A vergonhosa ignorância de Dilma Rousseff

Direto e reto ao editorial do Estadão desta quarta-feira, 26/01/2014, com grifos meus:

Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.

Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros – e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.

Logo na abertura do discurso na sede do Conselho da União Europeia, Dilma disse que o Brasil tem interesse na pronta recuperação da economia europeia, “haja vista a diversidade e a densidade dos laços comerciais e de investimentos que existem entre os dois países” – reduzindo a UE à categoria de “país”.

Em seguida, para defender a Zona Franca de Manaus, contestada pela UE, Dilma caprichou: “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (…). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo – derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (…)”. Assim, graças a Dilma, os europeus ficaram sabendo que Manaus é a capital da Amazônia, que a Zona Franca está lá para impedir o desmatamento e que as árvores são “plantadas pela natureza”.

Dilma continuou a falar da Amazônia e a cometer desatinos gramaticais e atentados à lógica. “Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger.” É possível imaginar, diante de tal amontoado de palavras desconexas, a aflição dos profissionais responsáveis pela tradução simultânea.

Ao falar da importância da relação do Brasil com a UE, Dilma disse que “nós vemos como estratégica essa relação, até por isso fizemos a parceria estratégica”. Em entrevista coletiva no mesmo evento, a presidente declarou que queria abordar os impasses para um acordo do Mercosul com a UE “de uma forma mais filosófica” – e, numa frase que faria Kant chorar, disse: “Eu tenho certeza que nós começamos desde 2000 a buscar essa possibilidade de apresentarmos as propostas e fazermos um acordo comercial”.

Depois, em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu – isto é, alhos e bugalhos. “Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet.”

Há muito mais – tanto, que este espaço não comporta. Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários – um vexame para o País.

Sim, a ignorância de Dilma Rousseff (deveria-se pronunciar Ruin-sseff) é vergonhosa.

Eu digo isso há tempos. E já provei, inclusive com vídeos igualmente vexatórios, AQUI.

Ao ler este editorial (que depois repercutiu em outras publicações), lembrei de uma situação, ocorrida antes da (fatídica) eleição da Dilma Ruin-sseff.

Eu tinha ido, com um amigo, a um bar. Ele convidou uma amiga dele, que levou a namorada, e em dado momento esta amiga contou que esteve alguns dias antes num evento, em algum lugar que eu não me recordo (e não tem nenhuma relevância), fazendo a tradução simultânea de uma série de palestras. Ela é professora de espanhol, e frequentemente trabalha como tradutora em eventos. Dilma Ruin-sseff era uma das palestrantes, e falava, à época, como Ministra.

Qual não foi minha surpresa ao ouvir esta pessoa, sentada à minha frente, elogiando a “inteligência” da Dilma !

O fato é que venderam uma imagem de que a Dilma tem “perfil técnico”, e muita gente comprou!

Há alguns meses, troquei alguns tuítes com um correspondente da Reuters no Brasil, Brian Winter, depois que o rapaz classificou Dilma como sendo parte da “elite” no Brasil. Em seu perfil no twitter, se diz “Dilma profiler”, ou seja, um jornalista que pesquisa determinada pessoa com (espera-se) profundidade. A conversa (ou parte dela, já que o twitter não faz um controle muito bom destas conversas) pode ser vista AQUI.

Resumindo, foi mais ou menos isso: devido a um artigo na Veja daquela semana, o Brian tuitou algo que colocava Dilma e FHC como membros da elite que chegaram à Presidência. Eu questionei quais os critérios dele para enquadrar Dilma como “elite”, ao que ele respondeu isso:

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Ou seja: como Dilma vem de uma família rica, frequentou escolas/universidades boas e não consegue chutar uma bola de futebol (ironia evidente), ela é “elite”.

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Em suma, o que eu apontei é que a Dilma jamais teve carreira acadêmica, jamais teve qualquer relevância nem na academia nem em qualquer área específica fora da academia – diferentemente de FHC, Professor da USP/Sorbonne/Bronw, Senador, Ministro, Presidente. Ele apontou que ela chegou ao cargo de Ministra mais jovem do que FHC.

Eu disse que ela não passava de um burocrata de nível médio (enquanto trabalhou no Rio Grande do Sul), que chegou ao Ministério não devido à sua competência na área, mas por circunstâncias políticas (e, registre-se, FHC também não foi nomeado Ministro da Economia devido à sua reconhecida capacidade como economista, haja vista que ele NÃO é economista).

Enfim, o que me deixa curioso é por que exatamente algumas pessoas supostamente inteligentes, críticas, compram essa bobagem mal-embalada de que Dilma é uma “técnica competente”.

A única área que, dizia-se, ela dominava tecnicamente é justamente o setor de energia.

E a Petrobrás está numa pindaíba horrível (inclusive com um caso monstruoso de propinas na época em que Dilma era do Conselho de Administração da estatal), as empresas elétricas estão sofrendo devido aos sucessivos desastres na condução do setor (ainda bem que, segundo o correspondente da Reuters, Brian, poucas pessoas entendiam mais do setor elétrico do que a Dilma!), há riscos de racionamento e apagões estão frequentes etc…

É black, é bloc, é o PT no caminho

Os 20 anos do Real

Comemorou-se nesta semana o aniversário de 20 anos do Plano Real.

