Algumas lições de Mises de 1979 para os protestos brasileiros de 2013

Em meio a toda a discussão gerada pela onda de protestos que têm ocorrido no Brasil, achei interessante reforçar algumas das palavras de Ludwig von Mises.
Recortei alguns trechos dos 2 primeiros capítulos de um dos livros dele que mais gosto. É um livro bastante objetivo, sem firulas. Pode ser baixado (em formatos PDF, MOBI e ePub) AQUI, gratuitamente.

Recomendo a leitura para quem deseja aproveitar este momento de (supostas) mudanças no país para refletir sobre o que deseja para o Brasil.

OBS: Como retirei os trechos do PDF, a formatação está “estranha”, mas isso não impede a leitura. O mais importante é o conteúdo, mas já peço desculpas antecipadamente pela forma.

AS SEIS LIÇÕES
Ludwig  von  Mises

Traduzido  por  Maria  Luiza  Borges
7ª  Edição
Copyright  ©  Margit  von  Mises,  1979
Título  do  original  em  inglês: ECONOMIC  POLICY:  THOUGHTS  FOR  TODAY  AND  TOMORROW
Revisão  para  nova  ortografia: Núbia  Tavares
Ficha  catalográfica  elaborada  pela Biblioteca  Ludwig  von  Mises  do  Instituto  Liberal  –  RJ
Bibliotecário  Responsável:  Otávio  Alexandre  J.  De  Oliveira

CAPÍTULO  I
PRIMEIRA LIÇÃO
O   CAPITALISMO

Certas  expressões  usadas  pelo  povo  são,  muitas  vezes,  inteira-
mente  equivocadas.  Assim,  atribuem-se  a  capitães  de  indústria  e
a  grandes  empresários  de  nossos  dias  epítetos  como  “o  rei  do  cho-
colate”,  “o  rei  do  algodão”  ou  “o  rei  do  automóvel”.  Ao  usar  essas
expressões,  o  povo  demonstra  não  ver  praticamente  nenhuma  di-
ferença  entre  os  industriais  de  hoje  e  os  reis,  duques  ou  lordes  de
outrora.  Mas,  na  realidade,  a  diferença  é  enorme,  pois  um  rei  do
chocolate  absolutamente  não  rege,  ele  serve.  Não  reina  sobre  um
território  conquistado,  independente  do  mercado,  independente  de
seus  compradores.  O  rei  do  chocolate  –  ou  do  aço,  ou  do  automó-
vel,  ou  qualquer  outro  rei  da  indústria  contemporânea  –  depende
da  indústria  que  administra  e  dos  clientes  a  quem  presta  serviços.

Esse  “rei”  precisa  se  conservar  nas  boas  graças  dos  seus  súditos,  os
consumidores:  perderá  seu  “reino”  assim  que  já  não  tiver  condições
de  prestar  aos  seus  clientes  um  serviço  melhor  e  de  mais  baixo  custo
que  o  oferecido  por  seus  concorrentes.

Duzentos  anos  atrás,  antes  do  advento  do  capitalismo,  o  status
social  de  um  homem  permanecia  inalterado  do  princípio  ao  fim  de
sua  existência:  era  herdado  dos  seus  ancestrais  e  nunca  mudava.
Se  nascesse  pobre,  pobre  seria  para  sempre;  se  rico  –  lorde  ou  du-
que  –,  manteria  seu  ducado,  e  a  propriedade  que  o  acompanhava,
pelo  resto  dos  seus  dias.

No  tocante  à  manufatura,  as  primitivas  indústrias  de  beneficia-
mento  da  época  existiam  quase  exclusivamente  em  proveito  dos
ricos.  A  grande  maioria  do  povo  (90%  ou  mais  da  população  eu-
ropeia)  trabalhava  na  terra  e  não  tinha  contato  com  as  indústrias
de  beneficiamento,  voltadas  para  a  cidade.  Esse  rígido  sistema  da
sociedade  feudal  imperou,  por  muitos  séculos,  nas  mais  desenvol-
vidas  regiões  da  Europa.

Contudo,  a  população  rural  se  expandiu  e  passou  a  haver  um  ex-
cesso  de  gente  no  campo.  Os  membros  dessa  população  excedente,
sem  terras  herdadas  ou  bens,  careciam  de  ocupação.  Também  não
lhes  era  possível  trabalhar  nas  indústrias  de  beneficiamento,  cujo
acesso  lhes  era  vedado  pelos  reis  das  cidades.  O  número  desses
“párias”  crescia  incessantemente,  sem  que  todavia  ninguém  sou-
besse  o  que  fazer  com  eles.  Eram,  no  pleno  sentido  da  palavra,
“proletários”,  e  ao  governo  só  restava  interná-los  em  asilos  ou  ca-
sas  de  correção.  Em  algumas  regiões  da  Europa,  sobretudo  nos
Países  Baixos  e  na  Inglaterra,  essa  população  tornou-se  tão  nu-
merosa  que,  no  século  XVIII,  constituía  uma  verdadeira  ameaça  à
preservação  do  sistema  social  vigente.

Hoje,  ao  discutir  questões  análogas  em  lugares  como  a  Índia  ou
outros  países  em  desenvolvimento,  não  devemos  esquecer  que,  na
Inglaterra  do  século  XVIII,  as  condições  eram  muito  piores.  Na-
quele  tempo,  a  Inglaterra  tinha  uma  população  de  seis  ou  sete  mi-
lhões  de  habitantes,  dos  quais  mais  de  um  milhão  –  provavelmente
dois  –  não  passavam  de  indigentes  a  quem  o  sistema  social  em  vigor
nada  proporcionava.  As  medidas  a  tomar  com  relação  a  esses  deser-
dados  constituíam  um  dos  maiores  problemas  da  Inglaterra.

Outro  sério  problema  era  a  falta  de  matérias-primas.  Os  in-
gleses  eram  obrigados  a  enfrentar  a  seguinte  questão:  que  faremos,
no  futuro,  quando  nossas  florestas  já  não  nos  derem  a  madeira  de
que  necessitamos  para  nossas  indústrias  e  para  aquecer  nossas  ca-
sas?  Para  as  classes  governantes,  era  uma  situação  desesperadora.
Os  estadistas  não  sabiam  o  que  fazer  e  as  autoridades  em  geral  não
tinham  qualquer  ideia  sobre  como  melhorar  as  condições.

Foi  dessa  grave  situação  social  que  emergiram  os  começos  do
capitalismo  moderno.  Dentre  aqueles  párias,  aqueles  miseráveis,
surgiram  pessoas  que  tentaram  organizar  grupos  para  estabelecer
pequenos  negócios,  capazes  de  produzir  alguma  coisa.  Foi  uma
inovação.  Esses  inovadores  não  produziam  artigos  caros,  acessí-
veis  apenas  às  classes  mais  altas:  produziam  bens  mais  baratos,  que
pudessem  satisfazer  as  necessidades  de  todos.  E  foi  essa  a  origem
do  capitalismo  tal  como  hoje  funciona.  Foi  o  começo  da  produção
em  massa  –  princípio  básico  da  indústria  capitalista.  Enquanto
as  antigas  indústrias  de  beneficiamento  funcionavam  a  serviço  da
gente  abastada  das  cidades,  existindo  quase  que  exclusivamente
para  corresponder  às  demandas  dessas  classes  privilegiadas,  as  no-
vas  indústrias  capitalistas  começaram  a  produzir  artigos  acessíveis
a  toda  a  população.  Era  a  produção  em  massa,  para  satisfazer  às
necessidades  das  massas.

Este  é  o  princípio  fundamental  do  capitalismo  tal  como  existe
hoje  em  todos  os  países  onde  há  um  sistema  de  produção  em  massa
extremamente  desenvolvido:  as  empresas  de  grande  porte,  alvo  dos
mais  fanáticos  ataques  desfechados  pelos  pretensos  esquerdistas,
produzem  quase  exclusivamente  para  suprir  a  carência  das  massas.

As  empresas  dedicadas  à  fabricação  de  artigos  de  luxo,  para  uso  ape-
nas  dos  abastados,  jamais  têm  condições  de  alcançar  a  magnitude
das  grandes  empresas.  E,  hoje,  os  empregados  das  grandes  fábricas
são,  eles  próprios,  os  maiores  consumidores  dos  produtos  que  nelas
se  fabricam.  Esta  é  a  diferença  básica  entre  os  princípios  capitalis-
tas  de  produção  e  os  princípios  feudalistas  de  épocas  anteriores.
Quando  se  pressupõe  ou  se  afirma  a  existência  de  uma  diferen-
ça  entre  os  produtores  e  os  consumidores  dos  produtos  da  grande
empresa,  incorre-se  em  grave  erro.  Nas  grandes  lojas  dos  Estados
Unidos,  ouvimos  o  slogan:  “O  cliente  tem  sempre  razão.”  E  esse
cliente  é  o  mesmo  homem  que  produz,  na  fábrica,  os  artigos  à  venda
naqueles  estabelecimentos.  Os  que  pensam  que  a  grande  empresa
detém  um  enorme  poder  também  se  equivocam,  uma  vez  que  a  em-
presa  de  grande  porte  é  inteiramente  dependente  da  preferência  dos
que  lhes  compram  os  produtos;  a  mais  poderosa  empresa  perderia
seu  poder  e  sua  influência  se  perdesse  seus  clientes.

Há  cinquenta  ou  sessenta  anos,  era  voz  corrente  em  quase  todos
os  países  capitalistas  que  as  companhias  de  estradas  de  ferro  eram
por  demais  grandes  e  poderosas:  sendo  monopolistas,  tornavam  im-
possível  a  concorrência.  Alegava-se  que,  na  área  dos  transportes,
o  capitalismo  já  havia  atingido  um  estágio  no  qual  se  destruira  a  si
mesmo,  pois  que  eliminara  a  concorrência.  O  que  se  descurava  era
o  fato  de  que  o  poder  das  ferrovias  dependia  de  sua  capacidade  de
oferecer  à  população  um  meio  de  transporte  melhor  que  qualquer
outro.  Evidentemente  teria  sido  absurdo  concorrer  com  uma  des-
sas  grandes  estradas  de  ferro,  através  da  implantação  de  uma  nova
ferrovia  paralela  à  anterior,  porquanto  a  primeira  era  suficiente  para
atender  às  necessidades  do  momento.  Mas  outros  concorrentes  não
tardaram  a  aparecer.  A  livre  concorrência  não  significa  que  se  possa
prosperar  pela  simples  imitação  ou  cópia  exata  do  que  já  foi  feito  por
alguém.  A  liberdade  de  imprensa  não  significa  o  direito  de  copiar
o  que  outra  pessoa  escreveu,  e  assim  alcançar  o  sucesso  a  que  o  ver-
dadeiro  autor  fez  jus  por  suas  obras.  Significa  o  direito  de  escrever
outra  coisa.  A  liberdade  de  concorrência  no  tocante  às  ferrovias,
por  exemplo,  significa  liberdade  para  inventar  alguma  coisa,  para
fazer  alguma  coisa  que  desafie  as  ferrovias  já  existentes  e  as  coloque
em  situação  muito  precária  de  competitividade.

Nos  Estados  Unidos,  a  concorrência  que  se  estabeleceu  através
dos  ônibus,  automóveis,  caminhões  e  aviões  impôs  às  estradas  de
ferro  grandes  perdas  e  uma  derrota  quase  absoluta  no  que  diz  res-
peito  ao  transporte  de  passageiros.

O  desenvolvimento  do  capitalismo  consiste  em  que  cada  ho-
mem  tem  o  direito  de  servir  melhor  e/ou  mais  barato  o  seu  clien-
te.  E,  num  tempo  relativamente  curto,  esse  método,  esse  princípio,
transformou  a  face  do  mundo,  possibilitando  um  crescimento  sem
precedentes  da  população  mundial.

Na  Inglaterra  do  século  XVIII,  o  território  só  podia  dar  sustento

a  seis  milhões  de  pessoas,  num  baixíssimo  padrão  de  vida.  Hoje,
mais  de  cinquenta  milhões  de  pessoas  aí  desfrutam  de  um  padrão  de
vida  que  chega  a  ser  superior  ao  que  desfrutavam  os  ricos  no  século
XVIII.  E  o  padrão  de  vida  na  Inglaterra  de  hoje  seria  provavelmen-
te  mais  alto  ainda,  não  tivessem  os  ingleses  dissipado  boa  parte  de
sua  energia  no  que,  sob  diversos  pontos  de  vista,  não  foram  mais
que  “aventuras”  políticas  e  militares  evitáveis.

Estes  são  os  fatos  acerca  do  capitalismo.  Assim,  se  um  inglês  –
ou,  no  tocante  a  esta  questão,  qualquer  homem  de  qualquer  país  do
mundo  –  afirmar  hoje  aos  amigos  ser  contrário  ao  capitalismo,  há
uma  esplêndida  contestação  a  lhe  fazer:  “Sabe  que  a  população  des-
te  planeta  é  hoje  dez  vezes  maior  que  nos  períodos  precedentes  ao
capitalismo?  Sabe  que  todos  os  homens  usufruem  hoje  um  padrão
de  vida  mais  elevado  que  o  de  seus  ancestrais  antes  do  advento  do
capitalismo?  E  como  você  pode  ter  certeza  de  que,  se  não  fosse  o
capitalismo,  você  estaria  integrando  a  décima  parte  da  população
sobrevivente?  Sua  mera  existência  é  uma  prova  do  êxito  do  capita-
lismo,  seja  qual  for  o  valor  que  você  atribua  à  própria  vida.”

[…]

Na  Grã-Bretanha,  quando  os  fabricantes  começaram  a  produ-
zir  artigos  de  algodão,  eles  passaram  a  pagar  aos  seus  trabalhadores
mais  do  que  estes  ganhavam  antes.  É  verdade  que  grande  porcen-
tagem  desses  novos  trabalhadores  jamais  ganhara  coisa  alguma  an-
tes.  Estavam,  então,  dispostos  a  aceitar  qualquer  quantia  que  lhes
fosse  oferecida.  Mas,  pouco  tempo  depois,  com  a  crescente  acu-
mulação  do  capital  e  a  implantação  de  um  número  cada  vez  maior
de  novas  empresas,  os  salários  se  elevaram,  e  como  consequência
houve  aquele  aumento  sem  precedentes  da  população  inglesa,  ao
qual  já  me  referi.  A  reiterada  caracterização  depreciativa  do  capi-
talismo  como  um  sistema  destinado  a  tornar  os  ricos  mais  ricos  e
os  pobres  mais  pobres  é  equivocada  do  começo  ao  fim.  A  tese  de
Marx  concernente  ao  advento  do  capitalismo  baseou-se  no  pressu-
posto  de  que  os  trabalhadores  estavam  ficando  mais  pobres,  de  que
o  povo  estava  ficando  mais  miserável,  o  que  finalmente  redundaria
na  concentração  de  toda  a  riqueza  de  um  país  em  umas  poucas
mãos,  ou  mesmo  nas  de  um  homem  só.  Como  consequência,  as
massas  trabalhadoras  empobrecidas  se  rebelariam  e  expropriariam
os  bens  dos  opulentos  proprietários.

