições democráticas de seu país e colaborado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que atuam no tráfico de drogas. Um Brasil adulto teria usado sua influência para liderar um esforço contra esse terrorismo patrocinado pelo Estado. Mas sob a análise dos custos e benefícios políticos de Lula, as vítimas da violência das FARC não têm importância.

Os hondurenhos não se saíram melhores durante a viagem de Lula pelo poder. O Brasil passou boa parte do ano passado tentando forçar Honduras a reempossar o presidente Manuel Zelaya, mesmo tendo ele sido destituído pelo governo civil por violar a constituição. As medidas brasileiras, inclusive abrigar Zelaya na embaixada brasileira por meses, criaram um sofrimento econômico imenso para os hondurenhos.

Na semana passada, a secretária de Estado americana Hillary Clinton pediu a volta de Honduras para a Organização dos Estados Americanos (OEA), observando que o país realizou eleições e voltou à normalidade. O Brasil foi contra. “O retorno de Honduras à OEA deve ser atrelada e meios específicos que garantam a redemocratização e o estabelecimento de direitos fundamentais”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Brasil Antonio de Aguiar Patriota. Uma observação ao Brasil: Está se referindo a Cuba?

O Brasil realiza eleições presidenciais em outubro e embora Lula esteja saindo com elevados níveis de popularidade, isso não é garantia de sucesso para a candidata do PT. Portanto, ele agora está agradando sua base partidária dando as mãos a Ahmadinejad e votando contra o Tio Sam.

Será que isso vai funcionar? Muita coisa vai depender se o número de brasileiros que acham que ele está prejudicando a emergente relevância do Brasil vai superar o número daqueles que apoiam a dança de Lula com os déspotas. Conforme alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a política de Lula está fazendo o Brasil “mudar de lado”, mas não está nem um pouco claro se os brasileiros concordam com isso.

Mary Anastasia O’Grady é editorialista do Wall Street Journal

A mesma articulista do Wall Street Journal já havia publicado outro texto, no qual escrevera que a melhor coisa que o Lulla fez, em todo o seu mandato, foi NADA. Basicamente, ela aponta, mui corretamente, que Lulla apenas manteve TUDO o que FHC havia implantado, e isso foi a razão do seu “sucesso”.
Eis um trecho (grifos meus):

President Lula da Silva wins accolades from entrepreneurs like Mr. Batista, but a review of his tenure finds that the best thing he has done as the country’s chief executive is nothing. That is to say, he did not undo Mr. Cardoso’s monetary and fiscal achievements. Instead he continued to support an anti-inflationary bias by hiring Henrique Meirelles, a former president of Bank of Boston, to replace Mr. Fraga. Yet beyond a bankruptcy-code reform and improvements to insurance legislation, he has done little else.

Este brilhante artigo está disponível AQUI. Infelizmente, o site do WSJ é restrito a assinantes – mas é possível ler o artigo, na íntegra, AQUI.

Coat_of_Brasil

O que o PT tem feito, em termos de política externa, é ridículo. O mais recente mico foi o caso do Irã, o que levou o Brasil a ficar isolado na votação do Conselho de Segurança da ONU (exceção feita à Turquia), e pode ter consequência não apenas na imagem do país, mas também em sua competitividade internacional – o que pode ser observado nesta matéria do Valor de ontem também:

Uma das possíveis consequências da ação diplomática no Irã poderá ser a retirada do Brasil, pelo Congresso americano, do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permite ao país exportar, sem imposto de importação, cerca de US$ 3,5 bilhões por ano aos Estados Unidos. O montante equivale a 17,4% das vendas brasileiras ao mercado americano. O benefício será reavaliado até o fim do ano pelos parlamentares americanos.
 
Outro efeito possível, a curto prazo, diz respeito ao etanol, produto que o Brasil não consegue exportar em quantidades significativas para os EUA por causa de uma sobretaxa aplicada pelos americanos. Nos próximos meses, provavelmente antes do fim do ano, os congressistas votarão a manutenção ou não da sobretaxa. Principal defensor da liberação do etanol brasileiro, o líder do Partido Republicano na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Richard Lugar, perdeu força entre seus pares para continuar defendendo o Brasil.
 
“O sentimento no Congresso dos EUA quanto ao Brasil é o de que o país é nosso amigo, mas não nosso aliado”, comentou ao Valor um assessor graduado dos republicanos no Congresso. “Isto [a posição brasileira em relação ao Irã] fez com que o Brasil parecesse estar inebriado com a percepção de sua própria grandeza”, disse o assessor, quando questionado sobre se a iniciativa brasileira estaria prejudicando a imagem do país no parlamento americano.
 
“A visão predominante em Washington é a de que o Brasil está fazendo isso [em relação ao Irã] para buscar independência em relação aos EUA e porque já é um poder internacional”, revela Kellie Meiman, ex-funcionária do serviço diplomático dos EUA e especialista em Brasil da firma McLarty Associates.
 
Os congressistas americanos analisam também neste momento modificações na legislação americana para adequá-la à decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de proibir a concessão de subsídios à produção de algodão, resultado de uma ação movida pelo governo brasileiro. A tendência já era de não cumprir a determinação, o que levará o Brasil a aplicar retaliação, de US$ 268 milhões, contra produtos americanos. Agora, é bem provável que, por causa do mal-estar provocado pelo envolvimento brasileiro na questão iraniana, os parlamentares radicalizem.
 