Na tribuna do Senado, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves fizeram bons discursos (que milagre!).

Apontaram, com toda a razão, que o PT sempre foi contra o Plano Real – e, mais do que isso, trabalhou para boicotá-lo.

Provas disso não faltam. Apresento, abaixo, apenas duas.

A primeira: em vídeo, Lulla destila sua costumeira ignorância, e aquela truculência boçal que miseráveis intelectuais confundem com iluminação divina proletária.

A segunda: em texto (publicado na Folha de São Paulo em 12 de Julho de 1994), Guido Mantega mostra que é um economista coerente consigo mesmo, comprometido com sua necessidade de estar sempre, sempre, errado – ele erra de forma constante, inexorável. Guido Mantega está sempre do lado errado, e jamais corre o menor risco de acertar em suas análises e previsões. Por isso, inclusive, segue como Ministro da Fazenda de Dilma. Abaixo, a íntegra do artigo de Guido Margarina, com grifos meus:

Diga-se o que quiser do Plano Real, pelo menos num aspecto ele foi bem sucedido. Conseguiu excitar a imaginação popular e passar a impressão de algo novo e diferente dos planos anteriores.

Os arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas, como o Comitê da Moeda, Banco Central independente, ou a dolarização com conversibilidade, mesmo que nada disso tenha sido utilizado.

Chegaram ao ponto de reinventar os reis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana.

E todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte aperto monetário com taxas de juros estratosféricas.

A parte mais imaginativa do plano, que foi a superindexação da economia pela URV, revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem na conversão para a URV em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia.

De primeiro de julho em diante os salários serão pagos em real, que tem a aparência de ser uma moeda indexada, como se tivesse herdado as virtudes da URV, porém é uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária do real.

A regra de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços.

Com esses artifícios, os preços têm chance de apresentar alguma estabilidade por algum tempo, porque desfrutarão de um conjunto de custos estáveis, como salários, tarifas, matérias-primas importadas, aluguéis e tudo o mais que foi congelado por até 12 meses, sem a aparência de estar congelado.

E aqui também a ilusão funcionou, porque vendeu-se a idéia de que o plano não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, aluguéis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real.

Portanto, mais do que um plano eficiente e bem concebido, o real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar.

Mas não se deve subestimar a eficiência das aparências e dos jogos de prestigiação nas artimanhas eleitorais. As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto, numa repetição da trajetória dos preços por ocasião da implantação da URV, que subiram muito em fevereiro, na véspera da fase dois, elevando os índices de inflação de março, e depois caíram em abril e só voltaram a subir em maio e junho.

A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria quanto uma inflação de 30% a 40% com indexação.

Se tudo isso não fosse suficiente (é!), eis aqui algumas declarações de gente altamente capacitada, verdadeiros intelectuais:

Lula: “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

Marco Aurélio GarciaO Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994). [uma analogia digna da capacidade intelectual deste pilar moral do PT]

Gilberto Carvalho: “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

Aloizio Mercadante: “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados: “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

Maria da Conceição Tavares: “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

Paul Singer: “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994). [adoro quando um mendigo intelectual usa e abusa de termos e construções aparentemente complexas e sofisticadas para expressar uma sequência de imbecilidades que não fazem nenhum sentido, nem tampouco têm qualquer fundamento na lógica e na realidade factual]
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).

Gilberto Dimenstein: “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).

Roda Viva mostra o grau de miséria ao qual chegou a imprensa brasileira

O vídeo abaixo é de deixar qualquer jornalista envergonhado:

Infelizmente, há poucos (raros!) jornalistas, no Brasil, que fogem deste perfil. A bancada de jornalistas que “entrevistou” Romeu Tuma Jr. deixa isso claro: gente vendida aos interesses de um partido, despreparada e ignorante. Fernando Gallo (repórter do Estadão que virou Franggo-depenado depois de ter feito perguntas estúpidas, insinuações babacas e, em resposta, ter levado umas merecidas bordoadas), Mario Cesar Carvalho (repórter especial da Folha), Eugênio Bucci (colunista do Estadão e da revista Época) e Cristine Prestes (repórter freelancer especializada em assuntos jurídicos) formavam uma bancada que, somada, deveria ter no máximo 20 pontos de QI.

Eles foram surpreendidos por um entrevistado que não apenas não tem medo de esculachar as perguntas ridículas, babacas e ignorantes, mas que tinha informações que os “jornalistas” pareciam desconhecer totalmente. “Jornalistas” que tentaram (e falharam miseravelmente em) distorcer as falas do entrevistado de forma vergonhosa e acabaram moral e intelectualmente humilhados.

Alguns destaques das bolas-fora que esse bando de ruminantes demonstraram estão resumidos AQUI. Vale a leitura – e vale muito a pena ver o vídeo disponibilizado lá no começo do post, na íntegra.

Há algumas semanas cancelei minha assinatura da Folha – depois de (mais de) 20 anos como assinante. Isso porque tornou-se insuportável ler colunas de fanfarrões como Janio de Freitas, Gabriel Duviver, Ricardo Mello, Suzana Singer, Vladimir Safatle, Aecio Neves, Álvaro Pereira Júnior, André Singer, Marcelo Miterhof, Antonio Prata, Raquel Rolnik, Sérgio Malbergier e outras antas apoplécticas que escrevem (mal!) naquele que já foi, na minha opinião, um dos melhores jornais do país.