Segundo  essa  doutrina  de  Marx,  é  impossível,  no  sistema  ca-
pitalista,  qualquer  oportunidade,  qualquer  possibilidade  de  melho-
ria  das  condições  dos  trabalhadores.  Em  1865,  falando  perante  a
Associação  Internacional  dos  Trabalhadores,  na  Inglaterra,  Marx
afirmou  que  a  crença  de  que  os  sindicatos  poderiam  promover  me-
lhores  condições  para  a  população  trabalhadora  era  “absolutamente
errônea”.  Qualificou  a  política  sindical  voltada  para  a  reivindica-
ção  de  melhores  salários  e  menor  número  de  horas  de  trabalho  de
conservadora  –  era  este,  evidentemente,  o  termo  mais  desabonador
a  que  Marx  podia  recorrer.  Sugeriu  que  os  sindicatos  adotassem
uma  nova  meta  revolucionária:  a  “completa  abolição  do  sistema  de
salários”,  e  a  substituição  do  sistema  de  propriedade  privada  pelo
“socialismo”  –  a  posse  dos  meios  de  produção  pelo  governo.

Se  consideramos  a  história  do  mundo  –  e  em  especial  a  história
da  Inglaterra  a  partir  de  1865  –  verificaremos  que  Marx  estava  erra-
do  sob  todos  os  aspectos.  Não  há  um  só  país  capitalista  em  que  as
condições  do  povo  não  tenham  melhorado  de  maneira  inédita.  To-
dos  esses  progressos  ocorridos  nos  últimos  oitenta  ou  noventa  anos
produziram-se  a  despeito  dos  prognósticos  de  Karl  Marx:  os  socialis-
tas  de  orientação  marxista  acreditavam  que  as  condições  dos  traba-
lhadores  jamais  poderiam  melhorar.  Adotavam  uma  falsa  teoria,  a
famosa  “lei  de  ferro  dos  salários”.  Segundo  esta  lei,  no  capitalismo,
os  salários  de  um  trabalhador  não  excederiam  a  soma  que  lhe  fosse
estritamente  necessária  para  manter-se  vivo  a  serviço  da  empresa.

Os  marxistas  enunciaram  sua  teoria  da  seguinte  forma:  se  os
padrões  salariais  dos  trabalhadores  sobem,  com  a  elevação  dos  salá-
rios,  a  um  nível  superior  ao  necessário  para  a  subsistência,  eles  terão
mais  filhos.  Esses  filhos,  ao  ingressarem  na  força  de  trabalho,  en-
grossarão  o  número  de  trabalhadores  até  o  ponto  em  que  os  padrões
salariais  cairão,  rebaixando  novamente  os  salários  dos  trabalhadores
a  um  nível  mínimo  necessário  para  a  subsistência  –  àquele  nível
mínimo  de  sustento,  apenas  suficiente  para  impedir  a  extinção  da
população  trabalhadora.

Mas  essa  ideia  de  Marx,  e  de  muitos  outros  socialistas,  envolve
um  conceito  de  trabalhador  idêntico  ao  adotado  –  justificadamente
–  pelos  biólogos  que  estudam  a  vida  dos  animais.  Dos  camundon-
gos,  por  exemplo.  Se  colocarmos  maior  quantidade  de  alimento  à
disposição  de  organismos  animais,  ou  de  micróbios,  maior  núme-
ro  deles  sobreviverá.  Se  a  restringirmos,  restringiremos  o  número
dos  sobreviventes.  Mas  com  o  homem  é  diferente.  Mesmo  o  tra-
balhador  –  ainda  que  os  marxistas  não  o  admitam  –  tem  carências
humanas  outras  que  as  de  alimento  e  de  reprodução  de  sua  espécie.
Um  aumento  dos  salários  reais  resulta  não  só  num  aumento  da  po-
pulação;  resulta  também,  e  antes  de  tudo,  numa  melhoria  do  padrão
de  vida  média.  É  por  isso  que  temos  hoje,  na  Europa  Ocidental  e
nos  Estados  Unidos,  um  padrão  de  vida  superior  ao  das  nações  em
desenvolvimento,  às  da  África,  por  exemplo.  Devemos  compreen-
der,  contudo,  que  esse  padrão  de  vida  mais  elevado  fundamenta-se
na  disponibilidade  de  capital.  Isso  explica  a  diferença  entre  as
condições  reinantes  nos  Estados  Unidos  e  as  que  encontramos  na
Índia.  Neste  país  foram  introduzidos  –  ao  menos  em  certa  medida
–  modernos  métodos  de  combate  a  doenças  contagiosas,  cujo  efei-
to  foi  um  aumento  inaudito  da  população.  No  entanto,  como  esse
crescimento  populacional  não  foi  acompanhado  de  um  aumento
correspondente  do  montante  de  capital  investido  no  país,  o  resul-
tado  foi  um  agravamento  da  miséria.  Quanto  mais  se  eleva  o  capital
investido  por  indivíduo,  mais  próspero  se  torna  o  país.

Mas  é  preciso  lembrar  que  nas  políticas  econômicas  não  ocor-
rem  milagres.  Todos  leram  artigos  de  jornal  e  discursos  sobre  o
chamado  milagre  econômico  alemão  –  a  recuperação  da  Alema-
nha  depois  de  sua  derrota  e  destruição  na  Segunda  Guerra  Mun-
dial.  Mas  não  houve  milagre.  Houve  tão  somente  a  aplicação
dos  princípios  da  economia  do  livre  mercado,  dos  métodos  do  capi-
talismo,  embora  essa  aplicação  não  tenha  sido  completa  em  todos
os  pontos.  Todo  país  pode  experimentar  o  mesmo  “milagre”  de
recuperação  econômica,  embora  eu  deva  insistir  em  que  esta  não
é  fruto  de  milagre:  é  fruto  da  adoção  de  políticas  econômicas  só-
lidas,  pois  que  é  delas  que  resulta.

CAPÍTULO  II
SEGUNDA LIÇÃO
O   SOCIALISMO

Estou  em  Buenos  Aires  a  convite  do  Centro  de  Difusión  de  la
Economia  Libre.  Que  vem  a  ser  economia  livre?  Que  significa  esse
sistema  de  liberdade  econômica?  A  resposta  é  simples:  é  a  economia
de  mercado,  é  o  sistema  em  que  a  cooperação  dos  indivíduos  na
divisão  social  do  trabalho  se  realiza  pelo  mercado.  E  esse  mercado
não  é  um  lugar:  é  um  processo,  é  a  forma  pela  qual,  ao  vender  e  com-
prar,  ao  produzir  e  consumir,  as  pessoas  estão  contribuindo  para  o
funcionamento  global  da  sociedade.

Quando  falamos  desse  sistema  de  organização  econômica  –  a
economia  de  mercado  –  empregamos  a  expressão  “liberdade  eco-
nômica”.  Frequentemente  as  pessoas  se  equivocam  quanto  ao  seu
significado,  supondo  que  liberdade  econômica  seja  algo  inteira-
mente  dissociado  de  outras  liberdades,  e  que  estas  outras  liber-
dades  –  que  reputam  mais  importantes  –  possam  ser  preservadas
mesmo  na  ausência  de  liberdade  econômica.  Mas  liberdade  eco-
nômica  significa,  na  verdade,  que  é  dado  às  pessoas  que  a  possuem
o  poder  de  escolher  o  próprio  modo  de  se  integrar  ao  conjunto  da
sociedade.  A  pessoa  tem  o  direito  de  escolher  sua  carreira,  tem
liberdade  para  fazer  o  que  quer.

É  óbvio  que  não  compreendemos  liberdade  no  sentido  que  hoje
tantos  atribuem  à  palavra.  O  que  queremos  dizer  é  antes  que,  atra-
vés  da  liberdade  econômica,  o  homem  é  libertado  das  condições
naturais.  Nada  há,  na  natureza,  que  possa  ser  chamado  de  liber-
dade;  há  apenas  a  regularidade  das  leis  naturais,  a  que  o  homem
é  obrigado  a  obedecer  para  alcançar  qualquer  coisa.  Quando  se
trata  de  seres  humanos,  atribuímos  à  palavra  liberdade  o  signi-
ficado  exclusivo  de  liberdade  na  sociedade.  Não  obstante,  muitos
consideram  que  as  liberdades  sociais  são  independentes  umas  das
outras.  Os  que  hoje  se  intitulam  “liberais”  têm  reivindicado  pro-
gramas  que  são  exatamente  o  oposto  das  políticas  que  os  liberais
do  século  XIX  defendiam  em  seus  programas  liberais.  Os  preten-
sos  liberais  de  nossos  dias  sustentam  a  ideia  muito  difundida  de
que  as  liberdades  de  expressão,  de  pensamento,  de  imprensa,  de
culto,  de  encarceramento  sem  julgamento  podem,  todas  elas,  ser
preservadas  mesmo  na  ausência  do  que  se  conhece  como  liberdade
econômica.  Não  se  dão  conta  de  que,  num  sistema  desprovido  de
mercado,  em  que  o  governo  determina  tudo,  todas  essas  outras  li-
berdades  são  ilusórias,  ainda  que  postas  em  forma  de  lei  e  inscritas
na  constituição.

Tomemos  como  exemplo  a  liberdade  de  imprensa.  Se  for  dono
de  todas  as  máquinas  impressoras,  o  governo  determinará  o  que
deve  e  o  que  não  deve  ser  impresso.  Nesse  caso,  a  possibilidade  de
se  publicar  qualquer  tipo  de  crítica  às  ideias  oficiais  torna-se  prati-
camente  nula.  A  liberdade  de  imprensa  desaparece.  E  o  mesmo  se
aplica  a  todas  as  demais  liberdades.

Quando  há  economia  de  mercado,  o  indivíduo  tem  a  liberda-
de  de  escolher  qualquer  carreira  que  deseje  seguir,  de  escolher  seu
próprio  modo  de  inserção  na  sociedade.  Num  sistema  socialista  é
diferente:  as  carreiras  são  decididas  por  decreto  do  governo.  Este
pode  ordenar  às  pessoas  que  não  lhe  sejam  gratas,  àquelas  cuja  pre-
sença  não  lhe  pareça  conveniente  em  determinadas  regiões,  que  se
mudem  para  outras  regiões  e  outros  lugares.  E  sempre  há  como  jus-
tificar  e  explicar  semelhante  procedimento:  declara-se  que  o  plano
governamental  exige  a  presença  desse  eminente  cidadão  a  cinco  mil
milhas  de  distância  do  local  onde  ele  estava  sendo  ou  poderia  ser
incômodo  aos  detentores  do  poder.

É  verdade  que  a  liberdade  possível  numa  economia  de  mercado
não  é  uma  liberdade  perfeita  no  sentido  metafísico.  Mas  a  liberdade
perfeita  não  existe.  É  só  no  âmbito  da  sociedade  que  a  liberdade
tem  algum  significado.  Os  pensadores  que  desenvolveram,  no  sécu-
lo  XVIII,  a  ideia  da  “lei  natural”  –  sobretudo  Jean-Jacques  Rousseau
–  acreditavam  que  um  dia,  num  passado  remoto,  os  homens  haviam
desfrutado  de  algo  chamado  liberdade  “natural”.  Mas  nesses  tem-
pos  remotos  os  homens  não  eram  livres  –  estavam  à  mercê  de  todos
os  que  fossem  mais  fortes  que  eles  mesmos.  As  famosas  palavras  de
Rousseau:  “O  homem  nasceu  livre  e  se  encontra  acorrentado  em
toda  parte”,  talvez  soem  bem,  mas  na  verdade  o  homem  não  nasceu
livre.  Nasceu  como  uma  frágil  criança  de  peito.  Sem  a  proteção  dos
pais,  sem  a  proteção  proporcionada  a  esses  pais  pela  sociedade,  não
teria  podido  sobreviver.

Liberdade  na  sociedade  significa  que  um  homem  depende  tanto
dos  demais  como  estes  dependem  dele.  A  sociedade,  quando  regida
pela  economia  de  mercado,  pelas  condições  da  economia  livre,  apre-
senta  uma  situação  em  que  todos  prestam  serviços  aos  seus  conci-
dadãos  e  são,  em  contrapartida,  por  eles  servidos.  Acredita-se,  que
existem  na  economia  de  mercado  chefões  que  não  dependem  da  boa
vontade  e  do  apoio  dos  demais  cidadãos.  Os  capitães  de  indústria,
os  homens  de  negócios,  os  empresários  seriam  os  verdadeiros  che-
fões  do  sistema  econômico.  Mas  isso  é  uma  ilusão.  Quem  manda  no
sistema  econômico  são  os  consumidores.  Se  estes  deixam  de  presti-
giar  um  ramo  de  atividades,  os  empresários  deste  ramo  são  compeli-
dos  ou  a  abandonar  sua  eminente  posição  no  sistema  econômico,  ou
a  ajustar  suas  ações  aos  desejos  e  às  ordens  dos  consumidores.

Uma  das  mais  notórias  divulgadoras  do  comunismo  foi  Beatrice
Potter,  nome  de  solteira  de  Lady  Passfield  (tambem  muito  conhe-
cida  por  conta  de  seu  marido  Sidney  Webb).  Essa  senhora,  filha
de  um  rico  empresário,  trabalhou  quando  jovem  como  secretária
do  pai.  Em  suas  memórias,  ela  escreve:  “Nos  negócios  de  meu  pai,
todos  tinham  de  obedecer  às  ordens  dadas  por  ele,  o  chefe.  Só  a  ele
competia  dar  ordens,  e  a  ele  ninguém  dava  ordem  alguma.”  Esta  é
uma  visão  muito  acanhada.  Seu  pai  recebia  ordens:  dos  consumi-
dores,  dos  compradores.  Lamentavelmente,  ela  não  foi  capaz  de
perceber  essas  ordens;  não  foi  capaz  de  perceber  o  que  ocorre  numa
economia  de  mercado,  exclusivamente  voltada  que  estava  para  as
ordens  expedidas  dentro  dos  escritórios  ou  da  fábrica  do  pai.

Diante  de  todos  os  problemas  econômicos,  devemos  ter  em
mente  as  palavras  que  o  grande  economista  francês  Frédéric  Bas-
tiat  usou  como  título  de  um  de  seus  brilhantes  ensaios:  “Ce  quon
voit  et  ce  qu’on  ne  voit  pas”  (“O  que  se  vê  e  o  que  não  se  vê”).  Para
compreender  como  funciona  um  sistema  econômico,  temos  de  le-
var  em  conta  não  só  o  que  pode  ser  visto,  mas  também  o  que  não
pode  ser  diretamente  percebido.  Por  exemplo,  uma  ordem  dada
por  um  chefe  a  um  contínuo  pode  ser  ouvida  por  aqueles  que  este-
jam  na  mesma  sala.  O  que  não  se  pode  ouvir  são  as  ordens  dadas
ao  chefe  por  seus  clientes.