“A curto prazo, vamos entrar numa área de turbulência nas relações bilaterais até porque, num assunto totalmente separado, mas que entra nesse quadro, os americanos não estão avançando no cumprimento da decisão da OMC de eliminar os subsídios ao algodão. É possível que o Brasil, com toda razão, venha a impor sanções comerciais contra os EUA, o que, por sua vez, levará o Congresso a retaliar e eventualmente tirar o Brasil do SGP”, prevê Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil em Washington entre 2004 e 2007.
 
No governo brasileiro, o fim do benefício do SGP, um mecanismo criado no âmbito do Gatt (o acordo que antecedeu a criação da OMC) para favorecer exportações de países pobres, não é visto com preocupação. “É a crônica de uma morte anunciada”, ironizou uma fonte oficial, lembrando que, há muitos anos, autoridades americanas ameaçam retirar o Brasil, assim como a Índia, do sistema.
 
O fim das preferências também parece não preocupar o meio empresarial. No fim de fevereiro, durante videoconferência com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representantes do USTR, o órgão do governo americano encarregado das negociações comerciais, ameaçaram retirar o Brasil do SGP se o país não cedesse na questão do algodão. Na ocasião, Roberto Giannetti, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, reagiu com irritação. “Então, podem cancelar”, disse o empresário durante a videoconferência.
 
“Esses produtos vão continuar entrando no mercado americano e vão gerar receita de apenas US$ 70 milhões aos EUA. O consumidor americano é quem vai pagar por isso”, explicou Gianetti ao Valor. O dirigente da Fiesp não esconde, no entanto, sua posição crítica à iniciativa brasileira no Irã. “O Brasil está, de certa maneira, desafiando os EUA, criando um clima de hostilidade. É claro que o Congresso americano terá uma atitude azeda nos temas que nos interessam”, afirmou. “É importante assinalar que essa posição é exclusiva do governo porque a posição da sociedade brasileira é a de que o Irã representa, sim, uma ameaça.”
 
Na avaliação do governo, no caso do algodão, a vantagem é brasileira, uma vez que, se o Congresso americano não eliminar os subsídios, caberá ao Brasil aplicar retaliações. Na semana passada o Congresso Nacional aprovou medida provisória autorizando o governo a fazer retaliação cruzada, ou seja, impor, por exemplo, punições aos detentores de direitos de propriedade intelectual dos EUA. Há preocupação, no entanto, em relação à sobretaxa do etanol. “Nossa avaliação, de qualquer maneira, é a de que isso não avançaria agora mesmo”, ponderou uma fonte.
 
O impacto da ação brasileira no Irã está sendo mais forte no Congresso. Mesmo desgostoso com o voto do Brasil contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, o governo Obama quer manter o diálogo por acreditar que o Brasil ainda pode ser útil numa futura negociação com Teerã. Por isso, aposta-se que, apesar dos desentendimentos, a relação entre os dois países voltará à normalidade a médio prazo.
 
“O Brasil continua sendo muito importante para resolver dois problemas centrais: a volta de Honduras à OEA, que até agora não aconteceu porque o Brasil tem conseguido bloqueá-la; e a questão iraniana, que está longe de ser resolvida. É plausível acreditar que, para os EUA, seja útil poder contar com o apoio do Brasil. Hoje, não há espaço para isso, mas, com o novo governo, acredito que haverá”, sustenta Matias Spektor, professor da Fundação Getulio Vargas que está, neste momento, trabalhando como pesquisador visitante no Council on Foreign Relations (CFR), o principal centro de estudos internacionais dos EUA.
 
Para Spektor, essas duas questões criam oportunidades de reaproximação a partir de janeiro de 2011, quando tomará posse o novo presidente brasileiro. Crítico contundente da posição brasileira sobre o Irã, que considera “vexatória”, “autista” e “incômoda”, o embaixador Roberto Abdenur também aposta no revigoramento das relações.
 
“Os EUA passaram a ver o Brasil, nos anos recentes, com outros olhos. E isso porque o Brasil, e isso é mérito do Lula, basicamente aplicou uma política econômica que deu solidez, credibilidade e voz ao país, aliada a uma política externa que, inegavelmente, foi muito ativa e criativa. Não acho que o Irã seja uma expressão natural dessa maior projeção do Brasil. É algo totalmente anômalo porque não corresponde aos interesses do país”, criticou o embaixador, lembrando que o fracasso das negociações da Alca (a área de livre-comércio das Américas) e da Rodada Doha da OMC não afetou as relações entre os dois países. “Essas coisas [as divergências quanto ao Irã] são administráveis e não acho que descarrilhem a relação bilateral.”
Mapa_do_Brasil_com_a_Bandeira_Nacional
Portanto, da próxima vez que você ouvir alguém elogiando a “liderança internacional do Lulla”, saia de perto.
Esta pessoa não sabe diferenciar notoriedade/fama de liderança. É mais ou menos como não saber a diferença entre a fama de ex-BBBs e o talento de um Paulo Autran.

Ou, pior ainda, é um PTralha – o que significa que além de não saber de nada, mesmo se soubesse continuaria dizendo a mesma bobagem pela simples razão de que não tem nenhum outro discurso. 

2013-12-16 12.10.35

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