Esta bancada do Roda Viva foi de matar. Pavorosamente ruim, coisa de matar qualquer um de “vergonha alheia”.

 

No Brasil Dilma não faz nada, mas em Cuba lança porto

Definitivamente a marchinha do Carnaval 2014:

Qual é o “interesse estratégico” do Brasil em Cuba?

Nos últimos dias, emergiu uma discussão interessante sobre “interesses estratégicos” do Brasil em Cuba. Isso deve-se, basicamente, ao fato de que Dilma Rousseff está em Cuba para a inauguração da maior obra realizada em sua gestão: o Porto de Mariel.

Sim, a maior obra realizada pela Dilma é em Cuba, não no Brasil. Ridículo, não?! Mas sigamos…

A discussão que emergiu diz respeito aos investimentos e gastos do dinheiro público do Brasil na construção do Porto de Mariel. No Estadão publicou-se o seguinte (na íntegra aqui):

Criticada pela oposição por financiar a obra do Porto de Mariel, em Cuba, a presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira, 28, que a parceria com a ilha de regime comunista é fundamental para o País e definiu a aliança como um jogo de “ganha-ganha”. “É uma visão pequena não perceber a natureza estratégica desse investimento”, afirmou a presidente.

Na segunda-feira, 27, Dilma anunciou um novo empréstimo, desta vez de R$ 290 milhões, para a Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel, localizado a 45 quilômetros de Havana. O crédito vai se somar aos R$ 802 milhões já investidos na construção do porto, que teve a primeira etapa inaugurada agora.

Pré-candidato à sucessão de Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ironizou a injeção de recursos do governo na ilha dos irmãos Castro. “Dilma anunciou sua primeira obra de infraestrutura. Em Cuba”, comentou Aécio. “Não vamos comparar a quantidade de portos que tem no Brasil e em Cuba, que tem um porto”, afirmou a presidente. “Nós continuamos fazendo investimentos no Brasil na área de portos. O Brasil financiou o porto de Mariel, mas quem forneceu bens e serviços foram empresas brasileiras. Isso leva ao fortalecimento dos países. É um processo de ganha-ganha. Cuba ganha e o Brasil também ganha.”

A presidente destacou, ainda, que o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores, muitos deles podendo ser beneficiados pelo Porto de Mariel. Dilma teve duas reuniões bilaterais nesta terça-feira: com Pena Nieto, presidente do México, e José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Sobre esta reportagem, antes de prosseguir, é preciso fazer algumas observações:
1) Sobre a natureza “estratégica” do investimento – essa questão será mais detalhadamente avaliada adiante. Trata-se, contudo, da questão mais importante e, portanto, não se pode perdê-la de vista. Retomarei.

2) Na declaração da presidanta, como não poderia deixar de acontecer, existe uma bobagem monstruosa, uma burrice mesmo (“o mercado latino-americano tem 600 milhões de consumidores”), que não tem relevância nenhuma para discutir o investimento milionário numa obra em outro país, usando dinheiro público.
Há inúmeros erros, bobagens, falácias e dados sem nenhuma relevância embutidos nessa afirmação da Dilma. Vamos supor que existam, de fato, 600 milhões de consumidores na América Latina (segundo dados de 2013, contudo, o World FactBook da CIA indica que a América Latina tem uma POPULAÇÃO TOTAL de 590 milhões de habitantes, e não se pode olhar para todo este contingente como “consumidores”, ainda que a Dilmanta não tenha dito consumidores DE QUÊ). Lembremo-nos de que a América Latina reúne alguns dos países mais fechados ao comércio internacional do mundo – portanto, olhar para o Porto de Mariel como um meio de atingir a população da América Latina inteira é uma burrice – algo, no mais, digno da presidanta.
E daí? O que esse número (inexato, de resto) tem a ver com a discussão do Porto de Mariel? Por acaso a presidanta está tentando dizer nas entrelinhas que os 600 milhões de “consumidores” sentirão qualquer impacto (positivo ou negativo, não importa) graças à inauguração do porto de Cuba?

3) Com relação à expressão “ganha-ganha”, é preciso indicar, de forma clara, O QUE, EXATAMENTE, O BRASIL VAI GANHAR. Cuba está ganhando bastante do Brasil – além dos milhões dados para o Porto, o Brasil ainda paga mensalmente os salários dos médicos cubanos diretamente ao governo militar-ditatorial de Cuba (que retém mais de 60% do valor e repassa uma mixaria às famílias dos coitados dos médicos-escravocratas).

Assim, vamos à questão principal: por que o Porto de Mariel seria “estratégico” para o Brasil?

O que o país ganha? Quando?

Vale a pena colocar mais de 1 bilhão de reais de dinheiro público em Cuba?

Começo por uma extensa matéria publicada pela BBC Brasil (íntegra aqui), da qual vou transcrever apenas alguns trechos – os mais relevantes para tentarmos entender os tais benefícios que o Brasil poderia vir a ter.