O  fato  é  que,  no  sistema  capitalista,  os  chefes,  em  última  ins-
tância,  são  os  consumidores.  Não  é  o  estado,  é  o  povo  que  é  so-
berano.  Prova  disto  é  o  fato  de  que  lhe  assiste  o  direito  de  ser  tolo.
Este  é  o  privilégio  do  soberano.  Assiste-lhe  o  direito  de  cometer
erros:  ninguém  o  pode  impedir  de  cometê-los,  embora,  obviamen-
te,  deva  pagar  por  eles.  Quando  afirmamos  que  o  consumidor  é
supremo  ou  soberano,  não  estamos  afirmando  que  está  livre  de
erros,  que  sempre  sabe  o  que  melhor  lhe  conviria.  Muitas  vezes
os  consumidores  compram  ou  consomem  artigos  que  não  deviam
comprar  ou  consumir.  Mas  a  ideia  de  que  uma  forma  capitalista
de  governo  pode  impedir,  através  de  um  controle  sobre  o  que  as
pessoas  consomem,  que  elas  se  prejudiquem,  é  falsa.  A  visão  do
governo  como  uma  autoridade  paternal,  um  guardião  de  todos,  é
própria  dos  adeptos  do  socialismo.

Nos  Estados  Unidos,  o  governo  empreendeu  certa  feita,  há  al-
guns  anos,  uma  experiência  que  foi  qualificada  de  “nobre”.  Essa
“nobre  experiência”  consistiu  numa  lei  que  declarava  ilegal  o  con-
sumo  de  bebidas  tóxicas.  Não  há  dúvida  de  que  muita  gente  se
prejudica  ao  beber  conhaque  e  whisky  em  excesso.  Algumas  au-
toridades  nos  Estados  Unidos  são  contrárias  até  mesmo  ao  fumo.
Certamente  há  muitas  pessoas  que  fumam  demais,  não  obstante  o
fato  de  que  não  fumar  seria  melhor  para  elas.  Isso  suscita  um  pro-
blema  que  transcende  em  muito  a  discussão  econômica:  põe  a  nu
o  verdadeiro  significado  da  liberdade.  Se  admitirmos  que  é  bom
impedir  que  as  pessoas  se  prejudiquem  bebendo  ou  fumando  em
excesso,  haverá  quem  pergunte:  “Será  que  o  corpo  é  tudo?  Não  se-
ria  a  mente  do  homem  muito  mais  importante?  Não  seria  a  mente
do  homem  o  verdadeiro  dom,  o  verdadeiro  predicado  humano?”
Se  dermos  ao  governo  o  direito  de  determinar  o  que  o  corpo  hu-
mano  deve  consumir,  de  determinar  se  alguém  deve  ou  não  fumar,
deve  ou  não  beber,  nada  poderemos  replicar  a  quem  afirme:  “Mais
importante  ainda  que  o  corpo  é  a  mente,  é  a  alma,  e  o  homem
se  prejudica  muito  mais  ao  ler  maus  livros,  ouvir  música  ruim  e
assistir  a  maus  filmes.  É,  pois,  dever  do  governo  impedir  que  se
cometam  esses  erros.”  E,  como  todos  sabem,  por  centenas  de  anos
os  governos  e  as  autoridades  acreditaram  que  esse  era  de  fato  o  seu
dever.  Nem  isso  aconteceu  apenas  em  épocas  remotas.  Não  faz
muito  tempo,  houve  na  Alemanha  um  governo  que  considerava
seu  dever  discriminar  as  boas  e  as  más  pinturas  –  boas  e  más,  é
claro,  do  ponto  de  vista  de  um  homem  que,  na  juventude,  fora
reprovado  no  exame  de  admissão  à  Academia  de  Arte,  em  Viena:
era  o  bom  e  o  mau  segundo  a  ótica  de  um  pintor  de  cartão-postal.
E  tornou-se  ilegal  expressar  concepções  sobre  arte  e  pintura  que
divergissem  daquelas  do  Führer  supremo.

A  partir  do  momento  em  que  começamos  a  admitir  que  é
dever  do  governo  controlar  o  consumo  de  álcool  do  cidadão,  que
podemos  responder  a  quem  afirme  ser  o  controle  dos  livros  e  das
ideias  muito  mais  importante?  Liberdade  significa  realmente  li-
berdade  para  errar.  Isso  precisa  ser  bem  compreendido.  Podemos
ser  extremamente  críticos  com  relação  ao  modo  como  nossos
concidadãos  gastam  seu  dinheiro  e  vivem  sua  vida. Podemos
considerar  o  que  fazem  absolutamente  insensato  e  mau.  Numa
sociedade  livre,  todos  têm,  no  entanto,  as  mais  diversas  manei-
ras  de  manifestar  suas  opiniões  sobre  como  seus  concidadãos
deveriam  mudar  seu  modo  de  vida:  eles  podem  escrever  livros;
escrever  artigos;  fazer  conferências.  Podem  até  fazer  pregações
nas  esquinas,  se  quiserem  –  e  faz-se  isso,  em  muitos  países.  Mas
ninguém  deve  tentar  policiar  os  outros  no  intuito  de  impedi-los
de  fazer  determinadas  coisas  simplesmente  porque  não  se  quer
que  as  pessoas  tenham  a  liberdade  de  fazê-las.

É  essa  a  diferença  entre  escravidão  e  liberdade.  O  escravo  é
obrigado  a  fazer  o  que  seu  superior  lhe  ordena  que  faça,  enquanto  o
cidadão  livre  –  e  é  isso  que  significa  liberdade  –  tem  a  possibilidade
de  escolher  seu  próprio  modo  de  vida.  Sem  dúvida  esse  sistema  ca-
pitalista  pode  ser  –  e  é  de  fato  –  mal  usado  por  alguns.  É  certamente
possível  fazer  coisas  que  não  deveriam  ser  feitas.  Mas  se  tais  coisas
contam  com  a  aprovação  da  maioria  do  povo,  uma  voz  discordante
terá  sempre  algum  meio  de  tentar  mudar  as  ideias  de  seus  concida-
dãos.  Pode  tentar  persuadi-los,  convencê-los,  mas  não  pode  tentar
constrangê-los  pela  força,  pela  força  policial  do  governo.

Na  economia  de  mercado,  todos  prestam  serviços  aos  seus
concidadãos  ao  prestarem  serviços  a  si  mesmos.  Era  isso  o  que
tinham  em  mente  os  pensadores  liberais  do  século  XVIII,  quan-
do  falavam  da  harmonia  dos  interesses  –  corretamente  compre-
endidos  –  de  todos  os  grupos  e  indivíduos  que  constituem  a  po-
pulação.  E  foi  a  essa  doutrina  da  harmonia  de  interesses  que  os
socialistas  se  opuseram.  Falaram  de  um  “conflito  inconciliável
de  interesses”  entre  vários  grupos.

Que  significa  isso?  Quando  Karl  Marx  –  no  primeiro  capítulo
do  Manifesto  Comunista,  esse  pequeno  panfleto  que  inaugurou
seu  movimento  socialista  –  sustentou  a  existência  de  um  conflito
inconciliável  entre  as  classes,  só  pode  evocar,  como  ilustração
à  sua  tese,  exemplos  tomados  das  condições  da  sociedade  pré-
capitalista.  Nos  estágios  pré-capitalistas,  a  sociedade  se  dividia
em  grupos  hereditários  de  status,  na  Índia  denominados  “castas”.
Numa  sociedade  de  status,  um  homem  não  nascia,  por  exemplo,
cidadão  francês;  nascia  na  condição  de  membro  da  aristocracia
francesa,  ou  da  burguesia  francesa,  ou  do  campesinato  francês.
Durante  a  maior  parte  da  Idade  Média,  era  simplesmente  um
servo.  E  a  servidão,  na  França,  ainda  não  havia  sido  inteiramen-
te  extinta  mesmo  depois  da  Revolução  Americana.  Em  outras
regiões  da  Europa,  a  sua  extinção  ocorreu  ainda  mais  tarde.  Mas
a  pior  forma  de  servidão  –  forma  que  continuou  existindo  mes-
mo  depois  da  abolição  da  escravatura  –  era  a  que  tinha  lugar  nas
colônias  inglesas.  O  indivíduo  herdava  seu  status  dos  país  e  o
conservava  por  toda  a  vida.  Transferia-o  aos  filhos.  Cada  grupo
tinha  privilégios  e  desvantagens.  Os  de  status  mais  elevado  ti-
nham  apenas  privilégios,  os  de  status  inferior,  só  desvantagens.  E
não  restava  ao  homem  nenhum  outro  meio  de  escapar  às  desvan-
tagens  legais  impostas  por  seu  status  senão  a  luta  política  contra
as  outras  classes.  Nessas  condições,  pode-se  dizer  que  havia  “um
conflito  inconciliável  de  interesses  entre  senhores  de  escravos
e  escravos”,  porque  o  interesse  dos  escravos  era  livrar-se  da  es-
cravidão,  da  qualidade  de  escravos.  E  sua  liberdade  significava,
para  os  seus  proprietários,  uma  perda.  Assim  sendo,  não  há  dú-
vida  de  que  tinha  de  existir  forçosamente  um  conflito  inconcili-
ável  de  interesses  entre  os  membros  das  várias  classes.

Não  devemos  esquecer  que  nesses  períodos  –  em  que  as  socieda-
des  de  status  predominaram  na  Europa,  bem  como  nas  colônias  que
os  europeus  fundaram  posteriormente  na  América  –  as  pessoas  não
se  consideravam  ligadas  de  nenhuma  forma  especial  às  demais  clas-
ses  de  sua  própria  nação;  sentiam-se  muito  mais  solidárias  com  os
membros  de  suas  classes  nos  outros  países.  Um  aristocrata  francês
não  tinha  os  franceses  das  classes  inferiores  na  conta  de  seus  con-
cidadãos:  a  seus  olhos,  eles  não  eram  mais  que  a  ralé,  que  não  lhes
agradava.  Seus  iguais  eram  os  aristocratas  dos  demais  países  –  os  da
Itália,  Inglaterra  e  Alemanha,  por  exemplo.

O  efeito  mais  visível  desse  estado  de  coisas  era  o  fato  de  os  aris-
tocratas  de  toda  a  Europa  falarem  a  mesma  língua,  o  francês,  idioma
não  compreendido,  fora  da  França,  pelos  demais  grupos  da  popula-
ção.  As  classes  médias  –  a  burguesia  –  tinham  sua  própria  língua,
enquanto  as  classes  baixas  –  o  campesinato  –  usavam  dialetos  locais,
muitas  vezes  não  compreendidos  por  outros  grupos  da  população.
O  mesmo  se  passava  com  relação  aos  trajes.  Quem  viajasse  de  um
país  para  outro  em  1750  constataria  que  as  classes  mais  elevadas,
os  aristocratas,  se  vestiam  em  geral  de  maneira  idêntica  em  toda  a
Europa;  e  que  as  classes  baixas  usavam  roupas  diferentes.  Vendo
alguém  na  rua,  era  possível  perceber  de  imediato  –  pelo  modo  como
se  vestia  –  a  sua  classe,  o  seu  status.

É  difícil  avaliar  o  quanto  essa  situação  era  diversa  da  atual.  Se
venho  dos  Estados  Unidos  para  a  Argentina  e  vejo  um  homem  na
rua,  não  posso  dizer  qual  é  seu  status.  Concluo  apenas  que  é  um
cidadão  argentino,  não  pertencente  a  nenhum  grupo  sujeito  a  restri-
ções  legais.  Isto  é  algo  que  o  capitalismo  nos  trouxe.  Sem  dúvida  há
também  diferenças  entre  as  pessoas  no  capitalismo.  Há  diferenças
em  relação  à  riqueza;  diferenças  estas  que  os  marxistas,  equivocada-
mente,  consideram  equivalentes  àquelas  antigas  que  separavam  os
homens  na  sociedade  de  status.
Numa  sociedade  capitalista,  as  diferenças  entre  os  cidadãos
não  são  como  as  que  se  verificam  numa  sociedade  de  status.  Na
Idade  Média  –  e  mesmo  bem  depois,  em  muitos  países  –  uma  fa-
mília  podia  ser  aristocrata  e  possuidora  de  grande  fortuna,  podia
ser  uma  família  de  duques,  ao  longo  de  séculos  e  séculos,  fossem
quais  fossem  suas  qualidades,  talentos,  caráter  ou  moralidade.  Já
nas  modernas  condições  capitalistas,  verifica-se  o  que  foi  tecni-
camente  denominado  pelos  sociólogos  de  “mobilidade  social”.
O  princípio  segundo  o  qual  a  mobilidade  social  opera,  nas  pala-
vras  do  sociólogo  e  economista  italiano  Vilfredo  Pareto,  é  o  da
“circulation  des  élites”  (“circulação  das  elites”).  Isso  significa  que
haverá  sempre  no  topo  da  escada  social  pessoas  ricas,  politica-
mente  importantes,  mas  essas  pessoas  –  essas  elites  –  estão  em
contínua  mudança.

Isto  se  aplica  perfeitamente  a  uma  sociedade  capitalista.  Não
se  aplicaria  a  uma  sociedade  pré-capitalista  de  status.  As  famílias
consideradas  as  grandes  famílias  aristocráticas  da  Europa  perma-
necem  as  mesmas  até  hoje,  ou  melhor,  são  formadas  hoje  pelos
descendentes  de  famílias  que  constituíam  a  nata  na  Europa,  há
oito,  dez  ou  mais  séculos.  Os  Capetos  de  Bourbon  –  que  por  um
longo  período  dominaram  a  Argentina  –  já  eram  uma  casa  real
desde  o  século  X.  Reinavam  sobre  o  território  hoje  chamado
Ile-de-France,  ampliando  seu  reino  a  cada  geração.  Mas  numa
sociedade  capitalista  há  uma  continua  mobilidade  –  pobres  que
enriquecem  e  descendentes  de  gente  rica  que  perdem  a  fortuna  e
se  tornam  pobres.

Petrobras é a empresa com maior endividamento do setor – NO MUNDO

A cada dia vão surgindo mais e mais dados, análises e conclusões sobre os estragos (ainda a serem completamente dimensionados) que o uso político da Petrobras causou na maior empresa do país. O uso político de empresas estatais, especialmente as de grande porte (financeiro), visibilidade e poder, não é novidade. Mas o PT levou a prática a níveis jamais vistos.

A desgraça começou em 2 de janeiro de 2003, quando José Eduardo Dutra assumiu a presidência da Petrobrás (cargo que ocupou até 22 de julho de 2005). Quando se achava que o problema não ficaria pior, Lulla conseguiu piorar tudo, claro: em 21 de julho de 2005, Sérgio Gabrielli foi nomeado presidente da Petrobras, cargo no qual permaneceu até 23 de janeiro de 2012.