Na entrada do vilarejo de Mariel não há como não notar a fumaça de chaminés de um primeiro – e pequeno – núcleo de indústrias cubanas. A velha fábrica de cimento, que por décadas foi a maior indústria da região, se destaca com seus grandes edifícios, galpões e um termina marítimo. Logo adiante, as quatro grandes gruas do novíssimo terminal de contêineres se destacam sobre o porto de Mariel.

É este caminho que a presidente brasileira percorre nesta segunda-feira para inaugurar a primeira fase do terminal portuário, construído em sua maior parte pela brasileira Odebrecht por meio de um financiamento de US$ 957 milhões do BNDES.

Segundo Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Unesp, desde o governo Lula, o Brasil tenta se tornar o segundo maior parceiro comercial de Havana depois da Venezuela. De acordo com ele, o interesse maior do governo cubano no Brasil está em sua capacidade de realizar grandes investimentos na área industrial. “A capacidade da Venezuela é energética, ela não tem capacidade de fazer essas obras”, disse Ayerbe. “Essa capacidade brasileira se materializa no porto de Mariel”.

O porto de Mariel já foi uma antiga base de submarinos e também a porta de entrada de ogivas nucleares do que nos tempos da Gerra Fria ficou conhecido como a crise dos mísseis em 1962. Já nos anos de 1980, voltou a atrair a atração do mundo por ser a porta de saída de mais de 120 mil cubanos, os chamados “marielitos”, que emigraram em balsas para os EUA.

De grande profundidade, ele poderá receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Ele é modernizado no momento em que ocorrem também as obras de ampliação do canal do Panamá.

Após a reforma, o canal será a rota de passagem de navios “pós-panamax”, com três vezes mais capacidade de levar contêineres que as embarcações que trafegam pelo local atualmente.
“Boa parte do comércio da Ásia para a costa leste dos Estados Unidos passa pelo canal do Panamá. Essa área (do mar do Caribe) vai ficar muito dinâmica, por isso quase todos os países da região estão reformando seus portos”, diz Ayerbe.

Porém, diferente das nações vizinhas, Cuba não pode se aproveitar das oportunidades comerciais relacionadas ao comércio com a costa leste americana devido ao embargo promovido por Washington.
Por isso, o Brasil vê o investimento no porto como uma aposta futura no fim do embargo. A ideia é instalar indústrias nacionais (brasileiras) na zona franca de Cuba para produzir aproveitando-se dos incentivos fiscais e flexibilidade para a contratação da mão de obra cubana altamente qualificada.

Aqui eu tenho que interromper a matéria para dois comentários.
1) Fica evidente que, enquanto vigorar o embargo norte-americano, o Porto de Mariel não passa de um elefante branco. Na prática, não serve para nada.
Caso os EUA suspendam o embargo, pode ser que venha a existir, futuramente, alguma oportunidade de negócios hipoteticamente interessante de ser considerada e analisada. Mas hoje não existe NADA.
Zero.
A “gerentona” Dilma despeja mais de R$ 1 bilhão num país altamente instável, comandado há mais de 50 anos por uma ditadura militar genocida, com mercado fechado e NENHUMA segurança jurídica, NENHUMA estabilidade, apostando numa decisão que depende de um outro país (EUA).
Inteligente, né?!
ESPERTONA!
Uma perguntinha: e se o embargo norte-americano continuar? Digamos que, hipoteticamente falando, o embargo dure mais uns 10 anos.  Aonde está o “ganho” do Brasil? Aonde está o papel “estratégico” desse investimento? E se o embargo durar mais 50 anos?

2) Adoraria saber de onde tiraram essa idéia absurda, ridícula mesmo, de que existe “mão de obra cubana altamente qualificada”.
ALTAMENTE QUALIFICADA EM QUÊ?
Segundo dados do Webometrics Ranking of World Universities, Cuba tem apenas 3 universidades listadas em posições absurdamente baixas: a Universidade de Havana (classificada na posição de número 1.544), Instituto Superior Politécnico José Antonio Echeverría (2.603) e a Universidad Central Marta Abreu de la Villas (2.947). A USP é a brasileira mais bem posicionada, na posição de número 43. Escolha outros rankings e boa sorte em achar alguma universidade cubana entre as mil primeiras!

TUDO o que é ensinado em Cuba, desde a pré-escola até a universidade, é carregado da visão comunista, anti-americana, anti-capitalista e devotada a enaltecer Che Guevara, Fidel castro, Stálin e outros genocidas.
Em Cuba não existem empresas preocupadas em concorrer, em oferecer bons produtos a preços competitivos – pois existe uma economia planificada, 100% dependente do governo. Que práticas gerenciais podem emergir num ambiente assim? Quem ensina gestão? Ainda que houvesse uma escola/faculdade/universidade destinada a ensinar Administração, serviria para quê? Não existem empresas! Não existe concorrência, mercado, competição, nada!

Mão de obra qualificada?! Isso é piada!
Você, caro leitor, conhece alguém que tenha ido a Cuba fazer um MBA, um mestrado ou um doutorado? Se conhece, por gentileza, detalhe na caixa de comentários. Obrigado!

Mas vamos seguir com a matéria:

Dessa forma, o Brasil teria um posto avançado para exportar inicialmente para a América Central e depois eventualmente para os Estados Unidos, segundo Thomaz Zanotto, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp). A opção por investir em Cuba, em vez de em outro país caribenho, se dá exatamente pelo isolamento de Havana – onde o Brasil não sofre com a concorrência americana.