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O resultado de tantos anos sob o comando de gente incomPTente, além do uso político da Petrobras, vem aparecendo desde 2011. Em 2013 já está simplesmente impossível esconder a sujeira embaixo do tapete. Eu já escrevi sobre alguns dos problemas da Petrobras aqui no blog. Ver alguns destes posts (com dados relevantes para compreender algumas das afirmações que se seguem) AQUIAQUIAQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Petrobras do lula
Mas hoje leio ESTA matéria da Bloomberg, que joga mais petróleo na fogueira. Destaco, a seguir, alguns trechos (com grifos meus):

Investors in Petroleo Brasileiro SA (PBR), the world’s most indebted oil company, aren’t celebrating Brazil’s biggest-ever crude discovery.
Since regulators doubled estimates for the Libra field to as much as 12 billion barrels on May 23, the state-run company’s shares fell 5.3 percent in New York, the worst performance among 15 peers tracked by Bloomberg. The new estimates make the oil prospect Brazil’s largest as the country prepares to bring in partners to start production. […]
Petrobras’s capital expenditure this year will be $42.9 billion, the most after PetroChina Co. (857) among major oil producers, according to estimates tracked by Bloomberg. Petrobras plans to invest 98 billion reais this year. It is the most indebted publicly-traded oil company at $97 billion, according to data compiled by Bloomberg. […]
Brazil’s economy has posted growth below analyst forecasts for five straight quarters. The economy expanded 0.55 percent in the first quarter, less than the 0.9 percent median forecast of analysts polled by Bloomberg.
Petrobras was down 0.5 percent in Sao Paulo this year through yesterday, less than the 13 percent drop in Brazil’s benchmark stock index. The Brazilian company, whose rose 0.2 percent to 19.45 reais at 3:59 p.m. today, trades at 7.9 times estimated profit compared with a peer average of 11.78.

Vamos destacar um ponto: no ranking da Forbes, a Petrobras aparece como a 14a maior empresa de petróleo do mundo em termos de produção. Porém, quando o critério é ENDIVIDAMENTO, ela está em PRIMEIRO LUGAR no setor, com absurdos 97 bilhões de dólares.
Foi isso o que o PT fez com a empresa: ENDIVIDAMENTO MOSTRUOSO.

Muita gente vai ver alguns números da Petrobras (faturamento, lucro etc) e vai dizer que a empresa está muito bem porque fatura muito, vende muito etc. Porém, é preciso colocar em perspectiva que o setor de energia (petróleo, gás e outras fontes) é um setor intensivo em capital, em tecnologia e de longo prazo. Trocando em miúdos, não existe empresa pequena nesse mercado, pois os custos de prospectar e extrair petróleo (seja em terra firme, seja em águas profundas) são altíssimos. Porém, o gráfico abaixo dá uma idéia da posição da Petrobras no cenário mundial:
Firefox 12

Vemos ali que, quando se consideram as reservas totais não apenas de petróleo, mas de outras fontes de energia, a Petrobras não parece tão grande, não é? Abaixo, um ranking de uma empresa especializada em empresas de energia e algumas commodities coloca a Patrobras em 18o lugar, conforme a metodologia detalhada AQUI.

Firefox 14

Obviamente ela é uma grande empresa, com lucro de R$ 21,182 bilhões em 2012, porém este resultado é o menor desde 2004. Naquele ano, a Petrobrás reportou lucro de R$ 16,887 bilhões. O resultado de 2012 é também 36,42% menor do que o apurado pela estatal em 2011 (R$ 33,313 bilhões). No quarto trimestre de 2012, a estatal teve um lucro de R$ 7,7 bilhões, cifra 53,4% maior que em igual período de 2011. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 15%, para R$ 11,9 bilhões, no mesmo período.

A receita líquida de outubro a dezembro somou R$ 73,405 bilhões, alta de 12,49% em igual comparação. No acumulado anual, o Ebitda da Petrobrás atingiu R$ 53,439 bilhões, queda de 14,15% em relação a 2011. Já a receita líquida de janeiro a dezembro somou R$ 281,379 bilhões, expansão de 15,24% em igual base comparativa.

A divulgação do pior lucro anual da Petrobrás desde 2004 é uma consequência dos fatores que levaram a estatal a apresentar de abril a junho do ano passado o primeiro prejuízo trimestral desde 1999. Na oportunidade, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão principalmente em função do resultado negativo registrado pela área de abastecimento. O prejuízo da área responsável pela compra e venda de combustíveis foi de R$ 7,030 bilhões no intervalo.

Eco30b02petrobras

Curiosamente, a situação adversa enfrentada pela Petrobrás em 2012 teve origem no aumento da demanda doméstica por seus produtos. A expansão da frota doméstica de veículos leves e a menor competitividade dos preços do etanol resultaram em um aumento da demanda por gasolina. Como a Petrobrás já opera no limite da capacidade de suas refinarias, a oferta interna do combustível é limitada e a estatal foi obrigada a aumentar o volume de gasolina importada. O Brasil também é dependente de diesel de outros países. O problema é que a estatal paga um preço mais alto pelos combustíveis lá fora do que vende aqui dentro e perde com essa diferença.

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A incapacidade gerencial dos cumpanheiros alocados na Petrobras pelo PT é tamanha que a maior empresa do Brasil (por ora) está atrasando pagamento de fornecedores (íntegra AQUI):

A Petrobrás tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.
Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.

O conjunto de ações desastrosas que o PT impôs à Petrobras não se restringe apenas às perdas financeiras, redução da produção e outros dados facilmente identificáveis no balanço patrimonial; a marca Petrobras também sofreu uma desvalorização sem precedentes.

O New York Times publicou AQUI uma matéria bastante longa sobre os desafios à frente da Petrobras, especialmente com tantos incomPTentes fazendo o possível e o impossível para destrui-la. Recomendo a leitura. Vai aqui um pequeno trecho, que demonstra o nível de destruição do PT na Petrobras de forma claríssima:

Until recently, Petrobras was second in value only to ExxonMobil among publicly traded energy companies. But its fortunes have tumbled to the point that it is now worth less than Colombia’s national oil company. That fall has accentuated an increasingly bitter debate here over President Dilma Rousseff’s attempts to use Petrobras to shield the Brazilian population from the nation’s economic slowdown.

Além disso, se o leitor quiser ler sobre as recentes concessões de áreas para exploração de petróleo, sugiro este artigo AQUI. É muito auspicioso ver que depois de 5 anos sem fazer absolutamente nada (por pura incomPTência da dupla Lulla+Dilma), a prática foi retomada. Ainda que o discurso oficial seja mentiroso, e omita os verdadeiros fatos, as recentes concessões são boas para o Brasil.

O curioso é que em 2007, uma aluna levantou uma discussão, em sala, sobre a suposta liderança mundial do Brasil em matéria de energia, pois naquele momento estava em ampla evidência o etanol, além de outras fontes de energia que, dizia-se, prometiam uma revolução na matriz energética.
Na época, disse à minha aluna que ela deveria conter a empolgação, pois o Lulla é capaz de estragar qualquer coisa.

Dito e feito!
O Brasil hoje IMPORTA ETANOL dos Estados Unidos!

Porém, está no ar uma capanha publicitária para incentivar o uso do etanol no Brasil:

Nem vou perder tempo criticando a campanha ridícula, seja pela forma, seja pelo conteúdo.
O fato é o seguinte: o etanol deixou de ser competitivo, e o governo resolveu que seria necessário gastar dinheiro criando uma enorme campanha (com diversos anúncios de TV, spots de rádio, uso de mídias sociais etc) para tentar ressuscitar o uso. Por quê?

Porque devido à diminuição da produção, o preço aumentou de tal forma que a gasolina passou a ser a escolha da maioria dos donos de carros flex. Com isso, a demanda por gasolina disparou, obrigando a Petrobras a comprar o combustível no mercado internacional – mas o populismo da Dilma e do Lulla, combinado com a incomPTência na economia, fez com que eles usassem a Petrobras para segurar o preço da gasolina sem reajustes (defasado) para não pressionar a inflação (ja em alta).

Hoje, além de importar gasolina e etanol, há campanha publicitária tentando convencer as pessoas a escolher o etanol.

Não é o cúmulo da incomPTência ?!
Petrobras3

Os fatos mostram: Dilma Rousseff é apenas uma burrocrata incompetente

O que aconteceria numa empresa (não importa a área de atuação, tamanho) em que o gerente nunca sabe o que seus subordinados fazem? Numa loja, se os vendedores resolvessem oferecer descontos num fim de semana qualquer, sem que o gerente soubesse, e o fato viesse à tona dias depois, o que aconteceria? Quantos sofreriam perdas financeiras? Quantos seriam demitidos?

Numa indústria, se um funcionário de terceiro ou quarto escalão fizesse um negócio que gerará prejuízo, o que o CEO ou os donos da indústria fariam? O que aconteceria com o gerente?

Pois a “gerentona” Dilma Rousseff, como eu já expliquei AQUI, não tem nada de gerente. Ela não passa de uma burrocrata da mais latente e gritante incompetência.

Boato do Bolsa Família, capítulo 1 – Antes do início das investigações:
Dilma Rousseff: “foi desumano e criminoso
Lulla: “vandalismo”, “brincadeira estúpida”
Maria do Rosário (“ministra”): “central de notícias da oposição

Boato do Bolsa Família, capítulo 2 – Após a descoberta de que tudo não passou de uma trapalhada do governo e da Caixa Econômica Federal, nem Dilma, nem Lulla e nem a ministra (que, se não falasse as coisas erradas nas horas impróprias nem seria citada em jornais, dada sua irrelevância) abriram mais a boca sobre o caso. Para piorar, a Presidência emitiu uma nota oficial sobre o caso, que basicamente diz que nada muda na CEF (AQUI).

Então a Caixa Econômica Federal enfia os pés pelas mãos, ninguém sabe de nada, a Presidente da República afirma que quem espalhou os boatos foi desumano e criminoso e dias depois vem à tona a verdade: funcionários da CEF pisaram na bola, o presidente da CEF não sabia de nada e a chefe dele, Dilma, sabia menos ainda. Aliás, a Dilma sempre sabe menos do que todo mundo – impressionante, não ?!

Leia o editorial do Estadão sobre o caso da CEF e do bolsa-família AQUI. Leitura imperdível. Eis aqui o último parágrafo:

O Planalto, de seu lado, está numa enrascada. Tendo reagido pavlovianamente ao episódio, ao culpar a oposição pela boataria, sem procurar saber, primeiro, qual teria sido a verdadeira origem dos saques em massa, a presidente Dilma se vê mais uma vez no papel constrangedor de espectadora inerte da bagunça que reina no seu governo. 

E aquele monte de jornalista se esforçando para vender a estorinha de que a Dilma é centralizadora, “espanca” os projetos e propostas até que eles fiquem sólidos e exequíveis, que ela presta atenção aos mínimos detalhes de tudo etc….

TUDO MENTIRA. TUDO BOBAGEM.

Dilma Rousseff é incompetente, incapaz, ignorante e leniente com a corrupção que marca a desastrosa passagem do PT pelo governo.
Isso não chega a ser surpresa para quem, como eu, teve Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad como prefeitos. Os 3 são um exemplo impecável do desastre que é o PT. Os 3, em seus respectivos tempos, deixaram São Paulo devastada.

E uma coincidência interessante sobre a imagem (falsa) de “gerentona” da Dilma: em 11/05 eu escrevi que essa mania de chamar Dilma de “gerente, técnica” e afins é uma falácia; em 24/05, o Valor Econômico publicou extensa matéria em que ficava mais evidente ainda a incompetência da Dilma.

A matéria, como eu disse, é longa. Bem longa. Está AQUI na íntegra.
Vou transcrever apenas alguns poucos trechos, curtos, e fazer alguns comentários pontuais (os trechos da matéria vão em vermelho):

Nos últimos dias, o Valor procurou 18 importantes empresários e altos executivos de grandes corporações do país. Dez concordaram em avaliar a presidente como gestora, oito sob a condição de anonimato. Administradora eficiente e perfil de liderança são qualidades que a colocariam no radar de “headhunters” para importantes cargos de comando em grandes corporações. Mas esses requisitos não são suficientes para bancá-la como uma grande gestora, como foi alardeado pelo PT. A competência da presidente não é colocada em dúvida, mas a de sua equipe sofreu um verdadeiro bombardeio dos empresários e altos executivos.

Não sei com base em que o Valor usa “administradora eficiente”, já que a íntegra da reportagem desmonta essa tese de forma avassaladora, mas eles tinham que dar um jeito de suavizar, né?! Seria interessante citar, digamos, 3 ou 4 exemplos de EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA da Dilma.

Fica um desafio: alguém consegue achar?

Não. Porque não existe.

“Ela está cercada de pessoas medíocres, que não a questionam. Todo mundo morre de medo dela. Ela não tem humildade para escutar os outros. Não dá para ter 39 ministérios, 39 subordinados. Em uma empresa, esse modelo não funcionaria”, disse um alto executivo de um banco de investimento.

Aqui temos 2 fatores relacionados: Dilma propositadamente cercou-se de gente medíocre, incompetente (talvez até mais do que ela mesma!); gente medíocre, incompetente, sempre tem medo de questionar quem quer que seja – chefe, subordinado, vizinho, parente…..

Tautologia da Dilma: ela cercou-se de gente medíocre porque não quer ser questionada por alguém minimamente capaz, ou ela não admite ser questionada porque está cercada de medíocres?

Finalmente: uma das grandes diferenças entre CHEFES e LÍDERES é que os primeiros buscam funcionários medíocres para que eles mesmos fiquem parecendo muito bons, muito competentes, enquanto os segundos sabem que devem contratar funcionários mais capazes do que eles mesmos. Um bom exemplo disso: Steve Jobs.
Desde sempre Steve Jobs demonstrava um comportamento anti-social: o grande inovador da Apple era grosseiro, mal-humorado, rude, prepotente etc. Mas sempre buscava contratar os melhores profissionais para trabalhar para ele e para a Apple. Ele sabia que isso é fundamental.

Obviamente não estou comparando Steve Jobs à Dilma; ele era um gênio, ela não passa de uma pífia farsante. O ponto central é que o fato de Dilma Rousseff cercar-se de gente medíocre, incompetente e corrupta já demonstra que de gerente ela não tem nada.

A demora para decidir a que se referiu Joesley Batista é outro aspecto que ministros e empresários criticam em Dilma. Até hoje, por exemplo, ela não indicou um ministro para a vaga de Carlos Ayres Britto no STF. Ele se aposentou em novembro do ano passado. Ela já havia demorado quase três meses para indicar a ministra Rosa Weber. Não se pode dizer que a demora é regra para a escolha de ministros do Supremo: em apenas 18 dias ela indicou o ministro Teori Zavascki para a vaga aberta com a aposentadoria, no fim de agosto – em pleno julgamento do mensalão – do ministro Cezar Peluso. A mesma coisa ocorre em relação às agências reguladoras – Dilma levou quase um ano para nomear o substituto do atual governador de Brasília, Agnelo Queiroz, para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Outro bom exemplo não apenas da incompetência gerencial de Dilma, mas também do inchaço ridículo que o PT criou no Executivo: se um cargo qualquer pode ficar meses sem ninguém para ocupá-lo, resta evidente que o cargo é desnecessário.

Se o cargo é desnecessário, por que ele existe?
Para permitir acomodar indicações políticas em troca de apoio dos partidos nas votações que interessam ao Executivo. E, mesmo assim, Dilma não tem conseguido votar questões do seu interesse num Congresso que tem aproximadamente 80% dos deputados e senadores como “base aliada” (vide o caso recente da MP dos Portos).

É muita incompetência!

A demissão do ministro da Defesa não deixou de ser simbólica: demonstrou o gosto da presidente pelo exercício da autoridade. Outros traços de Dilma já eram conhecidos, como o centralismo, o detalhismo – quer saber tudo sobre todos os projetos – e a capacidade de deixar interlocutores ruborizados. Um deles diz que a “presidenta” – Dilma exige ser chamada assim – é bem informada, tem acesso a muita informação de governo e interesse pessoal de “estar por dentro”. Lê muito. Dos jornais aos projetos de governo que leva para o Palácio da Alvorada. A receita para o ministro agendado para uma audiência, portanto, é saber do que ela já está informada e falar só o que a presidente precisa saber.

Não é incomum Dilma interromper o interlocutor com frases do tipo “não quero falar disso” ou com perguntas sobre uma minúcia qualquer do funcionamento do ministério que o ministro evidentemente desconhece. Os empresários estão certos quando dizem que Dilma causa pavor aos auxiliares, inclusive ministros. Na realidade, alguns preferem enviar seus secretários-executivos para os despachos. É certo que Dilma às vezes até gosta, pois trata-se de alguém que ela mesma pôs no posto – oficialmente, para ter uma visão alternativa da pasta; na prática, um atento vigia dos atos do ministro e, às vezes, do próprio ministro. Garibaldi Alves (Previdência Social), de início se queixava de não ter o que fazer – tudo era tocado e formulado pelo secretário Carlos Bargas. Com o tempo, Garibaldi, ex-presidente do Congresso, se acostumou e parou de se queixar ao PMDB.

Primeira coisa: chefe que EXIGE ser chamado de chefe é um boçal, que sabe que jamais merecerá o respeito e, por isso, EXIGE forçosamente alguma coisa. Dilma EXIGE ser chamada de presidenta?
Ela é boçal, incompetente e fraca, sabe disso, e usa o cargo para impor que seu interlocutor a “respeite”, porque sabe que jamais ganharia este “respeito” se dependesse da própria capacidade.

Segundo: ela interromper o interlocutor com “não quero falar disso”… Bom, o caso do bolsa-família e da Caixa Econômica Federal provou que não é bem assim… Ela não sabia de um cagada MONSTRUOSA que a CEF fez e causou tumulto em mais de 10 estados.

Finalmente: o ministro se queixa de não ter o que fazer… PEÇA DEMISSÃO, SENHOR.
Nitidamente o senhor é inútil, então saia daí.
Aliás, o ministério todo parece não ter utilidade, então que seja fechado de uma vez!

Downsizing, gerentona, downsizing – já ouviu falar, Dilma?
Reengenharia? Revise processos e CORTE tudo o que for desnecessário.
Se a Dilma fosse gerente, saberia disso e, mais importante, FARIA ISSO.

O Código de Mineração levou nove anos sendo elaborado pelo ministério que, no governo Lula, foi comandado por Dilma Rousseff. Toda semana Lobão responde que “em 15 dias” o projeto será enviado ao Congresso. Isso, já há mais de ano. Aliás, nesta semana, o ministério informou que o código estará no Congresso nos próximos 15 dias. Segundo Lobão “as questões de concessões demoram porque têm que ser decididas com segurança”.

O ministro exemplifica: quando foi criado o grupo de trabalho para fazer o marco regulatório do Pré-sal, “pensávamos em resolver tudo em três meses. Levamos três anos”. Sempre que os projetos ficam prontos, Dilma diz: “Vamos espancar a lei”. Isso significa esmiuçar cada artigo do projeto em busca de erros, contradições com a legislação existente, sua constitucionalidade. “Isso leva tempo”, diz Lobão. É o que estaria acontecendo, no momento, com o programa para importar 10 mil médicos – 6 mil cubanos – que tanto aflige o ministério da Saúde. A Casa Civil ainda está “espancando a lei”: qual tipo de visto será concedido aos médicos estrangeiros?

NOVE ANOS elaborando o código de mineração?????

NOVE?????

Isso não tem outro nome: incompetência.

Esse papo de “espancar” um projeto para que ele fique bom é bobagem. A realidade mostra que os projetos que chegam ao Congresso estão ruins demais. O caso das privatizações recentes da Dilma e do Lulla, que incluem portos, estradas e aeroportos, mostra isso. Desde 2007 isso vem sendo mudado, e as estradas privatizadas pelo governo federal ainda não estão prontas; os projetos, cheios de erros, não atraíram empresas interessadas em investir.

A Dilma anunciou o programa de privatização das rodovias federais em 2007.

O que aconteceu em 2008?

E em 2009?

E em 2010?

E em 2011?

E em 2012?

Estamos em 2013, e ainda não saiu nada.

Isso tem um único nome: INCOMPETÊNCIA.

“O processo de governo é muito ruim”, diz um ministro que tem uma pilha de projetos sendo “espancados” na Casa Civil. Os empresários criticam os ministros e os ministros, com raras exceções, criticam a Casa Civil da ministra Gleisi Hoffmann, habitada, segundo eles, por técnicos jovens, inexperientes e, às vezes, arrogantes. Não é raro um deles ligar para um ministro de Estado a fim de tomar satisfações sobre algum projeto. Constrangidos, os ministros respondem.

Precisa comentar muito aqui?
Os ministros respondem porque são medíocres, só isso.

O estilo Dilma faz escola no governo. Em uma reunião recente entre técnicos dos ministérios do Planejamento e da Integração Nacional, discutia-se a liberação de verbas para municípios e a secretária-executiva do Planejamento, Eva Chiavon, mandou fazer a “transferência fundo a fundo”, como se diz no governo. O pessoal da Integração Nacional achou por bem advertir que esse era um dos mais conhecidos focos de corrupção. “Manda para os municípios e os prefeitos que se expliquem depois aos tribunais de contas deles”. Alguém advertiu que já não era bem assim hoje, como demonstram decisões do Tribunal de Contas da União, mas principalmente agora que o STF acatou a teoria do “domínio do fato” para condenar José Dirceu como mandante do mensalão. Eva não se deu por vencida e saiu-se com a frase que encerra muitas discussões: “A presidenta mandou”.

Novamente a estória de usar a posição de “chefe” para evitar a argumentação, o convencimento, a negociação. “A presidenta mandou” é a frase que encerra a discussão – se a “presidenta mandou”, escolhe-se qualquer coisa que a “chefa-que-se-acha-a-rainha-do-Egito” quer, ainda que seja uma decisão economicamente ruim, ilegal ou qualquer coisa.

Além de demonstrar que o autoritarismo fala mais alto, sempre.

“A presidenta não se conforma com avaliações genéricas. Ela quer saber dos resultados, dos detalhes”, diz a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. “Ela questiona, pede correções, reorienta. Isso é fundamental para o sucesso de um programa e de um projeto”, explica. “Às vezes, até pode demorar um pouco mais. Mas ele é bem estruturado e dá resultado consistente. Não podemos ter projetos superficiais e genéricos para lançar e depois não ter sustentabilidade”.

Engraçado… o PAC está empacado (nem o governo fala mais dele, pois foi uma propaganda enganosa que não vingou, claro), diversos programas que o Lulla lançou (e colocou a Dilma como “gestora” de cada um deles) sumiram do mapa porque se mostraram um fracasso (Fome Zero, Primeiro Emprego, entre outros), a economia está parada, a inflação está descontrolada, enfim, está uma zona… E a ministra Gleise justifica a demora por causa da suposta preocupação com os detalhes para que os projetos dêem resultado?

Querida, os projetos demoram anos e, ainda assim, são um fracasso.

Isso significa, em bom e claro português: vocês são lentos e incapazes.

Entendeu ou precisa desenhar?

Na equipe econômica chama-se as escolhas de Dilma de “estilingadas”, decisões que, depois de tomadas, batem num muro e voltam. Só um ano e meio depois de estar no comando do governo ela se convenceu de que o Estado brasileiro não está em condições de investir e admitiu fazer as concessões. Ainda assim, tabelou por baixo o lucro das empresas, no caso das rodovias. Voltou atrás, quando percebeu que não daria certo.

Quem escreveu a matéria foi gentil, recorreu ao eufemismo elevado à vigésima potência multiplicado por 10: em 2007 a Dilma apresentou a programa de privatização das rodovias, e hoje, maio de 2013, ainda não se sabe se haverá ou não a privatização, se vai sair neste ano, em quais termos etc. São mais de SEIS ANOS.

SEIS ANOS SE PASSARAM e nada foi feito!!!!!!

Aliás, quando da aprovação da MP dos Portos (dias atrás), li uma entrevista de alguém do (DES)governo que, caso a MP não fosse aprovada,  haveria um colapso nos portos, porque o volume de exportações seria muito maior do que a capacidade de escoamento. Sendo mais específico, a ministra da Casa Civil da Dilma declarou o seguinte numa entrevista à Folha de São Paulo:

Mas por que foi criada essa resistência tão forte dos operadores em portos públicos?
Temos hoje um porto público com capacidade de movimentar 370 milhões de toneladas em cargas. Em 2015, nós já estaremos movimentando 375 milhões. Ou seja, estamos no limite da capacidade. Temos então de aumentar esta capacidade. Para isso, não podemos permitir que uma reserva de mercado fique em detrimento da eficiência do país.

Cara ministra: sua chefA, Dilma Rousseff, tornou-se ministra da Casa Civil em 2005. Em 2015, a data que a senhora menciona como “limite” para aumentar a capacidade dos portos, completar-se-iam DEZ ANOS em que a presidentA Dilma não fez nada sobre o assunto. Seja como ministra (desde 2005), seja como presidentA (desde 2010), DILMA ROUSSEFF NÃO FEZ ABSOLUTAMENTE NADA PARA RESOLVER ESSE PROBLEMA.

E agora, em 2013, ela quer que o Congresso aprove a medida provisória a toque de caixa?

Isso revela incompetência mais autoritarismo. Gente que não sabe qual a função do Congresso.
Não, dona Dilma, o Congresso não é, ao menos em tese, obrigado a aprovar todos os projetos do Executivo apenas e tão somente porque “a presidenta mandou”.

Ainda que este Congresso atual seja, ipso facto, uma pocilga, o Legislativo não é feito para ser capacho do Executivo.

E Dilma, você não é a rainha do Egito; você é apenas uma burrocrata incompetente.

Portanto, MENAS

Restrinja-se à sua insignificância e à sua gritante incompetência.

O mito da caverna e o mito da classe média terrorista e fascista

O ano era 2007.
Eu escrevi, no meu falecido blog (AQUI) que Marilena Chauí era uma farsante.
Os comentários que foram enviados ao blog são, na maioria, algo entre o hilário e o patético.
Dão, no geral, um verdadeiro tom farsesco. Tem gente se achando séria, mas analfabeta e burra, e tem aqueles mais diretos, assumidamente grotescos, que simplesmente escrevem “Fuck you!”. Sim, está lá no link, o comentário escrito em 08 de março de 2008.
Há outros. Vale a pena dar uma olhada geral.

Hoje, porém, assisti a um vídeo estarrecedor.
Ou revelador apenas, já que eu já tinha a percepção clara e cristalina que a musa do PT na USP é uma senhora esquizofrênica e/ou de um mau caratismo sem paralelo na história do mau caratismo.
Eis o vídeo, curtinho (vale assistir, ao menos para rir da doença mental dessa patética pessoa):

https://onedrive.live.com/redir?resid=cfaaabbf044b422d!225&authkey=!AEK_Vm88HB4aFJM&ithint=video%2cmp4

Complementarmente, recomendo a leitura deste artigo AQUI. Diferentemente do vídeo, o texto é bem longo, detalhado. Mas para quem quiser se divertir, vale a pena.
Eu já disse ao Flávio, mais de uma vez, que certas figuras não merecem o tempo que ele gasta dissecando e espancando as declarações e manifestações patéticas de gentinha da estirpe de Chiauis, Saderes e outras aberrações que só no Brasil são tidas como “intelectuais”.
São pessoas medíocres, no máximo, que falam bobagens homéricas, mas que por razões diversas (algumas das quais, confesso, me recuso a tentar entender) acabam alçadas a “formadores de opinião” ou alguma expressão que o valha.

A questão central, porém, é o conceito de CLASSE MÉDIA.
É disso que quero tratar.

O fato de uma esquizofrênica desqualificada como a Chauí falar esses absurdos sobre a classe média me fez lembrar do problema imenso que o desgoverno do PT causou ao mudar os critérios de classificação das classes sociais.
Para quem não se lembra, a SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos (que tem status de Ministério, como se no Brasil do PT houvesse necessidade de 39 ou 40 ministérios!) foi criada apenas para alojar mais algumas centenas de cumpanheiros, reforçando a estratégia de locupletar-se no poder que o PT sempre teve.

O tempo foi passando, e a tal SAE foi juntando teias de aranha.
Para dizer que a Secretaria tinha alguma função, algum burrocrata resolveu inventar uma mudança nos critérios de classificação das classes sociais. Com isso, instaurou-se uma situação verdadeiramente SURREAL.

Aplicando-se os novos critérios, pessoas com renda familiar per capita entre R$ 290 e R$ 1.019 são as que formam a classe média brasileira.
O sujeito que ganha, mensalmente, R$ 290,00 é classe média???? Como assim?

Com duzentos e noventa reais por mês ele certamente não tem plano de saúde, não consegue pagar escola do filho, e, convenhamos, não consegue nem comprar uma cesta básica! Celular? Só se for parcelado em 20 vezes (ou mais), e aí fica sem dinheiro para comprar crédito.
Esse critério inventado pelo PT é mais do que surreal; trata-se de uma gambiarra acintosa.

O governo desgovernado afirma que esta “nova classe média” representa 54% da população do Brasil – o que significa dizer que a Marilena Chauí ODEIA 54% da população do país! Marilena Chauí afirma que a maioria do Brasil (54%, repito, segundo dados do próprio governo do PT da Marilena Chauí) é arrogante, reacionária, conservadora, ignorante, petulante, terrorista!
A maioria do Brasil é um atraso de vida, segundo Marilena Chauí.
A maioria da população brasileira é fascista (se bem que ela prefere o som de “faxista”, como fica claro no vídeo)

Dá pra entender por que ela é uma farsa. Ou uma farxa.