Por enquanto, as duas nações ainda discutem que tipo de empresas brasileiras se instalariam na zona franca cubana. As negociações apontam para indústrias de alta tecnologia, que tirariam proveito da qualificação dos trabalhadores cubanos. Umas das primeiras opções é a indústria farmacêutica.

Quem escreveu a reportagem confunde baixo índice de analfabetismo com qualificação.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Aliás, isso merece um parêntesis: tornou-se senso comum espalhar que Cuba tem indicadores (“índices”) de educação e saúde excelentes. Na verdade, é preciso muita cautela.
Cuba é uma ditadura e, como tal, tem estreito controle sobre toda e qualquer informação relativa ao país. Acreditar nos indicadores, números e estatísticas de uma ditadura não é apenas arriscado, é burrice pura e simples.
Pode ser verdade ou não.
Especificamente no caso da educação, há este indicador de mais de 98% da população alfabetizada. Pode ser. Mas “alfabetizar” não significa “educação de alto nível”. Há uma diferença imensa entre os dois conceitos.

Agora, o mais ridículo é ler a primeira frase: exportar para a América Central e depois EVENTUALMENTE para os Estados Unidos. Fica parecendo que hoje o Brasil não exporta nem para um, nem para o outro.
O problema é que os portos BRASILEIROS (sim, localizados no Brasil, não em Cuba) estão sobrecarregados. O Brasil não exporta mais por problemas de câmbio e infra-estrutura BRASILEIRA. Um porto em Cuba, na Nicarágua, no Haiti ou na República Dominicana não muda nada disso!

As principais críticas ao investimento no porto de Mariel partem de partidos opositores – como o PSDB, que se baseia no fato de que o governo brasileiro investe mais em Mariel do que nos portos nacionais. Os opositores acusam o governo Dilma Rousseff de direcionar os investimentos a Cuba devido a um alinhamento ideológico com Havana.

Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”. Ou seja, o eventual não investimento em Cuba não necessariamente levaria o dinheiro aos portos do Brasil, onde fatores como restrições ambientais estariam dificultando a agilização de projetos. “O Brasil é gigantesco mas sofre com um apagão de projetos”, diz Zanotto.

Outra crítica parte do próprio empresariado. Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Essas críticas, ainda mais vindas de um bando de bundas-moles como são os tucanos, não chegam nem perto da questão central. Mas é divertido ver a “explicação” dada pelo “especialista” ouvido pela reportagem: Segundo Zanotto, a crítica “não procede”, pois “cada projeto é um projeto”.
Cada projeto é um projeto?
Sério????
Cara, você me deixou abismado agora!
Estou perplexo com a força do seu argumento, com os dados inexoráveis e indiscutíveis que você apresenta para embasar esta conclusão estupefaciente!

Porém, o pior é justamente a última afirmação desse brilhante e genial “especialista” (que a jornalista, aparentemente, considerou suficiente, já que não há nenhum “contra-ponto”): Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.

Resumindo: caso o embargo americano permaneça, não haverá faturamento – e, como as garantias para pagamento dos empréstimos estão atreladas ao faturamento, elas desaparecem junto ao hipotético faturamento.

Não é uma coisa de JÊNIOS ???

A propósito: quem está fazendo o Porto de Mariel é a ODEBRECHT. A mesma empreiteira responsável por construir o estádio de um time PARTICULAR com dinheiro PÚBLICO; a mesma empreiteira que “empresta” jatinhos para o Lulla viajar; a mesma empreiteira que doa milhões em cada eleição…

Coincidência? Por falar em coincidências, leio no site do BNDES (íntegra aqui) o seguinte:

A BNDESPAR está realizando mais um movimento para ampliar sua atuação no setor de infraestrutura logística. A subsidiária de participações acionárias do BNDES fará aporte de R$ 1 bilhão em um aumento de capital da Odebrecht TransPort, que vai totalizar R$ 1,429 bilhão. Com a operação, a BNDESPAR passará a deter 10,61% do capital da OTP. Os R$ 429 milhões restantes serão subscritos pelo FI-FGTS, que manterá sua participação atual na empresa, de 30%.

De qualquer modo, a dúvida persiste: QUAL É O INTERESSE “ESTRATÉGICO” DO BRASIL EM CUBA?

Será que o ÚNICO possível interesse é torcer pelo fim do embargo americano para que, só então, o Porto de Mariel passe a atingir seu potencial e, com isso, gerar um faturamento que beneficiaria a Odebrecht?

Quais empresas brasileiras têm interesse em instalar-se em Cuba? Elas não iriam para Cuba se não houvesse o Porto de Mariel?

As empresas são brasileiras ou são multinacionais com operações no Brasil? Haverá geração de empregos no Brasil? Arrecadação de impostos? Difusão de novas tecnologias? Investimentos em inovação? Ganhos de escala?

O problema, porém, é que discutir estas questões acima é rigorosamente INÚTIL enquanto Cuba for uma ditadura militar comunista, e enquanto ela seguir sob o embargo comercial norte-americano.