O pior é que a partir dessa gambiarra da mequetrefe Secretaria de Assuntos Estratégicos, a mídia empolgada (e incapaz de resistir a publicar manchetes falaciosas mas capazes de atrair a atenção) se deixou levar pela bobagem e deu imenso destaque à tal “nova realidade” do Brasil.

E o que as empresas têm a ver com isso?
Muito.

Em primeiro lugar, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) apresentará em breve o Novo Critério de Classificação Econômica Brasil, que estará à disposição do mercado a partir de 1º de janeiro de 2014. Detalhes estão AQUI.
Esses critérios são da maior relevância para que as empresas consigam planejar suas ações de SEGMENTAÇÃO.
Aguardo ansiosamente pela divulgação oficial, para averiguar se o novo documento se deixará levar pela bobagem do factóide ignóbil ou se evoluirá de forma racional e coerente.

Em segundo lugar, há pelo menos 2 anos temos visto, lido e ouvido uma comoção nacional em torno dessa “nova classe média”, como se ela passasse a representar a salvação da economia do país.
Nem vou perder tempo achando links e mais links de matérias de revistas como Exame e outras que têm dado destaque imenso à tal “nova classe média”, primeiro devido à enorme quantidade, e segundo porque o conteúdo das matérias é fraco demais. (Muita quantidade, nenhuma qualidade…)

Quando você parte de um conceito equivocado, tudo o que você conclui dali em diante está furado.
Errou no conceito, errou em todo o resto.
E muita gente se empolgou com essa gambiarra que ajudou a criar o mito da “nova classe média”.
Isso me lembra o mito da caverna, de Platão.

Como o filósofo já demonstrou de forma brilhante, a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, presa ao domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis), mas completamente alhures ao domínio das idéias (diánoia e nóesis).

Aliás, a charge abaixo é simples, mas ilustra perfeitamente isso (clique para ampliar, se preferir):

Se o leitor quiser divertir-se lendo bobagens produzidas pela Secretaria com status de Ministério, originalmente criada para prover uma boquinha ao Sr. Roberto Mangabeira Unger, pode fartar-se AQUI.
Se, por outro lado, o leitor preferir se entreter com o ilusionismo do PT para transformar o fracasso em sucesso, pode rumar para este link AQUI.
Vale conhecer, também, o trabalho do Marcelo Neri, da FGV/RJ, sobre as transformações econômicas e sociais numa pesquisa disponível para download AQUI.

ATUALIZAÇÃO: As patéticas declarações vomitadas pela Marilena Chauí foram tema de alguns textos memoráveis, que definitivamente valem a pena ler. AQUI, por exemplo, uma crítica ao livro da Chauí que é adotado pelo MEC há décadas (e lhe rendeu, em direitos autorais, valores suficientes para classificá-la como “rica” ou “muito rica” sob estes absurdos critérios recém-adotados pelo PT, como aponta corretamente o Reinaldo Azevedo AQUI).
Ao ler alguns textos recentes, fui direcionado a este AQUI, um pouco mais velho (do ano passado), mas ainda assim relevante para contextualizar a situação precária daqueles que ainda chamam Marilena Chauí de “intelectual”. Esta senhora ultrapassou, há tempos, todas as barreiras que separam um ser humano de uma ameba congelada em coma induzido.

A falácia da gestora competente e técnica: Dilma é uma farsa

Quem acompanhou o noticiário brasileiro nos últimos 4 ou 5 anos ouviu ou leu, à exaustão, que Dilma Rousseff tem um perfil técnico, não político.
Esta falácia foi repetida exaustivamente, tanto pelo PT quanto por imensa maioria da imprensa brasileira, aquela que não apenas aceita falácias como ajuda a propagá-las sem questionar.

Li AQUI uma boa explicação sobre falácia:

Um argumento inválido que parece válido. Por exemplo: “Todas as coisas têm uma causa; logo, há uma só causa para todas as coisas”. Do ponto de vista estritamente lógico não há qualquer distinção entre argumentos inválidos que são enganadores porque parecem válidos, e argumentos inválidos que não são enganadores porque não parecem válidos. Mas esta distinção é importante, uma vez que são as falácias que são particularmente perigosas. Os argumentos cuja invalidade é evidente não são enganadores e, se todos os argumentos inválidos fossem assim, não seria necessário estudar lógica para saber evitar erros de argumentação. Prova-se que um argumento é falacioso mostrando que é possível, ou muito provável, que as suas premissas sejam verdadeiras mas a sua conclusão falsa. Quando se diz que uma definição, por exemplo, é falaciosa, quer-se dizer que é enganadora ou que pode ser usada num argumento que, por causa disso, será falacioso.

Dizer que Dilma Rousseff é uma “gestora” (ou “gerentona” como a imprensa burramente insiste em fazer há anos) ultrapassa o limite da falácia.
Trata-se de pura bobagem mesmo.

Dilma Rousseff foi incapaz de gerenciar uma loja de R$ 1,99 enquanto havia paridade entre o dólar e o real, mas vendeu a imagem de “gestora” mesmo assim.
Porém, basta uma rápida olhada em alguns fatos e dados que independem da opinião leniente da maioria da imprensa para perceber que a fama de “gestora” é uma burrice.

Vamos a alguns exemplos – e, desta vez, não vou transcrever tudo na íntegra, pois seria muita coisa. Vou incluir apenas alguns trechos de reportagens baseadas em dados oficiais (grifos meus).

1) O que podemos dizer quando um funcionário do próprio governo reconhece publicamente, com todas as letras, que o seu governo é incompetente? O que dizer disso?

As concessões de obras de infraestrutura projetadas pelo governo federal sofrerão atrasos, informou ontem o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. Em rodovias o atraso será de pelo menos quatro meses, mas em ferrovias parte das licitações pode ficar para 2014.
Em relação às rodovias, Figueiredo disse que o edital dos 7,5 mil km da malha federal que devem ser concedidas à iniciativa privada sairá até agosto. Os leilões, segundo ele, começarão a partir de setembro. “O primeiro lote de sete rodovias sai em julho, era para ser em março. Serão quatro meses de atraso, mas vai sair”, garantiu, ao participar ontem em São Paulo do 8º Encontro de Logística e Transportes, promovido pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Ao todo, são 13 rodovias federais, divididas em nove lotes.
Figueiredo afirmou que “cronograma é para ser cumprido”, mas admitiu que há limitações e “aprendizagem” nos processos licitatórios. Segundo ele, os editais das BRs 116 e 040, que foram suspensos por causa de erros técnicos, estão sendo refeitos.No setor de transporte ferroviário, Figueiredo disse que parte dos dez mil km de ferrovias que devem ser concedidos para a iniciativa privada, incluídos no pacote integrado de logística anunciado pelo governo federal no ano passado, pode ser licitada somente em 2014. “Queremos publicar e realizar leilões neste ano, mas alguma coisa pode ficar para o ano que vem”, disse.
Ele lembrou que os primeiros 2,6 mil km, cujo edital deveria ter sido divulgado em março, ainda aguardam a conclusão de estudos para o andamento do processo. Já o segundo grupo de concessões, que soma 7,4 mil km, ainda passa pelo processo de audiências públicas. “Os projetos caminham, mas estamos revendo os cronogramas, já que os editais desses trechos deveriam ser divulgados agora em maio”, lembra.
O atraso, aparentemente, não pode ser atribuído à falta de recursos. Participantes de dois bancos financiadores – o BNDES e o Banco interamericano de Desenvolvimento (BID) – lembraram que as instituições tem aumentado o volume de recursos destinados à área de logística.No ano passado, 30% dos empréstimos do BNDES foram destinados a projetos ligados à logística, de acordo com Roberto Machado, diretor do BNDES. Em 2008, esse tipo de crédito representou 12%. Machado afirmou que a tendência é que os desembolsos para projetos ligados a logística aumentem proporcionalmente dentro do total disponibilizado pelo banco nos próximos anos.
Outro participante do evento, Alexandre Rosa, gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BID, disse que metade do total do desembolso anual do banco vai para projetos de infraestrutura. A fatia que o banco destina ao setor mostra para onde aponta o crescimento das economias brasileira e latino-americana, segundo ele.

A matéria, na íntegra, saiu no ValorEconômico de 07 de Maio de 2013 (AQUI, para assinantes).

2) Durante decadas o PT, Lulla e Dilma criticaram as privatizações, especialmente as feitas por FHC (e omitiram, convenientemente, que Fernando Collor e Itamar Franco também privatizaram empresas públicas ineficientes, assim como Lulla fez algumas privatizações também, como mostrei AQUI). Porém, diante da flagrante e comprovada incapacidade gerencial do Estado inflado pelo PT, a privatização volta à pauta, ainda que disfarçada, falaciosamente, sob a alcunha de “concessão”(o que é uma bobagem: é privatização, sim!).

Em mais uma tentativa de garantir o sucesso do programa de concessões, o governo anunciou ontem um aumento de 31% na rentabilidade dos projetos rodoviários, além de permitir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre como sócio das empresas vencedoras dos leilões, participação que não estava prevista nas primeiras versões do programa.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que a Taxa Interna de Retorno (TIR) dos projetos de concessões de rodovias será elevada de 5,5% para 7,2%. Com isso, o retorno do capital dos acionistas, que deveria variar entre 12% e 15% subirá para algo entre 16% e 20%. […] O aumento na remuneração dos investidores significa que o governo elevará o valor máximo do pedágio que será cobrado dos motoristas. 
A participação do BNDES como sócio dos vencedores dos leilões de concessão ainda não está definida. Segundo o presidente do banco, Luciano Coutinho, o mais provável é que a BNDESPar, braço de investimentos do banco público, tenha participação no capital das sociedades de propósito específico (SPEs), formadas pelos consórcios para disputar concessões de rodovias, ferrovias e portos. De acordo com o presidente do BNDES, a necessidade de investimentos do programa de concessões é muito elevada e “há poucas empresas de grande porte” que podem tocar esses projetos. Coutinho explica que nesses casos, o BNDES pode entrar como sócio para viabilizar parcerias, consórcios e atração de parceiros estrangeiros.
As condições dos editais de concessão de ferrovias e do trem-bala foram adiadas. De acordo com o ministro Mantega, elas serão definidas “em outras ocasiões”. O novo cronograma para os leilões, antes previstos para janeiro e agora adiados para setembro, foram reconfirmados pelo governo.
Essa é a terceira versão do governo para o pacote de 7,5 mil quilômetros de rodovias. Quando foi lançado, em agosto de 2012, as rodovias seriam concedidas por 25 anos, os financiamentos não passariam de 20 anos e a taxa de retorno nos primeiros editais foi de 5,5%. A reação dos investidores foi negativa e os primeiros leilões, adiados por risco de falta de interessados.
Desde então, o governo vem cedendo às demandas do setor privado. As primeiras alterações anunciadas em fevereiro melhoraram as condições para financiamento, o que elevou a taxa de retorno sobre o capital próprio, mas não a taxa interna de retorno projetos. O governo ampliou o prazo de concessão de 25 para 30 anos, os financiamentos de 20 para 25 anos e a taxa de alavancagem saiu de 65% para até 80%.
Nesta última versão, as condições gerais foram mantidas, mas o preço do pedágio máximo elevado para garantir mais disputa.

Na íntegra AQUI.

3) Paralelamente, a dívida pública só aumenta:

A dívida pública federal, que inclui os endividamentos interno e externo, subiu 7,55% em 2012, para R$ 2 trilhões, segundo o Tesouro. O crescimento da dívida pública no ano passado foi de R$ 141 bilhões. Já os juros pagos pelo Tesouro atingiram R$ 207,984 bilhões no ano. No caso da dívida interna, foi registrado aumento de 7,45%, para R$ 1,91 trilhão. Já a dívida externa cresceu 9,6%, para R$ 91,2 bilhões.

Íntegra: AQUI.
Você se lembra quando o Lulla fez um tremendo oba-oba para anunciar que ele teria pago a dívida externa do Brasil?!
Pois é, ele mentiu.
De novo.
Surpresa?

4) O governo está gastando como nunca, a arrecadação de impostos bate recordes seguidamente, mas ainda assim a infra-estrutura segue completamente abandonada:

O Brasil precisaria aumentar em três vezes os índices de desempenho da infraestrutura de transportes nacional para chegar aos melhores níveis praticados pelos competidores internacionais do país, conclui estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que será apresentado hoje. “Os investimentos feitos nos últimos 12 anos na área de transporte estão muito aquém das necessidades”, comentou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “O que falta é uma gestão eficiente, muitos dos investimentos são feitos e acabam custando muito mais do que deveriam”, disse. “Falta planejamento, estratégia, seriedade e coragem para tirar as coisas do papel e fazer acontecer.”
O estudo da Fiesp constatou que a maior malha viária no país, a de rodovias, com uma média de 2,5 km por 10 mil habitantes, é, ainda, 43% menor que o padrão de excelência internacional, de quase 4,8 km por 10 mil habitantes.
Desde o ano 2000 o indicador brasileiro oscila em torno dos 50%. E esse é o item onde o Brasil tem menor diferença em relação ao padrão desejável, o chamado “benchmark”, no jargão técnico. O frete rodoviário, de US$ 51,75 para cada mil toneladas por km (em 2010, último ano com dados internacionais para comparação, pelo estudo da Fiesp) é 270% maior que a média de excelência mundial, de US$ 14.
“Temos rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos com defasagem, custos altos, tudo isso atrapalha muito a competitividade e o desenvolvimento do Brasil”, reclama Skaf. Os dados sobre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos foram reunidos em um único indicador, o Índice de desempenho Comparado da Infraestrutura de Transportes (IDT), que, em 2010 (o último ano da serie calculada pela Fiesp), chegou a 33%. Esse índice indica uma infraestrutura com um terço do desempenho existente nos países que mais competem com o Brasil no mercado internacional.
O IDT, calculado com base em dados das 50 principais regiões metropolitanas brasileiras, e 18 indicadores diferentes, é a primeira tentativa de quantificar a insuficiência e ineficiência da estrutura de transportes no país. 
O Brasil está bem servido de aeroportos, mas com baixa capacidade: em 2010, enquanto os melhores aeroportos mundiais abrigavam 88 pousos e decolagens por hora, os aeroportos da Infraero registravam 38. Esse número representa 43% do benchmark internacional, uma evolução dos 32% referentes ao IDT calculado para o ano 2000.
Os piores desempenhos do Brasil em relação ao padrão de excelência mundial são os relativos a ferrovias (20%) e hidrovias (21%). No caso do transporte ferroviário, embora a capacidade de transporte (tonelagem por quilômetro de linha férrea) seja equivalente ao benchmark internacional, a extensão da malha ferroviária está 93% abaixo do ideal, e o frete por ferrovia é quase 16 vezes maior que o melhor padrão praticado no mundo – no quesito frete ferroviário o benchmark internacional é de apenas 6% do custo brasileiro.
Cavalcanti comenta os altos custos de logística, que fazem, por exemplo, com que as mercadorias que levam 324 minutos para ser liberadas nos aeroportos de padrão mundial levassem quase 3,2 mil minutos nos aeroportos da Infraero, em 2010. O custo de se levar um contêiner de 20 pés da região metropolitana ao local da exportação era de, em média, US$ 621 mil no exterior e de quase US$ 1,8 mil no Brasil – indicador que, no começo de 2012, deve ter sofrido deterioração, com os engarrafamentos da safra nos gargalos logísticos do país.