Alguns estão vendo boas perspectivas para que Cuba evolua do modelo comunista (economia planificada) para o capitalismo. Oras, que isso vai acontecer eu não tenho nenhuma dúvida – e isso não tem nada a ver com qualquer capacidade de “prever o futuro”. Basta, ao contrário, observar o passado: a História já mostrou que o socialismo e/ou o comunismo não funcionam. URSS, Alemanha Oriental, China – todos países que saíram do comunismo e mergulharam no capitalismo.

Porém, não se pode confundir sistema POLÍTICO com sistema ECONÔMICO.

China é um país capitalista (sistema econômico) mas segue na ditadura do Partido Comunista (sistema político).

Portanto, é carta marcada que Cuba vai abandonar o comunismo e migrar para o capitalismo – ou vai desaparecer. Apenas e tão somente porque, como já foi demonstrado inúmeras vezes, nenhum país socialista/comunista se sustenta em médio e longo prazos. Por exemplo: quando a União Soviética acabou, acabaram os subsídios a Cuba. Graças a isso, a ilha do ditador Castro chegou a importar OITENTA POR CENTO dos alimentos consumidos na ilha – como disse Margareth Thatcher, “The problem with socialism is that you eventually run out of other people’s money.”.

O problema, para responder à pergunta central deste post, é: QUANDO isso vai acontecer? COMO isso vai acontecer? Quanto tempo mais vai durar o embargo norte-americano?

Enquanto houver embargo, o Porto de Mariel não oferece NADA aos interesses “estratégicos” do Brasil.

Mas se o embargo cair, aí passará a haver um “interesse estratégico”?

Depende. Tudo depende de quais condições cercarão essa “queda” do embargo.

Aí, passamos a um ponto importante: como tomar uma decisão SUPOSTAMENTE “estratégica” quando não se sabe nada sobre os resultados (payoffs) e riscos envolvidos?

Ainda seguindo o que estava escrito na reportagem da BBC supracitada, algum desavisado poderia relacionar esta situação de Mariel à literatura clássica de estratégia: se o Brasil investir AGORA em Cuba e o embargo comercial for revogado, o país terá a vantagem de primazia, pois já está em Cuba – enquanto outros países/empresas ainda terão que iniciar os investimentos e atividades no país.

Nada disso.

Aí entra em cena uma questão crucial: o sistema político. Ainda que o embargo seja revogado, as empresas (e outros países) somente passarão a investir em Cuba se houver condições favoráveis para tanto. Isso implica não apenas estabilidade jurídica (será que minha empresa vai ser nacionalizada de uma hora para outra, como fazem os ditadores débeis mentais da Venezuela, Bolívia e outros países ridículos que infestam a América Latrina?), mas a percepção de benefícios. Cuba tem uma população de aproximadamente 11 milhões de pessoas. Paupérrimos!

O salário mínimo MENSAL em Cuba é DEZENOVE DÓLARES.

Repito: DEZENOVE DÓLARES AO MÊS.

Mais um instante para esta informação ficar clara: DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

US$ 19.00

Sigamos…

A China conseguiu mergulhar no capitalismo, mesmo mantendo o sistema político praticamente inalterado, por, entre outras razões, ter uma população IMENSA – tanto na quantidade quanto na qualidade. São mais de 1 BILHÃO E 300 MIL chineses, sendo que mais de 300 milhões têm renda anual situada na faixa de US$10,000 a US$60,000.

Não dá para comparar com os 11 milhões de cubanos, nem com a renda de DEZENOVE DÓLARES MENSAIS.

Portanto, muita calma! Quando o comunismo cubano for substituído pelo capitalismo (e isso levaria pelo menos uns 10 anos, é um processo lento e gradual, durante o qual muita coisa pode mudar), ninguém sabe quais serão as condições existentes.

Assim, concluindo, é impossível afirmar, hoje, que se trata de “investimento estratégico”. Isso não passa de mais uma bobagem dita por uma ignorante que tenta justificar uma péssima decisão recorrendo a mais uma de suas falácias ignaras.

Se a Dilma souber o que significa “estratégica”, ela mente ao dizer que Cuba oferece algo de estratégico ao Brasil; se ela não sabe o que significa “estratégico”, deveria calar-se ou ser sincera e dizer que está colocando dinheiro do contribuinte brasileiro em Cuba “porque quer e ponto”.

Dilma pode estar confundindo: o PT tem interesse estratégico em Cuba, por causa do Foro de SP. Mas o Brasil não tem interesse estratégico algum em Cuba!

2014-07-17 07.05.57

 

Leituras adicionais recomendadas:
Infrastructure in Brazil – Matéria da Economist mostrando que há uma IMENSA necessidade de investimento em infra-estrutura no Brasil, portanto dona presidenta não precisava torrar mais de R$ 1 bilhão em Cuba – poderia destinar esse dinheiro para o Brasil.
A pawn in Cuba’s power game – Editorial do Washington Post tratando do ambiente criado pela ditadura militar comunista de Cuba e o problema de ter uma opinião própria numa ditadura que não hesita em matar quem discorde do único partido ou do único jornal existente na ilha.
Think again: engaging Cuba – Artigo extenso e bastante completo, da Foreign Policy, que trata do embargo americano, apresentado prós e contras, e resgata alguns eventos que devem dificultar a possibilidade de revogação do embargo comercial em curto prazo.
The US should end the Cuban embargo – Uma articulista do Washington Post criticando duramente a postura dos EUA e do Obama no que tange ao embargo, e pedindo que ele seja revogado imediatamente (como o próprio título deixa claro desde o início, aliás).
Former Exit Port for a Wave of Cubans Hopes to Attract Global Shipping – Matéria do New York Times tratando do Porto de Mariel.
Os bilhões que o PT investe em Cuba só serão conhecidos em 2027 – Se os tais investimentos são tão bons assim, por que o medo de torná-los transparentes?
Carga tributária bate recorde e chega a 37,65% do PIB – Enquanto o governo do Brasil esfola os seus cidadãos com uma carga tributária recorde, o BNDES despeja dinheiro em Cuba.
Brasil é o único dos BRICS que perdeu investimentos – Dilma esteve no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, há alguns dias, mendigando investimentos privados no Brasil – o problema é que investidores privados já perceberam que ela e sua equipe são um bando de incompetentes, e adoram intervir no mercado. Quem vai investir num país sem estabilidade econômica, jurídica e social? O mesmo problema de Cuba, aliás, mas em diferentes graus obviamente.
Previsão de crescimento do país em 2014 piora, segundo o Banco Central – O Banco Central do Brasil apontando o óbvio (aquilo que todo mundo sabe, menos… a Luiza!)

Por que pagamos tanto imposto no Brasil?

Leio no site da Época Negócios (íntegra aqui) o seguinte:

No ano de 2013, a arrecadação somou R$ 1,138 trilhão, uma alta real de 4,08% sobre 2012. O valor é recorde histórico e o crescimento das receitas ficou acima da projeção da Receita Federal, que era de 2,5%. O resultado foi impulsionado pelo ingresso de cerca de R$ 1,48 bilhão de receitas com o Refis (parcelamento de débitos tributários).

Em dezembro de 2013, a arrecadação de impostos e contribuições federais cobrados pela Receita Federal atingiu R$ 118,364 bilhões, recorde para o mês. Houve alta real (com correção da inflação pelo IPCA) de 8,25% ante dezembro de 2012. Em relação a novembro de 2013, a arrecadação apresentou uma alta real de 4,24%. Os dados foram divulgados pela Receita Federal nesta quarta-feira (22/01).

Os números demonstram que o Brasil não tem FALTA de dinheiro. O que falta é capacidade (e vontade) de usar esse dinheiro de forma inteligente, com vistas a beneficiar os cidadãos que pagam impostos altíssimos (e que não param de crescer).

Mas esperar isso de energúmenos como Dilma, Lulla, Mantega e os demais incompetentes que estão no governo é demais. Esses boçais preferem torrar bilhões de reais construindo estádios inúteis (mas que dão lucros fantásticos às construtoras que depois doarão milhões de reais para as campanhas políticas) e desviando recursos públicos. E depois dizem que falta dinheiro para investir em segurança, educação, saúde, estradas, ferrovias etc.

Mas o pior é que esses energúmenos serão eleitos por gente que paga impostos altíssimos e não recebe nenhum retorno.

Parabéns, Brasil!

PEC acaba com auxílio-reclusão de criminoso e cria benefício para vítimas de crimes

Boa iniciativa!

O ufanismo da Luiza Trajano que “viralizou”

Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, esteve no programa Manhattan Connection recentemente, e hoje me dei conta de que a sua entrevista acabou se tornando assunto que “viralizou” – lamento, mas este é o termo que virou moda, a despeito de ser bastante boçal.

Supostamente, ela teria “humilhado” o Diogo Mainardi quando tratou da situação do varejo (e, de forma mais abrangente, da economia) do Brasil. Primeiro, vamos ao vídeo:

Só agora há pouco tive chance de assistir ao vídeo na íntegra. E percebo que não houve nenhuma “humilhação” ou nada do gênero – aliás, pelo contrário: o Diogo Mainardi só errou em UM único dado, referente à inadimplência no Brasil em 2013. De resto, ele estava certo.

ATUALIZAÇÃO/CORREÇÃO – Depois que já havia publicado o post, o Diogo Mainardi colocou no Twitter o link da fonte que ele usou para afirmar, no programa, que a inadimplência de 2013 havia crescido. Ele está certo. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o índice de inadimplência realmente cresceu em 2013. Eis aqui o link da reportagem. Assim sendo, preciso ME corrigir: o Mainardi não errou em nada. No quesito da inadimplência, ele citou uma base de dados (CNDL, que usa dados do SPC), e a Luiza Trajano usou outra (Serasa). Cabe ressaltar, ainda, que quando o programa foi gravado, a Serasa ainda não havia tornado públicos os dados de 2013. Então, não era possível o Mainardi saber desse resultado quando da gravação do programa.

“Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas.”
Mark Twain

Vamos por partes.

1) Eu sou acionista do Magazine Luiza, e não vejo, nem nos dividendos e nem nos balanços, esse otimismo todo da Luiza Trajano. O varejo cresceu menos do que a inflação OFICIAL (e a inflação oficial é uma piada hoje no Brasil – eu sinto, nas minhas compras no supermercado, uma inflação de mais de 13% fácil, fácil. Além disso, estamos na época da “contabilidade criativa” de um governo que não hesita em mentir). Quando você cresce menos do que a inflação, significa que, na prática, você NÃO cresceu. Comprei ações do Magazine Luiza faz tempo, e o retorno sobre o meu investimento, até aqui, está negativo.