Íntegra AQUI.

A despeito de contar com o apoio cego e inconteste da maioria esmagadora da mídia (jornais, rádios, TVs etc), a fama de “gerentona” da Dilma vem sendo paulatinamente exposta, dissecada e demonstrada como se demonstra que dois mais dois são quatro.
Um bom exemplo é o artigo do sempre inteligente Alexandre Schwartsman AQUI.
Ele resume muito bem a política econômica do PT e da “gerentona” com o termo GAMBIARRA.
É isso mesmo: há 10 anos o Brasil vem sofrendo com gambiarra atrás de gambiarra.

Lulla, e agora Dilma, nunca souberam o que fazer, nem como fazer.
Lulla tentou fazer aquilo que ele vem fazendo há décadas, ou seja, nada.
Deu certo.
O país sobreviveu por inércia.

Isso sem falar, claro, no apoio da imprensa que ajudou a criar o “mito” do nordestino que virou sindicalista e chegou a presidente. Aquela mídia amiga, que segue sendo atacada pelo PT só na aparência. Afinal, o PT e o Lulla precisam culpar alguém pelo mensalão, pela corrupção etc…

O mesmo ocorre com Dilma. A imprensa que o PT tanto critica (“golpista”, “reacionária”, “conservadora”, “de direita” são alguns dos termos com os quais eles costumam “atacar”) publicamente ajudou a criar o mito de que a agora presidente, ex-ministra da Casa Civil (que só assumiu esse ministério graças à queda do José Dirceu, por causa do mensalão, em 2005), é uma gestora dura, crítica. Veja, por exemplo, este pequeno trecho de matéria da ÉpocaNegócios sobre a Petrobras: “De certa forma, a Petrobras espelha o Brasil. Grandiosa, cheia de oportunidades a colher (ou extrair), cheia de gorduras a queimar e gargalos a, se não resolver, pelo menos lubrificar. A mexida em seu comando também espelha o país. O ex-presidente Gabrielli, político, negociador, boa-praça, estava para a empresa como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava para o país. Graça é o retrato de Dilma: pragmática, dura, técnica, cobradora – até irascível“. A reportagem, na íntegra, está AQUI.
A revista é da Editora Globo, organização atacada por grande parte do PT quando lhe convém (e alvo preferencial da esgotosfera governista criada e financiada pelo PT na internet).

Ainda assim, a ÉpocaNegócios usa adjetivos como pragmática, dura, técnica e irascível para se referir à Dilma.
Primeiro: vamos parar de confundir assertividade (algo bom para um gestor, especialmente no comando de uma grande organização como um empresa ou mesmo o governo) com falta de educação e grosseria. Dilma Rousseff não é assertiva, nem tampouco gestora.
Dilma é grossa.
Ponto.

Segundo: gestora? Técnica?
Dilma Rousseff não consegue falar uma frase com mínima dose de lógica e sintaxe. Ela chuta números, não consegue finalizar um raciocínio….. Enfim, quando ela abre a boca, dá vontade de chorar!

Terceiro: em diversas ocasiões, Lulla disse que se impressionou com a Dilma porque ela chegava para as reuniões com planilhas, tabelas, números e mais números…. É sempre mencionado que a Dilma adora um PowerPoint, cheio de dados, números e mais números.

Ora, percebe-se que nem a Dilma e nem o Lulla estão preocupados com os fatos – basta mostrar um PowerPoint ou uma planilha com números – ainda que nenhum dos dois consiga entender bulhufas do que significam aqueles números.
Isso é gestor?
Isso se chama ENBROMADOR.
Encheção de linguiça não tem nada a ver com gestão.
Mas a imprensa amiga insiste nessas bobagens todas, a despeito de todas as provas em contrário.

Especificamente sobre as privatizações do PT, o Reinaldo Azevedo desnudou essa “babação de ovo” da imprensa AQUI.
Aliás, uma das principais razões de odiarem tanto o Reinaldo Azevedo é que, além de escrever bem, ele pensa.
E, como sabemos, o PT detesta gente assim.
(Apenas para registrar: discordo TOTALMENTE do Reinaldo Azevedo em muitos assuntos, especialmente religião, aborto e drogas, mas é inegável que ele PENSA, que usa a lógica, que argumenta, e, com isso, ele costuma desmontar as bobagens faladas “por aí”).

O importante é o seguinte: o artigo do Reinaldo Azevedo mostra de forma inequívoca o quanto a esmagadora maioria dos jornais (e seus articulistas) defende o PT e seus projetos burros, fadados ao fracasso – e a privatização dos portos é apenas o mais recente caso.
Curioso notar que, no caso da medida provisória que pretendia privatizar os portos, o PT queria… a privatização !! O mundo dá voltas, não?!

Você achou pouco?!
Então divirta-se com mais algumas aberrações:

País tem pior crescimento desde Collor (28/11/2012)
Estrutura obsoleta provocou o quarto apagão deste semestre
(18/12/2012)
Petrobras tem maior déficit em 17 anos (22/12/2012)
Governo acelera a criação de estatais que não geram receita (06/01/2013)
Mercado prevê piora das contas externas e pressão maior no câmbio (07/05/2013)
Brasil “perde” US$ 6 bi em exportações (07/05/2013)
Maioria dos serviços sobe mais que inflação (07/05/2013)

A vitória do capitalismo

Graças ao vídeo que mostra a Presidanta falsificando um discurso de 7 de setembro (post anterior), acabei lendo alguns comentários sobre a questão da privatização feita pelo FHC no fim da década de 1990.

Junto com as bobagens de sempre (menção ao livretinho vagabundo “A Privataria Tucana” é uma das bobagens recorrentes, o que é compreensível inclusive pela alarmente quantidade de analfabetos funcionais que temos no Brasil), especialmente em momentos de crise, vejo gente pregando o socialismo como “solução”.

Se essa gente pelo menos soubesse o que é o socialismo, OK. Mas 90% nem faz idéia!
Assustador.

De qualquer forma, reproduzo esta matéria da Ilustríssima de 02/09/2012, tratando de um livro que parece ser muito interessante:

A vitória do capitalismo

Para jornalista, “nenhum outro arranjo social produziu ganhos tão sustentáveis”

DIOGO BERCITO

A lista de piores livros já escritos, para a jornalista americana Sylvia Nasar, autora do best-seller “Uma Mente Brilhante”, inclui “O Capital”, de Karl Marx, ao lado de “Minha Luta”, de Adolf Hitler.

A falta de carinho em relação ao teórico do marxismo resultou do susto que Nasar, com formação em literatura e economia, tomou ao se aprofundar em sua obra. “Venho de um ambiente acadêmico marxista, então fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros”, diz à Folha, em entrevista por telefone, de Nova York.
Nos últimos anos, Nasar organizou quase dois séculos de historia do pensamento econômico na obra *”A Imaginação Econômica” [trad. Carlos Eugenio Marcondes de Moura, Companhia das Letras, 584 págs., R$ 54,50]*, que chega agora ao Brasil.

O trabalho foi tão extenuante que ela prometeu a si mesma nunca mais escrever outro livro. Os questionamentos sobre Marx, no fim das contas, acabaram se tornando o elemento divertido da pesquisa. “Karl Marx e Friedrich Engels são grandes personagens, cheios de contradições”, ela diz.

Contraditórios ou não, ambos foram, para Nasar, “fios constantes” na narrativa econômica nos dois últimos séculos -parte da mesma tradição que levou às manifestações do estilo “Ocupe Wall Street”, que tomaram as ruas no ano passado para protestar contra o capitalismo.

Mas a acumulação de capital é um dos heróis de “A Imaginação Econômica”. A autora afirma que “nunca houve outro arranjo social que tenha produzido ganhos tão sustentáveis”. Essa é a “grande busca” a respeito da qual o título, em inglês, se referia (“Grand Pursuit”). Em português, sumiu a ideia de uma epopeia rumo a um mundo melhor.

Na entrevista a seguir, Nasar fala sobre o resgate de personagens esquecidos pela historiografia econômica, como Alfred Marshall e Beatrice Potter -e sobre aqueles que, acredita, deveriam ser menos lembrados.

Folha – Uma das ideias por trás de “A Imaginação Econômica” é a de que o capitalismo melhorou o padrão de vida no mundo. Mas temos visto protestos de quem pensa o contrário, como o movimento “Ocupe Wall Street”.
Sylvia Nasar – Não há nada de novo nessas manifestações. Esse tipo de protesto começou ao mesmo tempo em que ocorreu a revolução nos meios de vida, no século 19. Essas críticas, como as encarnadas por Engels e Marx, foram fios constantes nessa narrativa. Isso é paradoxal. Nunca houve um arranjo social e um conjunto de instituições e de práticas que tenham produzido ganhos tão sustentáveis. Isso não apenas no que diz respeito a consumo material -hoje, a maior parte das pessoas pode fazer escolhas.

Por que então o capitalismo é visto por alguns como um mal?

Toda recessão, não importa se severa ou branda, produz questionamentos sobre se estamos realmente fazendo o melhor que podemos. Isso não é ruim. Um dos temas de “A Imaginação Econômica” é que os gênios da economia sempre pensaram que nós poderíamos fazer melhor.
Mas não acho que esses protestos sejam comparáveis às demonstrações de fúria que foram vistas durante a Grande Depressão, nos anos 30. Hoje, há uma rede de proteção muito maior. Muitos países podem proteger a população.

É o caso do Brasil?

Sim. A grande motivação de John Maynard Keynes e Irving Fisher para advogar pela intervenção estatal como modo de limitar a recessão -opondo-se à ideia de Friedrich Hayek e Joseph Schumpeter de deixar a natureza seguir seu curso- era evitar os riscos políticos.
Não é que eles pensassem que a economia não se recuperaria sozinha, mas que as pessoas iriam buscar soluções que tornariam os desastres piores. Na América Latina, o maior risco político sempre foi o populismo. Na Europa Ocidental e na Ásia, o comunismo.

A sra. diria que o socialismo perdeu a batalha como alternativa ideológica?

O que está falido é a ideia de que um sistema controlado pelo governo poderá produzir uma performance econômica superior, uma performance social superior.
Essa grandiosidade, a não ser para um número pequeno de pessoas, está morta por ora. A ideia de que há um modelo único que será seguido por todos para atingir sucesso econômico não é comprovada por evidência empírica.
Mas, se você está falando sobre socialismo como aquele do Estado de bem-estar social, acho que ele está aqui para ficar.

Recentemente você citou “O Capital”, de Marx, como um dos piores livros já escritos.

Eu me diverti enquanto escrevia sobre marxismo. Marx era realmente esperto. Mas, infelizmente, ele nunca entendeu, ou quis entender, a coisa a que ele se dedicava, que era a economia inglesa.
Estudei economia depois de me formar em literatura. Estava em desvantagem. Era tão difícil, para mim, que nunca terminei meu PhD. Mas fiquei chocada quando percebi que Marx não entendeu conceitos básicos, como a ideia de juros. Os erros dele são tão elementares!

As pessoas têm suspeitado da economia como ciência, dizendo que não previu a crise.

Fazemos o melhor em termos de resolver as questões econômicas, e não há uma alternativa real ao pensamento econômico. Não é como na psicologia ou na engenharia, em que teorias competiram por território.

Você disse durante uma entrevista que, se pudesse escolher um livro para o presidente dos EUA ler, seria “A Imaginação Econômica”. Em que essa leitura mudaria a política econômica americana?

Eu disse isso? [Risos] Foi realmente sagaz. Acho que, em tempos de crise, ter liderança é realmente importante.
As políticas de Franklin D. Roosevelt não fizeram nada para terminar com a Grande Depressão. As de Herbert Hoover, idem. As pessoas não sabiam o que fazer. Mas eles exalavam otimismo -não um otimismo ingênuo, de que o céu está limpo, mas a confiança de que, na economia de mercado e na democracia, há fundamento para sermos otimistas.
O que eu gostaria de ver é o presidente dos EUA, seja ele quem for, inspirar esse tipo de confiança. Será útil para as pessoas enxergarem que esse não é o fim do progresso. É um problema solucionável.

Na Europa, a impressão que se tem é de que não há solução.

Me surpreende que ainda haja quem argumente que não fazer nada é melhor do que fazer. Que equilibrar o Orçamento é prioridade máxima. Essa ideia não funcionou nos anos 1930!
As pessoas falam em uma “crise europeia”, mas hoje há coisas como o seguro-desemprego. A crise não está causando o tipo de sofrimento visto na década de 30. Agora, há um grande colchão. Eles [os europeus] são tão ricos! As pessoas têm tempo de pensar no que funciona melhor. Não foi assim nos EUA.
Estive na Polônia, no outono passado. Todas as vitrines, nos shoppings, tinham como alvo o público jovem. Todas tinham descontos para estudantes. Minha filha me perguntou: “Ei, mãe, mas como estudantes conseguem comprar aqui?”

“Uma Mente Brilhante” era sobre uma pessoa. “A Imaginação Econômica”, sobre uma ciência. São abordagens opostas?

Sim. Foi isso o que me deu trabalho. “Uma Mente Brilhante” foi uma tarefa de repórter. Só um jornalista conseguiria fazer. Não havia textos de referência, foram necessárias centenas de entrevistas.

Em “A Imaginação Econômica”, lidei com ideias. Foi como escrever dez biografias diferentes. Organizar tantos personagens e teorias em uma história linear exigiu muito esforço. Não sou uma grande pensadora. Sou boa para os detalhes e para as conexões.


Qual seria o resultado de “A Imaginação Econômica”, se você não fosse jornalista?

Nenhum economista escreveria esse livro. Eles não dedicariam o tempo deles para isso. É preciso ser um generalista. Cada pessoa, cada evento sobre os quais escrevi no livro tem uma indústria de acadêmicos por trás dele.
Acadêmicos não fazem isso, e não deveriam -mas jornalistas podem entrar em um assunto em “estado de ignorância”, confiando na sua habilidade de reunir informações e contar histórias.

Nesse processo, você resgatou personagens esquecidos pelas narrativas tradicionais, como Beatrice Potter e Alfred Marshall.

E Irving Fisher. Quando entrevistei [o economista] Milton Friedman, ele me disse voluntariamente que o maior economista americano do último século foi Fisher. Mas ninguém fora do meio econômico sabe quem ele é. Ele desapareceu do conhecimento popular.
É como Alfred Marshall, que todos tratam como um vitoriano fora da realidade, mas que era muito mais consciente sobre a situação inglesa do que Marx.
Acho isso engraçado. Como é que Marx, o cara que estava errado, terminou como um santo e Marshall, o cara que era realmente uma força criativa, teve suas contribuições minimizadas?

Você esteve ocupada com grandes projetos nos últimos 15 anos. Qual é o impacto na sua vida?

No final de “A Imaginação Econômica”, disse aos meus filhos -se eu disser que vou escrever um livro de novo, por favor peguem uma arma e atirem em mim.
Quando você está fazendo uma reportagem, pode entregar o texto ao editor e aproveitar o fim de semana. Quando escreve um livro, está sempre se sentindo culpado. Ou está trabalhando, ou está evitando trabalhar.
Mas foi bom que eu tenha demorado tanto para escrever esse livro. A única época em que as pessoas se interessam por economia é durante recessões.

Comigo ninguém iPod – David Kupfer

Excelente (como de costume) a coluna do David Kupfer no ValorEconômico de ontem:

A recente entrada em cena do tema do conteúdo local como protagonista do debate mais geral sobre os rumos da política econômica merece ser comemorada em si mesmo, como uma evidência animadora de que, enfim, a agenda macro não mais monopoliza as atenções e que o interesse na discussão de assuntos além de inflação, juros ou câmbio está se reconstituindo no país. Nem tão animadora, porém, é a constatação de que esse debate, embora mais presente, ainda é dominado por posições muito simplistas, que opõem defensores da opção nacional versus a global como se o Brasil se visse obrigado a fazer escolhas binárias, autoexcludentes.

De fato, na perspectiva do sistema fragmentado de produção, também conhecido como especialização vertical, que dá a tônica da organização industrial nos setores mais dinâmicos da indústria contemporânea, haja vista especialmente o que ocorre com as tecnologias microeletrônicas e de informação e comunicação, supor que os países façam ou precisem fazer tal tipo de opção parece extemporâneo ou mesmo ingênuo.

Extemporâneo porque o debate sobre vantagens e desvantagens da produção local versus a global iniciou-se ainda na década de 1980, tendo como marco a experiência, por sinal, fracassada, do carro mundial da GM e esgotou-se em meados dos anos 1990 com o surgimento de diversas soluções mistas bem sucedidas, ditas “glocais”. Um exemplo desse tipo de solução, apenas para ficar no setor automobilístico, foi o modelo do consórcio modular, testado e aprovado na experiência piloto realizada pela VW na fábrica de caminhões montada no Brasil (Resende).

Ingênuo porque opor local e global desconhece a complexidade da manufatura contemporânea, não somente no chão de fábrica mas em tantas atividades que se estruturam no seu entorno com o intuito de fazê-lo funcionar com alta produtividade e inovatividade. Estão nesse caso, etapas vitais como engenharia, projeto de produto, licenciamento de propriedade intelectual, software e diversos outros serviços empresariais, geralmente de alto valor adicionado, muito além dos equipamentos de processo e dos insumos industriais.

Na especialização vertical, as empresas especializam as diferentes fábricas instaladas em diferentes países ou regiões para a manufatura de diferentes produtos. Diversamente do modelo da maquila, no qual as unidades são meras montadoras, a realização descentralizada das atividades produtivas e tecnológicas propicia que cada sistema local de produção cumpra um determinado papel em uma grande cadeia global de valor. Um bom exemplo é a cadeia global de valor do iPod da Apple. Montado na China e vendido no mercado americano, o iPod de 30 giga constituiu um caso meticulosamente estudado em uma pesquisa realizada nos EUA em 2007. Dentre outras conclusões, o estudo permitiu comprovar o fato de que nenhum pais individualmente é fonte da totalidade das inovações incorporadas no produto.

Como resultado, a especialização vertical mostra-se como um modelo superior de organização da produção, não somente devido às suas implicações favoráveis sobre a eficiência industrial. Ela também constitui um modelo de divisão internacional de trabalho que contempla a dimensão nacional, proporcionando aos países a capacidade de se apropriar mais amplamente dos ganhos proporcionados pela atividade industrial, incluindo principalmente os decorrentes das externalidades positivas que comumente acompanham a indústria. Por essa razão, a coordenação eficaz dessas cadeias de valor apoia-se necessariamente na firme adesão dos Estados nacionais, por meio de políticas industriais formatadas com essa finalidade. Não sem razão, é visível o esforço americano visando retomar a atividade industrial em vista da sensação hoje prevalecente de que a transferência da manufatura para a Ásia está trazendo um custo significativo em termos de perda de efetividade do sistema de inovação do país.

Nos anos 1960 ou 1970, os teóricos do desenvolvimentismo costumavam afirmar, corretamente, que um mero aumento do peso da indústria no PIB não seria suficiente para configurar um processo de industrialização. Seria necessário muito mais: a indústria teria que se tornar o centro dinâmico do padrão de crescimento econômico, o que significa exercer um papel motriz no modelo de desenvolvimento. Isso exigia, à época, uma crescente internalização da indústria pesada, especialmente os bens de capital, indutores do progresso técnico requerido para a firme expansão da produtividade.

Por essa razão, uma rápida expansão industrial, mesmo que condição necessária, poderia não ser suficiente para configurar um processo de industrialização. Exemplos muito claros de mais indústria sem industrialização eram proporcionados por países que experimentaram rápido crescimento da produção baseado na exploração de mão de obra barata, geralmente em setores ligados às indústrias tradicionais ou, posteriormente, na constituição de maquilas, que são indústrias restritas à montagem local de partes e componentes inteiramente importados.

De modo análogo, na atualidade, a mera redução do peso da indústria no PIB não deve ser considerada como evidência suficiente para configurar um processo de desindustrialização. É necessário que outras transformações no padrão de crescimento da economia tenham lugar e, principalmente, que a atividade industrial perca capacidade de constituir o núcleo dinâmico da economia. No século XXI, evitar essa possibilidade deve ser a “rationale” das políticas de conteúdo local.

David Kupfer é professor e pesquisador licenciado do Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da UFRJ (GIC-IE/UFRJ) e assessor da presidência do BNDES. Escreve mensalmente às segundas-feiras. E-mail: gic@ie.ufrj.br/ http://www.ie.ufrj.br/gic. As opiniões expressas são do autor e não necessariamente refletem posições do BNDES.

http://www.valor.com.br/opiniao/2785688/comigo-ninguem-ipod#ixzz23ZqXB3VV

A crise do Brasil e as oportunidades que ela traz

O artigo da articulista do Wall Street Journal MARY ANASTASIA O’GRADY não poderia ser mais claro e direto – coisa que, na maioria das vezes, a imprensa brasileira evita, para puxar o saco do Lulla, da Dilma, e de quem decide a liberação de verbas:

O amor adolescente que os administradores de fundos tinham pelo Brasil está se esvaindo. À medida que o crescimento econômico fica aquém das expectativas, esse latino corpulento que foi objeto da afeição dos investidores está começando a parecer rude e imaturo.

Agora a relação comercial mais importante do país, com a vizinha Argentina, está emperrando. Isso deve dar mais dor de cabeça à economia.
O Brasil ainda promete bastante, graças na maior parte ao seu capital humano. Suas instituições permaneceram em pé nos últimos anos ainda que os aliados ideológicos mais próximos do partido governante, o Partido dos Trabalhadores — aliados esses que estão no poder na Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Argentina — destruíram as bases institucionais nos seus próprios países. Um julgamento das supostas práticas corruptas de membros do PT do ex-presidente Lula da Silva, marcado para o mês que vem, demonstra a separação saudável entre os poderes. A inflação baixa também deu força à classe média.
Mas aí há o estado monstro, que intervém em tudo, consome os recursos e torna impossível o tipo de crescimento de baixo para cima liderado pelos empreeendedores. Particularmente preocupante hoje é a agressiva expansão do crédito canalizada para privilegiados escolhidos pelo banco de desenvolvimento brasileiro, o BNDES.
A Argentina está numa situação pior ainda. Ela flertou com os mercados nos anos 90. Mas, desde a desvalorização do peso de 2002, sucessivos governos argentinos vêm se comportando como amantes rejeitados, sendo hostis e vingativos com os investidores. Os contratos e os direitos de propriedade praticamente não significam nada num tribunal argentino.
As coisas podem facilmente degringolar ainda mais para os habitantes de ambos os países se, como parece provável, a união de livre comércio do cone sul, o Mercosul, que inclui ainda o Paraguai e o Uruguai, se dissolver. No longo prazo, o fim do Mercosul será uma boa coisa se isso levar seus membros a abrir seu comércio para o resto do mundo. Mas, no curto prazo, com tantas indústrias fortemente comprometidas com as regras do Mercosul, um rompimento seria certamente prejudicial.
O problema mais recente para o Mercosul começou no mês passado, quando o Congresso do Paraguai aprovou o impeachment do presidente Fernando Lugo. Lugo era um aliado de Hugo Chávez. Para o ditador venezuelano, foi mais um sinal de que seu movimento regional bolivariano chegou ao limite e que seus opositores vêm tendo cada vez mais sucesso nas investidas contra ele — como eles fizeram ao remover Manual Zelaya da presidência de Honduras, em 2009. Assim, quando Lugo foi retirado do poder, Chávez entrou em ação, mobilizando seus aliados através de canais diplomáticos para isolar e punir o novo governo do Paraguai.
Um efeito material do ativismo de Chávez foi a decisão do Mercosul de suspender “politicamente” o Paraguai, que se opôs à entrada da Venezuela no grupo. Depois da suspensão, o Brasil votou junto com a Argentina e o Uruguai para admitir a Venezuela.
O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa fez comentários duros sobre a decisão. Como presidente do conselho de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Barbosa ressaltou que o voto violava o tratado do Mercosul. O Paraguai, disse ele numa entrevista no Rio de Janeiro, foi suspenso mas ainda é um membro e assim tem o direito de vetar a entrada da Venezuela. Ele também alertou que a Venezuela criaria problemas políticos: Como lidar com “a questão de Israel, por exemplo, que tem um acordo com o Mercosul mas não mantém relações diplomáticas com a Venezuela?”.
O fiasco venezuelano foi apenas o espinho mais recente nas relações comerciais com a Argentina. Um problema mais grave que Barbosa mencionou foi a maneira casual com que Buenos Aires viola o tratado de livre comércio dentro da união e a sua tarifa externa comum. “Os ministros e tecnocratas brasileiros viajam para a Argentina e fazem acordos, mas mais tarde esses acordos acabam presos nas mãos do [secretário de comércio da Argentina] porque tudo [na Argentina] vira uma questão política.” A Argentina, previu ele, “será responsável pelo fim do Mercosul”.
Segundo o jornal venezuelano “El Universal”, Barbosa também criticou a nacionalização da petrolífera argentina YPF, que pertencia antes à espanhola Repsol. Essa decisão, disse ele, vem prejudicando o bloco do Mercosul porque aumentou o sentimento de insegurança do investidor na região.
As infrações da Argentina também são causadas, neste ponto, pela falta de reservas estrangeiras. Apesar do esforço cada vez maior para suprimir importações e empregar controles estritos de capitais, há o risco de uma crise na balança de pagamento.
Ainda assim, existem oportunidades nessa área também. O Mercosul cria mais comércio entre fronteiras dentro da união. Mas, graças às tarifas externas desta, isso acontece às custas do comércio com países fora da união, o qual poderia gerar mais valor. Isso importa menos para o Brasil, com seu grande mercado interno, do que para os membros menores. Se o Paraguai for inteligente, vai tirar proveito da suspensão para ignorar a união e procurar fazer livre comércio com o resto do mundo. Aliás, isso também não seria uma má ideia para o Brasil.

Preço mais relevante do que "sustentabilidade"

A notícia é do Estadão de hoje (com grifos meus):

A queda de 35%, ou quase 6 bilhões de litros, nas vendas de etanol nos últimos dois anos coloca em risco o cumprimento das metas de corte das emissões de gases de efeito estufa assumidas pelo Brasil.

O movimento surpreendeu o Ministério do Meio Ambiente, cujo cenário principal para emissão de gases de efeito estufa pressupunha uso crescente de etanol. A expansão do biocombustível seria responsável por uma redução de 79 a 89 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas na atmosfera até 2020, numa contribuição entre 8% e 9% da meta total de corte das emissões com que o governo se comprometeu em 2009.

Grande parte do cumprimento da meta depende da redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, maior fonte dos gases de efeito estufa no País. A queda nas vendas de etanol ao consumidor torna ainda mais crucial o combate às motosserras.

Documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado estima que as emissões de gás carbônico por veículos cresceriam até 2020 a uma média de 4,7% ao ano, por conta do aumento da frota de veículos no País. Esse porcentual já é maior do que a média de crescimento das emissões registrada num período de 30 anos, até 2009, ano em que o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020.

Mas o cenário traçado pelo documento intitulado Inventário de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários apresentava como principal contribuição para a redução das emissões o programa de álcool hidratado. Na contabilidade oficial, as emissões de CO2 provocadas pelos veículos movidos a álcool são neutralizadas pela captura de carbono no processo de cultivo da cana-de-açúcar.

O aumento de venda de carros flex, que crescia sem parar desde 2003, deveria continuar no mesmo ritmo, indicou o cenário oficial. Em 2009, os flex já representavam 37% da frota de automóveis, e dominavam a venda de carros novos.

Mas esse cenário não se confirmou. No ano passado, as vendas de carros flex caíram pela primeira vez desde o lançamento dos motores com a tecnologia brasileira. Os licenciamentos de carros flex caíram para 83% do total de carros vendidos em 2011, o menor porcentual em cinco anos, conforme informou o Estado em fevereiro.

Futuro. A projeção do ministério de que os carros flex rodariam alternando os combustíveis numa proporção próxima a 50% também corre o risco de não se sustentar. O uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando seu preço ultrapassa 70% do valor da gasolina nas bombas. O consumidor opta pelo preço mais vantajoso na hora de abastecer, numa equação desfavorável ao etanol.

Além disso, para conter as emissões de gases de efeito estufa até 2020 no setor de energia, o governo contabilizou o aumento da oferta interna de etanol em mais de 20 bilhões de litros, como uma das principais medidas de combate ao aquecimento global.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram uma explosão no consumo de gasolina a partir de 2010. Em dois anos, enquanto as vendas de etanol caíam 35%, as vendas da gasolina subiam mais de 39%. Desde 2005, as vendas de gasolina registravam aumento de 2% ao ano. Em 2010, elas cresceram 17,45%. Em 2011, 18,79%, alcançando 35,4 bilhões de litros, contra 10,7 bilhões de litros de etanol vendidos no mesmo ano. 

Percebe-se, pois, que os fatos contradizem aqueles defensores do dicurso “sustentável” que afirmaram (alguns, coitados, CONTINUAM afirmando) que o uso do etanol era devido, inclusive, à preocupação com a “sustentabilidade”.
Balela.
Comprava-se mais etanol porque o preço era menor do que o da gasolina.
Como esta situação mudou, passou-se a comprar mais gasolina.
E foda-se o discurso vazio de “sustentabilidade”. Preço é o que importa!