Houve, sim, uma “explosão” do varejo há alguns anos. Mas já acabou. Os dividendos que eu recebo provam isso. Os balanços do Magazine Luiza e das demais varejistas mostram isso. O problema é que são dados pouco compreensíveis para quem é afeito a “vídeos viralizados”.

Eis aqui uma pequena amostra do que ocorreu com as ações do Magazine Luiza entre 2011 e ontem (21/01/2014):

Google Chrome

Como presidente do Magaine Luiza, será que a Luiza Trajano vai dizer que as ações da empresa caíram tanto devido a uma gestão ruim ou porque o ambiente de negócios (Brasil) deteriorou-se significativamente? Será que o ufanismo se aplica às ações da empresa que ela preside?

2) O Magazine Luiza virou case em Harvard há mais de uma década; de lá pra cá, eles estancaram: zero de inovação. Não souberam dar sequência no boom do crescimento inicial. Além disso, o atendimento ao cliente NÃO é dos melhores. E quem fala isso é um cliente que desistiu de comprar no site do Magazine Luiza – eu prefiro comprar na Fast Shop.

Mas você é acionista do Magazine Luiza e compra na concorrência?

Sim.

O Magazine Luiza (ao menos o site, por onde eu compro 99% das vezes) tem pouca variedade e os preços não são tão mais baixos do que a concorrência – que tem maior diversificação e sistema de entrega (logística) superior. E, quando precisei do atendimento para resolver um problema, foi um desastre. Sou um consumidor exigente, então fui para a concorrência. Simples.

3) Há mais de uma década o varejo é o maior empregador no Brasil (exceto governos). Isso é realidade há muito tempo, aliás. Mas a Luiza fala disso como se fosse algo novo, recente, uma novidade que ninguém sabia. Eu poderia puxar dados e contextualizações que trariam à tona a automação industrial e a adoção de máquinas e equipamentos mais eficientes na agropecuária, o que reduziu a mão de obra no campo e na indústria, deixando o setor de comércio e de serviços com a maior parcela do “Pessoal Ocupado (PO)” nos levantamentos do IBGE, mas não vou me dar ao trabalho.

A tabela abaixo dá uma idéia disso (e pode ser consultada diretamente no site do IBGE, aqui):
Google Chrome 2

4) Sobre a inadimplência: a Serasa divulgou ontem (21/01) os dados consolidados de 2013. Sim, houve uma pequena redução da inadimplência em 2013, mas tanto em 2011 quanto em 2012 o aumento havia sido recorde. Os detalhes estão aqui. O Mainardi errou com relação a 2013, mas a Luiza errou quanto a todos os outros: desde que a Serasa começou a fazer este levantamento/índice, em 2000, foi a PRIMEIRA VEZ QUE HOUVE QUEDA – e, ainda assim, de apenas 2%. [VER ATUALIZAÇÃO/CORREÇÃO FEITA ANTERIORMENTE: O Mainardi não errou, ele citou outro dado/fonte]

Finalmente, quero lembrar de uma coisinha. Alguns anos atrás, o Eike Batista foi ao mesmo programa; o Mainardi questionou o otimismo exacerbado dele com o Brasil e questionou a solidez das empresas do grupo. Na época também disseram que o Mainardi estava errado, e que a resposta do Eike Batista havia “humilhado” o pessimista Mainardi. Eis aqui o vídeo:

Hoje, 2014, o que aconteceu com o Eike Batista? No ano passado, a verdade apareceu: as empresas do “grupo EBX” viraram pó. Não valem nada. O BNDES, que emprestou mais de R$ 10 bilhões, tomou calote.

A Luiza é muito simpática etc etc etc. Eu gosto dela. Mas ela, hoje, depende do governo em diversos aspectos: não apenas dinheiro do BNDES, mas o Magazine Luiza foi o primeiro varejista a aderir ao “Minha Casa Melhor”, que conta com linha de crédito da Caixa para vender eletrodomésticos, e faz tempo que ela é cotada para integrar o governo. Alguém acha que ela vai abrir mão disso tudo para “falar a verdade” num programa de TV que não é visto nem por 1% da população do Brasil, numa entrevista que dura menos de 15 minutos?

“Estatística é a arte de espancar os números até que eles confessem.”
Millôr Fernandes

“Contra fatos não há argumentos”, alguns dizemDepende.

Hoje em dia está cada vez mais “normal” os fatos serem distorcidos e espancados até que eles “confessem” aquilo que se pretende. Um exemplo recente: o IBGE mudou os métodos de cálculo do índice de desemprego. Num único dia, o Brasil passou de uma taxa de 5% para mais de 7,4%. Detalhe: em 2003 o IBGE já havia alterado seus métodos, o que reduziu o índice de desemprego da noite para o dia.

Porém, se o IBGE passasse a adotar os mesmos critérios usados na Europa para medir o desemprego, o Brasil hoje estaria com índices na casa dos 20%. Evidentemente isso não impede que muita gente fique exaltando o suposto “pleno emprego” no Brasil.

Leituras adicionais recomendadas:

O questionável otimismo de Luiza Trajano com o governo Dilma

Todo mundo sabe que a economia brasileira está com problemas… menos a Luiza